4 de out. de 2004

[Espaço reservado para a fotografia de um beijo. Meu juízo não permite publicá-la.]
Ele nem imaginava que o seu pedido havia sido indeferido. Posted by Hello
[Originalmente, encontrava-se uma fotografia.]
Tira logo essa foto! O pessoal está me esperando lá fora. Posted by Hello
[Daqui, também retirou-se a foto.]
O harmonia por si só resolveu a combinação do laranja. Posted by Hello
[Opa! Havia me esquecido de arrancar essa foto, também. Pudera, o conto está me deixando uma pilha.]
Sua felicidade chamava-se liberdade. Posted by Hello
Em resposta ao pedido da Doutora, seu weblog conjugara o verbo fotologar. A paixão, contudo, estava sob controle. Moralismos à parte, nus frontais jamais seriam publicados. A advogada que esperasse o próximo vôo Frankfurt-Brasília.

2 de out. de 2004

O amigo estadunidense lhe pedira que lhe enviasse qualquer texto registrado por ela. Ele, por certo, queria avaliar suas lingüísticas habilidades artísticas, suponho. E se a poetisa lhe dissesse, logo que não as possui; que eles (seus textos) apenas se encontram num borbulhante processo de incubação. Deixou que ele chegasse as suas próprias conclusões. Paratextualidade mais atrapalha que ajuda. Se o empressário, realmente, viesse a ler seus textos, ela poderia se considerar uma privilegiada. O ritual, finalmente, se iniciara. E se ele pedisse outros mais, bastasse escolher algum soneto escondido na memória do computador. Nesse caso específico, era impossível voltar atrás.

1 de out. de 2004


Perdão, querido. Eu estava nervoso. Posted by Hello
Várias linguagens drenadas compondo um nó de escadas abertas. Onde vai ter lá? Dominó, dama, xadre, amarelinha. Vamos jogar amarelinha? Jogo que se joga sozinho, no qual os vencedores cruzam os dedos antes de se despedir. E se houver sonegação de beijos, a seca cercará implacavelmente nossos corações, digo nosso porque o meu já se perdeu na outra era de cotas. Mas deixemos de nhém-nhém-nhém. Conte-me o ocorrido, me diz:
-O rapaz de músculos forjados chorou diante dos seus lábios, antes de lhe dizer que precisava muito te amar?
-Não, ele não desprendeu nenhuma lágrima.
-O moço era todo paixão desprendida?
- Ah! Se era. Ele cabia todinho numa bolha de pétalas vermelhas arredondadas. O Fornazze configurou claramente meu hipertexto perfurado, mostrando-me o quanto estou suspenso por seus braços cuidadosamente desenhados por Apolo. Eu não faço por onde. Não mereço vê-lo sucando laranjas às duas horas da manhã, só porque não posso beber leite.

30 de set. de 2004

Aquela história: "vou-me embora para Pasárgada", foi engodo!
Cidade inexistente. Resultou o Google.
E agora? Para onde vou-me embora?
Será que ainda há vagas no céu?

29 de set. de 2004

Desculpem-me, leitoras e leitores. Até segunda-feira os comentários estarão de volta. Questão de honra.
Vamos recapitular as hipóteses:
1ª Entrevistar o voluntário branco sangue de prata.
2ª Preparar-me em fatias delgadas para o Juiz de contas (lógicamente formal).
3ª Apresentar-me a Dona Benta (banho de arruda ajuda).
4ª Pedir ajuda ao Jota, mesmo estando eu mal passado.
5ª Continuar a ler Tolstói.
6ª Prosseguir perseverante com a teoria (literária).
7ª Vislumbrar o campus pela janela do caixote.
8ª Ir à pizzaria do Lucão papear com o Flores (reservar mesa para cinco. Não! Seis sobreviventes).
9ª Buscar informações sobre o visto perdido do embaixador.
10ª Descrever minuciosamente as anatomias sob a meia-luz, antes que Miami nos envie cartões de Boas Festas.
Fui embora frio entre bolhas de sabão hexagonais. A brisa secava meu nariz verde, com gentileza que nem mais se recusa. As paredes de papel precisando das continuidades prensadas nas lombadas rosáceas, fenômeno presenciado pelo menino de olhos castanhos claros. Técnicas assimiladas parcialmente. A porta da oficina cerrada, decisão tomada por olhos conscientes da tempestade de folhas nervosas descobridoras de corações fósseis. Ritual planejado após metódico estudo de todas as entradas e saídas. Depois eu explico. Vamos bater bola no campinho do quarto dos fundos. Quase todas lá presentes. Sejamos humildes, de nada adianta espalhar bolas de gudes pelo jardim. É a repetição, da repetição, da repetição, até contar dez. Até o Jota compreender as confissões emporcalhadas por mim mesma durante à tarde de sol enviesado. Era melhor não dizer, não contar, não participar. Aos modificar o código de ética perdi meus contados, meus amigos, minhas referências. Suspiro fundo, sabor maracujá.

28 de set. de 2004

Havia lhes prometido pendurar os patinhos estragulhados na rebaixada janela filmada. As línguas me atrapalharam. É o russo em guerra melada com o francesa. Depois daquilo, aquilo lá foi brincadeira. Traduzir as canelas vermelhas deixará a Branca de Neve confusa. Mas ela sabe que cada um é cada um e cada dois pode ser três, quatro ou ainda cinco. Chega, estas derretendo minha paciência. Calma, Dy, é brincadeira para mostrar aos proxenetas que nada é subtraído sem culpa. Os portais bancários invadidos e eu rodoviário de pé maior sentado no meio fio partido enquanto espero um programa passar levantando névoa seca.
Voltemos à língua almiscarada, perfuradora de cordas vocais. Língua perfumada percorrendo a espinha dorsal da égua que eu nem mais podia ser. Ah! Se ela me deixar em casa ganha pontos extras. "Recuperei de vez minha auto-estima" (obrigado, Simone) Foi apenas cortante passarada. Mãos moldando o tijolo dos meus ombros. Mãozinhas coladas na libido do dual ser tipo o positivo. Conservamos sobre tudo, menos sobre o papel de bala jogada na Copacabana perdida. Havia eu mudado de país. Estava eu a corrigir a sintaxe da fonte. É cada encontro bizarro. Nem há como se proteger atrás de sobrenomes alemães. É judeu! Jura!? Definitivamente a língua não pronunciava símbolos hebraicos laicos. Língua morena de tatuagem no bíceps. Que significa esse ideograma? -- disse-lhe. Amor, amor, foi a resposta sussurrada no coração. Respirei fundo e comecei a entrelaçar as mãos em cabelos raspados a fundo. Observava a água pingando dos patinhos pendurados no varal...
-- Posso te perdir um favor?
-- Claro.
-- Quer esquentar um lasanha para nós?
-- Bolonhesa ou aos quatro queijos?

27 de set. de 2004

Já se passava da meia-noite e eu ainda não havia terminado de revisar a carta. Fui dormir cansado, mas aliviado por ter escrito que era preciso escrever. Até sonhei, em inglês californiano. Hoje de manhã, nem me importei em me levantar às quatro da manhã. Teria tempo de sobra para reler a carta e enviá-la por e-mail. Mas a tecnologia não ajuda. O disquete não abre. A PORRA do disquete não abre! Ah! Marcito relativiza, os haitianos morrendo e tu atormentado por causa de um arquivinho besta que cismou de te implicar. O fulaninho que espere mais um dia. "Quem esperou muito, que espere mais um pouco." Venha terminar de encher a mala. Solidariedade também pode ser terapia ocupacional.

25 de set. de 2004

21 de set. de 2004


As cores da minha primavera se desbotaram ao ouví-lo conversando com ela. Irei também ao encontro. Servi-lhes-ei, na hora da sobremesa, pétalas flambadas de ipê branco. Talvez uma garrafa de scotch não seja suficiente. Posted by Hello
Será que foi somente eu que vi o Jacques Chirac conversando com o Lula sem ajuda do tradutor? Que falha do JN!

20 de set. de 2004

Minha avó podia ser um bruxa, mas pelo menos cuidava de mim quando eu a sinusite me atacava.

