30 de mai. de 2005

Parada do Orgulho Gay (São Paulo - SP)


parada, originally uploaded by eduardo.v.

Querido colega de peleja,

Fiz-me de desentendido quando me perguntaste se eu iria à Parada. Resolvi aceitar tua provocação. Não fui, mas acompanhei on line e pelos telejornais o carnaval político. Aquela história de que viajam em média seis vezes por ano, me pareceu turismo sexual. Puro preconceito. Eles estão a procura do final do arco-íris. Não se dão conta de que o ponte de ouro já se encontra aos pés deles. Sabendo beijar, nunca vai faltar.


(Gay Parade -- São Paulo/ BR)
Secretaria Especial de Direitos Humanos (Brasil sem Homofobia)
Stonewall
Stonewall Revisited
Armário X

"Posso não concordar com nenhuma das vossas palavras, mas defenderei até a morte o vosso direito de enunciá-las." Voltaire (Fraçois Marie Arouet), 1694-1778, filósofo francês


tulips


tulip, originally uploaded by digitalp.

30 de maio. Seria dado, senão fosse esquecimento. Ela gostava de tulipas. O tempo favorece. Vou encomendar ao fornecedor pelo menos uma dúzia. (Eis uma das vantagens de se trabalhar numa floricultura, hehe.) Se ela atender ao telefone, descreverei o perfume da minha saudade. Caso contrário, volto, resignado, ao teclado.

28 de mai. de 2005

Astro Boy


Astro Boy, originally uploaded by andymatic.

A verdade é que não consigo ser mordaz o quanto meus inimigos são comigo. "O Márcio está ocupado escrevendo o livro dele". Aquela frase foi pior do que um pontapé, ou pior do que um martelo rodado. Espero estar sendo claro, leitora. Tenho me empenhado muito. E nem mesmo elogios podem recupar meu amor-próprio. Por isso, talvez, tenha concordado em ir para cama com um sujeito que eu nem sabia o nome. Se virilidade valesse de alguma coisa, nesse exato momento eu estaria cantando. Não estou. Não há ritmo que minha voz possa acompanhar. São emoções sobrepostas que eu fui protelando, protelando e agora estou com as calças sujas. A embaixatriz que acabei de atender aqui na loja foi tão carinhosa comigo. Me abraçou, me deu três beijinhos. Se tivesse continuado com a greve, teria sido privado dos elogios sinceros e gratuitos. Não adianta. Ninguém duvida que ela seja minha cliente, pois é por mim que ela sempre pergunta. Ninguém dúvida que tem me agradado vir ajudar na floricultura, mesmo estando proibido usar o computador para fins particulares. Poderia dormir no apartamento do Fornazze. Sua ausência, se resolveria com a webcam ligada no computador. (Assim tenho feito.) Um local reservado, um rosto bonito, uma bunda gostosa. Quantos homens eu poderia ter numa noite? O suficiente para não ficar nenhum minuto sequer sozinho pensando em merda. Quando o Naz queria me convencer a fazer algo que me causava repulsa, me chamava de meu botão de rosa salmão. Eu podia sentir o gosto da iguaria nos lábios dele. Íamos ao meu restaurante favorito e de lá saia disposto a correr atrás de giletes, de fosse preciso. A boate enfumaçada não me provocava náuseas. As putas me tocavam sem me causar asco. E quando chegávamos em casa, eu exigia uma taça de ouro fundido, ou, simplesmente, um copo de leite tirado na hora. Meu copo-de-leite jamais se negara a ornamentar minha flora intestinal. A toxidade que me expele pelos dedos se dispõem a cometer leviandades como se eu tivesse apurado senso de equilíbrio.

23 de mai. de 2005

Posted by Hello

Profundamente, estou muito sentido comigo mesmo. Por diversos motivos que não cabe aqui discorrê-los, não estou conseguindo atualizar o weblog todos os dias, conforme eu gostaria. Pode não fazer diferença para ninguém, mas para mim faz. Sendo assim, vou tentar publicar algo exclusivo às sextas-feiras. O lado bom da história é que eu descobri o óbvio: não sei escrever. Mas, quem sabe, de repente, com muita prática, meio como quem não espera mais nada do mar, eu consiga. "Andar se aprende sozinho." Sob os olhares atentos dos familiares, respondi ao meu professor. Com certeza ele não gostou. Contudo, não poderia continuar indiferente.

20 de mai. de 2005

Posted by Hello
Estou em dúvida. Sempre acreditei que o Príncipe viria a galope. Sofri muito por ter deixado este post, incompleto, com duas frases apenas. Queria gritar dentro do travesseiro toda a raiva controlada com polpa de maracujá. Ele não terá vícios. Estará sempre ao seu lado quando você precisar de amparo, me dissera as estrelas.
Esses maracujás vão acabar te dando uma gastrite, disse-me ele, pegando a caixa-de-fósforo por cima de mim. Tenho você para cuidar de mim! Ouvi a porta da cozinha se fechando. Joguei a casca na lixeira, com vontade de jogar minha esperança junto. Serenidade, meu coração disparado pedia. Vou-me embora estudar para prova de segunda-feira, ou preparo um sanduíche para ele? A resposta abrira a porta, já trazendo a mala. Mala que se tornava pequena diante minha ignorância sem destino. A mancha preta de tinta de caneta que não conseguimos remover, carregada como troféu. Meu Deus! Como ainda me lembro daquele dia. Resquícios de uma discussão tola, xingamentos óbvios, agressões desnecessárias.
Ele se aproximou de mim, me puxando pela mão. Eu ainda estava emburrado, não por estar ficando, mas por não termos passado nenhuma noite sozinhos juntos . Me preocupei com o hóspede quando na verdade este queria deitar-se conosco. Como eu ia saber, se ninguém me dissera nada? E todas as insinuações, eu deveria desconversar. Era um trato muito antigo que ainda valia. Minha obrigação era nada além de que servir vinho tinto em copos de requeijão. Até parecia que havíamos voltado, que éramos novamente aquele casal que irritava os padrões heterodoxos.
Não podia, com as armas que eu dispunha naquele momento, relutar com a força de trinta e seis cavalos. Estava abraçado por uma cerca de ficus que me espetava o rosto. Meu coração dependurado no pescoço dele, enquanto o outro agonizava esquecido na pia do banheiro. Abotoei o colarinho, ajustei o nó da gravata. Minha mão direita segurando o nó, a esquerda a vermelha seda indiana. Meu sorriro de quem finalmente aplicara o almejado ippon. Solta!, ele me disse. Me solta!, respondi-lhe. E o que nossos olhos disseram, desejo algum traduz. Ele estava partindo. Voltaria quando possível. Telefonaria todos os dias. E ficaria irritado quando eu alegasse que não estava em condições de conversar com ninguém.
O olhar descuidado para o relógio denunciava que poderíamos tentar concluir o que o ácido sangue prateado não permitira. Com esforço, tentei liberar minhas mãos. Contudo, só me restava a opção de esfregar meu sexo no dele. A estratégia resumia-se a não beijar-lhe mais a boca e sim mordiscar o lóbulo da orelha. Pude ouvir minhas costelas estralando. Ai, porra! Eu preciso da minha orelha. Eu era meu próprio esfíncter nas mãos dele. Relaxei os músculos. Silenciei a respiração. Fiquei mudo, aguardando as instruções. Sim, Sr. Doutor.
A sirene da rádio-patrulha, lá embaixo, na rua, o desconcentrara. Poxa! Não acredito que já estão me chamando. Era mesma piadinha de sempre. Ele me soltou, foi até a janela e quando voltou, me pus de joelhos ao pé dele. Minha boca, por cima do tecido mole da calça, procurando a barra de ferro, frio, cruel, desumanho. Tentei abrir a braguilha. Levanta, amor! Estou atrasado. Fica para uma outra hora. Ele me ergueu, me beijou a boca e me entregou a chave do apartamento. Queria perdir-lhe um favor. Estava pronto para dizer-lhe "não posso." Você, poderia vir cuidar das floreiras para mim. Você pode dormir aqui, se quiser. Usar a internet... Eu volto logo. Vivo ou morto?
E nos espaços vãos da ausência não só de mobília, eu poderia me esconder. Sombras me acompanhariam em noites sem luar. E nem mesmo a sessão suicida de felação na dark room conseguiu evitar que eu chorasse, à noite, de saudade. O telefone tocou, não atendi. Prefiro que ele pense que eu fui embora. Na realidade, tenho estudado muito para tentar compreender a dimensão da minha idiotice.

19 de mai. de 2005

Como se diz obrigado, em húngaro?

Posted by Hello


Toco com os pés as frias águas do Danúbio. Budapest está aqui, ao alcance das minhas mãos, na minha estante. Com os lábios úmidos de desejo, procurei a boca do meu amor, mas não o beijei. Tentava decifrar a quentura da respiração, que já não era mais dele, senão nossa. Com dificuldade, me equilibrava rente ao corpo que eu não reconheceria sem ajuda do almíscar. Preciso ir embora. Preparar-me para o seminário. Vou esperar que o Naz durma. Ele precisa ruminar as promesas descabidas, feitas no interstício do Sol. Antes, entrego-lhe minha carne -- esfolada, ensangüentada, ávida por prazer leitoso para anestesiá-la. Gostaria muito de morrer nos braços dele, mas hoje nem se eu quisesse.

