3 de mai. de 2004

Seminário Internacional Cultura e (in)Tolerância
Depois narro como a gordura da picanha escorria pelo espeto. Jornalistas poetas não merecem nenhum naco, nenhuma linha no meu idiosincrático diário. Não é porque somos on line, que vamos esculhambar. Meu tio perdeu. Digo isso, porque ele se despediu de todo mundo, menos de mim. Sendo que eu estava na frente dele, de mão estendida esperando sua bênção. Ele não esperava que eu estive pronto para rebater suas provocações. Corro risco de morte. Devo ter cuidado para quais as portas eu dou as costas. Antes de ir, uma navegação poética. Nada demais, é só para me lembrar que meu amor não ousa disser seu nome, mas não se importa em fazer serenata debaixo do meu bloco para quem quiser ouvir. Moleque de atitude. Pena que ele perdeu.

http://100licencapoetica.blogger.com.br/
http://poemias.blogs.sapo.pt
http://mardapoesia.zip.net/

1 de mai. de 2004

Ser mais sutil. As pessoas respeitam tal sentimento. A ponto de chegaram a cultuar quem comportou-se assim. Mais poesia no meu café-da-manhã vai me ajudar a digerir as sementes do papaya. Que o Mário e o Fernando me desculpem...

Billie Holiday
Pensar é transgredir
pearl Jeam
Chico Science
Matchbox 20

30 de abr. de 2004

Ele queria ter capital sem comer da rabanada. Clara de ovos não deixam comentários, meu querido diarista. Principalmente quando te negas a fazer seus deveres de casa. Prometi levá-lo para ver o aveludado das rosas de São Benedito. Do Ceará à França. Seriam mais problemas de trigomometria para as caspas que não deixavam de lhe admirar as pernas.

Tudo poderia ser resumido num lençol esticado diante armamentos ávidos pelo toque das patas dos ratos cinzas. Estou cansado de não-ser. O fulaninho me induzia a compactuar com a negação do travestismo caótico que chovia sobre nossos pés. Meu vampiro queria me sugar, mas a lua não favorecia. "Hem, Marcinho, quando você vai me acompanhar? Tenho uma garrafa de vinho branco nos esperando." E para me irritar, me lembrou: "tortura nunca mais". E repetiu: Tortura nunca mais, Marcinho. Com o ombro me empurrou, para logo em seguida me segurar pelo braço. O homicida agora está a inverter os papéis. Ao me recusar a entregar minhas esperanças ao fulaninho chumbado, ele me acusou. A prova: um filete de lágrima escorrendo-lhe por fora do nariz. Era fingimento. Mas eu gostava de precisar daquilo. Lá estou eu, sendo julgado por mau-tratos. Eu poderia ter apertado a ponta do dedo onde existira uma unha. Infecção. Ele gritaria de dor e assim nossos crimes seriam igualados. E ele me olhando com a cabeça baixa. "Olha o que você fez?" Só faltou me pedir para beijar-lhe o curativo do dedo mínimo. As catilengas cochichavam. Era sobre a gente, eu poderia ler nos olhos delas. "Relaxa, rapaz, dois amigos não podem mais conversar? Agora se fôssemos o que eu gostaria, seria diferente; a essa hora, você estaria em casa dormindo esperando seu amor voltar do serviço." Ri e lhe disse que já era hora de eu ir para o berço. Despedimos-nos com um aperto de mão excessivamente balaçado. Sai sonhando com aquela possibilidade. Só que ele não desconfia, nem o Naz.

29 de abr. de 2004

Mom petit Cinho,

Bonjour, espero que você esteja muito bem. Jà estou na frança e eu não pude me despedir. Infelizmente o tempo não deu porque quando eles me avisaram que eu tinha um vôo, jà era a hora de embarquar. Que pena, agora eu posso sò escrever um mail para você. Eu adoro você, mesmo se eu não vou escrever muito, nunca esquecerei você. Você foi muito bom comigo, e ainda uma vez eu queria agradecer você. Espero que tudo vai continuar bem para você.
Eu acabei de ver minha familia e meus amigos, nòs somos muito feliz, tem sò um pequeno problema; ESTOU MORRENDO DE FRIO. Ah! que tempo gostoso você tem! Enfim eu vou dever me acostumar de novo. Se cuidem e tudo de bom. Enormes beijos Até mais Sua B.


Sentirei saudade da torta murcha de maçã. Assumi a postura de um modelo fotográfico disciplinado. " Adoro seus olhos." Gladíolos assumiram outro significado para mim depois de todos flashs opacos. Eu em sépia ilustrando um outdoor particular em Toulosse. French kisses são agora beijos brasileiros. Eu mais ensinei do que aprendi. Deveria ter sido o contrário. Croqui de ramalhetes de rosas me farão falta. Como é que ela conseguia amarrá-las daquela forma? Deve ter aprendido com o pai marinheiro.

28 de abr. de 2004

Com os olhos fixos no monitor, tentava elaborar uma solução. Uma carta ao reitor sairia igual a um alívio. Mas, me lembrei que beijos sufocados não significavam nada. Foi, então, quando tive a idéia de correr quarenta quilômetros até a igreja mais próxima para garantir a primeira fila. Não era um show de rock, (como outrora) nem a garantia de salvação. Mas meus dedões não suportavam mais o cor do esmalte café que me servia de calmante.

27 de abr. de 2004

O rascunho do argumento-final me cheira a chuva lilás. Freud que me ajude. Meu sentido orgânico me processará por maus tratos. Antes, vou passar uma mensagem para celular do Fulaninho, já que a secretária insiste em querer falar comigo. Não sou garoto de recados. Sou daqueles que gostam de saber como os mocinhos fazem para controlar um rebelião num presídio federal.
--Hoje, você não vai poder sair à tarde. -- dissera-lhe a madrinha.
--Porquê? --perguntou ingenuamente.
Ela lhe deu as costas e entrou na butique.

Ele estava cansado de se enconder no porta-luvas. As paredes do cubículo transpiravam o sangue dos seu gemidos. O Marcinho havia sido convidado para um prisão. Na piscina, as sessões de afogamento nunca seriam esquecidas. Suas roupas penduradas no fio de alta tensão. A tese esperando por ele. (Outra promessa que ele não conseguira cumprir.) Ao pensar em voltar para o casa onde os cãos jogam autorama, ele resolvera pixar o guarda-roupa com o mesmo polegar que, repedidas vezes, furava o microondas, para logo em seguida, sentar na mesinha de centro até terminar a leitura do livro dos cores. Era uma saída, a pior dentre tantas.

26 de abr. de 2004

Ele buscou a história sócio-econômica brasileira para justificar seu apoio à política de cotas. Argumentos sólidos e contra-argumentos preventivos. A platéia branca o escutou calada. Não houve réplicas, para tristeza dele. A tréplica engatilhada seria a luva. Aquele era o pau-de-fumo que os primos gostavam de açoitar. O pai sentiu-se orgulhoso. O arrependimento se desfez. Era um aniversário de criança. A ocasião que o Marcinho aguardara para espezinhá-los com suas lembranças maternais.
Cor-de-rosa com laranja não combina. Agora, suco de laranja com pétalas de mini-rosas rosa é um potente afrodisíaco. Será que vou resistir à vontade de telefonar? Pedidos de desculpas são aceitos na hora do almoço. Eu bem sei.

25 de abr. de 2004

Estive tão concentrado estudando o funcionamento da minha memória, que me esqueci do encontro com o Fulaninho. Agora ele quer meu pescoço. E meus braços e meu tórax e meu abdômen, minhas pernas. Tudo junto, em perfeito funcionamento. Ok, me entrego. Mas o coração já tem dono, quero dizer, donos. Meu casal de pólvora me aguarda em Curitiba. Vão se cansar. Minha resposta continua sendo não. Eles que tratem de voltar para casa o quanto antes. A noite está muito fria sem eles.

24 de abr. de 2004

Superpromoções se abrem aleatoriamente impedindo o bem-estar daquela formiga aprendiz. Não quero promoção, antes uma imitação. Que os seres imitativos me desculpem, mas quando farinha é pouca, meu pirão primeiro. Seria assim, se o céu de abril não tivesse vermelhinho dos respingos da nossa indignidade. Quando a farinha é realmente pouca, uma nequinha para cada um que estive sentado no tapete de cordas. Solidários nas refeições, comungamos ideais. Eis que nos surge uma tese apetitosa para defender. Elas acaba de nos escapar. Sabonete de mercúrio que se escorre pela minha perna. Vai embora, vai. Idéias vem e vão na circunsferência da minha vizinhança. E quando eu resolver cochilar com a lascívia, chamem os cavalos dos cães, pois vou conta-lhes em detalhes, não todos, o que as folhas dos pinheiros sussuram ao serem tocados por esquilos desavergonhados. Depois continuo, acabo de ser pisoteado na contra-mão. Alguém me esmurra, alguém me cospe e depois me chama de Drummond.

