18 de nov. de 2004

O que não sou fisicamente, posso ser descrito. Desvalido de Poder, mesmo estando plantado na Alvorada, procuro Imaginação, abstrata, desconexa,dislexiana. Perco por ser um afungentador de significados. É que estou atrás de sentimentos e sentidos irrelevantes de tão adjetivos. Para mim, me basta uma Idéia-Estética. Não vejo veracidade nenhuma nos silogismos caucásicos-latinos-subsaarianos e das frases primarias que me algemam, sentirei saudade. Importante contar-lhes: sou neófito, efebo, filho de escultor (seus dedos pareciam cinzeis ao dobra as brancas pétalas de rosas ). Ao escrever, salto além da verossimilhança (único risco que me inflijo). Daqui uns minutos, por exemplo, serei uma mulher com a obrigação de dizer ao noivo: sim. Às vezes, quase sempre, a paranóia me repete, repetitivamente. Com sorte reencontro-me momentos de surtos psicóticos, com ajuda, única, de signos lingüísticos vernaculianos. Escrever tem sido meu coquetel, meu álcool, meu puro gim fumegante servido com cubos de agramaticalidade. Com isso aprendo a equilibrar as frases, pratos prestes a cair, do final do primeiro capítulo até o funeral da Dona Morte.

16 de nov. de 2004

De:"U." (...)@(...).gov.br
Data:Sun, 14 Nov 2004 19:44:20 -0200
Para:marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re: Re: Corpo desaparecido...

Estou baixando o messenger, aguarde...


Data: Sun, 14 Nov 2004 19:23:45 -0300 (ART)
De: "marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re:(...)
Para:
"U." <(...)@(...).gov.br>

Chuchuzão,

Pardon, mon cher. Tenho estudado muito. É a faculdade, a correria no min. e a loja. Ufa! Quero férias. (ao seu lado se possível) Mas em momento nenhum deixo de pensar em você e na sua proposta, minha carta na manga. Bem que vc poderia ter o MSN do Hotmail, nesse exato momento estou on line. Se puderes, me adicione: [(...)@hotmail.com.br]. Você não sai da minha cabeça, até pelo excelente trabalha que vocês (PF) estão realizando. Parabéns! Você merece que eu (...) ( vc deve se lembrar que sou perito nisso, né?) e (...), ou melhor, (...). (...). E mesmo se não fosse. Eu faria de novo, de graça. Essa sua simpatia me domina. ainda bem que eu tenho juízo. (hehehe)

Beijos,

Chuchuzinho.

De: "U." <(...)@(...)gov.br>
Data: Sun, 14 Nov 2004 19:13:59 -0200
Para:
marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Corpo desaparecido...

Oi, Chuchuzinho,
Você nunca mais me escreveu, desapareceu... Espero que esteja amando, assim eu ficaria feliz por você... Mas é importante que também esteja sendo amado, se não eu arranco as bolas dele, certo??? Afinal para ter uma pessoa como você tem que saber ama-lo muito bem. Mande notícias. Quanto a eu, estive muito atarefado nos últimos três meses, operações e mais operações, nunca trabalhei tanto. Acho que deveria ter sido médico para fazer tantas operações...
Beijos...
Chuchuzão

13 de nov. de 2004

Ainda não entendi como será a saida daqui de casa. Chamo por Sameul: Samueeeeeel... A leitora me ligara para me alertar o erro: você escreveu Clarice com dois erres. Há! há! há! Risos de deboche como se finalmente houvesse me superado. Priminha, um dia serás muito mais do que eu. Afinal não segurei na tua mão para menos do que isso. Imagino-te: uma linda professora universitária de literatura comparada fazendo seus alunos implorarem por mais um verso, já que aquele emprego no Supremo estava muito ruim. Só para te matar de inveja: bem que eu podia me inscrever no mestrado de literatura da UnB. Escolho esta, por estar ao alcance da minha janela. Seríamos colegas. Abandono de vez essa geografia amazônica e não me irrito mais por ter planos de manejos recusados. Acho uma palhaçada desperdiçar dinheiro público contratando consultores a peso de ouro, para depois dizer que tudo se trata de decisão política. Hmmm...sinto a catinga do maldito populismo. Espero estar enganado. Anjo Samuel terminaste a seleção dos post preferidos? A oração do perdão não conhecerá sem sua presença.

12 de nov. de 2004

Perscrutar. Era essa a palavra que tanto procurara. Por acaso encontrada nas crônicas da Clarice Lispector.

11 de nov. de 2004

Seria o último se ele não fosse implicante pirracento, adolescente temporão mimado e manhoso. Sim, ele era um personagem de si mesmo construído na verticalidade da sobrevivência. Ele se enfadou a si e não tinha mais a mínina idéia do que fazer com a personagem, matá-la? Solução desprovida de originalidade, como se suprimisse três quartos da vontade de sentir. Resignado continuava remando até alcançar a margem esquerda do lago. Convites da Brisa Atrevida floreciam (lembranças): alguns, declinados pelo Sol Escandaloso; outros, aceitos pelo Céu Despido; o Lago Homicida esnobava sorrisos diante da perna arranhada do rapaz (nosso herói). Ele aceitou trazer-se de volta, desde que pudesse organizar-se dentro de um esprimido, porém aconchegante, flat de onde poderia todos os dias observar o presidente fazendo sua caminhada matutina. Sentia-se mais prostituído que antes, melhor do que dormir numa parada de ônibus correndo o risco da morte.

6 de nov. de 2004

QUEM DEIXOU O PORTÃO ABERTO?
O Mal venceu! Essa rodada de cerveja é por minha conta. Vamos comemorar o meu bota fora. Cansei-me. Há meses meu peito dói comprimido. Odeio meus pais, sempre os detestei, não há nenhuma novidade nisso. Relendo o que acabo de escrever percebo as frases soltas. Não tenho condições psicológicas para corrigí-las; ou descarrego a Taurus na cabeça daquele infeliz ou me jogo na repressa do Descoberto. Fico com a segunda opção. Não quero mais causar constrangimento a ninguém. Antes que algum incauto pense que isso é uma carta suicida. Lembro-lhe: Quem vai se matar não avisa, just do it. Admito, simbolicamente, que daqui há algumas horas, estarei tomando cicuta, mas antes...
Se me perguntarem a razão -- sempre aparece um corajoso para incomodar um rotweiller enquanto este rói uma tíbia fresca -- responderei: é marketing, meu amor, apenas marketing. Isso se eu tiver de bom humor, caso contrário, emputecido direi: "PORRA, CARALHO! Vá cuidar da tua vida!" Ainda não sei qual desculpa darei para os telefonemas que não atenderei, para os e-mails que não responderei, as cartas que rasgarei, para os comentários... relaxa, estes serão em off (onde guardei meu passaporte?).
De pronto, não responderei a ninguém. Meu profile no orkut, talvez o apague, talvez o abandone. Não! Absolutamente, não! Reprovo fazer com os outros o que fizeram comigo (ui, coitadinho!). O MSN vou arrancar da máquina. Se quisserem que o instalem...(Maria, das drogas que me você oferecera, aquela me estimulara sem igual. Obrigado por me ajudar a atravessar madrugadas esfumaçantes. Nosso sexo virtual foi tão gostoso quanto ao vivo. Pena que a WebCam não tenha funcionado conforme esperávamos.
Tuga, meu brother, nosso projeto segue adiante, conte comigo sempre. Sou agora um afluente do Rio Tejo. E aos meus amigos virtuais, obrigado pela parceria, pelos comentários elogiosos, pelas dicas, sugestões e ajudas com as mudanças no template. Desculpem-me pela fúria, pela erupção. Natureza humana. Larvas a nos assuntar, cinzas a sujar o céu delator. Óbvio, não? O óbvio também deve ser escrito, ao menos essa lição em aprendi. E aprendi mais... (tudo menos chorar nessa hora) EU ODEIO MEUS PAIS. Quereria que a morte fosse um test drive, não o alívio. Com que cara eu vou olhar segunda-feira para o pessoal da faculdade. Não estou fazendo literatura, este foi meu último post. Só não pensei que doesse tanto. Eu não deveria ter conversado com meus pais sobre minha orientação sexual.
P.S.: Estava tão atordoado que me esqueci: Meu querido diário, tu foste o companheiro que jamais imaginei amar; muito obrigado não é suficiente. Teríamos que inventar uma expressão mais significativa, na falta de uma melhor, vai ela mesma: muito obrigado.
Minha vontade era de mostrar dedo à motorista do Mercerdes Classic Branco. Melhor não. Nunca se sabe quando estamos diante de uma autoridade do estado, vai que é um juíza. Preso por desacato. Mas o nº da placa eu guardei de memória. A vaca de escovinha ridícula poderá em breve ter surpresas (hehehe), assim quem sabe ela não aprende a parar na faixa de pedestre sem ficar reclamando dentro do carro.