18 de mai. de 2005

Disse-lhe sim com tanta sinceridade, que ele foi chorar no banheiro. As lágrimas que eu não testemunhei, pude sentir dentro de mim, quando ele resolveu, depois de muitos beijos, me penetrar. Era 15 h, o celular tocou a Habanera. O Naz ao invés de atendê-lo, o desligou. Saí de baixo dele, e mandei que o atendesse. Podia ser urgente. Prometi-lhe que voltaria à noite para terminarnos o que eu nunca deveria ter começado. Não retornei, tampouco telefonei para ele. Enquanto o Dr. se mostrar apaixonado, vou fazendo paçoca do seu coração, ora doce, ora salgada que distribuo aos imberbes que nos pára no sinal. Dá um real para o menino, amor! Adoramos fazer caridade com o dinheiro dos outros. O Naz meteu a mão na sacola de compras que estava no meu colo e tirou um pacote de biscoitos amanteigados. Os meus biscoitos amanteigados! Que desse os de cereja, mas os amanteigados, não! É isso que eu aprecio nele. O Naz pensa rápido e destila um sarcasmo que me faz chupar os dedos. Ele até merecia uma chupada pela sua perspicácia. Mas, no trânsito, não. Poderíamos nos engalfinhar na tranqüilidade do nosso jardim de inverno. Sem olhares curiosos, sem interrupções, nem por isso sem emoção.

17 de mai. de 2005

Não sei contar uma mentira grande, mas um mentirinha, eu consigo. Principalmente quando se trata de uma meia verdade. Consegui um dia de folga. Disse ao meu povo que ia à Secretaria de Educação fazer minha inscrição para contrato temporário. Eu só não disse, onde eu ia depois. Vou passar o dia todo sem respirar pólens de margaridas e girassóis. Em compensação, tenho um apartamento imundo de abandonado para faxinar. (Eu me ofereci para limpá-lo, mesmo o Naz tendo me pedido para que não me preocupasse com a bagunça, que ia chamar um diarista, etc.) Pela poeira, pelo lodo na privada e as quimbas de cigarro no chão, aposto sem medo de perder que o apartamento estava mais de um ano abandonado. Não pretendo chamá-lo novamente de lar. Até porque, o Dr. está em treinamento. É provissória essa história tirar o colchão da cama e jogá-lo no chão. Vamos fazer barulho do mesmo jeito. Até porque, ele continua o mesmo impaciente de antes. Não acredito que só porque ele mandou instalar a linha telefônica, levou a geladeira que desde nossa época de ouro, roncava mais que ele, para o conserto que vamos finalmente nos entender. Ele é incapaz de montar meu quebra-cabeça da forma que me proporcionaria prazer absoluto. E eu não tenho mais paciência de explicar-lhe que agindo assim no outro dia estou imprestável. Talvez, ele seja mesmo um garanhão, e precise de um haras para saciar suas fantasias. A pizza chegou. Amanhã continuo.

16 de mai. de 2005

Só para registro. Essa história, os dois posts anteriores, mexeu tanto comigo, que sonhei que estava passeando pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro.
Dentro da Barca, a caminho do aeroporto, a piada era essa: Deu lesão corporal e as gargalhadas me impediam de admirar a orla do Rio. Era falta de respeito para comigo, afinal se o motorista e eu trocamos bom dia, foi muito. Ele ficara o tempo todo fora da casa, fazendo a guarda. Mas era amigo do Naz, e decidi relevar. Eu queria ter ido ao jogo do Flamengo, pensei alto. Que papo torto é esse? Esqueceu-se que eu sou vascaíno? -- me gritou o Naz. Tomei-lhe a garrafa de vodka e fiquei ensaindo o gole. Salve nação tricolor! -- gritou o louco que estava ao meu lado esquerdo. Um cara novo, no máximo 23 anos, jeito de surfista, paranóico a enéssima potência. Para ele todos eram suspeito. A toda hora me perguntava porque as pontas dos meus dedos estavam escuras. Ele só não pegou na minha mão para cheirar, porque o Naz não me deixou só um minuto sequer. Não adiantava explicar-lhe que era por causa das nódoa das rosas. Mas ao passar-lhe a garrafa, ele pegou minha mão e, sem pedir licença, a cheirou. Talvez, o surfista quisesse ter certeza que não havia trabalhado em vão, ou apenas, queria experimentar o motivo da felicidade do Dr. Spock. Perguntei se mais alguém queria cheirar meus dedos. O Naz soltou um risada sinstra. E todos pernameceram calados até chegarmos ao aeroporto onde a despedida foi protocolar.
Imagine se eu concordasse em permanacer o tempo todo lá no sítio, onde nem podia subir no abacateiro. Se o Naz soubesse que aos sete anos eu já brincava de subir em árvores, não teria feito tanto alarde. Você estava na ponta da galha. E na ponta do iceberg era onde eu deveria estar, desde que eu contesse meu gemidos. O gelo podia se derreter dentro de mim, sem me queimar. Sabe, DiCla, o nosso urso polar (sim! O Dr. Fornazze, voltou a emitar aqueles incomodos grunidos ao dormir, que ele jura não emitir) podia ao menos fazer a unha, não tenho experiência em casquear, mas após o banho poderíamos cortá-las. Quem sabe os sais de maracujá não as amolecería, além do coração duro do meu algoz? Ainda há alguns projetéis a serem extraídos do peito do Naz, o que eu faria com prazer se ele não pedisse para eu apanhar o isqueiro no chão todas as vezes que eu inicio uma conversa séria. O idiota apanha e depois não consegue se conter. O que deixa o Dr. muito decepcionado. Esse tempo todo afastado, ele não aprendeu a se servir do melão sem parti-lo em bandas. Azar o dele. Vou aproveitar até a última gota dos seus beijos carnudos. Depois vou-me embora para o Gazebo, rezendo para que a saudade não me acompanhe. Não quero comer pizza, não quero conhecer a cidade. Não se conhece uma cidade admirando seus pontos turísticos. Queria ele dentro de mim, dizendo eu te amo.
--Você não quer ver o mar?
--Estou olhando para ele. Azul, salgado, agora mais calmo, enigmático.

Ele me respondeu, esquecendo o peso do corpo sobre o meu. Eu poderia ter gemido "ai", mas preferi agüentar o peso da dor que não me era estranho.

14 de mai. de 2005

MINHA HOMENAGEM À MENINA DOS MEUS SONHOS

Ainda tenho quinze minutos antes de fazer o check-in. Preciso me gabar. Preciso contar-lhe, DiCla, que estou indo para o Rio passar o final de semana. Se eu disser que se trata de ficção, não estarei parecendo exibicionista, mesmo sendo, certo? É ficção, querido. Minha vida não passa de uma mentira que só eu acredito. Tu sabes disso. Nem mesmo se apareço com olho roxo no trabalho. Era um roxinho imperceptível, inversamente proporcional a força do soco. (Meu desdém absorvera todo o impacto.) É tudo falso. Sou um falsário, impostor. Eu não amo aquele homem que foi à floricultura, se é que eu posso chamar aquele quiosque de floricultura, comprar um ramalhete de rosas chá. Onde já se viu chegar na casa dos outros sem flores? Ainda mais na casa da mãe. Ainda mais quando se faz um ano que não a vê. Ainda mais quando se comemora 80 anos de vida. Não entendo e não concordo (já discutimos muitas vez por isso), como pode o Naz deixar a mãe dele a cargo de acompanhantes (que nem mesmo são enfermeiras) e empregadas. Ainda estou muito magoado com o que ele me disse sobre minha relação com meu pai. Eu poderia ter-lhe dito que o papai não me carregou nove meses, nem ao menos sabia da gravidez da mamãe e que nunca me pegara no colo, o que dirá carregar. (Meu irmão sempre me reclamara que era obrigado a me carregar.) Mas, eu aprendera que com bêbado não se discute e não poderia se apronfundar os argumentos que começavam a ser substituídos por xingamentos implícitos. Acabamos de nos reencontrar e eu já vou impondo minhas opiniões, fazendo as mesmas cobranças, exigindo ética (A sua, né, Márcio?) Ele parece disposto, eu não. Foi só sexo, o suficiente para me deixar com prisão de ventre. Eu tenho alguém que me quer, contornando a plataforma continental a serviço. Enquanto estou livre, ouço meus bolachões na companhia de um estranho. Minha resposta continua sendo não, Naz. Só não sei como dize-lho, DiCla. Sabe sim! Você é quer não dizer. Ainda acredita que conseguirá convencê-lo a levá-lo à Bienal do Livro. Que bom que voltaste para corrigir a ortografia.
Posted by Hello

13 de mai. de 2005

Por causa do texto de ontem, telefonei para o serviço dele de um telefone público. Se a secretária atendesse, ou qualquer outra pessoa, desligaria imediatamente. Uma voz masculina me atendeu e gaguejando disse-lhe que eu gostaria de falar com o Dr. Fornazze, era da escola do filho dele. Amante que se preza, tem seus códigos.
-- Diga, professor! Aconteceu alguma coisa com o Guilherme?
-- Nada grave. Ele machucou-se nas escadas da sala de projeção.
-- É preciso que alguém vá aí buscá-lo?
-- Não. Pode ser no horário de sempre.
-- Acontece que hoje, eu vou me atrassar.
-- Sem problema, ele fica no parquinho brincando...
-- É que hoje aqui, está movimentado, senão eu iria aí agora. De qualquer forma, obrigado por ter ligado.