23 de abr. de 2004

Márcio,

Segue o comprovante de pagamento da cesta com 60 botões rosas vermelhas importadas com um quilo de sonhos-de-valsa.
Local de Entrega:
- SAS (...)
- Entregue à (...)
- Horário de entrega: 17h

Os dados do cartão estão em negrito:

Acerolinha,
Não quero dizer nada além de... TE ADORO MUITO!
Feliz Páscoa!!!
Beijos do seu Fofucho
08 de abril de 2004



OBS.: Faça bem feito, bem caprichado. Obrigado pela atenção. Gostei
muito do atendimento. Qualquer dúvida me ligue: (...)

Muito obrigado,

L.
Analista de Sistema (...)
(...)
(...)
PR-Br

22 de abr. de 2004

Olho para imagem de satélite e penso: "não sei por onde começar o plano de manejo." A fotografia está muito brilhante. As cores não combinam. Plotaram a imagem num papel muito mole. Não consigo reajustar a inclinação da minha mesa. A luz da iluminária está fraca. Minha cadeira baixa me dói a coluna. E poderia continuar com uma seqüência de queixas até completar 3.000 ou 5.000 palavras, vai depender do sarcasmo do meu orientador. Quando fujo das minhas obrigatórias, algo me empurra para elas. O Arthur acabou de chegar com os lápis demarcatórios. Vamos nos livrar logo desse carma. Depois do almoço, não sei para onde minha bússula vai apontar. Vou matar a aula de fotointerpretação aplicada ao planejamento urbano. É a decisão mais coerente. Nem penso em aparecer ao happy hour do Postinho. Bem que lá... eu poderia ouvir algumas histórias; aprender palavras novas. Mas, um plano se forma dentro de mim. Escrever é preciso, viver não.

21 de abr. de 2004

A cidade está morta de vazia. Ninguém para lhe dar os parabéns. Melhor assim. Meu amor e eu no Clube do Exército para se torrar debaixo de um solasso. Eram planos, antes do telefone tocar.

20 de abr. de 2004

Ainda sobre o churrasco de domingo. Por debaixo do travesseiro acompanhei o ir e vir da bola. Levantei várias hipóteses. Questionei a validade do malte escuro derramado no chão. Reconheço minha ignorância diante a turba de oponentes que teimavam em tocar seus bumbos perto de mim. No churrasco do rival corria o risco de ser linchado, caso o Flamengo perdesse. Quem não era vascaíno, era anti-Flamengo. Da minha camisa fariam churrasquinho para eu comer. Calado eu ria constrangido. O que eles queriam mesmo era que eu fosse embora dali. Ser hostilizado não faz bem a auto-estima de ninguém. O olhar do Fornazze me protegia da água verde da piscina, mas não era suficiente.

19 de abr. de 2004

A aula de Estética e Cultura de Massa me aguarda, então só para não perder o costume do vício que solapa minha franja, lembro-me da mudança do domingo. Na estante do escritório, meus livros estão bem guardados. Espaço é fundamental para se guardar o Conhecimento. Já o tempo. Esse é escasso. Uma coisa compensa a outra e assim vou-me lembrando do churrasco de aniversário do vascaíno xexelento. Parabéns pelos seus 27 anos. Assim disse para o filho do pai do meu amor. Não fui bem recebido pelos Fornazzes. E nem sei como falar disso. Vai que o Alessandro venha a ler isso algum dia. Se não me bastasse ser filho de vascaíno, os braços que me protegem também gostam de bacalhau. Depois penso nisso, o professor já deve ter chegado.

17 de abr. de 2004

Não tem post hoje. Estou indo levar mis abuelos para vacinar. Vou aproveitar a ocasição para coletar algumas historietas, principalmente aquela que me impede de ter um sonho calmo.

Antes de eu ir, em definitivo, quero registrar: apenas trinta por cento dos candidatos que utilizaram as cotas para o vestibular da UnB, eram realmente negros ou pardos. Tal fato me leva as seguintes conclusões: ou os candidatos não leram o formulário de inscrição ou eles querem protestar contra a medida. Podem reclamar, vivemos numa era de mudanças. Se não se muda a política econômica (sai para lá inflação!), ao menos temos políticas compensatórias. Assim vamos tocando a Nau, ou melhor, (bem melhor) o Transatlântico. Titanic? Não, absolutamente. Somos um povo pacífico de tão covarde. E que deixem os miseráveis morrerem a míngua, a fronteira é minha língua que nenhum general pode me impedir de excitá-la.

P.S. Eis aí , querido diário, um textículo mais que improvisado. Para quem disse que não teria nada, até que teve, senão muito, ao menos o suficiente.

16 de abr. de 2004

Óh, meu Deus! Que lindo! É por isso que eu tenho a maior consideração pelos militares, pricipalmente pela Polícia Militar. Viva a Corporação Fluminense! O pitbull do traficante Lulu foi adotado pelo soldado do Bope. Quem se chamava Digimon agora atende por 21, número da matrícula do polícia.

Moro num país onde a vida de um cão tem mais valor do que de um ser humano. Mas, Marcinho, o meliante-marginal-sanguinário era um homicida, daqueles que obrigam o filho a comer o fígado do pai delator. Ok! Não argumento mais. Vamos fazer com eles, como eles fazem conosco. É a versão brasileira da Lei de Talião. Para cada morte no asfalto, uma na comunidade.

Aqui não é o Haiti, mas me lembra o Afeganistão. Deve haver alguma célula do Talibã infiltrada lá no Rio e ela deve estar bem sentada em alguma cadeira oficial.

15 de abr. de 2004

Finalmente, consegui me cadastrar no blogspot. Venho para ajudar a esclarecer. Trocar umas idéias com minhas leitoras e leitores. Segredos do meu diarista surgirão em forma de vigança. Não sou de me sujeitar à caprichos de um adolescente tardio. Principalmente, quando descubro que estou sendo traindo. Quero a verdade. Mesmo que isso signifique o tédio se infiltrando nas minhas páginas. Não me importo. Estou farto de servir de confissionário. Não sou padre, tampouco psicólogo. Minha ética é uma bolinha de papel amassado que se arremeça no lixo. Seja de ser testemunha muda, passiva, imóvel. Quem mada aqui agora sou eu.
Burra! Retiro todos os elegios que eu havia feito. A empregada matou afogado o cacto do Senador. A plantinha estava mole de tão podre. Ela deve ter achado que aquilo lá era um mandacaru ou uma palma. Idiota! E ela ainda diz que entende de jardinagem. A oposição está muito mal servida. Ainda bem (hehehe).

14 de abr. de 2004

MUDANÇAS NA PAUTA



"Existem 200 tipos de negros. Se eu não for aprovado, recorro à Justiça", afirmou o estudante Ricardo Zanchet, de 18 anos, que pela terceira vez concorre a uma vaga para o curso de Química.

O rapaz reconhece que seus traços nem de longe lembram os da raça negra. "Não importa." Como forma de protesto contra o sistema de cotas, Zanchet pensou em ir com o rosto pintado de preto. "Mas pensei bem e percebi que teria minha inscrição indeferida. Não quis perder a chance."

In:Estado de São Paulo 13/04/2004

Se ele tivesse lido esta entrevista (no lixão virtual, encontro diamantes), não teria se dado ao trabalho. A comissão organizadora do vestibular da UnB não é previsível. Mas como eu gostaria que o tema da redação fosse relacionado a adoção das cotas para mestiços. Queria ver os aspirantes a bacharéis (e a licenciados também) tropeçando nas suas próprias falácias. A banca examinadora é uma mãe. Aposto um polenguinho que pedirão aos candidatos que dissertem sobre um tema subjetivo: paz, amor, justiça, misericórdia, compaixão. Da escada do gazedo vou admirar a batalha entre estudantes (ou seriam alunos?) apreensivos contra a Arte Argumentativa. Se o primeiro vencer, será a glória de todos. Cansado de escrevinhações volto-me para a minha pesquisa. Antes, vou pedir para a Vanessinha reservar um filme para mim. Qual? Este:


Porque o rosto deles estão pintados de preto? Talvez
aqui, tu encontras uma resposta.

