Nossos caminhos se cruzam todos os dias. Ela segue apressada em direção ao banco, enquanto eu, vou ao supermercado comprar pães. Sou apaixonado pelo tom loiro dos seus cílios. Ela ajeita o penteado. Eu grito de fome. Ela me conhece e me reconheceria, até mesmo carbonizado, na necropsia do IML. Ela perguntaria ao agente sobre meus pertences, na esperança de reaver um cordão que um dia ficou perdido no chão do banheiro. Ela ainda bebe um copo d'água, assim que acorda, e come uma maçã, enquanto folheia o NYT. A mesma rotina, como se compartilhássemos os mesmos objetivos. Se ela vier me beijar, não vou virar o rosto novamente. Será sexo, precedido de um jantar. Sem perguntar porquê.
11 de mar. de 2005
10 de mar. de 2005
O efebo me chamou para o tatame. Declinei do convite, por se tratar de um gesto educado, supunha eu. Beijando-me a face, ele me perssuadiu a fazer tudo que ele propunha. Nunca imaginei que o tatame seria um colchão e que travesseiros poderiam ser arremessados pela janela. (Ih! Foi mal!) Ele queria carinho, atenção e se divertir com a única pessoa que estava disposta a fazer exatamente o que ele mandava. Por exatas cinco horas eu me doei, e apesar dele ter se machucado, rimos muito da brincadeira.
9 de mar. de 2005
Não pretenderia construir um guarda-sol, tampouco tecer uma bolsa feminina. Queria crescer para além de mim mesmo. Pormenores: nem vou contar para as lentes fotográficas a desconfiança do batom. Defina abstracionismo, me perguntou o praticante de arte marcial (sem mencionar qual, para que não pensem que planto couve em dias pares) Afirmo com segurança... um telefone que magoou meu patrimônio, uma cliente que me amo a ponto de perder o raciocínio lógico-matemático, me interrompem enquanto tentava resgastar...não dá para continuar. Acendeu a luz de freio. (Como se fosse fazer diferença.)
7 de mar. de 2005
Quarenta dias pendurado no varal feito lençol impuro beijado por brisas vermelhas. Nem sei como pedir-lhes desculpas. Estive me deitando com os mirmidões e descobri que dificilmente vou decifrar o código civil da constrelação de Capricórnio. Sem telescópios, sem física nuclear. Apresento-me celibatário, de fato, onanista. Mesmo quando me ligam de Palmas, me oferecendo resgate, pergunte-lhes se ele continua com ciúmes dos meus olhos castanhos. Ele te ama, ninguém acha graça, talvez, por isso, acumule inúmeras funções. Todas elas desempenhadas com brilhantismo. Qualquer hora, ele leva um tiro e eu terei de me desfazer das provas do meu crime. Sim! O criminoso ali era eu, induzindo-o a cometer um estupro impossível. Na risca da Marinha nunca mais.
25 de jan. de 2005
Pedrucha, o branco combina com seus olhos. Buquê prometido se encontra guardado no cofre do Banco Central. Nem me pergunte como ele foi parar lá. Incompetência minha, extraviando emoções. Imagem para que recordas da nossa amizade. Obrigado por me ouvir e me aconselhar com jurisprudência internacional.

24 de jan. de 2005
21 de jan. de 2005
20 de jan. de 2005
Acabo de sair para biblioteca. A noite de segunda-feira ainda emerge na minha memória. Não há ninguém para atender o telefone. Não sinto culpa. Apenas me envergonho pelas gafes cometidas. Poxa! Ele tinha que moder meu calcanhar? Espero que o coice involuntário não o tenha machucado. Tenho certeza que não é para mim. Caso contrário, vou ter que beijar muito aquela boca carnuda de dentes alinhados até sarar. Eu consigo contar mentirinha. Mentirona, não. O que eu faço com o sniper? A pilha de livros que se junta minha mesa começa a me irritar. Nada. Ele estava bêbado. A Branca de Neve riu até chorar da minha frase. Me chamou de gênio. Preciso dormir, nem que seja por cinco minutos. Opinião suspeitíssima. Ela me levaria escondido na babagem para o Canadá, se fosse possível. Três horas não está sendo suficiente.
19 de jan. de 2005
Me arrependo da merda que eu fiz. Como vou dizer a ele eu te amo, sem ser presa? Depois resolvo. Sim, leitores, estou apaixonada. Ele, não sei. Talvez, eu esteja sendo precipitada. Se eu me decepcionar, vocês serão os primeiros a saber. Quando ele for transferido, vocês, também serão os primeiros a saber. E das gafes que tu cometeste na primeira noite, eles saberão? Quando eu perder a vergonha, lhas conto. Tomara que o Sapo continue príncipe por mais seis anos. Sempre soube que o Poder era o melhor dos afrodisíacos, mas nunca imaginei que o desejo ia me deixar a noite toda acordada, sonhando com alguém que não poderia vir. A sensação de um corpo procurando o meu, era inevitável. Eu odeio escalas. E não vou contar, para ele, sobre nós. Todo mundo tem um e-mail secreto, me dissera ele. E muitos adolescentes (adultos, também!) tem problemas em guardar seus pessoais diários íntimos. Ele não irá te conhecer, DiCla. Também, temos direito a privacidade.
18 de jan. de 2005
Querida leitora,
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
17 de jan. de 2005
O novo vizinho está colocando vitrais nas janelas. Só espero que o casal de rotweiller seja educado. Não vou me levantar da cama, para cumprimentá-los, nem para nada. Os três aparecem nervosos. Os cãos não param de latir. O viking, de gritar com os homens que carregam caixas de madeiras. Só de olhar sinto o peso. Eu também preciso me mudar. Se pelo menos o Dente-amarrado atendesse minhas ligações, eu poderia compartilhar meus planos com seus sonhos. Ele nunca vai conseguir ter tempo para mim. E mesmo assim eu insisto no erro. Quero um aparador igual aquele no meu quarto. Ouro envelhecido refletindo o amor que se esvai dos nossos corpos numa nublada tarde de domingo.
15 de jan. de 2005
A última vez que chorei em público foi quando o Carrasco fez omelete do meu polegar. Depois, aprendi a jogar a emoção para o platéia. Minhas lágrimas, leitora e leitor, decorrem da minha amadorística prática cênica. Em falsete, desenterro feijões que não mais crescem a custo de falsos herbicidas. Dói. Sinto repulsão em fazer o que eu gostaria que fizessem em mim. Sobreviverei ao final de semana. Espero que vocês também. E se hoje apareço cabisbaixo, decorre do pedido de hoje cedo: "quando você tiver sozinho aqui na loja, por favor, não fica no computador." Ainda nem eram seis horas e eu já sentido a fervura do chá de boldo. Será que se eles vierem a ler meus pensamentos ou mesmo se estiverem me lendo poderão vira a romper os laços de papel sulfite? Iniciar-se-á uma era de gelo? Do lado do Carrasco não encontro a tranqüilidade prometida, do lado da família não encontro a serenidade esperada . Me debato dentro da jaula, feito mico leão-dourado. Fazer programa na sauna seria uma solução, difícil de arriscada, mas já executada de bem-sucedida. Assim, poderia pular de biblioteca em biblioteca, de prateleira em prateleira, atrás de referências nem sempre confiáveis.
14 de jan. de 2005
11 de jan. de 2005
Dia sim, dia não, vou ao bosque de bougainvilles brincar de roleta russa. No momento de puxar o gatilho, já me encontro, totalmente, dominado pelo topor que os olhos verdes me proporciona. Não será nos braços dele que a fatalidade ocorrerá. Ele vai saber pelos jornais. Seus colegas, estarrecidos, não poderão dizer nada (eles nos ignora). E no banheiro do segundo andar, os olhos verdes ficarão vermelhos, depois inchados e depois pequenos (ele terá uma recaída). Enviara-lhe uma mensagem por celular para lhe comunicar do hematoma no meu lábio superior. Evidência irrefutável, meu bem! Disse-lhe, quando finalmente resolveu me ligar. Me dá quinze minutos que estou passando aí para te levar ao IML, me respondera. Espatifei o celular no chão. E não me arrependo. Aos poucos vou me soltando das algemas que ele me impões.
Vísceras vazias me servindo, na taça, águas do Adriático. Ela também sofre por não encontrar alguém que esteja disposto a viver um romance sincero de duradouro. O que não se vive, se cria, se reelabora. Assim, ela se libertou. Menina de pele leitosa, pura nuvem que nos anuncia o veranico. Está frio aqui dentro do peito Miss P.. Meu calcanhar se congela ao pisar no chão. Tio M. me pergunta se tem café. Café preto, Tio? Pergunto-lhe abrindo sorrindo cúmplice. Estou deixando de beber, Marcinho. (Graças à Deus!) Só vou beber durante seis meses. Dia sim, dia não. Começo a rir a ponto de meu estômago dar nó. Acordo a Sabiá insone. Você tratou dela, hoje? Tio M. me faz rir, quando eu preferiria me enfurnar no quarto permanentemente lusco-fusco. Ele me tirou a lembrança do copo vazio. Não quero mas servir pratos rápidos, comidas instantâneas. Três minutos é muito pouco. Duas horas não é nada, se telefonema não me acorda logo cedo: Só liguei para lhe desejar bom dia, meu amor! Arroz com feijão tão básico de gostoso. Porque amor e sexo não marcam um encontro logo mais depois das 21h em frente ao Centro de Convenções? Vou voltar à peleja, antes que seja necessário colocar luvas para cumprimentar os incautos. Lutaria, se possível, ao lado dos Troas contra os Aqueus. Queria fazer diferença.
