9 de jun. de 2005

Gustavo Flaubert (1821- 1880)

Tenho me comportado igualzinho a Madame. O final todos presentem.

8 de jun. de 2005

César Vallejo (1892-1937)

-Posso trocar?
-Não! Já comprei.
-Então me entrega hoje; e o outro, me entrega no sábado.
-Bebeu?
-Posso beber... se você quiser.
-?!
-... o leitinho...
-Não provoca...
-Pensa com carinho.
-Nos carinhos?
-Também.
-Nesse caso, prefiro agir sem pensar.

Trocando em miúdos (Chico Buarque)

Direi que o Naz é perspicaz, se sábado de manhã, antes de eu sair para floricultura, encontrar um Neruda ao lado do meu travesseiro. Não substitue a ausência do amado, mas alivia a consciência pesada.

Lula diz que não acobertará ninguém e que cortará própria carne

Pelo tom do jantar de ontem, já estamos em campanha eleitoral. Não consegui comer nada. Faltava-me argumentos. Restava-me ouvir a retórica dos preconceituosos (pq ninguém admite?) e tentar no meio de tantas falácias, mostrar-lhes o quanto estavam equivocados. Mais uma vez, eu estava isolado. E mantendo um pouco de dignidade, escutava com semblante sério todas as queixas sem nada responder. Mesmo quando a réplica me veio, preferi me silenciar. Até porque ninguém estava interessado na minha opinião. Em momento nenhum minha fé se abalou, mesmo estando diante de interlocutores privilegiados.

7 de jun. de 2005

Paulo Markun: Dirceu foi bem no Roda Viva

Acabo de me lembrar o que estava eu fazendo na noite de 17 de maio. Assistindo ao Roda Viva? Eram os meus planos, não o do meu caso. Estava assistindo um outro tipo de vídeo, desses caseiros que a gente filma/ participa quando estamos embriagados de saudade. Não foi difícil convencer o Naz a apagá-lo. Vai que um dia eu seja solicitado a trabalhar no Palácio do Planalto, já imaginou o escândalo? Uma autoridade de Estado de salto alto fazendo felação. O dólar imediantamente passaria a valer R$5,00. A Bolsa de valores quebraria, o Risco-Brasil. atingiria níveis intoleráveis. Pediriam minha cabeça. E o pior, eu teria que me sujeitar às fantasias do meu amante, em troca da discrição. Jamais.

6 de jun. de 2005

Bits & Bytes: 10 blogues que adoramos.

Dois dos quais visito freqüentemente. São as regras do jogo, manter-se informado sobre quem é quem. Lamentável que virtualmente seja tudo tão fugaz. Tenho percebido que alguns blogues ditos literários, estão apenas testando seus textos, adequando seu público, a espera/procura de uma editora ou de condições para auto-financiar seu primeiro livro. Estão certo. O errado aqui sou eu. Imagine, querido diário, se a Rede Globo anunciasse hoje à noite em horário nobre o encerramento das suas atividades televisivas. Seria alívio, depois. Na hora, caos. Assim me sinto, quando me deparo com um link rompido, com bogue desatualizado... Para o celular que vibra em cima da minha mesa, digam que morri. Bloqueou meu raciocínio, não sei mais o que eu ia dizer. Nada de importante... Não vou atender. Estou também cansado de jantar em motel.

Anjos de Prata

Oitos dias para elaborar uma narrativa curta (1 lauda). Na semana dos Dias dos Namorados? Não serei capaz. Sim! Também tenho esse defeito: sou derrotista. O que ouço/ vejo já não me serve. Teus olhos. Vamos tentar por derivação.

