7 de jun. de 2005

Paulo Markun: Dirceu foi bem no Roda Viva

Acabo de me lembrar o que estava eu fazendo na noite de 17 de maio. Assistindo ao Roda Viva? Eram os meus planos, não o do meu caso. Estava assistindo um outro tipo de vídeo, desses caseiros que a gente filma/ participa quando estamos embriagados de saudade. Não foi difícil convencer o Naz a apagá-lo. Vai que um dia eu seja solicitado a trabalhar no Palácio do Planalto, já imaginou o escândalo? Uma autoridade de Estado de salto alto fazendo felação. O dólar imediantamente passaria a valer R$5,00. A Bolsa de valores quebraria, o Risco-Brasil. atingiria níveis intoleráveis. Pediriam minha cabeça. E o pior, eu teria que me sujeitar às fantasias do meu amante, em troca da discrição. Jamais.

6 de jun. de 2005

Bits & Bytes: 10 blogues que adoramos.

Dois dos quais visito freqüentemente. São as regras do jogo, manter-se informado sobre quem é quem. Lamentável que virtualmente seja tudo tão fugaz. Tenho percebido que alguns blogues ditos literários, estão apenas testando seus textos, adequando seu público, a espera/procura de uma editora ou de condições para auto-financiar seu primeiro livro. Estão certo. O errado aqui sou eu. Imagine, querido diário, se a Rede Globo anunciasse hoje à noite em horário nobre o encerramento das suas atividades televisivas. Seria alívio, depois. Na hora, caos. Assim me sinto, quando me deparo com um link rompido, com bogue desatualizado... Para o celular que vibra em cima da minha mesa, digam que morri. Bloqueou meu raciocínio, não sei mais o que eu ia dizer. Nada de importante... Não vou atender. Estou também cansado de jantar em motel.

Anjos de Prata

Oitos dias para elaborar uma narrativa curta (1 lauda). Na semana dos Dias dos Namorados? Não serei capaz. Sim! Também tenho esse defeito: sou derrotista. O que ouço/ vejo já não me serve. Teus olhos. Vamos tentar por derivação.

Harry Potter e o Príncipe Bastardo

Cada vez me convenço que literatura se faz com marketing. Deixa-me ir fazer o meu. A propósito, a Dra. não se interessa se há poeticidade no que escrevo ou não. Por isso não me propus a buscá-la no aeroporto. Posso até comer carne mixada, mas tem que saber se oferecer, me seduzir. Nem lambari, nem sabonete, tampouco Mercúrio, Hermes, talvez ungido pelo Deus mensageiro. predestinado, não! Tinha que entregar/ enviar um bouquet de géberas para Manaus. Sempre tenho algo para entregar. Estou me cansando disso, dessa digressão, daquela falta de assunto, do desejo que toma conta dos meus dedos-cérebro-imaginação e só passa depois do almoço. Talvez se eu deixasse de escrever para mim, mesmo; largasse o tom confessional do diário. Talvez... sonharia com advérbios. Mentira! A ficção possui sua próprias regras. Odeio obdecer/seguir regras das quais não pude participar na elaboração. Por isso, amo a língua. Faço dela o que eu quiser, pagando o risco do isolamento, mas de repende, eu nasci mesmo para ser só. O homem é um ser social. Meu amigo recifense, (esse não é invenção minha, não!) me dissera que os comentários no blog dele não passavam de dez. Eram sempre as mesmas pessoas, os mesmos amigos. Ri e respondi-lhe que os meus, não passavam de cinco. O que me agrada muito. Sim! Multidão me desorienta. E nada pior do que estar-se só esperando o vôo atrasado. Desculpa. Faulkner está aqui comigo, descansando no meu colo. Ele também fala sozinho. Mesmo assim, gosto de escutá-lo.

P.S.: Não estou lendo o autor acima citado. Digitei conforme foi se desenrolando.
García Lorca continua me tomando todo o tempo.

Vem cá!


~ coração ~, originally uploaded by soulsister.

Pardais verdes mortos no fundo da gaveta esperando minha boa vontade. Calças brancas de brim prontas para serem enforcadas. Eu intercalo hipóteses, debaixo do vespeiro desconhecido. Dor de barriga, dor de cabeça, pesada, densa, conhecida, que nem café pode substituir. Nossa pior semana sem a suposição dos mares equatorianos. Queria constrelações ao menos no café da manhã. Todavia, a forma cuja escândalo me proíbe torna-se perdida sob outro amontoado de passadeiras azuis. Nenhuma imagem me alcança o coração. Vou padecendo sobre a tela branca do editor.

Desde domingo, atravesso o deserto branco das minhas desesperanças. Tenho que ir ao presídio visitar um amigo que me tem como irmão. E a única coisa que consigo é empilhar frases desconexas. Há um sentido no caos. Até aí nenhuma novidade, no entanto, aguardo do lado de fora o trinco cair no chão. Não há mais segredo para ninguém: estou escrevendo um livro. Dolorosamente, estou a digitar o que me vem a cabeça, não deveria ser tão difícil assim, pois basta abrir as comportas da Itaipu e teríamos uma Buenos Aires cheirando a carne pobre. Entretanto, tenho lista de problemas quânticos a resolver. Ler como Aquiles tripudiou sobre o corpo de Heitor foi a mais fácil deles. Até porque trata-se de uma leitura preliminar, exploratória. Eu preciso mesmo é me disciplinar. Observe os arqueiros troianos.

Sente-se diante do frio muro de livros que se avoluma no chão próximo da sua cama. Nem criado-mudo a porra do veado possui. Além de bicha, pobre. Não há nada pior. Um sortilégio desfavorável, uma incapacidade de burilar palavras, doravante, signos. Um gay, que signo horrível, me recuso! Um pederastra que insiste em transar com as amigas que morrem de amor por ele. Eu não preciso ser amado, preciso impor respeito. O que só consigo ao folhear um caudaloso livro em castelhano. Sou o filho que a mãe se orgulharia, que o pai ignora. E não se tem o respeito adquirido porque perguntas se avolumam na minha caixa de correio.

Desculpem-me, mas estou andando de bicicleta na via Dutra. Estou em alto mar nadando entre famintos tubarões. Ainda bem que eles não apreciam a carne humana. Estou escrevendo. E para pirraçar os teóricos que se apresentam-se detentores da técnica literária, estou escrevendo um diário. Não só pela estradas cronológicas, mas também pela confissão...

Não consigo. Não consegui dizer à terapeuta, nem vou conseguir me expor esse tanto. Chega desse truquinho infatil de tão batido. Seus/meus leitores conhecem retórica melhor do você. Diz logo, diz que nós queremos rir da sua cara. Ele passou mão em mim. Só foi uma fez. Era noite. Ele foi na minha cama e me abraçou pelas costas, me alisou, me beijou. Até hoje, sinto na minha pele o hálito de pinga. Não tenho raiva, nem nojo, nem piedade. Apenas não consigo fitá-lo nos olhos. Não o quero morto. Tivemos alguns momentos divertidos quando ele chegava sóbrio em casa. Eu não consigo.

Minha tia me pediu para desligar o computador. Já se passam das 22h. Amanhã antes das 7h já estarei na loja. Estou enrolando para ver se me vem coragem, para ver se alguém entra no Messenger. O astrólogo me dissera para ter cuidado com a língua. Tagarelice é defeito. Meu pai. Está aí, disse, meio assim disfarçado. Se a leitora assustada me telefonar (já está enchendo o saco!), respondo que se trata de ficção. Sou intimista, carente e solitário. Frágil. E mestre em se fazer de vítima.

5 de jun. de 2005

Número Cinco

Acabo de descobrir da pior forma que uísque com cogumelo faz mal. Vou vomitar no teclado. (E daí?)

Cogumelo bravo

Posted by Hello
Se ele algum dia souber que andei postando as fotos que ele me confiou, serei perseguido até o inferno. Quero deixar meu pai irritado, corroborar minhas hipóteses. Quem mandou o competidor-finalizador não proteger suas imagens. Viva o Orkut, viva! (Meus posts são amorais. Grande novidade.)

Cogumelo alucinógino

Posted by Hello

Mamãe não vai gostar de saber que ando postando fotos de homens de sunga. Estou muito bêbado para me importar com as conseqüências. Crianças, não aconselho que façam isso. Vocês podem ser deserdados e expulsos de casa.
Posted by Hello
Alguém o conhece? Ele é o responsável, se amanhã eu acordar de ressaca.

4 de jun. de 2005

Promotor diz que há provas para condenar PMs no RJ - Terra - Violência no Rio de Janeiro

Há momentos e situações que sou a favor da pena de morte. Depois passa, quando observo a montanha de músculos-ossos-pêlos rossonando no sofá. Sem moralismos, rancores ou revanches. O que é Justiça, mesmo?

Ri, Coração! - UOL Blog

Sozinho, esperando o Algoz acordar. Não esperava que ele fosse voltar tão cedo. Vou navegando pela Web, atualizando minhas leituras, deliciando com amendoim cru. Virei naturalista. Precisamos compensar a nuvem de alcatrão que se cola nas toalhas de mesa (presente da Ana Cristina), banho (presente da Socorro), guardanapos (e faqueiro completo, presente a Nara) e panos de prato (presente da Marisinha, que não veio, mas me escreveu uma longa carta. Vibrante!) Esta carta, Palhaço Bocudo, me lembrou a da Marisinha, "(...) Marcito, eu jurava que você fosse apaixonado por mim." Sinto-me um pouco aliviado de ter conversando com as mulheres que povoaram minhas esperanças. Elas não me decepcionaram, ao contrário, me surpreenderam. Não foi fácil, não recomendo a ninguém. Toallhinhas bordadas com B. e M. que não publicarei para não resvalar no brega. Sentiu falta dos lençóis, meu querido amigo, pois é! O Naz está babando neles. Lavá-los à mão será trabalhoso. Descubro atrás do bônus o ônus da clandestinidade. Não sei se posso dizer que estou feliz. A única certeza é que tenho com quem ir ao cinema.

