Disse-lhe sim com tanta sinceridade, que ele foi chorar no banheiro. As lágrimas que eu não testemunhei, pude sentir dentro de mim, quando ele resolveu, depois de muitos beijos, me penetrar. Era 15 h, o celular tocou a Habanera. O Naz ao invés de atendê-lo, o desligou. Saí de baixo dele, e mandei que o atendesse. Podia ser urgente. Prometi-lhe que voltaria à noite para terminarnos o que eu nunca deveria ter começado. Não retornei, tampouco telefonei para ele. Enquanto o Dr. se mostrar apaixonado, vou fazendo paçoca do seu coração, ora doce, ora salgada que distribuo aos imberbes que nos pára no sinal. Dá um real para o menino, amor! Adoramos fazer caridade com o dinheiro dos outros. O Naz meteu a mão na sacola de compras que estava no meu colo e tirou um pacote de biscoitos amanteigados. Os meus biscoitos amanteigados! Que desse os de cereja, mas os amanteigados, não! É isso que eu aprecio nele. O Naz pensa rápido e destila um sarcasmo que me faz chupar os dedos. Ele até merecia uma chupada pela sua perspicácia. Mas, no trânsito, não. Poderíamos nos engalfinhar na tranqüilidade do nosso jardim de inverno. Sem olhares curiosos, sem interrupções, nem por isso sem emoção.
18 de mai. de 2005
17 de mai. de 2005
Não sei contar uma mentira grande, mas um mentirinha, eu consigo. Principalmente quando se trata de uma meia verdade. Consegui um dia de folga. Disse ao meu povo que ia à Secretaria de Educação fazer minha inscrição para contrato temporário. Eu só não disse, onde eu ia depois. Vou passar o dia todo sem respirar pólens de margaridas e girassóis. Em compensação, tenho um apartamento imundo de abandonado para faxinar. (Eu me ofereci para limpá-lo, mesmo o Naz tendo me pedido para que não me preocupasse com a bagunça, que ia chamar um diarista, etc.) Pela poeira, pelo lodo na privada e as quimbas de cigarro no chão, aposto sem medo de perder que o apartamento estava mais de um ano abandonado. Não pretendo chamá-lo novamente de lar. Até porque, o Dr. está em treinamento. É provissória essa história tirar o colchão da cama e jogá-lo no chão. Vamos fazer barulho do mesmo jeito. Até porque, ele continua o mesmo impaciente de antes. Não acredito que só porque ele mandou instalar a linha telefônica, levou a geladeira que desde nossa época de ouro, roncava mais que ele, para o conserto que vamos finalmente nos entender. Ele é incapaz de montar meu quebra-cabeça da forma que me proporcionaria prazer absoluto. E eu não tenho mais paciência de explicar-lhe que agindo assim no outro dia estou imprestável. Talvez, ele seja mesmo um garanhão, e precise de um haras para saciar suas fantasias. A pizza chegou. Amanhã continuo.
16 de mai. de 2005
Dentro da Barca, a caminho do aeroporto, a piada era essa: Deu lesão corporal e as gargalhadas me impediam de admirar a orla do Rio. Era falta de respeito para comigo, afinal se o motorista e eu trocamos bom dia, foi muito. Ele ficara o tempo todo fora da casa, fazendo a guarda. Mas era amigo do Naz, e decidi relevar. Eu queria ter ido ao jogo do Flamengo, pensei alto. Que papo torto é esse? Esqueceu-se que eu sou vascaíno? -- me gritou o Naz. Tomei-lhe a garrafa de vodka e fiquei ensaindo o gole. Salve nação tricolor! -- gritou o louco que estava ao meu lado esquerdo. Um cara novo, no máximo 23 anos, jeito de surfista, paranóico a enéssima potência. Para ele todos eram suspeito. A toda hora me perguntava porque as pontas dos meus dedos estavam escuras. Ele só não pegou na minha mão para cheirar, porque o Naz não me deixou só um minuto sequer. Não adiantava explicar-lhe que era por causa das nódoa das rosas. Mas ao passar-lhe a garrafa, ele pegou minha mão e, sem pedir licença, a cheirou. Talvez, o surfista quisesse ter certeza que não havia trabalhado em vão, ou apenas, queria experimentar o motivo da felicidade do Dr. Spock. Perguntei se mais alguém queria cheirar meus dedos. O Naz soltou um risada sinstra. E todos pernameceram calados até chegarmos ao aeroporto onde a despedida foi protocolar.