18 de set. de 2004


Coryanthes bicalcarata por Marcos A. Campacci

(...) A gente atrás ouvindo meus grunidos... Ela me disse: O que você está dizendo naquela hora? Nada, respondi-lhe. (Voltem aqui com as minhas laranja, voltem!)

17 de set. de 2004

Estou indo lá.

16 de set. de 2004

Amados leitores e leitoras,
Tentei escrever uma carta aberta. Fracassei. Senti minha disposição melhorar após saber o nome daquele cheiro insuportável: sinusite crônica. Quando chegar em casa, Marcinho, faça uma hora de nebulização com solução salina. Beijou-me e arrancou-me a promessa de que o encontraria, sábado, no churrasco de aniversário do Feioso. Mas o que me curou de fato, foi ele me alertar que Bandeira rima com Pereira. E para mim, isso é fundamental de importante.
Abs e bjs,
M.Pereira

11 de set. de 2004

Não vou mentir...está foda!

10 de set. de 2004

Foda-se! A vontade que se apodera do meu ser é muito mais forte do que qualquer reprimenda. Sim, poeta, eu morreria se eu fosse impedido de escrever. "Mas até então, Marcito, tu não escrevias nada". "Então, Diário, por isso adoeci". (Re)ler-rascunhar-(r)escrever-publicar-reler-rescrever-reler-rescrever-reler-rescrever tem sido muito mais eficiente do que aquela porção de comprimidos que eu me nego a tomar. "Ok, Mamau, quem sou eu para te contestar, Rei dos Contra-Argumentos. Mas até quando vamos levar essa vida de formiga cortadeira"? "Até eu ser capaz, querido diário, de tecer um anzol com a ponta dos dedos". "Mas, Meu Amor, ouço isso todos os dias e não te vejo fazendo nada de concreto para que o tal anzol apareça sobre minha escrivaninha, de preferência". "Meu amigo, talvez, por não seres capazes de captar meus pensamentos". "Há! Há! Há! E tu és capaz"? "Claro, que não, Dicla, tenho plena consciência das minhas limitações..." "Pois é, caro colega, o Tempo não vai te esperar e eu desconfio (falo isso, porque és meu considerado) que ele te combrará muito caro por seus sucessivos ATRASOS". Droga! Nem dormir em paz eu posso.

8 de set. de 2004

Ninguém no MSN, tampouco no ICQ. Celulares fora do ar. Secretárias mudas. Preciso conversar com alguém. Sozinho seria uma opção, mas nem escrever quero mais. A Dr. me dissera: "porque não foi ao pronto socorro, sempre tem um psiquiatra de plantão". Se eu for ao Hospital eu tenho certeza absoluta que ficarei internado. Resta-me assinar o 151 para ver se ainda o topor me diz sim.

6 de set. de 2004

Quando vieres nos visitar, prezadíssimo leitor, amada leitora, pode ser que eu esteja saudando um oficial que julgo anônimo. Todo 7 de Setembro tem sido assim. Eu aceno, ele finge me ignorar, para depois agradecer minha presença respeitosa. Se Deus me conceder o prazer de encontrá-lo em casa, vou lhe dizer: minha pátria é onde podemos gozar com liberdade. Dificilmente, ele desatará os nós do lençol de alecrim. Paciência. Não posso deixar passar essa oportunidade de magoá-lo. Não que eu seja vingativo, de jeito nenhum, mas, em memória dos que vieram antes de mim, devo agir assim.
"Mesmo depois dela ter saído, ainda se podia sentir o gosto da goiabada. Tarde demais, estava cansado para correr atrás da minha grosseria".

3 de set. de 2004

Seja mais claro por favor, ela me pedira. Ah, se a poetisa soubesse do topor sentido ao me esconder por trás das palavras, largaria a labuta e viria brincar comigo, nem que fosse por alguns míseros miléssimos de segundos.

2 de set. de 2004

O franco anjo atirador passa por entre meus lábios sem tempo de eu entender o significado da piscadela de nada. Grito-lhe. Inútil esforço. Longe vejo a carroceria da caminhonete que lhe serve para esconder nossos segredos. Da porta de casa até o estacionamento do parque vou catando moléculas de monóxido de carbono pela trilha deixada por ele. No parque, meu seco coração táxi bate na relva minutos seguido, a poeira me sufoca. Procuro uma boca qualquer para me aliviar. Nossa! Rosados lábios carnudos sequiosos pela minha saliva; beijo-lhes sem notar que de longe o anjo me observa, reprovando meu exibicionismo.
O Anjo passando apressado por entre meus lábios. "Você está usando óculos"? A piscadela significativa antes de sair de mim. O sinal se abre, grito-lhe. Esforço inútil. Longe se vai, na roda da caminhonete, deixando pelo caminho fósseis trazidos do Museu Nacional. Da porta de casa até o parque fui cantando moléculas de monóxido de carbono. Meu coração seco para bater relva, seco para sentir a miligrama do néctar dos Deuses. Oh, que lábios! Que rosada boca carnuda! Perfeita se tivesse sido a do Anjo que nos observava de longe, reprovando a avidez com que me entregava à turquesa gramínea esturricada de seca pelo sol de setembro.

1 de set. de 2004

"(...) jornalismo, atividade industrial cada vez mais orientada pelos interesses de mercado, ao lado das eternas pressões e contrapressões do jogo político. Mas, por outro lado, não é uma "indústria" qualquer, por se ancorar em princípios ético-políticos que remontam à proclamação originária dos direitos universais da cidadania. " (grifo nosso)
T., espero que assim eu tenha lhe ajudado.
Beijos.

31 de ago. de 2004


De onde mesmo surrupiei essa foto? Escapa-me o pensamento para qualquer resposta. Nenhuma das alternativas anteriores. Todas as anteriores. Pare! Aqui é no canetão: escreve, escreve, escreve, escreve. Quem sabe surge do lixo que você (eu) não separa mais, ocorra uma idéia-frase reciclável. Que THC era aquela? (Ha! Ha! Ha! Ha!) Schut? Era isso. Minha memória não ajuda, porque ela (eu) quer mesmo ligar para o Fulaninho: "Amor, qual era o nome daquela droga"? Correria o risco dele (o oficial carioca) me voltar a pergunta. Responderia, sem titubear, para mostrá-lo que continuava sob seu efeito: respiro pólen de ciclâmen para sentir seu sêmen de poeta gola sobre mim. Pronto! Minha homenagem a Charles Baudelaire (só o conheço de estampa). As flores no vaso (rosas rosa, goivos azuis, girassóis de miolo amarelo) compradas para lixar o poema dele são do bem; a rinite alérgica é que é do mal, mal adquirido. Para saber mais clique aqui.
Acabo de ler no Blog do Neto Cury que ele depende da boa vontade da D. Sorte para conseguir convites para Gmail, webmail gratuito do Google. Não quero parecer metido, exibido e tal, mas eu tenho seis convites para o Gmail (Isso mesmo!) e não sei o que fazer com eles. (Aaaaaaagh!) Alguém quer um convite para o Gmail? Quem quer uma convite para o Gmail? Calma, galera! Calma! Não precisa arrebentar os portões. São apenas seis convites, não tenho mais. Caaaaaaaaaaaaalma. Vamos fazer o seguinte: um concurso. Sobre o quê? Não sei; ainda. Alguém teria alguma sugestão? Vou pensar, amanhã, às 7h, estaremos de volta. E podem me acusar de marqueteiro. Conhecimento é para se aplicar, fazer circular, senão fica estagnado. (E eu que maldizia o pessoal da Publicidade: "retórica ferramenta impossível de ser ignorada".

30 de ago. de 2004

Acabo de ler no Yahoo! Notícias que o Grupo Pão de Açucar vai premiar o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima (n. 1969) com o prêmio de duzentos mil reais reservado caso ele trouxesse a medalha de ouro para o Brasil. Pode-se, assim, dizer que esse bronze vale ouro. O patrocinador brasileiro assumiu seu lado alquimista: transformou bronze em ouro. Compensou o bronze? Me pergunto se o que motiva o desportista são os prêmios. Ou quais os valores que estariam implícitos na busca de uma premiação? Eu particulamente nunca me imaginei "ganhando" um B.O.N (se é que aquilo pode ser chamado de prêmio.) Não vivo (escrevo) por recompensas. Vivo por gratidão. Escrevo por desejo em aprender a escrever. Cíclico. E haverá sempre algo por aprender, mesmo sendo muito complicado respirar esse ar de sangrar o nariz. Sem lamentos, como nos ensinou o maratonista. Sem choro, como nos ensinou a ginasta. Sem prêmios, porque a motivação componente do oxigênio das minhas artérias vale por si só; motivação que especula:
E se o maratonista fosse estadunidense?
E se tivesse ocorrido uma fatalidade?
E se fosse no cu de um jornalista?
(Há meses deixei de trabalhar com fatos para me dedicar a ficção, porque o risco é o que me interessa. O risco do croqui, o risco na folha pautada, o risco de viver.