10 de jan. de 2005
O e-mail ainda não chegou na caixa de entrada. O que a pessoa está achando? Minha próstata se derrama sempre quando me lembro da impossibilidade de tê-la dentro de mim novamente. Não vou dar orçamento nenhum, não agora. Preciso me convencer a não beber da leitosa resina que escorre do Carvalho. Estou cansado de banheiros fedendo à creolina.
Devia se tratar de uma neurótica ansiosa, que nem tão bonita era. Se fosse meu número, teria ligado no outro dia mesmo. Teria lhe respondido imediatamente a mensagem. E minha glândula me sufocando impiedosamente. Porque não encontro conforto nos corações impuros? Será que todos nos postinho só estão à procura de alívio? Minha vontade era ir ao bar, tomar todas as porrinhas disponíveis e me despir de todas as convenções impostas. O que me interessa o que o Lula diz ou deixa de dizer!
Eu quero cavalo branco galopando sem ar em minha direção. Me atropele. Me faz de paçoca, sem antes confessar que me quer amanhã cedo acordando ao seu lado. Me ame, mas não espere por concessões minhas. Ainda bem que vai chover. Na grama molhada, não terei de me ajoelhar. No banheiro imundo não vamos fazer amor. (Amor?) Nem eu nem ninguém. O idiota do diplomata me agradecendo o arranjo de acácias. Deve entender muito de política internacional, porque de flores não sabe nada.
Eu também não sei nada. Nada sobre como andar de mãos dadas no shopping. Cansei, em casa continuo. Se alguém souber de um amigo disponível, me escreva. Seja cupido! Pode ser qualquer pessoa neurótica, boca murcha, fedendo à cachaça. Só não pode ser a pessoa. Quem não a quer mais sou eu.
Também não pode ser quem eu idealizo quando me escondo debaixo do travesseiro. Então, não é qualquer pessoa? Não enche! Pode ser o pernilongo que me atrapalha a concentração. Pode ser a camisa azul-turquesa que me interrompe para perguntar o preço das phalaenopsis. Só não pode ser eu.
Devia se tratar de uma neurótica ansiosa, que nem tão bonita era. Se fosse meu número, teria ligado no outro dia mesmo. Teria lhe respondido imediatamente a mensagem. E minha glândula me sufocando impiedosamente. Porque não encontro conforto nos corações impuros? Será que todos nos postinho só estão à procura de alívio? Minha vontade era ir ao bar, tomar todas as porrinhas disponíveis e me despir de todas as convenções impostas. O que me interessa o que o Lula diz ou deixa de dizer!
Eu quero cavalo branco galopando sem ar em minha direção. Me atropele. Me faz de paçoca, sem antes confessar que me quer amanhã cedo acordando ao seu lado. Me ame, mas não espere por concessões minhas. Ainda bem que vai chover. Na grama molhada, não terei de me ajoelhar. No banheiro imundo não vamos fazer amor. (Amor?) Nem eu nem ninguém. O idiota do diplomata me agradecendo o arranjo de acácias. Deve entender muito de política internacional, porque de flores não sabe nada.
Eu também não sei nada. Nada sobre como andar de mãos dadas no shopping. Cansei, em casa continuo. Se alguém souber de um amigo disponível, me escreva. Seja cupido! Pode ser qualquer pessoa neurótica, boca murcha, fedendo à cachaça. Só não pode ser a pessoa. Quem não a quer mais sou eu.
Também não pode ser quem eu idealizo quando me escondo debaixo do travesseiro. Então, não é qualquer pessoa? Não enche! Pode ser o pernilongo que me atrapalha a concentração. Pode ser a camisa azul-turquesa que me interrompe para perguntar o preço das phalaenopsis. Só não pode ser eu.
O Assessor da Senadora sempre consegue me apavorar. Me socorre! Dormi fora de casa. Me ajuda aqui a escrever uma mensagem romântica. Putz! Desde quando estou aceitando encomendas? São só três frases, Marcinho. Mesmo que fosse só uma. Não escrevo por encomenda. Me diz aí, se ela era loira ou morena? Eram negras. Negras de pele branca. E foi me contando minuciosamente sua performace de contorcionista. Hmmm, sei...conheço a cantada. Eu lhe disse sim, apertando-lhe firmemente a mão ao nos despedir. Sexo à atacado serve de acalanto enquanto não descubro quando vai ser o sepultamento.
8 de jan. de 2005
Affonso Romano Sant'Anna nos explica no seu "A sedução da palavra" (Letraviva, 2000) os rituais de iniciação enfrentado pelo iniciante escritor. Participar de grupos de amigos escritores, seria interessante. Lá fui eu, tímido, levando minha carta de apresentação, escondida dentro das calças, conhecer o pessoal . Não resisti, contudo, a tentação de publicar no ciberespaço (não custa nada, além da tendinite) a tal carta. Cumpra-se, assim, outro ritual: expor ao maior número possível de leitores o texto e solicitar que, se eu estiver sendo ridículo, me avisem. Eu também quero rir. Coaduno com a opinião do Rainer Maria Rilke, porém. Os críticos não tem nada a acrescentar à obra-de-arte, posto a impossibilidade de se comprender o Ser.
"Gaudz,
Cá estou, me unindo aos bons bombons. Li os contos, as crônicas, as mensagens. Senti vontade imensa de narrar o estupro por mim sofrido na semana passada. Desabafo entre amigos. Mas me lembrei que eu era macho. Aliás, era não! Ainda sou. Por enquanto, não sei até quando. E na condição de sexo sensível, protejo meus culhões na redoma de
vidro do meu padrinho. Melhor assim, sem acidentes. Gaudz, apague as frases anteriores. Definitivamente, não consigo dizer a verdade. Eu ia me apresentar ao grupo (Oi, Vizinhos!), ao proprietário (Blz, Paulo!)e acabei tecendo ficção. Problema sério conseguir completar a frase: eu sou...
Posso te/lhes adiantar, Gaudério San/caros calegas, que minha mente pervetida me assunta quando chego de madrugada em casa para preencher meu particular inquérito íntimo.(O DiCla, meu ciberdiário, anda muito criterioso, ultimamente.) Copos ensebados, sujos de melados, me acompanham. Eles desistem de preencher minha mente biologicamente atrofiada. Sou daquelas, opa! Tenho daquelas capazes de justificar, sorrindo, as fissuras anais em um recém-nascido. Mas o que me tensiona mesmo é homem de barba. E/ou mulher estriada. Homens sarados. E/ou mulheres obesas. Deformidades mentais me violentando a culpa. Siliconadas travestis empunhando navalhas. Adoro me travestir nas segundas-feiras à tarde. (Que Papai não venha a saber, o que ele já sabe, mas finge não saber. Finge, mal p'ra cacete!) Deliro quando me corto, acidentalmente, com navalha. Razão pela qual só saio com mulheres que saibam dar nó em gravatas. Quase enforcamento, só com homens (mesmo os que ninguém quer. Não me importo de ser comido no chão, mesmo).
E no mais, Daniel, estou triste com minha pressa de todos os dias. Triste por só agora te conhecido o ciberdiário do seu amigo Paulo. Dane, tu já se deste conta da quantidade de escritores atraídospor ti, ou melhor, pela tua sonoridade hipertextual? A qualidade circunscrita me pergunta: Onde estaremos daqui a vinte e cinco anos, Gaudério? Da água que escorre da serra gaúcha, eu bebo. Não tem me feito bem, meu amigo, Dane. Nem me feito mal.Tem apenas me motivado a seguir, agora não mais sozinho de tão isolado, lendo ( morto diante os mundanos) e escrevendo (vivo diante os escombros) porque só a nado vamos conseguir chegar ao outro lado do rio.
P.S.: A crônica do dia (07/01, o dia da volta do meu recesso) me pareceu um amontoado de frases desconexas.Ocupado estava, ávido por atualizar o DiCla, publiquei o rascunho mesmo. E olha só o que nos aconteceu. Obrigado! Meu destino é a catarse, um gozo jorrando sem ser tocado que os teóricos devem saber explicar.
P.S.S.: Alguém aceita de acelora?
"Gaudz,
Cá estou, me unindo aos bons bombons. Li os contos, as crônicas, as mensagens. Senti vontade imensa de narrar o estupro por mim sofrido na semana passada. Desabafo entre amigos. Mas me lembrei que eu era macho. Aliás, era não! Ainda sou. Por enquanto, não sei até quando. E na condição de sexo sensível, protejo meus culhões na redoma de
vidro do meu padrinho. Melhor assim, sem acidentes. Gaudz, apague as frases anteriores. Definitivamente, não consigo dizer a verdade. Eu ia me apresentar ao grupo (Oi, Vizinhos!), ao proprietário (Blz, Paulo!)e acabei tecendo ficção. Problema sério conseguir completar a frase: eu sou...
