9 de abr. de 2005

Recebi, na madrugada de hoje, uma prova irrefutável que ele me ama. Uma lágrima caiu inocuamente no teclado testemunhando nossa paixão. Precisava dizer-lhe o quanto me sentia protegido pelo seu ato. Não tive tempo. Fora isto, comi arroz com ovo no almoço, debaixo do mesmo abacateiro de sempre. Este já nem mais me expulsa à bacatadas. Parece que se afeiçoou a mim. Pudera. Meus olhos escuros castanhos, inchados de apanhar, entregam facilmente, minhas contradições congênitas. Olha a sintaxe estralando minha quinta vértebra. A árvore se deleita... Fui à biblioteca e estudei o quanto minhas pálpebras permitiram, versificação clássica. (Portanto, ...) Um dia quem sabe não aprendo a me dirigir a tratores com polidez?
A caminho do estacionamento, decepcionado com o ipê branco de tão florido, rasguei uma fresta na parede de páginas de livro que concluía seus trabalhos. Amanhã é segunda-feira, surpreendi-me ao olhar para o relógio; nem conto mais com o domingo -- mesmo morno, chuvoso e televisivo, assustei-me. E aquela sensação de me automutilar agitou uma folha de pata-de-vaca interrompendo meu cemitério íntimo. E a vontade sobrepujou-me: sacar toda a poupança e voltar ao inferno: degustar café descafeinado, tomar cerveja sem álcool, fazer suco de tomate-caqui. De jeito nenhum. A bacia vermelha cheia de camisas de linho branco de molho me espera para jantar. Antes que eu me vá, publica, virtual e anonimamente declaro: Gaúcho, eu te amo. Nunca imaginei dizer isto a um homem que não fosse pai. Continuemos com o treinamento, se permite, com uma única mudança: não.

8 de abr. de 2005

(...) Gostaria, também, que minhas anotações pessoais fossem queimadas.

7 de abr. de 2005

Tenho que linkar meus visitantes.
Responder os comments
Estudar para o seminário.
Porra! Desde semana passada, acordo assustado por causa dessa apresentação.
Vou comer alguma coisa e dormir.
O professor vai reconhecer meu empenho.
Radicalmente comprometido.
Não vejo de outra forma
Não há opção.
Aliás, o aluno ouvinte, vai escolher bacharelado em Jornalismo ou Letras e Literatura Brasileira?
Enquete encerrada.
-- (...) vou te dar uma pirocada servida!
--Com quem você acha que está falando?
--Não embassa, não! Vem logo. Puta, eu trato assim. Vem dizer que não você gosta?
--Esquece! Você está muito alterado hoje.
--A gente estaciona lá atrás do estande.
--Amanhã te ligo.
--Se não vier, não precisa ligar mais, não!
--Não posso sair à noite.
--Mando uma viatura te buscar.
--Aqui no meu bloco? Enlouqueceu!
--Quer ou não quer?
--Adoraria, mas não assim.

Ela pegou um táxi e foi. Antes, parou no McDonald's para comprar um Big Mac para viagem. Ela dorme atravessada no sofá. Parece exausta, talvez culpada. Chegou aqui em casa chorando e sagrando. Não entrou em detalhes. Receio pela vida dela. Eu conheço a figura. Tenho vontade de ligar no celular dele para lhe dar os parabéns.

6 de abr. de 2005

Blogando de um telecentro, a quinhentos metros do Memorial Juscelino Kubitschek. Qual a vantagem? Nenhuma. Apenas o fato do ar condicionado estar ressecando o buquê de goivos azuis, que para mim sempre será lilás. Jamais haverá apreensão desaprendida da ansiedade de se esperar por um quem-sabe-amante com quem acabo de trocar fotos pelo messenger (duas horas atrás). Nick: Barica. Apelido desde quando servia nos Dragões da Independência. Só a simbologia valeria o esforço da mentira e o risco da perda do resto filete...
Eita, caralho! Um rapaz de cabeça raspada acaba de descer as escadas e entrar na sala. Ele aperta a boina, como se fosse um tique nervoso adquirido. Tenso, parece procurar por alguém. Escondo o livro no meu colo sem me denunciar. Ele não me mentiu quando disse que praticava artes marciais. Tem porte. Duvido que seja mesmo judô. Ele não me dissera que era fumante. Há! Há! Há! Omitiu com receio que eu o rejeitasse, talvez. Por quantos minutos ele poderá me esperar?
O tesão o deixou cego. Nem se eu acenar para ele, será capaz de me perceber. Seu celular toca, ele examina quem era e o desliga. Ele realmente está disposto a sofrer. Se tivesse a paisano, eu me entregaria. Foi até a portado amplo hall de altíssimo pé direito. Está olhando no relógio. Acendeu outro cigarro. Já é o quinto. Não vai ceder. Olha lá para fora, para ver se alguém parecido comigo vem chegando. Será que não passa pela sua cabeça de couve-flor... Ele descansa a mão sobre o revólver guardado no coldre do colete à prova de balas. Não gosto dessa parafernália toda, me parece que espera pelo pior. Parece que quer intimidar.
Pegou o celular e está ligando para alguém. Deve ser para mim, suponho. Celular fora da área de serviço ou desligado, após o sinal... Ele está gravando uma mensagem! Precisa andar enquanto fala no (?) telefone? Meu leãozinho acuado, porque raspar essa juba?
Fim do jogo, as flores estão sentido. Não há porquê deixá-lo agoniado por mais alguns minutos. Bem que ele merece, por ser coorporativista. Não há justificativas para ações de grupos de extermínios.
OFF TOPIC (Réplica): Nunca sabemos aonde o afluente deságua

Nem vou explicar-lhe. Este diário que nos guarda, trata-se da mais pura ficção aplicada à exponencial inversa da hipotenusa quadrática (perdoa-me , não pude evitar esta digressão). Esqueceu-se que não faço uso de psicotrópicos? Não bebo. Apenas omito. De acontecimento, no post anterior, só as "bolas" que tive que entregar na Polícia Federal (Ah! o meu domingo de descanço...). Eu precisava de um contexto para encaixar o fato que lá estive. E por pouco não fui preso por desacato a autoridade. Sou humilde o suficiente para reconhecer que a autoridade ali era eu. (Nossa! Deixa de pedantismo!) Tive vontade amarga de mandar duas dúzias de filhas-da-puta tomarem naquele lugar cheiroso... Ainda bem, que aonde vou, levo minhas luvas. Tem neguinho me odiando por eu ser tão hábil espadachim.
Chegamos no bar por volta das 21h. E se, o Estica não tivesse reservado nossa mesa (para quê essa frescura, filho?) teríamos que beber no conforto da casa da Vasconcelos. O que não seria má idéia (por mesmo eu ficaria). Estava e estou cansado desde a semana passada. Ainda em conseqüência do domingo no qual permanecemos o dia todo na Superintendência da Polícia Federal pendurando "bolas". Tomar sereno, gelado e tapinha nas costas não é para mim. Principalmente, quando há trilhões de pessoas que eu nunca vi antes me chamando pelo apelido. Sem gelo, por favor!

5 de abr. de 2005

Se eu fosse viver da prostituição, morreria de fome. Resmungou ao ver o Audi passando sem percebê-lo parado num ponto estrategicamente iluminado. Sentiu muita raiva daquelas sujeitos que não se importavam em gastar combustível à toa. Não entendia a lógica do jogo. Até que viu, à distância de dois postes de luz, quatro policiais militares abordando um rapaz. O luar não lhe permitia se esconder. Encolheu-se dentro de si, esperando a abordagem padrão. Ao ser perguntado o que fazia ali, disse-lhes a verdade. O polícia com a lanterna ofuscando-lhe a visão, mandou-lhe deitar-se no chão. Nunca pensara em cometer um atentado violento ao pudor.

4 de abr. de 2005

Vamos construir lingüinças debaixo dos portões verdes que selam nossa saudade austríaca? O ligustro a caminhar pela coluna vertebral, ora mármore rosado, ora marshmellow insonso, vértebras da zebra negra. Me chamam de Lua, antes do meio-dia; durante invernos homicidas, de Sol. A luz por mim emitida faz a plantinha me revirar em codinomes indecifráveis e ainda assim gosto de assinar seus comprovantes de cartão de crédito (desenho rúbricas à base d´água para que ele , o ligustro, aceite meu convite). Nada nos convence a digerir corações servidos em falsas baixelas de prata. Vou refletir sobre o verde, enquanto me desapareço na azul fumaça levantada pela plantinha, enquanto não me telefonam para me dizerem: até que enfim. Estou em stand by, nem por isso vou esfregar os kimonos pingando a suor. Vou a biblioteca mais tarde trocar nossas passagens aéreas. E para o jantar, vou, sim, servir-lhes rodelinhas de lingüinça de carne marreco ao molho de pétalas de rosas chá. Quem não quiser, que não (nos) coma!
Caso toquem no assunto, conto-lhes a verdade: Sou aquele filho que havia sido abandonado na porta do Convento das Irmãs Mercedárias. Todos, eu disse todos, sabiam da minha existência, mas lembrar do dia que eu nasci, seria tabu, sendo eu, filho da estelionatária foragida, cafetina na maior parte do tempo, e do alcólatra sifilítico, prostituto de boa estirpe (nada mais almodovariano). Isso que é ser um pouco gay. Tem dias que dá pra tirar uma onda, outros não. Não se surpreenda, portanto, querido diário, ao ser acordado com o telefonema de que blogueiro esfaqueia filho de deputado, supostamente amantes, em frente ao STF. Pais condoídos se perguntam: Como não houve testemunhas, numa área de policiamento ostensivo?