E quando nos encontramos à noite no nosso bar preferido, eu já havia me decidido que não faríamos sexo, por mais que eu quisesse. Ele se sentiria muito envaidecido ao saber que eu o procurara, enquanto havia outras opções. Na verdade não há. Igual a ele, não. E ele pressentindo minha resistência, usou do charme para convencer, usaria da força se fosse preciso. A saudade o consumia, como me confessou horas mais tarde. Eu tentava não observá-lo, quando ele completava meu copo, o cuidado para não fazer espuma, o resto no copo dele, o levantar da garrafa para chamar o garçon, o inclinar do corpo ao guardar a garrafa ao pé da mesa. Eu parei de contar na quinta. Cogitei em irmos embora, e ele me disse depende.
Ainda sobre o post de ontem, que segue abaixo. Só o fato de ter tentado, vale todo o esforço, porque de repente a gente aprende.

12 de mai. de 2005


Acorrentado pelo weblog do Gaudério San

Posted by Hello
Observem atentamente, excelentíssimos. A formiguinha perdida sendo pisoteada por argüições literárias. Sobreviverá? Sobreveviremos! Para tanto, me pergunto quem sou eu para compor os elos de uma fina corrente de ouro cravejada de esmeraldas, rubis e opalas que mais me lembram a tornozeleira da mamãe... Merda! Por que eu tenho que chorar quando me lembro da vaca botanto a cabeça fora do cercado para me "acariciar"? O passeio pelas ruas da velha Abaeté, seus paralelepípedos cantando para Sol. Eu reclamando de fome, de cansaço, de sono. Mãe, compra para mim uma máscara. Ela comprou. Mãe, compra para mim um picolé. Quero de morango, moço. Mãe, compra aquela revistinha para mim. Ela comprou, prometendo-me uma surra, se eu não contesse minha avidez. E enquanto ela terminava o permanente, eu me distraía com as imagens daquele patinho triste. E o pato grande chegou... Cisne, me dissera a manicure. Mãe, o que é um cisne? É você meu amor, você é o meu cisnezinho.

Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.

Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.

Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
"1ª) Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
3ª) Qual foi o último livro que comprastes?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
7ª) Os meus indicados para dar continuidade a esta corrente - se assim o quiserem - são:"
Porque eles traduzem, teorizam e poetizam as sensações que escondo no viés dos meus meandros. Porque me alonguei demais no espaço-tempo dos pampas. O que era para ser uma bricandeira, tornou-se um incêndio. Portanto, leitores, por obséquio, fumar, lá na varanda. Piromania pronta para recolher os bulbos que não resistiram ao sol forte de Maio, mês das Mães, das Noivas e de Nossa Senhora de Fátima.



P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.

11 de mai. de 2005

Tão perto e tão ausente, foi a frase que ouvi quando entrei no quarto para dizer boa noite. Sorri, revirando os olhos, como se tivesse a exclamar: Óh! Nosso relacionamento baseia-se em gentilezas que foram e vieram. A psicóloga me incentivava a deixá-la. Mas, será que eu conseguiria pousar o Boeing sem que ninguém se machucasse? Seria mais sensato apostar na fatalidade da minha vida. Tenho aprendido que há também poesia na tragédia. Vamos rir, já que se trata de ficção. Eu, particulamente, rompo paradigmas. Assim, fui educado.

10 de mai. de 2005


Filho-da-puta! Onde você esteve ontem à noite? O imbecil aqui simplesmente te escondeu, num lugar que-eu-não-sabia-onde. Imagine se o presidente Vargas perdesse um dos seus cardernos, seria outra Revolução. Sim! Inclusive ditadores escrevem diários pessoais e íntimos com uma disciplina de deixar orgulhoso os papais generais. Eu não sabia onde havia deixado meu diário. Vamos fazer uma revolução! Primeiro, na minha escrivaninha. Tragam álcool, detergente e flanelas brancas, preferencialmente, pois não quero ser mais confundido com os menores que trabalham nos semáforos. Depois, nas minhas caixas-arquivos, chega de guardar recortes de jornal de 1993. Madonna pernanece ícone, mas agora a temos na ponta dos dedos. Não adianta! Nada me faz esquecer. E se a cimbydium emborcada o achou e o guardou para ela? Não que lá tivesse registrado algo de relevante para mim ou para alguém. Acontece que por causa do meu descuido, perdi. E eu não gosto, não sei, não quero perder, mais do que eu já perdi. Perdi minha vida que insiste em fingir ter saído de casa. Vida, atende o telefone! (O caderno podia estar por lá) Porque me ignorar, se era você que me carregava para o córrego? -- deixei gravado na secretária eletrônica. Graças a Companhia de luz, posso escrever, por que se não, aí sim, eu estaria fodido. Mas não é a mesma sensação. Preciso sentir o grafite quebrando gelo da folha de papel. É no deserto frio onde me encontro.

Posted by Hello

9 de mai. de 2005

Até agora não entendi, o que é para fazer. Ter aula com professor gago é triste! Eu ainda prefiro o alemão. Vou tomar café e depois penso no que fazer com a imagem de satélite.

8 de mai. de 2005


"Foi um Dia das Mães muito bom! Diferente." Finalmente vou poder dormir, depois de uma semana de preocupações e noites acordado. O que se abril, neste exato momento que lhe escrevo, se fechou. Agora é Maio. O Ano começou. Alguém deve ter ganhado muito dinheiro, não a custo da minha mais-valia, que fique claro. Resumindo, deixo um beijo gostoso para todos, bem na caixa de esgoto... "Estou ocupado, porra!" (No meio de Peões, não se pode ser Rainha.) Beijos, abraços e flores. E não vá espirrar, porque não há mais lenço. Vou para casa escrever tudo que aconteceu, até minha bateria descarregar por completo, claro que metade será imaginação e a outra metade da laranja é minha. "Vou repensar o Dia das Mães." Eu também gostaria de repensar o meu. Gostaria de ao menos de ter podido levar rosas vermelhas à lápide da mamãe. Ano que vem, deve ser diferente. Estarei casado, morando em alguma tapera abandonada, se é que eu posso dizer chamar aquilo de "morando". Ele dormia em sítios abandonados para economizar a diária do hotel. "-- Não é perigoso?" "-- Não."
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.

 Posted by Hello

6 de mai. de 2005

DiCla, tu não vais acreditar, há três dias e duas noites estou tentando postar. Nunca foi tão complicado fazer um revisão de um texto meu. Vou mexendo, mexendo, mexendo e quando acordo, mais acrescentei do que eliminei. Permita-me a liberdade escritores, o post acaba se transforma num conto. E conto, eu guardo no cofrinho, para mais tarde depositar na caderneta de poupança da colmeia. Ai! Colmeia me lembra abelha; abelha, pólens; pólens, trabalho. Algumas centenas de dúzias de rosas vermelhas para limpar. Epa! Deixa de mentira! Você já passou dessa fase. Então, algumas centenas de dezenhas de clientes para atender. DiCla, imagine tu chegando no bar da moda e ter que aguardar por duas horas na lista de espera para conseguir uma mesa. Nesse caso, tu irias tomar cachaça em outro boteco; numa floricultura, o cliente disputa um botãozinho de rosa que iria para o lixo, um caroço de azeitona que eu me recusaria a cobrar, se o cliente muito agradecido não jogasse uma nota de dez conto em cima balcão e saísse apressado. Caro, não? Eu costumo me vingar dizendo os preços. Os ricos pechicham; os emergentes fazem cara de indiferentes; os pobres, abaixam a cabeça. E eu disfarço as lágrimas por vários motivos que não cabem neste post disfarçado de crônica e que se tornaria um conto sem não colocasse esse ponto final. Até segunda-feira, DiCla, te encontro mais tarde nas folhas de A4.

4 de mai. de 2005

Querido Diário,

Agradeça a todos pela solidariedade. Tudo se resolveu como teria de ser. Nem lá, nem cá. Voltemos ao trabalho. Restam duas espigas.
Puta que pariu meus ovos!

26 de abr. de 2005

Dicla, o que vai ser da gente agora? Eu preciso de um HD novo. Não sei começar o dia sem ler meus e-mails. Não sei terminar minha noite sem antes desejar bons sonhos aos meus amigos. A informatização mais que uma resposta, nos trouxe várias perguntas. Vou voltar a escrever a máquina, enquanto não consertam nosso computador. Querido diário, você agüentará minha ausência por uma semana? Ou mais? Tampouco eu. Não queria ter entrado nesse parque de diversões, chamada Blogolândia. Principalmente, porque às vezes, entra um vírus e acaba com todos os componetes da nossa máquina, assim, de repende. E agora? Vou gastar um dinheiro que não tenho em cibercafé, como faço agora, espremido pelo tempo para poder postar, enquanto...; ou: ligar para o perito em informática que deseja me ver desfilando de mini-saia, salto alto, maquiado e de trancinhas? Não tenho muita escolha. E todos nós temos muita pressa. Me sujeito a crueldade do destino, mais uma vez a rosa salmão mucha no pé sem ser colhida. Se o polícia mais uma vez botar a arma na minha cara exigindo que eu vista calcinha, eu vou... não sei! Realmente, não sei.

