31 de mar de 2004

Sinto vergonha das prateleiras amassadas do meu nem querer ser. Inicia-se assim o aspiralidade multidirecional. São só cores. Amarelo, vermelho e no extremo, forte, agressivo e punhal o azul que antes era celeste, ainda pouco era piscina e hoje me parece que vai ser anil. Dentre três segundos a Anilada surgirá poluindo minha pele com cortisona. Assistirás a conversão de lírios laranja em cravos carmim. Tudo flor, nunca fruta. Já desconfias de onde estou? Pois é. Lá está o menino do muco condenado a arrancar letras do formulário. Culpa da adega, do vinho, da culpa e da vulgaridade. Vais mudar de assunto? Se me permite vou sim. Que a concomitância me rasgue do umbigo a cova do queixo.

Aceito morar nos braços do comandante máquina dois, mesmo sabendo que ele representa as arbitrariedades forjadas na quadra de basquetebol; a mesma que servi de goleiro. Ralava-me sobre o sangue de outros alunos ativistas exasperados e nem sabia. Preciso ler mais a história. Preciso ouvir a história com que ele me seduz e me apavora e me indigna. Quarenta e duas horas de Caramdiru. Meu Caramdiru se chama Papuda. E as impressoras ligadas, os telefones tocando, os faxes chegando, o fluxo a nos atropelar, nem vejo, nem sinto. O gosto do vinho tinto ainda me queima a língua. Disse, ontem, que não ligaria, mas minhas mulheres me jogam em masmorras de couro. Vai lá, Marcinho. Vai ser nossa isca. Golf automático prata filmado. Sentei-me no estofado de couro, como se fosse de costume, tive a impressão que estava sendo filmado. Mantive-me cauteloso. O pertubado que chamo maldosamente de paranóico estava lá a me surrurrar palavras de seda. Continuo depois, está muito sujo aqui.

30 de mar de 2004

Dicla, bom dia!

Ainda sobre o fulaninho, decidi o seguinte: se sonhasse com ele, ligaria; senão, esqueceria. Posso ter sonhado. O treino foi tão puxado, chequei em casa tão quebrado que nem banho tomei. Dormi de sapato no sofá. Mas antes de chapar, me lembrei que eu tenho prazos a cumprir. Setembro logo chega, e o livro não estará pronto. A Tatah merece. Não posso decepcioná-la de novo. Isso significa... nada. Foi apenas um sentimento de incapacidade. Logo estarei de volta.

Voltei. Quer um pouco do meu veneno? Estou emputecido. Dormi mal; estou em dúvida; minha voz se esganiçou; não tive nenhuma aula; um indeciso leva duas horas para escolher um vaso de orquídea; o motorista se recusa a seguir o meu intinerário e uma floricultura conveniada tenta me lubridiar e por fim acabo de esfregar nas minhas têmporas um perfume para noite.

29 de mar de 2004

Não sou mulher para você. Você é homem demais para mim. Ele me soltou do abraço, mas me pegou pela mão, segurando com firmeza. Queria saber como aplicar o golpe que faz com que o outro solte a nossa mão. Existe, não? Existe sim. Eu posso te ensinar. Ele me soltou completamente. Dei as costas e saí caminhando. Olhei para trás, ele permanecia na mesma posição. Joguei-lhe um beijo, para imediatamente, voltar-lhe as costas. Seu preconceito é mostruoso. Prometi ligar, não hoje; outro dia não sei quando. Dicla, o Naz chegou depois a gente continua. O fulaninho é um homicida, é o que queria lhe dizer. Processo de trezentas páginas. Não foi medo, nem mesmo da pt.40. Eu tenho um compromisso com o Fornazze. Não sei servir a dois senhores. Prezo minha vida. Sou um homem de palavra.

27 de mar de 2004

"Tudo bem, tudo bem. Mas realmente não gosto que me visitem sem me avisar antes -- sempre estou ocupado ou fazendo alguma coisa ou etc. (...) Uma boa idéia, rapazes, é LER LIVROS, aí vocês verão que nem sou tão original (etc.) assim.

(...)

