13 de mai. de 2005
12 de mai. de 2005
Observem atentamente, excelentíssimos. A formiguinha perdida sendo pisoteada por argüições literárias. Sobreviverá? Sobreveviremos! Para tanto, me pergunto quem sou eu para compor os elos de uma fina corrente de ouro cravejada de esmeraldas, rubis e opalas que mais me lembram a tornozeleira da mamãe... Merda! Por que eu tenho que chorar quando me lembro da vaca botanto a cabeça fora do cercado para me "acariciar"? O passeio pelas ruas da velha Abaeté, seus paralelepípedos cantando para Sol. Eu reclamando de fome, de cansaço, de sono. Mãe, compra para mim uma máscara. Ela comprou. Mãe, compra para mim um picolé. Quero de morango, moço. Mãe, compra aquela revistinha para mim. Ela comprou, prometendo-me uma surra, se eu não contesse minha avidez. E enquanto ela terminava o permanente, eu me distraía com as imagens daquele patinho triste. E o pato grande chegou... Cisne, me dissera a manicure. Mãe, o que é um cisne? É você meu amor, você é o meu cisnezinho.
Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.
Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.
Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.
Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.
Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
"1ª) Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
3ª) Qual foi o último livro que comprastes?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
7ª) Os meus indicados para dar continuidade a esta corrente - se assim o quiserem - são:"
Porque eles traduzem, teorizam e poetizam as sensações que escondo no viés dos meus meandros. Porque me alonguei demais no espaço-tempo dos pampas. O que era para ser uma bricandeira, tornou-se um incêndio. Portanto, leitores, por obséquio, fumar, lá na varanda. Piromania pronta para recolher os bulbos que não resistiram ao sol forte de Maio, mês das Mães, das Noivas e de Nossa Senhora de Fátima.
P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.
P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.
11 de mai. de 2005
Tão perto e tão ausente, foi a frase que ouvi quando entrei no quarto para dizer boa noite. Sorri, revirando os olhos, como se tivesse a exclamar: Óh! Nosso relacionamento baseia-se em gentilezas que foram e vieram. A psicóloga me incentivava a deixá-la. Mas, será que eu conseguiria pousar o Boeing sem que ninguém se machucasse? Seria mais sensato apostar na fatalidade da minha vida. Tenho aprendido que há também poesia na tragédia. Vamos rir, já que se trata de ficção. Eu, particulamente, rompo paradigmas. Assim, fui educado.
10 de mai. de 2005
Filho-da-puta! Onde você esteve ontem à noite? O imbecil aqui simplesmente te escondeu, num lugar que-eu-não-sabia-onde. Imagine se o presidente Vargas perdesse um dos seus cardernos, seria outra Revolução. Sim! Inclusive ditadores escrevem diários pessoais e íntimos com uma disciplina de deixar orgulhoso os papais generais. Eu não sabia onde havia deixado meu diário. Vamos fazer uma revolução! Primeiro, na minha escrivaninha. Tragam álcool, detergente e flanelas brancas, preferencialmente, pois não quero ser mais confundido com os menores que trabalham nos semáforos. Depois, nas minhas caixas-arquivos, chega de guardar recortes de jornal de 1993. Madonna pernanece ícone, mas agora a temos na ponta dos dedos. Não adianta! Nada me faz esquecer. E se a cimbydium emborcada o achou e o guardou para ela? Não que lá tivesse registrado algo de relevante para mim ou para alguém. Acontece que por causa do meu descuido, perdi. E eu não gosto, não sei, não quero perder, mais do que eu já perdi. Perdi minha vida que insiste em fingir ter saído de casa. Vida, atende o telefone! (O caderno podia estar por lá) Porque me ignorar, se era você que me carregava para o córrego? -- deixei gravado na secretária eletrônica. Graças a Companhia de luz, posso escrever, por que se não, aí sim, eu estaria fodido. Mas não é a mesma sensação. Preciso sentir o grafite quebrando gelo da folha de papel. É no deserto frio onde me encontro.

9 de mai. de 2005
8 de mai. de 2005

"Foi um Dia das Mães muito bom! Diferente." Finalmente vou poder dormir, depois de uma semana de preocupações e noites acordado. O que se abril, neste exato momento que lhe escrevo, se fechou. Agora é Maio. O Ano começou. Alguém deve ter ganhado muito dinheiro, não a custo da minha mais-valia, que fique claro. Resumindo, deixo um beijo gostoso para todos, bem na caixa de esgoto... "Estou ocupado, porra!" (No meio de Peões, não se pode ser Rainha.) Beijos, abraços e flores. E não vá espirrar, porque não há mais lenço. Vou para casa escrever tudo que aconteceu, até minha bateria descarregar por completo, claro que metade será imaginação e a outra metade da laranja é minha. "Vou repensar o Dia das Mães." Eu também gostaria de repensar o meu. Gostaria de ao menos de ter podido levar rosas vermelhas à lápide da mamãe. Ano que vem, deve ser diferente. Estarei casado, morando em alguma tapera abandonada, se é que eu posso dizer chamar aquilo de "morando". Ele dormia em sítios abandonados para economizar a diária do hotel. "-- Não é perigoso?" "-- Não."
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.
6 de mai. de 2005
DiCla, tu não vais acreditar, há três dias e duas noites estou tentando postar. Nunca foi tão complicado fazer um revisão de um texto meu. Vou mexendo, mexendo, mexendo e quando acordo, mais acrescentei do que eliminei. Permita-me a liberdade escritores, o post acaba se transforma num conto. E conto, eu guardo no cofrinho, para mais tarde depositar na caderneta de poupança da colmeia. Ai! Colmeia me lembra abelha; abelha, pólens; pólens, trabalho. Algumas centenas de dúzias de rosas vermelhas para limpar. Epa! Deixa de mentira! Você já passou dessa fase. Então, algumas centenas de dezenhas de clientes para atender. DiCla, imagine tu chegando no bar da moda e ter que aguardar por duas horas na lista de espera para conseguir uma mesa. Nesse caso, tu irias tomar cachaça em outro boteco; numa floricultura, o cliente disputa um botãozinho de rosa que iria para o lixo, um caroço de azeitona que eu me recusaria a cobrar, se o cliente muito agradecido não jogasse uma nota de dez conto em cima balcão e saísse apressado. Caro, não? Eu costumo me vingar dizendo os preços. Os ricos pechicham; os emergentes fazem cara de indiferentes; os pobres, abaixam a cabeça. E eu disfarço as lágrimas por vários motivos que não cabem neste post disfarçado de crônica e que se tornaria um conto sem não colocasse esse ponto final. Até segunda-feira, DiCla, te encontro mais tarde nas folhas de A4.
4 de mai. de 2005
26 de abr. de 2005
Dicla, o que vai ser da gente agora? Eu preciso de um HD novo. Não sei começar o dia sem ler meus e-mails. Não sei terminar minha noite sem antes desejar bons sonhos aos meus amigos. A informatização mais que uma resposta, nos trouxe várias perguntas. Vou voltar a escrever a máquina, enquanto não consertam nosso computador. Querido diário, você agüentará minha ausência por uma semana? Ou mais? Tampouco eu. Não queria ter entrado nesse parque de diversões, chamada Blogolândia. Principalmente, porque às vezes, entra um vírus e acaba com todos os componetes da nossa máquina, assim, de repende. E agora? Vou gastar um dinheiro que não tenho em cibercafé, como faço agora, espremido pelo tempo para poder postar, enquanto...; ou: ligar para o perito em informática que deseja me ver desfilando de mini-saia, salto alto, maquiado e de trancinhas? Não tenho muita escolha. E todos nós temos muita pressa. Me sujeito a crueldade do destino, mais uma vez a rosa salmão mucha no pé sem ser colhida. Se o polícia mais uma vez botar a arma na minha cara exigindo que eu vista calcinha, eu vou... não sei! Realmente, não sei.
22 de abr. de 2005
Perdoa-me os erros. A euforia não me permite pensar. Vou fazer uma sacanagem, e dessa vez não será na pista de atletismo do colégio. O gramado do campo de golfe ficará castigado de tanto óleo de peroba derramado propositadamente. Baby, é sêmen dos impuros. Depois a gente se arrepende e se confessa. Vamos nos pegar no banheiro do botecão. Bar cheio, todos mamados até o tampo. Ninguém sentirá por nossa falta. Se disserem: "Porra! Achei que tinham ido embora". De pronto, respondo: "Não estou bem. Acho que vou vomitar, de novo." E todos riem e nada desconfiam. Ou até desconfiam, mas falsificamos tão bem os rótulos de champagne, que para eles não importa se nos beijamos na boca ou pescoço; se abraçamos fortemente na piscina ou se andamos de mãos dadas na penumbra da madrugada. Ainda se pode andar pelas ruas da capital às três horas no dia de Lua Triste. A polícia até que tenta nos intimidar acionando a sirene. Para o pernanbucano, aquilo foi só mais um motivo para apertar ainda mais minha mão: "Está com medo? Relaxa!" Eu tenho medo, Dicla, de amanhã não poder estar aqui contigo para compartilhar meu cotidiano com seus futuros leitores. (Desde que nenhum deles seja meu pai. Hi, hi, hi! ) Eu nunca vou me referir ao Recifense como me refiro a ti. Ele nunca vai ouvir de mim: Meu querido, T., mesmo ele me dizendo que me quer muito e que vai me levar embora daqui. O que serei de mim sem esse horizonte a me dizer até onde eu posso ir? Eu quero fazer uma sacanagem, sim! Enquanto o Centauro e seus amigos não retornam do Rio. E dessa vez não me importarei se for em público. Atentado violento ao pudor, só seria mais um processo para longa ficha do meu amigo de Recife. A afeição aumenta, cada que ele brinca de me afogar na banheira. Eu queria que não fosse ficção. E é! Só não sei até onde. Vou tentar estar mais presente, querido diário. Mais assíduo. Não só contigo, mas também com as minhas obrigações acadêmicas. Não posso vacilar. Afinal, o que o T. mais admira em mim são meus comentários quando saímos da sala de projeção.