22 de abr. de 2005

Perdoa-me os erros. A euforia não me permite pensar. Vou fazer uma sacanagem, e dessa vez não será na pista de atletismo do colégio. O gramado do campo de golfe ficará castigado de tanto óleo de peroba derramado propositadamente. Baby, é sêmen dos impuros. Depois a gente se arrepende e se confessa. Vamos nos pegar no banheiro do botecão. Bar cheio, todos mamados até o tampo. Ninguém sentirá por nossa falta. Se disserem: "Porra! Achei que tinham ido embora". De pronto, respondo: "Não estou bem. Acho que vou vomitar, de novo." E todos riem e nada desconfiam. Ou até desconfiam, mas falsificamos tão bem os rótulos de champagne, que para eles não importa se nos beijamos na boca ou pescoço; se abraçamos fortemente na piscina ou se andamos de mãos dadas na penumbra da madrugada. Ainda se pode andar pelas ruas da capital às três horas no dia de Lua Triste. A polícia até que tenta nos intimidar acionando a sirene. Para o pernanbucano, aquilo foi só mais um motivo para apertar ainda mais minha mão: "Está com medo? Relaxa!" Eu tenho medo, Dicla, de amanhã não poder estar aqui contigo para compartilhar meu cotidiano com seus futuros leitores. (Desde que nenhum deles seja meu pai. Hi, hi, hi! ) Eu nunca vou me referir ao Recifense como me refiro a ti. Ele nunca vai ouvir de mim: Meu querido, T., mesmo ele me dizendo que me quer muito e que vai me levar embora daqui. O que serei de mim sem esse horizonte a me dizer até onde eu posso ir? Eu quero fazer uma sacanagem, sim! Enquanto o Centauro e seus amigos não retornam do Rio. E dessa vez não me importarei se for em público. Atentado violento ao pudor, só seria mais um processo para longa ficha do meu amigo de Recife. A afeição aumenta, cada que ele brinca de me afogar na banheira. Eu queria que não fosse ficção. E é! Só não sei até onde. Vou tentar estar mais presente, querido diário. Mais assíduo. Não só contigo, mas também com as minhas obrigações acadêmicas. Não posso vacilar. Afinal, o que o T. mais admira em mim são meus comentários quando saímos da sala de projeção.

18 de abr. de 2005

Eles nos querem prestando atenção na fumaça que sai da chaminé. Tudo bem. Que a preguiça tome conta do que restou de mim. Quem sabe amanhã eu esteja de bom humor e resolva me dedicar ao movimento das nuvens. Não que o final de semana, tenha sido aborrecido, ao contrário. O recifense fode pr'a cacete. Aliás, nem precisava, só seu sotaque já me levaria a orgasmos desconcertantes. Vou deixar o celular desligado o dia todo. Quero ver como se comporta um coração que se diz assombrado com o castanho dos meu olhos.

9 de abr. de 2005

Recebi, na madrugada de hoje, uma prova irrefutável que ele me ama. Uma lágrima caiu inocuamente no teclado testemunhando nossa paixão. Precisava dizer-lhe o quanto me sentia protegido pelo seu ato. Não tive tempo. Fora isto, comi arroz com ovo no almoço, debaixo do mesmo abacateiro de sempre. Este já nem mais me expulsa à bacatadas. Parece que se afeiçoou a mim. Pudera. Meus olhos escuros castanhos, inchados de apanhar, entregam facilmente, minhas contradições congênitas. Olha a sintaxe estralando minha quinta vértebra. A árvore se deleita... Fui à biblioteca e estudei o quanto minhas pálpebras permitiram, versificação clássica. (Portanto, ...) Um dia quem sabe não aprendo a me dirigir a tratores com polidez?
A caminho do estacionamento, decepcionado com o ipê branco de tão florido, rasguei uma fresta na parede de páginas de livro que concluía seus trabalhos. Amanhã é segunda-feira, surpreendi-me ao olhar para o relógio; nem conto mais com o domingo -- mesmo morno, chuvoso e televisivo, assustei-me. E aquela sensação de me automutilar agitou uma folha de pata-de-vaca interrompendo meu cemitério íntimo. E a vontade sobrepujou-me: sacar toda a poupança e voltar ao inferno: degustar café descafeinado, tomar cerveja sem álcool, fazer suco de tomate-caqui. De jeito nenhum. A bacia vermelha cheia de camisas de linho branco de molho me espera para jantar. Antes que eu me vá, publica, virtual e anonimamente declaro: Gaúcho, eu te amo. Nunca imaginei dizer isto a um homem que não fosse pai. Continuemos com o treinamento, se permite, com uma única mudança: não.

8 de abr. de 2005

(...) Gostaria, também, que minhas anotações pessoais fossem queimadas.

7 de abr. de 2005

Tenho que linkar meus visitantes.
Responder os comments
Estudar para o seminário.
Porra! Desde semana passada, acordo assustado por causa dessa apresentação.
Vou comer alguma coisa e dormir.
O professor vai reconhecer meu empenho.
Radicalmente comprometido.
Não vejo de outra forma
Não há opção.
Aliás, o aluno ouvinte, vai escolher bacharelado em Jornalismo ou Letras e Literatura Brasileira?
Enquete encerrada.
-- (...) vou te dar uma pirocada servida!
--Com quem você acha que está falando?
--Não embassa, não! Vem logo. Puta, eu trato assim. Vem dizer que não você gosta?
--Esquece! Você está muito alterado hoje.
--A gente estaciona lá atrás do estande.
--Amanhã te ligo.
--Se não vier, não precisa ligar mais, não!
--Não posso sair à noite.
--Mando uma viatura te buscar.
--Aqui no meu bloco? Enlouqueceu!
--Quer ou não quer?
--Adoraria, mas não assim.

Ela pegou um táxi e foi. Antes, parou no McDonald's para comprar um Big Mac para viagem. Ela dorme atravessada no sofá. Parece exausta, talvez culpada. Chegou aqui em casa chorando e sagrando. Não entrou em detalhes. Receio pela vida dela. Eu conheço a figura. Tenho vontade de ligar no celular dele para lhe dar os parabéns.

6 de abr. de 2005

Blogando de um telecentro, a quinhentos metros do Memorial Juscelino Kubitschek. Qual a vantagem? Nenhuma. Apenas o fato do ar condicionado estar ressecando o buquê de goivos azuis, que para mim sempre será lilás. Jamais haverá apreensão desaprendida da ansiedade de se esperar por um quem-sabe-amante com quem acabo de trocar fotos pelo messenger (duas horas atrás). Nick: Barica. Apelido desde quando servia nos Dragões da Independência. Só a simbologia valeria o esforço da mentira e o risco da perda do resto filete...
Eita, caralho! Um rapaz de cabeça raspada acaba de descer as escadas e entrar na sala. Ele aperta a boina, como se fosse um tique nervoso adquirido. Tenso, parece procurar por alguém. Escondo o livro no meu colo sem me denunciar. Ele não me mentiu quando disse que praticava artes marciais. Tem porte. Duvido que seja mesmo judô. Ele não me dissera que era fumante. Há! Há! Há! Omitiu com receio que eu o rejeitasse, talvez. Por quantos minutos ele poderá me esperar?
O tesão o deixou cego. Nem se eu acenar para ele, será capaz de me perceber. Seu celular toca, ele examina quem era e o desliga. Ele realmente está disposto a sofrer. Se tivesse a paisano, eu me entregaria. Foi até a portado amplo hall de altíssimo pé direito. Está olhando no relógio. Acendeu outro cigarro. Já é o quinto. Não vai ceder. Olha lá para fora, para ver se alguém parecido comigo vem chegando. Será que não passa pela sua cabeça de couve-flor... Ele descansa a mão sobre o revólver guardado no coldre do colete à prova de balas. Não gosto dessa parafernália toda, me parece que espera pelo pior. Parece que quer intimidar.
Pegou o celular e está ligando para alguém. Deve ser para mim, suponho. Celular fora da área de serviço ou desligado, após o sinal... Ele está gravando uma mensagem! Precisa andar enquanto fala no (?) telefone? Meu leãozinho acuado, porque raspar essa juba?
Fim do jogo, as flores estão sentido. Não há porquê deixá-lo agoniado por mais alguns minutos. Bem que ele merece, por ser coorporativista. Não há justificativas para ações de grupos de extermínios.
OFF TOPIC (Réplica): Nunca sabemos aonde o afluente deságua

Nem vou explicar-lhe. Este diário que nos guarda, trata-se da mais pura ficção aplicada à exponencial inversa da hipotenusa quadrática (perdoa-me , não pude evitar esta digressão). Esqueceu-se que não faço uso de psicotrópicos? Não bebo. Apenas omito. De acontecimento, no post anterior, só as "bolas" que tive que entregar na Polícia Federal (Ah! o meu domingo de descanço...). Eu precisava de um contexto para encaixar o fato que lá estive. E por pouco não fui preso por desacato a autoridade. Sou humilde o suficiente para reconhecer que a autoridade ali era eu. (Nossa! Deixa de pedantismo!) Tive vontade amarga de mandar duas dúzias de filhas-da-puta tomarem naquele lugar cheiroso... Ainda bem, que aonde vou, levo minhas luvas. Tem neguinho me odiando por eu ser tão hábil espadachim.
Chegamos no bar por volta das 21h. E se, o Estica não tivesse reservado nossa mesa (para quê essa frescura, filho?) teríamos que beber no conforto da casa da Vasconcelos. O que não seria má idéia (por mesmo eu ficaria). Estava e estou cansado desde a semana passada. Ainda em conseqüência do domingo no qual permanecemos o dia todo na Superintendência da Polícia Federal pendurando "bolas". Tomar sereno, gelado e tapinha nas costas não é para mim. Principalmente, quando há trilhões de pessoas que eu nunca vi antes me chamando pelo apelido. Sem gelo, por favor!