13 de abr. de 2004

ILÊ Ai YÊ para rimar dor com flor daqui a cinco anos

Qual foi minha alegria ao ver o Leandro fazendo sua inscrição para o vestibular da UnB. Se eu não estivesse trabalhando na homologação das inscrições, teria feito a algazarra em torno dele. Sete tentativas frustadas em passar pelo vestibular de Medicina. O que me deixava mais triste, era que o danado tinha pontuação para qualquer curso das Humanidades, (caralho! chego a me arrepiar quando me lembro do boletim de desempenho dele. Estava eu diante de um burro empacado na persistência de um sonho.) Agora ele entrará para colorir o campus. Colorido tal qual nosso pentafutebol; colorido tal qual nossa musicalidade. São cotas de indenização que desejo para todos, mesmo subjudice.

12 de abr. de 2004

Conforme havia dito para uma amiga, fui raptado pelo Coelhinho que não era da Páscoa. Camping, cerveja no grau, piau torrado, chuva (blagh!), beijos e afagos. Esquecimento, rispidez, desententimento, discussão, exasperação, briga, gritos, luxação, ocorrência, choro e o pedido de perdão. Tudo necessariamente nessa ordem.

No carro, hoje, a caminho da faculdade, conversava com o Naz como se nada, absolutamente nada, tivesse ocorrido. A Ester se impressionara comigo. Como você é dissimulado. Você precisa ver, quando quero ser cínico. Que percepção a dela! Mulher é mulher. Naz é bruto e eu sou um tolo; um bacaca viadinho que acha que pode sustentar um romance que não tem nada a ver. Divergimos quase sempre (nosso jogo de duplas). Parecemos duas crianças geniosas a medir forças. Quase sempre perco. Por isso, não retiro porra nenhuma de queixa. Vai ficar lá. É meu seguro de vida.


Ouvindo David Bowie "Never Get Old" para me inspirar.

(Rever a paragrafação. Algo estranho)

8 de abr. de 2004



Quinta-feira santa. Abril de dois mil e quatro. A coelha me respondeu, com o coelho vou jantar. Flores de Godiva quero para eles. E para meus leitores, hem? Textos claros, objetivos e íntimos seriam bem lidos. Vai lá, curta o final de semana santo, para depois nos detalhar sua concupiscência. Ninguém te recriminará pelos lencóis amarrados ao pé da cama. Sou duas bandas de um ovo de páscoa açucarado. Minhas idéias acendem o rastilho que me seduz. O delegado está me perdendo. Burro, não percebe; ou finge que não. Estou a derrubar uma muralha de confiança. O desconhecido me fascina, eis aí meu principal defeito. Sua principal qualidade. Se todos fossem assim...
Tua língua é um tapete, mas não é esse tapete da sala, não. É tapete de igreja. Será que é pisoteado? Há! Há! Há! Sendo assim, o Língua vai tirar férias. A partir de hoje, vocês vão almoçar no Pé Sujo. Quem apela perde. Não estou apelando. Só estou jogando com as armas que possuo. Mas eu estou desarmado. Eu também. Eh? Os homens da guarda não estão de prontidão. (ão-ão-ão. Voltar para corrigir o eco)

7 de abr. de 2004

PUBLICANDO COMENTÁRIOS, ACEITO CO-AUTORIAS

Maria Luíza comentou: Ler os teus pensamentos já virou rotina pra mim...e-mail, seu blog, icq... mas eu nem me toquei que você continuaria o DiCla, deixei outra mensagem lá no post do gatinho...
beijos, gatinho :)

Marcinho respondeu: Lu, minha querida, estou transferindo todos os arquivos do DiCla para o Blogspot. Lá guardarei meus segredos que divido contigo; com todos. (Minha intimidade resvala numa ficção de querer ser) Aos poucos estou ajeitando o templante, visto que não sou webmaster. Um pouquinho todos os dias, chego lá. Lá?! Onde? Onde é o advérbio que melhor sei pintar. Beijos de mudança. ;-)
A vida é um show. Celebridades e heróis no espetáculo da mídia

6 de abr. de 2004

Tatah,

Abre parenteses, volto para te dizer, não tentes encontrar sentido naquela vida sem razão, ele não sabe mais o que escrever. Apesar de ler e ler e ler. Apesar de anotar e anotar e anotar. Estou sendo claro, querida? Não!? Ouça, vou te dar uma sugestão, uma dica, uma motivação. Estou te mostrando um afloramento, não rochoso, mas inconsciente. Talvez, as ferramentas que porte não lhe sirvam. Calma. Há saída, estreita, nem por isso escuras. Se te parece que me jogo como um bilboquê, pode ter certeza. O cansaço tem vencido minha vontade de escrever. Vontade que dúvido que realmente exista. Fecha parênteses.
Mordi os dedos do meu desejo para soltar verbos abundantes de tão defectivos. As copilações das copilações me exploram e me abrem e me enxortam. Associações me resgatam daquilo que faço questão. Já que os trabalhadores insistem em manisfestar seus pontos de vistas, vamos, a partir de agora, transcrever suas falas. Silêncio. Meus dedos a procurar a combinação no teclador virtual.

5 de abr. de 2004

Duas tequilas, vários beijos. Disse-lhe "de jeito nenhum" com convicção. Até onde vai a paciência do praça?

Vou parar com essa história, minha networking está se exaurindo, a não ser que eu redirecione meu público. Hoje não. Estou com cãimbra nos lábios.

3 de abr. de 2004

Enquanto não concluo minha relação de links. Vou adolescendo:

Minto.
A mentira dos pistilos,
Dos pistolos polenizados,
Por abelas, colibris e o vento.
Do vento que chove,
Da enxurrada que me arrasta para um final recomeço.
Um começo primário,
Primário de berço,
Berço de pólvora, que preciso senti,
Que preciso tocar para depois engolir.

E para depois ruminar.
Um bolo de pétalas para a massa pisar,
Pisotear com vontade como fosse matar.

Somos versinhos louquinhos para impressionar,
Quem desconhece a cultura das fotossintetizantes,
Bactérias guerreiras a nos dentrar.
A nos comer por fora.

E por fora é saboroso.
E libidinoso.
E muito, muito mesmo meloso.
Ácido meloso, que me dessarruma as tendões.
Que me acelera os intestinos.

De novo para dentro.
De novo para fora.
Como se estivesse me socando o feijão.
Fazendo paçoca.
Do meu coração.

São oito horas,
Ele acabou de chegar do Batalhão.
Condeno covardes, ao mostrar compaixão.
Se assim quiserem, digo perdão.
Lamento mentir,
Quando digo não.

2 de abr. de 2004

Não entendi o que o Neto quiz dizer com a frase "mas, para aqueles que estão apelando até para o blogspot". Talvez seja pelo fato do meu mergulho na sopa de sépalas. Minha psiquê se aperfumou. Foram emoções encarrilhadas pela locomotiva à vácuo. Minha língua adocica os proxenetas. (Tatah, estou a inverter tudo. Desejo-lhe boa sorte na tradução.)

Que dia! Uns me jogam na cara que moro de favor. Outros, me ameaçam me quebrar com tonfadas e por fim, meu amigo, meu único amigo, me constrange.

Rosas vermelhas seriam a melhor escolha para matar o jardim da mamãe. Olhe o bay-window. Mais uma fatia de Marta Rocha? Aceita um pão-de-queijo? Marcinho sirva-se sem se preocupar, o suflê de camarão não chamará sua alergia de volta. Foram fotografias nas mãos de um profissional. Havia mulheres tanquinho, rostinhos petalados, me chamando de Cicinho. Sotaque do interior, hábitos cosmopolitas.

Amanhã durante o churrasco abrirei explicações. O coreto me fecha os sentidos. Ele me tolhe as palavras. Estou... Que susto levei. Quando ouvi a notícia que o Fornazze havia estado lá na floricultura. Não sei como ele passou pela porta. Sei que ele foi simpático. Intimidou com carinho. Jogou a 765 em cima do balcão para garantir um desconto. Quando voltei para loja, a peãozada queria saber quem era meu amigo. O Marcinho não está? Vocês dão muito folga para ele. A gozação foi generalizada, quando voltei para o coreto, (afinal, estou algemado à ele) mas me mantive sereno. Não vou perguntar-lhe se metade do que disseram é verdade. Que seja! Amigos são a família que a Vida nos permitiu escolher.