18 de abr. de 2005
Eles nos querem prestando atenção na fumaça que sai da chaminé. Tudo bem. Que a preguiça tome conta do que restou de mim. Quem sabe amanhã eu esteja de bom humor e resolva me dedicar ao movimento das nuvens. Não que o final de semana, tenha sido aborrecido, ao contrário. O recifense fode pr'a cacete. Aliás, nem precisava, só seu sotaque já me levaria a orgasmos desconcertantes. Vou deixar o celular desligado o dia todo. Quero ver como se comporta um coração que se diz assombrado com o castanho dos meu olhos.
11 de abr. de 2005
9 de abr. de 2005
Recebi, na madrugada de hoje, uma prova irrefutável que ele me ama. Uma lágrima caiu inocuamente no teclado testemunhando nossa paixão. Precisava dizer-lhe o quanto me sentia protegido pelo seu ato. Não tive tempo. Fora isto, comi arroz com ovo no almoço, debaixo do mesmo abacateiro de sempre. Este já nem mais me expulsa à bacatadas. Parece que se afeiçoou a mim. Pudera. Meus olhos escuros castanhos, inchados de apanhar, entregam facilmente, minhas contradições congênitas. Olha a sintaxe estralando minha quinta vértebra. A árvore se deleita... Fui à biblioteca e estudei o quanto minhas pálpebras permitiram, versificação clássica. (Portanto, ...) Um dia quem sabe não aprendo a me dirigir a tratores com polidez?
A caminho do estacionamento, decepcionado com o ipê branco de tão florido, rasguei uma fresta na parede de páginas de livro que concluía seus trabalhos. Amanhã é segunda-feira, surpreendi-me ao olhar para o relógio; nem conto mais com o domingo -- mesmo morno, chuvoso e televisivo, assustei-me. E aquela sensação de me automutilar agitou uma folha de pata-de-vaca interrompendo meu cemitério íntimo. E a vontade sobrepujou-me: sacar toda a poupança e voltar ao inferno: degustar café descafeinado, tomar cerveja sem álcool, fazer suco de tomate-caqui. De jeito nenhum. A bacia vermelha cheia de camisas de linho branco de molho me espera para jantar. Antes que eu me vá, publica, virtual e anonimamente declaro: Gaúcho, eu te amo. Nunca imaginei dizer isto a um homem que não fosse pai. Continuemos com o treinamento, se permite, com uma única mudança: não.
7 de abr. de 2005
Tenho que linkar meus visitantes.
Responder os comments
Estudar para o seminário.
Porra! Desde semana passada, acordo assustado por causa dessa apresentação.
Vou comer alguma coisa e dormir.
O professor vai reconhecer meu empenho.
Radicalmente comprometido.
Não vejo de outra forma
Não há opção.
Aliás, o aluno ouvinte, vai escolher bacharelado em Jornalismo ou Letras e Literatura Brasileira?
Enquete encerrada.
Responder os comments
Estudar para o seminário.
Porra! Desde semana passada, acordo assustado por causa dessa apresentação.
Vou comer alguma coisa e dormir.
O professor vai reconhecer meu empenho.
Radicalmente comprometido.
Não vejo de outra forma
Não há opção.
Aliás, o aluno ouvinte, vai escolher bacharelado em Jornalismo ou Letras e Literatura Brasileira?
Enquete encerrada.
-- (...) vou te dar uma pirocada servida!
--Com quem você acha que está falando?
--Não embassa, não! Vem logo. Puta, eu trato assim. Vem dizer que não você gosta?
--Esquece! Você está muito alterado hoje.
--A gente estaciona lá atrás do estande.
--Amanhã te ligo.
--Se não vier, não precisa ligar mais, não!
--Não posso sair à noite.
--Mando uma viatura te buscar.
--Aqui no meu bloco? Enlouqueceu!
--Quer ou não quer?
--Adoraria, mas não assim.
Ela pegou um táxi e foi. Antes, parou no McDonald's para comprar um Big Mac para viagem. Ela dorme atravessada no sofá. Parece exausta, talvez culpada. Chegou aqui em casa chorando e sagrando. Não entrou em detalhes. Receio pela vida dela. Eu conheço a figura. Tenho vontade de ligar no celular dele para lhe dar os parabéns.
--Com quem você acha que está falando?
--Não embassa, não! Vem logo. Puta, eu trato assim. Vem dizer que não você gosta?
--Esquece! Você está muito alterado hoje.
--A gente estaciona lá atrás do estande.
--Amanhã te ligo.
--Se não vier, não precisa ligar mais, não!
--Não posso sair à noite.
--Mando uma viatura te buscar.
--Aqui no meu bloco? Enlouqueceu!
--Quer ou não quer?
--Adoraria, mas não assim.
Ela pegou um táxi e foi. Antes, parou no McDonald's para comprar um Big Mac para viagem. Ela dorme atravessada no sofá. Parece exausta, talvez culpada. Chegou aqui em casa chorando e sagrando. Não entrou em detalhes. Receio pela vida dela. Eu conheço a figura. Tenho vontade de ligar no celular dele para lhe dar os parabéns.
6 de abr. de 2005
Blogando de um telecentro, a quinhentos metros do Memorial Juscelino Kubitschek. Qual a vantagem? Nenhuma. Apenas o fato do ar condicionado estar ressecando o buquê de goivos azuis, que para mim sempre será lilás. Jamais haverá apreensão desaprendida da ansiedade de se esperar por um quem-sabe-amante com quem acabo de trocar fotos pelo messenger (duas horas atrás). Nick: Barica. Apelido desde quando servia nos Dragões da Independência. Só a simbologia valeria o esforço da mentira e o risco da perda do resto filete...
Eita, caralho! Um rapaz de cabeça raspada acaba de descer as escadas e entrar na sala. Ele aperta a boina, como se fosse um tique nervoso adquirido. Tenso, parece procurar por alguém. Escondo o livro no meu colo sem me denunciar. Ele não me mentiu quando disse que praticava artes marciais. Tem porte. Duvido que seja mesmo judô. Ele não me dissera que era fumante. Há! Há! Há! Omitiu com receio que eu o rejeitasse, talvez. Por quantos minutos ele poderá me esperar?
O tesão o deixou cego. Nem se eu acenar para ele, será capaz de me perceber. Seu celular toca, ele examina quem era e o desliga. Ele realmente está disposto a sofrer. Se tivesse a paisano, eu me entregaria. Foi até a portado amplo hall de altíssimo pé direito. Está olhando no relógio. Acendeu outro cigarro. Já é o quinto. Não vai ceder. Olha lá para fora, para ver se alguém parecido comigo vem chegando. Será que não passa pela sua cabeça de couve-flor... Ele descansa a mão sobre o revólver guardado no coldre do colete à prova de balas. Não gosto dessa parafernália toda, me parece que espera pelo pior. Parece que quer intimidar.
Pegou o celular e está ligando para alguém. Deve ser para mim, suponho. Celular fora da área de serviço ou desligado, após o sinal... Ele está gravando uma mensagem! Precisa andar enquanto fala no (?) telefone? Meu leãozinho acuado, porque raspar essa juba?
Fim do jogo, as flores estão sentido. Não há porquê deixá-lo agoniado por mais alguns minutos. Bem que ele merece, por ser coorporativista. Não há justificativas para ações de grupos de extermínios.
OFF TOPIC (Réplica): Nunca sabemos aonde o afluente deságua
Nem vou explicar-lhe. Este diário que nos guarda, trata-se da mais pura ficção aplicada à exponencial inversa da hipotenusa quadrática (perdoa-me , não pude evitar esta digressão). Esqueceu-se que não faço uso de psicotrópicos? Não bebo. Apenas omito. De acontecimento, no post anterior, só as "bolas" que tive que entregar na Polícia Federal (Ah! o meu domingo de descanço...). Eu precisava de um contexto para encaixar o fato que lá estive. E por pouco não fui preso por desacato a autoridade. Sou humilde o suficiente para reconhecer que a autoridade ali era eu. (Nossa! Deixa de pedantismo!) Tive vontade amarga de mandar duas dúzias de filhas-da-puta tomarem naquele lugar cheiroso... Ainda bem, que aonde vou, levo minhas luvas. Tem neguinho me odiando por eu ser tão hábil espadachim.
Chegamos no bar por volta das 21h. E se, o Estica não tivesse reservado nossa mesa (para quê essa frescura, filho?) teríamos que beber no conforto da casa da Vasconcelos. O que não seria má idéia (por mesmo eu ficaria). Estava e estou cansado desde a semana passada. Ainda em conseqüência do domingo no qual permanecemos o dia todo na Superintendência da Polícia Federal pendurando "bolas". Tomar sereno, gelado e tapinha nas costas não é para mim. Principalmente, quando há trilhões de pessoas que eu nunca vi antes me chamando pelo apelido. Sem gelo, por favor!
5 de abr. de 2005
Se eu fosse viver da prostituição, morreria de fome. Resmungou ao ver o Audi passando sem percebê-lo parado num ponto estrategicamente iluminado. Sentiu muita raiva daquelas sujeitos que não se importavam em gastar combustível à toa. Não entendia a lógica do jogo. Até que viu, à distância de dois postes de luz, quatro policiais militares abordando um rapaz. O luar não lhe permitia se esconder. Encolheu-se dentro de si, esperando a abordagem padrão. Ao ser perguntado o que fazia ali, disse-lhes a verdade. O polícia com a lanterna ofuscando-lhe a visão, mandou-lhe deitar-se no chão. Nunca pensara em cometer um atentado violento ao pudor.