5 de abr. de 2005

Se eu fosse viver da prostituição, morreria de fome. Resmungou ao ver o Audi passando sem percebê-lo parado num ponto estrategicamente iluminado. Sentiu muita raiva daquelas sujeitos que não se importavam em gastar combustível à toa. Não entendia a lógica do jogo. Até que viu, à distância de dois postes de luz, quatro policiais militares abordando um rapaz. O luar não lhe permitia se esconder. Encolheu-se dentro de si, esperando a abordagem padrão. Ao ser perguntado o que fazia ali, disse-lhes a verdade. O polícia com a lanterna ofuscando-lhe a visão, mandou-lhe deitar-se no chão. Nunca pensara em cometer um atentado violento ao pudor.

4 de abr. de 2005

Vamos construir lingüinças debaixo dos portões verdes que selam nossa saudade austríaca? O ligustro a caminhar pela coluna vertebral, ora mármore rosado, ora marshmellow insonso, vértebras da zebra negra. Me chamam de Lua, antes do meio-dia; durante invernos homicidas, de Sol. A luz por mim emitida faz a plantinha me revirar em codinomes indecifráveis e ainda assim gosto de assinar seus comprovantes de cartão de crédito (desenho rúbricas à base d´água para que ele , o ligustro, aceite meu convite). Nada nos convence a digerir corações servidos em falsas baixelas de prata. Vou refletir sobre o verde, enquanto me desapareço na azul fumaça levantada pela plantinha, enquanto não me telefonam para me dizerem: até que enfim. Estou em stand by, nem por isso vou esfregar os kimonos pingando a suor. Vou a biblioteca mais tarde trocar nossas passagens aéreas. E para o jantar, vou, sim, servir-lhes rodelinhas de lingüinça de carne marreco ao molho de pétalas de rosas chá. Quem não quiser, que não (nos) coma!
Caso toquem no assunto, conto-lhes a verdade: Sou aquele filho que havia sido abandonado na porta do Convento das Irmãs Mercedárias. Todos, eu disse todos, sabiam da minha existência, mas lembrar do dia que eu nasci, seria tabu, sendo eu, filho da estelionatária foragida, cafetina na maior parte do tempo, e do alcólatra sifilítico, prostituto de boa estirpe (nada mais almodovariano). Isso que é ser um pouco gay. Tem dias que dá pra tirar uma onda, outros não. Não se surpreenda, portanto, querido diário, ao ser acordado com o telefonema de que blogueiro esfaqueia filho de deputado, supostamente amantes, em frente ao STF. Pais condoídos se perguntam: Como não houve testemunhas, numa área de policiamento ostensivo?

2 de abr. de 2005

OFF TOPIC (Obituário): Evangelho Segundo São Judas
O Papa faleceu, disse ao meu vizinho que ansioso pelo estado de saúde do Sumo Pontífice me pedira notícias. As palavras do meu querido colega não as reproduzirei, em respeito a crença alheia. Pedi, com tato, que guardasse sua opinião consigo.
Os novos links, Dicla? Semana quem vem. Meus dedos estão cansados de fazer marketing pessoal. Acabo de colher frutos carnudos de tão doces. Servi-lo-eis semana próxima, se a tempestade se recolher.
Era 1º de Abril! Minha mamãe não é de morte; mais algumas garrafas de pinga, ela chega lá.
Continuo puto! Mas se estou aqui conseguindo digitar, é porque já se amenizou a fervura nos meus intestinos. Na aflição, na agonia, nada melhor que o atrito da esferográfica vermelha na folha A4. Pode parecer neurose, mas só consigo escrever em folhas sem pautas. Linhas retas distraem minha criatividade. Parece que quero chegar a algum lugar, mas desconfio: não serei bem recebibo. Por isso, as curvas; movimento curvilíneo originando uma espiral. Fractal. Rima, para mostrar a tentativa frustrada de se compor um único verso. Rimo para me esquecer que foi primeiro de abril. Quem sabe agora me animo a digitar as oito páginas escritas, na sofreguidão, ontem à noite. O Guilherme merece, minha irmã também. Um fato tolo, relevante no todo.
OFF TOPIC (TELEVISÃO): Ainda sobre o BBB 05
Uma pessoa muito querida: "-- (...). Ele foi sincero em dizer que era gay."
Eu, engasgado com o suco de bacuri (!): "-- Sincero, porque lhe convinha ser..."
Achar que o professor deveria ganhar, não significa que se estava torcendo por ele. Algumas benesses lhe concedo, assim pensam eles. Desde que, aquele cumpra seu papel social. Vai que aproveito a ocasião e digo claramente: "-- E se fosse eu, no lugar dele, expondo claramente minha orientação sexual?" Papai continuaria a me receber em sua casa? Jamais! Ouço piadinhas, das 7h10 da manhã até por volta das 23h e apesar do constrangimento, da violência psicológica, moral e física, tudo não passa de uma gostosa e divertida brincadeirinha. Acontece que, se até Desembargador toma uma resposta mordaz minha, daquelas que não se pode fazer nada, a não ser degustá-la, se for perspicaz o suficiente (Oh, Senhor! Por onde passo arrumo inimizades.) o que dirá aqueles que ascendem a luz do meu quarto procurando roupa para dormir? Eu risco com canivete a porta do carro e volto a dormir em paz.

1 de abr. de 2005

Minha queridíssima madrasta, meia hora atrás.

-- Fofinho (de quem, nem imagino) vai ter uma jantarzinho aqui em casa, conto com a sua presença!
-- Mãe?! Bença! (sic)
-- Deus te abençõe.
-- O convite se estende a um amigo? (Disse só para provocar/irritar, já que ele está no Rio --conforme havia-lhes informado.)
-- Claro! Traz ele, preciso conhecer esses seus amigos... (risos)
-- Mas, mãe... hoje, é sexta-feira... sou solteiro...
-- Seu cachorrão! (gargalhadas) Sendo filho de quem você é, não me admiro. Juízo, heim? Não quero fazer reconhecimento de corpo no IML (ela ficou traumatizada); nem ficar levando cigarro para você na cadeia.
-- Sai! (Ela ficava bem humorada, quando abusava do álcool. Podia ter sido sempre assim.)
-- Se você resolver, venha com aquele seu terno azul marinho. Você fica lindo de terno. Já pensou, trabalhar de terno.
-- Deixa comigo; ainda te faço uma surpresa. (Quando ela estava bêbada e carente, eu a tratava com mais carinho -- porque havia uma deixa.)
-- Beijos e te cuida!
-- Bença (sic), mãe.
-- Deus te abençõe, meu querido.
Budapest é logo ali, Luís.

