21 de out. de 2004

Algum historiador deveria escrever para o excelentíssimo Ministro Viegas explicando-lhe a importância do Passado para uma Nação. Se não fosse assim para quê cultuar a memória de Duque de Caixas? Ah! se eu soubesse escrever...

19 de out. de 2004

DiCla,

Venha! Festa de aniversário na qual somos nós os presenteados. Acabo de escolher os meus: Mollmann´s Song: Presente para um Futuro Passado


18 de out. de 2004

Nunca vi tanta gente bonita reunida, num lugar só. Meu Deus, havia sido eu mesmo o promoter daquela festa. Com certeza, não. Tive ajuda dos Anjos. Nossa, que arrepio! Anjos, desculpa o texto improvisado, é o que minha cabeça permite escrever. Além de beijar muito bem, teu beijo sacia qualquer paladar refinado. Tchau, Coração, tenho que pegar a estrada. Estrada, não! Céu. E lá se foi o Anjos rasgando nuvens indolores, mas antes dele embarcar, me beijou demoradamente. Meus convidados fingiram estarem acostumados com demostrações espontâneas de afeto e carinho e consideração. Eu, para consertar o possível constrangimento de alguns conservadores, tentei contar-lhes que na Itália, no sul da Grécia e em algumas partes da Espanha, homens se beijam em público. Não sei se costuma ser melado como aquele fora, mas que se beijam, se beijam. Não consegui contar-lhes, o que eu havia mostrado em lá sustenido fá maior. E o fulaninho prometera me empalar, se eu faltasse a inauguração do Tático. Será que o Anjo viria me resgatar, se aquele lá, me mandar novamente "falar sujo". Quero correr o risco, mesmo sabendo que se trata de uma fantasia.

16 de out. de 2004

A menina de olhos verdes, lamenta por me ver trabalhando aos sábados. O Iate Clube seria nosso destino, se eu conseguisse abrir as algemas que me prendem ao gazebo forrado de petúnias vinho. Esse outono, mês de estréia da Orquestra Sinfônica das Cigarras Esplanadas, me empalidece, me torce, me afoga.
Entretanto, consigo encontrar felicidade às margens do lago. Antecipo alegrias. Descubro que monólogos são válidos; que ridículas cartas de amor saciam minha volúpia; que o Quebra-Nozes, vulgo soco-nos-rins-de-filho-de-coronel-que-puxa-pistola22-para-mim, se entumece ao ouvir minha voz gravada na secretária eletrônica do seu celular. Soltos polissílabos dissonantes: ensimesmado, historicidade, desterritorializado, cataclisma, anacrônico etc.
A menina dos úmidos olhos verdes valentes, que me perdoe; sinto diálogos verdejando debaixo das minhas unhas comidas. Eles se emudecem com receio de serem chamados de advogadinho. Foi assim que o soldado me chamou após lhe explicar que seu apreço pelas palavras tinha triplo sentido duplo. Expliquei-lhe também que ele deveria ler poesias. "--Não posso. O conteúdo programático do CFO é muito extenso." E para consolidar minha fama de advogado (?) argumentei: "--Ora! Redação deixou de ser eliminatório?"
Enquanto, ele pensava na réplica, enchi seu copo, cuidadosamente, para não formar colorinho. Não sei servir, no resto da garrafa havia só espuma. Ele a tomou das minhas mãos e a balançou para o garçon. Este sim, excelente profissional.