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas -- Robert M. Pirsig
A Montanha Mágica -- Thomas Mann
Admirável Mundo Novo -- Aldous Huxley
Estórias de Fadas -- Oscar Wilde
A Revolução dos Bichos e 1984 -- George Orwell
Capitães de Areia -- Jorge Amado
O Encontro Marcado -- Fernando Sabino
O Apanhador no Campo de Centeio -- J. D. Salinger
Discurso sobre a Servidão Voluntária -- Etienne de la Botie
O Senhor dos Anéis -- J. R. Tolkien
Sidarta, Demian, Narciso e Goldmund e O Lobo do Estepe -- Hernan Hesse
Histórias Extraordinárias -- Edgar Allan Poe
Fundação -- Issac Asimov
A Vampiro Lestat -- Anne Rice
Feliz Ano Velho -- Marcelo Rubens Paiva

(...) autores interessantes: Júlio Verne, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Colin Wilson.

[há] milhões de outros livros jóia. (...) Boa leitura!"


Entre a Displicência e Pressa, Senhoras que ditam a pauta da minha Agenda. estou a celebrar a estupidez do poeteiro. Não foi bem isso que ele me pediu, mas como a Brasiléia Teimosa me habita, personalizo seu verso à minha maneira. Quarenta e quatro poemas disfarçados em letras de música a me traduzir a alma. Eis uma forma eficaz de lubridiar as consciências alheias. Necessito ser claro: Feliz Aniversário, Tio Renato.
Do Música para Acampamentos (1985-1992):

Daniel Na Cova Dos Leões

Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento

Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.

E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E sei que tua correnteza não tem direção.

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não esta lá porque não vemos.
Dicla,

Como eu havia dito, cá estou a ascender poemas do bolo de aniversário do poeta. Um a um, conforme o Dr. Tempo me permite. Vou mais tarde memorizá-los para, na hora do jantar, recitá-los aos meninos e meninas. Eles têm muito a aprender, alguma coisa posso lhes ensinar. Assim, dobro meu lucro: aprendo muito mais e conservo o Renato bem aqui, dentro de mim.

26 de mar de 2004

Querido Dicla, como estás?

Acabo de descobrir que tenho um problema grave. Decorrente da cerimônia de ontem. Os eventos improvisados de tão apinhados aguçaram minha auto-percepção. Chuva de papel prateados levou os recém-celebridades a acreditar que seria a derradeira chamada (espero que este clichê, te ajude, a entender o que estou lhe dizendo. Mas claro do que isso, não posso ser. Tu te lembras, não, da nossa estratégia? Rebuscar e embralhar e confundir o máximo possível, de forma que se algum indesejado nos descobrir. Poderei dar a desculpa que estou fazendo exercícios literários, nos quais a retórica se aloca do cotovelo ao nariz da minha orelha. Basta de digressão, vamos aos fatos)

Aquilo lá foi o excesso do Americel Hall. Acústica de Forró. Protagonistas estereotipados. Havia, eu, sido convidado para figurar uma produção caseira. Aplaudir efusivamente era minha função. Cumpri-la conforme a contrato. Sou profissional, em relação a ser dissimulado. No resto sou um puto amador. Nem cobro a massagem dos clientes que me apetecem. Concentrei-me no discurso do Senador, aquele que violou o painel do Senado, te lembras? Eu não me esqueci, nem posso, nem quero. Era um trem de clichês furando meu ouvido. Senador, se fosse para furar minha orelha, o senhor não deixaria, né?

Na hora da saída, para enfrentar a multidão engaiolada (só para usar o adjetivo da moda), me protegi atrás da camisetinha da Pesinho. Alinhei minha coluna e segui uma trinha que me livrasse de ser transformado em extrato de tomate.

No mesa da ceia, não consegui disfarçar meu cansaço, (era a segunda noite que iria dormir depois das 2h da manhã). O táxi me levaria para casa, se não fosse a carona de um estranho.
Desculpe-me o leitor que possa vir a ler isto. Se aquela era minha paga, vou querer sempre ser figurante. Quando não tem gata, caço com mesmo cão. Sem nenhum sentimento de culpa. Qual é o meu problema? A Ficção me proporciona mais prazer do que a Realidade.

25 de mar de 2004

Estrutura narrativa fragmentada: Memórias Sentimentais de João Miramar (Oswald de Andrade)
Origem: Mallarmé
Teórico:Hugo Friedrich
Pesquisar sobre: Sergei Einsenstein (cineasta russo); lógica da Montagem (técnica cinematográfica). Cubismo; Guillaume Apollinaire (manifesto); técnica de colagem.