2 de abr. de 2005

OFF TOPIC (Obituário): Evangelho Segundo São Judas
O Papa faleceu, disse ao meu vizinho que ansioso pelo estado de saúde do Sumo Pontífice me pedira notícias. As palavras do meu querido colega não as reproduzirei, em respeito a crença alheia. Pedi, com tato, que guardasse sua opinião consigo.
Os novos links, Dicla? Semana quem vem. Meus dedos estão cansados de fazer marketing pessoal. Acabo de colher frutos carnudos de tão doces. Servi-lo-eis semana próxima, se a tempestade se recolher.
Era 1º de Abril! Minha mamãe não é de morte; mais algumas garrafas de pinga, ela chega lá.
Continuo puto! Mas se estou aqui conseguindo digitar, é porque já se amenizou a fervura nos meus intestinos. Na aflição, na agonia, nada melhor que o atrito da esferográfica vermelha na folha A4. Pode parecer neurose, mas só consigo escrever em folhas sem pautas. Linhas retas distraem minha criatividade. Parece que quero chegar a algum lugar, mas desconfio: não serei bem recebibo. Por isso, as curvas; movimento curvilíneo originando uma espiral. Fractal. Rima, para mostrar a tentativa frustrada de se compor um único verso. Rimo para me esquecer que foi primeiro de abril. Quem sabe agora me animo a digitar as oito páginas escritas, na sofreguidão, ontem à noite. O Guilherme merece, minha irmã também. Um fato tolo, relevante no todo.
OFF TOPIC (TELEVISÃO): Ainda sobre o BBB 05
Uma pessoa muito querida: "-- (...). Ele foi sincero em dizer que era gay."
Eu, engasgado com o suco de bacuri (!): "-- Sincero, porque lhe convinha ser..."
Achar que o professor deveria ganhar, não significa que se estava torcendo por ele. Algumas benesses lhe concedo, assim pensam eles. Desde que, aquele cumpra seu papel social. Vai que aproveito a ocasião e digo claramente: "-- E se fosse eu, no lugar dele, expondo claramente minha orientação sexual?" Papai continuaria a me receber em sua casa? Jamais! Ouço piadinhas, das 7h10 da manhã até por volta das 23h e apesar do constrangimento, da violência psicológica, moral e física, tudo não passa de uma gostosa e divertida brincadeirinha. Acontece que, se até Desembargador toma uma resposta mordaz minha, daquelas que não se pode fazer nada, a não ser degustá-la, se for perspicaz o suficiente (Oh, Senhor! Por onde passo arrumo inimizades.) o que dirá aqueles que ascendem a luz do meu quarto procurando roupa para dormir? Eu risco com canivete a porta do carro e volto a dormir em paz.

1 de abr. de 2005

Minha queridíssima madrasta, meia hora atrás.

-- Fofinho (de quem, nem imagino) vai ter uma jantarzinho aqui em casa, conto com a sua presença!
-- Mãe?! Bença! (sic)
-- Deus te abençõe.
-- O convite se estende a um amigo? (Disse só para provocar/irritar, já que ele está no Rio --conforme havia-lhes informado.)
-- Claro! Traz ele, preciso conhecer esses seus amigos... (risos)
-- Mas, mãe... hoje, é sexta-feira... sou solteiro...
-- Seu cachorrão! (gargalhadas) Sendo filho de quem você é, não me admiro. Juízo, heim? Não quero fazer reconhecimento de corpo no IML (ela ficou traumatizada); nem ficar levando cigarro para você na cadeia.
-- Sai! (Ela ficava bem humorada, quando abusava do álcool. Podia ter sido sempre assim.)
-- Se você resolver, venha com aquele seu terno azul marinho. Você fica lindo de terno. Já pensou, trabalhar de terno.
-- Deixa comigo; ainda te faço uma surpresa. (Quando ela estava bêbada e carente, eu a tratava com mais carinho -- porque havia uma deixa.)
-- Beijos e te cuida!
-- Bença (sic), mãe.
-- Deus te abençõe, meu querido.
Budapest é logo ali, Luís.

31 de mar. de 2005


O púrpura me lembra hematomas, portanto não esperes meu perdão, caso, tu estejas me visitando e lendo nossos absudos desatinos. Quanto a melancolia de dias atrás, dê descarga. Vou apareciar a cena no qual todos se despedem sem dizer até logo. Até logo! Posted by Hello

30 de mar. de 2005

Folhas escarnecidas azuis correndo pela sala de estar. Meu amante de volta oferecendo-me rosas vermelhas muchas, sem espinhos, roubadas do Jardim de Infância, aqui em frente. Estava sonhando. (Agora, estimado leitor, tu terás como me localizar. A janela estará entreaberta. Tome cuidado com a cerca viva de coroa de Cristo, ok?) Queria me tocar, mas não consigo. As pilhas pulam longe e o desejo se projeta cada vez que o telefone toca. Pode ser ele, pode ser ele, é ele, o Centauro: Onde você estava? Te liguei a tarde toda! Saiu sozinho ou acompanhado? Diante da insistência em não acreditar nas largatixas presas no assoalho vespertido do alto do pé direito, explico-lhe que a fila estava grande no veterinário. Nossa menina?! Como está nossa filhinha? Está bem, Amor, não foi nada. Apenas, saudade do papai. E você, meu churrasquinho de gato? Eu não! Ainda não me recuperei do atentado violento ao pudor. Estou despudoradamente revirado do avesso. (Nem se eu quisesse, e como eu gostaria, eu poderia traí-lo) Quando eu chegar, quero ser compensado pelo sofrimento que você me impõem. Olha, lá heim? Se eu sentir o cheiro de outro homem em você, eu te enforco e te enterro nesse lote vazio, aí do lado. Ignorei a bravata e me repugnei imaginado o me cheirando desavergonhadamente. Minha vontade de desligar o telefone veio forte. A energia acabou.
OFF TOPIC (POLÍTICA): Enfim, eles foram embora (?)
Ouço, em Fá menor, a criança gritando: "Fora Efe-mi-i! Fora Efe-mi-i!" Não que houvesse influência da família. Meus pais estavam mais preocupados com o preço do diesel. Meus professores, sim, eles foram meus preferidos (Como?). Minha primeira lição na escola foi aprender a protestar contra a falta de merenda. Poderia se dizer que estávamos sendo manipulados, sim, mas presenciar a Tia Margarida discutindo com a mulher de cabelos de biloca, foi dos maiores aprendizados em toda minha vida (Que exagero!). Participar da primeira greve foi um algo natural, ou melhor, social. Claro que minha madrasta e meu pai nem imaginavam ... Eles acreditavam nas minhas mentiras, ou fingia acreditar -- era mais conveniente. De fato eu gostava de ficar na biblioteca (muitas vezes sozinho) recortando revistas, colando gravuras, criando imagens de brancas espumas de sabonete. Passava tardes inteiras, respirando a poeira das pratileiras, quietinho, absorto num mundo de regras plausíveis. Mas eu gostava mesmo era da folia, de me imaginar discursando para centenas de milhares de pessoas em rede nacional de rádio e televisão. Sim! Eu queria mesmo era ser Presidente da República... Até eu me olhar no espelho, e perceber que Maria Helena nunca me beijaria. Não porque eu fosse feio, mas porque eu era macaco extraordinariamente desgalhado.

29 de mar. de 2005

Há melancolia demais escondida dentro da caixa de descarga.

27 de mar. de 2005

Sandro está em Nova Iorque; Regina em Vancouver; Graça em Brighton; Bel em Paris e Marisinha em Montpellier; Dudy e Neuza, em Turim; Fernanda em Amsterdã; Ana Cristina em Barcelona e não os invejo de jeito nenhum. Cada carta que me chega, desmistifica nosso sonho de estudar no exterior. Todos desistiram do doutoramento. E quando me perguntam como estou, o que ando aprontando, tenho que mentir: "estou estudando."
Eu renunciei minhas metas. Eles nem imaginam que estou preso e até o final do ano, provavelmente, estarei sendo transferido para uma penitenciária de segurança máxima. (Que isso, Márcio! Que exagero!) Poderia contar-llhes sobre meu diário virtual. Assim, diariamente (?), teriam notícias minhas... Seria cometer o mesmo erro em menos de seis meses. Teria que explicar metáfora por metáfora e o Skype ainda não é tudo isso que dizem por aí. Curvo-me diante os caprichos do destino. Resignação.
Ele, o Centauro, havia me alertado para o ciúme que sentia. Não imaginei que fosse brutal. Olhei para o Montanha, surpreso -- não admirado. Nunca imaginei que ele tivesse tantas tatuagens espalhadas pelo tórax. Nunca imaginei que minha coxa podia ser menor que um bíceps. Estou perplexo até agora. Encabuladíssimo! Aquilo lá não pode ser de verdade. As veias paressem gritar socorro. O copo se espatifando no chão, a faca em riste, o empurrão e eu sendo sacudido como se fosse um tapete. Troquei um delegado homicida, por um comandante paranóico.
Acho que eles continuam jogando canastra. Ninguém veio investigar por estou demorando com as cervejas. Vou descer e cumprir minha obrigação de anfitrião, indiferente ao marrento e as piadinhas do Montanha. E amanhã mesmo vou destrancar minha matrícula na Aliança. Afinal, não foi por isso que eu me sujeitei ao Centauro? E quando estivermos brigando por uma posição mais confortável, vou lembra-lhe que ele me prometera não gritar comigo... O filho-da-mãe ainda vem me beijar: "Feliz Páscoa, Amor!" Vá para o inferno!