31 de mar. de 2005


O púrpura me lembra hematomas, portanto não esperes meu perdão, caso, tu estejas me visitando e lendo nossos absudos desatinos. Quanto a melancolia de dias atrás, dê descarga. Vou apareciar a cena no qual todos se despedem sem dizer até logo. Até logo! Posted by Hello

30 de mar. de 2005

Folhas escarnecidas azuis correndo pela sala de estar. Meu amante de volta oferecendo-me rosas vermelhas muchas, sem espinhos, roubadas do Jardim de Infância, aqui em frente. Estava sonhando. (Agora, estimado leitor, tu terás como me localizar. A janela estará entreaberta. Tome cuidado com a cerca viva de coroa de Cristo, ok?) Queria me tocar, mas não consigo. As pilhas pulam longe e o desejo se projeta cada vez que o telefone toca. Pode ser ele, pode ser ele, é ele, o Centauro: Onde você estava? Te liguei a tarde toda! Saiu sozinho ou acompanhado? Diante da insistência em não acreditar nas largatixas presas no assoalho vespertido do alto do pé direito, explico-lhe que a fila estava grande no veterinário. Nossa menina?! Como está nossa filhinha? Está bem, Amor, não foi nada. Apenas, saudade do papai. E você, meu churrasquinho de gato? Eu não! Ainda não me recuperei do atentado violento ao pudor. Estou despudoradamente revirado do avesso. (Nem se eu quisesse, e como eu gostaria, eu poderia traí-lo) Quando eu chegar, quero ser compensado pelo sofrimento que você me impõem. Olha, lá heim? Se eu sentir o cheiro de outro homem em você, eu te enforco e te enterro nesse lote vazio, aí do lado. Ignorei a bravata e me repugnei imaginado o me cheirando desavergonhadamente. Minha vontade de desligar o telefone veio forte. A energia acabou.
OFF TOPIC (POLÍTICA): Enfim, eles foram embora (?)
Ouço, em Fá menor, a criança gritando: "Fora Efe-mi-i! Fora Efe-mi-i!" Não que houvesse influência da família. Meus pais estavam mais preocupados com o preço do diesel. Meus professores, sim, eles foram meus preferidos (Como?). Minha primeira lição na escola foi aprender a protestar contra a falta de merenda. Poderia se dizer que estávamos sendo manipulados, sim, mas presenciar a Tia Margarida discutindo com a mulher de cabelos de biloca, foi dos maiores aprendizados em toda minha vida (Que exagero!). Participar da primeira greve foi um algo natural, ou melhor, social. Claro que minha madrasta e meu pai nem imaginavam ... Eles acreditavam nas minhas mentiras, ou fingia acreditar -- era mais conveniente. De fato eu gostava de ficar na biblioteca (muitas vezes sozinho) recortando revistas, colando gravuras, criando imagens de brancas espumas de sabonete. Passava tardes inteiras, respirando a poeira das pratileiras, quietinho, absorto num mundo de regras plausíveis. Mas eu gostava mesmo era da folia, de me imaginar discursando para centenas de milhares de pessoas em rede nacional de rádio e televisão. Sim! Eu queria mesmo era ser Presidente da República... Até eu me olhar no espelho, e perceber que Maria Helena nunca me beijaria. Não porque eu fosse feio, mas porque eu era macaco extraordinariamente desgalhado.

29 de mar. de 2005

Há melancolia demais escondida dentro da caixa de descarga.

27 de mar. de 2005

Sandro está em Nova Iorque; Regina em Vancouver; Graça em Brighton; Bel em Paris e Marisinha em Montpellier; Dudy e Neuza, em Turim; Fernanda em Amsterdã; Ana Cristina em Barcelona e não os invejo de jeito nenhum. Cada carta que me chega, desmistifica nosso sonho de estudar no exterior. Todos desistiram do doutoramento. E quando me perguntam como estou, o que ando aprontando, tenho que mentir: "estou estudando."
Eu renunciei minhas metas. Eles nem imaginam que estou preso e até o final do ano, provavelmente, estarei sendo transferido para uma penitenciária de segurança máxima. (Que isso, Márcio! Que exagero!) Poderia contar-llhes sobre meu diário virtual. Assim, diariamente (?), teriam notícias minhas... Seria cometer o mesmo erro em menos de seis meses. Teria que explicar metáfora por metáfora e o Skype ainda não é tudo isso que dizem por aí. Curvo-me diante os caprichos do destino. Resignação.
Ele, o Centauro, havia me alertado para o ciúme que sentia. Não imaginei que fosse brutal. Olhei para o Montanha, surpreso -- não admirado. Nunca imaginei que ele tivesse tantas tatuagens espalhadas pelo tórax. Nunca imaginei que minha coxa podia ser menor que um bíceps. Estou perplexo até agora. Encabuladíssimo! Aquilo lá não pode ser de verdade. As veias paressem gritar socorro. O copo se espatifando no chão, a faca em riste, o empurrão e eu sendo sacudido como se fosse um tapete. Troquei um delegado homicida, por um comandante paranóico.
Acho que eles continuam jogando canastra. Ninguém veio investigar por estou demorando com as cervejas. Vou descer e cumprir minha obrigação de anfitrião, indiferente ao marrento e as piadinhas do Montanha. E amanhã mesmo vou destrancar minha matrícula na Aliança. Afinal, não foi por isso que eu me sujeitei ao Centauro? E quando estivermos brigando por uma posição mais confortável, vou lembra-lhe que ele me prometera não gritar comigo... O filho-da-mãe ainda vem me beijar: "Feliz Páscoa, Amor!" Vá para o inferno!

26 de mar. de 2005

A imaginação me guia e me persegue. Tenho medo da Fome me roer os ossos.
Faixa-preta me servindo de lençol. Fios corrosivos escorrendo pela janela do quarto. São 3h17. A chave na ingnição mostra-lhe que estamos na curva do atraso. Morangos azuis nos servem de assento para aguçar o tato. Dedos percorrem-lhe os lábios. E mesmo ressentido, ele aceita as desculpa de sal quente, todas elas arrepiadas. Mordo-lhe o supercílio, na esperança de estancar o sangue; beijo-lhe os lábios na esperança que a sorte retorne. Ele é um finalizador. Eu, desmetido mentiroso, fetichista safado. Nunca amei ninguém que não fosse a mim mesmo. O colega dele ri do meu cabelo amassado. Ele acredita que eu havia sido sedado com o suor que pingava do Vela. Indiferente, levanto-me com a desculpa que ir buscar mais gelo e esparadrapo.

24 de mar. de 2005

-- Coelhinho da Páscoa que trazes para mim?
-- Senta no meu ovo que você vai saber.
-- Estúpido!
Minha vontade foi desistir do jantar, dele e da noite. Mas, estava eu tão cansado das minhas exigências (sempre preenchidas) que resolvi classificar sua resposta como detalhe irrelevante. Vamos adiante, enquanto os convidados não desarrumam tapete da pia da cozinha [Sim! Eu também odeio que desarrumem os tapetes, principalmente o que fica aos pés da minha (nossa) cama.] Informo-lhe, Dicla, que estraguei a carne. Muito sal. Vou tocar pimenta dedo-de-moça (frutos inteiros) e apresentar o prato com nome mexicano. São tudo um bando de peão mesmo. Não sei como conseguiram passar num concurso tão concorrido que eu julgava ser de alto nível. A julgar pelos cidadãos (Eles acabaram de chegar, os convidados do Centauro.) há muita podridão na seleção de pessoal para trabalhar em segurança pública. A União que me desculpe, eles não valem um puto furado. Tenho quase certeza que o Haiti, é mesmo aqui. O que não me sujeito para ter tempo de revisar meu texto!
http://esferovite.blogspot.com
Preciso voltar até lá.
Dragostea Din Tei

Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Alo, Salut, sunt eu, un haiduc/ Si te rog, iubirea mea, primeste fericirea/ Alo, alo, sunt eu Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Te sunsa-ti spunce simtacum/ Alo, iubirea mea, sunt eu, fericirea/ Alo, alo, sunt iarasi eu, Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai


Tenho que agradecer ao cantor Latino (até merece ser linkado). A língua romena é muito linda, soa como árabe afrancesado. Não se trata de francês com forte sotaque árabe. É algo mais orgânico; sintaxe, eu diria, se pudesse.
Quanta saudade sinto de quando os únicos problemas a resolver eram equações de 2ª grau. Tudo bem, que eu apanhasse sempre no intervalo ou na saída; ou os professores se sentissem incomodados com minhas perguntas, mas eu era feliz. Felizinho. Hoje, me desfaço dos meus papéis, pois investigador nenhum vai ficar folheando minha intimidade e reflito que desejo ser Mário de Sá-Carneiro ou Virginia Woolf. Acho que nunca vou aprender a escrever, mesmo. Estou visivelmete causado, exaurido! Nem pensar mais eu quero. Montaigne! É disso que eu preciso, aceitar a Inevitável. Amanhã, vou passar o dia rasbicando palavras estrangeiras. Muito mesmo. Eu preciso de quantidade, de cadernos e mais cadernos escondidos na estufa de mogno. A prática me levaria a perfeição. Só não sei se quero realmente ser perfeitinho. Minha vontade é sentar-me ao lado do papai, e dizer-lhe que realmente estou muito magoado e magoado à anos. Não que eu vá querer alguma reparação. Respeito já seria suficiente. Regredi aos 14 anos, eu sei. Mas questões, essas, a trancar a minha pauta me traz de volta. (Adoro inversões.)

18 de mar. de 2005

Quem é Hécuba? Lembrei-me dela quando o Dezesseis seixos brancos esmurrava minhas costelas assadinhas de leitoa raquítica. Aquele menino encolhido, lá no canto da parede, sou eu. Estava rindo, absudarmente alto, quase implorando: chega de hematomas. "Porque você não reage?" Repugnava-me ser surrado, entretanto, aquela era a única maneira dos dezesseis seixos brancos me acariaciar. Tão em público, nem eu, gostaria dos beijos. Passados exatos sete segundos, ele me pedira que o fotografasse em verdadeiro ato de selvageria. "Vou quebrar o nariz daquele moleque"-- disse-me. "Credo! -- retruquei -- Que Vale-Tudo é esse?" Ele riu folgadamente, como se eu não soubesse de nada. Que desinformado! -- supunha ele, em relação à tudo que viríamos a compartilhar. "Vamos fazer o seguinte, disse-lhe, pega o lápis verde e vamos desenhar um arco-íris tricolor."