Posso te/lhes adiantar, Gaudério San/caros calegas, que minha mente pervetida me assunta quando chego de madrugada em casa para preencher meu particular inquérito íntimo.(O DiCla, meu ciberdiário, anda muito criterioso, ultimamente.) Copos ensebados, sujos de melados, me acompanham. Eles desistem de preencher minha mente biologicamente atrofiada. Sou daquelas, opa! Tenho daquelas capazes de justificar, sorrindo, as fissuras anais em um recém-nascido. Mas o que me tensiona mesmo é homem de barba. E/ou mulher estriada. Homens sarados. E/ou mulheres obesas. Deformidades mentais me violentando a culpa. Siliconadas travestis empunhando navalhas. Adoro me travestir nas segundas-feiras à tarde. (Que Papai não venha a saber, o que ele já sabe, mas finge não saber. Finge, mal p'ra cacete!) Deliro quando me corto, acidentalmente, com navalha. Razão pela qual só saio com mulheres que saibam dar nó em gravatas. Quase enforcamento, só com homens (mesmo os que ninguém quer. Não me importo de ser comido no chão, mesmo).
E no mais, Daniel, estou triste com minha pressa de todos os dias. Triste por só agora te conhecido o ciberdiário do seu amigo Paulo. Dane, tu já se deste conta da quantidade de escritores atraídospor ti, ou melhor, pela tua sonoridade hipertextual? A qualidade circunscrita me pergunta: Onde estaremos daqui a vinte e cinco anos, Gaudério? Da água que escorre da serra gaúcha, eu bebo. Não tem me feito bem, meu amigo, Dane. Nem me feito mal.Tem apenas me motivado a seguir, agora não mais sozinho de tão isolado, lendo ( morto diante os mundanos) e escrevendo (vivo diante os escombros) porque só a nado vamos conseguir chegar ao outro lado do rio.
P.S.: A crônica do dia (07/01, o dia da volta do meu recesso) me pareceu um amontoado de frases desconexas.Ocupado estava, ávido por atualizar o DiCla, publiquei o rascunho mesmo. E olha só o que nos aconteceu. Obrigado! Meu destino é a catarse, um gozo jorrando sem ser tocado que os teóricos devem saber explicar.
P.S.S.: Alguém aceita de acelora?
7 de jan. de 2005
Quente saliva me escorre pela coluna. Saio do carro sem me despedir de Ninguém. Voltei para lhe dizer: presentes foram rasgandos diantes de parentes. Ele é louco, ouvi não sei de quem. Esquece, Marcinho. Esquece. Entrega-me algum manuscritos até dezembro, foi sussurado por quinze minutos na nuca suada, mordida e bronzeada. Minhas costas ainda arde. Único compromisso assumido. Arder-se até quando as floreiras sorrirem. Sou cozinheiro sem canela para temperar o arroz-doce. Vou precisar de muita calda de figo para chegar até o ponto final. O saculejo do ônibus me revira os pensamentos dentro de mim. A comida será servida crua mesmo, problema de quem queimar a língua. Não se apressa o fogo que me leva de volta às cirros-nimbus. Respeito a precisão com a qual o poeta corta as estrelas, mas ao observar o céu, não vejo caminho de volta. Solfejando no escuro até o despertador me chamar. Os labirintos revestidos de políticos hábeis me convencem a vender educação. Sim, senhor. Vou buscar o óleo de amêndoa.
24 de dez. de 2004
22 de dez. de 2004

Eu sei, sim, o que eu quero! Nessas horas não sou nenhum pouco modesto, apesar da minha alma permanecer de joelhos todos as vezes que preciso cumprir as metas assumidas com Santo Antônio. Como vai demorar um pouco o PowerBook sentar no meu colo, vou me divertindo com meus lápis de cores e minhas folhas A4.
A criptografia me resguarda a privacidade, enquanto reluto a me trocar por uma máquina que me trará problemas ortográficos. Mais adiante, perdido na melodia, concluo, erroneamente, que para cada canelada, há uma bofetada estratégica. Onde estão os sonetos?
Wait a minute, pls! Deseja logo Feliz Natal e vamos embora. Para dentro do forninho quente e cheiroso que me guardo todas as noites. E depois o maninho me diz que se perde, propositadamente, no labirinto demolido. Ruínas recém escavadas com as próprias mãos. Quem?
O bruxo que me oferecia uma maçã mordida. Não há como lhe negar a verdade (única). Passei geléia de capuchinha na torrada e pedi ao pisca-pisca que fosse intermitente durante toda a noite. O caos de inveja, ciúme e cobiça combinam com o fluxo vermelho-grená que me mancha o lençol. Nem diminutivos posso falar. Mando emplastificar minha língua antes de paragrafar todo post?
Cartões em forma de pinheiro me esperam, retribuir o carinho daqueles que evito, preciso. Sim. Desvio-me dos meus amigos quando os encontro remando no lago disforme. Feliz Natal traduzido num acesso. Remos que não me alcançam. Ainda sou bom no quem me descaracteriza.
Há dias precisava escrever. Mesmo sendo assim. A caixa d'água do vizinho vinha transbordando e eu sem poder visitar a metafórica Macau globalizada. Eita! Me perdi nas minhas ruas curvilíneas. Evangélico bebendo cachaça feito uma égua. Foi o que ouvi sobre o diplomata holandês. Porquinho de ouro. Bigorna de prata. Desejar noite feliz durante os altos e baixos que, inevitavelmente, será dois mil e cinco, até porque conflitos nos prende dentro do bombom de cupuaçu. Ah! Como fui ingênuo. Bombons são deliciosos, mesmo os de supermercado. Percebe o erro?
O anonimato chique. Silogismo elegante fuçando o bom gosto do bom senso. Eu sei que foi um equívoco. As provocações me desmoralizam. Mas se o PowerBook sentar-se no meu colo, (Olaxá!) poderei colaborar com meus colegas sem me preocupar em visitar a agência publicitária. Ele me ama; eu não, tanto quanto ele. Sou materialista, ele de direita. E se eu acreditar?
Tenho medo de abrir minha caixa postal e reencontrar vários desesperados e-mails do fulanizo, narrando suas arbitrariedades. Por telefone é mais fácil evitá-lo. Ele está viajando. Ele ainda não voltou. Não sei quando ele volta. Se eu não fosse covarde, se eu curtisse algemas sem travas, largaria o produtor para virar o ano numa cama de motel a R$10,00. Não seria pelo ato, tampouco pela beleza. É pela sensação de não poder respirar seu a ajuda da boca alheia. Vou preferir contemplar o PowerBook, como se películas compusessem meu cotidiano. Malas prontas, rumo o desconhecido conhecido.
Finalmente, deixo para a leitora esperta e o leitor curioso votos de Boas Festas, extensivos aos seus familiares. Só volto a publicar com a chegada dos Reis. Desculpa partir assim sem me despedir de ninguém, muitas vezes o PC dificulta o que deveria ser sempre fácil, simples e limpo.
P.S.: Escavei-me tanto que me esqueci de dizer: Papai Noel, eu gostaria muito de encontrar um PowerBook debaixo da minha cama na manhã do dia vinte e cinco. Juro que fingirei estar dormindo quando subir pelas escadas. Não pretendo, porém, dar-te nenhuma pontinha da coberta. Esse ano eu senti muito o frio da tua ausência. Pretendo te castigar exemplarmente.
20 de dez. de 2004
Apartava-se Nise de Montano,
Em cuja alma, partindo-se, ficava,
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.
Pelas praias do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos pelas águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.
«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dizia) quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas.
Mas se em vós, ondas, mora piedade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assim me levais a causa delas.»
17 de dez. de 2004
Amor, co'a esperança já perdida,
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída.
Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto o quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E, se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te co'as lágrimas que choro.
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída.
Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto o quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E, se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te co'as lágrimas que choro.
16 de dez. de 2004
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
15 de dez. de 2004
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
14 de dez. de 2004
13 de dez. de 2004
11 de dez. de 2004

Feliz Natal?! Boas Festas?
Católico extraviado. Educaram-me assim. Saíra do processo de hibernação para comungar durante a Missa do Galo na Santa Bárbara. É que me possibilitava festejar o Natal. Meu Papai Noel conduzia a cerimônia induzindo-nos a sonhar com seus torcidos olhos azuis. Senhor bem sucedido na sua missão. Ausentava-me durante a homilia com medo da hóstia queimar minha boca.
Padre Johann vinha quebrando seus votos muito antes de haver nos encontrado na sauna japonesa. Não tenho nada a ver com seus pecados. Só queria tomar umas aulas de latim e alemão, todas as tardes depois do almoço até antes das oito. Terças e quintas, ele me ensinava; nos outros dias, eu lhe tomava a lição. "Vai, Amor, recita Safo para mim; em grego, amor, em grego." Nem imagino se ele estava me enganando ou não.
No ínterim, conversávamos sobre vice-presidência. Nunca havia me atentado para bandeirola hasteada na entrada do Palácio. Assustamo-nos com o redemoinho saído da poeira levantada pelo ônibus, ao sermos flagrados comendo peroá frito no quiosque da Concha Acústica. Gritei aos ver patos. Gesto solto de entusiasmo sincero. Opinião dele. Apelidei a bando de patos empoeirados de esquadra britânica. O Pe. sorrira sinistramente.
Transgredíamos tabus todas as vezes que lhe permitia banhar meus pés. Saliva benta, me explicava, ele. Retraía-me todinho ao ser envolvido por epístolas osculares. Das lições não assimilei nenhuma. Observo a taça derrubada aos pés da santa e não vejo nada. Formou-se uma poça de vinho tinto, presságio de traição. Ele descumpria seus votos; eu enganava o rapaz que acabara de me prometer ser meu guia pela Grande Belém.