Erotismo na Cidade

Testando a inteligência que transpira testogerona, aquele lá, era eu. Passei correndo sem falar com ninguém. Diz aí, o que o sansei black-belt queria. O celular emprestado. Jura? Me oferecer carona. Muito quadrado, muito pesado, muito grande. Precisaria de uma escada para alcançar o céu da boca dele. O terceiro numa noite de promiscuidades. Meu olhinho nem pisca mais. Vou gozar com esse e vamos embora. Meu amigo, agora personagem, riu. Como você sabe que ele luta? Fetiche, Bicha, fetiche! Não vai aos campeonatos, não reconhece a baunilha Vestir-se com o quimono suado do finalizador. Fingir-se de moça desentendida, grunir, emitir gemidinhos sufocantes. Engolir o que puder. Pedir para lhe ensinar a aplicar o mata-leão. Deixar que ele te amarre com a faixa de algodão cru cheirando a magnésio.

Me entrego, depois venho ao confessionário, como se pudessem me tirar o peso da consciência. Sou culpado e a indiferença da moça loira-de-olhos-azuis seria a pena. Se ela não insistisse em querer me beijar, mesmo eu tendo lhe contado detalhadamente a vergonha que passei no chuveiro, na cama, encostado na parede, segurando no corrimão, plantado no carpete, na varanda estrelada. Acho que acabei deixando a moça excitada. Papai adoraria chamá-la de "minha nora". Meus amigos diriam que ele está me comendo com o dedo. Só foi um beijo e já sinto ciúme. Vou sair com quem me ligar primeiro. Se o Sansei me chamar para ir ao cinema, eu namoro a Loira; caso contrário, amiguinhos. Estou decepcionado com a terapia.

3 de jun. de 2005

Fix you, Coldplay. Banda multimídia. Novo vídeo disponível no site. Tem que se cadastrar. É rápido. Não dói. Não se compara ao site da Madonna (Para quem agüenta o cheiro da merda, é um urinol cheio.) Me lembrou The Cure, Me lembrou Radiohead...The Smiths... (..., banda de veado.) Estou a procura de algo mais vibrante, Molotov no café da manhã. Você anda tão musical, Oykrã. Pois é, Al Cid, encontrei empoeirado nosso xilofone, no forro lá de casa. Senti saudade das nossas tardes trancados no quarto, esquecidos de nós mesmos, colorindo notas, inventando melodias, desafinadamente criança pirracenta. Posso agora puxar assunto com o vizinho que passa os domingos tocando guitarra. Músico ele não é. Talvez formado em. Amante com certeza. Bem mais alto do que eu. Cabeça raspada, costas lisas. Não me parece marombeiro, mas os braços é de quem freqüenta academia. O adesivo no pára-brisa não seria gratuito. Lábios de manga. Vou ver se consigo um amplificador de som emprestado com um amigo. hehe. Quero saber qual é a do meu vizinho. Vai dizer que ele ainda não me percebeu aqui na varanda observando-o de soslaio lavar o carro? O pato aqui sou eu! De sunga com o tempo nublado? Deve estar se estar se insinuando para as formigas que protestam contra a ação de despejo.

2 de jun. de 2005

Primeira lição: Aprender a conviver com pessoas rancorosas. Costumo dizer que estou fazendo estágio para trabalhar no Congresso Nacional. Enquanto discutiam sobre quem matou quem, eu me ausentava ao pedaços. O Doutor, ontem, falou que sou muito filósofo. Ignorante! O Cirurgião é capaz de abrir e fechar uma pessoa, mas... Ele estava me insultando! Se eu fosse intelectual, estaria em Salamanca ou Frankfurt, ou em Paris... Nova Iorque, Cambrigde, Iowa, como pude esquecer-me de Iowa! Viver como bolsista, não resolveria minha angústia. Vem alívio, vem! De que adianta o enorme respeito que eu guardo por mim, se o milhões de veados estão sendo imolados de duas em duas horas. Olhe, o contador! Onde? Onde? Lá no fundo das minhas lamentações. No muro guardei um nome: perdão. Me perdôo antes de tudo por ter fracasado. O orgulho ferido não é mais uma chaga e não faz sentido usar esse lenço no pescoço. Deixo isso para os autênticos gaudérios. É mais sincero.
Posted by Hello

Nina Simone me acalma.

1 de jun. de 2005

Eita! Passei a manhã toda preparando um post. Pesquisa no Google, consulta o dicionário, telefona para os contatos, escreve um e-mail, entra no messenger e nada. Viu o que acontece com quem sai para beber com os amigos (na verdade amigos do amigo. É moda agora, né?) e volta às quatro da manhã. (Estava chovendo muito forte. Meia-mentira.) Não tem nada para postar. Ai! Estou só o pó.

31 de mai. de 2005

Com o cérebro empolado, estava. Coçando as mucosas pubianas à procura de outros templates. Sim! Mudanças a caminho.

Quarto de despejo

Entendi porque se considera Carolina Maria de Jesus escritora. Obrigado, Spithoven!
Estradas embrulhadas por pétalas sujas. Errei passos sob aplausos entumesidos. Pico da Bandeira. Dr. Cláudio. Será que ele é parente do poeta modernista? (...) Cherish... cherish... Estou surpreso com minha desinibição. Linda perfomace. Lábios cor-de-rosa, sombra azul-prateada. O Dr. demorou a atingir o clímax. Inverteria a brincadeira se houvesse possibilidade da garrafa de vinho tinto demi-seco falar oui. A felação que faço sem colocar as mãos, ele recusa. Colocaria o códon com a boca, se o prazer dele não fosse me ver respirando fundo. Quinhentos reais, dezesseis minutos. Pena o telefone tocar raramente.

30 de mai. de 2005

Parada do Orgulho Gay (São Paulo - SP)


parada, originally uploaded by eduardo.v.

Querido colega de peleja,

Fiz-me de desentendido quando me perguntaste se eu iria à Parada. Resolvi aceitar tua provocação. Não fui, mas acompanhei on line e pelos telejornais o carnaval político. Aquela história de que viajam em média seis vezes por ano, me pareceu turismo sexual. Puro preconceito. Eles estão a procura do final do arco-íris. Não se dão conta de que o ponte de ouro já se encontra aos pés deles. Sabendo beijar, nunca vai faltar.


(Gay Parade -- São Paulo/ BR)
Secretaria Especial de Direitos Humanos (Brasil sem Homofobia)
Stonewall
Stonewall Revisited
Armário X

"Posso não concordar com nenhuma das vossas palavras, mas defenderei até a morte o vosso direito de enunciá-las." Voltaire (Fraçois Marie Arouet), 1694-1778, filósofo francês


tulips


tulip, originally uploaded by digitalp.

30 de maio. Seria dado, senão fosse esquecimento. Ela gostava de tulipas. O tempo favorece. Vou encomendar ao fornecedor pelo menos uma dúzia. (Eis uma das vantagens de se trabalhar numa floricultura, hehe.) Se ela atender ao telefone, descreverei o perfume da minha saudade. Caso contrário, volto, resignado, ao teclado.

28 de mai. de 2005

Astro Boy


Astro Boy, originally uploaded by andymatic.

A verdade é que não consigo ser mordaz o quanto meus inimigos são comigo. "O Márcio está ocupado escrevendo o livro dele". Aquela frase foi pior do que um pontapé, ou pior do que um martelo rodado. Espero estar sendo claro, leitora. Tenho me empenhado muito. E nem mesmo elogios podem recupar meu amor-próprio. Por isso, talvez, tenha concordado em ir para cama com um sujeito que eu nem sabia o nome. Se virilidade valesse de alguma coisa, nesse exato momento eu estaria cantando. Não estou. Não há ritmo que minha voz possa acompanhar. São emoções sobrepostas que eu fui protelando, protelando e agora estou com as calças sujas. A embaixatriz que acabei de atender aqui na loja foi tão carinhosa comigo. Me abraçou, me deu três beijinhos. Se tivesse continuado com a greve, teria sido privado dos elogios sinceros e gratuitos. Não adianta. Ninguém duvida que ela seja minha cliente, pois é por mim que ela sempre pergunta. Ninguém dúvida que tem me agradado vir ajudar na floricultura, mesmo estando proibido usar o computador para fins particulares. Poderia dormir no apartamento do Fornazze. Sua ausência, se resolveria com a webcam ligada no computador. (Assim tenho feito.) Um local reservado, um rosto bonito, uma bunda gostosa. Quantos homens eu poderia ter numa noite? O suficiente para não ficar nenhum minuto sequer sozinho pensando em merda. Quando o Naz queria me convencer a fazer algo que me causava repulsa, me chamava de meu botão de rosa salmão. Eu podia sentir o gosto da iguaria nos lábios dele. Íamos ao meu restaurante favorito e de lá saia disposto a correr atrás de giletes, de fosse preciso. A boate enfumaçada não me provocava náuseas. As putas me tocavam sem me causar asco. E quando chegávamos em casa, eu exigia uma taça de ouro fundido, ou, simplesmente, um copo de leite tirado na hora. Meu copo-de-leite jamais se negara a ornamentar minha flora intestinal. A toxidade que me expele pelos dedos se dispõem a cometer leviandades como se eu tivesse apurado senso de equilíbrio.

23 de mai. de 2005

Posted by Hello

Profundamente, estou muito sentido comigo mesmo. Por diversos motivos que não cabe aqui discorrê-los, não estou conseguindo atualizar o weblog todos os dias, conforme eu gostaria. Pode não fazer diferença para ninguém, mas para mim faz. Sendo assim, vou tentar publicar algo exclusivo às sextas-feiras. O lado bom da história é que eu descobri o óbvio: não sei escrever. Mas, quem sabe, de repente, com muita prática, meio como quem não espera mais nada do mar, eu consiga. "Andar se aprende sozinho." Sob os olhares atentos dos familiares, respondi ao meu professor. Com certeza ele não gostou. Contudo, não poderia continuar indiferente.