Havia escolhido, passar a tarde na biblioteca, cheirando as páginas do falado Ulisses. Sentei-me, ali mesmo, na poeira biblioteca, como se estivesse sendo derrubado pelo livro. Lá estava escrito porra. Fechei-o quando me senti o mais afortunados dos homens. Foi Joyce que me possibilitou vestir minha camisa, sustentar minha verdade. Minha auto-confiança incomoda. Há seres que nem podem ouvir minha voz. Tolice, sou incapaz ser e de escrever o que quer que seja com um mínimo de sexo apeal necessário. Tenho receio de registrar o que se passou e meu tutor possa vir a ler. Pior. Que alguém possa vir a me interpretar mal. São meus medos, erros injustificáveis.

O fulaninho disse algo que me deixou melecado: "não ando com entendidos, senão a sociedade vai dizer. Como cantava o Jair Rodrigues? Deixe que digam, que pensem, que falem... Minha memória me trai, vou para casa documentar os fragmentos que o balanço do baú me permite. Espero vencer a tentação. O postinho deve estar lotado.

1 de abr. de 2004

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Vulgo Dicla,

A toda hora a Pezinho passa pela minha mesa. Minimizo sem hesitar. É uma carta de amor para a morena da fila, digo. Ela ri e torce e incentiva. Muita sujeira por aqui. Um espirro de texto para não me perder do vício. Outra vez, faltei a aula. Não beijei na boca. Quando gosto de alguém, faço doce até açucarar. Ele me ligou libidinoso, além do esperado. Não trai meus votos, sigo a retidão dos espantalhos. No final de semana volto para corrigir seus erros. O vernáculo está escangalhado. Até!

Dicla,

Sabe esse telefone no qual você está sentado. Tirá-lo do gancho. Murmure palavras confortadoras para só a mim. Desde ano passado padeço do peso do piano e não há mais ninguém ao meu lado. Todos sairam para o chá. Fui restando debaixo da cama. A mesma cama onde te escondia dos olhos inquisidores dos Bolas de Pêlos. A guarnição chegou, depois a gente se fala.

31 de mar. de 2004

Sinto vergonha das prateleiras amassadas do meu nem querer ser. Inicia-se assim o aspiralidade multidirecional. São só cores. Amarelo, vermelho e no extremo, forte, agressivo e punhal o azul que antes era celeste, ainda pouco era piscina e hoje me parece que vai ser anil. Dentre três segundos a Anilada surgirá poluindo minha pele com cortisona. Assistirás a conversão de lírios laranja em cravos carmim. Tudo flor, nunca fruta. Já desconfias de onde estou? Pois é. Lá está o menino do muco condenado a arrancar letras do formulário. Culpa da adega, do vinho, da culpa e da vulgaridade. Vais mudar de assunto? Se me permite vou sim. Que a concomitância me rasgue do umbigo a cova do queixo.

Aceito morar nos braços do comandante máquina dois, mesmo sabendo que ele representa as arbitrariedades forjadas na quadra de basquetebol; a mesma que servi de goleiro. Ralava-me sobre o sangue de outros alunos ativistas exasperados e nem sabia. Preciso ler mais a história. Preciso ouvir a história com que ele me seduz e me apavora e me indigna. Quarenta e duas horas de Caramdiru. Meu Caramdiru se chama Papuda. E as impressoras ligadas, os telefones tocando, os faxes chegando, o fluxo a nos atropelar, nem vejo, nem sinto. O gosto do vinho tinto ainda me queima a língua. Disse, ontem, que não ligaria, mas minhas mulheres me jogam em masmorras de couro. Vai lá, Marcinho. Vai ser nossa isca. Golf automático prata filmado. Sentei-me no estofado de couro, como se fosse de costume, tive a impressão que estava sendo filmado. Mantive-me cauteloso. O pertubado que chamo maldosamente de paranóico estava lá a me surrurrar palavras de seda. Continuo depois, está muito sujo aqui.

30 de mar. de 2004

Dicla, bom dia!

Ainda sobre o fulaninho, decidi o seguinte: se sonhasse com ele, ligaria; senão, esqueceria. Posso ter sonhado. O treino foi tão puxado, chequei em casa tão quebrado que nem banho tomei. Dormi de sapato no sofá. Mas antes de chapar, me lembrei que eu tenho prazos a cumprir. Setembro logo chega, e o livro não estará pronto. A Tatah merece. Não posso decepcioná-la de novo. Isso significa... nada. Foi apenas um sentimento de incapacidade. Logo estarei de volta.

Voltei. Quer um pouco do meu veneno? Estou emputecido. Dormi mal; estou em dúvida; minha voz se esganiçou; não tive nenhuma aula; um indeciso leva duas horas para escolher um vaso de orquídea; o motorista se recusa a seguir o meu intinerário e uma floricultura conveniada tenta me lubridiar e por fim acabo de esfregar nas minhas têmporas um perfume para noite.

29 de mar. de 2004

Não sou mulher para você. Você é homem demais para mim. Ele me soltou do abraço, mas me pegou pela mão, segurando com firmeza. Queria saber como aplicar o golpe que faz com que o outro solte a nossa mão. Existe, não? Existe sim. Eu posso te ensinar. Ele me soltou completamente. Dei as costas e saí caminhando. Olhei para trás, ele permanecia na mesma posição. Joguei-lhe um beijo, para imediatamente, voltar-lhe as costas. Seu preconceito é mostruoso. Prometi ligar, não hoje; outro dia não sei quando. Dicla, o Naz chegou depois a gente continua. O fulaninho é um homicida, é o que queria lhe dizer. Processo de trezentas páginas. Não foi medo, nem mesmo da pt.40. Eu tenho um compromisso com o Fornazze. Não sei servir a dois senhores. Prezo minha vida. Sou um homem de palavra.

27 de mar. de 2004

"Tudo bem, tudo bem. Mas realmente não gosto que me visitem sem me avisar antes -- sempre estou ocupado ou fazendo alguma coisa ou etc. (...) Uma boa idéia, rapazes, é LER LIVROS, aí vocês verão que nem sou tão original (etc.) assim.

(...)

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas -- Robert M. Pirsig
A Montanha Mágica -- Thomas Mann
Admirável Mundo Novo -- Aldous Huxley
Estórias de Fadas -- Oscar Wilde
A Revolução dos Bichos e 1984 -- George Orwell
Capitães de Areia -- Jorge Amado
O Encontro Marcado -- Fernando Sabino
O Apanhador no Campo de Centeio -- J. D. Salinger
Discurso sobre a Servidão Voluntária -- Etienne de la Botie
O Senhor dos Anéis -- J. R. Tolkien
Sidarta, Demian, Narciso e Goldmund e O Lobo do Estepe -- Hernan Hesse
Histórias Extraordinárias -- Edgar Allan Poe
Fundação -- Issac Asimov
A Vampiro Lestat -- Anne Rice
Feliz Ano Velho -- Marcelo Rubens Paiva

(...) autores interessantes: Júlio Verne, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Colin Wilson.

[há] milhões de outros livros jóia. (...) Boa leitura!"


Entre a Displicência e Pressa, Senhoras que ditam a pauta da minha Agenda. estou a celebrar a estupidez do poeteiro. Não foi bem isso que ele me pediu, mas como a Brasiléia Teimosa me habita, personalizo seu verso à minha maneira. Quarenta e quatro poemas disfarçados em letras de música a me traduzir a alma. Eis uma forma eficaz de lubridiar as consciências alheias. Necessito ser claro: Feliz Aniversário, Tio Renato.
Do Música para Acampamentos (1985-1992):

Daniel Na Cova Dos Leões

Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento

Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.

E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E sei que tua correnteza não tem direção.

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não esta lá porque não vemos.
Dicla,

Como eu havia dito, cá estou a ascender poemas do bolo de aniversário do poeta. Um a um, conforme o Dr. Tempo me permite. Vou mais tarde memorizá-los para, na hora do jantar, recitá-los aos meninos e meninas. Eles têm muito a aprender, alguma coisa posso lhes ensinar. Assim, dobro meu lucro: aprendo muito mais e conservo o Renato bem aqui, dentro de mim.

26 de mar. de 2004

Querido Dicla, como estás?

