Desculpem-me, leitoras e leitores. Até segunda-feira os comentários estarão de volta. Questão de honra.
29 de set. de 2004
Vamos recapitular as hipóteses:
1ª Entrevistar o voluntário branco sangue de prata.
2ª Preparar-me em fatias delgadas para o Juiz de contas (lógicamente formal).
3ª Apresentar-me a Dona Benta (banho de arruda ajuda).
4ª Pedir ajuda ao Jota, mesmo estando eu mal passado.
5ª Continuar a ler Tolstói.
6ª Prosseguir perseverante com a teoria (literária).
7ª Vislumbrar o campus pela janela do caixote.
8ª Ir à pizzaria do Lucão papear com o Flores (reservar mesa para cinco. Não! Seis sobreviventes).
9ª Buscar informações sobre o visto perdido do embaixador.
10ª Descrever minuciosamente as anatomias sob a meia-luz, antes que Miami nos envie cartões de Boas Festas.
Fui embora frio entre bolhas de sabão hexagonais. A brisa secava meu nariz verde, com gentileza que nem mais se recusa. As paredes de papel precisando das continuidades prensadas nas lombadas rosáceas, fenômeno presenciado pelo menino de olhos castanhos claros. Técnicas assimiladas parcialmente. A porta da oficina cerrada, decisão tomada por olhos conscientes da tempestade de folhas nervosas descobridoras de corações fósseis. Ritual planejado após metódico estudo de todas as entradas e saídas. Depois eu explico. Vamos bater bola no campinho do quarto dos fundos. Quase todas lá presentes. Sejamos humildes, de nada adianta espalhar bolas de gudes pelo jardim. É a repetição, da repetição, da repetição, até contar dez. Até o Jota compreender as confissões emporcalhadas por mim mesma durante à tarde de sol enviesado. Era melhor não dizer, não contar, não participar. Aos modificar o código de ética perdi meus contados, meus amigos, minhas referências. Suspiro fundo, sabor maracujá.
28 de set. de 2004
Havia lhes prometido pendurar os patinhos estragulhados na rebaixada janela filmada. As línguas me atrapalharam. É o russo em guerra melada com o francesa. Depois daquilo, aquilo lá foi brincadeira. Traduzir as canelas vermelhas deixará a Branca de Neve confusa. Mas ela sabe que cada um é cada um e cada dois pode ser três, quatro ou ainda cinco. Chega, estas derretendo minha paciência. Calma, Dy, é brincadeira para mostrar aos proxenetas que nada é subtraído sem culpa. Os portais bancários invadidos e eu rodoviário de pé maior sentado no meio fio partido enquanto espero um programa passar levantando névoa seca.
Voltemos à língua almiscarada, perfuradora de cordas vocais. Língua perfumada percorrendo a espinha dorsal da égua que eu nem mais podia ser. Ah! Se ela me deixar em casa ganha pontos extras. "Recuperei de vez minha auto-estima" (obrigado, Simone) Foi apenas cortante passarada. Mãos moldando o tijolo dos meus ombros. Mãozinhas coladas na libido do dual ser tipo o positivo. Conservamos sobre tudo, menos sobre o papel de bala jogada na Copacabana perdida. Havia eu mudado de país. Estava eu a corrigir a sintaxe da fonte. É cada encontro bizarro. Nem há como se proteger atrás de sobrenomes alemães. É judeu! Jura!? Definitivamente a língua não pronunciava símbolos hebraicos laicos. Língua morena de tatuagem no bíceps. Que significa esse ideograma? -- disse-lhe. Amor, amor, foi a resposta sussurrada no coração. Respirei fundo e comecei a entrelaçar as mãos em cabelos raspados a fundo. Observava a água pingando dos patinhos pendurados no varal...
-- Posso te perdir um favor?
-- Claro.
-- Quer esquentar um lasanha para nós?
-- Claro.
-- Quer esquentar um lasanha para nós?
-- Bolonhesa ou aos quatro queijos?