Meu pai não se orgulharia de mim em momento algum. Mesmo assim, eis-me aqui, mi amoroso papa, embrulhando-me nas celofanes turquesa, para desejar boas festas ao seu coração exausto de arrancar espinhos de mim. Tente me recriminar, Dad! Diga-me, o senhor, quando estiverse servindo do pernil, se lhe provoquei epifania ao lhe relevar o que o Senhor mal fingia ignorar. "--Pai, foi homicídio premeditado." "--Legítima defesa. E não vamos mais falar nisso!"

Cariño,
Conheço a repulsão que te causa, a violência com que trato o vernáculo. Foi-me impossível conter a erupção de sentimentos que tua mensagem me acometeu. Os sentidos leves nos escrevem quando te vejo assim, nu ao alcance de lábios marcianos. Seus anéis acessanando tchauzinho de quem não pode mais ficar juntinho procurando fios de cabelos loiros agarrados à minhas coxas. Saturno não te merece, tampouco eu.
Conheço a repulsão que te causa, a violência com que trato o vernáculo. Foi-me impossível conter a erupção de sentimentos que tua mensagem me acometeu. Os sentidos leves nos escrevem quando te vejo assim, nu ao alcance de lábios marcianos. Seus anéis acessanando tchauzinho de quem não pode mais ficar juntinho procurando fios de cabelos loiros agarrados à minhas coxas. Saturno não te merece, tampouco eu.
10 de dez. de 2004
Dr. Alfredinho,
Desculpe-me, por haver omitido informações tão relevantes para você. Completo aniversário junto com Duque de Caxias. Nem preciso fazer festa. O foguetório é garantido. Quanto ao fato de não ter te apresentado aos meus amigos, tampouco aos meus familiares, talvez porque sou desajeitado durantes cumprimentos diplomáticos. Fico constrangido. Como ser elo, quando sou todo extremidade que a nada se une? Sabe a flecha de Eros? Aquela ponta lá, queria ser eu, caso, pudesse ser coisificado. Já que não posso (nem devo), contento-me em ser sempre o primeiro a levantar a mão quando precisam de um voluntário. Eis a razão para tanto gostar de mim, suponho. Sinta-se fortemente abraçado e afetuosamente beijado. Hoje, em especial, todos os dias sempre, por mim.
Desculpe-me, por haver omitido informações tão relevantes para você. Completo aniversário junto com Duque de Caxias. Nem preciso fazer festa. O foguetório é garantido. Quanto ao fato de não ter te apresentado aos meus amigos, tampouco aos meus familiares, talvez porque sou desajeitado durantes cumprimentos diplomáticos. Fico constrangido. Como ser elo, quando sou todo extremidade que a nada se une? Sabe a flecha de Eros? Aquela ponta lá, queria ser eu, caso, pudesse ser coisificado. Já que não posso (nem devo), contento-me em ser sempre o primeiro a levantar a mão quando precisam de um voluntário. Eis a razão para tanto gostar de mim, suponho. Sinta-se fortemente abraçado e afetuosamente beijado. Hoje, em especial, todos os dias sempre, por mim.
9 de dez. de 2004
8 de dez. de 2004
7 de dez. de 2004
É Natal! É Natal! A vitrine em chamas me convida para que eu leia os arquivos dos Oficiais promovidos. Depois! Antes, vou responder à minha querida leitora: Lena, estimada amiga, não poderia eu te enviar uns dos cadernos nos quais contabilizo a quantidade de endorfina que exala do meu cérebro quando encontro italianos na penunbra do bosque de bouganvilles? Manga verde, Lena. Manga verde, saborosa, da qual faço creme de leite enquanto não me sinto à vontade para criar ficção. Antes, deveria eu escrever ao Exmo. Sr. Homero (alguém, aí, me traduz para o grego?) e à Exma. Sra. Clarice Lispector rogando suas respectivas bênçãos. Os russos, enciumados, me castigariam, com certeza, se eu me atrevesse. E para contê-los, nem se eu solicitasse o auxílio dos franceses, quem sabe os estadunidenses (preferiria os ingleses, ou os irlandeses ). Ah! Lena, estou indo lá, correr riscos no espelho d'água que circunscreve os raios de sol que nunca me bronzearam. Na diagonal do círculo vou derramar molho rosé, preparado de véspera, para esperar pelos italianos. Que o vinho não me venha azedo novamente... Ia me esquecendo, Lena, os fatos recebem várias nuances quando saltam dos meus dedos. Realidade ou ficção, não mais me interessa, apenas a emoção de sons acidamente adocicados.
6 de dez. de 2004
Marcinho: Oba! Sexta-feira. Dia de beijar na boca.
Maninha: Você, eu não sei. Eu vou.
Marcinho: Eu preferia não ir. Atchim! Atchim!
Minha irmã fizera cara de deboche que pelo retrovisor eu pude ver. Nem me importei. Minha preocupação era o que eu iria fazer com aqueles olhos miúdos que eu ampararia mais tarde. Como vou dizer para o charmoso psicótico que eu pretendo reconsiderar uma posição?
Maninha: Você, eu não sei. Eu vou.
Marcinho: Eu preferia não ir. Atchim! Atchim!
Minha irmã fizera cara de deboche que pelo retrovisor eu pude ver. Nem me importei. Minha preocupação era o que eu iria fazer com aqueles olhos miúdos que eu ampararia mais tarde. Como vou dizer para o charmoso psicótico que eu pretendo reconsiderar uma posição?
4 de dez. de 2004
Finalmente resolvi utilizar o w.bloggar para te atualizar. Quando os pernilongos vierem nos sugar nosso sangue perdido, corro para a janela virtual. Nada nem ninguém vai impedir nossa ginástica greco-latina. Graças a ela, vivo sem a medicação. Não quero um ninho de cupim caminhando pelas minhas veias. Está mais difícil sobreviver-viver-escrever do que eu imaginava, nem sempre consigo me conectar a Fada Metáfora, que agora só através dem sonhos vem me aconselhar. O pernilongo me acorda às três da manhã para ler o que eu estou escrevendo. "É uma honra! Quem me dera tê-lo como leitor." E pensar que ainda tem a ceia de natal. Porque a mágica não mais funciona? No meu casulo, preso, eu era muito mais feliz. Por isso eu te digo, Marcinho, sempre, escolha a opção mais difícil, o mais improvável de impossível, complexa, complicada. Facilidades escondem armadilhas que dificilmente conseguiras se livrar. Não tenho a mínima estrutura emocional para ceiar ao lado daquele traficante de corações. Eles (o traficante e seus músicos) forjaram uma situação na qual me vejo obrigado a pintar uma tela monocromática. Pior do que está, impossível. Qualquer mudança será sinal de melhora, mesmo se for o inevitável encontro com a minha mãezinha querida. Ah! Gente me desculpa o tom pessimista, é que eu sou um mercenário. Se eu tivesse com um conto de réis na algibeira, um mísero puto no bolso, estaria extremamente feliz, tirando onda de bacana. Ainda tenho opções. Prostituir-me sempre se apresenta como saída, pena que o celular do delegado não esteja atendendo (talvez, ele nunca mais volte a falar comigo). Aí, então eu poderia comprovar se Paris é mesmo uma festa .
3 de dez. de 2004
2 de dez. de 2004
Sentia muita preguiça. Deixara para depois a revisão do post. Peguei-lhe pela orelha e lhe disse: corrigi-lo imediamente. A qualquer momento elas podem chegar! Então, ele tirou a caneta do bolso do paletó, me pegou a mão e escreveu a letra s do meu nome. Sem me beijar, tampouco se despedir, entrou no Cherokee e foi para casa (suponho). Torço para que ele se lembre do que me aconteceu de manhã. Peder dois posts no mesmo dia é muito azar para quem acabou de voltar de viagem.
30 de nov. de 2004
Desde muitos posts venho fazendo a vontade do leitor. Escrevo o que ele quer ler. (O quê?) (Ãnh?!) Eu particularmente há muito tempo gostaria de me desfazer do sistema de comentários. (Porquê?) Por vários motivos que de tão perniciosos (de onde me saiu essa palavra?) não consigo elaborá-los como deveria. Pois bem, meu tesouro, vivo estou em função de você. Está aí o espaço para suas contribuições ao meu umbigismo patético e calhorda. Agora não sei como continuar a publicar (será que posso ser considerado um publishman?) os trechos da intimidade sob encomenda. Isso me cheira a Big Brother, e de big eu só queria o Brother. Interação fede a pétalas pobres e podres só os importados franceses, queijos. Perenes sobrevivam, o espaço para os comentários, tão caro ao que se tornou o mundo. Minha teogonia quereria uma folha-bits planando sobre a imensidão volátil do ciberespaço até se prender a um canto da teia virtual. Desiste! Eu sou virtual. Um vir-a-ser particularíssimo. Há autoridades que a detestam. Em compensação, o Exmo. Sr. Senador gosta das minhas bits, a Exma. Sra. Embaixadora me incentiva a continuar rasgando a folha e a princesa ao ler o que eu arranco de dentro de mim, com raiz e tudo -- cúrcuma -- chora, ri, se excita, xinga, se entristesse, não entende, me liga, me escreve um longa carta me explicando que eu não deveria ficar tanto tempo sem escrever, não a resposta a doce carta, mas uma crônica no sentido crônica da vida. Pessoal. Íntimo. Particular. DiCla, condição na qual meus amigos (leitores!) possam conferir se o arroz com ovo servido no almoço estava salgado ou não. (Qual a relevância do tema, Dr.?) Precisa atuaslizá-lo (o DiCla) todos os dias, como se o telejornal estive invadido o morro? Sim! "Se for uma necessidade intrínseca de ti mesmo." (Ela sempre me tuteia com maestria). Sim, Vossa Alteza. Siiiiiiiiiiiiiiiiiim. E mais tarde, (amanhã se eu tiver tempo) volto para revisar o texto que a pressa me permite. No meu mundo (mundinho froxo) existe uma compensação para o pormenor.
