1 de ago. de 2005

Biblioteca de la Universidad de Salamanca

Dois posts no mesmo dia? Estou sozinho aqui no gazebo, aproveitemos, portanto. Sábado à tarde, liguei para a Princesa, aquele telefone de toda semana, para perguntar como ia a vida. Depois continuo, chegou gente.

Há pessoas que me desarrumam o caminhado, uma delas é o acionista. Eu gagejo, eu tremo, coração acelera, minha pele se desmancha em suor (Sudorese. Ah!), rubor facial. Não sei. Não há espelho aqui, além dos olhos da minha gatinha. Ganhei uma gatinha do meu amor. É verdade, que se trata de uma pelúcia anti-alérgica, mas ao menos não me causa aflição. O tom de voz do acionista me lembra um comandante motivando a tropa. Nada mais facista. Para nossa surpresa, ele aos poucos vai desmontando a cara amarrada e o tubérculo de voz se adoça. De repende, aprende-se a cumprimentar, a se despedir com um aperto de mãos. (Ai! Minha mão gelada.) Liga-se para agradecer. Foi, então, quando ele se engasgou com meu nome. Assim como eu, ele não se desculpou. Vamos fingir que não houve erro. Que não erramos ao nos encontrar depois do expediente para fins extra-comerciais. É um bom cliente, compra bem e paga direitinho, passa alucinógino nos lábios, transmite tesão pelo beijo. (E um monte de bactérias, eca!) As mãos que me prendiam a cintura, simplesmente dissera: vamos com calma. Antes vou procurar justificativas para os crimes dele. Assim, posso continuar sereno, limpando a janela do meu quarto sem pensar que cortina vai combinar com as paredes pastel.

29 de jul. de 2005

Quero essa tua boca para sempre

Você está de castigo, me dissera meu pai. Cárcere privado. Preferiria uma surra de cabo de rodo, assim estaria livre para correr debaixo do bloco. Daqui posso ouvir o pessoal gritando. Aos menos, eles podiam ser solidários com o meu sofrimento. São meu amigos, presentem quando não estou bem. Precisava mesmo era ir embora. Londres continua sendo minha primeira opção. E enquanto não obtenho uma resposta, vou relando as histórias de Sherazade. E pensar que eu chamava-os de contos de fadas. Algum progresso eu fiz.
O riso entalado sai nervoso. A empregada contando à amiga que a patroa só lhe chamava às 9h30. Nem parecia mentira. Ela falava com tanta naturalidade, mas sabemos do delírio que atravessa a mente da moça... Ah!, sabemos de muito mais. "Ela não sabe beber, Soraia, toma duas latinhas e já conheça a dizer bobagens, sabe?"
Também não sei beber, fiquei mexendo o gelo com dedo. O cálice esperando minha boca. Sou o menino do dedo verde, olha!, disse ao Conselheiro, antes de passar, carinhosamente, meu dedo nos lábios dele.
O beijo levemente amargo... me lembrava jurubeba, gariroba. Você gosta? Meu fígado adora, respondi-lhe já de olhos fechados procurando a boca que me ensinara a pronunciar Finnegans. Fainigans... Finnegans (caralho!).
Você é meu intelectualzinho, meu menininho. Ah! Se não fosse os filhos dele... Quer ir ao teatro comigo, amanhã? Vou te levar para assistir a estréia de Carmen. Com o Teodoro no papel de Don José... Nossa! Você já deu para todo mundo. Admira-me muito um ministro de carreira cometer uma falácia dessas. Apenas saímos juntos milhares de vezes, o suficiente para considerá-lo como meu caso, mas nunca fomos para um motel. Vocês faziam no mato. Levantei-me do colo, confortável colo nefasto. Suas mãos eram fortes, para minha surpresa. Fica quieto! Sem querer derrubei o cálice, ao esbarrar na mesinha. Gotas verdes pingando no tapete. Deixa eu pelo menos buscar um pano. Foda-se o tapete. Amanhã a empregada limpa.
E quando ele se levantou me puxando pela mão, perguntei-lhe as horas. Preciso ir embora. Amanhã a gente se vê, certo? Não quero mais assistir à ópera. Estou com ciúme. Queria te sussurar meus segredos. Amanhã, respondi-lhe. Se ele quissesse mesmo, teria me enviado flores, ou ao menos me ligado para desejar bom dia.

