4 de jun. de 2005
Promotor diz que há provas para condenar PMs no RJ - Terra - Violência no Rio de Janeiro
Ri, Coração! - UOL Blog
Erotismo na Cidade
Me entrego, depois venho ao confessionário, como se pudessem me tirar o peso da consciência. Sou culpado e a indiferença da moça loira-de-olhos-azuis seria a pena. Se ela não insistisse em querer me beijar, mesmo eu tendo lhe contado detalhadamente a vergonha que passei no chuveiro, na cama, encostado na parede, segurando no corrimão, plantado no carpete, na varanda estrelada. Acho que acabei deixando a moça excitada. Papai adoraria chamá-la de "minha nora". Meus amigos diriam que ele está me comendo com o dedo. Só foi um beijo e já sinto ciúme. Vou sair com quem me ligar primeiro. Se o Sansei me chamar para ir ao cinema, eu namoro a Loira; caso contrário, amiguinhos. Estou decepcionado com a terapia.
3 de jun. de 2005
2 de jun. de 2005
1 de jun. de 2005
31 de mai. de 2005
Quarto de despejo
30 de mai. de 2005
Parada do Orgulho Gay (São Paulo - SP)
Querido colega de peleja,
Fiz-me de desentendido quando me perguntaste se eu iria à Parada. Resolvi aceitar tua provocação. Não fui, mas acompanhei on line e pelos telejornais o carnaval político. Aquela história de que viajam em média seis vezes por ano, me pareceu turismo sexual. Puro preconceito. Eles estão a procura do final do arco-íris. Não se dão conta de que o ponte de ouro já se encontra aos pés deles. Sabendo beijar, nunca vai faltar.
(Gay Parade -- São Paulo/ BR)
Secretaria Especial de Direitos Humanos (Brasil sem Homofobia)
Stonewall
Stonewall Revisited
Armário X
"Posso não concordar com nenhuma das vossas palavras, mas defenderei até a morte o vosso direito de enunciá-las." Voltaire (Fraçois Marie Arouet), 1694-1778, filósofo francês
tulips
30 de maio. Seria dado, senão fosse esquecimento. Ela gostava de tulipas. O tempo favorece. Vou encomendar ao fornecedor pelo menos uma dúzia. (Eis uma das vantagens de se trabalhar numa floricultura, hehe.) Se ela atender ao telefone, descreverei o perfume da minha saudade. Caso contrário, volto, resignado, ao teclado.
28 de mai. de 2005
Astro Boy
A verdade é que não consigo ser mordaz o quanto meus inimigos são comigo. "O Márcio está ocupado escrevendo o livro dele". Aquela frase foi pior do que um pontapé, ou pior do que um martelo rodado. Espero estar sendo claro, leitora. Tenho me empenhado muito. E nem mesmo elogios podem recupar meu amor-próprio. Por isso, talvez, tenha concordado em ir para cama com um sujeito que eu nem sabia o nome. Se virilidade valesse de alguma coisa, nesse exato momento eu estaria cantando. Não estou. Não há ritmo que minha voz possa acompanhar. São emoções sobrepostas que eu fui protelando, protelando e agora estou com as calças sujas. A embaixatriz que acabei de atender aqui na loja foi tão carinhosa comigo. Me abraçou, me deu três beijinhos. Se tivesse continuado com a greve, teria sido privado dos elogios sinceros e gratuitos. Não adianta. Ninguém duvida que ela seja minha cliente, pois é por mim que ela sempre pergunta. Ninguém dúvida que tem me agradado vir ajudar na floricultura, mesmo estando proibido usar o computador para fins particulares. Poderia dormir no apartamento do Fornazze. Sua ausência, se resolveria com a webcam ligada no computador. (Assim tenho feito.) Um local reservado, um rosto bonito, uma bunda gostosa. Quantos homens eu poderia ter numa noite? O suficiente para não ficar nenhum minuto sequer sozinho pensando em merda. Quando o Naz queria me convencer a fazer algo que me causava repulsa, me chamava de meu botão de rosa salmão. Eu podia sentir o gosto da iguaria nos lábios dele. Íamos ao meu restaurante favorito e de lá saia disposto a correr atrás de giletes, de fosse preciso. A boate enfumaçada não me provocava náuseas. As putas me tocavam sem me causar asco. E quando chegávamos em casa, eu exigia uma taça de ouro fundido, ou, simplesmente, um copo de leite tirado na hora. Meu copo-de-leite jamais se negara a ornamentar minha flora intestinal. A toxidade que me expele pelos dedos se dispõem a cometer leviandades como se eu tivesse apurado senso de equilíbrio.
23 de mai. de 2005


20 de mai. de 2005
19 de mai. de 2005

Toco com os pés as frias águas do Danúbio. Budapest está aqui, ao alcance das minhas mãos, na minha estante. Com os lábios úmidos de desejo, procurei a boca do meu amor, mas não o beijei. Tentava decifrar a quentura da respiração, que já não era mais dele, senão nossa. Com dificuldade, me equilibrava rente ao corpo que eu não reconheceria sem ajuda do almíscar. Preciso ir embora. Preparar-me para o seminário. Vou esperar que o Naz durma. Ele precisa ruminar as promesas descabidas, feitas no interstício do Sol. Antes, entrego-lhe minha carne -- esfolada, ensangüentada, ávida por prazer leitoso para anestesiá-la. Gostaria muito de morrer nos braços dele, mas hoje nem se eu quisesse.