Imagine se eu concordasse em permanacer o tempo todo lá no sítio, onde nem podia subir no abacateiro. Se o Naz soubesse que aos sete anos eu já brincava de subir em árvores, não teria feito tanto alarde. Você estava na ponta da galha. E na ponta do iceberg era onde eu deveria estar, desde que eu contesse meu gemidos. O gelo podia se derreter dentro de mim, sem me queimar. Sabe, DiCla, o nosso urso polar (sim! O Dr. Fornazze, voltou a emitar aqueles incomodos grunidos ao dormir, que ele jura não emitir) podia ao menos fazer a unha, não tenho experiência em casquear, mas após o banho poderíamos cortá-las. Quem sabe os sais de maracujá não as amolecería, além do coração duro do meu algoz? Ainda há alguns projetéis a serem extraídos do peito do Naz, o que eu faria com prazer se ele não pedisse para eu apanhar o isqueiro no chão todas as vezes que eu inicio uma conversa séria. O idiota apanha e depois não consegue se conter. O que deixa o Dr. muito decepcionado. Esse tempo todo afastado, ele não aprendeu a se servir do melão sem parti-lo em bandas. Azar o dele. Vou aproveitar até a última gota dos seus beijos carnudos. Depois vou-me embora para o Gazebo, rezendo para que a saudade não me acompanhe. Não quero comer pizza, não quero conhecer a cidade. Não se conhece uma cidade admirando seus pontos turísticos. Queria ele dentro de mim, dizendo eu te amo.
--Você não quer ver o mar?
--Estou olhando para ele. Azul, salgado, agora mais calmo, enigmático.
Ele me respondeu, esquecendo o peso do corpo sobre o meu. Eu poderia ter gemido "ai", mas preferi agüentar o peso da dor que não me era estranho.
--Você não quer ver o mar?
--Estou olhando para ele. Azul, salgado, agora mais calmo, enigmático.
Ele me respondeu, esquecendo o peso do corpo sobre o meu. Eu poderia ter gemido "ai", mas preferi agüentar o peso da dor que não me era estranho.
14 de mai. de 2005
MINHA HOMENAGEM À MENINA DOS MEUS SONHOS
Ainda tenho quinze minutos antes de fazer o check-in. Preciso me gabar. Preciso contar-lhe, DiCla, que estou indo para o Rio passar o final de semana. Se eu disser que se trata de ficção, não estarei parecendo exibicionista, mesmo sendo, certo? É ficção, querido. Minha vida não passa de uma mentira que só eu acredito. Tu sabes disso. Nem mesmo se apareço com olho roxo no trabalho. Era um roxinho imperceptível, inversamente proporcional a força do soco. (Meu desdém absorvera todo o impacto.) É tudo falso. Sou um falsário, impostor. Eu não amo aquele homem que foi à floricultura, se é que eu posso chamar aquele quiosque de floricultura, comprar um ramalhete de rosas chá. Onde já se viu chegar na casa dos outros sem flores? Ainda mais na casa da mãe. Ainda mais quando se faz um ano que não a vê. Ainda mais quando se comemora 80 anos de vida. Não entendo e não concordo (já discutimos muitas vez por isso), como pode o Naz deixar a mãe dele a cargo de acompanhantes (que nem mesmo são enfermeiras) e empregadas. Ainda estou muito magoado com o que ele me disse sobre minha relação com meu pai. Eu poderia ter-lhe dito que o papai não me carregou nove meses, nem ao menos sabia da gravidez da mamãe e que nunca me pegara no colo, o que dirá carregar. (Meu irmão sempre me reclamara que era obrigado a me carregar.) Mas, eu aprendera que com bêbado não se discute e não poderia se apronfundar os argumentos que começavam a ser substituídos por xingamentos implícitos. Acabamos de nos reencontrar e eu já vou impondo minhas opiniões, fazendo as mesmas cobranças, exigindo ética (A sua, né, Márcio?) Ele parece disposto, eu não. Foi só sexo, o suficiente para me deixar com prisão de ventre. Eu tenho alguém que me quer, contornando a plataforma continental a serviço. Enquanto estou livre, ouço meus bolachões na companhia de um estranho. Minha resposta continua sendo não, Naz. Só não sei como dize-lho, DiCla. Sabe sim! Você é quer não dizer. Ainda acredita que conseguirá convencê-lo a levá-lo à Bienal do Livro. Que bom que voltaste para corrigir a ortografia.