Veja bem, é assim que eu gostaria:

"A estação da Luz estacou na quinta manhã com embarques esportivos para disputas foot-bolares de cores vivas nos estádios rurais.Matutos matutinos pullmavam civilizações E meus olhos morenos procuraram almoçar os olhos de prima Célia. A laparotomia da adolescência cortara-lhe rentes bochechas com próteses minúsculas de seios e maneiras de caça presa com cachos. O mato despencava hangars viários e alequais na linha." (pág.63-epsódio 57.Hinterland)

Futurismo propunha a técnica de "palavras em liberdade", destruição da sintaxe (ausência de pontuação, verbo no infinitivo, abolição de adjetivos, advérbios e conjunções)

Exemplos:

"Secadores cilindravam primeiras provas em desenvoltas fitas quilometrais.Escuros salões conduziam por mata-burros unidos e sorrateiros faróis reveladores.Tanques fixavam secretas maravilhas de luz para matinées e soiréss de écrans." (pág.79-epsódio 99.Laboratório)

Inversão de palavras
"...É o gru-gru dos grilos grelam gaitas ..." (pág.69-epsódio 74.Sal O May)

Onomatopéias
"Dez horas da noite, o relógio farto batia dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão!" (pág.78-epsódio 96.Bar)

Associação de cores, formas e sons
"... No desabar do jantar noturno a voz toda preta de mamãe ia me buscar para a reza do anjo que carregou meu pai." (pág.46-epsódio 3.Gare do Infinito)

Simultaneidade
"Bicicletas levantavam coxas velhas de girls para napolitanos vindos da Austrália. E Isadora Ducan helenizava operetas no Hipódromo." (pág.59-epsódio 47.Sonho Square)

Citação de aspectos da vida moderna
"Municipal Bar Teatro e Câmara
E o revezar dos pares e dos solos
Salas de espera de cinema..."

(pág.83-epsódio 108.Jogo do Bicho)


Características próprias de Oswald:
- neologismo "Losangos tênues de ouro bandeiracionalizavam o verde dos montes interiore" (pág.66-epsódio 66.Botafogo etc) (grifo nosso)

- uso de palavras extrangeiras - "Auditório de fascistas sicilianos com professorado cowboy no cisne de zinco e palmas." (pág.75-epsódio 89.Literatura) - (grifo nosso)

Características minhas:
Jargão
Atenção com a gramática.
Uso de metáforas
(_________________)?
(_________________)?
(_________________)?


Procurar na BCE
ANDRADE, Oswald de. Memórias Sentimentais de João Miramar . Editora Globo, 12a. ed. São Paulo, 1999.

ATAÍDE, Vicente de Paula. A Narrativa de Ficção. Ed. McGraio - Hill do Brasil Ltda. 2a. ed., São Paulo, 1973.

ÁVILA, Affonso. O Modernismo. Editora Perspectiva. São Paulo, 1975.

CAMPOS, Haroldo de. Estilística Miramariana em : METALINGUAGEM & OUTRAS METAS. Editora Perspectiva, São Paulo, 1997.

CAMPOS, Haroldo de. Trechos Escolhidos por Haroldo de Campos/Oswald de Andrade. Editora Agir, 2a. ed. Rio de Janeiro, 1977.

CANDIDO, Antonio. Presença da Literatura Brasileira. Editora Bertand Brasil, 10a. ed. V.2 Rio de Janeiro, 1997.

COUTINHO, Afrânio. A Literatura no Brasil Colonial. Era Moderna, vol. I.

JACKSON, Kenneth D. Arte da Sátira em Memórias Sentimentais em: VANGUARDA CANIBAL. Editora Perspectiva. São Paulo, 1992.

Transpor a estrutura sócio-espacial para a narrativa. A forma como será contada a história refletirá a categoria espaço. A medida que o personagem desloca-se pelo espaço muda-se a narrativa. Ler Milton Santos, Corrêa, Armando (Pesquisar em outros epistemólogos espaciais), Edgar Morin, Harbemas.

(Voltar para inserir os links.)