26 de ago. de 2004

Administrar egos ciumentos. Avós, madrinha, tias, primas, sobrinhas, amigas, vizinhas, empregada. Os homens da sacada se divertiam com meu aperto. Imagine, vocês, queridos leitores, o que tive de fazer com o primeiro pedaço do bolo de chocolate. Eu poderia ter dito: "esse primeiro pedaço será em homenagem àquela que sentiu as dores para que eu pudesse estar aqui hoje recebendo vocês". Mas estavam todos e todas tomadas por vinho tinto seco! Poderia despertar nelas e em mim ausência do amparador suporte materno geral. Misteriosamente...

25 de ago. de 2004

Soldado não! Guerrilheiro.

24 de ago. de 2004

Prezado Sr. Poeta Paulo Leminski,
Feliz aniversário!
Carinhosamente,
Um bosta


Expressão de quem espera enfadado pelos comensais.
Terá ele gostado do meu cartão?





Minutos antes, ela sentira a fisgada. Calma... é normal. Mister de prazer, dor, farol, transpassando a pele de todos nós. A indefinição os inquietava, mas a luz estava prestes a ser a acessa. Não havia como voltar atrás.

20 de ago. de 2004

Não é que foi sem ter sido! Aguarrei-me sofregamente às últimas páginas brancas que ressonavam ao meu esquerdo lado vazio: A psicóloga me pedira a R.G. Cinco anos seria possível adulterar; mas dez, seria um pouco complicado. Talvez ela quisera tornar meus ombros mais leves com o elogio salgado, ou ela gostaria que eu voltasse a ganhar massa muscular. Pêra, não! Você precisa de proteínas, de carboidratos. Você precisa prestar atenção ao agudo choro da cuíca manhosa. Para deixar de birra com seu corpo. Sua privação me assusta. Dez anos se mortificando significam muitos passos, para serem suprimidos assim de idade qualquer. Até porque não me dou bem com as ninfas que me perseguem, o que direi dos efebos. Esses ignoro. Eu gosto dos velhos, dos velhos vinhos franceses, alemães e chilenos. Gosto da mineira cachaça bem curtida; do whisky escocês, e do estadunidense; do rum cubano sentido o aroma das pernas do mar das Antilhas; daquela vodka caipirosística coberta de neve fervida; do gim perfumado escondido nas têmporas fundas aquele rapaz acolá, que ora escreve, que ora se toda rasga em papéis pisadinhos, como se estivesse debruçado sobre a hedonista Iowa. Um minuto, Sr. Romancista, eu não ser hedonista. Nem eu romancista, querida rugosidade. Apenas sirvo ao sacerdócio daqueles lógicos estetas ignorantes que se esquecem do senso comum, todas às tardes de sexta-feira.

19 de ago. de 2004

Há pulgão na minha couve desde as duas da manhã; portanto, não teremos sopa. Obrigado Senhor, me libertei de algumas mentiras que me reprimiam, mais que me maltratavam. Viva o Mário! Vida longa aos Andrades! Quem sabe caindo as estrelas, crie ânimo e coragem para destruir o estreito canal que une meus pensamentos à minhas penhoradas mãos asseguradas. Brevidade, pétalas amarelas me esperam ansiosas para serem arrancadas. Arrancá-las-ei corvademente.

18 de ago. de 2004

Walt Whitman: o poeta da América (1819 -1892)
O Captain! My Captain!

Saudação a Walt Whitman por Álvaro de Campos

"(...)

Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente! Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!

(...)"

Whitman & Eakins, o poeta e o pintor
"(...) era admirador de um mundo sem artifícios, sem enfeites, cru e nu como eles entendiam que a arte americana deveria ser."

17 de ago. de 2004

Prêmio Portugal Telecom
Todas as iniciativas que estimulem à leitura em língua portuguesa são mais que bem-vindas. Há de ser elogiar exaustivamente. Quando a Aline ligar lá na loja para encomendar flores, vou dizer-lhe o quanto estou orgulhoso de estar prestando serviços à eles.

16 de ago. de 2004


"Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los".
Joseph Brodsky (1940-1996), poeta russo, laureado em 1987
com o Nobel de Literatura.


In: http://www.goodstaff.com/gallery/Paul%20Jones/lily.htm Posted by Hello

13 de ago. de 2004


Só me arrependo de não ter trancado aquelas maçantes aulas de edafologia para poder me dedicar ao shodo.
 Posted by Hello
Foram 30 minutos, o suficiente para sentir o quanto a profissão de modelo é desconfortável. Amanhã teremos outra sessão, vou cobrar o dobro.

12 de ago. de 2004

Me deixem em paz.

11 de ago. de 2004

Férias alamedas me cobrem os pés a procura de um lixo escaldado que não pertence mais aos outros eus. Persigo piercings desajeitados que me impedem de contar a verdade. A chave na porta, a porta lisinha, bochecha nova sem artifícios de cosméticos. Faças tu mesmo a conexão, assim continuo mexendo nas caixas de papéis esfarinhados até os tornozelos.

Se o Charlie Bravo me manda ajoelhar, como posso eu desobedecer? Duas nuvens se interpondo sobre minha nuca, continuo a digitar o dever-de-casa, seus olhares me são indiferentes. As ecografias também. Jantar servido. Apareço diante meus... de surpresa para decodificar um sussurro. O nome do meu irmão proferido. Pergunto pelo pior. Não, ainda não. Foi visto catando comida no lixo.

Acho que os talheres ainda não perceberam o quanto sou alérgico a etanol. Cerveja me faz empolar; rum, cachaça, gim, em quantidades mínimas, me leva ao vômito; vinho seja ele branco, seja ele tinto, me causa diarréia. E quando falo ao cliente que não bebo (Sim! Aceitei o convite), ele me responde que bebe por mim. De bicicleta não jogo tênis. E após três rodadas no Bigodão's Bar, sou persuadido a pisar na poeira suspensa da trilha da capivara onde pode haver partículas ínfimas de excrementos que me deixariam acamado, se não estivesse eu protegido por uma promessa de amor. Sim, leitor, eu acredito que Cinderela se deu de bem. Relaxa! É só o que eu ouço. E balbulciando bêbadas palavras prometidas escuto: quero te pegar para criar.

Frase velha no meu repertório. Não foram exatamente essas palavras, entre um gozo e outro minha memória falha. Recordo-me apenas que voltando para casa, dentro do carro, com um pacote de THC no colo... Epa! Essa seria uma outra cena: a pelada gordura alienígena espremida ao volante me cumprimenta com as pontas dos dedos. (E pensar que fritei minhas batatas naquele óleo rançoso.) "-O que você está fazendo aqui?" – disse-me ela se insinuando ao meu cliente, digo, ex-cliente. Vou ajeitar com tato o elevador de acesso aos fundos da loja, assim, o filmado Audi gozado servirá de assentamento ao novo grafismo desenhado hoje de manhã. "-Vamos ao cinema, mais tarde?" – fui convidado, pelo um sujeito que nem sabe se fica. Olhei para as cinzas nuvens frias e pensei: papai-do-céu, este fuma demais.

10 de ago. de 2004

Caso esbarre contigo pelos corredores do shopping, Amor; finja que não me conheça. Não é nada pessoal, Naz, apenas estarei acompanhado com uns amigos que reprovam sua forma de agir.
Ponto de vista
Leila Míccolis


Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções

(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.


Preciso, eu (O Memorialista) me interar do movimento para não haver mais engano. (Como se fosse possível.)