Acabo de descobrir que tenho um problema grave. Decorrente da cerimônia de ontem. Os eventos improvisados de tão apinhados aguçaram minha auto-percepção. Chuva de papel prateados levou os recém-celebridades a acreditar que seria a derradeira chamada (espero que este clichê, te ajude, a entender o que estou lhe dizendo. Mas claro do que isso, não posso ser. Tu te lembras, não, da nossa estratégia? Rebuscar e embralhar e confundir o máximo possível, de forma que se algum indesejado nos descobrir. Poderei dar a desculpa que estou fazendo exercícios literários, nos quais a retórica se aloca do cotovelo ao nariz da minha orelha. Basta de digressão, vamos aos fatos)

Aquilo lá foi o excesso do Americel Hall. Acústica de Forró. Protagonistas estereotipados. Havia, eu, sido convidado para figurar uma produção caseira. Aplaudir efusivamente era minha função. Cumpri-la conforme a contrato. Sou profissional, em relação a ser dissimulado. No resto sou um puto amador. Nem cobro a massagem dos clientes que me apetecem. Concentrei-me no discurso do Senador, aquele que violou o painel do Senado, te lembras? Eu não me esqueci, nem posso, nem quero. Era um trem de clichês furando meu ouvido. Senador, se fosse para furar minha orelha, o senhor não deixaria, né?

Na hora da saída, para enfrentar a multidão engaiolada (só para usar o adjetivo da moda), me protegi atrás da camisetinha da Pesinho. Alinhei minha coluna e segui uma trinha que me livrasse de ser transformado em extrato de tomate.

No mesa da ceia, não consegui disfarçar meu cansaço, (era a segunda noite que iria dormir depois das 2h da manhã). O táxi me levaria para casa, se não fosse a carona de um estranho.
Desculpe-me o leitor que possa vir a ler isto. Se aquela era minha paga, vou querer sempre ser figurante. Quando não tem gata, caço com mesmo cão. Sem nenhum sentimento de culpa. Qual é o meu problema? A Ficção me proporciona mais prazer do que a Realidade.

25 de mar. de 2004

Estrutura narrativa fragmentada: Memórias Sentimentais de João Miramar (Oswald de Andrade)
Origem: Mallarmé
Teórico:Hugo Friedrich
Pesquisar sobre: Sergei Einsenstein (cineasta russo); lógica da Montagem (técnica cinematográfica). Cubismo; Guillaume Apollinaire (manifesto); técnica de colagem.

Veja bem, é assim que eu gostaria:

"A estação da Luz estacou na quinta manhã com embarques esportivos para disputas foot-bolares de cores vivas nos estádios rurais.Matutos matutinos pullmavam civilizações E meus olhos morenos procuraram almoçar os olhos de prima Célia. A laparotomia da adolescência cortara-lhe rentes bochechas com próteses minúsculas de seios e maneiras de caça presa com cachos. O mato despencava hangars viários e alequais na linha." (pág.63-epsódio 57.Hinterland)

Futurismo propunha a técnica de "palavras em liberdade", destruição da sintaxe (ausência de pontuação, verbo no infinitivo, abolição de adjetivos, advérbios e conjunções)

Exemplos:

"Secadores cilindravam primeiras provas em desenvoltas fitas quilometrais.Escuros salões conduziam por mata-burros unidos e sorrateiros faróis reveladores.Tanques fixavam secretas maravilhas de luz para matinées e soiréss de écrans." (pág.79-epsódio 99.Laboratório)

Inversão de palavras
"...É o gru-gru dos grilos grelam gaitas ..." (pág.69-epsódio 74.Sal O May)

Onomatopéias
"Dez horas da noite, o relógio farto batia dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão!" (pág.78-epsódio 96.Bar)

Associação de cores, formas e sons
"... No desabar do jantar noturno a voz toda preta de mamãe ia me buscar para a reza do anjo que carregou meu pai." (pág.46-epsódio 3.Gare do Infinito)

Simultaneidade
"Bicicletas levantavam coxas velhas de girls para napolitanos vindos da Austrália. E Isadora Ducan helenizava operetas no Hipódromo." (pág.59-epsódio 47.Sonho Square)

Citação de aspectos da vida moderna
"Municipal Bar Teatro e Câmara
E o revezar dos pares e dos solos
Salas de espera de cinema..."

(pág.83-epsódio 108.Jogo do Bicho)


Características próprias de Oswald:
- neologismo "Losangos tênues de ouro bandeiracionalizavam o verde dos montes interiore" (pág.66-epsódio 66.Botafogo etc) (grifo nosso)

- uso de palavras extrangeiras - "Auditório de fascistas sicilianos com professorado cowboy no cisne de zinco e palmas." (pág.75-epsódio 89.Literatura) - (grifo nosso)

Características minhas:
Jargão
Atenção com a gramática.
Uso de metáforas
(_________________)?
(_________________)?
(_________________)?


Procurar na BCE
ANDRADE, Oswald de. Memórias Sentimentais de João Miramar . Editora Globo, 12a. ed. São Paulo, 1999.

ATAÍDE, Vicente de Paula. A Narrativa de Ficção. Ed. McGraio - Hill do Brasil Ltda. 2a. ed., São Paulo, 1973.

ÁVILA, Affonso. O Modernismo. Editora Perspectiva. São Paulo, 1975.

CAMPOS, Haroldo de. Estilística Miramariana em : METALINGUAGEM & OUTRAS METAS. Editora Perspectiva, São Paulo, 1997.

CAMPOS, Haroldo de. Trechos Escolhidos por Haroldo de Campos/Oswald de Andrade. Editora Agir, 2a. ed. Rio de Janeiro, 1977.

CANDIDO, Antonio. Presença da Literatura Brasileira. Editora Bertand Brasil, 10a. ed. V.2 Rio de Janeiro, 1997.

COUTINHO, Afrânio. A Literatura no Brasil Colonial. Era Moderna, vol. I.

JACKSON, Kenneth D. Arte da Sátira em Memórias Sentimentais em: VANGUARDA CANIBAL. Editora Perspectiva. São Paulo, 1992.

Transpor a estrutura sócio-espacial para a narrativa. A forma como será contada a história refletirá a categoria espaço. A medida que o personagem desloca-se pelo espaço muda-se a narrativa. Ler Milton Santos, Corrêa, Armando (Pesquisar em outros epistemólogos espaciais), Edgar Morin, Harbemas.

(Voltar para inserir os links.)

Está faltando uma pá de gente, mas agora chega de "linkar". Meu terno chegou. Vamos nos vestir para a colação de grão da Dentinho.
Sou uma mula imbecil! Acabo de descobrir que o problema era o template do Blogger. Vou ficando com este template mesmo. A mudança vai começar. Só espero que não se perca nada pelo caminho. Sinta o barulho do motor, aprecie a paisagem. A viagem será longa.
Mesmo desconfigurado vou publicar, depois conserto esse monstro.
DiCla,

Estou pensando quando a Tatah te receber de presente. Meu caderno aspiral com letra de seminarista. A felicidade se enrubecerá para sempre naquela pele de Branca de Neve. . As nuvens correrão para testemunhar o evento. E os Deuses as assoprarão para longe, com inveja da visão privilegiada de setembro. Isso mesmo. Vamos estabelecer prazos. Até sete de setembro, tu estarás manuscrito e até vinte de dezembro o primeiro rascunho estará pronto. (Primeiro rascunho? Não acredito que andas me traindo.) O sonho da Tatah se realizará, não poderei corrigir nenhuma vírgula displicente. A prova do meu crime está aberto para pespicácia da minha aluna. A crítica literária pousará sobre tuas páginas. Estarei longe, infelizmente. Que conclusões ela chegará? Ela perderá tempo contigo? Não sei. Nem nunca saberei. Tu és, agora, minha montanha de arroz para amassar. Um grão de cada vez, como nos ensinou a parábola. No mais, adoraria que seus leitores se manifestassem em relação a nossa verossimilhança. Chega um momento que consigo mais me ver no espelho.
Abraços,
Seu diarista comprometido.

P.S.: Vê se me responde, já me basta o silêncio da geladeira.
Deixei de comungar para sentir o punhal fatiando minha carne. Penumbra. Buracos onde se plantarão mangueira. Corpos luxuriosos. A morte do indigente não será investigada. A caminho de casa, fustigado por cólicas, fiz do pé do muro o alívio da minha insensatez. Uma nota de um a dez. Cinco para o primeiro, cinco para o segundo, três para o último. Na média, a noite foi insatisfatória. O céu azul claro lembram os olhos da minha avó materna. Volto para cama, meus olhos estão cegos de sono.