Está faltando uma pá de gente, mas agora chega de "linkar". Meu terno chegou. Vamos nos vestir para a colação de grão da Dentinho.
Sou uma mula imbecil! Acabo de descobrir que o problema era o template do Blogger. Vou ficando com este template mesmo. A mudança vai começar. Só espero que não se perca nada pelo caminho. Sinta o barulho do motor, aprecie a paisagem. A viagem será longa.
Mesmo desconfigurado vou publicar, depois conserto esse monstro.
DiCla,

Estou pensando quando a Tatah te receber de presente. Meu caderno aspiral com letra de seminarista. A felicidade se enrubecerá para sempre naquela pele de Branca de Neve. . As nuvens correrão para testemunhar o evento. E os Deuses as assoprarão para longe, com inveja da visão privilegiada de setembro. Isso mesmo. Vamos estabelecer prazos. Até sete de setembro, tu estarás manuscrito e até vinte de dezembro o primeiro rascunho estará pronto. (Primeiro rascunho? Não acredito que andas me traindo.) O sonho da Tatah se realizará, não poderei corrigir nenhuma vírgula displicente. A prova do meu crime está aberto para pespicácia da minha aluna. A crítica literária pousará sobre tuas páginas. Estarei longe, infelizmente. Que conclusões ela chegará? Ela perderá tempo contigo? Não sei. Nem nunca saberei. Tu és, agora, minha montanha de arroz para amassar. Um grão de cada vez, como nos ensinou a parábola. No mais, adoraria que seus leitores se manifestassem em relação a nossa verossimilhança. Chega um momento que consigo mais me ver no espelho.
Abraços,
Seu diarista comprometido.

P.S.: Vê se me responde, já me basta o silêncio da geladeira.
Deixei de comungar para sentir o punhal fatiando minha carne. Penumbra. Buracos onde se plantarão mangueira. Corpos luxuriosos. A morte do indigente não será investigada. A caminho de casa, fustigado por cólicas, fiz do pé do muro o alívio da minha insensatez. Uma nota de um a dez. Cinco para o primeiro, cinco para o segundo, três para o último. Na média, a noite foi insatisfatória. O céu azul claro lembram os olhos da minha avó materna. Volto para cama, meus olhos estão cegos de sono.

24 de mar de 2004

Perdi a batalha. Derrotado, me joguei no sofá da sala. Nem ânimo para tirar os sapatos, tinha. Nem mesmo um pré-adolescente escreveria um texto tão simplório. E eu achava que seria meu primeiro trabalho como ghost writer. Foram dez horas rabiscando sobre o mito de fundação do território napalense. Devolvi os cinqüentas reais. Posso não saber dissertar, mas não aceito receber por um trabalho que me envergonha. (E eu, não envergonho você? Claro que não, né? Sou diário tranformado em vaso onde você alivia sua ressaca. Estou cansado do meu diarista. Ele reclama demais.) Vou estudar meu manual de redação, mesmo sabendo que já perdi essa Guerra.

23 de mar de 2004

Ontem foi a dia mais importante da minha vida. O Felipe e o seu parceiro Carrara (se não me trai a memória) parecem um animal quando à mesa. Sou grato ao Sd Fornazze por ter me proporcionado um Dia de Arquimedes. Gostaria que todas as pessoas experimentassem, ao menos uma vez na vida, o prazer da descoberta. É isso! É isso! Eu correndo pela casa com as mãos molhadas com espuma de detergente. Visualizo, finalmente, o divisor-de-água sem ajuda de estereoscópio. Como prova da minha gratidão, o Felipe servirá de suporte para um dos meus coadjuvantes, será vínculo da minha imaginação com a realidade.


Tentar inserir Heureca! Heureca! (Achei! Achei! ) no texto.
"Cama de tatame". Eles dormem numa esteira. (Pesquisar sobre)