Não sei aonde vamos chegar, nem se disciplina terei quando a Lua banhar-se na poça de sangue do meu desejo contido, recolhido e guardado. Poderíamos muito bem, o Dicla e eu, passear no submarino azul da Vice-Presidência da República. Desta vez, eu me esforçaria de verdade para plantar bananeira e não gritaria, como nas últimas vezes. Quem nos lê, imagina um culto à estética da barbárie. Que nada! Violência é o agente almoçar um sanduíche de ricota, após desarmar um aterfato explosivo. O coitado devorava o pão como se fosse a mim mesmo. Foi os cincos reais mais bem gastos nos últimos dias. Quatro e quinze da tarde, e o açoite de aço fazendo sua primeira refeição do dia. Todos os dias, a mesma cantilena, ele dá sinais que sente necessidade das minhas mãos massageando seus omoplatas. (Neeeeem!) Entreguei-lhe o envelope (um sonetinho apaixonado) e peguei meu presente, embrulhado num papel vinho metálico. "Estou bem melhor, já consigo me sentar sem fazer caretas". respondi-lhe, quando perguntado, se havia demorado para estancar a hemorragia. O que ele me rebateu, não merece registro, tampouco comentários. Nada diferente do que um maníaco sexual diria a uma vítima afônica. Dezesseis seixos brancos gesticulava impaciente me esperando além da annona crassiflora. É muita dor que carrega essa alma. Despedi-me fechando os olhos demoradamente. E ao passar pela guarita, fiz questão de perguntar ao segurança terceirizado, porque ele não havia ido ao churrasco.

--Foi aniversário de um ano do meu moleque.
--Oh! Isto é muito bom! Afinal, alguém tem que criar juízo, não? Qual o nome dele?
--Heitor.

Foi difícil disfaçar. Fiquei visivelmente emocionado.

17 de mar. de 2005

Tive de jurar ao Executivo, ontem, pela minha mãe no céu, que eu não havia entrado na Dark Room. Eu menti, e menti duplamente, o que é pior. Sou mau caráter! A pessoa procurando apartamento para alugar, me chamando para lhe ajudar a escolher móveis, e eu preferindo o risco que a adrenalina deixa na pele. Para quê? Para no outro dia, ligar ao proctologista, implorando por uma consulta extra. Era urgente. Três pontos no colo do reto. Minha sorte é que se tratava de um especialista reconhecido e renomado. Minha sorte, foi o Executivo ter viajado às pressas: "Vamos comigo? Ou além de horror a restaurantes, tem medo de avião, também." Não era nada daquilo, mas eu estava surpreso com a súbita irritação e me esquecendo do incômodo, simplesmente lhe respondi: "Ah! Se eu pudesse..."
Realmente, ninguém se importa. O pior é que margem de manobra é mínima, para não dizer inexistente. Sou saco de pancada da minha arrogância.

16 de mar. de 2005

Calma! Faça uma higienização e relaxe. Ele não vai perceber nada.

15 de mar. de 2005

--Oi, Amor!
--Achei que não fosse ligar mais.
--Desculpa! Está ficando muito complicado...
--O quê?
--Passo o dia todo pensando em você.
--Calma, Marcinho. Sexta-feira, estou de volta... Olha lá, hem!
--Quanto a isso fique tranqüilo, sempre sonhei em ter por quem esperar.


14 de mar. de 2005

Pára esse carro, agora! Na agonia da aflição, gritei. Como se fosse fazer diferença. O verso jazia estendido sobre o asfalto, quilômetros atrás. Estúpida tentativa de resgatar uma lembrança de sábado à noite. É melhor limpar o olhar de ódio que mascara minha feição e continuar procurando entender como ele pode deixar gravado na caixa postal do meu (nosso) celular, versos de Vinícius de Morais. Desculpem-me! Mais clichê impossível. Sou amante, não cúmplice. Na tentativa de fazer poema, neste Dia da Poesia, saiu-me a fatídica prosa que me mata aos poucos. Um murro no peito, meu boné no chão. De que me adianta tanto Bilac, se nada assimilo? É simples compor versos, basta escrever, dissera Clarice Lispector, disfarçada de Joana. Para Manuel Bandeira não seria bem assim e Carlos Drummond de Andrade nos ensinara que não interessava a inspiração, e sim a luta. Mas do que eu estou falando? Sou o cirrocúmulos no rebordo da chapada, observando o mancha de sangue no asfalto liso de tão novo, a procura da diferença da soma da multiplicação. Me compliquei! Resignado, resolvo encaixar um "aliás" neste post, dependendo da entonação, sinto orgasmos sem ejaculação.
Lápis-de-cor furando minha traquéia, assim foi meu banho na piscina de lama que se formou para auxiliar eu e a loira a voltarmos. Desde que ela, retornou, transferida, à Brasília, todos nossos amigos articulam mais que torcem para que deixemos de nos encontrar só para sexo casual. Não quero nem ouvi-la me chamar de meu bem e ela não parece disposta a me escutar sobre meus novos projetos. Ela continua se vestindo muito bem. Mesmo se o seu seio saltasse para fora, não seria vulgar. Com elegância desconcertante, ela pediria a travessa de picanha. Ah, Doutor! Ela será a primeira a saber que estou tendo um caso, quando eu tiver absoluta certeza que se trata de algo mais do que um encontro sem gênero. Vou pedi-la para puxar o "nada consta" do executivo. Que raios de multinacional é essa?

12 de mar. de 2005

Sim! Eu fui atrás de proteção. Antes do sol sorrir, minhas mãos seguravam firmemente a nuca de uma pessoa que eu nunca havia visto antes. Se eu tivesse numa boate, este comportamento seria compreensível. No zoólogico não era. Da última vez que me entreguei sem ressalvas, fui convidado a desfrutar um banho hidromassagem, nesses motéis de onde podemos complentar o perfil das naturezas mortas. Desta vez, haveria de diferente. Minha abstinência compulsória ressultaria no efeito esperado. Eu estava puro. Ninguém, nada, convenceria a quebrar meus votos. Sou o mesmo tolo de ontem de manhã. Sapatos combinando com cinto, me fascinam. Calça de brim bege com camisa salmão me desnorteiam. Eu precisa fugir da corrente que me acariciava. Aço cirúrgico? Ouro branco. O brinco arrematava o bom gosto do Pessoa. Que mal haveria apenas relaxar sob corpo, pura canela. Era a terceira tentativa em menos de três meses. Pena que este, seja tão possessivo. Ainda sim, prefiro a ele do que me lamentar pelos longos fios de cabelos loiros que não encontro mais na pia do banheiro, quando vou escovar os dentes. Talvez, ela, a loira, fique feliz em saber que estou tentando superar a impossiblidade de tê-la ao meu lado na cama, assistindo As Horas.

11 de mar. de 2005

Não posso mais protelar. Vou a delegacia registar a queixa. Ele prometera bater na minha cabeça com um gato morto, até que este miasse. Será que ele poderá ser, duplamente, enquadrado por crime ambiental? Vou ter que fazer algo que não gostaria: ligar para um fulaninho filha-da-puta de ordinário. Qualquer coisa eu cuspo.
Nossos caminhos se cruzam todos os dias. Ela segue apressada em direção ao banco, enquanto eu, vou ao supermercado comprar pães. Sou apaixonado pelo tom loiro dos seus cílios. Ela ajeita o penteado. Eu grito de fome. Ela me conhece e me reconheceria, até mesmo carbonizado, na necropsia do IML. Ela perguntaria ao agente sobre meus pertences, na esperança de reaver um cordão que um dia ficou perdido no chão do banheiro. Ela ainda bebe um copo d'água, assim que acorda, e come uma maçã, enquanto folheia o NYT. A mesma rotina, como se compartilhássemos os mesmos objetivos. Se ela vier me beijar, não vou virar o rosto novamente. Será sexo, precedido de um jantar. Sem perguntar porquê.

10 de mar. de 2005

O efebo me chamou para o tatame. Declinei do convite, por se tratar de um gesto educado, supunha eu. Beijando-me a face, ele me perssuadiu a fazer tudo que ele propunha. Nunca imaginei que o tatame seria um colchão e que travesseiros poderiam ser arremessados pela janela. (Ih! Foi mal!) Ele queria carinho, atenção e se divertir com a única pessoa que estava disposta a fazer exatamente o que ele mandava. Por exatas cinco horas eu me doei, e apesar dele ter se machucado, rimos muito da brincadeira.

9 de mar. de 2005

Não pretenderia construir um guarda-sol, tampouco tecer uma bolsa feminina. Queria crescer para além de mim mesmo. Pormenores: nem vou contar para as lentes fotográficas a desconfiança do batom. Defina abstracionismo, me perguntou o praticante de arte marcial (sem mencionar qual, para que não pensem que planto couve em dias pares) Afirmo com segurança... um telefone que magoou meu patrimônio, uma cliente que me amo a ponto de perder o raciocínio lógico-matemático, me interrompem enquanto tentava resgastar...não dá para continuar. Acendeu a luz de freio. (Como se fosse fazer diferença.)