25 de nov. de 2004
Arthur Schopenhauer
Lágrimas iluminam meu olhar. Então, possível verdade esperando-me empoeirada na estante laminada. Estou enamorado. Elaborei mentalmente várias hipóteses, que daqui a pouco serão testadas. Lá vou eu, ensimesmado no meu passo longo, para que minha madastra não me alcance. Me desculpem, mas não tenho tempo para mais ninguém, este (meu tempo) jaz na relva seca do postinho. Recolham as mesas, as cadeiras, as garrafas de cerveja, as primeiras encontram-se escondidas dentro do porta-mala. Cleptomaníaco. (Tem certeza que você não bebe?) Chamem os bombeiros. Há uma alma esvaindo-se de corpo que até ontem à noite, eu chamava de "meu amor". Suas espáduas me seduziram, eu rebobinaria toda fita, só para sentir seus pensamentos esfolando minhas vísceras novamente. Ele parecia um fruto seco caído do Olimpo. (Não faz mal misturar cerveja com caipirinha?) Eu não sabia de nada. Nem beijar seus olhos azuis, eu conseguia. Nem a dor, sempre dilacerante, eu suportava. Minha carne chorava. (Nossa, imagine se meus parentes souberem que eu escrevi isso? Serei motivo de chacota até o carnaval, quando todos assumimos nossas máscaras) Meu tempo agora, corpo estendido no chão. Aquele lá sou eu, meu amante de nado borboleta, e uma menina prometi lhe dar. Adoção, querido, adoção. Meu tempo acabou. Eu o matei. Nunca pensei que uma taurus pesasse tanto na consciência de alguém. Ela parecia tão cromada. Acabei com o tempo que me sustentava ao fio estreito da rua. A leveza que sinto, chamo de felicidade. Estou livre, condenado a minha liberdade -- seja lá o que isso possa vir a significar.
Lágrimas iluminam meu olhar. Então, possível verdade esperando-me empoeirada na estante laminada. Estou enamorado. Elaborei mentalmente várias hipóteses, que daqui a pouco serão testadas. Lá vou eu, ensimesmado no meu passo longo, para que minha madastra não me alcance. Me desculpem, mas não tenho tempo para mais ninguém, este (meu tempo) jaz na relva seca do postinho. Recolham as mesas, as cadeiras, as garrafas de cerveja, as primeiras encontram-se escondidas dentro do porta-mala. Cleptomaníaco. (Tem certeza que você não bebe?) Chamem os bombeiros. Há uma alma esvaindo-se de corpo que até ontem à noite, eu chamava de "meu amor". Suas espáduas me seduziram, eu rebobinaria toda fita, só para sentir seus pensamentos esfolando minhas vísceras novamente. Ele parecia um fruto seco caído do Olimpo. (Não faz mal misturar cerveja com caipirinha?) Eu não sabia de nada. Nem beijar seus olhos azuis, eu conseguia. Nem a dor, sempre dilacerante, eu suportava. Minha carne chorava. (Nossa, imagine se meus parentes souberem que eu escrevi isso? Serei motivo de chacota até o carnaval, quando todos assumimos nossas máscaras) Meu tempo agora, corpo estendido no chão. Aquele lá sou eu, meu amante de nado borboleta, e uma menina prometi lhe dar. Adoção, querido, adoção. Meu tempo acabou. Eu o matei. Nunca pensei que uma taurus pesasse tanto na consciência de alguém. Ela parecia tão cromada. Acabei com o tempo que me sustentava ao fio estreito da rua. A leveza que sinto, chamo de felicidade. Estou livre, condenado a minha liberdade -- seja lá o que isso possa vir a significar.
24 de nov. de 2004
Anteontem, acordei-me salgado. Ontem, durante a aula, senti-me doce. Hoje, ao banhar-me descobri-me azedo. Amanhã, caminharei ácido por folhas de papel sulfite. Porque não só de freadas atrasadas vivem o meu pescoço, coração. (Depois penso no que eu quis dizer. Agora tenho que sair para procurar emprego.)
22 de nov. de 2004
20 de nov. de 2004
Fraudes
* * * * *
2 uísques
Amuiraquitã
Bob Bactéria
Sabedoria da Mentira
Senso Incomum
eraOdito
Jornal do Blogueiro
Caderno Branco
Just think about
* * * * *
AMAN
Kombato
* * * * *
Oral Ancient Greek
Latim Básico
* * * * *
2 uísques
Amuiraquitã
Bob Bactéria
Sabedoria da Mentira
Senso Incomum
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Jornal do Blogueiro
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Just think about
* * * * *
AMAN
Kombato
* * * * *
Oral Ancient Greek
Latim Básico
Se fosse em outra época, teria que justificar minhas escolhas, os links, essa tarefa deixo para minha crítica literária (?). Pois é! Estamos brincando a valer e a menina de olhos azuis se dispondo a explicar nossos fluxos intermitentes. Ela se decidiu mesmo pelo curso de Letras (Habilitação Francês). Será que sua opção decorreu do meu duplo argumento? Só queria ouvir vossa sincera opinião, Alteza, antes de entregar minha crônica aos portugais. Até a minha correspondência, ela quer ter acesso. Calma! Deixa eu primeiro aprender a ter a quem escrever. Socialização em mesa de bar, no Barraco Chique, "às 14 quero te ver lá". Falando assim, o meio-irmão não se tornará meu cunhado. Quem sabe um livreiro, protegido por Apolo, mas não meu cunhado, como ele gostaria. Não me chamem para sair. Me deixem apodrecido mofar dentro do meu casulo. Metamorfoseando. Meta. Lingüística. Je t'ai adore beaucoup! (ainda sei escrever em francês??) Sim.
19 de nov. de 2004
O Astrólogo dissera: "(...) e ele chegará te atropelando." Eu até brinquei com o Mestre: "e nos braços dele morrerei, não sem antes pedir um beijo na boca." (quem manda ficar lendo Nelson Rodrigues? Depois fica aí com essas fantasias ridículas de comum). O Bruxo me repreendera com rispidez: "Mais cuidado com o que você fala. As palavras são mantras." Realmente, saudoso Joe, me dói ouvir o mecânico pronunciar "menas". Mas que saber, há uma porção de palavras nas quais tropeço: meteorologia, por exemplo. Tenho muito a aprender: não se apavorar quando estivermos a 120km/h. Será que eu poderia ser preso ao presenciar um pega? Vide o que fizeram com o Duda Mendonça. E ele, cavalheiro, me chamou para irmos embora, antes de sabermos como terminaria aquela história na qual moças e rapazes deliravam ante o êxtase de motores harmoniosos. E para ter certeza da gentileza camufladoa de real interesse, o mecânico me perguntara, quase me pedindo permissão: "Você curte Zé Ramalho?" Se eu não o apreciasse, me tornaria, a partir de então, fã crítico-analítico. "Anh-ham".
18 de nov. de 2004
O que não sou fisicamente, posso ser descrito. Desvalido de Poder, mesmo estando plantado na Alvorada, procuro Imaginação, abstrata, desconexa,dislexiana. Perco por ser um afungentador de significados. É que estou atrás de sentimentos e sentidos irrelevantes de tão adjetivos. Para mim, me basta uma Idéia-Estética. Não vejo veracidade nenhuma nos silogismos caucásicos-latinos-subsaarianos e das frases primarias que me algemam, sentirei saudade. Importante contar-lhes: sou neófito, efebo, filho de escultor (seus dedos pareciam cinzeis ao dobra as brancas pétalas de rosas ). Ao escrever, salto além da verossimilhança (único risco que me inflijo). Daqui uns minutos, por exemplo, serei uma mulher com a obrigação de dizer ao noivo: sim. Às vezes, quase sempre, a paranóia me repete, repetitivamente. Com sorte reencontro-me momentos de surtos psicóticos, com ajuda, única, de signos lingüísticos vernaculianos. Escrever tem sido meu coquetel, meu álcool, meu puro gim fumegante servido com cubos de agramaticalidade. Com isso aprendo a equilibrar as frases, pratos prestes a cair, do final do primeiro capítulo até o funeral da Dona Morte.
16 de nov. de 2004
De:"U." (...)@(...).gov.br
Data:Sun, 14 Nov 2004 19:44:20 -0200
Para:marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re: Re: Corpo desaparecido...
Estou baixando o messenger, aguarde...
Data:Sun, 14 Nov 2004 19:44:20 -0200
Para:marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re: Re: Corpo desaparecido...
Estou baixando o messenger, aguarde...
Data: Sun, 14 Nov 2004 19:23:45 -0300 (ART)
De: "marcio.silva@(...)org.br
De: "marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re:(...)