15 de out. de 2004

O polidor de cristais retornou numa nova canoa desprovida de furos tortos. Daqui em diante, nova gerência se impostará acima das vozes desafinadas. Meu quebra-nozes tritura castanhas de avelãs importadas da Noruega sem saias.
Nossa! Já é Natal? Sim. Aqui, todos os dias se deseja feliz Natal. Excelente estadia desejo à contralto imberbe. O sorvete derretido não manchará vossos lábios carmins, alteza, sem antes mordiscar minha verde glande amarelada.
Sobre o que você está falando? -- me perguntaria ela se pudesse gemer. Nem imagino, Princesa Natália, nem imagino. O professor nos pediu que escrevêssemos um texto provido de sentido e cor e perfume e sabor.
Há! Há! Há! Não vejo sentido nas meladas camisinhas jogadas debaixo da cama, como se aquilo lá, fosse uma privada particular exclusiva. (Ah! Me esqueci. O texto deve ser elegante. Aquela frase deverá ser suprimida no momento da revisão do estilo.)
Levanto o dedo educadamente: Professor tenho uma (várias) dúvida.
"--Pois, não."--responde-me ele.
Por telepatia lhe envio mensagem clarividente, e meus pensamentos se colam anexo ao resto do sabor do etanol arrepiado. Eles se prendem também à linha que se solta da descosturada bainha da saia da sua alteza. Linha. Fiasco, que me lembra (gostaria de esquecer) o pêlo loiro esquecido na minha cafajeste barba perfumada por lírios salmão.
As vadias me convencem a tomar achocolatado sem gelo. Sushi sem shoyu. Café da manhã servido nu sob o sol castanho de outubro. Corpos besuntados de protetores solares com prazo de validade vencida servindo fatias de salgados melões docimente perfumados.
"-- Vossa Senhoria, mudou novamente de assunto" -- geme sua alteza.
"--De forma alguma, querida Natasha, estou apenas catando os cacos que observaram nosso crime iluminado. Não quero testemunhas.

13 de out. de 2004

TRÉPLICAS SOTEROPOLITANAS: RAZÕES PARA MUDAR DE SOBRENOME
Simplesmente insurpotável! Preciso permanecer deitado até que minha cabeça pare de se expandir e se contrair. Deveria ter recusado aquela dose de gim. Destilado com fermentado, definitivamante, não se misturam no meu sangue. Mas fui querer fazer bonito, agora estou aqui: matando aula, vomitando água de coco, espremendo meu cérebro para te atualizar, DiCla. Na verdade, queria nunca mais ter que escrever, ou queria que não fosse uma obrigação inadiável. Ai! Vou arrancar minha cabeça. Auto-decapitação. Não! Quero um harakiri pós-moderno. Ligue tua webcam. Espera aí, antes que eu me rasgue com uma faca de pão suja de manteiga, rasgo tuas falsas páginas pessoais, Diário Clandestino, que mais me complicam do me que relevam.
--Ora, ora! Agora sou culpado pelos excessos e fracassos de um diarista proxeneta. Chega para lá, Azimute codificado. Deixe coberta para mim. Vá se deitar no sofá. E só voltes quando fores capaz de "descrever um estábulo visto por um homem que acabara de perder o filho na guerra." Sem referir ao filho, nem guerra, tampouco à morte e muito menos fale do homem. Aproveite para aprender a escrever. Estude o vernáculo. Te fará bem. Jamais volte a me ameaçar com mordidas fanhosas, até porque tua especialidade, é mordiscar, não morder. Já me basta o ostracismo causado pela concavidade do teu convexo. Já me basta teu desafinado bafo de gim falsificado (teu sensível paladar, nem para isso serve mais). Minhas páginas, mesmo as mais displicentemente escritas, não te pertencem; nunca te pertenceram. Quem lhas sussurraram, lhe chamam de ingrato. Eu lhe chamo de burro. Burro, não! Idiota. Relaxe, meu diarista querido, tua doença tem nome, só não tem tratamento. E não há mais o que lamentar.
--Tenho direito a réplica, DiCla?
--Claro! Somos democrático, Baby!
--Então, gostaria de esclarecer que o fato de eu ter ido buscar as meninas não prova que eu seja proxeneta. Nunca aliciei ninguém, nem passou pela minha cabeça a turva idéia. Quando que eu ia imaginar que elas eram do frevo? Quanto ao resto, o resto que sobrar, vou rasgar sim. Rasgar, apagar, se me vier o bom humor, revisar. Olha, só diário. Acabou saindo nosso falso epitáfio. É a dor debaixo das unhas dos pés, casqueadas e esmaltadas, traduzida. (Pretensioso!) Peço-te paciência, DiCla. Tu sabes o quanto sou um tanto quanto mau-humorado. No mais, a orgia ainda me comprime o crânio. Culpa. Muita culpa por ter me excedido no gim.

8 de out. de 2004

Aos poucos vou reconstituindo minha blogteca.
Deus é pai, a vida madrasta.
Ele patrão; ela eu a levo para tomar um sundae na soverteria da esquina às 3 da madrugada.
Não é porque uma gatinha arranha meu coração que eu vou ficar rolando na cama esperando o dia clarear.