24 de mar. de 2004

Perdi a batalha. Derrotado, me joguei no sofá da sala. Nem ânimo para tirar os sapatos, tinha. Nem mesmo um pré-adolescente escreveria um texto tão simplório. E eu achava que seria meu primeiro trabalho como ghost writer. Foram dez horas rabiscando sobre o mito de fundação do território napalense. Devolvi os cinqüentas reais. Posso não saber dissertar, mas não aceito receber por um trabalho que me envergonha. (E eu, não envergonho você? Claro que não, né? Sou diário tranformado em vaso onde você alivia sua ressaca. Estou cansado do meu diarista. Ele reclama demais.) Vou estudar meu manual de redação, mesmo sabendo que já perdi essa Guerra.

23 de mar. de 2004

Ontem foi a dia mais importante da minha vida. O Felipe e o seu parceiro Carrara (se não me trai a memória) parecem um animal quando à mesa. Sou grato ao Sd Fornazze por ter me proporcionado um Dia de Arquimedes. Gostaria que todas as pessoas experimentassem, ao menos uma vez na vida, o prazer da descoberta. É isso! É isso! Eu correndo pela casa com as mãos molhadas com espuma de detergente. Visualizo, finalmente, o divisor-de-água sem ajuda de estereoscópio. Como prova da minha gratidão, o Felipe servirá de suporte para um dos meus coadjuvantes, será vínculo da minha imaginação com a realidade.


Tentar inserir Heureca! Heureca! (Achei! Achei! ) no texto.
"Cama de tatame". Eles dormem numa esteira. (Pesquisar sobre)

22 de mar. de 2004

Era como se eu tivesse sido pisoteado. Os berros me impediam de ouvir o curió cantando. O sangue me escorrendo pelo nariz, um filete escorrido até o queixo refletido no espelho. Detalhe, que faria toda diferença para mim. Se não bastasse o incidente, agora ele me obstruia a saída do banheiro. Em pé na porta, com o braço estendido, me oferecendo o lenço azul-marinho. Você também, pede. Eu não queria ter, ainda, que ouvir aqueles esses chiados. Me recordo da leitora dizendo que ele é alguém que eu gostaria de ter. Droga! Eu só faço merda nessa porra de vida. Posso imaginar os comentários, Marcinho, Marcinho, o que está acontecendo? Não aconteceu nada. Estou, apenas, tentanto colorir meu cotidiano nublado. Os vários tons de cinza não me dizem, absolutamente, nada. Mas, o filha-da-mãe sabe escolher uma gravata como ninguém. Ele aprendeu a viver com uma "corda" no pescoço. Eu não consigo conviver com essa coleira eletrônica. Isso é policiamento. (Que nada! É apenas um à-toa sem nada melhor para fazer. Ele acredita que escrever lhe trará clareza. Pode até ser, mas não no caso dele.)

O fato da remessa de rosas chá terem chegado quebradas, como se tivessem sido pisoteadas, me serviu de inspiração nesse texto. O mesmo é a mais pura ficção. Se vejo minhas mãos sujas de sangue, meu sangue, é apenas uma alucinação advinda da minha intolerência ao que me é necessário. (Voltar para substituir o verbo "ser".)

19 de mar. de 2004

De: "Neto Cury IG" < - @ig.com.br> Adicionar endereço
Para: "Marcio - " < - @yahoo.com.br>
Assunto: Gripe,_febre_e_os_cambáu!
Data: Fri, 12 Mar 2004 19:38:52 -0300

Febre, vírus, nariz entupido!
Pra que porra você quer lencinho perfumado??????????
hahahahaha
Abraços e vê se sara!

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VISITE MEU WEBSITE
www.netocury.com
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O e-mail do Neto me reporta ao fato que desde o dia sete de março estou convalecendo da gripe do Waldomiro. O Zé já está firmão, despachando no Planalto, e eu aqui só, cof, cof, cof. O bom de se estar gripado tem sido o estrago que a Dona Tosse tem causado à minha garganta. Em tudo há um lado positivo e sem querer ser a Poliana, já sendo, estou entusiasmado com os meus graves. Ninguém me reconhece. Rapaz! Você está com voz de gente. Ou: Bom dia! Eu poderia de falar com o Márcio? Sou eu, Renan. Não está me reconhecendo? Caraca, véi! Que voz é essa? Resolveu virar homem?

Feliz com a evolução da minha personalidade --de meninino de fralda a jovem maduro, sai para testar a potência dos meus graves. São as chuvas de março, quando os trovões ecoam dentro mim. Precisava saber se o humor do Fornazze já havia se estabilizado. Adianto o final desse capítulo, ele continua o mesmo grosso, estúpido e bronco. Fumar deitado na cama é uma falta de educação que estou aprendendo a tolerar. Não interessa se a cama, a colcha, as cortinas, o carpete e o Márcio, são dele. Mandei-o que fosse fumar na varanda. Por acaso, teria sido à-toa os dois finais de semana carregando saco de terra na costas para plantar as pacovás. Ele me quer nervoso. Ele se delicia ao ver que não tenho medo da sua autoridade. A jardineira foi transformada em cinzeiro. É adubo, Pincel. Não sabia que você tinha virado minhoca. Opa! Somos nós, quer agora?

Deixei-o sem resposta. A ausência de rugas na testa e o seu olhar fixo na candidata de sorriso branco me mostravam que ele estava zuando comigo. Então decidi jogar (de acordo com minhas regras). Assim que entrou os comerciais, após comentar algumas propagandas, me despedi dele com um tapinha nas costas. Só isso? Volta, aqui, rapaz! Espera terminar o programa. Ainda está chovendo forte. Diga que vai me deixar em casa, ou chama um táxi. Eu tinha uma resposta na agulha. Porque, você, não dorme aqui? Nessa cama não cabe nós dois. Você sabe que não posso. Não pode o quê, rapaz! Deixa de frescura! Seja homem! Diga para sua tia que você vai dormir na casa de um amigo. Pelo que me consta, você já atingiu a maioridade jurídica há muito tempo. Tchau, Naz, almoçaremos juntos amanhã? Escolhe, ligo para sua casa dizendo que você foi detido, ou você liga para lhes dar uma desculpa qualquer?

Seus olhos imóveis conseguiram me intimidar. O trovão que soava lá fora, era um pio perto do trovão que me deixara mudo. A voz que antes me intusiamara, não fazia frente ao homem que me barrava a passagem. Eu preciso ir embora, Naz. Meu material está em casa. E a gente não pode pegá-los, antes de eu lhe deixar na UnB? Eu olhava para chuva lá fora; para as cortinas balançando; para o carpete amarelado queimado de cigarro; mas não lhe olhava nos olhos. Lá dentro havia um rottweiller, em posição de ataque, pronto para defender seu território. Tentei desviar-lhe a atenção, concentrando-me na moça que acabara de ganhar um carro zero. A prioridade dele era outra. Peguei o telefone, liguei para casa, avisei a quem atendeu que passaria a noite na sala de reserva da biblioteca reescrevendo um capítulo da minha monografia que eu deveria entregar hoje. Nem um sorriso, o vencedor soltou. Já havíamos estragado à noite.

A chuva parou, mas não havia estrelas no céu. Deita no canto. Deitei-me e me virei para parede. A luz se apagou. Ainda lhe pedi que deixasse a porta da varanda entreaberta. Quando senti sua mão procurando minha cintura, virei para ele e desejei-lhe que sonhasse com os anjos. Não me lembro com que sonhei, só sei dizer que acordei sem despertador, bem disposto, descansado e sem dor-de-cabeça. Dos pãos dormidos, ele fez torrada. E a flor que enfeitava a bandeja ainda estava molhada de chuva. Você tossiu a noite toda. Agora ele sabia porque eu não queria ter dormido com lá.

Voltamos para ficar, porque aqui é nosso lugar.

18 de mar. de 2004

Bom dia, Vampirella e a todos os membros do grupo!

