--Oi, Amor!
--Achei que não fosse ligar mais.
--Desculpa! Está ficando muito complicado...
--O quê?
--Passo o dia todo pensando em você.
--Calma, Marcinho. Sexta-feira, estou de volta... Olha lá, hem!
--Quanto a isso fique tranqüilo, sempre sonhei em ter por quem esperar.
15 de mar. de 2005
14 de mar. de 2005
Pára esse carro, agora! Na agonia da aflição, gritei. Como se fosse fazer diferença. O verso jazia estendido sobre o asfalto, quilômetros atrás. Estúpida tentativa de resgatar uma lembrança de sábado à noite. É melhor limpar o olhar de ódio que mascara minha feição e continuar procurando entender como ele pode deixar gravado na caixa postal do meu (nosso) celular, versos de Vinícius de Morais. Desculpem-me! Mais clichê impossível. Sou amante, não cúmplice. Na tentativa de fazer poema, neste Dia da Poesia, saiu-me a fatídica prosa que me mata aos poucos. Um murro no peito, meu boné no chão. De que me adianta tanto Bilac, se nada assimilo? É simples compor versos, basta escrever, dissera Clarice Lispector, disfarçada de Joana. Para Manuel Bandeira não seria bem assim e Carlos Drummond de Andrade nos ensinara que não interessava a inspiração, e sim a luta. Mas do que eu estou falando? Sou o cirrocúmulos no rebordo da chapada, observando o mancha de sangue no asfalto liso de tão novo, a procura da diferença da soma da multiplicação. Me compliquei! Resignado, resolvo encaixar um "aliás" neste post, dependendo da entonação, sinto orgasmos sem ejaculação.
Lápis-de-cor furando minha traquéia, assim foi meu banho na piscina de lama que se formou para auxiliar eu e a loira a voltarmos. Desde que ela, retornou, transferida, à Brasília, todos nossos amigos articulam mais que torcem para que deixemos de nos encontrar só para sexo casual. Não quero nem ouvi-la me chamar de meu bem e ela não parece disposta a me escutar sobre meus novos projetos. Ela continua se vestindo muito bem. Mesmo se o seu seio saltasse para fora, não seria vulgar. Com elegância desconcertante, ela pediria a travessa de picanha. Ah, Doutor! Ela será a primeira a saber que estou tendo um caso, quando eu tiver absoluta certeza que se trata de algo mais do que um encontro sem gênero. Vou pedi-la para puxar o "nada consta" do executivo. Que raios de multinacional é essa?
12 de mar. de 2005
Sim! Eu fui atrás de proteção. Antes do sol sorrir, minhas mãos seguravam firmemente a nuca de uma pessoa que eu nunca havia visto antes. Se eu tivesse numa boate, este comportamento seria compreensível. No zoólogico não era. Da última vez que me entreguei sem ressalvas, fui convidado a desfrutar um banho hidromassagem, nesses motéis de onde podemos complentar o perfil das naturezas mortas. Desta vez, haveria de diferente. Minha abstinência compulsória ressultaria no efeito esperado. Eu estava puro. Ninguém, nada, convenceria a quebrar meus votos. Sou o mesmo tolo de ontem de manhã. Sapatos combinando com cinto, me fascinam. Calça de brim bege com camisa salmão me desnorteiam. Eu precisa fugir da corrente que me acariciava. Aço cirúrgico? Ouro branco. O brinco arrematava o bom gosto do Pessoa. Que mal haveria apenas relaxar sob corpo, pura canela. Era a terceira tentativa em menos de três meses. Pena que este, seja tão possessivo. Ainda sim, prefiro a ele do que me lamentar pelos longos fios de cabelos loiros que não encontro mais na pia do banheiro, quando vou escovar os dentes. Talvez, ela, a loira, fique feliz em saber que estou tentando superar a impossiblidade de tê-la ao meu lado na cama, assistindo As Horas.