13 de mai. de 2005
Por causa do texto de ontem, telefonei para o serviço dele de um telefone público. Se a secretária atendesse, ou qualquer outra pessoa, desligaria imediatamente. Uma voz masculina me atendeu e gaguejando disse-lhe que eu gostaria de falar com o Dr. Fornazze, era da escola do filho dele. Amante que se preza, tem seus códigos.
-- Diga, professor! Aconteceu alguma coisa com o Guilherme?
-- Nada grave. Ele machucou-se nas escadas da sala de projeção.
-- É preciso que alguém vá aí buscá-lo?
-- Não. Pode ser no horário de sempre.
-- Acontece que hoje, eu vou me atrassar.
-- Sem problema, ele fica no parquinho brincando...
-- É que hoje aqui, está movimentado, senão eu iria aí agora. De qualquer forma, obrigado por ter ligado.
E quando nos encontramos à noite no nosso bar preferido, eu já havia me decidido que não faríamos sexo, por mais que eu quisesse. Ele se sentiria muito envaidecido ao saber que eu o procurara, enquanto havia outras opções. Na verdade não há. Igual a ele, não. E ele pressentindo minha resistência, usou do charme para convencer, usaria da força se fosse preciso. A saudade o consumia, como me confessou horas mais tarde. Eu tentava não observá-lo, quando ele completava meu copo, o cuidado para não fazer espuma, o resto no copo dele, o levantar da garrafa para chamar o garçon, o inclinar do corpo ao guardar a garrafa ao pé da mesa. Eu parei de contar na quinta. Cogitei em irmos embora, e ele me disse depende.
-- Diga, professor! Aconteceu alguma coisa com o Guilherme?
-- Nada grave. Ele machucou-se nas escadas da sala de projeção.
-- É preciso que alguém vá aí buscá-lo?
-- Não. Pode ser no horário de sempre.
-- Acontece que hoje, eu vou me atrassar.
-- Sem problema, ele fica no parquinho brincando...
-- É que hoje aqui, está movimentado, senão eu iria aí agora. De qualquer forma, obrigado por ter ligado.
E quando nos encontramos à noite no nosso bar preferido, eu já havia me decidido que não faríamos sexo, por mais que eu quisesse. Ele se sentiria muito envaidecido ao saber que eu o procurara, enquanto havia outras opções. Na verdade não há. Igual a ele, não. E ele pressentindo minha resistência, usou do charme para convencer, usaria da força se fosse preciso. A saudade o consumia, como me confessou horas mais tarde. Eu tentava não observá-lo, quando ele completava meu copo, o cuidado para não fazer espuma, o resto no copo dele, o levantar da garrafa para chamar o garçon, o inclinar do corpo ao guardar a garrafa ao pé da mesa. Eu parei de contar na quinta. Cogitei em irmos embora, e ele me disse depende.
12 de mai. de 2005
Observem atentamente, excelentíssimos. A formiguinha perdida sendo pisoteada por argüições literárias. Sobreviverá? Sobreveviremos! Para tanto, me pergunto quem sou eu para compor os elos de uma fina corrente de ouro cravejada de esmeraldas, rubis e opalas que mais me lembram a tornozeleira da mamãe... Merda! Por que eu tenho que chorar quando me lembro da vaca botanto a cabeça fora do cercado para me "acariciar"? O passeio pelas ruas da velha Abaeté, seus paralelepípedos cantando para Sol. Eu reclamando de fome, de cansaço, de sono. Mãe, compra para mim uma máscara. Ela comprou. Mãe, compra para mim um picolé. Quero de morango, moço. Mãe, compra aquela revistinha para mim. Ela comprou, prometendo-me uma surra, se eu não contesse minha avidez. E enquanto ela terminava o permanente, eu me distraía com as imagens daquele patinho triste. E o pato grande chegou... Cisne, me dissera a manicure. Mãe, o que é um cisne? É você meu amor, você é o meu cisnezinho.
Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.
Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.
Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.
Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.
Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
"1ª) Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
3ª) Qual foi o último livro que comprastes?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
7ª) Os meus indicados para dar continuidade a esta corrente - se assim o quiserem - são:"
Porque eles traduzem, teorizam e poetizam as sensações que escondo no viés dos meus meandros. Porque me alonguei demais no espaço-tempo dos pampas. O que era para ser uma bricandeira, tornou-se um incêndio. Portanto, leitores, por obséquio, fumar, lá na varanda. Piromania pronta para recolher os bulbos que não resistiram ao sol forte de Maio, mês das Mães, das Noivas e de Nossa Senhora de Fátima.
P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.
P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.