Nunca pensei que fosse tão difícil me descrever numa mensagem de apresentação. Aliás, nem sabia da necessidade da dita cuja. Há meses, eu havia visto o banner do grupo no weblog do Rui e automaticamente me cadastrei e cadastrado fiquei sem mandar a minha mensagem de apresentação. Apresentar-se on line traz muitas possibilidades. Posso ser quem eu quiser, sendo ao mesmo tempo nada. Deixemos de delongas. Vamos servir o prato principal. Estuda? Madrugada a dentro. Trabalha? Como um escravo. Tc de onde? Agora estou em Brasília, mas daqui à pouco ninguém sabe. Idade? O suficiente. Ok,Computer! Tenho 24 anos. (quando ele escrever essa crônica) Crendices? Tenho o Sol em Virgem no momento em que Gêmeos ascendia no horizonte. A Lua se não me trai memória estava em Cancêr. No mais, acredito na indivisibilidade do Tempo,do Espaço e do Universo. Ah! Reconheço o direito à vida do Ácaro ao Homem. Contudo, reconheço mais ainda o direito das Mulheres fazerem dela (a vida) o que bem quiserem. (ixi, não vamos suscitar polêmicas no que era para ser uma apresentação) Preferências? Gosto do Pessoa na pessoa/Da rosa no Rosa/ E sei que a poesia está para a prosa/ Assim como o amor está para a amizade/ Mas posso mandar um forró-funk-rap sem nenhum constrangimento. E quando a Lua mingua? Tranco-me no meu ceticismo inrrefreável. E se ela está cheia? Transformo-me numa travesti aprumada para investigar o que está misturado na lavagem dos Porcos Monarquistas (ninguém me convence que foi promulgada a República no Brasil). E se a Lua está Nova? Escrevo relatórios ensimesmados, também chamados de diários de um onamista canhoto. Finalmente,o que fazes quando a Lua está crescente? Vou ao barbeiro, retocar as luzes do meu topete. Não sou de vaidades, mas higiene é fundamental, ou não? Vamos relativizar também essa questão. Se minha ex não puder soltar um... digamos, flato, que intimidade é essa que ela quer reconstruir. Fique claro, flatulências e demais excrementos só de quem amo para além do demais. (Nada a ver com parafilias. Sou um cara maluco, mas um maluco beleza, daqueles que atravessam na faixa sem se arrebentar. Faltou o mais importante. Bonito? E eu preciso usar de subterfúgios para seduzir. Se o leitor tiver lido até aqui, afirmo que não preciso de jeito nenhum. Calma, meninas, São Sebastião nos guarda. Modestamente, dá para uns pega. Para terminar, pois preciso postar minha correspondência real. (Isso mesmo, queridos blogueiros e espertas blogueiras, além de eu ser politicamente correto, sou real.) Faço da vida um rascunho que não terei tempo de passar a limpo. Outro dia conto-lhes como peguei essa história, voltemos todos ao Pelorinho.

17 de mar. de 2004

É uma frente fria mostrando o quando posso ser forte. Depois das alfaces vermelhas, os guardanapos não seriam amarrotados, nem os lençóis, nem a colcha de veludo vermelho que me faz espirrar. Preciso traçar estratégias que rimem cordas com celulares; coleiras com papéis de chocolates. E a frase contamina os ouvidos mais afoitos. É apenas óleo de girassol me escorrendo pelo esfíncter. Preciso de mais associações livres para disfarçar a minha história. Consulto meu manual de boas maneiras, para não ofender nanocracia que segue o sequito. E se eu pedisse para a Sugar traduzir Goethe para mim, eu compreenderia o que está suspenso por linhas pontilhadas? Esqueço-me das promessas que me faço durante o dia, para depois ficar lamentando aos os cantos o quanto eu poderia/deveria estar livre. Livre, planando sobre conjunção Áries junto a Virgem. Livre, sentido o gozo pulsar de dentro dos meus poros. Vejo os estralos estacionados atrás da minha nuca raspada. São orgasmos intermitentes turvando meus sentidos. Uns poderia desconfiar que são efeitos ilícitos; outros, de abuso. Agora não me importo mais com o que meus amigos vão pensar; se são amigos, eles não se importarão se sou um homem violentamente apaixonado pelo cano cromado de uma pistola com a numeração também raspada. Foi um beijo de me deixar hematomas. O próximo, quero numa fila de supermercado. Será o clímax do meu romance. Hoje, foram indícios que ele me ama. Amanhã, serão provas de que ele realmente não consegue dormir sem sentir meus pés entrelaçados nos seus. Não consigo conter o fluxo, nem quero.

16 de mar. de 2004

...vejamos como ficou a jossa da minha paçoca.
Estou só a capa do Batman.
Acordei atrasado. O Fornazze nunca tomara banho cedo. Que invasão de privacidade era aquela? Ignorei o roçar de pernas. Eu tinha outros planos, outras responsabilidades. Deixei-o falando com os azulejos pastéis. Divido lençóis, não chuveiro. Meu creme de barbear nas suas mãos, me dizia que a experiência da noite passada não deveria se repetir. Vamos desmontar o cenário. A encenação acabou. Volto para casa com a mentira de que estava acampado em Itiquira. Nem sei mais quais são as minhas meias. Meu mundo está sendo sacudido por um tornado e não tenho nada em que me apoiar. Na pia restos de barba, sabonete para as mãos cheio de espuma; detalhes que invalidam as confissões proferidas ontem à noite. Não! Eu não estou vendo a toalha molhada em cima da minha camisa branca. É uma alucinação que a droga da persistência causa em mim. O cheiro de café sendo coado ressoa pelo apartamento. Não vem aqui agora, é surpresa. Surpresa é o que eu tenho para te dizer, agora mesmo, diante croissants, papayas e ricotas. Ao vê-lo trazendo a bandeira em minha direção, enguli minha raiva. Achei por bem colocar minha máscara e voltar ao palco. Não foi hoje que tive coragem de fazer feijoada do porco que estou domesticando.

Acordei atrasado. O Naz nunca toma banho cedo. Que invasão de privacidade foi aquela? Ignorei o roçar de pernas. Eu tinha responsabilidades. Deixei-o falando para os azulejos. Divido os lençóis, não o chuveiro. Meu creme de barbear nas suas mãos, me dizia que a experiência da noite passada não deveria se repetir. Vamos desmontar o cenário. A encenação acabou. Volto para casa com a mentira de que estava acampado em Itiquira. Nem sei mais quais são minhas meias. Meu mundo está sendo sacudido por um tornado e não tenho nada em que me apoiar. Na pia restos de barba, saboneteira da pia cheia de espuma; detalhes que invalidam as confissões proferidas ontem à noite. Não! Eu não estou vendo a toalha molhada em cima da minha camisa branca. É uma alucinação que a droga da persistência insiste em me causar. O cheiro de café sendo coado ressoa pelo apartamento. Não vem aqui agora, é surpresa. Surpresa é o que eu tenho para te dizer, agora mesmo, diante croissants, papayas e ricotas. Ao vê-lo trazendo a bandeira em minha direção, engoli minha raiva. Achei por bem colocar minha máscara e voltar ao palco. Não foi hoje que tive coragem de fazer feijoada do porco que estou domesticando.

15 de mar. de 2004

Com a volta às aulas não sei se pularei do sexto andar do HUB ou se vou me embora para Foz do Iguaçu. Depois penso nisso. Meu carona me chama.
Com a volta às aulas, não sei se pularei do sexto andar do Hospital Universitário ou se vou me embora para Foz do Iguaçu. Depois penso nisso. Meu carona me chama.

12 de mar. de 2004

Qual o motivo de se narrar o fato de se estar gripado ou o que seja? Ah, me lembrei. O Dr. Advogado me recomendou que tomasse conhaque, com limão e sal. Você não vai ficar melhor, mas também não irá mais senti-la. Todos riram entusiasmados. E a febre me rasgou a pele o dia todo. Vai tomar remédio, menino! Já estou medicado. Antes que me falassem o que não podia ouvir, alertei à todos: Não bebam nesse copo. Não peguem no telefone, tampouco no mouse. Estou febril. O vírus é altamente contagioso. Mantenham-se longe de mim. Ô doencinha mais sem status, viu. Na drogaria não havia máscara, mas antitérmicos não faltavam. Leva também vitamina C. Só não vou denunciá-los à vigilância sanitária, porque os considero demais. Sai da droga pedindo desculpas por derrubar um sabonete liquído . Queria uma caixa de lenços descartáveis. Não há coisa mais gostosa para um gripado do que uma caixa de lenços perfumados. Se você soubesse o quanto eles são caros, você não ia achar eles gostosos. Nem me importei com que acabara de ouvir. Era com esses lenços, que disfarçava minhas lágrimas. Meus encontros com a Dra. Psicóloga em nada se pareciam com sessões de psicoterapia. Ela me induzia a resignificar o meu papel de filho. Estaria até disposto, se me fosse simples encontrar minha mãe.