11 de mar. de 2005
Não posso mais protelar. Vou a delegacia registar a queixa. Ele prometera bater na minha cabeça com um gato morto, até que este miasse. Será que ele poderá ser, duplamente, enquadrado por crime ambiental? Vou ter que fazer algo que não gostaria: ligar para um fulaninho filha-da-puta de ordinário. Qualquer coisa eu cuspo.
Nossos caminhos se cruzam todos os dias. Ela segue apressada em direção ao banco, enquanto eu, vou ao supermercado comprar pães. Sou apaixonado pelo tom loiro dos seus cílios. Ela ajeita o penteado. Eu grito de fome. Ela me conhece e me reconheceria, até mesmo carbonizado, na necropsia do IML. Ela perguntaria ao agente sobre meus pertences, na esperança de reaver um cordão que um dia ficou perdido no chão do banheiro. Ela ainda bebe um copo d'água, assim que acorda, e come uma maçã, enquanto folheia o NYT. A mesma rotina, como se compartilhássemos os mesmos objetivos. Se ela vier me beijar, não vou virar o rosto novamente. Será sexo, precedido de um jantar. Sem perguntar porquê.
10 de mar. de 2005
O efebo me chamou para o tatame. Declinei do convite, por se tratar de um gesto educado, supunha eu. Beijando-me a face, ele me perssuadiu a fazer tudo que ele propunha. Nunca imaginei que o tatame seria um colchão e que travesseiros poderiam ser arremessados pela janela. (Ih! Foi mal!) Ele queria carinho, atenção e se divertir com a única pessoa que estava disposta a fazer exatamente o que ele mandava. Por exatas cinco horas eu me doei, e apesar dele ter se machucado, rimos muito da brincadeira.
9 de mar. de 2005
Não pretenderia construir um guarda-sol, tampouco tecer uma bolsa feminina. Queria crescer para além de mim mesmo. Pormenores: nem vou contar para as lentes fotográficas a desconfiança do batom. Defina abstracionismo, me perguntou o praticante de arte marcial (sem mencionar qual, para que não pensem que planto couve em dias pares) Afirmo com segurança... um telefone que magoou meu patrimônio, uma cliente que me amo a ponto de perder o raciocínio lógico-matemático, me interrompem enquanto tentava resgastar...não dá para continuar. Acendeu a luz de freio. (Como se fosse fazer diferença.)
7 de mar. de 2005
Quarenta dias pendurado no varal feito lençol impuro beijado por brisas vermelhas. Nem sei como pedir-lhes desculpas. Estive me deitando com os mirmidões e descobri que dificilmente vou decifrar o código civil da constrelação de Capricórnio. Sem telescópios, sem física nuclear. Apresento-me celibatário, de fato, onanista. Mesmo quando me ligam de Palmas, me oferecendo resgate, pergunte-lhes se ele continua com ciúmes dos meus olhos castanhos. Ele te ama, ninguém acha graça, talvez, por isso, acumule inúmeras funções. Todas elas desempenhadas com brilhantismo. Qualquer hora, ele leva um tiro e eu terei de me desfazer das provas do meu crime. Sim! O criminoso ali era eu, induzindo-o a cometer um estupro impossível. Na risca da Marinha nunca mais.
25 de jan. de 2005
Pedrucha, o branco combina com seus olhos. Buquê prometido se encontra guardado no cofre do Banco Central. Nem me pergunte como ele foi parar lá. Incompetência minha, extraviando emoções. Imagem para que recordas da nossa amizade. Obrigado por me ouvir e me aconselhar com jurisprudência internacional.