26 de mar. de 2005

A imaginação me guia e me persegue. Tenho medo da Fome me roer os ossos.
Faixa-preta me servindo de lençol. Fios corrosivos escorrendo pela janela do quarto. São 3h17. A chave na ingnição mostra-lhe que estamos na curva do atraso. Morangos azuis nos servem de assento para aguçar o tato. Dedos percorrem-lhe os lábios. E mesmo ressentido, ele aceita as desculpa de sal quente, todas elas arrepiadas. Mordo-lhe o supercílio, na esperança de estancar o sangue; beijo-lhe os lábios na esperança que a sorte retorne. Ele é um finalizador. Eu, desmetido mentiroso, fetichista safado. Nunca amei ninguém que não fosse a mim mesmo. O colega dele ri do meu cabelo amassado. Ele acredita que eu havia sido sedado com o suor que pingava do Vela. Indiferente, levanto-me com a desculpa que ir buscar mais gelo e esparadrapo.

24 de mar. de 2005

-- Coelhinho da Páscoa que trazes para mim?
-- Senta no meu ovo que você vai saber.
-- Estúpido!
Minha vontade foi desistir do jantar, dele e da noite. Mas, estava eu tão cansado das minhas exigências (sempre preenchidas) que resolvi classificar sua resposta como detalhe irrelevante. Vamos adiante, enquanto os convidados não desarrumam tapete da pia da cozinha [Sim! Eu também odeio que desarrumem os tapetes, principalmente o que fica aos pés da minha (nossa) cama.] Informo-lhe, Dicla, que estraguei a carne. Muito sal. Vou tocar pimenta dedo-de-moça (frutos inteiros) e apresentar o prato com nome mexicano. São tudo um bando de peão mesmo. Não sei como conseguiram passar num concurso tão concorrido que eu julgava ser de alto nível. A julgar pelos cidadãos (Eles acabaram de chegar, os convidados do Centauro.) há muita podridão na seleção de pessoal para trabalhar em segurança pública. A União que me desculpe, eles não valem um puto furado. Tenho quase certeza que o Haiti, é mesmo aqui. O que não me sujeito para ter tempo de revisar meu texto!
http://esferovite.blogspot.com
Preciso voltar até lá.
Dragostea Din Tei

Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Alo, Salut, sunt eu, un haiduc/ Si te rog, iubirea mea, primeste fericirea/ Alo, alo, sunt eu Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Te sunsa-ti spunce simtacum/ Alo, iubirea mea, sunt eu, fericirea/ Alo, alo, sunt iarasi eu, Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai


Tenho que agradecer ao cantor Latino (até merece ser linkado). A língua romena é muito linda, soa como árabe afrancesado. Não se trata de francês com forte sotaque árabe. É algo mais orgânico; sintaxe, eu diria, se pudesse.
Quanta saudade sinto de quando os únicos problemas a resolver eram equações de 2ª grau. Tudo bem, que eu apanhasse sempre no intervalo ou na saída; ou os professores se sentissem incomodados com minhas perguntas, mas eu era feliz. Felizinho. Hoje, me desfaço dos meus papéis, pois investigador nenhum vai ficar folheando minha intimidade e reflito que desejo ser Mário de Sá-Carneiro ou Virginia Woolf. Acho que nunca vou aprender a escrever, mesmo. Estou visivelmete causado, exaurido! Nem pensar mais eu quero. Montaigne! É disso que eu preciso, aceitar a Inevitável. Amanhã, vou passar o dia rasbicando palavras estrangeiras. Muito mesmo. Eu preciso de quantidade, de cadernos e mais cadernos escondidos na estufa de mogno. A prática me levaria a perfeição. Só não sei se quero realmente ser perfeitinho. Minha vontade é sentar-me ao lado do papai, e dizer-lhe que realmente estou muito magoado e magoado à anos. Não que eu vá querer alguma reparação. Respeito já seria suficiente. Regredi aos 14 anos, eu sei. Mas questões, essas, a trancar a minha pauta me traz de volta. (Adoro inversões.)

18 de mar. de 2005

Quem é Hécuba? Lembrei-me dela quando o Dezesseis seixos brancos esmurrava minhas costelas assadinhas de leitoa raquítica. Aquele menino encolhido, lá no canto da parede, sou eu. Estava rindo, absudarmente alto, quase implorando: chega de hematomas. "Porque você não reage?" Repugnava-me ser surrado, entretanto, aquela era a única maneira dos dezesseis seixos brancos me acariaciar. Tão em público, nem eu, gostaria dos beijos. Passados exatos sete segundos, ele me pedira que o fotografasse em verdadeiro ato de selvageria. "Vou quebrar o nariz daquele moleque"-- disse-me. "Credo! -- retruquei -- Que Vale-Tudo é esse?" Ele riu folgadamente, como se eu não soubesse de nada. Que desinformado! -- supunha ele, em relação à tudo que viríamos a compartilhar. "Vamos fazer o seguinte, disse-lhe, pega o lápis verde e vamos desenhar um arco-íris tricolor."

Não sei aonde vamos chegar, nem se disciplina terei quando a Lua banhar-se na poça de sangue do meu desejo contido, recolhido e guardado. Poderíamos muito bem, o Dicla e eu, passear no submarino azul da Vice-Presidência da República. Desta vez, eu me esforçaria de verdade para plantar bananeira e não gritaria, como nas últimas vezes. Quem nos lê, imagina um culto à estética da barbárie. Que nada! Violência é o agente almoçar um sanduíche de ricota, após desarmar um aterfato explosivo. O coitado devorava o pão como se fosse a mim mesmo. Foi os cincos reais mais bem gastos nos últimos dias. Quatro e quinze da tarde, e o açoite de aço fazendo sua primeira refeição do dia. Todos os dias, a mesma cantilena, ele dá sinais que sente necessidade das minhas mãos massageando seus omoplatas. (Neeeeem!) Entreguei-lhe o envelope (um sonetinho apaixonado) e peguei meu presente, embrulhado num papel vinho metálico. "Estou bem melhor, já consigo me sentar sem fazer caretas". respondi-lhe, quando perguntado, se havia demorado para estancar a hemorragia. O que ele me rebateu, não merece registro, tampouco comentários. Nada diferente do que um maníaco sexual diria a uma vítima afônica. Dezesseis seixos brancos gesticulava impaciente me esperando além da annona crassiflora. É muita dor que carrega essa alma. Despedi-me fechando os olhos demoradamente. E ao passar pela guarita, fiz questão de perguntar ao segurança terceirizado, porque ele não havia ido ao churrasco.

--Foi aniversário de um ano do meu moleque.
--Oh! Isto é muito bom! Afinal, alguém tem que criar juízo, não? Qual o nome dele?
--Heitor.

Foi difícil disfaçar. Fiquei visivelmente emocionado.

17 de mar. de 2005

Tive de jurar ao Executivo, ontem, pela minha mãe no céu, que eu não havia entrado na Dark Room. Eu menti, e menti duplamente, o que é pior. Sou mau caráter! A pessoa procurando apartamento para alugar, me chamando para lhe ajudar a escolher móveis, e eu preferindo o risco que a adrenalina deixa na pele. Para quê? Para no outro dia, ligar ao proctologista, implorando por uma consulta extra. Era urgente. Três pontos no colo do reto. Minha sorte é que se tratava de um especialista reconhecido e renomado. Minha sorte, foi o Executivo ter viajado às pressas: "Vamos comigo? Ou além de horror a restaurantes, tem medo de avião, também." Não era nada daquilo, mas eu estava surpreso com a súbita irritação e me esquecendo do incômodo, simplesmente lhe respondi: "Ah! Se eu pudesse..."
Realmente, ninguém se importa. O pior é que margem de manobra é mínima, para não dizer inexistente. Sou saco de pancada da minha arrogância.

16 de mar. de 2005

Calma! Faça uma higienização e relaxe. Ele não vai perceber nada.

15 de mar. de 2005

--Oi, Amor!
--Achei que não fosse ligar mais.
--Desculpa! Está ficando muito complicado...
--O quê?
--Passo o dia todo pensando em você.
--Calma, Marcinho. Sexta-feira, estou de volta... Olha lá, hem!
--Quanto a isso fique tranqüilo, sempre sonhei em ter por quem esperar.