3 de nov. de 2004

Sinto-me extremamente culpado. Prosas curtas não mais me proporcionam o prazer de outrora. "Postar" transformara-se na obrigação. "Blogar", na ditadura. Gostaria de me sentar diante do teclado para tecer um romance de um mil quinhentas e cinqüenta e sete páginas. Não sei quantos de vocês, leitores, já passaram por isso ou ainda irão passar; é como se meu Co-Orientador, me dissesse, novamente: chega de trabalho de gabinete, Márcio (em outras palavras, coleta de dados/leitura), comece o esboço da dissertação. E dissertação é sempre melhor que monografia. Se nesta, eu fazia um apanhado dos quatro anos da graduação; naquela eu exercitava o Método, ao menos essa foi a idéia que o X. me passou. Idéia que pode ser contestada (que seja!).
E antes que eu comece a discorrer sobre o outro assunto, comunico-lhes, queridas leitoras, amados leitores e DiCla fofinho do coração (ainda vou acabar levando uma balaço na testa por causa dessas efeminadas demonstrações de carinho) que a partir de hoje atualizarei, não mais diariamente, esse nosso pessoal diário íntimo. Com sol, ou com chuva; com velório, ou batizado, aos sábados estarei aqui, publicando uma prosa. NÃO! Esqueçam tudo! Desconsideram meu desatino. Blogar, minha segunda pele, tornou-me minha epiderme. Não tenho outro motivo para me levantar da cama de manhã se não for para escrever no meu íntimo diário pessoal. Eu preciso gritar no meio da multidão: IVETE! IVETE! Encher de calabresa o pão de forma que jaz sobre o tampo de mármore rosado da mesa de pé quebrado.
A CL dissera: pura repetição ou obsessão. Como se tais comportamentos não fizessem parte do seu temperamento. E o Albalat chamara-nos a atenção no sonho da madrugada passada. A Profª. M.ª Teresa Cristina também estava lá. Ele, aberto em cima da escrivaninha do escritório; ela, me ouvindo atentamente explicações sobre mimados posts datados. Após minha explanação, ela abriu a bolsa e me deu uma nota de mil dólares enrolada num cheque de duzentos reais. "Cuidado com o cheque. Não o desconta na boca do caixa." Eu já pensando no Finnegans Wake e ela me vem com essa preocupação em não deixar lastro. Dinheiro sujo lavando minha alma, saciando meu desejo oculto. Eu sei, professora! Estou acostumado a emitir notas frias.
Na livraria, na ponta dos pés, tentava pegar a tradução do prof. Schüler, localizada na prateleira que tocava o céu estreito. Cricri, impiedosa doutora em Crítica, me mostrava um revista que eu não reconhecia. "Foi você que escreveu esse texto, Márcio? "Drão, o amor da gente é como um grão"...
Acordei ao som da melodia; as crianças correndo em volta do divã. A sala infestada de gente ruidosa. Saudade. Ciúme. Parentes de cabelões lisos beijando minha bochecha barbuda. "--Calma, aí, gente, calma! Deixa-me ir ao banheiro, pelo menos (enxaguar a boca)." Gritaria geral, sufocando meus berros nervosos. Vamos, todos no banheiro, então! A dona da infeliz idéia, minha prima, muitas vezes me cobrara um post em sua homenagem. (Só escrevo porque seus esmeraldos olhos fechados me seduzem.)
E agora não me sinto mais culpado, a prosa parece um salsichão de couve, que poderia muito bem ser usado para bater NA CARA da Tatá. Isso mesmo! Interromper meu sono vespertino na terça-feira disfarçada de domingo para me dizer: sonhei com você. Foi crueldade premeditada. Minha vontade naquela hora, Tatá, era de estrangular teu pescocinho desnudo. Diga lá, meu amor, que sonho foi esse (eu puto espumando):"--Sonhei que você havia ido para S. Petersburgo aprender russo." Eu abri o maior sorrisão. Quem não abriria? "--Oh, meu Deus! Você sentiu medinho, sentiu? Se eu fosse para longe, muito longe para além de lá, todos os dias você receberia, uma e-carta minha. Longa, carinhosa, repleta de pormenores, embriagada de saudade .
Quem sabe até lhe daria o endereço do meu brogui (ela desconhece tua existência, DiCla) para você me deixar um comentário. Não! Melhor não. Talvez você não saiba distinguir a ficção da realidade. Se você passar na FAC, te prometo de presente o original do romance de mil quinhentas e cinqüenta e sete páginas. Pronto, de promessa, te fiz dívida. Um livrinho vai ter que sair, nem que eu peça ajuda aos ghost-writers do Congresso Nacional. O compromisso agora é com a nanoaudiência.

1 de nov. de 2004

Estou de volta ao lugar de onde não pude sair. Tragam-me logo o horário de verão. Nem são seis horas direito, olha só o solaço, lá fora. Foram as palavras dele; as minhas: mudo. Quando me ponho diante do improvável, me emudeço. Elogios me castram. Mas enquanto não me sento meus detendos glúteos na cadeira de amendoim ou enquanto não me dedico a desmontar o romancista irlandês, xingamentos sacanas me assustam. Onde se encontra o punhal carnudo espumando mordacidade com o qual eu feria o coração da Maria Luísa? (Dessa vez, Luísa com "esse", pois não quero mais problemas.)
O primo me perguntando quem é o DiCla, quem é o DiCla, esbouçando um sorriso cínico de quem já resolvera três ou quatro abortos bem pagos (médico-legista comungando sua própria ética). Ouço-me Dionísio dizer que estou/estive/sempre estarei impossibilitado de escrever para mim mesmo. De mim para eu mesmo, falando sobre mim mesmo. Não pode, Marcinho. Não posso, DiCla. Sempre aparece a terceira pessoa de ninguém, de alguém, de aquele lá acolá. Ele me diz [o primo] que minha prosa soa filosófica. Eu lhe respondo: "--você não sabe o que é Filosofia." Peço-lhe dois segundos, olho para esquerda, oops!, direita.
O agente da ABIN (hoje tão em moda) dissera, segurando-me pelo pescoço: "PORRA! Fala direito: gloggle, gloggle..." Coitado do Sr. Investigador (bem que ele podia entrar para família), ele não sabe que para cada vírgula, cada erro, cada palavra queimada, eu tenho uma justificativa pronta (desculpas, mera desculpas): "--Nunca nenhum amigo meu reclamou dessa minha dislexia." --respondi-lhe, sem encará-lo. Ele puxou o revólver, eu lhe mostrei dedo. Ele saiu com raiva. Eu? Todo meu desejo suprimido. Se ele estudasse, realmente, Psicologia da Aprendizagem, ao invés de manipular fotos, contestaria com veemência a abobagem que eu havia lhe dito. Ainda sim, eu teria uma resposta. Pronta. Feita. Engatilhada. Esta é minha arte de viver.
E um churras sob a pia fechará nosso feriado mucho. Aliás essa é minha nova paixão: "churras". Palavravinha deliciosa que não me atrevo a empregar. Signo saboroso encontrado, por acaso, entre os louquinhos do iogurt Orkut Yakult. Ela chega a ser mais linda do que "la compu", computador para los porteños. E mesmo sem poder sair de frente do computador, de trás do balcão da loja, de dentro do meu quarto(?) dou um jeito de sentir prazer imediato: clímax substituidor de medicação importada.
Os laboratórios estadunidenses desaprovam. A Dr. Durex me responde diante da minha alegria antecipada: "--eu vou ter que tomar remédio, Dra? Não! Você não precisará tomar remédio (por enquanto)."
Ela foge do meu olhar, com medo das minhas perguntas. Queria ver meu prontuário; fazer algumas anotações; perguntar por pelo Dr. Psiquiatra alemão: "--Outro no seu lugar sairia dando tiro por aí." Ele queria reconstruir minha auto-estima, abalada pela jubilamento iminente. Agora ficou bem mais fácil concluir a graduação. Que o diga o agente da ABIN, volta e meia, me solicita uma resenha, sobre temas que me reviram as tripas secas de cristais. O que não faço por R$1,00 e uns murrinhos na altura dos rins de troco. Assim, me obrigo a escrever aristotelicamente, assim contemplo belos olhos azuis me mandando calar a boca. Vou trocá-lo pelo holandês, quem sabe não consigo aprender a pronúncia de "pretty". Só volto semana que vem e dessa vez não me alimentarei de scrapsbooks. Estou cansado de pequenos orgasmos. Quero-los múltiplos, prolongados, esfoliantes, mil páginas rascunhadas. Não serei capaz de consumá-los, percepção irrelevante. Diagnósticos também se equivocam.