4 de abr. de 2005
Vamos construir lingüinças debaixo dos portões verdes que selam nossa saudade austríaca? O ligustro a caminhar pela coluna vertebral, ora mármore rosado, ora marshmellow insonso, vértebras da zebra negra. Me chamam de Lua, antes do meio-dia; durante invernos homicidas, de Sol. A luz por mim emitida faz a plantinha me revirar em codinomes indecifráveis e ainda assim gosto de assinar seus comprovantes de cartão de crédito (desenho rúbricas à base d´água para que ele , o ligustro, aceite meu convite). Nada nos convence a digerir corações servidos em falsas baixelas de prata. Vou refletir sobre o verde, enquanto me desapareço na azul fumaça levantada pela plantinha, enquanto não me telefonam para me dizerem: até que enfim. Estou em stand by, nem por isso vou esfregar os kimonos pingando a suor. Vou a biblioteca mais tarde trocar nossas passagens aéreas. E para o jantar, vou, sim, servir-lhes rodelinhas de lingüinça de carne marreco ao molho de pétalas de rosas chá. Quem não quiser, que não (nos) coma!
Caso toquem no assunto, conto-lhes a verdade: Sou aquele filho que havia sido abandonado na porta do Convento das Irmãs Mercedárias. Todos, eu disse todos, sabiam da minha existência, mas lembrar do dia que eu nasci, seria tabu, sendo eu, filho da estelionatária foragida, cafetina na maior parte do tempo, e do alcólatra sifilítico, prostituto de boa estirpe (nada mais almodovariano). Isso que é ser um pouco gay. Tem dias que dá pra tirar uma onda, outros não. Não se surpreenda, portanto, querido diário, ao ser acordado com o telefonema de que blogueiro esfaqueia filho de deputado, supostamente amantes, em frente ao STF. Pais condoídos se perguntam: Como não houve testemunhas, numa área de policiamento ostensivo?
Caso toquem no assunto, conto-lhes a verdade: Sou aquele filho que havia sido abandonado na porta do Convento das Irmãs Mercedárias. Todos, eu disse todos, sabiam da minha existência, mas lembrar do dia que eu nasci, seria tabu, sendo eu, filho da estelionatária foragida, cafetina na maior parte do tempo, e do alcólatra sifilítico, prostituto de boa estirpe (nada mais almodovariano). Isso que é ser um pouco gay. Tem dias que dá pra tirar uma onda, outros não. Não se surpreenda, portanto, querido diário, ao ser acordado com o telefonema de que blogueiro esfaqueia filho de deputado, supostamente amantes, em frente ao STF. Pais condoídos se perguntam: Como não houve testemunhas, numa área de policiamento ostensivo?
2 de abr. de 2005
Era 1º de Abril! Minha mamãe não é de morte; mais algumas garrafas de pinga, ela chega lá.
Continuo puto! Mas se estou aqui conseguindo digitar, é porque já se amenizou a fervura nos meus intestinos. Na aflição, na agonia, nada melhor que o atrito da esferográfica vermelha na folha A4. Pode parecer neurose, mas só consigo escrever em folhas sem pautas. Linhas retas distraem minha criatividade. Parece que quero chegar a algum lugar, mas desconfio: não serei bem recebibo. Por isso, as curvas; movimento curvilíneo originando uma espiral. Fractal. Rima, para mostrar a tentativa frustrada de se compor um único verso. Rimo para me esquecer que foi primeiro de abril. Quem sabe agora me animo a digitar as oito páginas escritas, na sofreguidão, ontem à noite. O Guilherme merece, minha irmã também. Um fato tolo, relevante no todo.
OFF TOPIC (TELEVISÃO): Ainda sobre o BBB 05
Uma pessoa muito querida: "-- (...). Ele foi sincero em dizer que era gay."
Eu, engasgado com o suco de bacuri (!): "-- Sincero, porque lhe convinha ser..."
Achar que o professor deveria ganhar, não significa que se estava torcendo por ele. Algumas benesses lhe concedo, assim pensam eles. Desde que, aquele cumpra seu papel social. Vai que aproveito a ocasião e digo claramente: "-- E se fosse eu, no lugar dele, expondo claramente minha orientação sexual?" Papai continuaria a me receber em sua casa? Jamais! Ouço piadinhas, das 7h10 da manhã até por volta das 23h e apesar do constrangimento, da violência psicológica, moral e física, tudo não passa de uma gostosa e divertida brincadeirinha. Acontece que, se até Desembargador toma uma resposta mordaz minha, daquelas que não se pode fazer nada, a não ser degustá-la, se for perspicaz o suficiente (Oh, Senhor! Por onde passo arrumo inimizades.) o que dirá aqueles que ascendem a luz do meu quarto procurando roupa para dormir? Eu risco com canivete a porta do carro e volto a dormir em paz.
1 de abr. de 2005
Minha queridíssima madrasta, meia hora atrás.
-- Fofinho (de quem, nem imagino) vai ter uma jantarzinho aqui em casa, conto com a sua presença!
-- Mãe?! Bença! (sic)
-- Deus te abençõe.
-- O convite se estende a um amigo? (Disse só para provocar/irritar, já que ele está no Rio --conforme havia-lhes informado.)
-- Claro! Traz ele, preciso conhecer esses seus amigos... (risos)
-- Mas, mãe... hoje, é sexta-feira... sou solteiro...
-- Seu cachorrão! (gargalhadas) Sendo filho de quem você é, não me admiro. Juízo, heim? Não quero fazer reconhecimento de corpo no IML (ela ficou traumatizada); nem ficar levando cigarro para você na cadeia.
-- Sai! (Ela ficava bem humorada, quando abusava do álcool. Podia ter sido sempre assim.)
-- Se você resolver, venha com aquele seu terno azul marinho. Você fica lindo de terno. Já pensou, trabalhar de terno.
-- Deixa comigo; ainda te faço uma surpresa. (Quando ela estava bêbada e carente, eu a tratava com mais carinho -- porque havia uma deixa.)
-- Beijos e te cuida!
-- Bença (sic), mãe.
-- Deus te abençõe, meu querido.
-- Fofinho (de quem, nem imagino) vai ter uma jantarzinho aqui em casa, conto com a sua presença!
-- Mãe?! Bença! (sic)
-- Deus te abençõe.
-- O convite se estende a um amigo? (Disse só para provocar/irritar, já que ele está no Rio --conforme havia-lhes informado.)
-- Claro! Traz ele, preciso conhecer esses seus amigos... (risos)
-- Mas, mãe... hoje, é sexta-feira... sou solteiro...
-- Seu cachorrão! (gargalhadas) Sendo filho de quem você é, não me admiro. Juízo, heim? Não quero fazer reconhecimento de corpo no IML (ela ficou traumatizada); nem ficar levando cigarro para você na cadeia.
-- Sai! (Ela ficava bem humorada, quando abusava do álcool. Podia ter sido sempre assim.)
-- Se você resolver, venha com aquele seu terno azul marinho. Você fica lindo de terno. Já pensou, trabalhar de terno.
-- Deixa comigo; ainda te faço uma surpresa. (Quando ela estava bêbada e carente, eu a tratava com mais carinho -- porque havia uma deixa.)
-- Beijos e te cuida!
-- Bença (sic), mãe.
-- Deus te abençõe, meu querido.
30 de mar. de 2005
Folhas escarnecidas azuis correndo pela sala de estar. Meu amante de volta oferecendo-me rosas vermelhas muchas, sem espinhos, roubadas do Jardim de Infância, aqui em frente. Estava sonhando. (Agora, estimado leitor, tu terás como me localizar. A janela estará entreaberta. Tome cuidado com a cerca viva de coroa de Cristo, ok?) Queria me tocar, mas não consigo. As pilhas pulam longe e o desejo se projeta cada vez que o telefone toca. Pode ser ele, pode ser ele, é ele, o Centauro: Onde você estava? Te liguei a tarde toda! Saiu sozinho ou acompanhado? Diante da insistência em não acreditar nas largatixas presas no assoalho vespertido do alto do pé direito, explico-lhe que a fila estava grande no veterinário. Nossa menina?! Como está nossa filhinha? Está bem, Amor, não foi nada. Apenas, saudade do papai. E você, meu churrasquinho de gato? Eu não! Ainda não me recuperei do atentado violento ao pudor. Estou despudoradamente revirado do avesso. (Nem se eu quisesse, e como eu gostaria, eu poderia traí-lo) Quando eu chegar, quero ser compensado pelo sofrimento que você me impõem. Olha, lá heim? Se eu sentir o cheiro de outro homem em você, eu te enforco e te enterro nesse lote vazio, aí do lado. Ignorei a bravata e me repugnei imaginado o me cheirando desavergonhadamente. Minha vontade de desligar o telefone veio forte. A energia acabou.
OFF TOPIC (POLÍTICA): Enfim, eles foram embora (?)