14 de mar. de 2005

Pára esse carro, agora! Na agonia da aflição, gritei. Como se fosse fazer diferença. O verso jazia estendido sobre o asfalto, quilômetros atrás. Estúpida tentativa de resgatar uma lembrança de sábado à noite. É melhor limpar o olhar de ódio que mascara minha feição e continuar procurando entender como ele pode deixar gravado na caixa postal do meu (nosso) celular, versos de Vinícius de Morais. Desculpem-me! Mais clichê impossível. Sou amante, não cúmplice. Na tentativa de fazer poema, neste Dia da Poesia, saiu-me a fatídica prosa que me mata aos poucos. Um murro no peito, meu boné no chão. De que me adianta tanto Bilac, se nada assimilo? É simples compor versos, basta escrever, dissera Clarice Lispector, disfarçada de Joana. Para Manuel Bandeira não seria bem assim e Carlos Drummond de Andrade nos ensinara que não interessava a inspiração, e sim a luta. Mas do que eu estou falando? Sou o cirrocúmulos no rebordo da chapada, observando o mancha de sangue no asfalto liso de tão novo, a procura da diferença da soma da multiplicação. Me compliquei! Resignado, resolvo encaixar um "aliás" neste post, dependendo da entonação, sinto orgasmos sem ejaculação.
Lápis-de-cor furando minha traquéia, assim foi meu banho na piscina de lama que se formou para auxiliar eu e a loira a voltarmos. Desde que ela, retornou, transferida, à Brasília, todos nossos amigos articulam mais que torcem para que deixemos de nos encontrar só para sexo casual. Não quero nem ouvi-la me chamar de meu bem e ela não parece disposta a me escutar sobre meus novos projetos. Ela continua se vestindo muito bem. Mesmo se o seu seio saltasse para fora, não seria vulgar. Com elegância desconcertante, ela pediria a travessa de picanha. Ah, Doutor! Ela será a primeira a saber que estou tendo um caso, quando eu tiver absoluta certeza que se trata de algo mais do que um encontro sem gênero. Vou pedi-la para puxar o "nada consta" do executivo. Que raios de multinacional é essa?

12 de mar. de 2005

Sim! Eu fui atrás de proteção. Antes do sol sorrir, minhas mãos seguravam firmemente a nuca de uma pessoa que eu nunca havia visto antes. Se eu tivesse numa boate, este comportamento seria compreensível. No zoólogico não era. Da última vez que me entreguei sem ressalvas, fui convidado a desfrutar um banho hidromassagem, nesses motéis de onde podemos complentar o perfil das naturezas mortas. Desta vez, haveria de diferente. Minha abstinência compulsória ressultaria no efeito esperado. Eu estava puro. Ninguém, nada, convenceria a quebrar meus votos. Sou o mesmo tolo de ontem de manhã. Sapatos combinando com cinto, me fascinam. Calça de brim bege com camisa salmão me desnorteiam. Eu precisa fugir da corrente que me acariciava. Aço cirúrgico? Ouro branco. O brinco arrematava o bom gosto do Pessoa. Que mal haveria apenas relaxar sob corpo, pura canela. Era a terceira tentativa em menos de três meses. Pena que este, seja tão possessivo. Ainda sim, prefiro a ele do que me lamentar pelos longos fios de cabelos loiros que não encontro mais na pia do banheiro, quando vou escovar os dentes. Talvez, ela, a loira, fique feliz em saber que estou tentando superar a impossiblidade de tê-la ao meu lado na cama, assistindo As Horas.

11 de mar. de 2005

Não posso mais protelar. Vou a delegacia registar a queixa. Ele prometera bater na minha cabeça com um gato morto, até que este miasse. Será que ele poderá ser, duplamente, enquadrado por crime ambiental? Vou ter que fazer algo que não gostaria: ligar para um fulaninho filha-da-puta de ordinário. Qualquer coisa eu cuspo.
Nossos caminhos se cruzam todos os dias. Ela segue apressada em direção ao banco, enquanto eu, vou ao supermercado comprar pães. Sou apaixonado pelo tom loiro dos seus cílios. Ela ajeita o penteado. Eu grito de fome. Ela me conhece e me reconheceria, até mesmo carbonizado, na necropsia do IML. Ela perguntaria ao agente sobre meus pertences, na esperança de reaver um cordão que um dia ficou perdido no chão do banheiro. Ela ainda bebe um copo d'água, assim que acorda, e come uma maçã, enquanto folheia o NYT. A mesma rotina, como se compartilhássemos os mesmos objetivos. Se ela vier me beijar, não vou virar o rosto novamente. Será sexo, precedido de um jantar. Sem perguntar porquê.

10 de mar. de 2005

O efebo me chamou para o tatame. Declinei do convite, por se tratar de um gesto educado, supunha eu. Beijando-me a face, ele me perssuadiu a fazer tudo que ele propunha. Nunca imaginei que o tatame seria um colchão e que travesseiros poderiam ser arremessados pela janela. (Ih! Foi mal!) Ele queria carinho, atenção e se divertir com a única pessoa que estava disposta a fazer exatamente o que ele mandava. Por exatas cinco horas eu me doei, e apesar dele ter se machucado, rimos muito da brincadeira.

9 de mar. de 2005

Não pretenderia construir um guarda-sol, tampouco tecer uma bolsa feminina. Queria crescer para além de mim mesmo. Pormenores: nem vou contar para as lentes fotográficas a desconfiança do batom. Defina abstracionismo, me perguntou o praticante de arte marcial (sem mencionar qual, para que não pensem que planto couve em dias pares) Afirmo com segurança... um telefone que magoou meu patrimônio, uma cliente que me amo a ponto de perder o raciocínio lógico-matemático, me interrompem enquanto tentava resgastar...não dá para continuar. Acendeu a luz de freio. (Como se fosse fazer diferença.)

7 de mar. de 2005

Quarenta dias pendurado no varal feito lençol impuro beijado por brisas vermelhas. Nem sei como pedir-lhes desculpas. Estive me deitando com os mirmidões e descobri que dificilmente vou decifrar o código civil da constrelação de Capricórnio. Sem telescópios, sem física nuclear. Apresento-me celibatário, de fato, onanista. Mesmo quando me ligam de Palmas, me oferecendo resgate, pergunte-lhes se ele continua com ciúmes dos meus olhos castanhos. Ele te ama, ninguém acha graça, talvez, por isso, acumule inúmeras funções. Todas elas desempenhadas com brilhantismo. Qualquer hora, ele leva um tiro e eu terei de me desfazer das provas do meu crime. Sim! O criminoso ali era eu, induzindo-o a cometer um estupro impossível. Na risca da Marinha nunca mais.

25 de jan. de 2005


Pedrucha, eu de novo! Assim que eu dominar a Fera te convido para um churras. O convite se estende aos seus amigos também. Posted by Hello

Pedrucha, o branco combina com seus olhos. Buquê prometido se encontra guardado no cofre do Banco Central. Nem me pergunte como ele foi parar lá. Incompetência minha, extraviando emoções. Imagem para que recordas da nossa amizade. Obrigado por me ouvir e me aconselhar com jurisprudência internacional. Posted by Hello

Os quadriláteros marrons partiram hoje de manhã. Ainda bem, eu não suporta mais o canto desafinado dos galos. Posted by Hello

Três manchas na parede me dizem quando voltar. Sintomaticamente alerta. Sempre Posted by Hello

24 de jan. de 2005

E eu sofrendo à toa. Faça as malas, Marcinho, uma jornada irá começar. Destino: coração salgado.

21 de jan. de 2005

Fui acordado pelos disparos da glock (que os incautos achavam que fosse uma 765). Levantei-me imediatamente. Odeio quando mexem nos meus brinquedos.

20 de jan. de 2005

Acabo de sair para biblioteca. A noite de segunda-feira ainda emerge na minha memória. Não há ninguém para atender o telefone. Não sinto culpa. Apenas me envergonho pelas gafes cometidas. Poxa! Ele tinha que moder meu calcanhar? Espero que o coice involuntário não o tenha machucado. Tenho certeza que não é para mim. Caso contrário, vou ter que beijar muito aquela boca carnuda de dentes alinhados até sarar. Eu consigo contar mentirinha. Mentirona, não. O que eu faço com o sniper? A pilha de livros que se junta minha mesa começa a me irritar. Nada. Ele estava bêbado. A Branca de Neve riu até chorar da minha frase. Me chamou de gênio. Preciso dormir, nem que seja por cinco minutos. Opinião suspeitíssima. Ela me levaria escondido na babagem para o Canadá, se fosse possível. Três horas não está sendo suficiente.

19 de jan. de 2005

Me arrependo da merda que eu fiz. Como vou dizer a ele eu te amo, sem ser presa? Depois resolvo. Sim, leitores, estou apaixonada. Ele, não sei. Talvez, eu esteja sendo precipitada. Se eu me decepcionar, vocês serão os primeiros a saber. Quando ele for transferido, vocês, também serão os primeiros a saber. E das gafes que tu cometeste na primeira noite, eles saberão? Quando eu perder a vergonha, lhas conto. Tomara que o Sapo continue príncipe por mais seis anos. Sempre soube que o Poder era o melhor dos afrodisíacos, mas nunca imaginei que o desejo ia me deixar a noite toda acordada, sonhando com alguém que não poderia vir. A sensação de um corpo procurando o meu, era inevitável. Eu odeio escalas. E não vou contar, para ele, sobre nós. Todo mundo tem um e-mail secreto, me dissera ele. E muitos adolescentes (adultos, também!) tem problemas em guardar seus pessoais diários íntimos. Ele não irá te conhecer, DiCla. Também, temos direito a privacidade.

18 de jan. de 2005

Querida leitora,

Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.