9 de ago. de 2004

Dicla, Diário amarrotado!
Estou mergulhado no novo álbum da Adriana Calcanhotto. Gosto de artistas que se preocupam em divulgar suas idéias para além das mídias tradicionais. Se não bastasse, AC sempre poliniza minha essência. Primeiro, foi com o ritmo do Mário de Sá Carneiro, com que ela me levou a morte. Para logo em seguida, me prostituir ao som da melodia do Daniel Jobim. Dessa vez, a cantora me mostrou imagens do... Veja por si mesmo, Dicla e me diga, se elas não seriam perfeitas luvas de pelica. A Estética continua sendo meu melhor argumento para bater na cara dos carentes. Me aborreço com essas pessoas resignadas que passam dias pressas a comunicadores instantâneos. Vá trabalhar, vagabundo! Só conectei-me para conferir minha correspondência. Se ninguém te dá bola, visite Compenhage. Niels Lyhne nos espera sem rumo. Mudando de assunto, sonhei, novamente, com gata do 202. Minhau, minhau, ela deveria cortar as unhas. Um sonho salgado de tão melado. Eu estava mesmo precisando sentir outras texturas trançadas a outros sumos.... Como se diz gato em alemão, Dicla?

7 de ago. de 2004


Constantia cipoensis Posted by Hello

6 de ago. de 2004

Lírios, ele vai dizer que é clichê; cravos que só devem ser oferecidos em homenagem aos que já se foram. Girassóis, politicamente incorreto; bonsai idem; cactos, mau agouro. Rosas, sejam vermelhas, sejam brancas, seria chamar para briga. Catléias, lhe traríam tristes lembranças que o levariam a uma possível recaída. Crisântemos e margaridas estão em entresafra, nem para remédio. Gérberas,seria uma boa opção, se tivesse vindo outras, além das cor-de-rosa. Bocas-de-leão ou astroemérias ou ainda as frésias são femininas demais para a ocasião. Copos-de-leite! Não. Sem folhagem, ele acharia pobre. Poderia ser antúrios vermelhos com helicônias bihai e minis ananás, eu estaria arrumando um novo problema, não uma solução. Azáleas, bêgonias, clicâmen, hortênsias... Não. É melhor que seja flor-de-corte. Gengibre?! Amarelo não! De jeito nenhum. Bastão do Imperador!? As petálas estão meio estragadas, seria desacato. Onde? Ali na beiradinha, olha só. É só arrancar. Vai ficar desfalcada, esquece.
Poxa vida! Neguinho chega aqui e em menos de cinco minutos consegue escolher um presente. E eu sonhando com croquis e estruturas. Ser filho de artista só atrapalha. Vou rasbicar um pouco, quem sabe os Deuses, ao testemunhar meu esforço, não me assopram para longe.

5 de ago. de 2004

Eu bebia na pura inveja retorcida do conhaque. No programa, biólogos estudariam Latim 1, Latim 2, Latim 3 e Tradução do teatro de Ovídio para o Português Moderno. As aulas estavam ocorrendo no Teatro de Arena. Conversava-eu com uma garota de tailleur creme. A fivela da sandália vermelha. A professora explicava-lhes o funcionamento do sistema renal dos anurus, desenhando, no quadro branco, com um pincel atômico, ora verde, ora azul, uma rã aberta com um corte longitudinal no ventre. Bem longe, ouvia-se o sinfonia da água do chuveiro escorrendo pelo ralo. Acordei dolorido. O ateliê me aguardava.

4 de ago. de 2004

Primeiro, foi o chuveiro frio. Reclamei, pouco adiantou. Depois, não havia sabonete disponível. Mudei de estratégia. Indiferença foi o que lhe ofereci. Ontem, a porta do escritório trancada. E agora Marcito? Fui dormir magoado, ofendido, e arrependido de ter escolhido o caminho mais confortável. Nada melhor, contudo, do que um dia após o outro com uma noite no meio. Óbvio, não? Há muito tempo havia me dado conta. Soluções?? Tornei-me um ajudante de pedreiro. Na pior das hipóteses dentro alguns anos estarei carregando uma pedra de mámore sem fraquejar.





3 de ago. de 2004

Distorço a botânica para acobertar as mentiras das constrelações de rochas que me escorrem pelas pernas feito um líqüido rosáseo perdido. Antes de jogar meu tchau sobre a face dele, me segurei no tronco da jaqueira e simulei tremulamente a completude exata do vôo. Brasília, 28 graus. Mas a sensação térmica era de menos dois. E pensar tudo havia começado com a "brincadeira" do banho de balde.

2 de ago. de 2004

"Eu ia fazer sushi, mas não deu tempo". Essa havia sido minha desculpa para o arroz empapado.

31 de jul. de 2004

Algum ingrediente suspeito havia no molho bolognese. Deitado na cama, encolhido feito um feto, pedia a Santo Antônio de Pádua sua intercessão junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Perdoa Senhor, a gula desse teu humilde servo, clamava-eu agoniado. Meu estômago expandido prestes a estourar, assustou-se ao sentir o rosto áspero do Fornazze a roçar minha bochecha. Deitou-se, encaixando-se entre as minhas pernas, se apossando de mim, como se eu de direito lhe pertencesse. O hálito de cerveja, a voz a lamentosa, o braço pesado, tudo isso foi me refirando o estômago. Mesmo assim segurei a vontade e respondi que também lhe amava.
William Somerset Maugham.“Confissões”, 1951, Editora Globo. Adoraria-eu, ao acordar de manhã, ter encontrado a arte literária do bem sucedido escritor franco-americano me esperando sobre nosso criado-mudo. Eu nem reclamaria, Naz, de você ter ido embora, sem me acordar para cumprirmos o nosso ritualzinho de despedida. Estaria feliz sozinho. Creio-eu.

30 de jul. de 2004

"Heidegger, para tanto, uniu o existencialismo de Kierkegaard e a fenomenologia do seu mestre Husserl, abolindo com os dualismos que caracterizavam a metafísica clássica (corpo/alma, interior/exterior, subjetividade/objetividade, ser/parecer), mantendo porém a irredutível separação do "eu" com o seu "próximo". Ao privilegiar no seu famoso livro Zein und Zeit (Ser e Tempo, 1927), o retorno da filosofia para o ser (ontologia), imaginou que ele doravante estaria aberto, livre, pronto para eleger o que desse e viesse. "Ser-no-mundo é morar no mundo", e não estar tenuamente ligado a ele. "Ser", para Heidegger, como observou Sartre, "é ser as próprias possibilidades: é fazer-se ser". O que importava era a autenticidade da decisão tomada. O seu limite era dado pelo tempo, pelo prazo de vida que cada um tinha, porque era a morte quem revelava a finitude do ser humano. Não havia mais céu para acolher a alma, nem o regaço de Deus para depositar-se as inquietações e as esperanças, o ser estava entregue a si mesmo, ao nada (niilismo). Uns aceitavam as coisas assim como são, sobrevivem apenas, "vivem" o seu cotidiano sem grandes inquietações, sem voltar-se sobre si mesmos. Outros, ao contrário, "existem", testam os limites da vida, lançam perguntas, indagam, enriquecem o ser, angustiam-se, querem fugir do tédio e da ansiosidade, sensibilizam-se." (grifo nosso)

In: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/heidegger3.htm#08
Presenciara uma discussão maçante sobre a gestão territorial do espaço amazônico. Definitivamente, não é desse pão que eu quero/vou viver. Não que tenha sido me dado o direito de escolha. Por isso mesmo, Dicla, eu não tenho escolha. Deplorável, passar quatro dias trancado num hotel embrenhado no meio da mata. Foi mais que suficiente para eu reconhecer que é somente o conceito de espaço que eu vou guardar dentro de mim. Será sobre a categoria espaço que irei contruir todo nosso castelo de limões vencidos (hiiiii, começou!). Por ora basta, Diário, preciso dizer ao meu povo que as flamboyant vermelhas, as bouganvilles rosa e os ipês brancos, da minha primavera, já desabrocharam. Precoce, não? Poisé, são meus repentes. Estou de volta ao meu ofício. Será que seus leitores ainda se lembram de mim?