Ouço, em Fá menor, a criança gritando: "Fora Efe-mi-i! Fora Efe-mi-i!" Não que houvesse influência da família. Meus pais estavam mais preocupados com o preço do diesel. Meus professores, sim, eles foram meus preferidos (Como?). Minha primeira lição na escola foi aprender a protestar contra a falta de merenda. Poderia se dizer que estávamos sendo manipulados, sim, mas presenciar a Tia Margarida discutindo com a mulher de cabelos de biloca, foi dos maiores aprendizados em toda minha vida (Que exagero!). Participar da primeira greve foi um algo natural, ou melhor, social. Claro que minha madrasta e meu pai nem imaginavam ... Eles acreditavam nas minhas mentiras, ou fingia acreditar -- era mais conveniente. De fato eu gostava de ficar na biblioteca (muitas vezes sozinho) recortando revistas, colando gravuras, criando imagens de brancas espumas de sabonete. Passava tardes inteiras, respirando a poeira das pratileiras, quietinho, absorto num mundo de regras plausíveis. Mas eu gostava mesmo era da folia, de me imaginar discursando para centenas de milhares de pessoas em rede nacional de rádio e televisão. Sim! Eu queria mesmo era ser Presidente da República... Até eu me olhar no espelho, e perceber que Maria Helena nunca me beijaria. Não porque eu fosse feio, mas porque eu era macaco extraordinariamente desgalhado.
27 de mar. de 2005
Sandro está em Nova Iorque; Regina em Vancouver; Graça em Brighton; Bel em Paris e Marisinha em Montpellier; Dudy e Neuza, em Turim; Fernanda em Amsterdã; Ana Cristina em Barcelona e não os invejo de jeito nenhum. Cada carta que me chega, desmistifica nosso sonho de estudar no exterior. Todos desistiram do doutoramento. E quando me perguntam como estou, o que ando aprontando, tenho que mentir: "estou estudando."
Eu renunciei minhas metas. Eles nem imaginam que estou preso e até o final do ano, provavelmente, estarei sendo transferido para uma penitenciária de segurança máxima. (Que isso, Márcio! Que exagero!) Poderia contar-llhes sobre meu diário virtual. Assim, diariamente (?), teriam notícias minhas... Seria cometer o mesmo erro em menos de seis meses. Teria que explicar metáfora por metáfora e o Skype ainda não é tudo isso que dizem por aí. Curvo-me diante os caprichos do destino. Resignação.
Ele, o Centauro, havia me alertado para o ciúme que sentia. Não imaginei que fosse brutal. Olhei para o Montanha, surpreso -- não admirado. Nunca imaginei que ele tivesse tantas tatuagens espalhadas pelo tórax. Nunca imaginei que minha coxa podia ser menor que um bíceps. Estou perplexo até agora. Encabuladíssimo! Aquilo lá não pode ser de verdade. As veias paressem gritar socorro. O copo se espatifando no chão, a faca em riste, o empurrão e eu sendo sacudido como se fosse um tapete. Troquei um delegado homicida, por um comandante paranóico.
Acho que eles continuam jogando canastra. Ninguém veio investigar por estou demorando com as cervejas. Vou descer e cumprir minha obrigação de anfitrião, indiferente ao marrento e as piadinhas do Montanha. E amanhã mesmo vou destrancar minha matrícula na Aliança. Afinal, não foi por isso que eu me sujeitei ao Centauro? E quando estivermos brigando por uma posição mais confortável, vou lembra-lhe que ele me prometera não gritar comigo... O filho-da-mãe ainda vem me beijar: "Feliz Páscoa, Amor!" Vá para o inferno!
26 de mar. de 2005
Faixa-preta me servindo de lençol. Fios corrosivos escorrendo pela janela do quarto. São 3h17. A chave na ingnição mostra-lhe que estamos na curva do atraso. Morangos azuis nos servem de assento para aguçar o tato. Dedos percorrem-lhe os lábios. E mesmo ressentido, ele aceita as desculpa de sal quente, todas elas arrepiadas. Mordo-lhe o supercílio, na esperança de estancar o sangue; beijo-lhe os lábios na esperança que a sorte retorne. Ele é um finalizador. Eu, desmetido mentiroso, fetichista safado. Nunca amei ninguém que não fosse a mim mesmo. O colega dele ri do meu cabelo amassado. Ele acredita que eu havia sido sedado com o suor que pingava do Vela. Indiferente, levanto-me com a desculpa que ir buscar mais gelo e esparadrapo.
24 de mar. de 2005
-- Coelhinho da Páscoa que trazes para mim?
-- Senta no meu ovo que você vai saber.
-- Estúpido!
Minha vontade foi desistir do jantar, dele e da noite. Mas, estava eu tão cansado das minhas exigências (sempre preenchidas) que resolvi classificar sua resposta como detalhe irrelevante. Vamos adiante, enquanto os convidados não desarrumam tapete da pia da cozinha [Sim! Eu também odeio que desarrumem os tapetes, principalmente o que fica aos pés da minha (nossa) cama.] Informo-lhe, Dicla, que estraguei a carne. Muito sal. Vou tocar pimenta dedo-de-moça (frutos inteiros) e apresentar o prato com nome mexicano. São tudo um bando de peão mesmo. Não sei como conseguiram passar num concurso tão concorrido que eu julgava ser de alto nível. A julgar pelos cidadãos (Eles acabaram de chegar, os convidados do Centauro.) há muita podridão na seleção de pessoal para trabalhar em segurança pública. A União que me desculpe, eles não valem um puto furado. Tenho quase certeza que o Haiti, é mesmo aqui. O que não me sujeito para ter tempo de revisar meu texto!
Dragostea Din Tei
Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Alo, Salut, sunt eu, un haiduc/ Si te rog, iubirea mea, primeste fericirea/ Alo, alo, sunt eu Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Te sunsa-ti spunce simtacum/ Alo, iubirea mea, sunt eu, fericirea/ Alo, alo, sunt iarasi eu, Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai
Tenho que agradecer ao cantor Latino (até merece ser linkado). A língua romena é muito linda, soa como árabe afrancesado. Não se trata de francês com forte sotaque árabe. É algo mais orgânico; sintaxe, eu diria, se pudesse.
Quanta saudade sinto de quando os únicos problemas a resolver eram equações de 2ª grau. Tudo bem, que eu apanhasse sempre no intervalo ou na saída; ou os professores se sentissem incomodados com minhas perguntas, mas eu era feliz. Felizinho. Hoje, me desfaço dos meus papéis, pois investigador nenhum vai ficar folheando minha intimidade e reflito que desejo ser Mário de Sá-Carneiro ou Virginia Woolf. Acho que nunca vou aprender a escrever, mesmo. Estou visivelmete causado, exaurido! Nem pensar mais eu quero. Montaigne! É disso que eu preciso, aceitar a Inevitável. Amanhã, vou passar o dia rasbicando palavras estrangeiras. Muito mesmo. Eu preciso de quantidade, de cadernos e mais cadernos escondidos na estufa de mogno. A prática me levaria a perfeição. Só não sei se quero realmente ser perfeitinho. Minha vontade é sentar-me ao lado do papai, e dizer-lhe que realmente estou muito magoado e magoado à anos. Não que eu vá querer alguma reparação. Respeito já seria suficiente. Regredi aos 14 anos, eu sei. Mas questões, essas, a trancar a minha pauta me traz de volta. (Adoro inversões.)
18 de mar. de 2005
Quem é Hécuba? Lembrei-me dela quando o Dezesseis seixos brancos esmurrava minhas costelas assadinhas de leitoa raquítica. Aquele menino encolhido, lá no canto da parede, sou eu. Estava rindo, absudarmente alto, quase implorando: chega de hematomas. "Porque você não reage?" Repugnava-me ser surrado, entretanto, aquela era a única maneira dos dezesseis seixos brancos me acariaciar. Tão em público, nem eu, gostaria dos beijos. Passados exatos sete segundos, ele me pedira que o fotografasse em verdadeiro ato de selvageria. "Vou quebrar o nariz daquele moleque"-- disse-me. "Credo! -- retruquei -- Que Vale-Tudo é esse?" Ele riu folgadamente, como se eu não soubesse de nada. Que desinformado! -- supunha ele, em relação à tudo que viríamos a compartilhar. "Vamos fazer o seguinte, disse-lhe, pega o lápis verde e vamos desenhar um arco-íris tricolor."
Não sei aonde vamos chegar, nem se disciplina terei quando a Lua banhar-se na poça de sangue do meu desejo contido, recolhido e guardado. Poderíamos muito bem, o Dicla e eu, passear no submarino azul da Vice-Presidência da República. Desta vez, eu me esforçaria de verdade para plantar bananeira e não gritaria, como nas últimas vezes. Quem nos lê, imagina um culto à estética da barbárie. Que nada! Violência é o agente almoçar um sanduíche de ricota, após desarmar um aterfato explosivo. O coitado devorava o pão como se fosse a mim mesmo. Foi os cincos reais mais bem gastos nos últimos dias. Quatro e quinze da tarde, e o açoite de aço fazendo sua primeira refeição do dia. Todos os dias, a mesma cantilena, ele dá sinais que sente necessidade das minhas mãos massageando seus omoplatas. (Neeeeem!) Entreguei-lhe o envelope (um sonetinho apaixonado) e peguei meu presente, embrulhado num papel vinho metálico. "Estou bem melhor, já consigo me sentar sem fazer caretas". respondi-lhe, quando perguntado, se havia demorado para estancar a hemorragia. O que ele me rebateu, não merece registro, tampouco comentários. Nada diferente do que um maníaco sexual diria a uma vítima afônica. Dezesseis seixos brancos gesticulava impaciente me esperando além da annona crassiflora. É muita dor que carrega essa alma. Despedi-me fechando os olhos demoradamente. E ao passar pela guarita, fiz questão de perguntar ao segurança terceirizado, porque ele não havia ido ao churrasco.
--Foi aniversário de um ano do meu moleque.
--Oh! Isto é muito bom! Afinal, alguém tem que criar juízo, não? Qual o nome dele?
--Heitor.
Foi difícil disfaçar. Fiquei visivelmente emocionado.