25 de out. de 2004


Posted by Hello


As poucos vou-me revelando o filme da minha alma. A camuflagem não me serve mais. Nunca serviu. Estou entrando de recesso, DiCla. Seja educado com quem possa vir a te visitar. Preciso dormir, assim te manterei acordado. Segunda-feira, 1º de novembro, retorno. Não se apavore. Estarei pelas cercanias. Que mês longo foi esse outubro, encerrado esteja.

23 de out. de 2004

Márcio: --Nem sei o que eu estou assinando.
Y:--Pode ficar tranqüilo...
Márcio:--Não esquento, não. Tenho direito a cela especial.

Pode parecer pedantismo e/ou arrogância, mas eu precisava convencê-lo de que estava calmo.

22 de out. de 2004

A Descoberta do Mundo passa antes pela curva dos olhos azuis puros galáxios. Eles me perseguiam, me filmavam, me observavam atentamente. Kate, importada porcelana para me fazer duvidar das minhas verdades. Mulher, angorá, jaguatirica, leoparda, suçuarana, Lince (canadense?), onça de unhas pintadas de rosa claro, leoa, tigresa siberiana (tomarei aulas do seu russo imergido em tonéis de vodca) . Ela com olhar fixo, compenetrado nos meus movimentos. Meu plug parcialmente solto. Olhava mesmo, desavergonhadamente, como se fosse deleite de efebo o marulho dos rastos de condensação que eu desferia na boca do caçador de nuvens.
Levantai-me bem vagabundo, perfumado à salsa, em direção a gatinha-tigresa. Procurei seus lábios para lhe mostrar o que eu acabara de aprender. Cumuloninbos estralando pela minha laringe fora sua resposta ao meu atrevimento. Ensinar o quê? Sou todo aprendizagem, aprendiz à margem.
Acorda do sonho leitor! Não estou aqui para fazer ninguém viagar na imaginação libidinosa do iniciante. Quero-me todo metaliteratura. Sou entusiasta apaixonado pelo pêlos que vão além (meta), além da meta. Transpassar. Projéteis a atravessar corpos de rígida moral. Transpor. Frases a nos enviar ao complemento do sentido. Não me pergunte, leitor, de onde me veio esse quadro (?). Simplesmente, abro o editor e me ponho a digitar aleatoriamente sem me permiter a resposta das minhas sinapses. Cansei-me ! Volto mais tarde, para corrigir os erros (invisíveis enquanto escrevo). Aproveito o intervalo cheio de vazios para... Pára de para, Pará! Para arrebentar a cara do idiota que fica lendo enquando escrevo. Se ele não recebeu educação em casa, irá recebê-la aqui na loja. Não passei meses me torturando numa sala de enferrujados aparelhos à toa. Aos poucos, passo a adotar o argumento da força, também.


21 de out. de 2004

Incrivelmente particular. Os telescópios cercando a natureza dos telefones desamarrados. Priminho, você não passa de um personagem criado por mim. Obrigado por dissecar meu temperamento. Time over?! Uma hora não será suficiente para largar os acidentados acentos acenos pelo ciberespaço. Envio sinais na esperança que Nova Iorque me responda. By the way, planos compartilhados hipertextualmente:
Passarei o Natal em Salamanca,
o Réveillon em Copacabana
e o Carnaval em Salvador.
--Sonha, Marcelino desmarcionado, as estrelas são apenas três. Quem sabe se amordaçares tua moral, e passar a freqüentar a sauna do Oswaldo, ou a do Setor Comercial Sul mesmo , ou ainda aquela da W 3, inaugurada recentemente; quem sabe tuas pretensões não se realizem? Por enquanto, te aguardo na Esplanada. Possivelmente. Eu, nos bastidores; tu, levando respingo de champagne.
Algum historiador deveria escrever para o excelentíssimo Ministro Viegas explicando-lhe a importância do Passado para uma Nação. Se não fosse assim para quê cultuar a memória de Duque de Caixas? Ah! se eu soubesse escrever...

19 de out. de 2004

DiCla,

Venha! Festa de aniversário na qual somos nós os presenteados. Acabo de escolher os meus: Mollmann´s Song: Presente para um Futuro Passado


18 de out. de 2004

Nunca vi tanta gente bonita reunida, num lugar só. Meu Deus, havia sido eu mesmo o promoter daquela festa. Com certeza, não. Tive ajuda dos Anjos. Nossa, que arrepio! Anjos, desculpa o texto improvisado, é o que minha cabeça permite escrever. Além de beijar muito bem, teu beijo sacia qualquer paladar refinado. Tchau, Coração, tenho que pegar a estrada. Estrada, não! Céu. E lá se foi o Anjos rasgando nuvens indolores, mas antes dele embarcar, me beijou demoradamente. Meus convidados fingiram estarem acostumados com demostrações espontâneas de afeto e carinho e consideração. Eu, para consertar o possível constrangimento de alguns conservadores, tentei contar-lhes que na Itália, no sul da Grécia e em algumas partes da Espanha, homens se beijam em público. Não sei se costuma ser melado como aquele fora, mas que se beijam, se beijam. Não consegui contar-lhes, o que eu havia mostrado em lá sustenido fá maior. E o fulaninho prometera me empalar, se eu faltasse a inauguração do Tático. Será que o Anjo viria me resgatar, se aquele lá, me mandar novamente "falar sujo". Quero correr o risco, mesmo sabendo que se trata de uma fantasia.

16 de out. de 2004

A menina de olhos verdes, lamenta por me ver trabalhando aos sábados. O Iate Clube seria nosso destino, se eu conseguisse abrir as algemas que me prendem ao gazebo forrado de petúnias vinho. Esse outono, mês de estréia da Orquestra Sinfônica das Cigarras Esplanadas, me empalidece, me torce, me afoga.
Entretanto, consigo encontrar felicidade às margens do lago. Antecipo alegrias. Descubro que monólogos são válidos; que ridículas cartas de amor saciam minha volúpia; que o Quebra-Nozes, vulgo soco-nos-rins-de-filho-de-coronel-que-puxa-pistola22-para-mim, se entumece ao ouvir minha voz gravada na secretária eletrônica do seu celular. Soltos polissílabos dissonantes: ensimesmado, historicidade, desterritorializado, cataclisma, anacrônico etc.
A menina dos úmidos olhos verdes valentes, que me perdoe; sinto diálogos verdejando debaixo das minhas unhas comidas. Eles se emudecem com receio de serem chamados de advogadinho. Foi assim que o soldado me chamou após lhe explicar que seu apreço pelas palavras tinha triplo sentido duplo. Expliquei-lhe também que ele deveria ler poesias. "--Não posso. O conteúdo programático do CFO é muito extenso." E para consolidar minha fama de advogado (?) argumentei: "--Ora! Redação deixou de ser eliminatório?"
Enquanto, ele pensava na réplica, enchi seu copo, cuidadosamente, para não formar colorinho. Não sei servir, no resto da garrafa havia só espuma. Ele a tomou das minhas mãos e a balançou para o garçon. Este sim, excelente profissional.

15 de out. de 2004

O polidor de cristais retornou numa nova canoa desprovida de furos tortos. Daqui em diante, nova gerência se impostará acima das vozes desafinadas. Meu quebra-nozes tritura castanhas de avelãs importadas da Noruega sem saias.
Nossa! Já é Natal? Sim. Aqui, todos os dias se deseja feliz Natal. Excelente estadia desejo à contralto imberbe. O sorvete derretido não manchará vossos lábios carmins, alteza, sem antes mordiscar minha verde glande amarelada.
Sobre o que você está falando? -- me perguntaria ela se pudesse gemer. Nem imagino, Princesa Natália, nem imagino. O professor nos pediu que escrevêssemos um texto provido de sentido e cor e perfume e sabor.
Há! Há! Há! Não vejo sentido nas meladas camisinhas jogadas debaixo da cama, como se aquilo lá, fosse uma privada particular exclusiva. (Ah! Me esqueci. O texto deve ser elegante. Aquela frase deverá ser suprimida no momento da revisão do estilo.)
Levanto o dedo educadamente: Professor tenho uma (várias) dúvida.
"--Pois, não."--responde-me ele.
Por telepatia lhe envio mensagem clarividente, e meus pensamentos se colam anexo ao resto do sabor do etanol arrepiado. Eles se prendem também à linha que se solta da descosturada bainha da saia da sua alteza. Linha. Fiasco, que me lembra (gostaria de esquecer) o pêlo loiro esquecido na minha cafajeste barba perfumada por lírios salmão.
As vadias me convencem a tomar achocolatado sem gelo. Sushi sem shoyu. Café da manhã servido nu sob o sol castanho de outubro. Corpos besuntados de protetores solares com prazo de validade vencida servindo fatias de salgados melões docimente perfumados.
"-- Vossa Senhoria, mudou novamente de assunto" -- geme sua alteza.
"--De forma alguma, querida Natasha, estou apenas catando os cacos que observaram nosso crime iluminado. Não quero testemunhas.