Para: "U." <(...)@(...).gov.br>
Chuchuzão,
Pardon, mon cher. Tenho estudado muito. É a faculdade, a correria no min. e a loja. Ufa! Quero férias. (ao seu lado se possível) Mas em momento nenhum deixo de pensar em você e na sua proposta, minha carta na manga. Bem que vc poderia ter o MSN do Hotmail, nesse exato momento estou on line. Se puderes, me adicione: [(...)@hotmail.com.br]. Você não sai da minha cabeça, até pelo excelente trabalha que vocês (PF) estão realizando. Parabéns! Você merece que eu (...) ( vc deve se lembrar que sou perito nisso, né?) e (...), ou melhor, (...). (...). E mesmo se não fosse. Eu faria de novo, de graça. Essa sua simpatia me domina. ainda bem que eu tenho juízo. (hehehe)
Para: "U." <(...)@(...).gov.br>
Chuchuzão,
Pardon, mon cher. Tenho estudado muito. É a faculdade, a correria no min. e a loja. Ufa! Quero férias. (ao seu lado se possível) Mas em momento nenhum deixo de pensar em você e na sua proposta, minha carta na manga. Bem que vc poderia ter o MSN do Hotmail, nesse exato momento estou on line. Se puderes, me adicione: [(...)@hotmail.com.br]. Você não sai da minha cabeça, até pelo excelente trabalha que vocês (PF) estão realizando. Parabéns! Você merece que eu (...) ( vc deve se lembrar que sou perito nisso, né?) e (...), ou melhor, (...). (...). E mesmo se não fosse. Eu faria de novo, de graça. Essa sua simpatia me domina. ainda bem que eu tenho juízo. (hehehe)
Beijos,
Chuchuzinho.
De: "U." <(...)@(...)gov.br>
Data: Sun, 14 Nov 2004 19:13:59 -0200
Para: marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Corpo desaparecido...
Oi, Chuchuzinho,
Data: Sun, 14 Nov 2004 19:13:59 -0200
Para: marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Corpo desaparecido...
Oi, Chuchuzinho,
Você nunca mais me escreveu, desapareceu... Espero que esteja amando, assim eu ficaria feliz por você... Mas é importante que também esteja sendo amado, se não eu arranco as bolas dele, certo??? Afinal para ter uma pessoa como você tem que saber ama-lo muito bem. Mande notícias. Quanto a eu, estive muito atarefado nos últimos três meses, operações e mais operações, nunca trabalhei tanto. Acho que deveria ter sido médico para fazer tantas operações...
Beijos...
Chuchuzão
13 de nov. de 2004
Ainda não entendi como será a saida daqui de casa. Chamo por Sameul: Samueeeeeel... A leitora me ligara para me alertar o erro: você escreveu Clarice com dois erres. Há! há! há! Risos de deboche como se finalmente houvesse me superado. Priminha, um dia serás muito mais do que eu. Afinal não segurei na tua mão para menos do que isso. Imagino-te: uma linda professora universitária de literatura comparada fazendo seus alunos implorarem por mais um verso, já que aquele emprego no Supremo estava muito ruim. Só para te matar de inveja: bem que eu podia me inscrever no mestrado de literatura da UnB. Escolho esta, por estar ao alcance da minha janela. Seríamos colegas. Abandono de vez essa geografia amazônica e não me irrito mais por ter planos de manejos recusados. Acho uma palhaçada desperdiçar dinheiro público contratando consultores a peso de ouro, para depois dizer que tudo se trata de decisão política. Hmmm...sinto a catinga do maldito populismo. Espero estar enganado. Anjo Samuel terminaste a seleção dos post preferidos? A oração do perdão não conhecerá sem sua presença.
12 de nov. de 2004
11 de nov. de 2004
Seria o último se ele não fosse implicante pirracento, adolescente temporão mimado e manhoso. Sim, ele era um personagem de si mesmo construído na verticalidade da sobrevivência. Ele se enfadou a si e não tinha mais a mínina idéia do que fazer com a personagem, matá-la? Solução desprovida de originalidade, como se suprimisse três quartos da vontade de sentir. Resignado continuava remando até alcançar a margem esquerda do lago. Convites da Brisa Atrevida floreciam (lembranças): alguns, declinados pelo Sol Escandaloso; outros, aceitos pelo Céu Despido; o Lago Homicida esnobava sorrisos diante da perna arranhada do rapaz (nosso herói). Ele aceitou trazer-se de volta, desde que pudesse organizar-se dentro de um esprimido, porém aconchegante, flat de onde poderia todos os dias observar o presidente fazendo sua caminhada matutina. Sentia-se mais prostituído que antes, melhor do que dormir numa parada de ônibus correndo o risco da morte.
6 de nov. de 2004
QUEM DEIXOU O PORTÃO ABERTO?
O Mal venceu! Essa rodada de cerveja é por minha conta. Vamos comemorar o meu bota fora. Cansei-me. Há meses meu peito dói comprimido. Odeio meus pais, sempre os detestei, não há nenhuma novidade nisso. Relendo o que acabo de escrever percebo as frases soltas. Não tenho condições psicológicas para corrigí-las; ou descarrego a Taurus na cabeça daquele infeliz ou me jogo na repressa do Descoberto. Fico com a segunda opção. Não quero mais causar constrangimento a ninguém. Antes que algum incauto pense que isso é uma carta suicida. Lembro-lhe: Quem vai se matar não avisa, just do it. Admito, simbolicamente, que daqui há algumas horas, estarei tomando cicuta, mas antes...
Se me perguntarem a razão -- sempre aparece um corajoso para incomodar um rotweiller enquanto este rói uma tíbia fresca -- responderei: é marketing, meu amor, apenas marketing. Isso se eu tiver de bom humor, caso contrário, emputecido direi: "PORRA, CARALHO! Vá cuidar da tua vida!" Ainda não sei qual desculpa darei para os telefonemas que não atenderei, para os e-mails que não responderei, as cartas que rasgarei, para os comentários... relaxa, estes serão em off (onde guardei meu passaporte?).
De pronto, não responderei a ninguém. Meu profile no orkut, talvez o apague, talvez o abandone. Não! Absolutamente, não! Reprovo fazer com os outros o que fizeram comigo (ui, coitadinho!). O MSN vou arrancar da máquina. Se quisserem que o instalem...(Maria, das drogas que me você oferecera, aquela me estimulara sem igual. Obrigado por me ajudar a atravessar madrugadas esfumaçantes. Nosso sexo virtual foi tão gostoso quanto ao vivo. Pena que a WebCam não tenha funcionado conforme esperávamos.
Tuga, meu brother, nosso projeto segue adiante, conte comigo sempre. Sou agora um afluente do Rio Tejo. E aos meus amigos virtuais, obrigado pela parceria, pelos comentários elogiosos, pelas dicas, sugestões e ajudas com as mudanças no template. Desculpem-me pela fúria, pela erupção. Natureza humana. Larvas a nos assuntar, cinzas a sujar o céu delator. Óbvio, não? O óbvio também deve ser escrito, ao menos essa lição em aprendi. E aprendi mais... (tudo menos chorar nessa hora) EU ODEIO MEUS PAIS. Quereria que a morte fosse um test drive, não o alívio. Com que cara eu vou olhar segunda-feira para o pessoal da faculdade. Não estou fazendo literatura, este foi meu último post. Só não pensei que doesse tanto. Eu não deveria ter conversado com meus pais sobre minha orientação sexual.
P.S.: Estava tão atordoado que me esqueci: Meu querido diário, tu foste o companheiro que jamais imaginei amar; muito obrigado não é suficiente. Teríamos que inventar uma expressão mais significativa, na falta de uma melhor, vai ela mesma: muito obrigado.
Minha vontade era de mostrar dedo à motorista do Mercerdes Classic Branco. Melhor não. Nunca se sabe quando estamos diante de uma autoridade do estado, vai que é um juíza. Preso por desacato. Mas o nº da placa eu guardei de memória. A vaca de escovinha ridícula poderá em breve ter surpresas (hehehe), assim quem sabe ela não aprende a parar na faixa de pedestre sem ficar reclamando dentro do carro.
3 de nov. de 2004
Sinto-me extremamente culpado. Prosas curtas não mais me proporcionam o prazer de outrora. "Postar" transformara-se na obrigação. "Blogar", na ditadura. Gostaria de me sentar diante do teclado para tecer um romance de um mil quinhentas e cinqüenta e sete páginas. Não sei quantos de vocês, leitores, já passaram por isso ou ainda irão passar; é como se meu Co-Orientador, me dissesse, novamente: chega de trabalho de gabinete, Márcio (em outras palavras, coleta de dados/leitura), comece o esboço da dissertação. E dissertação é sempre melhor que monografia. Se nesta, eu fazia um apanhado dos quatro anos da graduação; naquela eu exercitava o Método, ao menos essa foi a idéia que o X. me passou. Idéia que pode ser contestada (que seja!).
E antes que eu comece a discorrer sobre o outro assunto, comunico-lhes, queridas leitoras, amados leitores e DiCla fofinho do coração (ainda vou acabar levando uma balaço na testa por causa dessas efeminadas demonstrações de carinho) que a partir de hoje atualizarei, não mais diariamente, esse nosso pessoal diário íntimo. Com sol, ou com chuva; com velório, ou batizado, aos sábados estarei aqui, publicando uma prosa. NÃO! Esqueçam tudo! Desconsideram meu desatino. Blogar, minha segunda pele, tornou-me minha epiderme. Não tenho outro motivo para me levantar da cama de manhã se não for para escrever no meu íntimo diário pessoal. Eu preciso gritar no meio da multidão: IVETE! IVETE! Encher de calabresa o pão de forma que jaz sobre o tampo de mármore rosado da mesa de pé quebrado.