7 de mar. de 2005

Quarenta dias pendurado no varal feito lençol impuro beijado por brisas vermelhas. Nem sei como pedir-lhes desculpas. Estive me deitando com os mirmidões e descobri que dificilmente vou decifrar o código civil da constrelação de Capricórnio. Sem telescópios, sem física nuclear. Apresento-me celibatário, de fato, onanista. Mesmo quando me ligam de Palmas, me oferecendo resgate, pergunte-lhes se ele continua com ciúmes dos meus olhos castanhos. Ele te ama, ninguém acha graça, talvez, por isso, acumule inúmeras funções. Todas elas desempenhadas com brilhantismo. Qualquer hora, ele leva um tiro e eu terei de me desfazer das provas do meu crime. Sim! O criminoso ali era eu, induzindo-o a cometer um estupro impossível. Na risca da Marinha nunca mais.

25 de jan. de 2005


Pedrucha, eu de novo! Assim que eu dominar a Fera te convido para um churras. O convite se estende aos seus amigos também. Posted by Hello

Pedrucha, o branco combina com seus olhos. Buquê prometido se encontra guardado no cofre do Banco Central. Nem me pergunte como ele foi parar lá. Incompetência minha, extraviando emoções. Imagem para que recordas da nossa amizade. Obrigado por me ouvir e me aconselhar com jurisprudência internacional. Posted by Hello

Os quadriláteros marrons partiram hoje de manhã. Ainda bem, eu não suporta mais o canto desafinado dos galos. Posted by Hello

Três manchas na parede me dizem quando voltar. Sintomaticamente alerta. Sempre Posted by Hello

24 de jan. de 2005

E eu sofrendo à toa. Faça as malas, Marcinho, uma jornada irá começar. Destino: coração salgado.

21 de jan. de 2005

Fui acordado pelos disparos da glock (que os incautos achavam que fosse uma 765). Levantei-me imediatamente. Odeio quando mexem nos meus brinquedos.

20 de jan. de 2005

Acabo de sair para biblioteca. A noite de segunda-feira ainda emerge na minha memória. Não há ninguém para atender o telefone. Não sinto culpa. Apenas me envergonho pelas gafes cometidas. Poxa! Ele tinha que moder meu calcanhar? Espero que o coice involuntário não o tenha machucado. Tenho certeza que não é para mim. Caso contrário, vou ter que beijar muito aquela boca carnuda de dentes alinhados até sarar. Eu consigo contar mentirinha. Mentirona, não. O que eu faço com o sniper? A pilha de livros que se junta minha mesa começa a me irritar. Nada. Ele estava bêbado. A Branca de Neve riu até chorar da minha frase. Me chamou de gênio. Preciso dormir, nem que seja por cinco minutos. Opinião suspeitíssima. Ela me levaria escondido na babagem para o Canadá, se fosse possível. Três horas não está sendo suficiente.

19 de jan. de 2005

Me arrependo da merda que eu fiz. Como vou dizer a ele eu te amo, sem ser presa? Depois resolvo. Sim, leitores, estou apaixonada. Ele, não sei. Talvez, eu esteja sendo precipitada. Se eu me decepcionar, vocês serão os primeiros a saber. Quando ele for transferido, vocês, também serão os primeiros a saber. E das gafes que tu cometeste na primeira noite, eles saberão? Quando eu perder a vergonha, lhas conto. Tomara que o Sapo continue príncipe por mais seis anos. Sempre soube que o Poder era o melhor dos afrodisíacos, mas nunca imaginei que o desejo ia me deixar a noite toda acordada, sonhando com alguém que não poderia vir. A sensação de um corpo procurando o meu, era inevitável. Eu odeio escalas. E não vou contar, para ele, sobre nós. Todo mundo tem um e-mail secreto, me dissera ele. E muitos adolescentes (adultos, também!) tem problemas em guardar seus pessoais diários íntimos. Ele não irá te conhecer, DiCla. Também, temos direito a privacidade.

18 de jan. de 2005

Querida leitora,

Se você acredita que um dia encontrará seu príncipe encantado, desiste. Você é que será encontrada por ele. E não faça como seu amigo aqui. Esteja bem vestida, maquiada, perfumada e preparada para dividir a conta do motel. (Claro que não será preciso, trata-se de cavalheiro. Mas mesmo assim, pague!) Agora se você estiver borralheira e mesmo assim ele lhe dizer: "cara, passei meses rondando tua quadra, procurando qual seria tua casa." Prepara o enxoval. Você será pedida em casamento. Pena que não poderemos nos casar na Igreja. Seria a forma perfeita de agradecer a Santo Antônio de Pádua. Finalmente, vou poder sepultar o Dente-Amarrado nas minhas lembraças.




17 de jan. de 2005

O novo vizinho está colocando vitrais nas janelas. Só espero que o casal de rotweiller seja educado. Não vou me levantar da cama, para cumprimentá-los, nem para nada. Os três aparecem nervosos. Os cãos não param de latir. O viking, de gritar com os homens que carregam caixas de madeiras. Só de olhar sinto o peso. Eu também preciso me mudar. Se pelo menos o Dente-amarrado atendesse minhas ligações, eu poderia compartilhar meus planos com seus sonhos. Ele nunca vai conseguir ter tempo para mim. E mesmo assim eu insisto no erro. Quero um aparador igual aquele no meu quarto. Ouro envelhecido refletindo o amor que se esvai dos nossos corpos numa nublada tarde de domingo.

15 de jan. de 2005

A última vez que chorei em público foi quando o Carrasco fez omelete do meu polegar. Depois, aprendi a jogar a emoção para o platéia. Minhas lágrimas, leitora e leitor, decorrem da minha amadorística prática cênica. Em falsete, desenterro feijões que não mais crescem a custo de falsos herbicidas. Dói. Sinto repulsão em fazer o que eu gostaria que fizessem em mim. Sobreviverei ao final de semana. Espero que vocês também. E se hoje apareço cabisbaixo, decorre do pedido de hoje cedo: "quando você tiver sozinho aqui na loja, por favor, não fica no computador." Ainda nem eram seis horas e eu já sentido a fervura do chá de boldo. Será que se eles vierem a ler meus pensamentos ou mesmo se estiverem me lendo poderão vira a romper os laços de papel sulfite? Iniciar-se-á uma era de gelo? Do lado do Carrasco não encontro a tranqüilidade prometida, do lado da família não encontro a serenidade esperada . Me debato dentro da jaula, feito mico leão-dourado. Fazer programa na sauna seria uma solução, difícil de arriscada, mas já executada de bem-sucedida. Assim, poderia pular de biblioteca em biblioteca, de prateleira em prateleira, atrás de referências nem sempre confiáveis.

14 de jan. de 2005

Antes de mais nada, fui pedindo desculpas. Não admito atrasos.

11 de jan. de 2005

Dia sim, dia não, vou ao bosque de bougainvilles brincar de roleta russa. No momento de puxar o gatilho, já me encontro, totalmente, dominado pelo topor que os olhos verdes me proporciona. Não será nos braços dele que a fatalidade ocorrerá. Ele vai saber pelos jornais. Seus colegas, estarrecidos, não poderão dizer nada (eles nos ignora). E no banheiro do segundo andar, os olhos verdes ficarão vermelhos, depois inchados e depois pequenos (ele terá uma recaída). Enviara-lhe uma mensagem por celular para lhe comunicar do hematoma no meu lábio superior. Evidência irrefutável, meu bem! Disse-lhe, quando finalmente resolveu me ligar. Me dá quinze minutos que estou passando aí para te levar ao IML, me respondera. Espatifei o celular no chão. E não me arrependo. Aos poucos vou me soltando das algemas que ele me impões.
Vísceras vazias me servindo, na taça, águas do Adriático. Ela também sofre por não encontrar alguém que esteja disposto a viver um romance sincero de duradouro. O que não se vive, se cria, se reelabora. Assim, ela se libertou. Menina de pele leitosa, pura nuvem que nos anuncia o veranico. Está frio aqui dentro do peito Miss P.. Meu calcanhar se congela ao pisar no chão. Tio M. me pergunta se tem café. Café preto, Tio? Pergunto-lhe abrindo sorrindo cúmplice. Estou deixando de beber, Marcinho. (Graças à Deus!) Só vou beber durante seis meses. Dia sim, dia não. Começo a rir a ponto de meu estômago dar nó. Acordo a Sabiá insone. Você tratou dela, hoje? Tio M. me faz rir, quando eu preferiria me enfurnar no quarto permanentemente lusco-fusco. Ele me tirou a lembrança do copo vazio. Não quero mas servir pratos rápidos, comidas instantâneas. Três minutos é muito pouco. Duas horas não é nada, se telefonema não me acorda logo cedo: Só liguei para lhe desejar bom dia, meu amor! Arroz com feijão tão básico de gostoso. Porque amor e sexo não marcam um encontro logo mais depois das 21h em frente ao Centro de Convenções? Vou voltar à peleja, antes que seja necessário colocar luvas para cumprimentar os incautos. Lutaria, se possível, ao lado dos Troas contra os Aqueus. Queria fazer diferença.