13 de out. de 2004

TRÉPLICAS SOTEROPOLITANAS: RAZÕES PARA MUDAR DE SOBRENOME
Simplesmente insurpotável! Preciso permanecer deitado até que minha cabeça pare de se expandir e se contrair. Deveria ter recusado aquela dose de gim. Destilado com fermentado, definitivamante, não se misturam no meu sangue. Mas fui querer fazer bonito, agora estou aqui: matando aula, vomitando água de coco, espremendo meu cérebro para te atualizar, DiCla. Na verdade, queria nunca mais ter que escrever, ou queria que não fosse uma obrigação inadiável. Ai! Vou arrancar minha cabeça. Auto-decapitação. Não! Quero um harakiri pós-moderno. Ligue tua webcam. Espera aí, antes que eu me rasgue com uma faca de pão suja de manteiga, rasgo tuas falsas páginas pessoais, Diário Clandestino, que mais me complicam do me que relevam.
--Ora, ora! Agora sou culpado pelos excessos e fracassos de um diarista proxeneta. Chega para lá, Azimute codificado. Deixe coberta para mim. Vá se deitar no sofá. E só voltes quando fores capaz de "descrever um estábulo visto por um homem que acabara de perder o filho na guerra." Sem referir ao filho, nem guerra, tampouco à morte e muito menos fale do homem. Aproveite para aprender a escrever. Estude o vernáculo. Te fará bem. Jamais volte a me ameaçar com mordidas fanhosas, até porque tua especialidade, é mordiscar, não morder. Já me basta o ostracismo causado pela concavidade do teu convexo. Já me basta teu desafinado bafo de gim falsificado (teu sensível paladar, nem para isso serve mais). Minhas páginas, mesmo as mais displicentemente escritas, não te pertencem; nunca te pertenceram. Quem lhas sussurraram, lhe chamam de ingrato. Eu lhe chamo de burro. Burro, não! Idiota. Relaxe, meu diarista querido, tua doença tem nome, só não tem tratamento. E não há mais o que lamentar.
--Tenho direito a réplica, DiCla?
--Claro! Somos democrático, Baby!
--Então, gostaria de esclarecer que o fato de eu ter ido buscar as meninas não prova que eu seja proxeneta. Nunca aliciei ninguém, nem passou pela minha cabeça a turva idéia. Quando que eu ia imaginar que elas eram do frevo? Quanto ao resto, o resto que sobrar, vou rasgar sim. Rasgar, apagar, se me vier o bom humor, revisar. Olha, só diário. Acabou saindo nosso falso epitáfio. É a dor debaixo das unhas dos pés, casqueadas e esmaltadas, traduzida. (Pretensioso!) Peço-te paciência, DiCla. Tu sabes o quanto sou um tanto quanto mau-humorado. No mais, a orgia ainda me comprime o crânio. Culpa. Muita culpa por ter me excedido no gim.

8 de out. de 2004

Aos poucos vou reconstituindo minha blogteca.
Deus é pai, a vida madrasta.
Ele patrão; ela eu a levo para tomar um sundae na soverteria da esquina às 3 da madrugada.
Não é porque uma gatinha arranha meu coração que eu vou ficar rolando na cama esperando o dia clarear.

6 de out. de 2004

Há três semanas não consigo durmir direito. Achei que não fosse grave.

4 de out. de 2004

[Espaço reservado para a fotografia de um beijo. Meu juízo não permite publicá-la.]
Ele nem imaginava que o seu pedido havia sido indeferido. Posted by Hello
[Originalmente, encontrava-se uma fotografia.]
Tira logo essa foto! O pessoal está me esperando lá fora. Posted by Hello
[Daqui, também retirou-se a foto.]
O harmonia por si só resolveu a combinação do laranja. Posted by Hello
[Opa! Havia me esquecido de arrancar essa foto, também. Pudera, o conto está me deixando uma pilha.]
Sua felicidade chamava-se liberdade. Posted by Hello
Em resposta ao pedido da Doutora, seu weblog conjugara o verbo fotologar. A paixão, contudo, estava sob controle. Moralismos à parte, nus frontais jamais seriam publicados. A advogada que esperasse o próximo vôo Frankfurt-Brasília.

2 de out. de 2004

O amigo estadunidense lhe pedira que lhe enviasse qualquer texto registrado por ela. Ele, por certo, queria avaliar suas lingüísticas habilidades artísticas, suponho. E se a poetisa lhe dissesse, logo que não as possui; que eles (seus textos) apenas se encontram num borbulhante processo de incubação. Deixou que ele chegasse as suas próprias conclusões. Paratextualidade mais atrapalha que ajuda. Se o empressário, realmente, viesse a ler seus textos, ela poderia se considerar uma privilegiada. O ritual, finalmente, se iniciara. E se ele pedisse outros mais, bastasse escolher algum soneto escondido na memória do computador. Nesse caso específico, era impossível voltar atrás.

1 de out. de 2004


Perdão, querido. Eu estava nervoso. Posted by Hello
Várias linguagens drenadas compondo um nó de escadas abertas. Onde vai ter lá? Dominó, dama, xadre, amarelinha. Vamos jogar amarelinha? Jogo que se joga sozinho, no qual os vencedores cruzam os dedos antes de se despedir. E se houver sonegação de beijos, a seca cercará implacavelmente nossos corações, digo nosso porque o meu já se perdeu na outra era de cotas. Mas deixemos de nhém-nhém-nhém. Conte-me o ocorrido, me diz:
-O rapaz de músculos forjados chorou diante dos seus lábios, antes de lhe dizer que precisava muito te amar?
-Não, ele não desprendeu nenhuma lágrima.
-O moço era todo paixão desprendida?
- Ah! Se era. Ele cabia todinho numa bolha de pétalas vermelhas arredondadas. O Fornazze configurou claramente meu hipertexto perfurado, mostrando-me o quanto estou suspenso por seus braços cuidadosamente desenhados por Apolo. Eu não faço por onde. Não mereço vê-lo sucando laranjas às duas horas da manhã, só porque não posso beber leite.

30 de set. de 2004

Aquela história: "vou-me embora para Pasárgada", foi engodo!
Cidade inexistente. Resultou o Google.
E agora? Para onde vou-me embora?
Será que ainda há vagas no céu?

29 de set. de 2004

Desculpem-me, leitoras e leitores. Até segunda-feira os comentários estarão de volta. Questão de honra.
Vamos recapitular as hipóteses:
1ª Entrevistar o voluntário branco sangue de prata.
2ª Preparar-me em fatias delgadas para o Juiz de contas (lógicamente formal).
3ª Apresentar-me a Dona Benta (banho de arruda ajuda).
4ª Pedir ajuda ao Jota, mesmo estando eu mal passado.
5ª Continuar a ler Tolstói.
6ª Prosseguir perseverante com a teoria (literária).
7ª Vislumbrar o campus pela janela do caixote.
8ª Ir à pizzaria do Lucão papear com o Flores (reservar mesa para cinco. Não! Seis sobreviventes).
9ª Buscar informações sobre o visto perdido do embaixador.
10ª Descrever minuciosamente as anatomias sob a meia-luz, antes que Miami nos envie cartões de Boas Festas.
Fui embora frio entre bolhas de sabão hexagonais. A brisa secava meu nariz verde, com gentileza que nem mais se recusa. As paredes de papel precisando das continuidades prensadas nas lombadas rosáceas, fenômeno presenciado pelo menino de olhos castanhos claros. Técnicas assimiladas parcialmente. A porta da oficina cerrada, decisão tomada por olhos conscientes da tempestade de folhas nervosas descobridoras de corações fósseis. Ritual planejado após metódico estudo de todas as entradas e saídas. Depois eu explico. Vamos bater bola no campinho do quarto dos fundos. Quase todas lá presentes. Sejamos humildes, de nada adianta espalhar bolas de gudes pelo jardim. É a repetição, da repetição, da repetição, até contar dez. Até o Jota compreender as confissões emporcalhadas por mim mesma durante à tarde de sol enviesado. Era melhor não dizer, não contar, não participar. Aos modificar o código de ética perdi meus contados, meus amigos, minhas referências. Suspiro fundo, sabor maracujá.