20 de mai. de 2005

Posted by Hello
Estou em dúvida. Sempre acreditei que o Príncipe viria a galope. Sofri muito por ter deixado este post, incompleto, com duas frases apenas. Queria gritar dentro do travesseiro toda a raiva controlada com polpa de maracujá. Ele não terá vícios. Estará sempre ao seu lado quando você precisar de amparo, me dissera as estrelas.
Esses maracujás vão acabar te dando uma gastrite, disse-me ele, pegando a caixa-de-fósforo por cima de mim. Tenho você para cuidar de mim! Ouvi a porta da cozinha se fechando. Joguei a casca na lixeira, com vontade de jogar minha esperança junto. Serenidade, meu coração disparado pedia. Vou-me embora estudar para prova de segunda-feira, ou preparo um sanduíche para ele? A resposta abrira a porta, já trazendo a mala. Mala que se tornava pequena diante minha ignorância sem destino. A mancha preta de tinta de caneta que não conseguimos remover, carregada como troféu. Meu Deus! Como ainda me lembro daquele dia. Resquícios de uma discussão tola, xingamentos óbvios, agressões desnecessárias.
Ele se aproximou de mim, me puxando pela mão. Eu ainda estava emburrado, não por estar ficando, mas por não termos passado nenhuma noite sozinhos juntos . Me preocupei com o hóspede quando na verdade este queria deitar-se conosco. Como eu ia saber, se ninguém me dissera nada? E todas as insinuações, eu deveria desconversar. Era um trato muito antigo que ainda valia. Minha obrigação era nada além de que servir vinho tinto em copos de requeijão. Até parecia que havíamos voltado, que éramos novamente aquele casal que irritava os padrões heterodoxos.
Não podia, com as armas que eu dispunha naquele momento, relutar com a força de trinta e seis cavalos. Estava abraçado por uma cerca de ficus que me espetava o rosto. Meu coração dependurado no pescoço dele, enquanto o outro agonizava esquecido na pia do banheiro. Abotoei o colarinho, ajustei o nó da gravata. Minha mão direita segurando o nó, a esquerda a vermelha seda indiana. Meu sorriro de quem finalmente aplicara o almejado ippon. Solta!, ele me disse. Me solta!, respondi-lhe. E o que nossos olhos disseram, desejo algum traduz. Ele estava partindo. Voltaria quando possível. Telefonaria todos os dias. E ficaria irritado quando eu alegasse que não estava em condições de conversar com ninguém.
O olhar descuidado para o relógio denunciava que poderíamos tentar concluir o que o ácido sangue prateado não permitira. Com esforço, tentei liberar minhas mãos. Contudo, só me restava a opção de esfregar meu sexo no dele. A estratégia resumia-se a não beijar-lhe mais a boca e sim mordiscar o lóbulo da orelha. Pude ouvir minhas costelas estralando. Ai, porra! Eu preciso da minha orelha. Eu era meu próprio esfíncter nas mãos dele. Relaxei os músculos. Silenciei a respiração. Fiquei mudo, aguardando as instruções. Sim, Sr. Doutor.
A sirene da rádio-patrulha, lá embaixo, na rua, o desconcentrara. Poxa! Não acredito que já estão me chamando. Era mesma piadinha de sempre. Ele me soltou, foi até a janela e quando voltou, me pus de joelhos ao pé dele. Minha boca, por cima do tecido mole da calça, procurando a barra de ferro, frio, cruel, desumanho. Tentei abrir a braguilha. Levanta, amor! Estou atrasado. Fica para uma outra hora. Ele me ergueu, me beijou a boca e me entregou a chave do apartamento. Queria perdir-lhe um favor. Estava pronto para dizer-lhe "não posso." Você, poderia vir cuidar das floreiras para mim. Você pode dormir aqui, se quiser. Usar a internet... Eu volto logo. Vivo ou morto?
E nos espaços vãos da ausência não só de mobília, eu poderia me esconder. Sombras me acompanhariam em noites sem luar. E nem mesmo a sessão suicida de felação na dark room conseguiu evitar que eu chorasse, à noite, de saudade. O telefone tocou, não atendi. Prefiro que ele pense que eu fui embora. Na realidade, tenho estudado muito para tentar compreender a dimensão da minha idiotice.

19 de mai. de 2005

Como se diz obrigado, em húngaro?

Posted by Hello


Toco com os pés as frias águas do Danúbio. Budapest está aqui, ao alcance das minhas mãos, na minha estante. Com os lábios úmidos de desejo, procurei a boca do meu amor, mas não o beijei. Tentava decifrar a quentura da respiração, que já não era mais dele, senão nossa. Com dificuldade, me equilibrava rente ao corpo que eu não reconheceria sem ajuda do almíscar. Preciso ir embora. Preparar-me para o seminário. Vou esperar que o Naz durma. Ele precisa ruminar as promesas descabidas, feitas no interstício do Sol. Antes, entrego-lhe minha carne -- esfolada, ensangüentada, ávida por prazer leitoso para anestesiá-la. Gostaria muito de morrer nos braços dele, mas hoje nem se eu quisesse.

18 de mai. de 2005

Disse-lhe sim com tanta sinceridade, que ele foi chorar no banheiro. As lágrimas que eu não testemunhei, pude sentir dentro de mim, quando ele resolveu, depois de muitos beijos, me penetrar. Era 15 h, o celular tocou a Habanera. O Naz ao invés de atendê-lo, o desligou. Saí de baixo dele, e mandei que o atendesse. Podia ser urgente. Prometi-lhe que voltaria à noite para terminarnos o que eu nunca deveria ter começado. Não retornei, tampouco telefonei para ele. Enquanto o Dr. se mostrar apaixonado, vou fazendo paçoca do seu coração, ora doce, ora salgada que distribuo aos imberbes que nos pára no sinal. Dá um real para o menino, amor! Adoramos fazer caridade com o dinheiro dos outros. O Naz meteu a mão na sacola de compras que estava no meu colo e tirou um pacote de biscoitos amanteigados. Os meus biscoitos amanteigados! Que desse os de cereja, mas os amanteigados, não! É isso que eu aprecio nele. O Naz pensa rápido e destila um sarcasmo que me faz chupar os dedos. Ele até merecia uma chupada pela sua perspicácia. Mas, no trânsito, não. Poderíamos nos engalfinhar na tranqüilidade do nosso jardim de inverno. Sem olhares curiosos, sem interrupções, nem por isso sem emoção.

17 de mai. de 2005

Não sei contar uma mentira grande, mas um mentirinha, eu consigo. Principalmente quando se trata de uma meia verdade. Consegui um dia de folga. Disse ao meu povo que ia à Secretaria de Educação fazer minha inscrição para contrato temporário. Eu só não disse, onde eu ia depois. Vou passar o dia todo sem respirar pólens de margaridas e girassóis. Em compensação, tenho um apartamento imundo de abandonado para faxinar. (Eu me ofereci para limpá-lo, mesmo o Naz tendo me pedido para que não me preocupasse com a bagunça, que ia chamar um diarista, etc.) Pela poeira, pelo lodo na privada e as quimbas de cigarro no chão, aposto sem medo de perder que o apartamento estava mais de um ano abandonado. Não pretendo chamá-lo novamente de lar. Até porque, o Dr. está em treinamento. É provissória essa história tirar o colchão da cama e jogá-lo no chão. Vamos fazer barulho do mesmo jeito. Até porque, ele continua o mesmo impaciente de antes. Não acredito que só porque ele mandou instalar a linha telefônica, levou a geladeira que desde nossa época de ouro, roncava mais que ele, para o conserto que vamos finalmente nos entender. Ele é incapaz de montar meu quebra-cabeça da forma que me proporcionaria prazer absoluto. E eu não tenho mais paciência de explicar-lhe que agindo assim no outro dia estou imprestável. Talvez, ele seja mesmo um garanhão, e precise de um haras para saciar suas fantasias. A pizza chegou. Amanhã continuo.