Harry Potter e o Príncipe Bastardo

Cada vez me convenço que literatura se faz com marketing. Deixa-me ir fazer o meu. A propósito, a Dra. não se interessa se há poeticidade no que escrevo ou não. Por isso não me propus a buscá-la no aeroporto. Posso até comer carne mixada, mas tem que saber se oferecer, me seduzir. Nem lambari, nem sabonete, tampouco Mercúrio, Hermes, talvez ungido pelo Deus mensageiro. predestinado, não! Tinha que entregar/ enviar um bouquet de géberas para Manaus. Sempre tenho algo para entregar. Estou me cansando disso, dessa digressão, daquela falta de assunto, do desejo que toma conta dos meus dedos-cérebro-imaginação e só passa depois do almoço. Talvez se eu deixasse de escrever para mim, mesmo; largasse o tom confessional do diário. Talvez... sonharia com advérbios. Mentira! A ficção possui sua próprias regras. Odeio obdecer/seguir regras das quais não pude participar na elaboração. Por isso, amo a língua. Faço dela o que eu quiser, pagando o risco do isolamento, mas de repende, eu nasci mesmo para ser só. O homem é um ser social. Meu amigo recifense, (esse não é invenção minha, não!) me dissera que os comentários no blog dele não passavam de dez. Eram sempre as mesmas pessoas, os mesmos amigos. Ri e respondi-lhe que os meus, não passavam de cinco. O que me agrada muito. Sim! Multidão me desorienta. E nada pior do que estar-se só esperando o vôo atrasado. Desculpa. Faulkner está aqui comigo, descansando no meu colo. Ele também fala sozinho. Mesmo assim, gosto de escutá-lo.

P.S.: Não estou lendo o autor acima citado. Digitei conforme foi se desenrolando.
García Lorca continua me tomando todo o tempo.

Vem cá!


~ coração ~, originally uploaded by soulsister.

Pardais verdes mortos no fundo da gaveta esperando minha boa vontade. Calças brancas de brim prontas para serem enforcadas. Eu intercalo hipóteses, debaixo do vespeiro desconhecido. Dor de barriga, dor de cabeça, pesada, densa, conhecida, que nem café pode substituir. Nossa pior semana sem a suposição dos mares equatorianos. Queria constrelações ao menos no café da manhã. Todavia, a forma cuja escândalo me proíbe torna-se perdida sob outro amontoado de passadeiras azuis. Nenhuma imagem me alcança o coração. Vou padecendo sobre a tela branca do editor.

Desde domingo, atravesso o deserto branco das minhas desesperanças. Tenho que ir ao presídio visitar um amigo que me tem como irmão. E a única coisa que consigo é empilhar frases desconexas. Há um sentido no caos. Até aí nenhuma novidade, no entanto, aguardo do lado de fora o trinco cair no chão. Não há mais segredo para ninguém: estou escrevendo um livro. Dolorosamente, estou a digitar o que me vem a cabeça, não deveria ser tão difícil assim, pois basta abrir as comportas da Itaipu e teríamos uma Buenos Aires cheirando a carne pobre. Entretanto, tenho lista de problemas quânticos a resolver. Ler como Aquiles tripudiou sobre o corpo de Heitor foi a mais fácil deles. Até porque trata-se de uma leitura preliminar, exploratória. Eu preciso mesmo é me disciplinar. Observe os arqueiros troianos.

Sente-se diante do frio muro de livros que se avoluma no chão próximo da sua cama. Nem criado-mudo a porra do veado possui. Além de bicha, pobre. Não há nada pior. Um sortilégio desfavorável, uma incapacidade de burilar palavras, doravante, signos. Um gay, que signo horrível, me recuso! Um pederastra que insiste em transar com as amigas que morrem de amor por ele. Eu não preciso ser amado, preciso impor respeito. O que só consigo ao folhear um caudaloso livro em castelhano. Sou o filho que a mãe se orgulharia, que o pai ignora. E não se tem o respeito adquirido porque perguntas se avolumam na minha caixa de correio.

Desculpem-me, mas estou andando de bicicleta na via Dutra. Estou em alto mar nadando entre famintos tubarões. Ainda bem que eles não apreciam a carne humana. Estou escrevendo. E para pirraçar os teóricos que se apresentam-se detentores da técnica literária, estou escrevendo um diário. Não só pela estradas cronológicas, mas também pela confissão...