22 de mar de 2004

Era como se eu tivesse sido pisoteado. Os berros me impediam de ouvir o curió cantando. O sangue me escorrendo pelo nariz, um filete escorrido até o queixo refletido no espelho. Detalhe, que faria toda diferença para mim. Se não bastasse o incidente, agora ele me obstruia a saída do banheiro. Em pé na porta, com o braço estendido, me oferecendo o lenço azul-marinho. Você também, pede. Eu não queria ter, ainda, que ouvir aqueles esses chiados. Me recordo da leitora dizendo que ele é alguém que eu gostaria de ter. Droga! Eu só faço merda nessa porra de vida. Posso imaginar os comentários, Marcinho, Marcinho, o que está acontecendo? Não aconteceu nada. Estou, apenas, tentanto colorir meu cotidiano nublado. Os vários tons de cinza não me dizem, absolutamente, nada. Mas, o filha-da-mãe sabe escolher uma gravata como ninguém. Ele aprendeu a viver com uma "corda" no pescoço. Eu não consigo conviver com essa coleira eletrônica. Isso é policiamento. (Que nada! É apenas um à-toa sem nada melhor para fazer. Ele acredita que escrever lhe trará clareza. Pode até ser, mas não no caso dele.)

O fato da remessa de rosas chá terem chegado quebradas, como se tivessem sido pisoteadas, me serviu de inspiração nesse texto. O mesmo é a mais pura ficção. Se vejo minhas mãos sujas de sangue, meu sangue, é apenas uma alucinação advinda da minha intolerência ao que me é necessário. (Voltar para substituir o verbo "ser".)

19 de mar de 2004

De: "Neto Cury IG" < - @ig.com.br> Adicionar endereço
Para: "Marcio - " < - @yahoo.com.br>
Assunto: Gripe,_febre_e_os_cambáu!
Data: Fri, 12 Mar 2004 19:38:52 -0300

Febre, vírus, nariz entupido!
Pra que porra você quer lencinho perfumado??????????
hahahahaha
Abraços e vê se sara!

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O e-mail do Neto me reporta ao fato que desde o dia sete de março estou convalecendo da gripe do Waldomiro. O Zé já está firmão, despachando no Planalto, e eu aqui só, cof, cof, cof. O bom de se estar gripado tem sido o estrago que a Dona Tosse tem causado à minha garganta. Em tudo há um lado positivo e sem querer ser a Poliana, já sendo, estou entusiasmado com os meus graves. Ninguém me reconhece. Rapaz! Você está com voz de gente. Ou: Bom dia! Eu poderia de falar com o Márcio? Sou eu, Renan. Não está me reconhecendo? Caraca, véi! Que voz é essa? Resolveu virar homem?

Feliz com a evolução da minha personalidade --de meninino de fralda a jovem maduro, sai para testar a potência dos meus graves. São as chuvas de março, quando os trovões ecoam dentro mim. Precisava saber se o humor do Fornazze já havia se estabilizado. Adianto o final desse capítulo, ele continua o mesmo grosso, estúpido e bronco. Fumar deitado na cama é uma falta de educação que estou aprendendo a tolerar. Não interessa se a cama, a colcha, as cortinas, o carpete e o Márcio, são dele. Mandei-o que fosse fumar na varanda. Por acaso, teria sido à-toa os dois finais de semana carregando saco de terra na costas para plantar as pacovás. Ele me quer nervoso. Ele se delicia ao ver que não tenho medo da sua autoridade. A jardineira foi transformada em cinzeiro. É adubo, Pincel. Não sabia que você tinha virado minhoca. Opa! Somos nós, quer agora?

Deixei-o sem resposta. A ausência de rugas na testa e o seu olhar fixo na candidata de sorriso branco me mostravam que ele estava zuando comigo. Então decidi jogar (de acordo com minhas regras). Assim que entrou os comerciais, após comentar algumas propagandas, me despedi dele com um tapinha nas costas. Só isso? Volta, aqui, rapaz! Espera terminar o programa. Ainda está chovendo forte. Diga que vai me deixar em casa, ou chama um táxi. Eu tinha uma resposta na agulha. Porque, você, não dorme aqui? Nessa cama não cabe nós dois. Você sabe que não posso. Não pode o quê, rapaz! Deixa de frescura! Seja homem! Diga para sua tia que você vai dormir na casa de um amigo. Pelo que me consta, você já atingiu a maioridade jurídica há muito tempo. Tchau, Naz, almoçaremos juntos amanhã? Escolhe, ligo para sua casa dizendo que você foi detido, ou você liga para lhes dar uma desculpa qualquer?