16 de mai. de 2005

Só para registro. Essa história, os dois posts anteriores, mexeu tanto comigo, que sonhei que estava passeando pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro.
Dentro da Barca, a caminho do aeroporto, a piada era essa: Deu lesão corporal e as gargalhadas me impediam de admirar a orla do Rio. Era falta de respeito para comigo, afinal se o motorista e eu trocamos bom dia, foi muito. Ele ficara o tempo todo fora da casa, fazendo a guarda. Mas era amigo do Naz, e decidi relevar. Eu queria ter ido ao jogo do Flamengo, pensei alto. Que papo torto é esse? Esqueceu-se que eu sou vascaíno? -- me gritou o Naz. Tomei-lhe a garrafa de vodka e fiquei ensaindo o gole. Salve nação tricolor! -- gritou o louco que estava ao meu lado esquerdo. Um cara novo, no máximo 23 anos, jeito de surfista, paranóico a enéssima potência. Para ele todos eram suspeito. A toda hora me perguntava porque as pontas dos meus dedos estavam escuras. Ele só não pegou na minha mão para cheirar, porque o Naz não me deixou só um minuto sequer. Não adiantava explicar-lhe que era por causa das nódoa das rosas. Mas ao passar-lhe a garrafa, ele pegou minha mão e, sem pedir licença, a cheirou. Talvez, o surfista quisesse ter certeza que não havia trabalhado em vão, ou apenas, queria experimentar o motivo da felicidade do Dr. Spock. Perguntei se mais alguém queria cheirar meus dedos. O Naz soltou um risada sinstra. E todos pernameceram calados até chegarmos ao aeroporto onde a despedida foi protocolar.
Imagine se eu concordasse em permanacer o tempo todo lá no sítio, onde nem podia subir no abacateiro. Se o Naz soubesse que aos sete anos eu já brincava de subir em árvores, não teria feito tanto alarde. Você estava na ponta da galha. E na ponta do iceberg era onde eu deveria estar, desde que eu contesse meu gemidos. O gelo podia se derreter dentro de mim, sem me queimar. Sabe, DiCla, o nosso urso polar (sim! O Dr. Fornazze, voltou a emitar aqueles incomodos grunidos ao dormir, que ele jura não emitir) podia ao menos fazer a unha, não tenho experiência em casquear, mas após o banho poderíamos cortá-las. Quem sabe os sais de maracujá não as amolecería, além do coração duro do meu algoz? Ainda há alguns projetéis a serem extraídos do peito do Naz, o que eu faria com prazer se ele não pedisse para eu apanhar o isqueiro no chão todas as vezes que eu inicio uma conversa séria. O idiota apanha e depois não consegue se conter. O que deixa o Dr. muito decepcionado. Esse tempo todo afastado, ele não aprendeu a se servir do melão sem parti-lo em bandas. Azar o dele. Vou aproveitar até a última gota dos seus beijos carnudos. Depois vou-me embora para o Gazebo, rezendo para que a saudade não me acompanhe. Não quero comer pizza, não quero conhecer a cidade. Não se conhece uma cidade admirando seus pontos turísticos. Queria ele dentro de mim, dizendo eu te amo.
--Você não quer ver o mar?
--Estou olhando para ele. Azul, salgado, agora mais calmo, enigmático.

Ele me respondeu, esquecendo o peso do corpo sobre o meu. Eu poderia ter gemido "ai", mas preferi agüentar o peso da dor que não me era estranho.

14 de mai. de 2005

MINHA HOMENAGEM À MENINA DOS MEUS SONHOS

Ainda tenho quinze minutos antes de fazer o check-in. Preciso me gabar. Preciso contar-lhe, DiCla, que estou indo para o Rio passar o final de semana. Se eu disser que se trata de ficção, não estarei parecendo exibicionista, mesmo sendo, certo? É ficção, querido. Minha vida não passa de uma mentira que só eu acredito. Tu sabes disso. Nem mesmo se apareço com olho roxo no trabalho. Era um roxinho imperceptível, inversamente proporcional a força do soco. (Meu desdém absorvera todo o impacto.) É tudo falso. Sou um falsário, impostor. Eu não amo aquele homem que foi à floricultura, se é que eu posso chamar aquele quiosque de floricultura, comprar um ramalhete de rosas chá. Onde já se viu chegar na casa dos outros sem flores? Ainda mais na casa da mãe. Ainda mais quando se faz um ano que não a vê. Ainda mais quando se comemora 80 anos de vida. Não entendo e não concordo (já discutimos muitas vez por isso), como pode o Naz deixar a mãe dele a cargo de acompanhantes (que nem mesmo são enfermeiras) e empregadas. Ainda estou muito magoado com o que ele me disse sobre minha relação com meu pai. Eu poderia ter-lhe dito que o papai não me carregou nove meses, nem ao menos sabia da gravidez da mamãe e que nunca me pegara no colo, o que dirá carregar. (Meu irmão sempre me reclamara que era obrigado a me carregar.) Mas, eu aprendera que com bêbado não se discute e não poderia se apronfundar os argumentos que começavam a ser substituídos por xingamentos implícitos. Acabamos de nos reencontrar e eu já vou impondo minhas opiniões, fazendo as mesmas cobranças, exigindo ética (A sua, né, Márcio?) Ele parece disposto, eu não. Foi só sexo, o suficiente para me deixar com prisão de ventre. Eu tenho alguém que me quer, contornando a plataforma continental a serviço. Enquanto estou livre, ouço meus bolachões na companhia de um estranho. Minha resposta continua sendo não, Naz. Só não sei como dize-lho, DiCla. Sabe sim! Você é quer não dizer. Ainda acredita que conseguirá convencê-lo a levá-lo à Bienal do Livro. Que bom que voltaste para corrigir a ortografia.
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13 de mai. de 2005

Por causa do texto de ontem, telefonei para o serviço dele de um telefone público. Se a secretária atendesse, ou qualquer outra pessoa, desligaria imediatamente. Uma voz masculina me atendeu e gaguejando disse-lhe que eu gostaria de falar com o Dr. Fornazze, era da escola do filho dele. Amante que se preza, tem seus códigos.
-- Diga, professor! Aconteceu alguma coisa com o Guilherme?
-- Nada grave. Ele machucou-se nas escadas da sala de projeção.
-- É preciso que alguém vá aí buscá-lo?
-- Não. Pode ser no horário de sempre.
-- Acontece que hoje, eu vou me atrassar.
-- Sem problema, ele fica no parquinho brincando...
-- É que hoje aqui, está movimentado, senão eu iria aí agora. De qualquer forma, obrigado por ter ligado.

E quando nos encontramos à noite no nosso bar preferido, eu já havia me decidido que não faríamos sexo, por mais que eu quisesse. Ele se sentiria muito envaidecido ao saber que eu o procurara, enquanto havia outras opções. Na verdade não há. Igual a ele, não. E ele pressentindo minha resistência, usou do charme para convencer, usaria da força se fosse preciso. A saudade o consumia, como me confessou horas mais tarde. Eu tentava não observá-lo, quando ele completava meu copo, o cuidado para não fazer espuma, o resto no copo dele, o levantar da garrafa para chamar o garçon, o inclinar do corpo ao guardar a garrafa ao pé da mesa. Eu parei de contar na quinta. Cogitei em irmos embora, e ele me disse depende.
Ainda sobre o post de ontem, que segue abaixo. Só o fato de ter tentado, vale todo o esforço, porque de repente a gente aprende.

12 de mai. de 2005


Acorrentado pelo weblog do Gaudério San

Posted by Hello
Observem atentamente, excelentíssimos. A formiguinha perdida sendo pisoteada por argüições literárias. Sobreviverá? Sobreveviremos! Para tanto, me pergunto quem sou eu para compor os elos de uma fina corrente de ouro cravejada de esmeraldas, rubis e opalas que mais me lembram a tornozeleira da mamãe... Merda! Por que eu tenho que chorar quando me lembro da vaca botanto a cabeça fora do cercado para me "acariciar"? O passeio pelas ruas da velha Abaeté, seus paralelepípedos cantando para Sol. Eu reclamando de fome, de cansaço, de sono. Mãe, compra para mim uma máscara. Ela comprou. Mãe, compra para mim um picolé. Quero de morango, moço. Mãe, compra aquela revistinha para mim. Ela comprou, prometendo-me uma surra, se eu não contesse minha avidez. E enquanto ela terminava o permanente, eu me distraía com as imagens daquele patinho triste. E o pato grande chegou... Cisne, me dissera a manicure. Mãe, o que é um cisne? É você meu amor, você é o meu cisnezinho.

Não sei, se ela pensou antes falar. Se pensou, foi muito rápido. Tampouco sei dizer se alguma lágrima borrou seus lindos olhos pintados, porque não olhei para ela. Olhava para o pato grande, fascinado de tão encantado. Eu o imitava na expressão séria dele, no porte altivo. E me dou conta que nunca poderia dizer: minha vida daria um romance. No máximo, um conto. Um conto de réis pelo Patinho Feio. É verdade! E nem experimentem, meus queridos, me convencer que um dia serei aquele cisne (não vai dar tempo) que se banha indiferente no espelho d'água do Congresso Nacional. Aquele criança lá poderia ter sido eu. Mas minha avó materna me prendia em casa com uma história de uma tal de Dona Raposa. Putz! A raposa sempre se estrepava no final. Contudo, jurei diante o maciço de espadas Ogum: Vou ser a primeira raposa a se dar bem na vida -- ruiva, peluda, de orelhas bem pontudas de tão espertas, faro melhor que Cocker Spaniel. Vou me repousar na glória. Uh! Estamos no aguardo, nós e uma lista de livros que levarias para São Luís do Maranhão se tu não fosses tão vadio. Não sejamos hipócritas! Chegando lá, eu não leria porra nenhuma e me tornaria um reggueiro safado, daqueles que aliciam menores gostosinhas ou menores gostosinhos, tanto faz. E minha vida seria tão emocionante de devassa, que aspirantes a Caco Barcellos se engalfinhariam para ouvir (e gravar) minhas presepadas. Na idílica ilha, eu seria a metempsicose de Odisseu; um Leopold Bloom virado o santo (AXÉ!), de monótono ela, minha vida, não teria nada. A raposa, antes ganso, tornaria-se homem. Viva a metempsicose! Viva! Homem feito, preso ao corpo de rapaz garboso, tal qual Dorian Gray, desta vez abençoado.

Nem tanto, pois a compulsão o levaria a comprar, comprar, comprar, pelo simples prazer de se exibir. Muitas pulseiras, colares, brincos, anéis, ferraris, mullheres, ácido lisérgico misturado com anfetamina e amigos. Jamais compraria um livro sequer. Estes, me seriam presenteados (Sonha, Marcinho! Sonha!). Assim como, o ex-remeiro da corte me presenteara com a primeira edição, no vernáculo, do clássico do Marcel Proust: "Em Busca do Tempo Perdido", juntamente com uma munição de 22. Claro que não aceitei. A munição! Primeiro, o que iria fazer com aquilo? Souvenir?! Sou aficionado por armas, mas não a esse ponto. Segundo, a munição poderia vir a lhe fazer falta, tanto quanto a mim, ele. O Fornazze fizera questão de carregar os livros até o portão de casa. E enquanto eu procurava a chave, ele me empurrou com os livros contra a grade. "Ô! Não é porque são quatro horas da manhã que a gente ficar se pegando assim, não!" Achei a chave, destranquei o portão e mostrei o dedo em resposta ao beijo que ele me pedia. Aquele sorriso bêbado-safado. Nunca mais o vi. E nem Fernando Pessoa com o seu Cancioneiro, nem Jonathan Culler com sua Teoria Literária me acalmam os intestinos carentes por comida. É por comida que me mantenho preso a esse inferno desabrochado que me atormenta o ossos. Os corredores do labirinto se estreitam a ponto de eu ter que cuspir uma sintaxe antitussígena.