Não consigo. Não consegui dizer à terapeuta, nem vou conseguir me expor esse tanto. Chega desse truquinho infatil de tão batido. Seus/meus leitores conhecem retórica melhor do você. Diz logo, diz que nós queremos rir da sua cara. Ele passou mão em mim. Só foi uma fez. Era noite. Ele foi na minha cama e me abraçou pelas costas, me alisou, me beijou. Até hoje, sinto na minha pele o hálito de pinga. Não tenho raiva, nem nojo, nem piedade. Apenas não consigo fitá-lo nos olhos. Não o quero morto. Tivemos alguns momentos divertidos quando ele chegava sóbrio em casa. Eu não consigo.

Minha tia me pediu para desligar o computador. Já se passam das 22h. Amanhã antes das 7h já estarei na loja. Estou enrolando para ver se me vem coragem, para ver se alguém entra no Messenger. O astrólogo me dissera para ter cuidado com a língua. Tagarelice é defeito. Meu pai. Está aí, disse, meio assim disfarçado. Se a leitora assustada me telefonar (já está enchendo o saco!), respondo que se trata de ficção. Sou intimista, carente e solitário. Frágil. E mestre em se fazer de vítima.

5 de jun. de 2005

Número Cinco

Acabo de descobrir da pior forma que uísque com cogumelo faz mal. Vou vomitar no teclado. (E daí?)

Cogumelo bravo

Posted by Hello
Se ele algum dia souber que andei postando as fotos que ele me confiou, serei perseguido até o inferno. Quero deixar meu pai irritado, corroborar minhas hipóteses. Quem mandou o competidor-finalizador não proteger suas imagens. Viva o Orkut, viva! (Meus posts são amorais. Grande novidade.)

Cogumelo alucinógino

Posted by Hello

Mamãe não vai gostar de saber que ando postando fotos de homens de sunga. Estou muito bêbado para me importar com as conseqüências. Crianças, não aconselho que façam isso. Vocês podem ser deserdados e expulsos de casa.
Posted by Hello
Alguém o conhece? Ele é o responsável, se amanhã eu acordar de ressaca.

4 de jun. de 2005

Promotor diz que há provas para condenar PMs no RJ - Terra - Violência no Rio de Janeiro

Há momentos e situações que sou a favor da pena de morte. Depois passa, quando observo a montanha de músculos-ossos-pêlos rossonando no sofá. Sem moralismos, rancores ou revanches. O que é Justiça, mesmo?

Ri, Coração! - UOL Blog

Sozinho, esperando o Algoz acordar. Não esperava que ele fosse voltar tão cedo. Vou navegando pela Web, atualizando minhas leituras, deliciando com amendoim cru. Virei naturalista. Precisamos compensar a nuvem de alcatrão que se cola nas toalhas de mesa (presente da Ana Cristina), banho (presente da Socorro), guardanapos (e faqueiro completo, presente a Nara) e panos de prato (presente da Marisinha, que não veio, mas me escreveu uma longa carta. Vibrante!) Esta carta, Palhaço Bocudo, me lembrou a da Marisinha, "(...) Marcito, eu jurava que você fosse apaixonado por mim." Sinto-me um pouco aliviado de ter conversando com as mulheres que povoaram minhas esperanças. Elas não me decepcionaram, ao contrário, me surpreenderam. Não foi fácil, não recomendo a ninguém. Toallhinhas bordadas com B. e M. que não publicarei para não resvalar no brega. Sentiu falta dos lençóis, meu querido amigo, pois é! O Naz está babando neles. Lavá-los à mão será trabalhoso. Descubro atrás do bônus o ônus da clandestinidade. Não sei se posso dizer que estou feliz. A única certeza é que tenho com quem ir ao cinema.

Erotismo na Cidade

Testando a inteligência que transpira testogerona, aquele lá, era eu. Passei correndo sem falar com ninguém. Diz aí, o que o sansei black-belt queria. O celular emprestado. Jura? Me oferecer carona. Muito quadrado, muito pesado, muito grande. Precisaria de uma escada para alcançar o céu da boca dele. O terceiro numa noite de promiscuidades. Meu olhinho nem pisca mais. Vou gozar com esse e vamos embora. Meu amigo, agora personagem, riu. Como você sabe que ele luta? Fetiche, Bicha, fetiche! Não vai aos campeonatos, não reconhece a baunilha Vestir-se com o quimono suado do finalizador. Fingir-se de moça desentendida, grunir, emitir gemidinhos sufocantes. Engolir o que puder. Pedir para lhe ensinar a aplicar o mata-leão. Deixar que ele te amarre com a faixa de algodão cru cheirando a magnésio.