27 de set. de 2004
Já se passava da meia-noite e eu ainda não havia terminado de revisar a carta. Fui dormir cansado, mas aliviado por ter escrito que era preciso escrever. Até sonhei, em inglês californiano. Hoje de manhã, nem me importei em me levantar às quatro da manhã. Teria tempo de sobra para reler a carta e enviá-la por e-mail. Mas a tecnologia não ajuda. O disquete não abre. A PORRA do disquete não abre! Ah! Marcito relativiza, os haitianos morrendo e tu atormentado por causa de um arquivinho besta que cismou de te implicar. O fulaninho que espere mais um dia. "Quem esperou muito, que espere mais um pouco." Venha terminar de encher a mala. Solidariedade também pode ser terapia ocupacional.
25 de set. de 2004
21 de set. de 2004
20 de set. de 2004
18 de set. de 2004
17 de set. de 2004
16 de set. de 2004
Amados leitores e leitoras,
Tentei escrever uma carta aberta. Fracassei. Senti minha disposição melhorar após saber o nome daquele cheiro insuportável: sinusite crônica. Quando chegar em casa, Marcinho, faça uma hora de nebulização com solução salina. Beijou-me e arrancou-me a promessa de que o encontraria, sábado, no churrasco de aniversário do Feioso. Mas o que me curou de fato, foi ele me alertar que Bandeira rima com Pereira. E para mim, isso é fundamental de importante.
Abs e bjs,
M.Pereira
11 de set. de 2004
10 de set. de 2004
Foda-se! A vontade que se apodera do meu ser é muito mais forte do que qualquer reprimenda. Sim, poeta, eu morreria se eu fosse impedido de escrever. "Mas até então, Marcito, tu não escrevias nada". "Então, Diário, por isso adoeci". (Re)ler-rascunhar-(r)escrever-publicar-reler-rescrever-reler-rescrever-reler-rescrever tem sido muito mais eficiente do que aquela porção de comprimidos que eu me nego a tomar. "Ok, Mamau, quem sou eu para te contestar, Rei dos Contra-Argumentos. Mas até quando vamos levar essa vida de formiga cortadeira"? "Até eu ser capaz, querido diário, de tecer um anzol com a ponta dos dedos". "Mas, Meu Amor, ouço isso todos os dias e não te vejo fazendo nada de concreto para que o tal anzol apareça sobre minha escrivaninha, de preferência". "Meu amigo, talvez, por não seres capazes de captar meus pensamentos". "Há! Há! Há! E tu és capaz"? "Claro, que não, Dicla, tenho plena consciência das minhas limitações..." "Pois é, caro colega, o Tempo não vai te esperar e eu desconfio (falo isso, porque és meu considerado) que ele te combrará muito caro por seus sucessivos ATRASOS". Droga! Nem dormir em paz eu posso.
8 de set. de 2004
Ninguém no MSN, tampouco no ICQ. Celulares fora do ar. Secretárias mudas. Preciso conversar com alguém. Sozinho seria uma opção, mas nem escrever quero mais. A Dr. me dissera: "porque não foi ao pronto socorro, sempre tem um psiquiatra de plantão". Se eu for ao Hospital eu tenho certeza absoluta que ficarei internado. Resta-me assinar o 151 para ver se ainda o topor me diz sim.
6 de set. de 2004
Quando vieres nos visitar, prezadíssimo leitor, amada leitora, pode ser que eu esteja saudando um oficial que julgo anônimo. Todo 7 de Setembro tem sido assim. Eu aceno, ele finge me ignorar, para depois agradecer minha presença respeitosa. Se Deus me conceder o prazer de encontrá-lo em casa, vou lhe dizer: minha pátria é onde podemos gozar com liberdade. Dificilmente, ele desatará os nós do lençol de alecrim. Paciência. Não posso deixar passar essa oportunidade de magoá-lo. Não que eu seja vingativo, de jeito nenhum, mas, em memória dos que vieram antes de mim, devo agir assim.
3 de set. de 2004
2 de set. de 2004
O franco anjo atirador passa por entre meus lábios sem tempo de eu entender o significado da piscadela de nada. Grito-lhe. Inútil esforço. Longe vejo a carroceria da caminhonete que lhe serve para esconder nossos segredos. Da porta de casa até o estacionamento do parque vou catando moléculas de monóxido de carbono pela trilha deixada por ele. No parque, meu seco coração táxi bate na relva minutos seguido, a poeira me sufoca. Procuro uma boca qualquer para me aliviar. Nossa! Rosados lábios carnudos sequiosos pela minha saliva; beijo-lhes sem notar que de longe o anjo me observa, reprovando meu exibicionismo.
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