Seus olhos imóveis conseguiram me intimidar. O trovão que soava lá fora, era um pio perto do trovão que me deixara mudo. A voz que antes me intusiamara, não fazia frente ao homem que me barrava a passagem. Eu preciso ir embora, Naz. Meu material está em casa. E a gente não pode pegá-los, antes de eu lhe deixar na UnB? Eu olhava para chuva lá fora; para as cortinas balançando; para o carpete amarelado queimado de cigarro; mas não lhe olhava nos olhos. Lá dentro havia um rottweiller, em posição de ataque, pronto para defender seu território. Tentei desviar-lhe a atenção, concentrando-me na moça que acabara de ganhar um carro zero. A prioridade dele era outra. Peguei o telefone, liguei para casa, avisei a quem atendeu que passaria a noite na sala de reserva da biblioteca reescrevendo um capítulo da minha monografia que eu deveria entregar hoje. Nem um sorriso, o vencedor soltou. Já havíamos estragado à noite.

A chuva parou, mas não havia estrelas no céu. Deita no canto. Deitei-me e me virei para parede. A luz se apagou. Ainda lhe pedi que deixasse a porta da varanda entreaberta. Quando senti sua mão procurando minha cintura, virei para ele e desejei-lhe que sonhasse com os anjos. Não me lembro com que sonhei, só sei dizer que acordei sem despertador, bem disposto, descansado e sem dor-de-cabeça. Dos pãos dormidos, ele fez torrada. E a flor que enfeitava a bandeja ainda estava molhada de chuva. Você tossiu a noite toda. Agora ele sabia porque eu não queria ter dormido com lá.

Voltamos para ficar, porque aqui é nosso lugar.

18 de mar de 2004

Bom dia, Vampirella e a todos os membros do grupo!

Nunca pensei que fosse tão difícil me descrever numa mensagem de apresentação. Aliás, nem sabia da necessidade da dita cuja. Há meses, eu havia visto o banner do grupo no weblog do Rui e automaticamente me cadastrei e cadastrado fiquei sem mandar a minha mensagem de apresentação. Apresentar-se on line traz muitas possibilidades. Posso ser quem eu quiser, sendo ao mesmo tempo nada. Deixemos de delongas. Vamos servir o prato principal. Estuda? Madrugada a dentro. Trabalha? Como um escravo. Tc de onde? Agora estou em Brasília, mas daqui à pouco ninguém sabe. Idade? O suficiente. Ok,Computer! Tenho 24 anos. (quando ele escrever essa crônica) Crendices? Tenho o Sol em Virgem no momento em que Gêmeos ascendia no horizonte. A Lua se não me trai memória estava em Cancêr. No mais, acredito na indivisibilidade do Tempo,do Espaço e do Universo. Ah! Reconheço o direito à vida do Ácaro ao Homem. Contudo, reconheço mais ainda o direito das Mulheres fazerem dela (a vida) o que bem quiserem. (ixi, não vamos suscitar polêmicas no que era para ser uma apresentação) Preferências? Gosto do Pessoa na pessoa/Da rosa no Rosa/ E sei que a poesia está para a prosa/ Assim como o amor está para a amizade/ Mas posso mandar um forró-funk-rap sem nenhum constrangimento. E quando a Lua mingua? Tranco-me no meu ceticismo inrrefreável. E se ela está cheia? Transformo-me numa travesti aprumada para investigar o que está misturado na lavagem dos Porcos Monarquistas (ninguém me convence que foi promulgada a República no Brasil). E se a Lua está Nova? Escrevo relatórios ensimesmados, também chamados de diários de um onamista canhoto. Finalmente,o que fazes quando a Lua está crescente? Vou ao barbeiro, retocar as luzes do meu topete. Não sou de vaidades, mas higiene é fundamental, ou não? Vamos relativizar também essa questão. Se minha ex não puder soltar um... digamos, flato, que intimidade é essa que ela quer reconstruir. Fique claro, flatulências e demais excrementos só de quem amo para além do demais. (Nada a ver com parafilias. Sou um cara maluco, mas um maluco beleza, daqueles que atravessam na faixa sem se arrebentar. Faltou o mais importante. Bonito? E eu preciso usar de subterfúgios para seduzir. Se o leitor tiver lido até aqui, afirmo que não preciso de jeito nenhum. Calma, meninas, São Sebastião nos guarda. Modestamente, dá para uns pega. Para terminar, pois preciso postar minha correspondência real. (Isso mesmo, queridos blogueiros e espertas blogueiras, além de eu ser politicamente correto, sou real.) Faço da vida um rascunho que não terei tempo de passar a limpo. Outro dia conto-lhes como peguei essa história, voltemos todos ao Pelorinho.