11 de mai. de 2005
Tão perto e tão ausente, foi a frase que ouvi quando entrei no quarto para dizer boa noite. Sorri, revirando os olhos, como se tivesse a exclamar: Óh! Nosso relacionamento baseia-se em gentilezas que foram e vieram. A psicóloga me incentivava a deixá-la. Mas, será que eu conseguiria pousar o Boeing sem que ninguém se machucasse? Seria mais sensato apostar na fatalidade da minha vida. Tenho aprendido que há também poesia na tragédia. Vamos rir, já que se trata de ficção. Eu, particulamente, rompo paradigmas. Assim, fui educado.
10 de mai. de 2005
Filho-da-puta! Onde você esteve ontem à noite? O imbecil aqui simplesmente te escondeu, num lugar que-eu-não-sabia-onde. Imagine se o presidente Vargas perdesse um dos seus cardernos, seria outra Revolução. Sim! Inclusive ditadores escrevem diários pessoais e íntimos com uma disciplina de deixar orgulhoso os papais generais. Eu não sabia onde havia deixado meu diário. Vamos fazer uma revolução! Primeiro, na minha escrivaninha. Tragam álcool, detergente e flanelas brancas, preferencialmente, pois não quero ser mais confundido com os menores que trabalham nos semáforos. Depois, nas minhas caixas-arquivos, chega de guardar recortes de jornal de 1993. Madonna pernanece ícone, mas agora a temos na ponta dos dedos. Não adianta! Nada me faz esquecer. E se a cimbydium emborcada o achou e o guardou para ela? Não que lá tivesse registrado algo de relevante para mim ou para alguém. Acontece que por causa do meu descuido, perdi. E eu não gosto, não sei, não quero perder, mais do que eu já perdi. Perdi minha vida que insiste em fingir ter saído de casa. Vida, atende o telefone! (O caderno podia estar por lá) Porque me ignorar, se era você que me carregava para o córrego? -- deixei gravado na secretária eletrônica. Graças a Companhia de luz, posso escrever, por que se não, aí sim, eu estaria fodido. Mas não é a mesma sensação. Preciso sentir o grafite quebrando gelo da folha de papel. É no deserto frio onde me encontro.

9 de mai. de 2005
8 de mai. de 2005

"Foi um Dia das Mães muito bom! Diferente." Finalmente vou poder dormir, depois de uma semana de preocupações e noites acordado. O que se abril, neste exato momento que lhe escrevo, se fechou. Agora é Maio. O Ano começou. Alguém deve ter ganhado muito dinheiro, não a custo da minha mais-valia, que fique claro. Resumindo, deixo um beijo gostoso para todos, bem na caixa de esgoto... "Estou ocupado, porra!" (No meio de Peões, não se pode ser Rainha.) Beijos, abraços e flores. E não vá espirrar, porque não há mais lenço. Vou para casa escrever tudo que aconteceu, até minha bateria descarregar por completo, claro que metade será imaginação e a outra metade da laranja é minha. "Vou repensar o Dia das Mães." Eu também gostaria de repensar o meu. Gostaria de ao menos de ter podido levar rosas vermelhas à lápide da mamãe. Ano que vem, deve ser diferente. Estarei casado, morando em alguma tapera abandonada, se é que eu posso dizer chamar aquilo de "morando". Ele dormia em sítios abandonados para economizar a diária do hotel. "-- Não é perigoso?" "-- Não."
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.
6 de mai. de 2005
DiCla, tu não vais acreditar, há três dias e duas noites estou tentando postar. Nunca foi tão complicado fazer um revisão de um texto meu. Vou mexendo, mexendo, mexendo e quando acordo, mais acrescentei do que eliminei. Permita-me a liberdade escritores, o post acaba se transforma num conto. E conto, eu guardo no cofrinho, para mais tarde depositar na caderneta de poupança da colmeia. Ai! Colmeia me lembra abelha; abelha, pólens; pólens, trabalho. Algumas centenas de dúzias de rosas vermelhas para limpar. Epa! Deixa de mentira! Você já passou dessa fase. Então, algumas centenas de dezenhas de clientes para atender. DiCla, imagine tu chegando no bar da moda e ter que aguardar por duas horas na lista de espera para conseguir uma mesa. Nesse caso, tu irias tomar cachaça em outro boteco; numa floricultura, o cliente disputa um botãozinho de rosa que iria para o lixo, um caroço de azeitona que eu me recusaria a cobrar, se o cliente muito agradecido não jogasse uma nota de dez conto em cima balcão e saísse apressado. Caro, não? Eu costumo me vingar dizendo os preços. Os ricos pechicham; os emergentes fazem cara de indiferentes; os pobres, abaixam a cabeça. E eu disfarço as lágrimas por vários motivos que não cabem neste post disfarçado de crônica e que se tornaria um conto sem não colocasse esse ponto final. Até segunda-feira, DiCla, te encontro mais tarde nas folhas de A4.