23 de jul. de 2004

Dicla,
 
Desculpa, mas não tenho tempo para explicações agora. Estou indo a Belém (logo ali, só duas horas e pouco de vôo) e só volto quando a primavera cobrir de flores a Esplanada do Ministérios. Deseja-me boa sorte. Eu vou precisar.
Beijos nas leitores, abraços nos leitores,
Marcinho, O Geógrafo.
 
P.S.: Não façam essa cara, há uma porção de posts para comentar.

22 de jul. de 2004


      Segundo Augusto de Campos, "um escritor atual que não tenha lido Joyce é mais ou menos como um físico que ignore Einstein ou um sociólogo que não tenha tomado conhecimento de Marx". Não me deixo levar por analogias, seja lá quem as profira, mas quando percebi, lá estava eu subindo a escura escada aspiral atrás do Buck Mulligan e na frente do Stephen Dedalus.  Momentos antes, eu havia ficado impressionado com o Buck chamando a atenção do Stephen.  Bem que a Mah podia me dar aquelas férias de dez dias que ela prometera. Assim, eu seria mais um que começaria a ler Ulisses (1922) e não terminaria e por se acaso terminasse, não o compreenderia.  A Mah sabe que se ela  se descuidar do Passo Preto do aqui, ele vai embora,  colorindo o céu azul-anil-acinzentado da capital e não volta nunca mais. Estou tão cativo e nem sei se eu seria capaz de sobreviver no meu habitat original. O silêncio das tagarelas lavadeiras me torcendo, torcendo para mim, me assusta. Não preciso de nada disso, já que a Princesa Branca de Neve migrou dos contos infantis e veio retirar o livro para mim. Agora é comigo e a minha força de vontade que se contorce quando vislumbra a possiblidade se perfumar um cobertor ensolarado.  (Amanhã, volto para revisar-te, texto horroroso.)Posted by Hello



           Novembro de dois mil e três, a turba e eu escalando o pico da madrugada. Que bandeira! Nenhum mastro para hastear o meu amor pintado pelo nascer do Sol. (Buscávamos um afago do Rei.) A estrela a queimar minhas esperanças e eu a inventar mentiras. Era para ser um teste. Acabou sendo mais do que um Hello. Fácil de postar, intuitivo (mas apanhei pra caceta.). Posso voltar, satisfeito, a estudar o "Ulisses" que um leitor (?) do Dicla me definiu como sendo uma "chatice encalacrada". Pode até ser, mas isso, eu terei que desembaraçar por mim mesmo. Sou aquele gatinho, lá fora, a brincar com linhas de lã pêssego. Ossos do ofício -- nobre leitor, amada leitora , né, Dicla? ;-) --  que eu quero moer para adubar meu orquidário que hoje é virtual, mas amanhã, tendo tempo, será real. Nesse meio tempo, pedi, desculpas a Mah. Ela pensa que eu sou seu gerente-secretário-telefonista. Tenhamos paciência, pois nos sobra entusiasmo.Posted by Hello

21 de jul. de 2004

      Encostas vermelhas a me olhar por cima. Elas comentam todos os movimento sincronizados dos passos do André. São não-pessoas. Tal qual um gato a servir malabarismos numa mesa entupida de restos de corpos quebrados mais virados que sujos. É o peso das palavras sobre meus ouvidos. Quanto custa algumas horas de privacidade? Os banheiros de shopping fedem de tão sujos. Meu nariz merece adores mais aprumados. Como as pedras lambem meus movimentos nervosos. São dedos atravessando o virtual. Calma, leitor! Estou a procura da frase perfeita para especificar o fato. Mas, o André precisa vestir sua roupa e volta para frente de batalha.  Nous sommes la creme de la creme (?). Pronto, achei a batida perfeita. O que meus olhos vêem, coração nenhum pode violentar.
 
     Então vamos começar assim:
     
         O casal de namorados caminhando de mãos dadas. Afrodite e Ares a passear pelas calçadas rachadas da capital. Sem se importar com a minha presença -- eu ia em direção contrária -- o amante, bruscamente, a segura pelos cabelos castanhos claros. O cavalheiro a dominar sua égua. Suas mãos nodosas pareciam uma colher a conter o mel que insiste em derramar, em escorrer, em nos sujar o uniforme azulzinho.  Eu me assustei ao presenciar o que para meus olhos seria violência. A moça de olhos azuis, riu, soltou um gritinho que eu jurava ser um miado de um siamês e procurou a boca do amado. Porque o Samurai vem fumar aqui perto de mim? Não estou interessado no movimento das estradas. Em casa eu termino. Deixa-me dar atenção a quem precisa de um ouvido amigo para suportar a pressão do carregamento de munição. À noite, silenciosamente ensimesmado penso num final inesperado para o casal de amantes.

20 de jul. de 2004

De que adiantou eu ir dormir depois das duas, se o jpg não quer abrir. Nada que o Maninho não resolva.

19 de jul. de 2004

      Hipnotizado pela voz arranhada de um rapaz que a princípio não reconheci. (De onde eu conheço esse cara?)  Suas pernas cruzadas me convidavam a escutá-lo de mais perto. E se eu fosse devorado? Tarde demais. Já me encontrava prestes chocar-me contra um matacão de calcário. Agira correto em voltar para casa mais cedo. E depois dizem que a programação televisiva não presta. Há de saber separar o jóio do trigo. Do trigo, faço massa para pizza. Do jóio, jogo no forno. E na T.V. Chris Cornell sentado num banco, de pernas cruzadas, cantando para um babaca que está com o olhar mais congelado do que as cervejas que acabaram  de emporcalhar todo o frezzer.  Não sou mais eu que estou dentro de mim.    
      Já se passavam das quinze horas, ele havia combinado consigo mesmo que só se levantaria  quando o chamassem para o café-da-manhã. Um cheiro de picanha assada entrando pela janela, fez com que nosso herói se levantasse. Havia o preterido, mais uma vez. Acordar no chuveiro para massagear a carne dolorida.  Os olhos escondidos atrás de pálpebras inchadas. Resolvera  não descer. Voltou ao quarto, pegou um livro qualquer  na estante, e voltou para as cobertas. Tendo o cuidado de deixar a porta do quarto aberta. Não faria diferença para a batucada que invadia sua calma. Retrado do Artista Quando Jovem, fora sua escolha. Ele queria descobrir em que praia selvagem Stephaforos havia encontrado o coração.

17 de jul. de 2004

         No momento  em que este post está sendo elaborado, a capivara aqui  está tendo uma aula sobre Feed (eu já havia lido sobre isso no blog do Neto). Agora o Dicla está no Bloglines. Cury, Brasília em peso te agradece. Para adicionar o Dicla, nobre leitor, amada leitora, clique . Desculpem o post chulé, mas é o que o gim me permite escrever.




Dicla,
     Quantas vezes havias me explicado que em hipótese nenhuma, deveria, eu, conversar com os teus leitores. "Diário é para posteridade" que me observa ávida por um naco de carne. Que carne? Diários íntimos são obras póstumas para que os bisnetos dos nossos filhos saibam o quanto o ser humano pode ser idiota. Sou idiota sim, muito mais que imbecil. E hoje vão ser só dez chicotadas, para eu aprender que nunca mais, nunca mais mesmo, mesmo de verdade, verdade bem absoluta (não me importa qual), que jamais devo permitir que as pessoas saibam o que eu penso.
     Há de ser dissimulado, mais um pouco de cinismo (A Paty adora.). Misturar mais vaselina na veia. De agora em diante, diário, vou agradar as pessoas que se aproximam de mim, concordância perfeita. Discordar jamais. Opinião minha, só se for a mesma dos adictos que rondam nosso orquidário a procura de cogumelos. Estou vomitando nos pés desses fascistas que desejam me devorar. Comerão só a sobra da carcaça, se é que vão. Sou uma ostra, F. , iguaria fina que seu paladar não está preparado para degustar. Se tivesse, um e-mail chegaria a minha caixa-postal com um longo pedido de desculpas.
     Não tolero pressão, não aceito chantagem. Essa aliança que trago no dedo, caro, esse nome gravado dentro dela, não foi de graça. Foram anos e anos e anos que eu pressionei o polícia para que ele fizesse exatamente o que eu queria. Conta conjunta, não me significava nada, se eu não fosse apresentado aos parentes dele. "Esse é meu namorado, vô." Foi essa frase que me levou a um orgasmo, como se eu nunca houvera sentido um antes. Para agora um filho-da-puta desestruturar meu discurso?
    Ora, ora! Não sei o que é sofrimento. Nem foram seis meses numa U.T.I. neonatal. Nem fui desenganado pelos Dr. Especialistas. Nem foram as damas da Corte fazendo novena para que o moleque aqui sobrevivesse. Nunca fui amado, F. Olha o homicida sociopata que me tornei. Olha as ossadas que eu guardo dentro do açucareiro. Sofre demais pela fato de você me ignorar. Estou a me mortificar pelo seu desprezo tão esperado. Dicla, divertido, não? Como sou capaz de limpar o fel que escorre da boca dele, sem tocar-lhe.
     Meu caro amigo Diário, sei muito bem como lidar com rejeição. Aliás, sou medalista olímpico nessa modalidade. Essas peçonhentas pessoas carentes que me procuram como se eu fosse uma privada de banheiro de supermercado (obrigada a aceitar de quase tudo) não fazem idéia que eu só cruzo (não faço amor, eu cruzo) com quem eu tenho intimidade, afinidade, cumplicidade. Não é porque eu fui achado no lixo que eu me deito com qualquer um. Não é porque eu estava e estou gritando que significa que preciso do seu socorro. Foda-se visitante. Seu I.P. foi banido. E espero que você, pessoinha vulgar, nunca mais, passe diante meu portão. Eu sou de paz, mas se me provocar é double click. Você está avisado.
                                                               