Se não me expus suficientemente claro, peço-lhes desculpas, Petruschka, Neto e Rui. (Sim! Esse depoimento é para vocês que sempre me ajudaram quando o DiCla agonizava entre inoperência e descontentamento.) Coloco-me a disposição dos excelentíssimos e para quem mais possa se interessar para uma mesa redonda no Messenger. A cerveja é por conta do Gaudério San (É o preço que se paga por acorrentar um amigo). Ademais, o transtorno parece estar desanuviando meus pensamentos, já posso ver o Vênus no Céu, mesmo com a pupila dilatada. (Nossa! Super-Man! ) Contudo, há um enxame sobrevoando minha curiosidade em saber como a Dayse, a Sylvia e Edson Marques responderiam as seguintes perguntas:
"1ª) Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
2ª) Já, alguma vez, ficastes apanhadinha por um personagem de ficção?
3ª) Qual foi o último livro que comprastes?
4ª) Que livros estás a ler?
5ª) Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
6ª) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
7ª) Os meus indicados para dar continuidade a esta corrente - se assim o quiserem - são:"
Porque eles traduzem, teorizam e poetizam as sensações que escondo no viés dos meus meandros. Porque me alonguei demais no espaço-tempo dos pampas. O que era para ser uma bricandeira, tornou-se um incêndio. Portanto, leitores, por obséquio, fumar, lá na varanda. Piromania pronta para recolher os bulbos que não resistiram ao sol forte de Maio, mês das Mães, das Noivas e de Nossa Senhora de Fátima.



P.S.: Amandinha, me concede uma entrevista? Gostaria de te acorrentar pessoalmente.

11 de mai. de 2005

Tão perto e tão ausente, foi a frase que ouvi quando entrei no quarto para dizer boa noite. Sorri, revirando os olhos, como se tivesse a exclamar: Óh! Nosso relacionamento baseia-se em gentilezas que foram e vieram. A psicóloga me incentivava a deixá-la. Mas, será que eu conseguiria pousar o Boeing sem que ninguém se machucasse? Seria mais sensato apostar na fatalidade da minha vida. Tenho aprendido que há também poesia na tragédia. Vamos rir, já que se trata de ficção. Eu, particulamente, rompo paradigmas. Assim, fui educado.

10 de mai. de 2005


Filho-da-puta! Onde você esteve ontem à noite? O imbecil aqui simplesmente te escondeu, num lugar que-eu-não-sabia-onde. Imagine se o presidente Vargas perdesse um dos seus cardernos, seria outra Revolução. Sim! Inclusive ditadores escrevem diários pessoais e íntimos com uma disciplina de deixar orgulhoso os papais generais. Eu não sabia onde havia deixado meu diário. Vamos fazer uma revolução! Primeiro, na minha escrivaninha. Tragam álcool, detergente e flanelas brancas, preferencialmente, pois não quero ser mais confundido com os menores que trabalham nos semáforos. Depois, nas minhas caixas-arquivos, chega de guardar recortes de jornal de 1993. Madonna pernanece ícone, mas agora a temos na ponta dos dedos. Não adianta! Nada me faz esquecer. E se a cimbydium emborcada o achou e o guardou para ela? Não que lá tivesse registrado algo de relevante para mim ou para alguém. Acontece que por causa do meu descuido, perdi. E eu não gosto, não sei, não quero perder, mais do que eu já perdi. Perdi minha vida que insiste em fingir ter saído de casa. Vida, atende o telefone! (O caderno podia estar por lá) Porque me ignorar, se era você que me carregava para o córrego? -- deixei gravado na secretária eletrônica. Graças a Companhia de luz, posso escrever, por que se não, aí sim, eu estaria fodido. Mas não é a mesma sensação. Preciso sentir o grafite quebrando gelo da folha de papel. É no deserto frio onde me encontro.

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9 de mai. de 2005

Até agora não entendi, o que é para fazer. Ter aula com professor gago é triste! Eu ainda prefiro o alemão. Vou tomar café e depois penso no que fazer com a imagem de satélite.

8 de mai. de 2005


"Foi um Dia das Mães muito bom! Diferente." Finalmente vou poder dormir, depois de uma semana de preocupações e noites acordado. O que se abril, neste exato momento que lhe escrevo, se fechou. Agora é Maio. O Ano começou. Alguém deve ter ganhado muito dinheiro, não a custo da minha mais-valia, que fique claro. Resumindo, deixo um beijo gostoso para todos, bem na caixa de esgoto... "Estou ocupado, porra!" (No meio de Peões, não se pode ser Rainha.) Beijos, abraços e flores. E não vá espirrar, porque não há mais lenço. Vou para casa escrever tudo que aconteceu, até minha bateria descarregar por completo, claro que metade será imaginação e a outra metade da laranja é minha. "Vou repensar o Dia das Mães." Eu também gostaria de repensar o meu. Gostaria de ao menos de ter podido levar rosas vermelhas à lápide da mamãe. Ano que vem, deve ser diferente. Estarei casado, morando em alguma tapera abandonada, se é que eu posso dizer chamar aquilo de "morando". Ele dormia em sítios abandonados para economizar a diária do hotel. "-- Não é perigoso?" "-- Não."
As pensões alimentícias lhe levavam todo salário. Acho é bom! Quem manda meter sem camisinha em tudo é boceta cheirosa que lhe aparece pela frente. "Linda, linda, linda." Toda vez que ele pragueja a lubridiada que lhe deu um menino, eu comento: "Linda, linda, linda." Nem sempre ele está com bom humor. "-- Não machuca sua mão me bater assim?" "-- Machuca, mas depois tenho você para me fazer os curativos." Esse é o amor que ele pode me oferecer e sem opção, aceito resignado. Reconheço. É só por sexo. Merda! Como ele me fode bem.

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6 de mai. de 2005

DiCla, tu não vais acreditar, há três dias e duas noites estou tentando postar. Nunca foi tão complicado fazer um revisão de um texto meu. Vou mexendo, mexendo, mexendo e quando acordo, mais acrescentei do que eliminei. Permita-me a liberdade escritores, o post acaba se transforma num conto. E conto, eu guardo no cofrinho, para mais tarde depositar na caderneta de poupança da colmeia. Ai! Colmeia me lembra abelha; abelha, pólens; pólens, trabalho. Algumas centenas de dúzias de rosas vermelhas para limpar. Epa! Deixa de mentira! Você já passou dessa fase. Então, algumas centenas de dezenhas de clientes para atender. DiCla, imagine tu chegando no bar da moda e ter que aguardar por duas horas na lista de espera para conseguir uma mesa. Nesse caso, tu irias tomar cachaça em outro boteco; numa floricultura, o cliente disputa um botãozinho de rosa que iria para o lixo, um caroço de azeitona que eu me recusaria a cobrar, se o cliente muito agradecido não jogasse uma nota de dez conto em cima balcão e saísse apressado. Caro, não? Eu costumo me vingar dizendo os preços. Os ricos pechicham; os emergentes fazem cara de indiferentes; os pobres, abaixam a cabeça. E eu disfarço as lágrimas por vários motivos que não cabem neste post disfarçado de crônica e que se tornaria um conto sem não colocasse esse ponto final. Até segunda-feira, DiCla, te encontro mais tarde nas folhas de A4.

4 de mai. de 2005

Querido Diário,

Agradeça a todos pela solidariedade. Tudo se resolveu como teria de ser. Nem lá, nem cá. Voltemos ao trabalho. Restam duas espigas.
Puta que pariu meus ovos!

26 de abr. de 2005

Dicla, o que vai ser da gente agora? Eu preciso de um HD novo. Não sei começar o dia sem ler meus e-mails. Não sei terminar minha noite sem antes desejar bons sonhos aos meus amigos. A informatização mais que uma resposta, nos trouxe várias perguntas. Vou voltar a escrever a máquina, enquanto não consertam nosso computador. Querido diário, você agüentará minha ausência por uma semana? Ou mais? Tampouco eu. Não queria ter entrado nesse parque de diversões, chamada Blogolândia. Principalmente, porque às vezes, entra um vírus e acaba com todos os componetes da nossa máquina, assim, de repende. E agora? Vou gastar um dinheiro que não tenho em cibercafé, como faço agora, espremido pelo tempo para poder postar, enquanto...; ou: ligar para o perito em informática que deseja me ver desfilando de mini-saia, salto alto, maquiado e de trancinhas? Não tenho muita escolha. E todos nós temos muita pressa. Me sujeito a crueldade do destino, mais uma vez a rosa salmão mucha no pé sem ser colhida. Se o polícia mais uma vez botar a arma na minha cara exigindo que eu vista calcinha, eu vou... não sei! Realmente, não sei.