28 de set. de 2004

Havia lhes prometido pendurar os patinhos estragulhados na rebaixada janela filmada. As línguas me atrapalharam. É o russo em guerra melada com o francesa. Depois daquilo, aquilo lá foi brincadeira. Traduzir as canelas vermelhas deixará a Branca de Neve confusa. Mas ela sabe que cada um é cada um e cada dois pode ser três, quatro ou ainda cinco. Chega, estas derretendo minha paciência. Calma, Dy, é brincadeira para mostrar aos proxenetas que nada é subtraído sem culpa. Os portais bancários invadidos e eu rodoviário de pé maior sentado no meio fio partido enquanto espero um programa passar levantando névoa seca.
Voltemos à língua almiscarada, perfuradora de cordas vocais. Língua perfumada percorrendo a espinha dorsal da égua que eu nem mais podia ser. Ah! Se ela me deixar em casa ganha pontos extras. "Recuperei de vez minha auto-estima" (obrigado, Simone) Foi apenas cortante passarada. Mãos moldando o tijolo dos meus ombros. Mãozinhas coladas na libido do dual ser tipo o positivo. Conservamos sobre tudo, menos sobre o papel de bala jogada na Copacabana perdida. Havia eu mudado de país. Estava eu a corrigir a sintaxe da fonte. É cada encontro bizarro. Nem há como se proteger atrás de sobrenomes alemães. É judeu! Jura!? Definitivamente a língua não pronunciava símbolos hebraicos laicos. Língua morena de tatuagem no bíceps. Que significa esse ideograma? -- disse-lhe. Amor, amor, foi a resposta sussurrada no coração. Respirei fundo e comecei a entrelaçar as mãos em cabelos raspados a fundo. Observava a água pingando dos patinhos pendurados no varal...
-- Posso te perdir um favor?
-- Claro.
-- Quer esquentar um lasanha para nós?
-- Bolonhesa ou aos quatro queijos?

27 de set. de 2004

Já se passava da meia-noite e eu ainda não havia terminado de revisar a carta. Fui dormir cansado, mas aliviado por ter escrito que era preciso escrever. Até sonhei, em inglês californiano. Hoje de manhã, nem me importei em me levantar às quatro da manhã. Teria tempo de sobra para reler a carta e enviá-la por e-mail. Mas a tecnologia não ajuda. O disquete não abre. A PORRA do disquete não abre! Ah! Marcito relativiza, os haitianos morrendo e tu atormentado por causa de um arquivinho besta que cismou de te implicar. O fulaninho que espere mais um dia. "Quem esperou muito, que espere mais um pouco." Venha terminar de encher a mala. Solidariedade também pode ser terapia ocupacional.

25 de set. de 2004

21 de set. de 2004


As cores da minha primavera se desbotaram ao ouví-lo conversando com ela. Irei também ao encontro. Servi-lhes-ei, na hora da sobremesa, pétalas flambadas de ipê branco. Talvez uma garrafa de scotch não seja suficiente. Posted by Hello
Será que foi somente eu que vi o Jacques Chirac conversando com o Lula sem ajuda do tradutor? Que falha do JN!

20 de set. de 2004

Minha avó podia ser um bruxa, mas pelo menos cuidava de mim quando eu a sinusite me atacava.

18 de set. de 2004


Coryanthes bicalcarata por Marcos A. Campacci

(...) A gente atrás ouvindo meus grunidos... Ela me disse: O que você está dizendo naquela hora? Nada, respondi-lhe. (Voltem aqui com as minhas laranja, voltem!)

17 de set. de 2004

Estou indo lá.

16 de set. de 2004

Amados leitores e leitoras,
Tentei escrever uma carta aberta. Fracassei. Senti minha disposição melhorar após saber o nome daquele cheiro insuportável: sinusite crônica. Quando chegar em casa, Marcinho, faça uma hora de nebulização com solução salina. Beijou-me e arrancou-me a promessa de que o encontraria, sábado, no churrasco de aniversário do Feioso. Mas o que me curou de fato, foi ele me alertar que Bandeira rima com Pereira. E para mim, isso é fundamental de importante.
Abs e bjs,
M.Pereira

11 de set. de 2004

Não vou mentir...está foda!

10 de set. de 2004

Foda-se! A vontade que se apodera do meu ser é muito mais forte do que qualquer reprimenda. Sim, poeta, eu morreria se eu fosse impedido de escrever. "Mas até então, Marcito, tu não escrevias nada". "Então, Diário, por isso adoeci". (Re)ler-rascunhar-(r)escrever-publicar-reler-rescrever-reler-rescrever-reler-rescrever tem sido muito mais eficiente do que aquela porção de comprimidos que eu me nego a tomar. "Ok, Mamau, quem sou eu para te contestar, Rei dos Contra-Argumentos. Mas até quando vamos levar essa vida de formiga cortadeira"? "Até eu ser capaz, querido diário, de tecer um anzol com a ponta dos dedos". "Mas, Meu Amor, ouço isso todos os dias e não te vejo fazendo nada de concreto para que o tal anzol apareça sobre minha escrivaninha, de preferência". "Meu amigo, talvez, por não seres capazes de captar meus pensamentos". "Há! Há! Há! E tu és capaz"? "Claro, que não, Dicla, tenho plena consciência das minhas limitações..." "Pois é, caro colega, o Tempo não vai te esperar e eu desconfio (falo isso, porque és meu considerado) que ele te combrará muito caro por seus sucessivos ATRASOS". Droga! Nem dormir em paz eu posso.

8 de set. de 2004

Ninguém no MSN, tampouco no ICQ. Celulares fora do ar. Secretárias mudas. Preciso conversar com alguém. Sozinho seria uma opção, mas nem escrever quero mais. A Dr. me dissera: "porque não foi ao pronto socorro, sempre tem um psiquiatra de plantão". Se eu for ao Hospital eu tenho certeza absoluta que ficarei internado. Resta-me assinar o 151 para ver se ainda o topor me diz sim.

6 de set. de 2004

Quando vieres nos visitar, prezadíssimo leitor, amada leitora, pode ser que eu esteja saudando um oficial que julgo anônimo. Todo 7 de Setembro tem sido assim. Eu aceno, ele finge me ignorar, para depois agradecer minha presença respeitosa. Se Deus me conceder o prazer de encontrá-lo em casa, vou lhe dizer: minha pátria é onde podemos gozar com liberdade. Dificilmente, ele desatará os nós do lençol de alecrim. Paciência. Não posso deixar passar essa oportunidade de magoá-lo. Não que eu seja vingativo, de jeito nenhum, mas, em memória dos que vieram antes de mim, devo agir assim.
"Mesmo depois dela ter saído, ainda se podia sentir o gosto da goiabada. Tarde demais, estava cansado para correr atrás da minha grosseria".

3 de set. de 2004

Seja mais claro por favor, ela me pedira. Ah, se a poetisa soubesse do topor sentido ao me esconder por trás das palavras, largaria a labuta e viria brincar comigo, nem que fosse por alguns míseros miléssimos de segundos.

2 de set. de 2004

O franco anjo atirador passa por entre meus lábios sem tempo de eu entender o significado da piscadela de nada. Grito-lhe. Inútil esforço. Longe vejo a carroceria da caminhonete que lhe serve para esconder nossos segredos. Da porta de casa até o estacionamento do parque vou catando moléculas de monóxido de carbono pela trilha deixada por ele. No parque, meu seco coração táxi bate na relva minutos seguido, a poeira me sufoca. Procuro uma boca qualquer para me aliviar. Nossa! Rosados lábios carnudos sequiosos pela minha saliva; beijo-lhes sem notar que de longe o anjo me observa, reprovando meu exibicionismo.
O Anjo passando apressado por entre meus lábios. "Você está usando óculos"? A piscadela significativa antes de sair de mim. O sinal se abre, grito-lhe. Esforço inútil. Longe se vai, na roda da caminhonete, deixando pelo caminho fósseis trazidos do Museu Nacional. Da porta de casa até o parque fui cantando moléculas de monóxido de carbono. Meu coração seco para bater relva, seco para sentir a miligrama do néctar dos Deuses. Oh, que lábios! Que rosada boca carnuda! Perfeita se tivesse sido a do Anjo que nos observava de longe, reprovando a avidez com que me entregava à turquesa gramínea esturricada de seca pelo sol de setembro.