                                                            A. Dantas
 
                                                                    Brasília, 17/07/04   
 
P.S. : E para não pensaram que eu sou a personificação do mal, plantarei uma muda desse cymbidium na sua lápide. Se roubarem, paciência. É mais o menos o que você tem feito a vida toda.
 
 
 
 

16 de jul. de 2004

Para se tornar um Hacker, convém ler  o Marketing Hacker. Aprender-se-á  muito mais do que isso.

Mudaram o editor o Blogger! Uma bobagem, mas estou para lá de feliz.

15 de jul. de 2004

 
     Feliz. Mesmo tendo o Mau Humor refutado nosso Bom dia. Barreiras ofuscavam a necessária cebola megulhada no azeite. Almoço de pazes. A idéia voltou. Uma mancha de mofo no canto da parede. Na rede uma pernilonga a ser devorada, imagino. Ferros empoeirandos se despedindo da gente. O ar me mostrando o quanto vendemos baratos os hibiscos secos esfarelados e a certeza de voltar para casa, depois de uma noite bem programada. Falta quatro dias para eu conhecer Dom Quixote de La Mancha. Será que a maldição preencherá minhas saboneteiras borradas? O medor de ser me arrasta para o lado de Aquiles. Aceito ser Heitor, resignado. Versos no qual beberei.... Mas, eu li. É pior dizer que leu. Irão esperar que a curva da hipotenusa cruze com o labelo purpurato da lingua que se disfarça de catleya. O humor do diarista cata/busca/explora significados primários, paliativos. Olhar de descuido sobre a pateleira que se passa.


12 de jul. de 2004

     Suas palavras ainda ressoam dentro das minhas entranhas. Ela achava, para minha surpresa, que tudo que eu vinha fazendo estava correto. O Cinho deveria ser poeta. Não queria que as pessoas tivessem uma idéia distorcida de mim. Deveria eu pular do jardim suspenso, direto na poça que a lágrima havia formado? Era mais que normal que me dedicasse a enfiar a sonda na transversal do onírico ser que se avoluma diante do meu ouvido. 
     Aproveitando-me da deixa, resolvera eu espalhar pela mesa de jantar, aquela mesma que outrora eu fui jantado, trechos amassados de experimentações afins. Tudo muito claro, ofuscamente claro. Aniversários, jantares, reuniões, toda a felicidade que nos permite nossa corte sem rei. Meus diários sendo arranhando por dedos que me poluem a visão. Nunca pensei que a convivência de três dias tornar-la-ia minha leitora, minha irmã a me defender diante os boiadeiros de estrumes.
      Na cama, minha irmã, realidade, se preparava para ser minha mulher. Minha noiva e eu a esperar que a porta se fechasse. Noite de núpcias em lençóis de arara. Epa! Não seria incesto sentir as ondulações internas da poeira que se acumula sobre o aparelho de fax? Seria, mas... O Doutor com a glock apontada na minha direção... As duas sobreviventes já estavam a salvo... Sair dali vivo ou não, dependeria apenas da boa vontade de um homem que havia matado outros homens como se fossem baratas. E pensar que havíamos sido caso um do outro.
     Sem encará-lo, caminhei sobre seu couro cabeludo, tão liso de careca, raspado com gilete. Será que ele voltou a usar espuma mentolada? Ameaças eram apresentadas por telas monitoras remotamente. Eu me submetia aos caprichos dele. Finalmente o Doutor me encontrara. Viver era matéria obrigatória, maçante, que eu não havia cursado. Uma droga que deveria ser ingerida com leite desnatado. Ligado na tomada (possível solução), eu dentro da banheira amassando tomates que serviriam para compor o molho que em instantes seria derramado sofre a fogão de madrepérolas. Molhos são minha especialidade. Tomilho eu sirvo verde.
     Diante da indefinição do homem de fechados olhos castanhos, me vi livre para abraçar umas das moças que sobrevivera. Essa tulipa era para você, Cicinho. Não gosto de tons pastéis. Sai respirando da carnificina para desposar uma mulher que se enjoava ao pensar no arco-íris que nos orientaria até o final da estrada de queijo que começaríamos a digerir. Voltaria mais tarde para passar a escritura do sítio. Vendê-lo era uma questão de inteligência.
     Meu intuito, na verdade, ao retornar à lápide dos meus antepassados, era explicar ao Doutor que não gostaria mais de encontrá-lo em bares onde copos sujos servem para encobrir suas mentiras sórdidas. Pediria com carinho, nem que para isso fosse preciso deita-me sobre seu, sempre dormente, braço esquerdo, para que não mandasse mais seus ratos cinzas tocarem meu sino às três horas da manhã. O que faria a partir de agora, não era mais da sua conta. Falta-me essa coragem. Me apaixonei por todas as estampas que ele poderia vir a ser. Só envenenando esse filho-da-puta para conseguir eu dormir, sugestão a refletir.

9 de jul. de 2004

Manguetronic
Site sobre música contemporânea pernanbucana.
Jornal de Poesia
Centro Avançado em Técnicas de Imobilização (CATI). Assisti a vídeos que deixariam os aliados da Al Qaeda felizes. Eu vi poesia. Escritor não deve ter escrúpulos, não esse escrúpulos que você está imaginando. Desde muito pequeno aprendi que a arte é amoral.
"(...) te amo como as begônias tarântulas amam seus congêneres, como as serpentes se amam enroscadas lentas, algumas muito verdes outras escuras, a cruz na testa lerdas prenhes, dessa agudez que me rodeia, te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade..."
H.H

So it´s the storm that I´ve been needing! Fotolog de um leitor que se apaixonou pelo meu profile. Ele se encantou com a esquemática personalidade que elaborei. (Coitado! Outra vítima.) Até que presto para alguma coisa. O Pah não tinha razão.

8 de jul. de 2004

Macha soldado, 
Cabeça de papel, 
Se não machar direito, 
Vai preso no quartel.


O quarto pegou fogo,
A vizinha deu sinal,
Acode, acode, acode,
O agente federal.

(O asco me escorre pelo ouvido quando presencio as histórias do Fornazze. Tenho vontade de dar um tiro de escopeta no peito dele. Preciso estudar mais sobre Direitos Humanos. Da próxima vez que ele me mandar chamar os Direitos Humanos, vou lhe responder, que para ele chamo a Corregedoria. Eu seria o principal depoente.)