17 de jan. de 2005

O novo vizinho está colocando vitrais nas janelas. Só espero que o casal de rotweiller seja educado. Não vou me levantar da cama, para cumprimentá-los, nem para nada. Os três aparecem nervosos. Os cãos não param de latir. O viking, de gritar com os homens que carregam caixas de madeiras. Só de olhar sinto o peso. Eu também preciso me mudar. Se pelo menos o Dente-amarrado atendesse minhas ligações, eu poderia compartilhar meus planos com seus sonhos. Ele nunca vai conseguir ter tempo para mim. E mesmo assim eu insisto no erro. Quero um aparador igual aquele no meu quarto. Ouro envelhecido refletindo o amor que se esvai dos nossos corpos numa nublada tarde de domingo.

15 de jan. de 2005

A última vez que chorei em público foi quando o Carrasco fez omelete do meu polegar. Depois, aprendi a jogar a emoção para o platéia. Minhas lágrimas, leitora e leitor, decorrem da minha amadorística prática cênica. Em falsete, desenterro feijões que não mais crescem a custo de falsos herbicidas. Dói. Sinto repulsão em fazer o que eu gostaria que fizessem em mim. Sobreviverei ao final de semana. Espero que vocês também. E se hoje apareço cabisbaixo, decorre do pedido de hoje cedo: "quando você tiver sozinho aqui na loja, por favor, não fica no computador." Ainda nem eram seis horas e eu já sentido a fervura do chá de boldo. Será que se eles vierem a ler meus pensamentos ou mesmo se estiverem me lendo poderão vira a romper os laços de papel sulfite? Iniciar-se-á uma era de gelo? Do lado do Carrasco não encontro a tranqüilidade prometida, do lado da família não encontro a serenidade esperada . Me debato dentro da jaula, feito mico leão-dourado. Fazer programa na sauna seria uma solução, difícil de arriscada, mas já executada de bem-sucedida. Assim, poderia pular de biblioteca em biblioteca, de prateleira em prateleira, atrás de referências nem sempre confiáveis.

14 de jan. de 2005

Antes de mais nada, fui pedindo desculpas. Não admito atrasos.

11 de jan. de 2005

Dia sim, dia não, vou ao bosque de bougainvilles brincar de roleta russa. No momento de puxar o gatilho, já me encontro, totalmente, dominado pelo topor que os olhos verdes me proporciona. Não será nos braços dele que a fatalidade ocorrerá. Ele vai saber pelos jornais. Seus colegas, estarrecidos, não poderão dizer nada (eles nos ignora). E no banheiro do segundo andar, os olhos verdes ficarão vermelhos, depois inchados e depois pequenos (ele terá uma recaída). Enviara-lhe uma mensagem por celular para lhe comunicar do hematoma no meu lábio superior. Evidência irrefutável, meu bem! Disse-lhe, quando finalmente resolveu me ligar. Me dá quinze minutos que estou passando aí para te levar ao IML, me respondera. Espatifei o celular no chão. E não me arrependo. Aos poucos vou me soltando das algemas que ele me impões.
Vísceras vazias me servindo, na taça, águas do Adriático. Ela também sofre por não encontrar alguém que esteja disposto a viver um romance sincero de duradouro. O que não se vive, se cria, se reelabora. Assim, ela se libertou. Menina de pele leitosa, pura nuvem que nos anuncia o veranico. Está frio aqui dentro do peito Miss P.. Meu calcanhar se congela ao pisar no chão. Tio M. me pergunta se tem café. Café preto, Tio? Pergunto-lhe abrindo sorrindo cúmplice. Estou deixando de beber, Marcinho. (Graças à Deus!) Só vou beber durante seis meses. Dia sim, dia não. Começo a rir a ponto de meu estômago dar nó. Acordo a Sabiá insone. Você tratou dela, hoje? Tio M. me faz rir, quando eu preferiria me enfurnar no quarto permanentemente lusco-fusco. Ele me tirou a lembrança do copo vazio. Não quero mas servir pratos rápidos, comidas instantâneas. Três minutos é muito pouco. Duas horas não é nada, se telefonema não me acorda logo cedo: Só liguei para lhe desejar bom dia, meu amor! Arroz com feijão tão básico de gostoso. Porque amor e sexo não marcam um encontro logo mais depois das 21h em frente ao Centro de Convenções? Vou voltar à peleja, antes que seja necessário colocar luvas para cumprimentar os incautos. Lutaria, se possível, ao lado dos Troas contra os Aqueus. Queria fazer diferença.

10 de jan. de 2005

O e-mail ainda não chegou na caixa de entrada. O que a pessoa está achando? Minha próstata se derrama sempre quando me lembro da impossibilidade de tê-la dentro de mim novamente. Não vou dar orçamento nenhum, não agora. Preciso me convencer a não beber da leitosa resina que escorre do Carvalho. Estou cansado de banheiros fedendo à creolina.
Devia se tratar de uma neurótica ansiosa, que nem tão bonita era. Se fosse meu número, teria ligado no outro dia mesmo. Teria lhe respondido imediatamente a mensagem. E minha glândula me sufocando impiedosamente. Porque não encontro conforto nos corações impuros? Será que todos nos postinho só estão à procura de alívio? Minha vontade era ir ao bar, tomar todas as porrinhas disponíveis e me despir de todas as convenções impostas. O que me interessa o que o Lula diz ou deixa de dizer!
Eu quero cavalo branco galopando sem ar em minha direção. Me atropele. Me faz de paçoca, sem antes confessar que me quer amanhã cedo acordando ao seu lado. Me ame, mas não espere por concessões minhas. Ainda bem que vai chover. Na grama molhada, não terei de me ajoelhar. No banheiro imundo não vamos fazer amor. (Amor?) Nem eu nem ninguém. O idiota do diplomata me agradecendo o arranjo de acácias. Deve entender muito de política internacional, porque de flores não sabe nada.
Eu também não sei nada. Nada sobre como andar de mãos dadas no shopping. Cansei, em casa continuo. Se alguém souber de um amigo disponível, me escreva. Seja cupido! Pode ser qualquer pessoa neurótica, boca murcha, fedendo à cachaça. Só não pode ser a pessoa. Quem não a quer mais sou eu.
Também não pode ser quem eu idealizo quando me escondo debaixo do travesseiro. Então, não é qualquer pessoa? Não enche! Pode ser o pernilongo que me atrapalha a concentração. Pode ser a camisa azul-turquesa que me interrompe para perguntar o preço das phalaenopsis. Só não pode ser eu.
O Assessor da Senadora sempre consegue me apavorar. Me socorre! Dormi fora de casa. Me ajuda aqui a escrever uma mensagem romântica. Putz! Desde quando estou aceitando encomendas? São só três frases, Marcinho. Mesmo que fosse só uma. Não escrevo por encomenda. Me diz aí, se ela era loira ou morena? Eram negras. Negras de pele branca. E foi me contando minuciosamente sua performace de contorcionista. Hmmm, sei...conheço a cantada. Eu lhe disse sim, apertando-lhe firmemente a mão ao nos despedir. Sexo à atacado serve de acalanto enquanto não descubro quando vai ser o sepultamento.

8 de jan. de 2005

Affonso Romano Sant'Anna nos explica no seu "A sedução da palavra" (Letraviva, 2000) os rituais de iniciação enfrentado pelo iniciante escritor. Participar de grupos de amigos escritores, seria interessante. Lá fui eu, tímido, levando minha carta de apresentação, escondida dentro das calças, conhecer o pessoal . Não resisti, contudo, a tentação de publicar no ciberespaço (não custa nada, além da tendinite) a tal carta. Cumpra-se, assim, outro ritual: expor ao maior número possível de leitores o texto e solicitar que, se eu estiver sendo ridículo, me avisem. Eu também quero rir. Coaduno com a opinião do Rainer Maria Rilke, porém. Os críticos não tem nada a acrescentar à obra-de-arte, posto a impossibilidade de se comprender o Ser.
"Gaudz,
Cá estou, me unindo aos bons bombons. Li os contos, as crônicas, as mensagens. Senti vontade imensa de narrar o estupro por mim sofrido na semana passada. Desabafo entre amigos. Mas me lembrei que eu era macho. Aliás, era não! Ainda sou. Por enquanto, não sei até quando. E na condição de sexo sensível, protejo meus culhões na redoma de
vidro do meu padrinho. Melhor assim, sem acidentes. Gaudz, apague as frases anteriores. Definitivamente, não consigo dizer a verdade. Eu ia me apresentar ao grupo (Oi, Vizinhos!), ao proprietário (Blz, Paulo!)e acabei tecendo ficção. Problema sério conseguir completar a frase: eu sou...

Posso te/lhes adiantar, Gaudério San/caros calegas, que minha mente pervetida me assunta quando chego de madrugada em casa para preencher meu particular inquérito íntimo.(O DiCla, meu ciberdiário, anda muito criterioso, ultimamente.) Copos ensebados, sujos de melados, me acompanham. Eles desistem de preencher minha mente biologicamente atrofiada. Sou daquelas, opa! Tenho daquelas capazes de justificar, sorrindo, as fissuras anais em um recém-nascido. Mas o que me tensiona mesmo é homem de barba. E/ou mulher estriada. Homens sarados. E/ou mulheres obesas. Deformidades mentais me violentando a culpa. Siliconadas travestis empunhando navalhas. Adoro me travestir nas segundas-feiras à tarde. (Que Papai não venha a saber, o que ele já sabe, mas finge não saber. Finge, mal p'ra cacete!) Deliro quando me corto, acidentalmente, com navalha. Razão pela qual só saio com mulheres que saibam dar nó em gravatas. Quase enforcamento, só com homens (mesmo os que ninguém quer. Não me importo de ser comido no chão, mesmo).