Não sei aonde vamos chegar, nem se disciplina terei quando a Lua banhar-se na poça de sangue do meu desejo contido, recolhido e guardado. Poderíamos muito bem, o Dicla e eu, passear no submarino azul da Vice-Presidência da República. Desta vez, eu me esforçaria de verdade para plantar bananeira e não gritaria, como nas últimas vezes. Quem nos lê, imagina um culto à estética da barbárie. Que nada! Violência é o agente almoçar um sanduíche de ricota, após desarmar um aterfato explosivo. O coitado devorava o pão como se fosse a mim mesmo. Foi os cincos reais mais bem gastos nos últimos dias. Quatro e quinze da tarde, e o açoite de aço fazendo sua primeira refeição do dia. Todos os dias, a mesma cantilena, ele dá sinais que sente necessidade das minhas mãos massageando seus omoplatas. (Neeeeem!) Entreguei-lhe o envelope (um sonetinho apaixonado) e peguei meu presente, embrulhado num papel vinho metálico. "Estou bem melhor, já consigo me sentar sem fazer caretas". respondi-lhe, quando perguntado, se havia demorado para estancar a hemorragia. O que ele me rebateu, não merece registro, tampouco comentários. Nada diferente do que um maníaco sexual diria a uma vítima afônica. Dezesseis seixos brancos gesticulava impaciente me esperando além da annona crassiflora. É muita dor que carrega essa alma. Despedi-me fechando os olhos demoradamente. E ao passar pela guarita, fiz questão de perguntar ao segurança terceirizado, porque ele não havia ido ao churrasco.
--Foi aniversário de um ano do meu moleque.
--Oh! Isto é muito bom! Afinal, alguém tem que criar juízo, não? Qual o nome dele?
--Heitor.
Foi difícil disfaçar. Fiquei visivelmente emocionado.
17 de mar. de 2005
Tive de jurar ao Executivo, ontem, pela minha mãe no céu, que eu não havia entrado na Dark Room. Eu menti, e menti duplamente, o que é pior. Sou mau caráter! A pessoa procurando apartamento para alugar, me chamando para lhe ajudar a escolher móveis, e eu preferindo o risco que a adrenalina deixa na pele. Para quê? Para no outro dia, ligar ao proctologista, implorando por uma consulta extra. Era urgente. Três pontos no colo do reto. Minha sorte é que se tratava de um especialista reconhecido e renomado. Minha sorte, foi o Executivo ter viajado às pressas: "Vamos comigo? Ou além de horror a restaurantes, tem medo de avião, também." Não era nada daquilo, mas eu estava surpreso com a súbita irritação e me esquecendo do incômodo, simplesmente lhe respondi: "Ah! Se eu pudesse..."
15 de mar. de 2005
14 de mar. de 2005
Pára esse carro, agora! Na agonia da aflição, gritei. Como se fosse fazer diferença. O verso jazia estendido sobre o asfalto, quilômetros atrás. Estúpida tentativa de resgatar uma lembrança de sábado à noite. É melhor limpar o olhar de ódio que mascara minha feição e continuar procurando entender como ele pode deixar gravado na caixa postal do meu (nosso) celular, versos de Vinícius de Morais. Desculpem-me! Mais clichê impossível. Sou amante, não cúmplice. Na tentativa de fazer poema, neste Dia da Poesia, saiu-me a fatídica prosa que me mata aos poucos. Um murro no peito, meu boné no chão. De que me adianta tanto Bilac, se nada assimilo? É simples compor versos, basta escrever, dissera Clarice Lispector, disfarçada de Joana. Para Manuel Bandeira não seria bem assim e Carlos Drummond de Andrade nos ensinara que não interessava a inspiração, e sim a luta. Mas do que eu estou falando? Sou o cirrocúmulos no rebordo da chapada, observando o mancha de sangue no asfalto liso de tão novo, a procura da diferença da soma da multiplicação. Me compliquei! Resignado, resolvo encaixar um "aliás" neste post, dependendo da entonação, sinto orgasmos sem ejaculação.
Lápis-de-cor furando minha traquéia, assim foi meu banho na piscina de lama que se formou para auxiliar eu e a loira a voltarmos. Desde que ela, retornou, transferida, à Brasília, todos nossos amigos articulam mais que torcem para que deixemos de nos encontrar só para sexo casual. Não quero nem ouvi-la me chamar de meu bem e ela não parece disposta a me escutar sobre meus novos projetos. Ela continua se vestindo muito bem. Mesmo se o seu seio saltasse para fora, não seria vulgar. Com elegância desconcertante, ela pediria a travessa de picanha. Ah, Doutor! Ela será a primeira a saber que estou tendo um caso, quando eu tiver absoluta certeza que se trata de algo mais do que um encontro sem gênero. Vou pedi-la para puxar o "nada consta" do executivo. Que raios de multinacional é essa?
12 de mar. de 2005
Sim! Eu fui atrás de proteção. Antes do sol sorrir, minhas mãos seguravam firmemente a nuca de uma pessoa que eu nunca havia visto antes. Se eu tivesse numa boate, este comportamento seria compreensível. No zoólogico não era. Da última vez que me entreguei sem ressalvas, fui convidado a desfrutar um banho hidromassagem, nesses motéis de onde podemos complentar o perfil das naturezas mortas. Desta vez, haveria de diferente. Minha abstinência compulsória ressultaria no efeito esperado. Eu estava puro. Ninguém, nada, convenceria a quebrar meus votos. Sou o mesmo tolo de ontem de manhã. Sapatos combinando com cinto, me fascinam. Calça de brim bege com camisa salmão me desnorteiam. Eu precisa fugir da corrente que me acariciava. Aço cirúrgico? Ouro branco. O brinco arrematava o bom gosto do Pessoa. Que mal haveria apenas relaxar sob corpo, pura canela. Era a terceira tentativa em menos de três meses. Pena que este, seja tão possessivo. Ainda sim, prefiro a ele do que me lamentar pelos longos fios de cabelos loiros que não encontro mais na pia do banheiro, quando vou escovar os dentes. Talvez, ela, a loira, fique feliz em saber que estou tentando superar a impossiblidade de tê-la ao meu lado na cama, assistindo As Horas.
11 de mar. de 2005
Não posso mais protelar. Vou a delegacia registar a queixa. Ele prometera bater na minha cabeça com um gato morto, até que este miasse. Será que ele poderá ser, duplamente, enquadrado por crime ambiental? Vou ter que fazer algo que não gostaria: ligar para um fulaninho filha-da-puta de ordinário. Qualquer coisa eu cuspo.
Nossos caminhos se cruzam todos os dias. Ela segue apressada em direção ao banco, enquanto eu, vou ao supermercado comprar pães. Sou apaixonado pelo tom loiro dos seus cílios. Ela ajeita o penteado. Eu grito de fome. Ela me conhece e me reconheceria, até mesmo carbonizado, na necropsia do IML. Ela perguntaria ao agente sobre meus pertences, na esperança de reaver um cordão que um dia ficou perdido no chão do banheiro. Ela ainda bebe um copo d'água, assim que acorda, e come uma maçã, enquanto folheia o NYT. A mesma rotina, como se compartilhássemos os mesmos objetivos. Se ela vier me beijar, não vou virar o rosto novamente. Será sexo, precedido de um jantar. Sem perguntar porquê.
10 de mar. de 2005
O efebo me chamou para o tatame. Declinei do convite, por se tratar de um gesto educado, supunha eu. Beijando-me a face, ele me perssuadiu a fazer tudo que ele propunha. Nunca imaginei que o tatame seria um colchão e que travesseiros poderiam ser arremessados pela janela. (Ih! Foi mal!) Ele queria carinho, atenção e se divertir com a única pessoa que estava disposta a fazer exatamente o que ele mandava. Por exatas cinco horas eu me doei, e apesar dele ter se machucado, rimos muito da brincadeira.
9 de mar. de 2005
Não pretenderia construir um guarda-sol, tampouco tecer uma bolsa feminina. Queria crescer para além de mim mesmo. Pormenores: nem vou contar para as lentes fotográficas a desconfiança do batom. Defina abstracionismo, me perguntou o praticante de arte marcial (sem mencionar qual, para que não pensem que planto couve em dias pares) Afirmo com segurança... um telefone que magoou meu patrimônio, uma cliente que me amo a ponto de perder o raciocínio lógico-matemático, me interrompem enquanto tentava resgastar...não dá para continuar. Acendeu a luz de freio. (Como se fosse fazer diferença.)
7 de mar. de 2005
Quarenta dias pendurado no varal feito lençol impuro beijado por brisas vermelhas. Nem sei como pedir-lhes desculpas. Estive me deitando com os mirmidões e descobri que dificilmente vou decifrar o código civil da constrelação de Capricórnio. Sem telescópios, sem física nuclear. Apresento-me celibatário, de fato, onanista. Mesmo quando me ligam de Palmas, me oferecendo resgate, pergunte-lhes se ele continua com ciúmes dos meus olhos castanhos. Ele te ama, ninguém acha graça, talvez, por isso, acumule inúmeras funções. Todas elas desempenhadas com brilhantismo. Qualquer hora, ele leva um tiro e eu terei de me desfazer das provas do meu crime. Sim! O criminoso ali era eu, induzindo-o a cometer um estupro impossível. Na risca da Marinha nunca mais.
25 de jan. de 2005
Pedrucha, o branco combina com seus olhos. Buquê prometido se encontra guardado no cofre do Banco Central. Nem me pergunte como ele foi parar lá. Incompetência minha, extraviando emoções. Imagem para que recordas da nossa amizade. Obrigado por me ouvir e me aconselhar com jurisprudência internacional.