7 de jul. de 2004

Dicla,
Ainda queres ser meu "querido diário"? Ora, blog, deixemos de afetação! Tu não tens ninguém, além de mim. (Eu tenho leitores!) "Se ajeite comigo e dê graças a Deus". Não foi assim que cantou o poeta? Faço dele a minha voz. Ouça-me, venho-lhe trazer notícias orkutianas. Parece que, finalmente, encontrei, uma comunidade que funciona sem se basear na estética vigente. Havia, eu, te prometido, Dicla, mais de uma vez, que nas tuas páginas cansadas, só escreveria nossas histórias, nossas vivências, nem que para isso fosse necessário disfarçá-las na truncagem dos dementes. Me perdoe, tesouro. Estou a te trair mais uma vez. É mais que apropriado publicar este texto que surgiu-me motivado por uma pergunta no Fórum, do qual partipei; dado o fato de sempre me perguntares porque escrevo. Tomá-lo! Mastigá-lo se ainda te sobram os molares:

Porque eu escrevo.

Escrevo porque não tenho o que comer. Me alimento de luz. Luz do monitor.

Escrevo porque meu amor teve que ir proteger as fronteiras comum a todos nós.

Escrevo porque assim protelo minhas obrigações.

Escrevo porque assim não cheiro dedos em riste me provando o quanto sou mitómano. (covarde!)

Escrevo porque assim me apresento ao mundo.

Escrevo porque virou moda. Lembras-te do papai me apresentando aos amigos dele? "-Meu filho é escritor."

Escrevo porque assim meus pais pensam que estou fazendo algo de frutífero.

Escrevo porque assim meus pais acham que algum editor vá querer publicar as obras póstumas de um analfabeto. (Analfabeto, mas não imbecil! Que fique bem claro.) e eles terão, pois, sua tão sonhada aposentadoria.

Escrevo porque eu não sei fazer nada além do que atirar palavras, aleatoriamente, no papel.

Escrevo porque minha vizinha me incentiva.

Escrevo porque minha irmã caçula chora ao ler algo que tinha vontade de dizer, mas que não tem a devida coragem. (Minha força provém dos olhos verdes dela.)

Escrevo porque um colega te pegou para ler (sem minha permissão, óbvio!) folha por folha e me mandou estudar Sintaxe. (Mandei-lhe que fosse estudar Sociolingüística.)

Escrevo porque as palavras fazem meu sêmen jorrar viceralmente. Minha palavra preferida é Marte. E a(s) do Diclessianos, quais seriam? (Como se fizesse diferença.)

Escrevo porque assim estou fazendo uma terapia ocupacional gratuita. (Ineficaz!)

Escrevo porque ninguém (a não ser o dono) chega perto de um rotweiller quando ele está comendo.

Escrevo porque só assim é que se aprende a desferir uma esquerda bem encaixada.

Escrevo porque leio até que as idéias me saem pelo ladrão (o que não demora muito).

Escrevo porque acredito que as premissas são falsas e precisam ser pelo menos discutidas ― num lugar seguro, longe da Polícia do Exército.

Escrevo porque tenho tempo.

Escrevo porque preciso de dinheiro.

Escrevo porque não tenho mais tempo.

Escrevo porque não tenho um submetralhadora 9mm.

Escrevo porque tenho "liberdade" diante uma multidão cibernética que não exerga o homem perdido que me tornei. Eles me ignoram. Eu não os ignora. Até porque quem sabe, não consiga eu extrair uma personagem daquele meio sovina.

Escrevo porque sou vários fragmentos de n personagens Eu vejo vozes, sinto rostos. (Não fujam com medo de mim, leitores. Eu não faço mal nenhum, a não ser escrever o que vocês não gostam de ler.

Escrevo porque enfrentar tabus, tornou-se prioridade para mim.

Escrevo porque não aceito esteriótipos.

Escrevo porque escalizar me anima.
Escrevo porque rascunhos me fascinam. (Rascunho, não! Croqui.)

Escrevo porque não sei quando se usa porque, por que, porquê e por quê.

Escrevo porque sou um pretensioso (Ai! Que signo horrível. Só funciona sonoramente.) Presunçoso desmistificador da organização socio-espacial de uma capital que se diz modernista, mas na verdade é Barroca. (Não tenho argumentos para sustentar essa afirmação. Mas sei quem os tem!)

Finalmente, escrevo porque sei que alguém vai (re)ler, nem que seja eu mesmo.

P.S.: Não há porquê, talvez por isso a lombra.

6 de jul. de 2004

(putaria.) Literatura seminal

Essências da Seiva de Ana Carolina Lopes. Orkutiana a publicar sua própria antologia poética.
Acordei com o barulho do coldre sendo colocado dentro do criado-mudo. Permaneci quieto. Para, em seguida, ouvir bem próximo do meu ouvido, o sussurro aveludado que me atormenta o calcanhar.
-Amor?!
-Estou dormindo.
-Vira para o meu lado. Hem, Amor!
Não respondi, apenas me deitei de bruço e encolhi minha perna esquerda. Seqüência de beijos a percorrer minha espinha como se estivesse procurando o lugar certo da cusparada necessária.
-Ai!
-Desculpa, amor.
Sua mão cheirava a pólvora, sua língua tinha gosto de sangue. Permiti que descarregasse sua culpa dentro de mim.
-O que aconteceu?
-Operação de rotina, 'more. Vira para mim.
Continuei na mesmíssima posição.
-Vamos ao cinema hoje?
-Vou ter um extra, 'more. Amanhã, eu te levo. Vira, vai.
Levantei-o com o meu dorso, sem descolar minha pele do suor dele. Girei meu corpo feito uma bailarina e pousei de costas como ele me queria.
-O que foi isso?
Levantei-me, acendi a luz, sem acreditar no que via.
-Apaga a luz! Vem cá. É só um curativo.
Um curativo que obstruia o brilho castanho-acinzentado dos seus olhos. Não sinto mais o mesmo entusiasmo de antes. Quero fugir pela fresta da janela da qual um raio de luz multicolorido fingi furar a balaclava do Fornazze.

* * * * *

Dicla, querido diário,
Desculpa-me a indiscrição, mas essa personagem estava me sufocando. Espero que agora eu possa viver um momento de calma.

5 de jul. de 2004

Calma, André, nada se perdeu.
Cheiro as Contradições, apalpo os Paradoxos.
Amado, Querida,

Eis meu diário:

Museu Imagens do Inconsciente. Vale conhecer um pouco mais sobre o tema. Pesquisar sobre asap. Vai de encontro com a frase do Antônio Lobo Antunes. Porque me declaro um meia-avançado(?), atento aos meandros da fala (quanto mais particular melhor). Eu jogo aberto, deixando vazios que devem ser preenchidos pela zaga. Não me importo em perder O Jogo. Não sou nada; ainda bem, assim, não sou ingênuo, nem oportunista. Lembro mais uma tábula rasa experimentando as LERs e as DORTs que deformam minha geração. Quero para mim as obras póstumas (me fascinam). Lanço-me sobre o apelo popular, sob a pressão das algemas que me fecham a visão do falo que se levanta antes mim.

2 de jul. de 2004

Primeiro, me cobri em Porto, despois na Lisboa. Me apaixonei por ambas. Agora estou a navegar em direção à costa africana, sem me esquecer que sempre posso me banhar às margens do Mississipi. Luanda é meu porto. Um porto seco? Ainda não sei, estou a descobrir com o auxílio desse Sr. aqui. Minhas raízes mais crioulas do que afro-americanas.

1 de jul. de 2004

Estava eu a navegar em mares conhecidos quando ancoro minha nau num porto onde vicejam gardênias, azáleas, rosas, tulipas e girassóis e dálias e hortências perfumadas. Estou por lá, a beber do néctar da sociobiodiversidade de idéias. É o meu Eu-platônico sobrepujando meu Eu-aristotélico com ajuda do poeta que traz à tona meus recalques despistados.

29 de jun. de 2004

O convite estava na sua caixa postal desde oito de maio. Por que a demora? Era um decisão tão simples entrar para o orkut. Ele não tem idéia das consequências que poderão vir a ter. Suas novas preocupações são aspergidas para que o gramado floresça antes que a noite venha lhe dormir.

28 de jun. de 2004

Mais nervoso que os candidados a andar de pé virado eu lamentava. Na academia se aprende a ler e escrever em mandarim, por que em hindi, supõem-se, que já se saiba. No restaurante vegetariano será preciso distinguir artelhos de grilo de tortas de bananas nanica e a fumaça que sair da sala ao lado, não será necessariamente de carburador envenenado. Uma pausa por um pouco de privacidade.