17 de mar de 2004

É uma frente fria mostrando o quando posso ser forte. Depois das alfaces vermelhas, os guardanapos não seriam amarrotados, nem os lençóis, nem a colcha de veludo vermelho que me faz espirrar. Preciso traçar estratégias que rimem cordas com celulares; coleiras com papéis de chocolates. E a frase contamina os ouvidos mais afoitos. É apenas óleo de girassol me escorrendo pelo esfíncter. Preciso de mais associações livres para disfarçar a minha história. Consulto meu manual de boas maneiras, para não ofender nanocracia que segue o sequito. E se eu pedisse para a Sugar traduzir Goethe para mim, eu compreenderia o que está suspenso por linhas pontilhadas? Esqueço-me das promessas que me faço durante o dia, para depois ficar lamentando aos os cantos o quanto eu poderia/deveria estar livre. Livre, planando sobre conjunção Áries junto a Virgem. Livre, sentido o gozo pulsar de dentro dos meus poros. Vejo os estralos estacionados atrás da minha nuca raspada. São orgasmos intermitentes turvando meus sentidos. Uns poderia desconfiar que são efeitos ilícitos; outros, de abuso. Agora não me importo mais com o que meus amigos vão pensar; se são amigos, eles não se importarão se sou um homem violentamente apaixonado pelo cano cromado de uma pistola com a numeração também raspada. Foi um beijo de me deixar hematomas. O próximo, quero numa fila de supermercado. Será o clímax do meu romance. Hoje, foram indícios que ele me ama. Amanhã, serão provas de que ele realmente não consegue dormir sem sentir meus pés entrelaçados nos seus. Não consigo conter o fluxo, nem quero.

16 de mar de 2004

...vejamos como ficou a jossa da minha paçoca.
Estou só a capa do Batman.
Acordei atrasado. O Fornazze nunca tomara banho cedo. Que invasão de privacidade era aquela? Ignorei o roçar de pernas. Eu tinha outros planos, outras responsabilidades. Deixei-o falando com os azulejos pastéis. Divido lençóis, não chuveiro. Meu creme de barbear nas suas mãos, me dizia que a experiência da noite passada não deveria se repetir. Vamos desmontar o cenário. A encenação acabou. Volto para casa com a mentira de que estava acampado em Itiquira. Nem sei mais quais são as minhas meias. Meu mundo está sendo sacudido por um tornado e não tenho nada em que me apoiar. Na pia restos de barba, sabonete para as mãos cheio de espuma; detalhes que invalidam as confissões proferidas ontem à noite. Não! Eu não estou vendo a toalha molhada em cima da minha camisa branca. É uma alucinação que a droga da persistência causa em mim. O cheiro de café sendo coado ressoa pelo apartamento. Não vem aqui agora, é surpresa. Surpresa é o que eu tenho para te dizer, agora mesmo, diante croissants, papayas e ricotas. Ao vê-lo trazendo a bandeira em minha direção, enguli minha raiva. Achei por bem colocar minha máscara e voltar ao palco. Não foi hoje que tive coragem de fazer feijoada do porco que estou domesticando.

Acordei atrasado. O Naz nunca toma banho cedo. Que invasão de privacidade foi aquela? Ignorei o roçar de pernas. Eu tinha responsabilidades. Deixei-o falando para os azulejos. Divido os lençóis, não o chuveiro. Meu creme de barbear nas suas mãos, me dizia que a experiência da noite passada não deveria se repetir. Vamos desmontar o cenário. A encenação acabou. Volto para casa com a mentira de que estava acampado em Itiquira. Nem sei mais quais são minhas meias. Meu mundo está sendo sacudido por um tornado e não tenho nada em que me apoiar. Na pia restos de barba, saboneteira da pia cheia de espuma; detalhes que invalidam as confissões proferidas ontem à noite. Não! Eu não estou vendo a toalha molhada em cima da minha camisa branca. É uma alucinação que a droga da persistência insiste em me causar. O cheiro de café sendo coado ressoa pelo apartamento. Não vem aqui agora, é surpresa. Surpresa é o que eu tenho para te dizer, agora mesmo, diante croissants, papayas e ricotas. Ao vê-lo trazendo a bandeira em minha direção, engoli minha raiva. Achei por bem colocar minha máscara e voltar ao palco. Não foi hoje que tive coragem de fazer feijoada do porco que estou domesticando.