E no mais, Daniel, estou triste com minha pressa de todos os dias. Triste por só agora te conhecido o ciberdiário do seu amigo Paulo. Dane, tu já se deste conta da quantidade de escritores atraídospor ti, ou melhor, pela tua sonoridade hipertextual? A qualidade circunscrita me pergunta: Onde estaremos daqui a vinte e cinco anos, Gaudério? Da água que escorre da serra gaúcha, eu bebo. Não tem me feito bem, meu amigo, Dane. Nem me feito mal.Tem apenas me motivado a seguir, agora não mais sozinho de tão isolado, lendo ( morto diante os mundanos) e escrevendo (vivo diante os escombros) porque só a nado vamos conseguir chegar ao outro lado do rio.

P.S.: A crônica do dia (07/01, o dia da volta do meu recesso) me pareceu um amontoado de frases desconexas.Ocupado estava, ávido por atualizar o DiCla, publiquei o rascunho mesmo. E olha só o que nos aconteceu. Obrigado! Meu destino é a catarse, um gozo jorrando sem ser tocado que os teóricos devem saber explicar.

P.S.S.: Alguém aceita de acelora?


7 de jan. de 2005

Quente saliva me escorre pela coluna. Saio do carro sem me despedir de Ninguém. Voltei para lhe dizer: presentes foram rasgandos diantes de parentes. Ele é louco, ouvi não sei de quem. Esquece, Marcinho. Esquece. Entrega-me algum manuscritos até dezembro, foi sussurado por quinze minutos na nuca suada, mordida e bronzeada. Minhas costas ainda arde. Único compromisso assumido. Arder-se até quando as floreiras sorrirem. Sou cozinheiro sem canela para temperar o arroz-doce. Vou precisar de muita calda de figo para chegar até o ponto final. O saculejo do ônibus me revira os pensamentos dentro de mim. A comida será servida crua mesmo, problema de quem queimar a língua. Não se apressa o fogo que me leva de volta às cirros-nimbus. Respeito a precisão com a qual o poeta corta as estrelas, mas ao observar o céu, não vejo caminho de volta. Solfejando no escuro até o despertador me chamar. Os labirintos revestidos de políticos hábeis me convencem a vender educação. Sim, senhor. Vou buscar o óleo de amêndoa.

24 de dez. de 2004

22 de dez. de 2004

Posted by Hello
Eu sei, sim, o que eu quero! Nessas horas não sou nenhum pouco modesto, apesar da minha alma permanecer de joelhos todos as vezes que preciso cumprir as metas assumidas com Santo Antônio. Como vai demorar um pouco o PowerBook sentar no meu colo, vou me divertindo com meus lápis de cores e minhas folhas A4.
A criptografia me resguarda a privacidade, enquanto reluto a me trocar por uma máquina que me trará problemas ortográficos. Mais adiante, perdido na melodia, concluo, erroneamente, que para cada canelada, há uma bofetada estratégica. Onde estão os sonetos?
Wait a minute, pls! Deseja logo Feliz Natal e vamos embora. Para dentro do forninho quente e cheiroso que me guardo todas as noites. E depois o maninho me diz que se perde, propositadamente, no labirinto demolido. Ruínas recém escavadas com as próprias mãos. Quem?
O bruxo que me oferecia uma maçã mordida. Não há como lhe negar a verdade (única). Passei geléia de capuchinha na torrada e pedi ao pisca-pisca que fosse intermitente durante toda a noite. O caos de inveja, ciúme e cobiça combinam com o fluxo vermelho-grená que me mancha o lençol. Nem diminutivos posso falar. Mando emplastificar minha língua antes de paragrafar todo post?
Cartões em forma de pinheiro me esperam, retribuir o carinho daqueles que evito, preciso. Sim. Desvio-me dos meus amigos quando os encontro remando no lago disforme. Feliz Natal traduzido num acesso. Remos que não me alcançam. Ainda sou bom no quem me descaracteriza.
Há dias precisava escrever. Mesmo sendo assim. A caixa d'água do vizinho vinha transbordando e eu sem poder visitar a metafórica Macau globalizada. Eita! Me perdi nas minhas ruas curvilíneas. Evangélico bebendo cachaça feito uma égua. Foi o que ouvi sobre o diplomata holandês. Porquinho de ouro. Bigorna de prata. Desejar noite feliz durante os altos e baixos que, inevitavelmente, será dois mil e cinco, até porque conflitos nos prende dentro do bombom de cupuaçu. Ah! Como fui ingênuo. Bombons são deliciosos, mesmo os de supermercado. Percebe o erro?
O anonimato chique. Silogismo elegante fuçando o bom gosto do bom senso. Eu sei que foi um equívoco. As provocações me desmoralizam. Mas se o PowerBook sentar-se no meu colo, (Olaxá!) poderei colaborar com meus colegas sem me preocupar em visitar a agência publicitária. Ele me ama; eu não, tanto quanto ele. Sou materialista, ele de direita. E se eu acreditar?
Tenho medo de abrir minha caixa postal e reencontrar vários desesperados e-mails do fulanizo, narrando suas arbitrariedades. Por telefone é mais fácil evitá-lo. Ele está viajando. Ele ainda não voltou. Não sei quando ele volta. Se eu não fosse covarde, se eu curtisse algemas sem travas, largaria o produtor para virar o ano numa cama de motel a R$10,00. Não seria pelo ato, tampouco pela beleza. É pela sensação de não poder respirar seu a ajuda da boca alheia. Vou preferir contemplar o PowerBook, como se películas compusessem meu cotidiano. Malas prontas, rumo o desconhecido conhecido.
Finalmente, deixo para a leitora esperta e o leitor curioso votos de Boas Festas, extensivos aos seus familiares. Só volto a publicar com a chegada dos Reis. Desculpa partir assim sem me despedir de ninguém, muitas vezes o PC dificulta o que deveria ser sempre fácil, simples e limpo.
P.S.: Escavei-me tanto que me esqueci de dizer: Papai Noel, eu gostaria muito de encontrar um PowerBook debaixo da minha cama na manhã do dia vinte e cinco. Juro que fingirei estar dormindo quando subir pelas escadas. Não pretendo, porém, dar-te nenhuma pontinha da coberta. Esse ano eu senti muito o frio da tua ausência. Pretendo te castigar exemplarmente.

20 de dez. de 2004


De nada adianta, se ele não tiver ao meu lado. Posted by Hello

Apartava-se Nise de Montano,
Em cuja alma, partindo-se, ficava,
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.

Pelas praias do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos pelas águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.

«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dizia) quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas.

Mas se em vós, ondas, mora piedade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assim me levais a causa delas.»

17 de dez. de 2004

Amor, co'a esperança já perdida,
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.

Que queres mais de mim, que destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída.

Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto o quis aquela que eu adoro:

Nelas podes tomar de mim vingança;
E, se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te co'as lágrimas que choro.


16 de dez. de 2004

Navegando no Mozilla numa conexão barda larga. Obrigado, Dad. Sinto-me livre para contar-lhe detalhadamente o crime. Alguns detalhes serão suprimidos. Não tenho estômago para nossas sinceras lembranças.
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

15 de dez. de 2004


Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.

E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.





14 de dez. de 2004

Acho uma falta de respeito meus pais brigarem na minha frente. Foi a última frase da Margot, antes de me pedir para deixá-la em casa.

13 de dez. de 2004

Encontro de aspirantes escritores brasilienses, sábado, no Martinica. Se a impressora funcionar, irei.

11 de dez. de 2004




Feliz Natal?! Boas Festas?

Católico extraviado. Educaram-me assim. Saíra do processo de hibernação para comungar durante a Missa do Galo na Santa Bárbara. É que me possibilitava festejar o Natal. Meu Papai Noel conduzia a cerimônia induzindo-nos a sonhar com seus torcidos olhos azuis. Senhor bem sucedido na sua missão. Ausentava-me durante a homilia com medo da hóstia queimar minha boca.

Padre Johann vinha quebrando seus votos muito antes de haver nos encontrado na sauna japonesa. Não tenho nada a ver com seus pecados. Só queria tomar umas aulas de latim e alemão, todas as tardes depois do almoço até antes das oito. Terças e quintas, ele me ensinava; nos outros dias, eu lhe tomava a lição. "Vai, Amor, recita Safo para mim; em grego, amor, em grego." Nem imagino se ele estava me enganando ou não.

No ínterim, conversávamos sobre vice-presidência. Nunca havia me atentado para bandeirola hasteada na entrada do Palácio. Assustamo-nos com o redemoinho saído da poeira levantada pelo ônibus, ao sermos flagrados comendo peroá frito no quiosque da Concha Acústica. Gritei aos ver patos. Gesto solto de entusiasmo sincero. Opinião dele. Apelidei a bando de patos empoeirados de esquadra britânica. O Pe. sorrira sinistramente.