Minha prima achou que eu seria mais revelador na carta. O que ela quer saber, afinal? Ela não entenderá que felação é um esporte que pratico sem as mãos. E deixo que as nuvens entremeiem minha nuca, minhas costas, meu dorso. Permito que meus dedos calmamente deslizem pelo teclado projetado. Os pedaços me chamam de volta, eles me clamam numa amálgama amarela. Lençóis que ontem me serviram, hoje me amarram para que eu cumpra licenciosamente meu papel de concubina. Observo a nota de vinte dólares esquecida debaixo da cama, rezando para que o Novidade não a veja. É mais que um suco de graviola. Meu rascunho de hoje sem elogios.

Copos ensebados emborcados numa bacia de vinho tinto seco é a única coisa que transpiro. Era eu um australoptecus recheado para o almoço, tendo que responder ao Novidade por onde andaria o Corno. Eu ri obrigado, perguntei-lhe por quantos tempo eles permaneceriam no morro. Ouvi um depende que não me convenceu de nada e o barulho da taça se espatifando no chão. Fez-se uma poça de vinho, que muito bem podia de sangue.

26 de jun. de 2004

Mude

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!

Edson Marques

25 de jun. de 2004

      O maleiro é pequeno para guardar minhas malas vazias. Vamos ter que comprar um guarda-roupa novo. Essa é minha única preocupação agora. Posso permanecer, traqüilamente, deitado na cama sem pensar em me levantar. Jogo as cobertas longe e me entrego às minhas obrigações. Pego o livro (que está nesse momento confortavelmente descansando no meu colo) e vou até o computador responder minha correspondência. O Naz me dissera que resolveria meus medos com um simples telefonema. E não é que resolveu? Não tenho uma janela com vista para o mar, conforme me prometera. Em compensação, ele tem vindo almoçar comigo todos os dias. Sou um homem feliz, tomado por um medo de estar vivendo o dia seguinte do final de um conto-de-fadas. Vou preparar lasanha com brócolis para gente. Será que vinho tinto seco combina com massa? Depois penso nisso, deixa eu fazer uma pesquisa no Google.

18 de jun. de 2004

Dicla?! És tu? O que aconteceu contigo? Às vezes, quase sempre, não te reconheço nas tuas entranhas. Hoje de madrugada, por exemplo, passei por ti e nem percebi que estavas mais robusto, com pele de quem toma suco de brócolis com levedo todos os dias antes de ir para a escola. Era um sonho. Avenida larga com muitos carros apressados e outros diaristas tentando atravessá-la. Do outro lado da pista, bem longe, acenavas para mim, entusiadamente, como se nós nos falássemos todos os dias. Então, acordei, mas continuei no sonho e ao meu lado o Naz ressonava, melodia para os meus olhos. Levantei-me para enxagüar a boca e o que se seguiu, me dou o direito de me censurar, por enquanto.
"Eu sempre escolhi o caminho mais difícil, desde que fosse a que me permitisse dormir à noite."
Maria Rita Mariano

16 de jun. de 2004



Sou extremamente cético em relação à celebrações. Vou tentar, eu disse tentar, incorporar o Stephen Dedalus e prestar muita atenção em tudo que será lido e comentado. Meu bloquinho de anotação vai junto, ele sempre me é fiel; muito diferente de uns-e-outros que jura me amar. Puta-que-los-pari!... Eu tinha que me lembrar do canalha. Um dia tão joyceano de muita névoa fria e úmida e eu me lembrando de uns olhos esverdeados semi-escondidos sob pálpebras inchadas. Balaclava nenhuma deveria ter sido usada para abafar o som das palavras. Que dificuldade a dele para dizer claramente eu-te-amo.

Enquanto tento arrancar esse post do teclado, meu pai -- que está lendo o jornal-- me diz que os gays são 10% da população na capital federal . Ok, paizinho! -"E os bissexuais? E o pessoal da Marinha? E os do Itamaraty? Sem contar os enrrustidos?" alertei-lhe. Se for feito um levantamento sério, chega-se a 50% da população. Eu não disse isso, só pensei. Mas não quero pensar em levantamentos estatísticos hoje, não hoje. A galera vai ter um Dedalus bem-humorado. Finíssimo nas palavras. Espero que percebam.

Mudando de assunto antes de partir, ontem os tambores do Olodum estiveram no campus da UnB. Nem vi, pois, alguém nesse país, ou melhor, cinco alguens tinham que apresentar um seminário sobre conservação de recursos hídricos. Quanto a isso, nada demais. Transparências, datashow... epa! Minimizar! Tem gente me rondando.

Fui no site do Inpe só para disfarçar e acabo de saber que hoje fez 13ºC. 13°C! E eu dormindo sozinho. Eu ainda mato o safado. Mato à facada, dessas de cortar pão. Vai ser um pouquinho complicado, mas extremamente prazeroso vê-lo assustado com a faquinha serrando a pontinha do calcanhar. Ninguém vai sentir falta de um torturador no armário. É o que não acredito. Mas tarde eu volto para revisar-te, texto, minha carona chegou.

15 de jun. de 2004

Três casacos de lã não conseguem me aquecer. Na realidade, o que está me trincando é a ausência de um mísero telefonena; um mísero telefonema dizendo: "-Oi, amor! Chateado comigo?" Claro que estou, mas ao ouvir as cordas baixo vibrarem, esqueço tudinho. E volto a ser aquele menino feliz que trocava os "b" por "v" sem nem se dar conta que viria se se tornar um pedante de calcanhares virados. Percebo um sujeito mal posicionado me fotografando enquanto revolvo o gramado.

Desconfio que seja alguém do Fornazze, para descobrir que não se tratava nada disso. Era apenas um alemão a fotografar o cotidiano de um anônimo. Daqui a pouco estarei no Teatro Nacional, ou melhor, minha imagem será exposta juntamente com mais centemas de imagens forradas de banalidades. Espero que meu coração deformado não espante os visitantes.

A Maria Beatriz não entende, quando explico que a distância mantem os corações deformados de tão esquecidos. Ela ri e chora e ri mais ainda. Não consegue controlar as gargalhadas que mais parecem uma convulsão. E me pergunta a quantas anda os contatos com as editoras. (Se eu soubesse que o bolo de chocolate teria esse gosto, não teria aceitado o convite.) Expliquei-lhe (como se ela não soubesse) como elas se comportavam, pepepê, pepepê, papapá.

Minha amiga, refeita em seriedade, me sugeriu uma editora caseira, que eu bancasse uma pequena tiragem e distribuísse aos amigos mais próximos. Eu não estava ali para trocar amenidades. De pequenos, me bastam os meus pés. Nunca me preocupei em publicar, até porque estou muito satisfeito com o vir-a-ser do ciberespaço. Continuo depois, está muito frio aqui e o café já está sendo servido.

P.S.: Tenho vontade de cortar metade do que escrevi, mas esse texto não mais me pertence. Nunca me pertenceu.

14 de jun. de 2004

Tu te lembras do Big Brother 4? Do tanto que os participantes e o público criticava a canditada Solange? Eu ficava angustiado por que não tinha argumentos para defendê-la. Não que ela precisasse da minha defesa. Mas eu sabia que deboche contra o forma que ela se falava estava recheado de ignorância. Pois bem, como havia dito Prima Justina à Capitu: "Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir". E veio à minha. "Preconceito Lingüístico:
O que é? Como se faz?" Loyola, 2003, 27ª! Edição
.

As palavras do professor Bagno me serviram de luva, apertada, mas luva:
"Eu confesso que sinto muito prazer ao ler (ou ouvir) um texto cheio de 'erros de português' -- mas com idéias originais, inovadoras, coerentes, bem expressas --, um texto isento de preconceitos e de idéias rançosas, com todas as regências cultas respeitadas, todas as concordâncias verbais e nominais, mas repleto de intolerância, de deboche, de sarcasmo, de concepções degradantes e por aí a afora."

E pensar que eu estou sendo pago para resenhá-lo. Trabalhos assim, eu faço de graça; sem perceber que já era domingo e o telefone se negara a tocar para mim.








10 de jun. de 2004

Corpus Christi na Catebral do Niemeyer: amanhã, encontrar-te-ei lá (e não quero ciumera!).