22 de abr. de 2005

Perdoa-me os erros. A euforia não me permite pensar. Vou fazer uma sacanagem, e dessa vez não será na pista de atletismo do colégio. O gramado do campo de golfe ficará castigado de tanto óleo de peroba derramado propositadamente. Baby, é sêmen dos impuros. Depois a gente se arrepende e se confessa. Vamos nos pegar no banheiro do botecão. Bar cheio, todos mamados até o tampo. Ninguém sentirá por nossa falta. Se disserem: "Porra! Achei que tinham ido embora". De pronto, respondo: "Não estou bem. Acho que vou vomitar, de novo." E todos riem e nada desconfiam. Ou até desconfiam, mas falsificamos tão bem os rótulos de champagne, que para eles não importa se nos beijamos na boca ou pescoço; se abraçamos fortemente na piscina ou se andamos de mãos dadas na penumbra da madrugada. Ainda se pode andar pelas ruas da capital às três horas no dia de Lua Triste. A polícia até que tenta nos intimidar acionando a sirene. Para o pernanbucano, aquilo foi só mais um motivo para apertar ainda mais minha mão: "Está com medo? Relaxa!" Eu tenho medo, Dicla, de amanhã não poder estar aqui contigo para compartilhar meu cotidiano com seus futuros leitores. (Desde que nenhum deles seja meu pai. Hi, hi, hi! ) Eu nunca vou me referir ao Recifense como me refiro a ti. Ele nunca vai ouvir de mim: Meu querido, T., mesmo ele me dizendo que me quer muito e que vai me levar embora daqui. O que serei de mim sem esse horizonte a me dizer até onde eu posso ir? Eu quero fazer uma sacanagem, sim! Enquanto o Centauro e seus amigos não retornam do Rio. E dessa vez não me importarei se for em público. Atentado violento ao pudor, só seria mais um processo para longa ficha do meu amigo de Recife. A afeição aumenta, cada que ele brinca de me afogar na banheira. Eu queria que não fosse ficção. E é! Só não sei até onde. Vou tentar estar mais presente, querido diário. Mais assíduo. Não só contigo, mas também com as minhas obrigações acadêmicas. Não posso vacilar. Afinal, o que o T. mais admira em mim são meus comentários quando saímos da sala de projeção.

18 de abr. de 2005

Eles nos querem prestando atenção na fumaça que sai da chaminé. Tudo bem. Que a preguiça tome conta do que restou de mim. Quem sabe amanhã eu esteja de bom humor e resolva me dedicar ao movimento das nuvens. Não que o final de semana, tenha sido aborrecido, ao contrário. O recifense fode pr'a cacete. Aliás, nem precisava, só seu sotaque já me levaria a orgasmos desconcertantes. Vou deixar o celular desligado o dia todo. Quero ver como se comporta um coração que se diz assombrado com o castanho dos meu olhos.

9 de abr. de 2005

Recebi, na madrugada de hoje, uma prova irrefutável que ele me ama. Uma lágrima caiu inocuamente no teclado testemunhando nossa paixão. Precisava dizer-lhe o quanto me sentia protegido pelo seu ato. Não tive tempo. Fora isto, comi arroz com ovo no almoço, debaixo do mesmo abacateiro de sempre. Este já nem mais me expulsa à bacatadas. Parece que se afeiçoou a mim. Pudera. Meus olhos escuros castanhos, inchados de apanhar, entregam facilmente, minhas contradições congênitas. Olha a sintaxe estralando minha quinta vértebra. A árvore se deleita... Fui à biblioteca e estudei o quanto minhas pálpebras permitiram, versificação clássica. (Portanto, ...) Um dia quem sabe não aprendo a me dirigir a tratores com polidez?
A caminho do estacionamento, decepcionado com o ipê branco de tão florido, rasguei uma fresta na parede de páginas de livro que concluía seus trabalhos. Amanhã é segunda-feira, surpreendi-me ao olhar para o relógio; nem conto mais com o domingo -- mesmo morno, chuvoso e televisivo, assustei-me. E aquela sensação de me automutilar agitou uma folha de pata-de-vaca interrompendo meu cemitério íntimo. E a vontade sobrepujou-me: sacar toda a poupança e voltar ao inferno: degustar café descafeinado, tomar cerveja sem álcool, fazer suco de tomate-caqui. De jeito nenhum. A bacia vermelha cheia de camisas de linho branco de molho me espera para jantar. Antes que eu me vá, publica, virtual e anonimamente declaro: Gaúcho, eu te amo. Nunca imaginei dizer isto a um homem que não fosse pai. Continuemos com o treinamento, se permite, com uma única mudança: não.

8 de abr. de 2005

(...) Gostaria, também, que minhas anotações pessoais fossem queimadas.

7 de abr. de 2005

Tenho que linkar meus visitantes.
Responder os comments
Estudar para o seminário.
Porra! Desde semana passada, acordo assustado por causa dessa apresentação.
Vou comer alguma coisa e dormir.
O professor vai reconhecer meu empenho.
Radicalmente comprometido.
Não vejo de outra forma
Não há opção.
Aliás, o aluno ouvinte, vai escolher bacharelado em Jornalismo ou Letras e Literatura Brasileira?
Enquete encerrada.
-- (...) vou te dar uma pirocada servida!
--Com quem você acha que está falando?
--Não embassa, não! Vem logo. Puta, eu trato assim. Vem dizer que não você gosta?
--Esquece! Você está muito alterado hoje.
--A gente estaciona lá atrás do estande.
--Amanhã te ligo.
--Se não vier, não precisa ligar mais, não!
--Não posso sair à noite.
--Mando uma viatura te buscar.
--Aqui no meu bloco? Enlouqueceu!
--Quer ou não quer?
--Adoraria, mas não assim.

Ela pegou um táxi e foi. Antes, parou no McDonald's para comprar um Big Mac para viagem. Ela dorme atravessada no sofá. Parece exausta, talvez culpada. Chegou aqui em casa chorando e sagrando. Não entrou em detalhes. Receio pela vida dela. Eu conheço a figura. Tenho vontade de ligar no celular dele para lhe dar os parabéns.

6 de abr. de 2005

Blogando de um telecentro, a quinhentos metros do Memorial Juscelino Kubitschek. Qual a vantagem? Nenhuma. Apenas o fato do ar condicionado estar ressecando o buquê de goivos azuis, que para mim sempre será lilás. Jamais haverá apreensão desaprendida da ansiedade de se esperar por um quem-sabe-amante com quem acabo de trocar fotos pelo messenger (duas horas atrás). Nick: Barica. Apelido desde quando servia nos Dragões da Independência. Só a simbologia valeria o esforço da mentira e o risco da perda do resto filete...
Eita, caralho! Um rapaz de cabeça raspada acaba de descer as escadas e entrar na sala. Ele aperta a boina, como se fosse um tique nervoso adquirido. Tenso, parece procurar por alguém. Escondo o livro no meu colo sem me denunciar. Ele não me mentiu quando disse que praticava artes marciais. Tem porte. Duvido que seja mesmo judô. Ele não me dissera que era fumante. Há! Há! Há! Omitiu com receio que eu o rejeitasse, talvez. Por quantos minutos ele poderá me esperar?
O tesão o deixou cego. Nem se eu acenar para ele, será capaz de me perceber. Seu celular toca, ele examina quem era e o desliga. Ele realmente está disposto a sofrer. Se tivesse a paisano, eu me entregaria. Foi até a portado amplo hall de altíssimo pé direito. Está olhando no relógio. Acendeu outro cigarro. Já é o quinto. Não vai ceder. Olha lá para fora, para ver se alguém parecido comigo vem chegando. Será que não passa pela sua cabeça de couve-flor... Ele descansa a mão sobre o revólver guardado no coldre do colete à prova de balas. Não gosto dessa parafernália toda, me parece que espera pelo pior. Parece que quer intimidar.
Pegou o celular e está ligando para alguém. Deve ser para mim, suponho. Celular fora da área de serviço ou desligado, após o sinal... Ele está gravando uma mensagem! Precisa andar enquanto fala no (?) telefone? Meu leãozinho acuado, porque raspar essa juba?
Fim do jogo, as flores estão sentido. Não há porquê deixá-lo agoniado por mais alguns minutos. Bem que ele merece, por ser coorporativista. Não há justificativas para ações de grupos de extermínios.
OFF TOPIC (Réplica): Nunca sabemos aonde o afluente deságua

Nem vou explicar-lhe. Este diário que nos guarda, trata-se da mais pura ficção aplicada à exponencial inversa da hipotenusa quadrática (perdoa-me , não pude evitar esta digressão). Esqueceu-se que não faço uso de psicotrópicos? Não bebo. Apenas omito. De acontecimento, no post anterior, só as "bolas" que tive que entregar na Polícia Federal (Ah! o meu domingo de descanço...). Eu precisava de um contexto para encaixar o fato que lá estive. E por pouco não fui preso por desacato a autoridade. Sou humilde o suficiente para reconhecer que a autoridade ali era eu. (Nossa! Deixa de pedantismo!) Tive vontade amarga de mandar duas dúzias de filhas-da-puta tomarem naquele lugar cheiroso... Ainda bem, que aonde vou, levo minhas luvas. Tem neguinho me odiando por eu ser tão hábil espadachim.
Chegamos no bar por volta das 21h. E se, o Estica não tivesse reservado nossa mesa (para quê essa frescura, filho?) teríamos que beber no conforto da casa da Vasconcelos. O que não seria má idéia (por mesmo eu ficaria). Estava e estou cansado desde a semana passada. Ainda em conseqüência do domingo no qual permanecemos o dia todo na Superintendência da Polícia Federal pendurando "bolas". Tomar sereno, gelado e tapinha nas costas não é para mim. Principalmente, quando há trilhões de pessoas que eu nunca vi antes me chamando pelo apelido. Sem gelo, por favor!

5 de abr. de 2005

Se eu fosse viver da prostituição, morreria de fome. Resmungou ao ver o Audi passando sem percebê-lo parado num ponto estrategicamente iluminado. Sentiu muita raiva daquelas sujeitos que não se importavam em gastar combustível à toa. Não entendia a lógica do jogo. Até que viu, à distância de dois postes de luz, quatro policiais militares abordando um rapaz. O luar não lhe permitia se esconder. Encolheu-se dentro de si, esperando a abordagem padrão. Ao ser perguntado o que fazia ali, disse-lhes a verdade. O polícia com a lanterna ofuscando-lhe a visão, mandou-lhe deitar-se no chão. Nunca pensara em cometer um atentado violento ao pudor.