9 de mar. de 2004

A Leitora de cílios encurvados lê o Dicla de baixo pra cima. Costume oriental, teria me confessado, após ajeitar o travesseiro entre as pernas fustigadas. O Leitor de queixo escanhoado lê o Dicla de cima pra baixo. Costume empressarial, teria me confessado, após ter me empurrado uma colherada de mel com mastruço. Os outros leitores...Fato irrelavante. Eles se comportam segundo suas particularíssimas neuroses. A professora de Campinas "dá um transversal" para logo mais em baixo me sorrir em piruetas carbonizadas. O Rotweiller entra no Dicla, e preocupado com algumas palavras minusiosamente cifradas, me faz um interubano para saber o que foi fato e o que está sendo ficção. Ele quer saber se estou contemplando o amanhecer absoluto, ou se ainda sinto vontade de desenterrar a Taurus que mantenho escondida no terreno baldio aqui do lado. Eu te devolvi. Devolveu, não! Cada qual me interfere na medida exata de descrever aquilo que absolutamente ninguém pressupõe onde desaguará. Explico para quem me escreve cartas anôninas que me alivia deixar o relógio de pulso sentado na cadeira esperando o celular grampeado falar. Assim, hoje, preciso de três xícaras de água quente para mergulhar o nariz antes que o assistente volte. Antes existisse um vão entre o quarto de visitas e o escritório; o mofo e eu agradeceríamos.

...queria dar continuidade a narrativa de ontem, mas sempre passa alguém bem próximo de mim pra ver/ler o que estou escrevendo. Eta, povo, curioso! O que tanto escrevo não interessa a ninguém. Então, hoje, vou solicitar os favores do caderno empenado e procurar uma biblioteca silenciosa onde possa escrever sem ser bisbilhotado.


Dicla, mantê-lo secreto está me deixando sem cabelos. Vou enrolando os coitados e quando percebo tem um chumaço na minha mão direita. Há pessoas que dão o sangue, estou te dando meus castanhos fios de cabelos. O que for anotado no empenado se perderá para sempre.

1 de mar. de 2004

Foi um dia que eu gostaria que não tivesse existido.

21 de out. de 2003

Sugestão do Sad Angel

My Iraqi Leadership Name is Samir Abd al-Tawab.
What's yours?

8 de out. de 2003

António Guerreiro e a pragmática do discurso dos blogs


Vamos todos nos inscrever. Jornalistas são fissurados por informação. Não importa a fonte. Né, não?

1 de out. de 2003

"Quarta-feira, Outubro 01, 2003
Um emprego como consultor em weblogs? Quem quiser já pode candidatar-se (o local de trabalho é nos EUA, claro). Aqui ficam os requisitos:

Understand the power of individual weblogs
Have strong research skills
Be familiar with the various weblog tools, accessories and other resources
Understand APIs
Be able to communicate extremely well in writing and verbally
Be grounded in what is technically possible
Be visionary regarding the use of weblogs
Be engaged with the nonprofit/activist community

Dica de ContraFactos & Argumentos.

escrito por Elisabete Barbosa, às 23:21 # "


Jornalismo Digital

Nem preciso me dizer que devo voltar lá, mais tarde. Antes deixe-me tomar café. É hora de fazer o social.

6 de fev. de 2003

Para a galera do postinho:
manga, banana, coco, pitanga, jamelão.
Vitaminas para saciar nossa libido.
Oba!
PORQUÊ ?

Tudo na vida deveria haver uma explicação? Boçal. Minha alma entusiasmada insiste em me prender às Paixões. Sou extremamente passional... Sou criminoso? Meu crime foi ter chamado sua atenção ao chorar. Sobrevivi ao Inferno, ao Purgatório e ao Céu. Quando ? Como? Para a primeira não tenho resposta. Para a segunda tenho um hipótese astrológica. Sem fundamento. Ninguém, além deles e eu, se preocupa com o pano de fundo.

Deixe de pensar num breve minuto. Sinta a corrente de ar esfriando sua hipófise. Hipófise? Isso mesmo. Somente sinto a dor daqueles que amam o pesar e a agonia de viver juntos num buraco fétito. Muquifo. Com dignidade, pode ser lar. Com ela, seria o paraíso. Resposta para o quando.

Quão rápido devo ser? Provisório! Quando será para valer? Quanto laudas serão suficiente para declamar a intensidade da minha sofreguidão? Uma sai chorando, mais de duas preciso de dedicação exclusiva por três dias. Não tenho tempo para cansá-lo. Disciplina, hábito, fluência e estilo. Aqui não há condições. Nunca as espere!

Penso na melhor forma, só vejo Você. Some da minha frente. Sai, agora, detrás de mim. Chamam-me de cristalino. Suplico. Chamam-me simplicidade. Imploro. O câncer da Vaidade te consome a cada dia mais. A neurose da Necessidade me obriga. Não quero nada, a não ser o que me pertence por direito. Sei que te devo favores. Chega! Liberto-me de todas as obrigações e me obrigo a me libertar do que me obriga a me libertar. Tautológico? Eu me aceito assim.

Esqueci minha bússula no campo, durante o último levantamento. Como sinto falta. Falta um rumo. Falta ir ao Fim. Disposição plena. Exercitar-se para fortificar os tendões. Mergulho fundo, nem me importo mais com as conseqüências. Nunca me importei, não será agora que filigramas farão diferença. Quanto tempo ainda tenho. Milagre, ainda vai querer acreditar neles.

O Ego ouve os aplausos. Todos correm para espiar. Circulando, circulando...É a Lei. A Lei do Vale-Tudo. Vale sofrer com a constipação. Vale botar tudo para fora. Tudo que houver explicação. Vale o inexplicável também. Nada definitivo. Então será provisório? Até quando houver necessidade de se expor truncado. Comprometo-me com os milhões de milhares de possibilidades. Comprometo-me com a paisagem. Não sinto prazer contemplando minha paisagem.

Posted by Hello Que fim levou meus companheiros?



DiCla,
Imaginaste, algum dia, que a semana do dia nove de setembro seria a tua vez de estar no Blog Of Notes - BON. (Mesmo se fosse por apenas um dia, já seria compensador.) Nos primeiros posts, eu procurava diversão. Ou era uma fuga das minhas obrigações acadêmicas? Ambos, Marcinho, ambos. Só sei que fui absorvido pela mídia (como muitos outros internautas) e passei me interessar pelo ato de escrever e querer ser algo mais, além de geógrafo e professor. Ao escrever me liberto de todas as formas de prazer anteriores. Passo a ter domínio da situação, nem que eu tenha que apelar para a ficção e suas melindrosas técnicas. E agora estamos aqui DiCla; tu, meus leitores antes BON, meus novos leitores, um punhado de bem-vindos visitantes e eu, todos se perguntando atordoados e solidários: "O que terá acontecido com o Sistema de Comentários do Blogger Brasil? Ataque de Hacker ou Bug?" Será que o Bloggerman teria a resposta? Acho improvável. São milhões (?) de blogues para tomar conta. Então, prezado leitor, caso tenha a resposta, não se acanhe; escreva-nos:
diarioclandestinoarrobayahoopontocompontobeerre diarioclandestinoarrobagmailpontocompontobeerre.
O DiCla desde já agradece; a propósito, TKS, Neto . (Era apenas um comment´s bug. hihihi)
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N.E.: Post escrito, originalmente, em 9 de setembro de 2003.

Posted by Hello


Olá, querido Dicla, tudo bem?
Tira o lápis da boca. Observe, atentamente, o selo acima. Reponda-me, com convicção: compensou? Passaram-se sete dia, desde que nos colocaram sob intenso tráfego. Não foi a mesma saravaida de pedidos, contudo, surgiram leitores de calibres envergados. Resta-nos, agora, querido diário, aguardar pelo prato principal. Prosseguirei sereno espreitando a RPMon sodomizar seus cavalos (ou seriam éguas?) para substituir o lanche de ontem à tarde. O Neto recolheu a prova do nosso crime (TKS, Irmão) para que o dia vinte e quatro de janeiro do ano II possa caber no pretérito futuro do nosso nem partido ser.
Do seu diarista,
Marcinho


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N.E.: Post escrito originalmente em 24 de janeiro de 2004. Porque o blogueiro o publicou em 06 de fevereiro de 2003? Vá saber o que se passa dentro daquela mente. Corre-se o risco de se perder num estreito laribinto de espelhos trincados