6 de out. de 2004

Há três semanas não consigo durmir direito. Achei que não fosse grave.

4 de out. de 2004

[Espaço reservado para a fotografia de um beijo. Meu juízo não permite publicá-la.]
Ele nem imaginava que o seu pedido havia sido indeferido. Posted by Hello
[Originalmente, encontrava-se uma fotografia.]
Tira logo essa foto! O pessoal está me esperando lá fora. Posted by Hello
[Daqui, também retirou-se a foto.]
O harmonia por si só resolveu a combinação do laranja. Posted by Hello
[Opa! Havia me esquecido de arrancar essa foto, também. Pudera, o conto está me deixando uma pilha.]
Sua felicidade chamava-se liberdade. Posted by Hello
Em resposta ao pedido da Doutora, seu weblog conjugara o verbo fotologar. A paixão, contudo, estava sob controle. Moralismos à parte, nus frontais jamais seriam publicados. A advogada que esperasse o próximo vôo Frankfurt-Brasília.

2 de out. de 2004

O amigo estadunidense lhe pedira que lhe enviasse qualquer texto registrado por ela. Ele, por certo, queria avaliar suas lingüísticas habilidades artísticas, suponho. E se a poetisa lhe dissesse, logo que não as possui; que eles (seus textos) apenas se encontram num borbulhante processo de incubação. Deixou que ele chegasse as suas próprias conclusões. Paratextualidade mais atrapalha que ajuda. Se o empressário, realmente, viesse a ler seus textos, ela poderia se considerar uma privilegiada. O ritual, finalmente, se iniciara. E se ele pedisse outros mais, bastasse escolher algum soneto escondido na memória do computador. Nesse caso específico, era impossível voltar atrás.

1 de out. de 2004


Perdão, querido. Eu estava nervoso. Posted by Hello
Várias linguagens drenadas compondo um nó de escadas abertas. Onde vai ter lá? Dominó, dama, xadre, amarelinha. Vamos jogar amarelinha? Jogo que se joga sozinho, no qual os vencedores cruzam os dedos antes de se despedir. E se houver sonegação de beijos, a seca cercará implacavelmente nossos corações, digo nosso porque o meu já se perdeu na outra era de cotas. Mas deixemos de nhém-nhém-nhém. Conte-me o ocorrido, me diz:
-O rapaz de músculos forjados chorou diante dos seus lábios, antes de lhe dizer que precisava muito te amar?
-Não, ele não desprendeu nenhuma lágrima.
-O moço era todo paixão desprendida?
- Ah! Se era. Ele cabia todinho numa bolha de pétalas vermelhas arredondadas. O Fornazze configurou claramente meu hipertexto perfurado, mostrando-me o quanto estou suspenso por seus braços cuidadosamente desenhados por Apolo. Eu não faço por onde. Não mereço vê-lo sucando laranjas às duas horas da manhã, só porque não posso beber leite.

30 de set. de 2004

Aquela história: "vou-me embora para Pasárgada", foi engodo!
Cidade inexistente. Resultou o Google.
E agora? Para onde vou-me embora?
Será que ainda há vagas no céu?

29 de set. de 2004

Desculpem-me, leitoras e leitores. Até segunda-feira os comentários estarão de volta. Questão de honra.
Vamos recapitular as hipóteses:
1ª Entrevistar o voluntário branco sangue de prata.
2ª Preparar-me em fatias delgadas para o Juiz de contas (lógicamente formal).
3ª Apresentar-me a Dona Benta (banho de arruda ajuda).
4ª Pedir ajuda ao Jota, mesmo estando eu mal passado.
5ª Continuar a ler Tolstói.
6ª Prosseguir perseverante com a teoria (literária).
7ª Vislumbrar o campus pela janela do caixote.
8ª Ir à pizzaria do Lucão papear com o Flores (reservar mesa para cinco. Não! Seis sobreviventes).
9ª Buscar informações sobre o visto perdido do embaixador.
10ª Descrever minuciosamente as anatomias sob a meia-luz, antes que Miami nos envie cartões de Boas Festas.