4 de mai. de 2005
26 de abr. de 2005
Dicla, o que vai ser da gente agora? Eu preciso de um HD novo. Não sei começar o dia sem ler meus e-mails. Não sei terminar minha noite sem antes desejar bons sonhos aos meus amigos. A informatização mais que uma resposta, nos trouxe várias perguntas. Vou voltar a escrever a máquina, enquanto não consertam nosso computador. Querido diário, você agüentará minha ausência por uma semana? Ou mais? Tampouco eu. Não queria ter entrado nesse parque de diversões, chamada Blogolândia. Principalmente, porque às vezes, entra um vírus e acaba com todos os componetes da nossa máquina, assim, de repende. E agora? Vou gastar um dinheiro que não tenho em cibercafé, como faço agora, espremido pelo tempo para poder postar, enquanto...; ou: ligar para o perito em informática que deseja me ver desfilando de mini-saia, salto alto, maquiado e de trancinhas? Não tenho muita escolha. E todos nós temos muita pressa. Me sujeito a crueldade do destino, mais uma vez a rosa salmão mucha no pé sem ser colhida. Se o polícia mais uma vez botar a arma na minha cara exigindo que eu vista calcinha, eu vou... não sei! Realmente, não sei.
22 de abr. de 2005
Perdoa-me os erros. A euforia não me permite pensar. Vou fazer uma sacanagem, e dessa vez não será na pista de atletismo do colégio. O gramado do campo de golfe ficará castigado de tanto óleo de peroba derramado propositadamente. Baby, é sêmen dos impuros. Depois a gente se arrepende e se confessa. Vamos nos pegar no banheiro do botecão. Bar cheio, todos mamados até o tampo. Ninguém sentirá por nossa falta. Se disserem: "Porra! Achei que tinham ido embora". De pronto, respondo: "Não estou bem. Acho que vou vomitar, de novo." E todos riem e nada desconfiam. Ou até desconfiam, mas falsificamos tão bem os rótulos de champagne, que para eles não importa se nos beijamos na boca ou pescoço; se abraçamos fortemente na piscina ou se andamos de mãos dadas na penumbra da madrugada. Ainda se pode andar pelas ruas da capital às três horas no dia de Lua Triste. A polícia até que tenta nos intimidar acionando a sirene. Para o pernanbucano, aquilo foi só mais um motivo para apertar ainda mais minha mão: "Está com medo? Relaxa!" Eu tenho medo, Dicla, de amanhã não poder estar aqui contigo para compartilhar meu cotidiano com seus futuros leitores. (Desde que nenhum deles seja meu pai. Hi, hi, hi! ) Eu nunca vou me referir ao Recifense como me refiro a ti. Ele nunca vai ouvir de mim: Meu querido, T., mesmo ele me dizendo que me quer muito e que vai me levar embora daqui. O que serei de mim sem esse horizonte a me dizer até onde eu posso ir? Eu quero fazer uma sacanagem, sim! Enquanto o Centauro e seus amigos não retornam do Rio. E dessa vez não me importarei se for em público. Atentado violento ao pudor, só seria mais um processo para longa ficha do meu amigo de Recife. A afeição aumenta, cada que ele brinca de me afogar na banheira. Eu queria que não fosse ficção. E é! Só não sei até onde. Vou tentar estar mais presente, querido diário. Mais assíduo. Não só contigo, mas também com as minhas obrigações acadêmicas. Não posso vacilar. Afinal, o que o T. mais admira em mim são meus comentários quando saímos da sala de projeção.
18 de abr. de 2005
Eles nos querem prestando atenção na fumaça que sai da chaminé. Tudo bem. Que a preguiça tome conta do que restou de mim. Quem sabe amanhã eu esteja de bom humor e resolva me dedicar ao movimento das nuvens. Não que o final de semana, tenha sido aborrecido, ao contrário. O recifense fode pr'a cacete. Aliás, nem precisava, só seu sotaque já me levaria a orgasmos desconcertantes. Vou deixar o celular desligado o dia todo. Quero ver como se comporta um coração que se diz assombrado com o castanho dos meu olhos.
11 de abr. de 2005
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