1 de set. de 2004

"(...) jornalismo, atividade industrial cada vez mais orientada pelos interesses de mercado, ao lado das eternas pressões e contrapressões do jogo político. Mas, por outro lado, não é uma "indústria" qualquer, por se ancorar em princípios ético-políticos que remontam à proclamação originária dos direitos universais da cidadania. " (grifo nosso)
T., espero que assim eu tenha lhe ajudado.
Beijos.

31 de ago. de 2004


De onde mesmo surrupiei essa foto? Escapa-me o pensamento para qualquer resposta. Nenhuma das alternativas anteriores. Todas as anteriores. Pare! Aqui é no canetão: escreve, escreve, escreve, escreve. Quem sabe surge do lixo que você (eu) não separa mais, ocorra uma idéia-frase reciclável. Que THC era aquela? (Ha! Ha! Ha! Ha!) Schut? Era isso. Minha memória não ajuda, porque ela (eu) quer mesmo ligar para o Fulaninho: "Amor, qual era o nome daquela droga"? Correria o risco dele (o oficial carioca) me voltar a pergunta. Responderia, sem titubear, para mostrá-lo que continuava sob seu efeito: respiro pólen de ciclâmen para sentir seu sêmen de poeta gola sobre mim. Pronto! Minha homenagem a Charles Baudelaire (só o conheço de estampa). As flores no vaso (rosas rosa, goivos azuis, girassóis de miolo amarelo) compradas para lixar o poema dele são do bem; a rinite alérgica é que é do mal, mal adquirido. Para saber mais clique aqui.
Acabo de ler no Blog do Neto Cury que ele depende da boa vontade da D. Sorte para conseguir convites para Gmail, webmail gratuito do Google. Não quero parecer metido, exibido e tal, mas eu tenho seis convites para o Gmail (Isso mesmo!) e não sei o que fazer com eles. (Aaaaaaagh!) Alguém quer um convite para o Gmail? Quem quer uma convite para o Gmail? Calma, galera! Calma! Não precisa arrebentar os portões. São apenas seis convites, não tenho mais. Caaaaaaaaaaaaalma. Vamos fazer o seguinte: um concurso. Sobre o quê? Não sei; ainda. Alguém teria alguma sugestão? Vou pensar, amanhã, às 7h, estaremos de volta. E podem me acusar de marqueteiro. Conhecimento é para se aplicar, fazer circular, senão fica estagnado. (E eu que maldizia o pessoal da Publicidade: "retórica ferramenta impossível de ser ignorada".

30 de ago. de 2004

Acabo de ler no Yahoo! Notícias que o Grupo Pão de Açucar vai premiar o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima (n. 1969) com o prêmio de duzentos mil reais reservado caso ele trouxesse a medalha de ouro para o Brasil. Pode-se, assim, dizer que esse bronze vale ouro. O patrocinador brasileiro assumiu seu lado alquimista: transformou bronze em ouro. Compensou o bronze? Me pergunto se o que motiva o desportista são os prêmios. Ou quais os valores que estariam implícitos na busca de uma premiação? Eu particulamente nunca me imaginei "ganhando" um B.O.N (se é que aquilo pode ser chamado de prêmio.) Não vivo (escrevo) por recompensas. Vivo por gratidão. Escrevo por desejo em aprender a escrever. Cíclico. E haverá sempre algo por aprender, mesmo sendo muito complicado respirar esse ar de sangrar o nariz. Sem lamentos, como nos ensinou o maratonista. Sem choro, como nos ensinou a ginasta. Sem prêmios, porque a motivação componente do oxigênio das minhas artérias vale por si só; motivação que especula:
E se o maratonista fosse estadunidense?
E se tivesse ocorrido uma fatalidade?
E se fosse no cu de um jornalista?
(Há meses deixei de trabalhar com fatos para me dedicar a ficção, porque o risco é o que me interessa. O risco do croqui, o risco na folha pautada, o risco de viver.

26 de ago. de 2004

Administrar egos ciumentos. Avós, madrinha, tias, primas, sobrinhas, amigas, vizinhas, empregada. Os homens da sacada se divertiam com meu aperto. Imagine, vocês, queridos leitores, o que tive de fazer com o primeiro pedaço do bolo de chocolate. Eu poderia ter dito: "esse primeiro pedaço será em homenagem àquela que sentiu as dores para que eu pudesse estar aqui hoje recebendo vocês". Mas estavam todos e todas tomadas por vinho tinto seco! Poderia despertar nelas e em mim ausência do amparador suporte materno geral. Misteriosamente...

25 de ago. de 2004

Soldado não! Guerrilheiro.

24 de ago. de 2004

Prezado Sr. Poeta Paulo Leminski,
Feliz aniversário!
Carinhosamente,
Um bosta


Expressão de quem espera enfadado pelos comensais.
Terá ele gostado do meu cartão?





Minutos antes, ela sentira a fisgada. Calma... é normal. Mister de prazer, dor, farol, transpassando a pele de todos nós. A indefinição os inquietava, mas a luz estava prestes a ser a acessa. Não havia como voltar atrás.

20 de ago. de 2004

Não é que foi sem ter sido! Aguarrei-me sofregamente às últimas páginas brancas que ressonavam ao meu esquerdo lado vazio: A psicóloga me pedira a R.G. Cinco anos seria possível adulterar; mas dez, seria um pouco complicado. Talvez ela quisera tornar meus ombros mais leves com o elogio salgado, ou ela gostaria que eu voltasse a ganhar massa muscular. Pêra, não! Você precisa de proteínas, de carboidratos. Você precisa prestar atenção ao agudo choro da cuíca manhosa. Para deixar de birra com seu corpo. Sua privação me assusta. Dez anos se mortificando significam muitos passos, para serem suprimidos assim de idade qualquer. Até porque não me dou bem com as ninfas que me perseguem, o que direi dos efebos. Esses ignoro. Eu gosto dos velhos, dos velhos vinhos franceses, alemães e chilenos. Gosto da mineira cachaça bem curtida; do whisky escocês, e do estadunidense; do rum cubano sentido o aroma das pernas do mar das Antilhas; daquela vodka caipirosística coberta de neve fervida; do gim perfumado escondido nas têmporas fundas aquele rapaz acolá, que ora escreve, que ora se toda rasga em papéis pisadinhos, como se estivesse debruçado sobre a hedonista Iowa. Um minuto, Sr. Romancista, eu não ser hedonista. Nem eu romancista, querida rugosidade. Apenas sirvo ao sacerdócio daqueles lógicos estetas ignorantes que se esquecem do senso comum, todas às tardes de sexta-feira.

19 de ago. de 2004

Há pulgão na minha couve desde as duas da manhã; portanto, não teremos sopa. Obrigado Senhor, me libertei de algumas mentiras que me reprimiam, mais que me maltratavam. Viva o Mário! Vida longa aos Andrades! Quem sabe caindo as estrelas, crie ânimo e coragem para destruir o estreito canal que une meus pensamentos à minhas penhoradas mãos asseguradas. Brevidade, pétalas amarelas me esperam ansiosas para serem arrancadas. Arrancá-las-ei corvademente.

18 de ago. de 2004

Walt Whitman: o poeta da América (1819 -1892)
O Captain! My Captain!

Saudação a Walt Whitman por Álvaro de Campos

"(...)

Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente! Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!

(...)"

Whitman & Eakins, o poeta e o pintor
"(...) era admirador de um mundo sem artifícios, sem enfeites, cru e nu como eles entendiam que a arte americana deveria ser."

17 de ago. de 2004

Prêmio Portugal Telecom
Todas as iniciativas que estimulem à leitura em língua portuguesa são mais que bem-vindas. Há de ser elogiar exaustivamente. Quando a Aline ligar lá na loja para encomendar flores, vou dizer-lhe o quanto estou orgulhoso de estar prestando serviços à eles.

16 de ago. de 2004


"Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los".
Joseph Brodsky (1940-1996), poeta russo, laureado em 1987
com o Nobel de Literatura.