4 de abr. de 2005

Vamos construir lingüinças debaixo dos portões verdes que selam nossa saudade austríaca? O ligustro a caminhar pela coluna vertebral, ora mármore rosado, ora marshmellow insonso, vértebras da zebra negra. Me chamam de Lua, antes do meio-dia; durante invernos homicidas, de Sol. A luz por mim emitida faz a plantinha me revirar em codinomes indecifráveis e ainda assim gosto de assinar seus comprovantes de cartão de crédito (desenho rúbricas à base d´água para que ele , o ligustro, aceite meu convite). Nada nos convence a digerir corações servidos em falsas baixelas de prata. Vou refletir sobre o verde, enquanto me desapareço na azul fumaça levantada pela plantinha, enquanto não me telefonam para me dizerem: até que enfim. Estou em stand by, nem por isso vou esfregar os kimonos pingando a suor. Vou a biblioteca mais tarde trocar nossas passagens aéreas. E para o jantar, vou, sim, servir-lhes rodelinhas de lingüinça de carne marreco ao molho de pétalas de rosas chá. Quem não quiser, que não (nos) coma!
Caso toquem no assunto, conto-lhes a verdade: Sou aquele filho que havia sido abandonado na porta do Convento das Irmãs Mercedárias. Todos, eu disse todos, sabiam da minha existência, mas lembrar do dia que eu nasci, seria tabu, sendo eu, filho da estelionatária foragida, cafetina na maior parte do tempo, e do alcólatra sifilítico, prostituto de boa estirpe (nada mais almodovariano). Isso que é ser um pouco gay. Tem dias que dá pra tirar uma onda, outros não. Não se surpreenda, portanto, querido diário, ao ser acordado com o telefonema de que blogueiro esfaqueia filho de deputado, supostamente amantes, em frente ao STF. Pais condoídos se perguntam: Como não houve testemunhas, numa área de policiamento ostensivo?

2 de abr. de 2005

OFF TOPIC (Obituário): Evangelho Segundo São Judas
O Papa faleceu, disse ao meu vizinho que ansioso pelo estado de saúde do Sumo Pontífice me pedira notícias. As palavras do meu querido colega não as reproduzirei, em respeito a crença alheia. Pedi, com tato, que guardasse sua opinião consigo.
Os novos links, Dicla? Semana quem vem. Meus dedos estão cansados de fazer marketing pessoal. Acabo de colher frutos carnudos de tão doces. Servi-lo-eis semana próxima, se a tempestade se recolher.
Era 1º de Abril! Minha mamãe não é de morte; mais algumas garrafas de pinga, ela chega lá.
Continuo puto! Mas se estou aqui conseguindo digitar, é porque já se amenizou a fervura nos meus intestinos. Na aflição, na agonia, nada melhor que o atrito da esferográfica vermelha na folha A4. Pode parecer neurose, mas só consigo escrever em folhas sem pautas. Linhas retas distraem minha criatividade. Parece que quero chegar a algum lugar, mas desconfio: não serei bem recebibo. Por isso, as curvas; movimento curvilíneo originando uma espiral. Fractal. Rima, para mostrar a tentativa frustrada de se compor um único verso. Rimo para me esquecer que foi primeiro de abril. Quem sabe agora me animo a digitar as oito páginas escritas, na sofreguidão, ontem à noite. O Guilherme merece, minha irmã também. Um fato tolo, relevante no todo.
OFF TOPIC (TELEVISÃO): Ainda sobre o BBB 05
Uma pessoa muito querida: "-- (...). Ele foi sincero em dizer que era gay."
Eu, engasgado com o suco de bacuri (!): "-- Sincero, porque lhe convinha ser..."
Achar que o professor deveria ganhar, não significa que se estava torcendo por ele. Algumas benesses lhe concedo, assim pensam eles. Desde que, aquele cumpra seu papel social. Vai que aproveito a ocasião e digo claramente: "-- E se fosse eu, no lugar dele, expondo claramente minha orientação sexual?" Papai continuaria a me receber em sua casa? Jamais! Ouço piadinhas, das 7h10 da manhã até por volta das 23h e apesar do constrangimento, da violência psicológica, moral e física, tudo não passa de uma gostosa e divertida brincadeirinha. Acontece que, se até Desembargador toma uma resposta mordaz minha, daquelas que não se pode fazer nada, a não ser degustá-la, se for perspicaz o suficiente (Oh, Senhor! Por onde passo arrumo inimizades.) o que dirá aqueles que ascendem a luz do meu quarto procurando roupa para dormir? Eu risco com canivete a porta do carro e volto a dormir em paz.

1 de abr. de 2005

Minha queridíssima madrasta, meia hora atrás.

-- Fofinho (de quem, nem imagino) vai ter uma jantarzinho aqui em casa, conto com a sua presença!
-- Mãe?! Bença! (sic)
-- Deus te abençõe.
-- O convite se estende a um amigo? (Disse só para provocar/irritar, já que ele está no Rio --conforme havia-lhes informado.)
-- Claro! Traz ele, preciso conhecer esses seus amigos... (risos)
-- Mas, mãe... hoje, é sexta-feira... sou solteiro...
-- Seu cachorrão! (gargalhadas) Sendo filho de quem você é, não me admiro. Juízo, heim? Não quero fazer reconhecimento de corpo no IML (ela ficou traumatizada); nem ficar levando cigarro para você na cadeia.
-- Sai! (Ela ficava bem humorada, quando abusava do álcool. Podia ter sido sempre assim.)
-- Se você resolver, venha com aquele seu terno azul marinho. Você fica lindo de terno. Já pensou, trabalhar de terno.
-- Deixa comigo; ainda te faço uma surpresa. (Quando ela estava bêbada e carente, eu a tratava com mais carinho -- porque havia uma deixa.)
-- Beijos e te cuida!
-- Bença (sic), mãe.
-- Deus te abençõe, meu querido.
Budapest é logo ali, Luís.

31 de mar. de 2005


O púrpura me lembra hematomas, portanto não esperes meu perdão, caso, tu estejas me visitando e lendo nossos absudos desatinos. Quanto a melancolia de dias atrás, dê descarga. Vou apareciar a cena no qual todos se despedem sem dizer até logo. Até logo! Posted by Hello

30 de mar. de 2005

Folhas escarnecidas azuis correndo pela sala de estar. Meu amante de volta oferecendo-me rosas vermelhas muchas, sem espinhos, roubadas do Jardim de Infância, aqui em frente. Estava sonhando. (Agora, estimado leitor, tu terás como me localizar. A janela estará entreaberta. Tome cuidado com a cerca viva de coroa de Cristo, ok?) Queria me tocar, mas não consigo. As pilhas pulam longe e o desejo se projeta cada vez que o telefone toca. Pode ser ele, pode ser ele, é ele, o Centauro: Onde você estava? Te liguei a tarde toda! Saiu sozinho ou acompanhado? Diante da insistência em não acreditar nas largatixas presas no assoalho vespertido do alto do pé direito, explico-lhe que a fila estava grande no veterinário. Nossa menina?! Como está nossa filhinha? Está bem, Amor, não foi nada. Apenas, saudade do papai. E você, meu churrasquinho de gato? Eu não! Ainda não me recuperei do atentado violento ao pudor. Estou despudoradamente revirado do avesso. (Nem se eu quisesse, e como eu gostaria, eu poderia traí-lo) Quando eu chegar, quero ser compensado pelo sofrimento que você me impõem. Olha, lá heim? Se eu sentir o cheiro de outro homem em você, eu te enforco e te enterro nesse lote vazio, aí do lado. Ignorei a bravata e me repugnei imaginado o me cheirando desavergonhadamente. Minha vontade de desligar o telefone veio forte. A energia acabou.
OFF TOPIC (POLÍTICA): Enfim, eles foram embora (?)
Ouço, em Fá menor, a criança gritando: "Fora Efe-mi-i! Fora Efe-mi-i!" Não que houvesse influência da família. Meus pais estavam mais preocupados com o preço do diesel. Meus professores, sim, eles foram meus preferidos (Como?). Minha primeira lição na escola foi aprender a protestar contra a falta de merenda. Poderia se dizer que estávamos sendo manipulados, sim, mas presenciar a Tia Margarida discutindo com a mulher de cabelos de biloca, foi dos maiores aprendizados em toda minha vida (Que exagero!). Participar da primeira greve foi um algo natural, ou melhor, social. Claro que minha madrasta e meu pai nem imaginavam ... Eles acreditavam nas minhas mentiras, ou fingia acreditar -- era mais conveniente. De fato eu gostava de ficar na biblioteca (muitas vezes sozinho) recortando revistas, colando gravuras, criando imagens de brancas espumas de sabonete. Passava tardes inteiras, respirando a poeira das pratileiras, quietinho, absorto num mundo de regras plausíveis. Mas eu gostava mesmo era da folia, de me imaginar discursando para centenas de milhares de pessoas em rede nacional de rádio e televisão. Sim! Eu queria mesmo era ser Presidente da República... Até eu me olhar no espelho, e perceber que Maria Helena nunca me beijaria. Não porque eu fosse feio, mas porque eu era macaco extraordinariamente desgalhado.

29 de mar. de 2005

Há melancolia demais escondida dentro da caixa de descarga.