15 de mar de 2004

Com a volta às aulas não sei se pularei do sexto andar do HUB ou se vou me embora para Foz do Iguaçu. Depois penso nisso. Meu carona me chama.
Com a volta às aulas, não sei se pularei do sexto andar do Hospital Universitário ou se vou me embora para Foz do Iguaçu. Depois penso nisso. Meu carona me chama.

12 de mar de 2004

Qual o motivo de se narrar o fato de se estar gripado ou o que seja? Ah, me lembrei. O Dr. Advogado me recomendou que tomasse conhaque, com limão e sal. Você não vai ficar melhor, mas também não irá mais senti-la. Todos riram entusiasmados. E a febre me rasgou a pele o dia todo. Vai tomar remédio, menino! Já estou medicado. Antes que me falassem o que não podia ouvir, alertei à todos: Não bebam nesse copo. Não peguem no telefone, tampouco no mouse. Estou febril. O vírus é altamente contagioso. Mantenham-se longe de mim. Ô doencinha mais sem status, viu. Na drogaria não havia máscara, mas antitérmicos não faltavam. Leva também vitamina C. Só não vou denunciá-los à vigilância sanitária, porque os considero demais. Sai da droga pedindo desculpas por derrubar um sabonete liquído . Queria uma caixa de lenços descartáveis. Não há coisa mais gostosa para um gripado do que uma caixa de lenços perfumados. Se você soubesse o quanto eles são caros, você não ia achar eles gostosos. Nem me importei com que acabara de ouvir. Era com esses lenços, que disfarçava minhas lágrimas. Meus encontros com a Dra. Psicóloga em nada se pareciam com sessões de psicoterapia. Ela me induzia a resignificar o meu papel de filho. Estaria até disposto, se me fosse simples encontrar minha mãe.

9 de mar de 2004

A Leitora de cílios encurvados lê o Dicla de baixo pra cima. Costume oriental, teria me confessado, após ajeitar o travesseiro entre as pernas fustigadas. O Leitor de queixo escanhoado lê o Dicla de cima pra baixo. Costume empressarial, teria me confessado, após ter me empurrado uma colherada de mel com mastruço. Os outros leitores...Fato irrelavante. Eles se comportam segundo suas particularíssimas neuroses. A professora de Campinas "dá um transversal" para logo mais em baixo me sorrir em piruetas carbonizadas. O Rotweiller entra no Dicla, e preocupado com algumas palavras minusiosamente cifradas, me faz um interubano para saber o que foi fato e o que está sendo ficção. Ele quer saber se estou contemplando o amanhecer absoluto, ou se ainda sinto vontade de desenterrar a Taurus que mantenho escondida no terreno baldio aqui do lado. Eu te devolvi. Devolveu, não! Cada qual me interfere na medida exata de descrever aquilo que absolutamente ninguém pressupõe onde desaguará. Explico para quem me escreve cartas anôninas que me alivia deixar o relógio de pulso sentado na cadeira esperando o celular grampeado falar. Assim, hoje, preciso de três xícaras de água quente para mergulhar o nariz antes que o assistente volte. Antes existisse um vão entre o quarto de visitas e o escritório; o mofo e eu agradeceríamos.

...queria dar continuidade a narrativa de ontem, mas sempre passa alguém bem próximo de mim pra ver/ler o que estou escrevendo. Eta, povo, curioso! O que tanto escrevo não interessa a ninguém. Então, hoje, vou solicitar os favores do caderno empenado e procurar uma biblioteca silenciosa onde possa escrever sem ser bisbilhotado.


Dicla, mantê-lo secreto está me deixando sem cabelos. Vou enrolando os coitados e quando percebo tem um chumaço na minha mão direita. Há pessoas que dão o sangue, estou te dando meus castanhos fios de cabelos. O que for anotado no empenado se perderá para sempre.

1 de mar de 2004

Foi um dia que eu gostaria que não tivesse existido.