24 de jan. de 2005
21 de jan. de 2005
20 de jan. de 2005
Acabo de sair para biblioteca. A noite de segunda-feira ainda emerge na minha memória. Não há ninguém para atender o telefone. Não sinto culpa. Apenas me envergonho pelas gafes cometidas. Poxa! Ele tinha que moder meu calcanhar? Espero que o coice involuntário não o tenha machucado. Tenho certeza que não é para mim. Caso contrário, vou ter que beijar muito aquela boca carnuda de dentes alinhados até sarar. Eu consigo contar mentirinha. Mentirona, não. O que eu faço com o sniper? A pilha de livros que se junta minha mesa começa a me irritar. Nada. Ele estava bêbado. A Branca de Neve riu até chorar da minha frase. Me chamou de gênio. Preciso dormir, nem que seja por cinco minutos. Opinião suspeitíssima. Ela me levaria escondido na babagem para o Canadá, se fosse possível. Três horas não está sendo suficiente.
19 de jan. de 2005
Me arrependo da merda que eu fiz. Como vou dizer a ele eu te amo, sem ser presa? Depois resolvo. Sim, leitores, estou apaixonada. Ele, não sei. Talvez, eu esteja sendo precipitada. Se eu me decepcionar, vocês serão os primeiros a saber. Quando ele for transferido, vocês, também serão os primeiros a saber. E das gafes que tu cometeste na primeira noite, eles saberão? Quando eu perder a vergonha, lhas conto. Tomara que o Sapo continue príncipe por mais seis anos. Sempre soube que o Poder era o melhor dos afrodisíacos, mas nunca imaginei que o desejo ia me deixar a noite toda acordada, sonhando com alguém que não poderia vir. A sensação de um corpo procurando o meu, era inevitável. Eu odeio escalas. E não vou contar, para ele, sobre nós. Todo mundo tem um e-mail secreto, me dissera ele. E muitos adolescentes (adultos, também!) tem problemas em guardar seus pessoais diários íntimos. Ele não irá te conhecer, DiCla. Também, temos direito a privacidade.
18 de jan. de 2005
Querida leitora,
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
17 de jan. de 2005
O novo vizinho está colocando vitrais nas janelas. Só espero que o casal de rotweiller seja educado. Não vou me levantar da cama, para cumprimentá-los, nem para nada. Os três aparecem nervosos. Os cãos não param de latir. O viking, de gritar com os homens que carregam caixas de madeiras. Só de olhar sinto o peso. Eu também preciso me mudar. Se pelo menos o Dente-amarrado atendesse minhas ligações, eu poderia compartilhar meus planos com seus sonhos. Ele nunca vai conseguir ter tempo para mim. E mesmo assim eu insisto no erro. Quero um aparador igual aquele no meu quarto. Ouro envelhecido refletindo o amor que se esvai dos nossos corpos numa nublada tarde de domingo.
15 de jan. de 2005
A última vez que chorei em público foi quando o Carrasco fez omelete do meu polegar. Depois, aprendi a jogar a emoção para o platéia. Minhas lágrimas, leitora e leitor, decorrem da minha amadorística prática cênica. Em falsete, desenterro feijões que não mais crescem a custo de falsos herbicidas. Dói. Sinto repulsão em fazer o que eu gostaria que fizessem em mim. Sobreviverei ao final de semana. Espero que vocês também. E se hoje apareço cabisbaixo, decorre do pedido de hoje cedo: "quando você tiver sozinho aqui na loja, por favor, não fica no computador." Ainda nem eram seis horas e eu já sentido a fervura do chá de boldo. Será que se eles vierem a ler meus pensamentos ou mesmo se estiverem me lendo poderão vira a romper os laços de papel sulfite? Iniciar-se-á uma era de gelo? Do lado do Carrasco não encontro a tranqüilidade prometida, do lado da família não encontro a serenidade esperada . Me debato dentro da jaula, feito mico leão-dourado. Fazer programa na sauna seria uma solução, difícil de arriscada, mas já executada de bem-sucedida. Assim, poderia pular de biblioteca em biblioteca, de prateleira em prateleira, atrás de referências nem sempre confiáveis.
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