Transgredíamos tabus todas as vezes que lhe permitia banhar meus pés. Saliva benta, me explicava, ele. Retraía-me todinho ao ser envolvido por epístolas osculares. Das lições não assimilei nenhuma. Observo a taça derrubada aos pés da santa e não vejo nada. Formou-se uma poça de vinho tinto, presságio de traição. Ele descumpria seus votos; eu enganava o rapaz que acabara de me prometer ser meu guia pela Grande Belém.

Meu pai não se orgulharia de mim em momento algum. Mesmo assim, eis-me aqui, mi amoroso papa, embrulhando-me nas celofanes turquesa, para desejar boas festas ao seu coração exausto de arrancar espinhos de mim. Tente me recriminar, Dad! Diga-me, o senhor, quando estiverse servindo do pernil, se lhe provoquei epifania ao lhe relevar o que o Senhor mal fingia ignorar. "--Pai, foi homicídio premeditado." "--Legítima defesa. E não vamos mais falar nisso!"
Posted by Hello
Cariño,
Conheço a repulsão que te causa, a violência com que trato o vernáculo. Foi-me impossível conter a erupção de sentimentos que tua mensagem me acometeu. Os sentidos leves nos escrevem quando te vejo assim, nu ao alcance de lábios marcianos. Seus anéis acessanando tchauzinho de quem não pode mais ficar juntinho procurando fios de cabelos loiros agarrados à minhas coxas. Saturno não te merece, tampouco eu.

10 de dez. de 2004

Dr. Alfredinho,

Desculpe-me, por haver omitido informações tão relevantes para você. Completo aniversário junto com Duque de Caxias. Nem preciso fazer festa. O foguetório é garantido. Quanto ao fato de não ter te apresentado aos meus amigos, tampouco aos meus familiares, talvez porque sou desajeitado durantes cumprimentos diplomáticos. Fico constrangido. Como ser elo, quando sou todo extremidade que a nada se une? Sabe a flecha de Eros? Aquela ponta lá, queria ser eu, caso, pudesse ser coisificado. Já que não posso (nem devo), contento-me em ser sempre o primeiro a levantar a mão quando precisam de um voluntário. Eis a razão para tanto gostar de mim, suponho. Sinta-se fortemente abraçado e afetuosamente beijado. Hoje, em especial, todos os dias sempre, por mim.



9 de dez. de 2004

Vide verso.
Se eu soubesse como, passaria o Natal em Salamanca.

8 de dez. de 2004

Observo, pacientemente, o frio congelar meus neurônios. Não há nada que eu possa fazer, a não ser esperar o leite ferver.

7 de dez. de 2004

É Natal! É Natal! A vitrine em chamas me convida para que eu leia os arquivos dos Oficiais promovidos. Depois! Antes, vou responder à minha querida leitora: Lena, estimada amiga, não poderia eu te enviar uns dos cadernos nos quais contabilizo a quantidade de endorfina que exala do meu cérebro quando encontro italianos na penunbra do bosque de bouganvilles? Manga verde, Lena. Manga verde, saborosa, da qual faço creme de leite enquanto não me sinto à vontade para criar ficção. Antes, deveria eu escrever ao Exmo. Sr. Homero (alguém, aí, me traduz para o grego?) e à Exma. Sra. Clarice Lispector rogando suas respectivas bênçãos. Os russos, enciumados, me castigariam, com certeza, se eu me atrevesse. E para contê-los, nem se eu solicitasse o auxílio dos franceses, quem sabe os estadunidenses (preferiria os ingleses, ou os irlandeses ). Ah! Lena, estou indo lá, correr riscos no espelho d'água que circunscreve os raios de sol que nunca me bronzearam. Na diagonal do círculo vou derramar molho rosé, preparado de véspera, para esperar pelos italianos. Que o vinho não me venha azedo novamente... Ia me esquecendo, Lena, os fatos recebem várias nuances quando saltam dos meus dedos. Realidade ou ficção, não mais me interessa, apenas a emoção de sons acidamente adocicados.

6 de dez. de 2004


Para Gaudério San, meu amigo, parceiro, irmão.  Posted by Hello
Marcinho: Oba! Sexta-feira. Dia de beijar na boca.
Maninha: Você, eu não sei. Eu vou.
Marcinho: Eu preferia não ir. Atchim! Atchim!

Minha irmã fizera cara de deboche que pelo retrovisor eu pude ver. Nem me importei. Minha preocupação era o que eu iria fazer com aqueles olhos miúdos que eu ampararia mais tarde. Como vou dizer para o charmoso psicótico que eu pretendo reconsiderar uma posição?

4 de dez. de 2004

Finalmente resolvi utilizar o w.bloggar para te atualizar. Quando os pernilongos vierem nos sugar nosso sangue perdido, corro para a janela virtual. Nada nem ninguém vai impedir nossa ginástica greco-latina. Graças a ela, vivo sem a medicação. Não quero um ninho de cupim caminhando pelas minhas veias. Está mais difícil sobreviver-viver-escrever do que eu imaginava, nem sempre consigo me conectar a Fada Metáfora, que agora só através dem sonhos vem me aconselhar. O pernilongo me acorda às três da manhã para ler o que eu estou escrevendo. "É uma honra! Quem me dera tê-lo como leitor." E pensar que ainda tem a ceia de natal. Porque a mágica não mais funciona? No meu casulo, preso, eu era muito mais feliz. Por isso eu te digo, Marcinho, sempre, escolha a opção mais difícil, o mais improvável de impossível, complexa, complicada. Facilidades escondem armadilhas que dificilmente conseguiras se livrar. Não tenho a mínima estrutura emocional para ceiar ao lado daquele traficante de corações. Eles (o traficante e seus músicos) forjaram uma situação na qual me vejo obrigado a pintar uma tela monocromática. Pior do que está, impossível. Qualquer mudança será sinal de melhora, mesmo se for o inevitável encontro com a minha mãezinha querida. Ah! Gente me desculpa o tom pessimista, é que eu sou um mercenário. Se eu tivesse com um conto de réis na algibeira, um mísero puto no bolso, estaria extremamente feliz, tirando onda de bacana. Ainda tenho opções. Prostituir-me sempre se apresenta como saída, pena que o celular do delegado não esteja atendendo (talvez, ele nunca mais volte a falar comigo). Aí, então eu poderia comprovar se Paris é mesmo uma festa .

3 de dez. de 2004

E ainda ouço que não quero trabalhar. Minha vontade de entrar em erupção, toda a vez que ela me ofende, cessa quando penso no queijo parmesão servido no café-da-manhã. Não estou tão tranqüilo quanto ontem à noite. Se ele me pedir em casamento, eu aceito.

2 de dez. de 2004

Sentia muita preguiça. Deixara para depois a revisão do post. Peguei-lhe pela orelha e lhe disse: corrigi-lo imediamente. A qualquer momento elas podem chegar! Então, ele tirou a caneta do bolso do paletó, me pegou a mão e escreveu a letra s do meu nome. Sem me beijar, tampouco se despedir, entrou no Cherokee e foi para casa (suponho). Torço para que ele se lembre do que me aconteceu de manhã. Peder dois posts no mesmo dia é muito azar para quem acabou de voltar de viagem.

30 de nov. de 2004

Desde muitos posts venho fazendo a vontade do leitor. Escrevo o que ele quer ler. (O quê?) (Ãnh?!) Eu particularmente há muito tempo gostaria de me desfazer do sistema de comentários. (Porquê?) Por vários motivos que de tão perniciosos (de onde me saiu essa palavra?) não consigo elaborá-los como deveria. Pois bem, meu tesouro, vivo estou em função de você. Está aí o espaço para suas contribuições ao meu umbigismo patético e calhorda. Agora não sei como continuar a publicar (será que posso ser considerado um publishman?) os trechos da intimidade sob encomenda. Isso me cheira a Big Brother, e de big eu só queria o Brother. Interação fede a pétalas pobres e podres só os importados franceses, queijos. Perenes sobrevivam, o espaço para os comentários, tão caro ao que se tornou o mundo. Minha teogonia quereria uma folha-bits planando sobre a imensidão volátil do ciberespaço até se prender a um canto da teia virtual. Desiste! Eu sou virtual. Um vir-a-ser particularíssimo. Há autoridades que a detestam. Em compensação, o Exmo. Sr. Senador gosta das minhas bits, a Exma. Sra. Embaixadora me incentiva a continuar rasgando a folha e a princesa ao ler o que eu arranco de dentro de mim, com raiz e tudo -- cúrcuma -- chora, ri, se excita, xinga, se entristesse, não entende, me liga, me escreve um longa carta me explicando que eu não deveria ficar tanto tempo sem escrever, não a resposta a doce carta, mas uma crônica no sentido crônica da vida. Pessoal. Íntimo. Particular. DiCla, condição na qual meus amigos (leitores!) possam conferir se o arroz com ovo servido no almoço estava salgado ou não. (Qual a relevância do tema, Dr.?) Precisa atuaslizá-lo (o DiCla) todos os dias, como se o telejornal estive invadido o morro? Sim! "Se for uma necessidade intrínseca de ti mesmo." (Ela sempre me tuteia com maestria). Sim, Vossa Alteza. Siiiiiiiiiiiiiiiiiim. E mais tarde, (amanhã se eu tiver tempo) volto para revisar o texto que a pressa me permite. No meu mundo (mundinho froxo) existe uma compensação para o pormenor.