27 de mar. de 2005

Sandro está em Nova Iorque; Regina em Vancouver; Graça em Brighton; Bel em Paris e Marisinha em Montpellier; Dudy e Neuza, em Turim; Fernanda em Amsterdã; Ana Cristina em Barcelona e não os invejo de jeito nenhum. Cada carta que me chega, desmistifica nosso sonho de estudar no exterior. Todos desistiram do doutoramento. E quando me perguntam como estou, o que ando aprontando, tenho que mentir: "estou estudando."
Eu renunciei minhas metas. Eles nem imaginam que estou preso e até o final do ano, provavelmente, estarei sendo transferido para uma penitenciária de segurança máxima. (Que isso, Márcio! Que exagero!) Poderia contar-llhes sobre meu diário virtual. Assim, diariamente (?), teriam notícias minhas... Seria cometer o mesmo erro em menos de seis meses. Teria que explicar metáfora por metáfora e o Skype ainda não é tudo isso que dizem por aí. Curvo-me diante os caprichos do destino. Resignação.
Ele, o Centauro, havia me alertado para o ciúme que sentia. Não imaginei que fosse brutal. Olhei para o Montanha, surpreso -- não admirado. Nunca imaginei que ele tivesse tantas tatuagens espalhadas pelo tórax. Nunca imaginei que minha coxa podia ser menor que um bíceps. Estou perplexo até agora. Encabuladíssimo! Aquilo lá não pode ser de verdade. As veias paressem gritar socorro. O copo se espatifando no chão, a faca em riste, o empurrão e eu sendo sacudido como se fosse um tapete. Troquei um delegado homicida, por um comandante paranóico.
Acho que eles continuam jogando canastra. Ninguém veio investigar por estou demorando com as cervejas. Vou descer e cumprir minha obrigação de anfitrião, indiferente ao marrento e as piadinhas do Montanha. E amanhã mesmo vou destrancar minha matrícula na Aliança. Afinal, não foi por isso que eu me sujeitei ao Centauro? E quando estivermos brigando por uma posição mais confortável, vou lembra-lhe que ele me prometera não gritar comigo... O filho-da-mãe ainda vem me beijar: "Feliz Páscoa, Amor!" Vá para o inferno!

26 de mar. de 2005

A imaginação me guia e me persegue. Tenho medo da Fome me roer os ossos.
Faixa-preta me servindo de lençol. Fios corrosivos escorrendo pela janela do quarto. São 3h17. A chave na ingnição mostra-lhe que estamos na curva do atraso. Morangos azuis nos servem de assento para aguçar o tato. Dedos percorrem-lhe os lábios. E mesmo ressentido, ele aceita as desculpa de sal quente, todas elas arrepiadas. Mordo-lhe o supercílio, na esperança de estancar o sangue; beijo-lhe os lábios na esperança que a sorte retorne. Ele é um finalizador. Eu, desmetido mentiroso, fetichista safado. Nunca amei ninguém que não fosse a mim mesmo. O colega dele ri do meu cabelo amassado. Ele acredita que eu havia sido sedado com o suor que pingava do Vela. Indiferente, levanto-me com a desculpa que ir buscar mais gelo e esparadrapo.

24 de mar. de 2005

-- Coelhinho da Páscoa que trazes para mim?
-- Senta no meu ovo que você vai saber.
-- Estúpido!
Minha vontade foi desistir do jantar, dele e da noite. Mas, estava eu tão cansado das minhas exigências (sempre preenchidas) que resolvi classificar sua resposta como detalhe irrelevante. Vamos adiante, enquanto os convidados não desarrumam tapete da pia da cozinha [Sim! Eu também odeio que desarrumem os tapetes, principalmente o que fica aos pés da minha (nossa) cama.] Informo-lhe, Dicla, que estraguei a carne. Muito sal. Vou tocar pimenta dedo-de-moça (frutos inteiros) e apresentar o prato com nome mexicano. São tudo um bando de peão mesmo. Não sei como conseguiram passar num concurso tão concorrido que eu julgava ser de alto nível. A julgar pelos cidadãos (Eles acabaram de chegar, os convidados do Centauro.) há muita podridão na seleção de pessoal para trabalhar em segurança pública. A União que me desculpe, eles não valem um puto furado. Tenho quase certeza que o Haiti, é mesmo aqui. O que não me sujeito para ter tempo de revisar meu texto!
http://esferovite.blogspot.com
Preciso voltar até lá.
Dragostea Din Tei

Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Alo, Salut, sunt eu, un haiduc/ Si te rog, iubirea mea, primeste fericirea/ Alo, alo, sunt eu Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Te sunsa-ti spunce simtacum/ Alo, iubirea mea, sunt eu, fericirea/ Alo, alo, sunt iarasi eu, Picasso/ Ti-am dat beep, si sunt voinic/ Dar sa stii nu-ti cer nimic/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Ma-ia-hii/ Ma-ia-huu/ Ma-ia-hoo/ Ma-ia-haa/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai/ Vrei sa pleci dar nu ma, nu ma iei/ Nu ma, nu ma iei, nu ma, nu ma, nu ma iei/ Chipul tau si dragostea din tei/ Mi-amintesc de ochii tai


Tenho que agradecer ao cantor Latino (até merece ser linkado). A língua romena é muito linda, soa como árabe afrancesado. Não se trata de francês com forte sotaque árabe. É algo mais orgânico; sintaxe, eu diria, se pudesse.
Quanta saudade sinto de quando os únicos problemas a resolver eram equações de 2ª grau. Tudo bem, que eu apanhasse sempre no intervalo ou na saída; ou os professores se sentissem incomodados com minhas perguntas, mas eu era feliz. Felizinho. Hoje, me desfaço dos meus papéis, pois investigador nenhum vai ficar folheando minha intimidade e reflito que desejo ser Mário de Sá-Carneiro ou Virginia Woolf. Acho que nunca vou aprender a escrever, mesmo. Estou visivelmete causado, exaurido! Nem pensar mais eu quero. Montaigne! É disso que eu preciso, aceitar a Inevitável. Amanhã, vou passar o dia rasbicando palavras estrangeiras. Muito mesmo. Eu preciso de quantidade, de cadernos e mais cadernos escondidos na estufa de mogno. A prática me levaria a perfeição. Só não sei se quero realmente ser perfeitinho. Minha vontade é sentar-me ao lado do papai, e dizer-lhe que realmente estou muito magoado e magoado à anos. Não que eu vá querer alguma reparação. Respeito já seria suficiente. Regredi aos 14 anos, eu sei. Mas questões, essas, a trancar a minha pauta me traz de volta. (Adoro inversões.)

18 de mar. de 2005

Quem é Hécuba? Lembrei-me dela quando o Dezesseis seixos brancos esmurrava minhas costelas assadinhas de leitoa raquítica. Aquele menino encolhido, lá no canto da parede, sou eu. Estava rindo, absudarmente alto, quase implorando: chega de hematomas. "Porque você não reage?" Repugnava-me ser surrado, entretanto, aquela era a única maneira dos dezesseis seixos brancos me acariaciar. Tão em público, nem eu, gostaria dos beijos. Passados exatos sete segundos, ele me pedira que o fotografasse em verdadeiro ato de selvageria. "Vou quebrar o nariz daquele moleque"-- disse-me. "Credo! -- retruquei -- Que Vale-Tudo é esse?" Ele riu folgadamente, como se eu não soubesse de nada. Que desinformado! -- supunha ele, em relação à tudo que viríamos a compartilhar. "Vamos fazer o seguinte, disse-lhe, pega o lápis verde e vamos desenhar um arco-íris tricolor."

Não sei aonde vamos chegar, nem se disciplina terei quando a Lua banhar-se na poça de sangue do meu desejo contido, recolhido e guardado. Poderíamos muito bem, o Dicla e eu, passear no submarino azul da Vice-Presidência da República. Desta vez, eu me esforçaria de verdade para plantar bananeira e não gritaria, como nas últimas vezes. Quem nos lê, imagina um culto à estética da barbárie. Que nada! Violência é o agente almoçar um sanduíche de ricota, após desarmar um aterfato explosivo. O coitado devorava o pão como se fosse a mim mesmo. Foi os cincos reais mais bem gastos nos últimos dias. Quatro e quinze da tarde, e o açoite de aço fazendo sua primeira refeição do dia. Todos os dias, a mesma cantilena, ele dá sinais que sente necessidade das minhas mãos massageando seus omoplatas. (Neeeeem!) Entreguei-lhe o envelope (um sonetinho apaixonado) e peguei meu presente, embrulhado num papel vinho metálico. "Estou bem melhor, já consigo me sentar sem fazer caretas". respondi-lhe, quando perguntado, se havia demorado para estancar a hemorragia. O que ele me rebateu, não merece registro, tampouco comentários. Nada diferente do que um maníaco sexual diria a uma vítima afônica. Dezesseis seixos brancos gesticulava impaciente me esperando além da annona crassiflora. É muita dor que carrega essa alma. Despedi-me fechando os olhos demoradamente. E ao passar pela guarita, fiz questão de perguntar ao segurança terceirizado, porque ele não havia ido ao churrasco.

--Foi aniversário de um ano do meu moleque.
--Oh! Isto é muito bom! Afinal, alguém tem que criar juízo, não? Qual o nome dele?
--Heitor.

Foi difícil disfaçar. Fiquei visivelmente emocionado.

17 de mar. de 2005

Tive de jurar ao Executivo, ontem, pela minha mãe no céu, que eu não havia entrado na Dark Room. Eu menti, e menti duplamente, o que é pior. Sou mau caráter! A pessoa procurando apartamento para alugar, me chamando para lhe ajudar a escolher móveis, e eu preferindo o risco que a adrenalina deixa na pele. Para quê? Para no outro dia, ligar ao proctologista, implorando por uma consulta extra. Era urgente. Três pontos no colo do reto. Minha sorte é que se tratava de um especialista reconhecido e renomado. Minha sorte, foi o Executivo ter viajado às pressas: "Vamos comigo? Ou além de horror a restaurantes, tem medo de avião, também." Não era nada daquilo, mas eu estava surpreso com a súbita irritação e me esquecendo do incômodo, simplesmente lhe respondi: "Ah! Se eu pudesse..."