A CL dissera: pura repetição ou obsessão. Como se tais comportamentos não fizessem parte do seu temperamento. E o Albalat chamara-nos a atenção no sonho da madrugada passada. A Profª. M.ª Teresa Cristina também estava lá. Ele, aberto em cima da escrivaninha do escritório; ela, me ouvindo atentamente explicações sobre mimados posts datados. Após minha explanação, ela abriu a bolsa e me deu uma nota de mil dólares enrolada num cheque de duzentos reais. "Cuidado com o cheque. Não o desconta na boca do caixa." Eu já pensando no Finnegans Wake e ela me vem com essa preocupação em não deixar lastro. Dinheiro sujo lavando minha alma, saciando meu desejo oculto. Eu sei, professora! Estou acostumado a emitir notas frias.
Na livraria, na ponta dos pés, tentava pegar a tradução do prof. Schüler, localizada na prateleira que tocava o céu estreito. Cricri, impiedosa doutora em Crítica, me mostrava um revista que eu não reconhecia. "Foi você que escreveu esse texto, Márcio? "Drão, o amor da gente é como um grão"...
Acordei ao som da melodia; as crianças correndo em volta do divã. A sala infestada de gente ruidosa. Saudade. Ciúme. Parentes de cabelões lisos beijando minha bochecha barbuda. "--Calma, aí, gente, calma! Deixa-me ir ao banheiro, pelo menos (enxaguar a boca)." Gritaria geral, sufocando meus berros nervosos. Vamos, todos no banheiro, então! A dona da infeliz idéia, minha prima, muitas vezes me cobrara um post em sua homenagem. (Só escrevo porque seus esmeraldos olhos fechados me seduzem.)
E agora não me sinto mais culpado, a prosa parece um salsichão de couve, que poderia muito bem ser usado para bater NA CARA da Tatá. Isso mesmo! Interromper meu sono vespertino na terça-feira disfarçada de domingo para me dizer: sonhei com você. Foi crueldade premeditada. Minha vontade naquela hora, Tatá, era de estrangular teu pescocinho desnudo. Diga lá, meu amor, que sonho foi esse (eu puto espumando):"--Sonhei que você havia ido para S. Petersburgo aprender russo." Eu abri o maior sorrisão. Quem não abriria? "--Oh, meu Deus! Você sentiu medinho, sentiu? Se eu fosse para longe, muito longe para além de lá, todos os dias você receberia, uma e-carta minha. Longa, carinhosa, repleta de pormenores, embriagada de saudade .
Quem sabe até lhe daria o endereço do meu brogui (ela desconhece tua existência, DiCla) para você me deixar um comentário. Não! Melhor não. Talvez você não saiba distinguir a ficção da realidade. Se você passar na FAC, te prometo de presente o original do romance de mil quinhentas e cinqüenta e sete páginas. Pronto, de promessa, te fiz dívida. Um livrinho vai ter que sair, nem que eu peça ajuda aos ghost-writers do Congresso Nacional. O compromisso agora é com a nanoaudiência.
1 de nov. de 2004
Estou de volta ao lugar de onde não pude sair. Tragam-me logo o horário de verão. Nem são seis horas direito, olha só o solaço, lá fora. Foram as palavras dele; as minhas: mudo. Quando me ponho diante do improvável, me emudeço. Elogios me castram. Mas enquanto não me sento meus detendos glúteos na cadeira de amendoim ou enquanto não me dedico a desmontar o romancista irlandês, xingamentos sacanas me assustam. Onde se encontra o punhal carnudo espumando mordacidade com o qual eu feria o coração da Maria Luísa? (Dessa vez, Luísa com "esse", pois não quero mais problemas.)
O primo me perguntando quem é o DiCla, quem é o DiCla, esbouçando um sorriso cínico de quem já resolvera três ou quatro abortos bem pagos (médico-legista comungando sua própria ética). Ouço-me Dionísio dizer que estou/estive/sempre estarei impossibilitado de escrever para mim mesmo. De mim para eu mesmo, falando sobre mim mesmo. Não pode, Marcinho. Não posso, DiCla. Sempre aparece a terceira pessoa de ninguém, de alguém, de aquele lá acolá. Ele me diz [o primo] que minha prosa soa filosófica. Eu lhe respondo: "--você não sabe o que é Filosofia." Peço-lhe dois segundos, olho para esquerda, oops!, direita.
O agente da ABIN (hoje tão em moda) dissera, segurando-me pelo pescoço: "PORRA! Fala direito: gloggle, gloggle..." Coitado do Sr. Investigador (bem que ele podia entrar para família), ele não sabe que para cada vírgula, cada erro, cada palavra queimada, eu tenho uma justificativa pronta (desculpas, mera desculpas): "--Nunca nenhum amigo meu reclamou dessa minha dislexia." --respondi-lhe, sem encará-lo. Ele puxou o revólver, eu lhe mostrei dedo. Ele saiu com raiva. Eu? Todo meu desejo suprimido. Se ele estudasse, realmente, Psicologia da Aprendizagem, ao invés de manipular fotos, contestaria com veemência a abobagem que eu havia lhe dito. Ainda sim, eu teria uma resposta. Pronta. Feita. Engatilhada. Esta é minha arte de viver.
E um churras sob a pia fechará nosso feriado mucho. Aliás essa é minha nova paixão: "churras". Palavravinha deliciosa que não me atrevo a empregar. Signo saboroso encontrado, por acaso, entre os louquinhos do iogurt Orkut Yakult. Ela chega a ser mais linda do que "la compu", computador para los porteños. E mesmo sem poder sair de frente do computador, de trás do balcão da loja, de dentro do meu quarto(?) dou um jeito de sentir prazer imediato: clímax substituidor de medicação importada.
Os laboratórios estadunidenses desaprovam. A Dr. Durex me responde diante da minha alegria antecipada: "--eu vou ter que tomar remédio, Dra? Não! Você não precisará tomar remédio (por enquanto)."
Ela foge do meu olhar, com medo das minhas perguntas. Queria ver meu prontuário; fazer algumas anotações; perguntar por pelo Dr. Psiquiatra alemão: "--Outro no seu lugar sairia dando tiro por aí." Ele queria reconstruir minha auto-estima, abalada pela jubilamento iminente. Agora ficou bem mais fácil concluir a graduação. Que o diga o agente da ABIN, volta e meia, me solicita uma resenha, sobre temas que me reviram as tripas secas de cristais. O que não faço por R$1,00 e uns murrinhos na altura dos rins de troco. Assim, me obrigo a escrever aristotelicamente, assim contemplo belos olhos azuis me mandando calar a boca. Vou trocá-lo pelo holandês, quem sabe não consigo aprender a pronúncia de "pretty". Só volto semana que vem e dessa vez não me alimentarei de scrapsbooks. Estou cansado de pequenos orgasmos. Quero-los múltiplos, prolongados, esfoliantes, mil páginas rascunhadas. Não serei capaz de consumá-los, percepção irrelevante. Diagnósticos também se equivocam.
25 de out. de 2004
As poucos vou-me revelando o filme da minha alma. A camuflagem não me serve mais. Nunca serviu. Estou entrando de recesso, DiCla. Seja educado com quem possa vir a te visitar. Preciso dormir, assim te manterei acordado. Segunda-feira, 1º de novembro, retorno. Não se apavore. Estarei pelas cercanias. Que mês longo foi esse outubro, encerrado esteja.
23 de out. de 2004
22 de out. de 2004
A Descoberta do Mundo passa antes pela curva dos olhos azuis puros galáxios. Eles me perseguiam, me filmavam, me observavam atentamente. Kate, importada porcelana para me fazer duvidar das minhas verdades. Mulher, angorá, jaguatirica, leoparda, suçuarana, Lince (canadense?), onça de unhas pintadas de rosa claro, leoa, tigresa siberiana (tomarei aulas do seu russo imergido em tonéis de vodca) . Ela com olhar fixo, compenetrado nos meus movimentos. Meu plug parcialmente solto. Olhava mesmo, desavergonhadamente, como se fosse deleite de efebo o marulho dos rastos de condensação que eu desferia na boca do caçador de nuvens.
Levantai-me bem vagabundo, perfumado à salsa, em direção a gatinha-tigresa. Procurei seus lábios para lhe mostrar o que eu acabara de aprender. Cumuloninbos estralando pela minha laringe fora sua resposta ao meu atrevimento. Ensinar o quê? Sou todo aprendizagem, aprendiz à margem.
Acorda do sonho leitor! Não estou aqui para fazer ninguém viagar na imaginação libidinosa do iniciante. Quero-me todo metaliteratura. Sou entusiasta apaixonado pelo pêlos que vão além (meta), além da meta. Transpassar. Projéteis a atravessar corpos de rígida moral. Transpor. Frases a nos enviar ao complemento do sentido. Não me pergunte, leitor, de onde me veio esse quadro (?). Simplesmente, abro o editor e me ponho a digitar aleatoriamente sem me permiter a resposta das minhas sinapses. Cansei-me ! Volto mais tarde, para corrigir os erros (invisíveis enquanto escrevo). Aproveito o intervalo cheio de vazios para... Pára de para, Pará! Para arrebentar a cara do idiota que fica lendo enquando escrevo. Se ele não recebeu educação em casa, irá recebê-la aqui na loja. Não passei meses me torturando numa sala de enferrujados aparelhos à toa. Aos poucos, passo a adotar o argumento da força, também.
21 de out. de 2004
Incrivelmente particular. Os telescópios cercando a natureza dos telefones desamarrados. Priminho, você não passa de um personagem criado por mim. Obrigado por dissecar meu temperamento. Time over?! Uma hora não será suficiente para largar os acidentados acentos acenos pelo ciberespaço. Envio sinais na esperança que Nova Iorque me responda. By the way, planos compartilhados hipertextualmente:
Passarei o Natal em Salamanca,
o Réveillon em Copacabana
e o Carnaval em Salvador.