25 de nov. de 2004

Arthur Schopenhauer

Lágrimas iluminam meu olhar. Então, possível verdade esperando-me empoeirada na estante laminada. Estou enamorado. Elaborei mentalmente várias hipóteses, que daqui a pouco serão testadas. Lá vou eu, ensimesmado no meu passo longo, para que minha madastra não me alcance. Me desculpem, mas não tenho tempo para mais ninguém, este (meu tempo) jaz na relva seca do postinho. Recolham as mesas, as cadeiras, as garrafas de cerveja, as primeiras encontram-se escondidas dentro do porta-mala. Cleptomaníaco. (Tem certeza que você não bebe?) Chamem os bombeiros. Há uma alma esvaindo-se de corpo que até ontem à noite, eu chamava de "meu amor". Suas espáduas me seduziram, eu rebobinaria toda fita, só para sentir seus pensamentos esfolando minhas vísceras novamente. Ele parecia um fruto seco caído do Olimpo. (Não faz mal misturar cerveja com caipirinha?) Eu não sabia de nada. Nem beijar seus olhos azuis, eu conseguia. Nem a dor, sempre dilacerante, eu suportava. Minha carne chorava. (Nossa, imagine se meus parentes souberem que eu escrevi isso? Serei motivo de chacota até o carnaval, quando todos assumimos nossas máscaras) Meu tempo agora, corpo estendido no chão. Aquele lá sou eu, meu amante de nado borboleta, e uma menina prometi lhe dar. Adoção, querido, adoção. Meu tempo acabou. Eu o matei. Nunca pensei que uma taurus pesasse tanto na consciência de alguém. Ela parecia tão cromada. Acabei com o tempo que me sustentava ao fio estreito da rua. A leveza que sinto, chamo de felicidade. Estou livre, condenado a minha liberdade -- seja lá o que isso possa vir a significar.

24 de nov. de 2004

Anteontem, acordei-me salgado. Ontem, durante a aula, senti-me doce. Hoje, ao banhar-me descobri-me azedo. Amanhã, caminharei ácido por folhas de papel sulfite. Porque não só de freadas atrasadas vivem o meu pescoço, coração. (Depois penso no que eu quis dizer. Agora tenho que sair para procurar emprego.)

22 de nov. de 2004

Não me importo que a mulher pise no meu pé, desde que possamos sair do terraço de mãos dadas.

20 de nov. de 2004

Fraudes
* * * * *

2 uísques
Amuiraquitã
Bob Bactéria
Sabedoria da Mentira
Senso Incomum
eraOdito
Jornal do Blogueiro
Caderno Branco
Just think about
* * * * *
AMAN
Kombato
* * * * *
Oral Ancient Greek
Latim Básico

Se fosse em outra época, teria que justificar minhas escolhas, os links, essa tarefa deixo para minha crítica literária (?). Pois é! Estamos brincando a valer e a menina de olhos azuis se dispondo a explicar nossos fluxos intermitentes. Ela se decidiu mesmo pelo curso de Letras (Habilitação Francês). Será que sua opção decorreu do meu duplo argumento? Só queria ouvir vossa sincera opinião, Alteza, antes de entregar minha crônica aos portugais. Até a minha correspondência, ela quer ter acesso. Calma! Deixa eu primeiro aprender a ter a quem escrever. Socialização em mesa de bar, no Barraco Chique, "às 14 quero te ver lá". Falando assim, o meio-irmão não se tornará meu cunhado. Quem sabe um livreiro, protegido por Apolo, mas não meu cunhado, como ele gostaria. Não me chamem para sair. Me deixem apodrecido mofar dentro do meu casulo. Metamorfoseando. Meta. Lingüística. Je t'ai adore beaucoup! (ainda sei escrever em francês??) Sim.

19 de nov. de 2004


O Astrólogo dissera: "(...) e ele chegará te atropelando." Eu até brinquei com o Mestre: "e nos braços dele morrerei, não sem antes pedir um beijo na boca." (quem manda ficar lendo Nelson Rodrigues? Depois fica aí com essas fantasias ridículas de comum). O Bruxo me repreendera com rispidez: "Mais cuidado com o que você fala. As palavras são mantras." Realmente, saudoso Joe, me dói ouvir o mecânico pronunciar "menas". Mas que saber, há uma porção de palavras nas quais tropeço: meteorologia, por exemplo. Tenho muito a aprender: não se apavorar quando estivermos a 120km/h. Será que eu poderia ser preso ao presenciar um pega? Vide o que fizeram com o Duda Mendonça. E ele, cavalheiro, me chamou para irmos embora, antes de sabermos como terminaria aquela história na qual moças e rapazes deliravam ante o êxtase de motores harmoniosos. E para ter certeza da gentileza camufladoa de real interesse, o mecânico me perguntara, quase me pedindo permissão: "Você curte Zé Ramalho?" Se eu não o apreciasse, me tornaria, a partir de então, fã crítico-analítico. "Anh-ham".



Posted by Hello

18 de nov. de 2004

O que não sou fisicamente, posso ser descrito. Desvalido de Poder, mesmo estando plantado na Alvorada, procuro Imaginação, abstrata, desconexa,dislexiana. Perco por ser um afungentador de significados. É que estou atrás de sentimentos e sentidos irrelevantes de tão adjetivos. Para mim, me basta uma Idéia-Estética. Não vejo veracidade nenhuma nos silogismos caucásicos-latinos-subsaarianos e das frases primarias que me algemam, sentirei saudade. Importante contar-lhes: sou neófito, efebo, filho de escultor (seus dedos pareciam cinzeis ao dobra as brancas pétalas de rosas ). Ao escrever, salto além da verossimilhança (único risco que me inflijo). Daqui uns minutos, por exemplo, serei uma mulher com a obrigação de dizer ao noivo: sim. Às vezes, quase sempre, a paranóia me repete, repetitivamente. Com sorte reencontro-me momentos de surtos psicóticos, com ajuda, única, de signos lingüísticos vernaculianos. Escrever tem sido meu coquetel, meu álcool, meu puro gim fumegante servido com cubos de agramaticalidade. Com isso aprendo a equilibrar as frases, pratos prestes a cair, do final do primeiro capítulo até o funeral da Dona Morte.

16 de nov. de 2004

De:"U." (...)@(...).gov.br
Data:Sun, 14 Nov 2004 19:44:20 -0200
Para:marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re: Re: Corpo desaparecido...

Estou baixando o messenger, aguarde...


Data: Sun, 14 Nov 2004 19:23:45 -0300 (ART)
De: "marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Re:(...)
Para:
"U." <(...)@(...).gov.br>

Chuchuzão,

Pardon, mon cher. Tenho estudado muito. É a faculdade, a correria no min. e a loja. Ufa! Quero férias. (ao seu lado se possível) Mas em momento nenhum deixo de pensar em você e na sua proposta, minha carta na manga. Bem que vc poderia ter o MSN do Hotmail, nesse exato momento estou on line. Se puderes, me adicione: [(...)@hotmail.com.br]. Você não sai da minha cabeça, até pelo excelente trabalha que vocês (PF) estão realizando. Parabéns! Você merece que eu (...) ( vc deve se lembrar que sou perito nisso, né?) e (...), ou melhor, (...). (...). E mesmo se não fosse. Eu faria de novo, de graça. Essa sua simpatia me domina. ainda bem que eu tenho juízo. (hehehe)

Beijos,

Chuchuzinho.

De: "U." <(...)@(...)gov.br>
Data: Sun, 14 Nov 2004 19:13:59 -0200
Para:
marcio.silva@(...)org.br
Assunto: Corpo desaparecido...

Oi, Chuchuzinho,
Você nunca mais me escreveu, desapareceu... Espero que esteja amando, assim eu ficaria feliz por você... Mas é importante que também esteja sendo amado, se não eu arranco as bolas dele, certo??? Afinal para ter uma pessoa como você tem que saber ama-lo muito bem. Mande notícias. Quanto a eu, estive muito atarefado nos últimos três meses, operações e mais operações, nunca trabalhei tanto. Acho que deveria ter sido médico para fazer tantas operações...
Beijos...
Chuchuzão

13 de nov. de 2004

Ainda não entendi como será a saida daqui de casa. Chamo por Sameul: Samueeeeeel... A leitora me ligara para me alertar o erro: você escreveu Clarice com dois erres. Há! há! há! Risos de deboche como se finalmente houvesse me superado. Priminha, um dia serás muito mais do que eu. Afinal não segurei na tua mão para menos do que isso. Imagino-te: uma linda professora universitária de literatura comparada fazendo seus alunos implorarem por mais um verso, já que aquele emprego no Supremo estava muito ruim. Só para te matar de inveja: bem que eu podia me inscrever no mestrado de literatura da UnB. Escolho esta, por estar ao alcance da minha janela. Seríamos colegas. Abandono de vez essa geografia amazônica e não me irrito mais por ter planos de manejos recusados. Acho uma palhaçada desperdiçar dinheiro público contratando consultores a peso de ouro, para depois dizer que tudo se trata de decisão política. Hmmm...sinto a catinga do maldito populismo. Espero estar enganado. Anjo Samuel terminaste a seleção dos post preferidos? A oração do perdão não conhecerá sem sua presença.

12 de nov. de 2004

Perscrutar. Era essa a palavra que tanto procurara. Por acaso encontrada nas crônicas da Clarice Lispector.