24 de jan. de 2005
21 de jan. de 2005
20 de jan. de 2005
Acabo de sair para biblioteca. A noite de segunda-feira ainda emerge na minha memória. Não há ninguém para atender o telefone. Não sinto culpa. Apenas me envergonho pelas gafes cometidas. Poxa! Ele tinha que moder meu calcanhar? Espero que o coice involuntário não o tenha machucado. Tenho certeza que não é para mim. Caso contrário, vou ter que beijar muito aquela boca carnuda de dentes alinhados até sarar. Eu consigo contar mentirinha. Mentirona, não. O que eu faço com o sniper? A pilha de livros que se junta minha mesa começa a me irritar. Nada. Ele estava bêbado. A Branca de Neve riu até chorar da minha frase. Me chamou de gênio. Preciso dormir, nem que seja por cinco minutos. Opinião suspeitíssima. Ela me levaria escondido na babagem para o Canadá, se fosse possível. Três horas não está sendo suficiente.
19 de jan. de 2005
Me arrependo da merda que eu fiz. Como vou dizer a ele eu te amo, sem ser presa? Depois resolvo. Sim, leitores, estou apaixonada. Ele, não sei. Talvez, eu esteja sendo precipitada. Se eu me decepcionar, vocês serão os primeiros a saber. Quando ele for transferido, vocês, também serão os primeiros a saber. E das gafes que tu cometeste na primeira noite, eles saberão? Quando eu perder a vergonha, lhas conto. Tomara que o Sapo continue príncipe por mais seis anos. Sempre soube que o Poder era o melhor dos afrodisíacos, mas nunca imaginei que o desejo ia me deixar a noite toda acordada, sonhando com alguém que não poderia vir. A sensação de um corpo procurando o meu, era inevitável. Eu odeio escalas. E não vou contar, para ele, sobre nós. Todo mundo tem um e-mail secreto, me dissera ele. E muitos adolescentes (adultos, também!) tem problemas em guardar seus pessoais diários íntimos. Ele não irá te conhecer, DiCla. Também, temos direito a privacidade.
18 de jan. de 2005
Querida leitora,
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.
17 de jan. de 2005
O novo vizinho está colocando vitrais nas janelas. Só espero que o casal de rotweiller seja educado. Não vou me levantar da cama, para cumprimentá-los, nem para nada. Os três aparecem nervosos. Os cãos não param de latir. O viking, de gritar com os homens que carregam caixas de madeiras. Só de olhar sinto o peso. Eu também preciso me mudar. Se pelo menos o Dente-amarrado atendesse minhas ligações, eu poderia compartilhar meus planos com seus sonhos. Ele nunca vai conseguir ter tempo para mim. E mesmo assim eu insisto no erro. Quero um aparador igual aquele no meu quarto. Ouro envelhecido refletindo o amor que se esvai dos nossos corpos numa nublada tarde de domingo.
15 de jan. de 2005
A última vez que chorei em público foi quando o Carrasco fez omelete do meu polegar. Depois, aprendi a jogar a emoção para o platéia. Minhas lágrimas, leitora e leitor, decorrem da minha amadorística prática cênica. Em falsete, desenterro feijões que não mais crescem a custo de falsos herbicidas. Dói. Sinto repulsão em fazer o que eu gostaria que fizessem em mim. Sobreviverei ao final de semana. Espero que vocês também. E se hoje apareço cabisbaixo, decorre do pedido de hoje cedo: "quando você tiver sozinho aqui na loja, por favor, não fica no computador." Ainda nem eram seis horas e eu já sentido a fervura do chá de boldo. Será que se eles vierem a ler meus pensamentos ou mesmo se estiverem me lendo poderão vira a romper os laços de papel sulfite? Iniciar-se-á uma era de gelo? Do lado do Carrasco não encontro a tranqüilidade prometida, do lado da família não encontro a serenidade esperada . Me debato dentro da jaula, feito mico leão-dourado. Fazer programa na sauna seria uma solução, difícil de arriscada, mas já executada de bem-sucedida. Assim, poderia pular de biblioteca em biblioteca, de prateleira em prateleira, atrás de referências nem sempre confiáveis.
11 de jan. de 2005
Dia sim, dia não, vou ao bosque de bougainvilles brincar de roleta russa. No momento de puxar o gatilho, já me encontro, totalmente, dominado pelo topor que os olhos verdes me proporciona. Não será nos braços dele que a fatalidade ocorrerá. Ele vai saber pelos jornais. Seus colegas, estarrecidos, não poderão dizer nada (eles nos ignora). E no banheiro do segundo andar, os olhos verdes ficarão vermelhos, depois inchados e depois pequenos (ele terá uma recaída). Enviara-lhe uma mensagem por celular para lhe comunicar do hematoma no meu lábio superior. Evidência irrefutável, meu bem! Disse-lhe, quando finalmente resolveu me ligar. Me dá quinze minutos que estou passando aí para te levar ao IML, me respondera. Espatifei o celular no chão. E não me arrependo. Aos poucos vou me soltando das algemas que ele me impões.
Vísceras vazias me servindo, na taça, águas do Adriático. Ela também sofre por não encontrar alguém que esteja disposto a viver um romance sincero de duradouro. O que não se vive, se cria, se reelabora. Assim, ela se libertou. Menina de pele leitosa, pura nuvem que nos anuncia o veranico. Está frio aqui dentro do peito Miss P.. Meu calcanhar se congela ao pisar no chão. Tio M. me pergunta se tem café. Café preto, Tio? Pergunto-lhe abrindo sorrindo cúmplice. Estou deixando de beber, Marcinho. (Graças à Deus!) Só vou beber durante seis meses. Dia sim, dia não. Começo a rir a ponto de meu estômago dar nó. Acordo a Sabiá insone. Você tratou dela, hoje? Tio M. me faz rir, quando eu preferiria me enfurnar no quarto permanentemente lusco-fusco. Ele me tirou a lembrança do copo vazio. Não quero mas servir pratos rápidos, comidas instantâneas. Três minutos é muito pouco. Duas horas não é nada, se telefonema não me acorda logo cedo: Só liguei para lhe desejar bom dia, meu amor! Arroz com feijão tão básico de gostoso. Porque amor e sexo não marcam um encontro logo mais depois das 21h em frente ao Centro de Convenções? Vou voltar à peleja, antes que seja necessário colocar luvas para cumprimentar os incautos. Lutaria, se possível, ao lado dos Troas contra os Aqueus. Queria fazer diferença.
10 de jan. de 2005
O e-mail ainda não chegou na caixa de entrada. O que a pessoa está achando? Minha próstata se derrama sempre quando me lembro da impossibilidade de tê-la dentro de mim novamente. Não vou dar orçamento nenhum, não agora. Preciso me convencer a não beber da leitosa resina que escorre do Carvalho. Estou cansado de banheiros fedendo à creolina.
Devia se tratar de uma neurótica ansiosa, que nem tão bonita era. Se fosse meu número, teria ligado no outro dia mesmo. Teria lhe respondido imediatamente a mensagem. E minha glândula me sufocando impiedosamente. Porque não encontro conforto nos corações impuros? Será que todos nos postinho só estão à procura de alívio? Minha vontade era ir ao bar, tomar todas as porrinhas disponíveis e me despir de todas as convenções impostas. O que me interessa o que o Lula diz ou deixa de dizer!
Eu quero cavalo branco galopando sem ar em minha direção. Me atropele. Me faz de paçoca, sem antes confessar que me quer amanhã cedo acordando ao seu lado. Me ame, mas não espere por concessões minhas. Ainda bem que vai chover. Na grama molhada, não terei de me ajoelhar. No banheiro imundo não vamos fazer amor. (Amor?) Nem eu nem ninguém. O idiota do diplomata me agradecendo o arranjo de acácias. Deve entender muito de política internacional, porque de flores não sabe nada.
Eu também não sei nada. Nada sobre como andar de mãos dadas no shopping. Cansei, em casa continuo. Se alguém souber de um amigo disponível, me escreva. Seja cupido! Pode ser qualquer pessoa neurótica, boca murcha, fedendo à cachaça. Só não pode ser a pessoa. Quem não a quer mais sou eu.
Também não pode ser quem eu idealizo quando me escondo debaixo do travesseiro. Então, não é qualquer pessoa? Não enche! Pode ser o pernilongo que me atrapalha a concentração. Pode ser a camisa azul-turquesa que me interrompe para perguntar o preço das phalaenopsis. Só não pode ser eu.
Devia se tratar de uma neurótica ansiosa, que nem tão bonita era. Se fosse meu número, teria ligado no outro dia mesmo. Teria lhe respondido imediatamente a mensagem. E minha glândula me sufocando impiedosamente. Porque não encontro conforto nos corações impuros? Será que todos nos postinho só estão à procura de alívio? Minha vontade era ir ao bar, tomar todas as porrinhas disponíveis e me despir de todas as convenções impostas. O que me interessa o que o Lula diz ou deixa de dizer!
Eu quero cavalo branco galopando sem ar em minha direção. Me atropele. Me faz de paçoca, sem antes confessar que me quer amanhã cedo acordando ao seu lado. Me ame, mas não espere por concessões minhas. Ainda bem que vai chover. Na grama molhada, não terei de me ajoelhar. No banheiro imundo não vamos fazer amor. (Amor?) Nem eu nem ninguém. O idiota do diplomata me agradecendo o arranjo de acácias. Deve entender muito de política internacional, porque de flores não sabe nada.
Eu também não sei nada. Nada sobre como andar de mãos dadas no shopping. Cansei, em casa continuo. Se alguém souber de um amigo disponível, me escreva. Seja cupido! Pode ser qualquer pessoa neurótica, boca murcha, fedendo à cachaça. Só não pode ser a pessoa. Quem não a quer mais sou eu.
Também não pode ser quem eu idealizo quando me escondo debaixo do travesseiro. Então, não é qualquer pessoa? Não enche! Pode ser o pernilongo que me atrapalha a concentração. Pode ser a camisa azul-turquesa que me interrompe para perguntar o preço das phalaenopsis. Só não pode ser eu.