--Sonha, Marcelino desmarcionado, as estrelas são apenas três. Quem sabe se amordaçares tua moral, e passar a freqüentar a sauna do Oswaldo, ou a do Setor Comercial Sul mesmo , ou ainda aquela da W 3, inaugurada recentemente; quem sabe tuas pretensões não se realizem? Por enquanto, te aguardo na Esplanada. Possivelmente. Eu, nos bastidores; tu, levando respingo de champagne.
19 de out. de 2004
DiCla,
Venha! Festa de aniversário na qual somos nós os presenteados. Acabo de escolher os meus: Mollmann´s Song: Presente para um Futuro Passado
Venha! Festa de aniversário na qual somos nós os presenteados. Acabo de escolher os meus: Mollmann´s Song: Presente para um Futuro Passado
18 de out. de 2004
Nunca vi tanta gente bonita reunida, num lugar só. Meu Deus, havia sido eu mesmo o promoter daquela festa. Com certeza, não. Tive ajuda dos Anjos. Nossa, que arrepio! Anjos, desculpa o texto improvisado, é o que minha cabeça permite escrever. Além de beijar muito bem, teu beijo sacia qualquer paladar refinado. Tchau, Coração, tenho que pegar a estrada. Estrada, não! Céu. E lá se foi o Anjos rasgando nuvens indolores, mas antes dele embarcar, me beijou demoradamente. Meus convidados fingiram estarem acostumados com demostrações espontâneas de afeto e carinho e consideração. Eu, para consertar o possível constrangimento de alguns conservadores, tentei contar-lhes que na Itália, no sul da Grécia e em algumas partes da Espanha, homens se beijam em público. Não sei se costuma ser melado como aquele fora, mas que se beijam, se beijam. Não consegui contar-lhes, o que eu havia mostrado em lá sustenido fá maior. E o fulaninho prometera me empalar, se eu faltasse a inauguração do Tático. Será que o Anjo viria me resgatar, se aquele lá, me mandar novamente "falar sujo". Quero correr o risco, mesmo sabendo que se trata de uma fantasia.
16 de out. de 2004
A menina de olhos verdes, lamenta por me ver trabalhando aos sábados. O Iate Clube seria nosso destino, se eu conseguisse abrir as algemas que me prendem ao gazebo forrado de petúnias vinho. Esse outono, mês de estréia da Orquestra Sinfônica das Cigarras Esplanadas, me empalidece, me torce, me afoga.
Entretanto, consigo encontrar felicidade às margens do lago. Antecipo alegrias. Descubro que monólogos são válidos; que ridículas cartas de amor saciam minha volúpia; que o Quebra-Nozes, vulgo soco-nos-rins-de-filho-de-coronel-que-puxa-pistola22-para-mim, se entumece ao ouvir minha voz gravada na secretária eletrônica do seu celular. Soltos polissílabos dissonantes: ensimesmado, historicidade, desterritorializado, cataclisma, anacrônico etc.
A menina dos úmidos olhos verdes valentes, que me perdoe; sinto diálogos verdejando debaixo das minhas unhas comidas. Eles se emudecem com receio de serem chamados de advogadinho. Foi assim que o soldado me chamou após lhe explicar que seu apreço pelas palavras tinha triplo sentido duplo. Expliquei-lhe também que ele deveria ler poesias. "--Não posso. O conteúdo programático do CFO é muito extenso." E para consolidar minha fama de advogado (?) argumentei: "--Ora! Redação deixou de ser eliminatório?"
Enquanto, ele pensava na réplica, enchi seu copo, cuidadosamente, para não formar colorinho. Não sei servir, no resto da garrafa havia só espuma. Ele a tomou das minhas mãos e a balançou para o garçon. Este sim, excelente profissional.
15 de out. de 2004
O polidor de cristais retornou numa nova canoa desprovida de furos tortos. Daqui em diante, nova gerência se impostará acima das vozes desafinadas. Meu quebra-nozes tritura castanhas de avelãs importadas da Noruega sem saias.
Nossa! Já é Natal? Sim. Aqui, todos os dias se deseja feliz Natal. Excelente estadia desejo à contralto imberbe. O sorvete derretido não manchará vossos lábios carmins, alteza, sem antes mordiscar minha verde glande amarelada.
Sobre o que você está falando? -- me perguntaria ela se pudesse gemer. Nem imagino, Princesa Natália, nem imagino. O professor nos pediu que escrevêssemos um texto provido de sentido e cor e perfume e sabor.
Há! Há! Há! Não vejo sentido nas meladas camisinhas jogadas debaixo da cama, como se aquilo lá, fosse uma privada particular exclusiva. (Ah! Me esqueci. O texto deve ser elegante. Aquela frase deverá ser suprimida no momento da revisão do estilo.)
Levanto o dedo educadamente: Professor tenho uma (várias) dúvida.
"--Pois, não."--responde-me ele.
Por telepatia lhe envio mensagem clarividente, e meus pensamentos se colam anexo ao resto do sabor do etanol arrepiado. Eles se prendem também à linha que se solta da descosturada bainha da saia da sua alteza. Linha. Fiasco, que me lembra (gostaria de esquecer) o pêlo loiro esquecido na minha cafajeste barba perfumada por lírios salmão.
As vadias me convencem a tomar achocolatado sem gelo. Sushi sem shoyu. Café da manhã servido nu sob o sol castanho de outubro. Corpos besuntados de protetores solares com prazo de validade vencida servindo fatias de salgados melões docimente perfumados.
"-- Vossa Senhoria, mudou novamente de assunto" -- geme sua alteza.
"--De forma alguma, querida Natasha, estou apenas catando os cacos que observaram nosso crime iluminado. Não quero testemunhas.
13 de out. de 2004
TRÉPLICAS SOTEROPOLITANAS: RAZÕES PARA MUDAR DE SOBRENOME
Simplesmente insurpotável! Preciso permanecer deitado até que minha cabeça pare de se expandir e se contrair. Deveria ter recusado aquela dose de gim. Destilado com fermentado, definitivamante, não se misturam no meu sangue. Mas fui querer fazer bonito, agora estou aqui: matando aula, vomitando água de coco, espremendo meu cérebro para te atualizar, DiCla. Na verdade, queria nunca mais ter que escrever, ou queria que não fosse uma obrigação inadiável. Ai! Vou arrancar minha cabeça. Auto-decapitação. Não! Quero um harakiri pós-moderno. Ligue tua webcam. Espera aí, antes que eu me rasgue com uma faca de pão suja de manteiga, rasgo tuas falsas páginas pessoais, Diário Clandestino, que mais me complicam do me que relevam.
--Ora, ora! Agora sou culpado pelos excessos e fracassos de um diarista proxeneta. Chega para lá, Azimute codificado. Deixe coberta para mim. Vá se deitar no sofá. E só voltes quando fores capaz de "descrever um estábulo visto por um homem que acabara de perder o filho na guerra." Sem referir ao filho, nem guerra, tampouco à morte e muito menos fale do homem. Aproveite para aprender a escrever. Estude o vernáculo. Te fará bem. Jamais volte a me ameaçar com mordidas fanhosas, até porque tua especialidade, é mordiscar, não morder. Já me basta o ostracismo causado pela concavidade do teu convexo. Já me basta teu desafinado bafo de gim falsificado (teu sensível paladar, nem para isso serve mais). Minhas páginas, mesmo as mais displicentemente escritas, não te pertencem; nunca te pertenceram. Quem lhas sussurraram, lhe chamam de ingrato. Eu lhe chamo de burro. Burro, não! Idiota. Relaxe, meu diarista querido, tua doença tem nome, só não tem tratamento. E não há mais o que lamentar.
--Tenho direito a réplica, DiCla?
--Claro! Somos democrático, Baby!
--Então, gostaria de esclarecer que o fato de eu ter ido buscar as meninas não prova que eu seja proxeneta. Nunca aliciei ninguém, nem passou pela minha cabeça a turva idéia. Quando que eu ia imaginar que elas eram do frevo? Quanto ao resto, o resto que sobrar, vou rasgar sim. Rasgar, apagar, se me vier o bom humor, revisar. Olha, só diário. Acabou saindo nosso falso epitáfio. É a dor debaixo das unhas dos pés, casqueadas e esmaltadas, traduzida. (Pretensioso!) Peço-te paciência, DiCla. Tu sabes o quanto sou um tanto quanto mau-humorado. No mais, a orgia ainda me comprime o crânio. Culpa. Muita culpa por ter me excedido no gim.
8 de out. de 2004
6 de out. de 2004
4 de out. de 2004
2 de out. de 2004
O amigo estadunidense lhe pedira que lhe enviasse qualquer texto registrado por ela. Ele, por certo, queria avaliar suas lingüísticas habilidades artísticas, suponho. E se a poetisa lhe dissesse, logo que não as possui; que eles (seus textos) apenas se encontram num borbulhante processo de incubação. Deixou que ele chegasse as suas próprias conclusões. Paratextualidade mais atrapalha que ajuda. Se o empressário, realmente, viesse a ler seus textos, ela poderia se considerar uma privilegiada. O ritual, finalmente, se iniciara. E se ele pedisse outros mais, bastasse escolher algum soneto escondido na memória do computador. Nesse caso específico, era impossível voltar atrás.
1 de out. de 2004
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