Me entrego, depois venho ao confessionário, como se pudessem me tirar o peso da consciência. Sou culpado e a indiferença da moça loira-de-olhos-azuis seria a pena. Se ela não insistisse em querer me beijar, mesmo eu tendo lhe contado detalhadamente a vergonha que passei no chuveiro, na cama, encostado na parede, segurando no corrimão, plantado no carpete, na varanda estrelada. Acho que acabei deixando a moça excitada. Papai adoraria chamá-la de "minha nora". Meus amigos diriam que ele está me comendo com o dedo. Só foi um beijo e já sinto ciúme. Vou sair com quem me ligar primeiro. Se o Sansei me chamar para ir ao cinema, eu namoro a Loira; caso contrário, amiguinhos. Estou decepcionado com a terapia.

3 de jun. de 2005

Fix you, Coldplay. Banda multimídia. Novo vídeo disponível no site. Tem que se cadastrar. É rápido. Não dói. Não se compara ao site da Madonna (Para quem agüenta o cheiro da merda, é um urinol cheio.) Me lembrou The Cure, Me lembrou Radiohead...The Smiths... (..., banda de veado.) Estou a procura de algo mais vibrante, Molotov no café da manhã. Você anda tão musical, Oykrã. Pois é, Al Cid, encontrei empoeirado nosso xilofone, no forro lá de casa. Senti saudade das nossas tardes trancados no quarto, esquecidos de nós mesmos, colorindo notas, inventando melodias, desafinadamente criança pirracenta. Posso agora puxar assunto com o vizinho que passa os domingos tocando guitarra. Músico ele não é. Talvez formado em. Amante com certeza. Bem mais alto do que eu. Cabeça raspada, costas lisas. Não me parece marombeiro, mas os braços é de quem freqüenta academia. O adesivo no pára-brisa não seria gratuito. Lábios de manga. Vou ver se consigo um amplificador de som emprestado com um amigo. hehe. Quero saber qual é a do meu vizinho. Vai dizer que ele ainda não me percebeu aqui na varanda observando-o de soslaio lavar o carro? O pato aqui sou eu! De sunga com o tempo nublado? Deve estar se estar se insinuando para as formigas que protestam contra a ação de despejo.

2 de jun. de 2005

Primeira lição: Aprender a conviver com pessoas rancorosas. Costumo dizer que estou fazendo estágio para trabalhar no Congresso Nacional. Enquanto discutiam sobre quem matou quem, eu me ausentava ao pedaços. O Doutor, ontem, falou que sou muito filósofo. Ignorante! O Cirurgião é capaz de abrir e fechar uma pessoa, mas... Ele estava me insultando! Se eu fosse intelectual, estaria em Salamanca ou Frankfurt, ou em Paris... Nova Iorque, Cambrigde, Iowa, como pude esquecer-me de Iowa! Viver como bolsista, não resolveria minha angústia. Vem alívio, vem! De que adianta o enorme respeito que eu guardo por mim, se o milhões de veados estão sendo imolados de duas em duas horas. Olhe, o contador! Onde? Onde? Lá no fundo das minhas lamentações. No muro guardei um nome: perdão. Me perdôo antes de tudo por ter fracasado. O orgulho ferido não é mais uma chaga e não faz sentido usar esse lenço no pescoço. Deixo isso para os autênticos gaudérios. É mais sincero.
Posted by Hello

Nina Simone me acalma.

1 de jun. de 2005

Eita! Passei a manhã toda preparando um post. Pesquisa no Google, consulta o dicionário, telefona para os contatos, escreve um e-mail, entra no messenger e nada. Viu o que acontece com quem sai para beber com os amigos (na verdade amigos do amigo. É moda agora, né?) e volta às quatro da manhã. (Estava chovendo muito forte. Meia-mentira.) Não tem nada para postar. Ai! Estou só o pó.