O Assessor da Senadora sempre consegue me apavorar. Me socorre! Dormi fora de casa. Me ajuda aqui a escrever uma mensagem romântica. Putz! Desde quando estou aceitando encomendas? São só três frases, Marcinho. Mesmo que fosse só uma. Não escrevo por encomenda. Me diz aí, se ela era loira ou morena? Eram negras. Negras de pele branca. E foi me contando minuciosamente sua performace de contorcionista. Hmmm, sei...conheço a cantada. Eu lhe disse sim, apertando-lhe firmemente a mão ao nos despedir. Sexo à atacado serve de acalanto enquanto não descubro quando vai ser o sepultamento.
8 de jan. de 2005
Affonso Romano Sant'Anna nos explica no seu "A sedução da palavra" (Letraviva, 2000) os rituais de iniciação enfrentado pelo iniciante escritor. Participar de grupos de amigos escritores, seria interessante. Lá fui eu, tímido, levando minha carta de apresentação, escondida dentro das calças, conhecer o pessoal . Não resisti, contudo, a tentação de publicar no ciberespaço (não custa nada, além da tendinite) a tal carta. Cumpra-se, assim, outro ritual: expor ao maior número possível de leitores o texto e solicitar que, se eu estiver sendo ridículo, me avisem. Eu também quero rir. Coaduno com a opinião do Rainer Maria Rilke, porém. Os críticos não tem nada a acrescentar à obra-de-arte, posto a impossibilidade de se comprender o Ser.
"Gaudz,
Cá estou, me unindo aos bons bombons. Li os contos, as crônicas, as mensagens. Senti vontade imensa de narrar o estupro por mim sofrido na semana passada. Desabafo entre amigos. Mas me lembrei que eu era macho. Aliás, era não! Ainda sou. Por enquanto, não sei até quando. E na condição de sexo sensível, protejo meus culhões na redoma de
vidro do meu padrinho. Melhor assim, sem acidentes. Gaudz, apague as frases anteriores. Definitivamente, não consigo dizer a verdade. Eu ia me apresentar ao grupo (Oi, Vizinhos!), ao proprietário (Blz, Paulo!)e acabei tecendo ficção. Problema sério conseguir completar a frase: eu sou...
Posso te/lhes adiantar, Gaudério San/caros calegas, que minha mente pervetida me assunta quando chego de madrugada em casa para preencher meu particular inquérito íntimo.(O DiCla, meu ciberdiário, anda muito criterioso, ultimamente.) Copos ensebados, sujos de melados, me acompanham. Eles desistem de preencher minha mente biologicamente atrofiada. Sou daquelas, opa! Tenho daquelas capazes de justificar, sorrindo, as fissuras anais em um recém-nascido. Mas o que me tensiona mesmo é homem de barba. E/ou mulher estriada. Homens sarados. E/ou mulheres obesas. Deformidades mentais me violentando a culpa. Siliconadas travestis empunhando navalhas. Adoro me travestir nas segundas-feiras à tarde. (Que Papai não venha a saber, o que ele já sabe, mas finge não saber. Finge, mal p'ra cacete!) Deliro quando me corto, acidentalmente, com navalha. Razão pela qual só saio com mulheres que saibam dar nó em gravatas. Quase enforcamento, só com homens (mesmo os que ninguém quer. Não me importo de ser comido no chão, mesmo).
E no mais, Daniel, estou triste com minha pressa de todos os dias. Triste por só agora te conhecido o ciberdiário do seu amigo Paulo. Dane, tu já se deste conta da quantidade de escritores atraídospor ti, ou melhor, pela tua sonoridade hipertextual? A qualidade circunscrita me pergunta: Onde estaremos daqui a vinte e cinco anos, Gaudério? Da água que escorre da serra gaúcha, eu bebo. Não tem me feito bem, meu amigo, Dane. Nem me feito mal.Tem apenas me motivado a seguir, agora não mais sozinho de tão isolado, lendo ( morto diante os mundanos) e escrevendo (vivo diante os escombros) porque só a nado vamos conseguir chegar ao outro lado do rio.
P.S.: A crônica do dia (07/01, o dia da volta do meu recesso) me pareceu um amontoado de frases desconexas.Ocupado estava, ávido por atualizar o DiCla, publiquei o rascunho mesmo. E olha só o que nos aconteceu. Obrigado! Meu destino é a catarse, um gozo jorrando sem ser tocado que os teóricos devem saber explicar.
P.S.S.: Alguém aceita de acelora?
"Gaudz,
Cá estou, me unindo aos bons bombons. Li os contos, as crônicas, as mensagens. Senti vontade imensa de narrar o estupro por mim sofrido na semana passada. Desabafo entre amigos. Mas me lembrei que eu era macho. Aliás, era não! Ainda sou. Por enquanto, não sei até quando. E na condição de sexo sensível, protejo meus culhões na redoma de
vidro do meu padrinho. Melhor assim, sem acidentes. Gaudz, apague as frases anteriores. Definitivamente, não consigo dizer a verdade. Eu ia me apresentar ao grupo (Oi, Vizinhos!), ao proprietário (Blz, Paulo!)e acabei tecendo ficção. Problema sério conseguir completar a frase: eu sou...
Posso te/lhes adiantar, Gaudério San/caros calegas, que minha mente pervetida me assunta quando chego de madrugada em casa para preencher meu particular inquérito íntimo.(O DiCla, meu ciberdiário, anda muito criterioso, ultimamente.) Copos ensebados, sujos de melados, me acompanham. Eles desistem de preencher minha mente biologicamente atrofiada. Sou daquelas, opa! Tenho daquelas capazes de justificar, sorrindo, as fissuras anais em um recém-nascido. Mas o que me tensiona mesmo é homem de barba. E/ou mulher estriada. Homens sarados. E/ou mulheres obesas. Deformidades mentais me violentando a culpa. Siliconadas travestis empunhando navalhas. Adoro me travestir nas segundas-feiras à tarde. (Que Papai não venha a saber, o que ele já sabe, mas finge não saber. Finge, mal p'ra cacete!) Deliro quando me corto, acidentalmente, com navalha. Razão pela qual só saio com mulheres que saibam dar nó em gravatas. Quase enforcamento, só com homens (mesmo os que ninguém quer. Não me importo de ser comido no chão, mesmo).
E no mais, Daniel, estou triste com minha pressa de todos os dias. Triste por só agora te conhecido o ciberdiário do seu amigo Paulo. Dane, tu já se deste conta da quantidade de escritores atraídospor ti, ou melhor, pela tua sonoridade hipertextual? A qualidade circunscrita me pergunta: Onde estaremos daqui a vinte e cinco anos, Gaudério? Da água que escorre da serra gaúcha, eu bebo. Não tem me feito bem, meu amigo, Dane. Nem me feito mal.Tem apenas me motivado a seguir, agora não mais sozinho de tão isolado, lendo ( morto diante os mundanos) e escrevendo (vivo diante os escombros) porque só a nado vamos conseguir chegar ao outro lado do rio.
P.S.: A crônica do dia (07/01, o dia da volta do meu recesso) me pareceu um amontoado de frases desconexas.Ocupado estava, ávido por atualizar o DiCla, publiquei o rascunho mesmo. E olha só o que nos aconteceu. Obrigado! Meu destino é a catarse, um gozo jorrando sem ser tocado que os teóricos devem saber explicar.
P.S.S.: Alguém aceita de acelora?
7 de jan. de 2005
Quente saliva me escorre pela coluna. Saio do carro sem me despedir de Ninguém. Voltei para lhe dizer: presentes foram rasgandos diantes de parentes. Ele é louco, ouvi não sei de quem. Esquece, Marcinho. Esquece. Entrega-me algum manuscritos até dezembro, foi sussurado por quinze minutos na nuca suada, mordida e bronzeada. Minhas costas ainda arde. Único compromisso assumido. Arder-se até quando as floreiras sorrirem. Sou cozinheiro sem canela para temperar o arroz-doce. Vou precisar de muita calda de figo para chegar até o ponto final. O saculejo do ônibus me revira os pensamentos dentro de mim. A comida será servida crua mesmo, problema de quem queimar a língua. Não se apressa o fogo que me leva de volta às cirros-nimbus. Respeito a precisão com a qual o poeta corta as estrelas, mas ao observar o céu, não vejo caminho de volta. Solfejando no escuro até o despertador me chamar. Os labirintos revestidos de políticos hábeis me convencem a vender educação. Sim, senhor. Vou buscar o óleo de amêndoa.
24 de dez. de 2004
22 de dez. de 2004

Eu sei, sim, o que eu quero! Nessas horas não sou nenhum pouco modesto, apesar da minha alma permanecer de joelhos todos as vezes que preciso cumprir as metas assumidas com Santo Antônio. Como vai demorar um pouco o PowerBook sentar no meu colo, vou me divertindo com meus lápis de cores e minhas folhas A4.
A criptografia me resguarda a privacidade, enquanto reluto a me trocar por uma máquina que me trará problemas ortográficos. Mais adiante, perdido na melodia, concluo, erroneamente, que para cada canelada, há uma bofetada estratégica. Onde estão os sonetos?
Wait a minute, pls! Deseja logo Feliz Natal e vamos embora. Para dentro do forninho quente e cheiroso que me guardo todas as noites. E depois o maninho me diz que se perde, propositadamente, no labirinto demolido. Ruínas recém escavadas com as próprias mãos. Quem?
O bruxo que me oferecia uma maçã mordida. Não há como lhe negar a verdade (única). Passei geléia de capuchinha na torrada e pedi ao pisca-pisca que fosse intermitente durante toda a noite. O caos de inveja, ciúme e cobiça combinam com o fluxo vermelho-grená que me mancha o lençol. Nem diminutivos posso falar. Mando emplastificar minha língua antes de paragrafar todo post?