In: http://www.goodstaff.com/gallery/Paul%20Jones/lily.htm Posted by Hello

13 de ago. de 2004


Só me arrependo de não ter trancado aquelas maçantes aulas de edafologia para poder me dedicar ao shodo.
 Posted by Hello
Foram 30 minutos, o suficiente para sentir o quanto a profissão de modelo é desconfortável. Amanhã teremos outra sessão, vou cobrar o dobro.

12 de ago. de 2004

Me deixem em paz.

11 de ago. de 2004

Férias alamedas me cobrem os pés a procura de um lixo escaldado que não pertence mais aos outros eus. Persigo piercings desajeitados que me impedem de contar a verdade. A chave na porta, a porta lisinha, bochecha nova sem artifícios de cosméticos. Faças tu mesmo a conexão, assim continuo mexendo nas caixas de papéis esfarinhados até os tornozelos.

Se o Charlie Bravo me manda ajoelhar, como posso eu desobedecer? Duas nuvens se interpondo sobre minha nuca, continuo a digitar o dever-de-casa, seus olhares me são indiferentes. As ecografias também. Jantar servido. Apareço diante meus... de surpresa para decodificar um sussurro. O nome do meu irmão proferido. Pergunto pelo pior. Não, ainda não. Foi visto catando comida no lixo.

Acho que os talheres ainda não perceberam o quanto sou alérgico a etanol. Cerveja me faz empolar; rum, cachaça, gim, em quantidades mínimas, me leva ao vômito; vinho seja ele branco, seja ele tinto, me causa diarréia. E quando falo ao cliente que não bebo (Sim! Aceitei o convite), ele me responde que bebe por mim. De bicicleta não jogo tênis. E após três rodadas no Bigodão's Bar, sou persuadido a pisar na poeira suspensa da trilha da capivara onde pode haver partículas ínfimas de excrementos que me deixariam acamado, se não estivesse eu protegido por uma promessa de amor. Sim, leitor, eu acredito que Cinderela se deu de bem. Relaxa! É só o que eu ouço. E balbulciando bêbadas palavras prometidas escuto: quero te pegar para criar.

Frase velha no meu repertório. Não foram exatamente essas palavras, entre um gozo e outro minha memória falha. Recordo-me apenas que voltando para casa, dentro do carro, com um pacote de THC no colo... Epa! Essa seria uma outra cena: a pelada gordura alienígena espremida ao volante me cumprimenta com as pontas dos dedos. (E pensar que fritei minhas batatas naquele óleo rançoso.) "-O que você está fazendo aqui?" – disse-me ela se insinuando ao meu cliente, digo, ex-cliente. Vou ajeitar com tato o elevador de acesso aos fundos da loja, assim, o filmado Audi gozado servirá de assentamento ao novo grafismo desenhado hoje de manhã. "-Vamos ao cinema, mais tarde?" – fui convidado, pelo um sujeito que nem sabe se fica. Olhei para as cinzas nuvens frias e pensei: papai-do-céu, este fuma demais.

10 de ago. de 2004

Caso esbarre contigo pelos corredores do shopping, Amor; finja que não me conheça. Não é nada pessoal, Naz, apenas estarei acompanhado com uns amigos que reprovam sua forma de agir.
Ponto de vista
Leila Míccolis


Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções

(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.


Preciso, eu (O Memorialista) me interar do movimento para não haver mais engano. (Como se fosse possível.)

9 de ago. de 2004

Dicla, Diário amarrotado!
Estou mergulhado no novo álbum da Adriana Calcanhotto. Gosto de artistas que se preocupam em divulgar suas idéias para além das mídias tradicionais. Se não bastasse, AC sempre poliniza minha essência. Primeiro, foi com o ritmo do Mário de Sá Carneiro, com que ela me levou a morte. Para logo em seguida, me prostituir ao som da melodia do Daniel Jobim. Dessa vez, a cantora me mostrou imagens do... Veja por si mesmo, Dicla e me diga, se elas não seriam perfeitas luvas de pelica. A Estética continua sendo meu melhor argumento para bater na cara dos carentes. Me aborreço com essas pessoas resignadas que passam dias pressas a comunicadores instantâneos. Vá trabalhar, vagabundo! Só conectei-me para conferir minha correspondência. Se ninguém te dá bola, visite Compenhage. Niels Lyhne nos espera sem rumo. Mudando de assunto, sonhei, novamente, com gata do 202. Minhau, minhau, ela deveria cortar as unhas. Um sonho salgado de tão melado. Eu estava mesmo precisando sentir outras texturas trançadas a outros sumos.... Como se diz gato em alemão, Dicla?

7 de ago. de 2004


Constantia cipoensis Posted by Hello

6 de ago. de 2004

Lírios, ele vai dizer que é clichê; cravos que só devem ser oferecidos em homenagem aos que já se foram. Girassóis, politicamente incorreto; bonsai idem; cactos, mau agouro. Rosas, sejam vermelhas, sejam brancas, seria chamar para briga. Catléias, lhe traríam tristes lembranças que o levariam a uma possível recaída. Crisântemos e margaridas estão em entresafra, nem para remédio. Gérberas,seria uma boa opção, se tivesse vindo outras, além das cor-de-rosa. Bocas-de-leão ou astroemérias ou ainda as frésias são femininas demais para a ocasião. Copos-de-leite! Não. Sem folhagem, ele acharia pobre. Poderia ser antúrios vermelhos com helicônias bihai e minis ananás, eu estaria arrumando um novo problema, não uma solução. Azáleas, bêgonias, clicâmen, hortênsias... Não. É melhor que seja flor-de-corte. Gengibre?! Amarelo não! De jeito nenhum. Bastão do Imperador!? As petálas estão meio estragadas, seria desacato. Onde? Ali na beiradinha, olha só. É só arrancar. Vai ficar desfalcada, esquece.
Poxa vida! Neguinho chega aqui e em menos de cinco minutos consegue escolher um presente. E eu sonhando com croquis e estruturas. Ser filho de artista só atrapalha. Vou rasbicar um pouco, quem sabe os Deuses, ao testemunhar meu esforço, não me assopram para longe.

5 de ago. de 2004

Eu bebia na pura inveja retorcida do conhaque. No programa, biólogos estudariam Latim 1, Latim 2, Latim 3 e Tradução do teatro de Ovídio para o Português Moderno. As aulas estavam ocorrendo no Teatro de Arena. Conversava-eu com uma garota de tailleur creme. A fivela da sandália vermelha. A professora explicava-lhes o funcionamento do sistema renal dos anurus, desenhando, no quadro branco, com um pincel atômico, ora verde, ora azul, uma rã aberta com um corte longitudinal no ventre. Bem longe, ouvia-se o sinfonia da água do chuveiro escorrendo pelo ralo. Acordei dolorido. O ateliê me aguardava.

4 de ago. de 2004

Primeiro, foi o chuveiro frio. Reclamei, pouco adiantou. Depois, não havia sabonete disponível. Mudei de estratégia. Indiferença foi o que lhe ofereci. Ontem, a porta do escritório trancada. E agora Marcito? Fui dormir magoado, ofendido, e arrependido de ter escolhido o caminho mais confortável. Nada melhor, contudo, do que um dia após o outro com uma noite no meio. Óbvio, não? Há muito tempo havia me dado conta. Soluções?? Tornei-me um ajudante de pedreiro. Na pior das hipóteses dentro alguns anos estarei carregando uma pedra de mámore sem fraquejar.





3 de ago. de 2004

Distorço a botânica para acobertar as mentiras das constrelações de rochas que me escorrem pelas pernas feito um líqüido rosáseo perdido. Antes de jogar meu tchau sobre a face dele, me segurei no tronco da jaqueira e simulei tremulamente a completude exata do vôo. Brasília, 28 graus. Mas a sensação térmica era de menos dois. E pensar tudo havia começado com a "brincadeira" do banho de balde.

2 de ago. de 2004

"Eu ia fazer sushi, mas não deu tempo". Essa havia sido minha desculpa para o arroz empapado.

31 de jul. de 2004

Algum ingrediente suspeito havia no molho bolognese. Deitado na cama, encolhido feito um feto, pedia a Santo Antônio de Pádua sua intercessão junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Perdoa Senhor, a gula desse teu humilde servo, clamava-eu agoniado. Meu estômago expandido prestes a estourar, assustou-se ao sentir o rosto áspero do Fornazze a roçar minha bochecha. Deitou-se, encaixando-se entre as minhas pernas, se apossando de mim, como se eu de direito lhe pertencesse. O hálito de cerveja, a voz a lamentosa, o braço pesado, tudo isso foi me refirando o estômago. Mesmo assim segurei a vontade e respondi que também lhe amava.
William Somerset Maugham.“Confissões”, 1951, Editora Globo. Adoraria-eu, ao acordar de manhã, ter encontrado a arte literária do bem sucedido escritor franco-americano me esperando sobre nosso criado-mudo. Eu nem reclamaria, Naz, de você ter ido embora, sem me acordar para cumprirmos o nosso ritualzinho de despedida. Estaria feliz sozinho. Creio-eu.