Cartões em forma de pinheiro me esperam, retribuir o carinho daqueles que evito, preciso. Sim. Desvio-me dos meus amigos quando os encontro remando no lago disforme. Feliz Natal traduzido num acesso. Remos que não me alcançam. Ainda sou bom no quem me descaracteriza.
Há dias precisava escrever. Mesmo sendo assim. A caixa d'água do vizinho vinha transbordando e eu sem poder visitar a metafórica Macau globalizada. Eita! Me perdi nas minhas ruas curvilíneas. Evangélico bebendo cachaça feito uma égua. Foi o que ouvi sobre o diplomata holandês. Porquinho de ouro. Bigorna de prata. Desejar noite feliz durante os altos e baixos que, inevitavelmente, será dois mil e cinco, até porque conflitos nos prende dentro do bombom de cupuaçu. Ah! Como fui ingênuo. Bombons são deliciosos, mesmo os de supermercado. Percebe o erro?
O anonimato chique. Silogismo elegante fuçando o bom gosto do bom senso. Eu sei que foi um equívoco. As provocações me desmoralizam. Mas se o PowerBook sentar-se no meu colo, (Olaxá!) poderei colaborar com meus colegas sem me preocupar em visitar a agência publicitária. Ele me ama; eu não, tanto quanto ele. Sou materialista, ele de direita. E se eu acreditar?
Tenho medo de abrir minha caixa postal e reencontrar vários desesperados e-mails do fulanizo, narrando suas arbitrariedades. Por telefone é mais fácil evitá-lo. Ele está viajando. Ele ainda não voltou. Não sei quando ele volta. Se eu não fosse covarde, se eu curtisse algemas sem travas, largaria o produtor para virar o ano numa cama de motel a R$10,00. Não seria pelo ato, tampouco pela beleza. É pela sensação de não poder respirar seu a ajuda da boca alheia. Vou preferir contemplar o PowerBook, como se películas compusessem meu cotidiano. Malas prontas, rumo o desconhecido conhecido.
Finalmente, deixo para a leitora esperta e o leitor curioso votos de Boas Festas, extensivos aos seus familiares. Só volto a publicar com a chegada dos Reis. Desculpa partir assim sem me despedir de ninguém, muitas vezes o PC dificulta o que deveria ser sempre fácil, simples e limpo.
P.S.: Escavei-me tanto que me esqueci de dizer: Papai Noel, eu gostaria muito de encontrar um PowerBook debaixo da minha cama na manhã do dia vinte e cinco. Juro que fingirei estar dormindo quando subir pelas escadas. Não pretendo, porém, dar-te nenhuma pontinha da coberta. Esse ano eu senti muito o frio da tua ausência. Pretendo te castigar exemplarmente.
20 de dez. de 2004
Apartava-se Nise de Montano,
Em cuja alma, partindo-se, ficava,
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.
Pelas praias do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos pelas águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.
«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dizia) quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas.
Mas se em vós, ondas, mora piedade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assim me levais a causa delas.»
17 de dez. de 2004
Amor, co'a esperança já perdida,
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída.
Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto o quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E, se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te co'as lágrimas que choro.
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída.
Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto o quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E, se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te co'as lágrimas que choro.
16 de dez. de 2004
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
15 de dez. de 2004
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
14 de dez. de 2004
13 de dez. de 2004
11 de dez. de 2004

Feliz Natal?! Boas Festas?
Católico extraviado. Educaram-me assim. Saíra do processo de hibernação para comungar durante a Missa do Galo na Santa Bárbara. É que me possibilitava festejar o Natal. Meu Papai Noel conduzia a cerimônia induzindo-nos a sonhar com seus torcidos olhos azuis. Senhor bem sucedido na sua missão. Ausentava-me durante a homilia com medo da hóstia queimar minha boca.
Padre Johann vinha quebrando seus votos muito antes de haver nos encontrado na sauna japonesa. Não tenho nada a ver com seus pecados. Só queria tomar umas aulas de latim e alemão, todas as tardes depois do almoço até antes das oito. Terças e quintas, ele me ensinava; nos outros dias, eu lhe tomava a lição. "Vai, Amor, recita Safo para mim; em grego, amor, em grego." Nem imagino se ele estava me enganando ou não.
No ínterim, conversávamos sobre vice-presidência. Nunca havia me atentado para bandeirola hasteada na entrada do Palácio. Assustamo-nos com o redemoinho saído da poeira levantada pelo ônibus, ao sermos flagrados comendo peroá frito no quiosque da Concha Acústica. Gritei aos ver patos. Gesto solto de entusiasmo sincero. Opinião dele. Apelidei a bando de patos empoeirados de esquadra britânica. O Pe. sorrira sinistramente.
Transgredíamos tabus todas as vezes que lhe permitia banhar meus pés. Saliva benta, me explicava, ele. Retraía-me todinho ao ser envolvido por epístolas osculares. Das lições não assimilei nenhuma. Observo a taça derrubada aos pés da santa e não vejo nada. Formou-se uma poça de vinho tinto, presságio de traição. Ele descumpria seus votos; eu enganava o rapaz que acabara de me prometer ser meu guia pela Grande Belém.
Meu pai não se orgulharia de mim em momento algum. Mesmo assim, eis-me aqui, mi amoroso papa, embrulhando-me nas celofanes turquesa, para desejar boas festas ao seu coração exausto de arrancar espinhos de mim. Tente me recriminar, Dad! Diga-me, o senhor, quando estiverse servindo do pernil, se lhe provoquei epifania ao lhe relevar o que o Senhor mal fingia ignorar. "--Pai, foi homicídio premeditado." "--Legítima defesa. E não vamos mais falar nisso!"

Cariño,
Conheço a repulsão que te causa, a violência com que trato o vernáculo. Foi-me impossível conter a erupção de sentimentos que tua mensagem me acometeu. Os sentidos leves nos escrevem quando te vejo assim, nu ao alcance de lábios marcianos. Seus anéis acessanando tchauzinho de quem não pode mais ficar juntinho procurando fios de cabelos loiros agarrados à minhas coxas. Saturno não te merece, tampouco eu.
Conheço a repulsão que te causa, a violência com que trato o vernáculo. Foi-me impossível conter a erupção de sentimentos que tua mensagem me acometeu. Os sentidos leves nos escrevem quando te vejo assim, nu ao alcance de lábios marcianos. Seus anéis acessanando tchauzinho de quem não pode mais ficar juntinho procurando fios de cabelos loiros agarrados à minhas coxas. Saturno não te merece, tampouco eu.
10 de dez. de 2004
Dr. Alfredinho,
Desculpe-me, por haver omitido informações tão relevantes para você. Completo aniversário junto com Duque de Caxias. Nem preciso fazer festa. O foguetório é garantido. Quanto ao fato de não ter te apresentado aos meus amigos, tampouco aos meus familiares, talvez porque sou desajeitado durantes cumprimentos diplomáticos. Fico constrangido. Como ser elo, quando sou todo extremidade que a nada se une? Sabe a flecha de Eros? Aquela ponta lá, queria ser eu, caso, pudesse ser coisificado. Já que não posso (nem devo), contento-me em ser sempre o primeiro a levantar a mão quando precisam de um voluntário. Eis a razão para tanto gostar de mim, suponho. Sinta-se fortemente abraçado e afetuosamente beijado. Hoje, em especial, todos os dias sempre, por mim.
Desculpe-me, por haver omitido informações tão relevantes para você. Completo aniversário junto com Duque de Caxias. Nem preciso fazer festa. O foguetório é garantido. Quanto ao fato de não ter te apresentado aos meus amigos, tampouco aos meus familiares, talvez porque sou desajeitado durantes cumprimentos diplomáticos. Fico constrangido. Como ser elo, quando sou todo extremidade que a nada se une? Sabe a flecha de Eros? Aquela ponta lá, queria ser eu, caso, pudesse ser coisificado. Já que não posso (nem devo), contento-me em ser sempre o primeiro a levantar a mão quando precisam de um voluntário. Eis a razão para tanto gostar de mim, suponho. Sinta-se fortemente abraçado e afetuosamente beijado. Hoje, em especial, todos os dias sempre, por mim.
8 de dez. de 2004
7 de dez. de 2004
É Natal! É Natal! A vitrine em chamas me convida para que eu leia os arquivos dos Oficiais promovidos. Depois! Antes, vou responder à minha querida leitora: Lena, estimada amiga, não poderia eu te enviar uns dos cadernos nos quais contabilizo a quantidade de endorfina que exala do meu cérebro quando encontro italianos na penunbra do bosque de bouganvilles? Manga verde, Lena. Manga verde, saborosa, da qual faço creme de leite enquanto não me sinto à vontade para criar ficção. Antes, deveria eu escrever ao Exmo. Sr. Homero (alguém, aí, me traduz para o grego?) e à Exma. Sra. Clarice Lispector rogando suas respectivas bênçãos. Os russos, enciumados, me castigariam, com certeza, se eu me atrevesse. E para contê-los, nem se eu solicitasse o auxílio dos franceses, quem sabe os estadunidenses (preferiria os ingleses, ou os irlandeses ). Ah! Lena, estou indo lá, correr riscos no espelho d'água que circunscreve os raios de sol que nunca me bronzearam. Na diagonal do círculo vou derramar molho rosé, preparado de véspera, para esperar pelos italianos. Que o vinho não me venha azedo novamente... Ia me esquecendo, Lena, os fatos recebem várias nuances quando saltam dos meus dedos. Realidade ou ficção, não mais me interessa, apenas a emoção de sons acidamente adocicados.
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