30 de jul. de 2004

"Heidegger, para tanto, uniu o existencialismo de Kierkegaard e a fenomenologia do seu mestre Husserl, abolindo com os dualismos que caracterizavam a metafísica clássica (corpo/alma, interior/exterior, subjetividade/objetividade, ser/parecer), mantendo porém a irredutível separação do "eu" com o seu "próximo". Ao privilegiar no seu famoso livro Zein und Zeit (Ser e Tempo, 1927), o retorno da filosofia para o ser (ontologia), imaginou que ele doravante estaria aberto, livre, pronto para eleger o que desse e viesse. "Ser-no-mundo é morar no mundo", e não estar tenuamente ligado a ele. "Ser", para Heidegger, como observou Sartre, "é ser as próprias possibilidades: é fazer-se ser". O que importava era a autenticidade da decisão tomada. O seu limite era dado pelo tempo, pelo prazo de vida que cada um tinha, porque era a morte quem revelava a finitude do ser humano. Não havia mais céu para acolher a alma, nem o regaço de Deus para depositar-se as inquietações e as esperanças, o ser estava entregue a si mesmo, ao nada (niilismo). Uns aceitavam as coisas assim como são, sobrevivem apenas, "vivem" o seu cotidiano sem grandes inquietações, sem voltar-se sobre si mesmos. Outros, ao contrário, "existem", testam os limites da vida, lançam perguntas, indagam, enriquecem o ser, angustiam-se, querem fugir do tédio e da ansiosidade, sensibilizam-se." (grifo nosso)

In: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/heidegger3.htm#08
Presenciara uma discussão maçante sobre a gestão territorial do espaço amazônico. Definitivamente, não é desse pão que eu quero/vou viver. Não que tenha sido me dado o direito de escolha. Por isso mesmo, Dicla, eu não tenho escolha. Deplorável, passar quatro dias trancado num hotel embrenhado no meio da mata. Foi mais que suficiente para eu reconhecer que é somente o conceito de espaço que eu vou guardar dentro de mim. Será sobre a categoria espaço que irei contruir todo nosso castelo de limões vencidos (hiiiii, começou!). Por ora basta, Diário, preciso dizer ao meu povo que as flamboyant vermelhas, as bouganvilles rosa e os ipês brancos, da minha primavera, já desabrocharam. Precoce, não? Poisé, são meus repentes. Estou de volta ao meu ofício. Será que seus leitores ainda se lembram de mim?

23 de jul. de 2004

Dicla,
 
Desculpa, mas não tenho tempo para explicações agora. Estou indo a Belém (logo ali, só duas horas e pouco de vôo) e só volto quando a primavera cobrir de flores a Esplanada do Ministérios. Deseja-me boa sorte. Eu vou precisar.
Beijos nas leitores, abraços nos leitores,
Marcinho, O Geógrafo.
 
P.S.: Não façam essa cara, há uma porção de posts para comentar.

22 de jul. de 2004


      Segundo Augusto de Campos, "um escritor atual que não tenha lido Joyce é mais ou menos como um físico que ignore Einstein ou um sociólogo que não tenha tomado conhecimento de Marx". Não me deixo levar por analogias, seja lá quem as profira, mas quando percebi, lá estava eu subindo a escura escada aspiral atrás do Buck Mulligan e na frente do Stephen Dedalus.  Momentos antes, eu havia ficado impressionado com o Buck chamando a atenção do Stephen.  Bem que a Mah podia me dar aquelas férias de dez dias que ela prometera. Assim, eu seria mais um que começaria a ler Ulisses (1922) e não terminaria e por se acaso terminasse, não o compreenderia.  A Mah sabe que se ela  se descuidar do Passo Preto do aqui, ele vai embora,  colorindo o céu azul-anil-acinzentado da capital e não volta nunca mais. Estou tão cativo e nem sei se eu seria capaz de sobreviver no meu habitat original. O silêncio das tagarelas lavadeiras me torcendo, torcendo para mim, me assusta. Não preciso de nada disso, já que a Princesa Branca de Neve migrou dos contos infantis e veio retirar o livro para mim. Agora é comigo e a minha força de vontade que se contorce quando vislumbra a possiblidade se perfumar um cobertor ensolarado.  (Amanhã, volto para revisar-te, texto horroroso.)Posted by Hello



           Novembro de dois mil e três, a turba e eu escalando o pico da madrugada. Que bandeira! Nenhum mastro para hastear o meu amor pintado pelo nascer do Sol. (Buscávamos um afago do Rei.) A estrela a queimar minhas esperanças e eu a inventar mentiras. Era para ser um teste. Acabou sendo mais do que um Hello. Fácil de postar, intuitivo (mas apanhei pra caceta.). Posso voltar, satisfeito, a estudar o "Ulisses" que um leitor (?) do Dicla me definiu como sendo uma "chatice encalacrada". Pode até ser, mas isso, eu terei que desembaraçar por mim mesmo. Sou aquele gatinho, lá fora, a brincar com linhas de lã pêssego. Ossos do ofício -- nobre leitor, amada leitora , né, Dicla? ;-) --  que eu quero moer para adubar meu orquidário que hoje é virtual, mas amanhã, tendo tempo, será real. Nesse meio tempo, pedi, desculpas a Mah. Ela pensa que eu sou seu gerente-secretário-telefonista. Tenhamos paciência, pois nos sobra entusiasmo.Posted by Hello

21 de jul. de 2004

      Encostas vermelhas a me olhar por cima. Elas comentam todos os movimento sincronizados dos passos do André. São não-pessoas. Tal qual um gato a servir malabarismos numa mesa entupida de restos de corpos quebrados mais virados que sujos. É o peso das palavras sobre meus ouvidos. Quanto custa algumas horas de privacidade? Os banheiros de shopping fedem de tão sujos. Meu nariz merece adores mais aprumados. Como as pedras lambem meus movimentos nervosos. São dedos atravessando o virtual. Calma, leitor! Estou a procura da frase perfeita para especificar o fato. Mas, o André precisa vestir sua roupa e volta para frente de batalha.  Nous sommes la creme de la creme (?). Pronto, achei a batida perfeita. O que meus olhos vêem, coração nenhum pode violentar.
 
     Então vamos começar assim:
     
         O casal de namorados caminhando de mãos dadas. Afrodite e Ares a passear pelas calçadas rachadas da capital. Sem se importar com a minha presença -- eu ia em direção contrária -- o amante, bruscamente, a segura pelos cabelos castanhos claros. O cavalheiro a dominar sua égua. Suas mãos nodosas pareciam uma colher a conter o mel que insiste em derramar, em escorrer, em nos sujar o uniforme azulzinho.  Eu me assustei ao presenciar o que para meus olhos seria violência. A moça de olhos azuis, riu, soltou um gritinho que eu jurava ser um miado de um siamês e procurou a boca do amado. Porque o Samurai vem fumar aqui perto de mim? Não estou interessado no movimento das estradas. Em casa eu termino. Deixa-me dar atenção a quem precisa de um ouvido amigo para suportar a pressão do carregamento de munição. À noite, silenciosamente ensimesmado penso num final inesperado para o casal de amantes.

20 de jul. de 2004

De que adiantou eu ir dormir depois das duas, se o jpg não quer abrir. Nada que o Maninho não resolva.

19 de jul. de 2004

      Hipnotizado pela voz arranhada de um rapaz que a princípio não reconheci. (De onde eu conheço esse cara?)  Suas pernas cruzadas me convidavam a escutá-lo de mais perto. E se eu fosse devorado? Tarde demais. Já me encontrava prestes chocar-me contra um matacão de calcário. Agira correto em voltar para casa mais cedo. E depois dizem que a programação televisiva não presta. Há de saber separar o jóio do trigo. Do trigo, faço massa para pizza. Do jóio, jogo no forno. E na T.V. Chris Cornell sentado num banco, de pernas cruzadas, cantando para um babaca que está com o olhar mais congelado do que as cervejas que acabaram  de emporcalhar todo o frezzer.  Não sou mais eu que estou dentro de mim.