28 de jul. de 2005

Estou enviando o sinal. Desespero batendo na porta. Números de celulares trocados. Nunca fomos amantes. Ah! Se fosse pedido quebra de sigilo telefônico (Para quê?). Nossos gemidos a vagar no eco da incompreenssão. Minha, sim. Totalmente minha. Sexo avulso eu teria ao mover o pensamento; debaixo de qualquer mesa de jacarandá. Teria que ser algo mais do que um cheque em braco que a qualquer momento pode ser assustado. Por onde você esteve, ontem? Precisava ... Precisava?! Impostei minha voz no veludo do meu canto e disse-lhe três mentiras entre salivas e estralos: senti muito tua falta, eu te quero muito, eu te amo. Você não ama ninguém além de si mesmo. Baixa as calças. Esse joginho cafajeste mina os santos que me guardam. Estamos protegidos. Graças a Nossa Senhora da Glória. Quando argumentos racionais são brutalmente rechaçados apelamos para o emocional. Chorar é fácil, quero ver alguém me fazer rir. E o nosso presidente? Estou disposto a comer farinha ao teu lado. Nem ao menos somos amigos e eu mentia doentiamente. Mitomania, meu bem. Quem sabe um dia...Despedi-me com um beijo, sem antes pedir que não me ligasse no escritório, nem em casa, tampouco no celular. Meu sangue não é azul, entende? Ademais, tenho muito orgulho de ser filho de pais analfabetos. Já que não sei quando te verei novamente. Eu me engasgando com o vinho forte a me escorrer pelo corpo. Preciso voltar pra o escritório. Trabalha para mim. Secretário-Executivo, sem ironia. Missões diplomáticas... Passei a não pelo ombro dele, como se tivesse tirando um pêlo. Quem lava tua farda? (Risos) Mando para lavanderia. (Por isso, tão branca). E quando não tivermos dinheiro, quem vai lavar minhas cuecas?

26 de jul. de 2005

Gauderiando nas salidades estoicanas (trecho avulso)


Mud Bath, originally uploaded by DWinton.

Das lamas do Mar Morto faria um emplasto que Brás Cubas nenhum imaginara para me aliviar as ameaças proferidas e do estresse gerado pela visita retubante do policial militar (Meu Deus! Ele continua lindo maravilhoso); me livraria da incômoda lembrança da surdez temporária causada pelos gritos mordidos do Coronel (não, não era Aureliano Buendía); besuntaria minhas vísceras antes que abrissem o bufê, por fim cobriria, com a salgada lama, minhas alegrias enviadas, agora pouco, por fax, para Gardea. Não se iluda -- me dissera o diplomata -- Milão é uma droga. Há poucos lugares no mundo que realmente valeria a pena visitar. Gostaria de poder eu mesmo dizer isso.

P.S.: Desculpa-me o post atrasado, fui enforcado pelo fio do telefone. Sem mágoas, sem perseguição. Os papéis sociais voam. A qualquer momento a gente (eles, tu e eu) alcançaremos o Himalaia. (hehe) Alguém, aí, fala bhojpuri?

25 de jul. de 2005

-- (...) e depois, vocês foram para onde?
-- Despedimo-nos e cada um foi para sua casa.
-- Para casa!? Não acredito. Ele era perfeito.
-- Perfeito para apresentar aos pais, fazer inveja aos amigos, ou passear em Caldas Novas. Mas do que isso, só o tempo.
-- Com um tipo daquele, eu teria traído o Alfredo.
-- Bobagem. Ele nem beija tão bem assim.
-- Ah! Nem mentir você sabe mais . Fiquei asfixiada, só de olhar. Todo mundo que passava comentava.
-- Ele estava com o perfume que o Bruno usava antes do acidente.
-- Jura? Oh! Marcinho, que falta de sorte.

23 de jul. de 2005

Com gás, por favor.

A frustração do coito interrompido, tenho evitado. Tolice. Nada pode me impedir de gozar, além do meu medo de parar no acostamento. Correr havia sido a estratégia mais idiota, digna de alcegas verdes-pistache. A marca da mordida ainda arde na pele cor de bosta. Moreno morrom-bombom. Chocolate branco na esquina da Rua 13 de Maio (de 1922). Seriam suntuosos veludos pastiches de curvas desvairadas de cuecas boxer. CKOne no aparador da sala de visitas. Meu objetivo rifado pelo meu desejo que não se levantara. A poetisa a me pedir que lhe emprestasse meus olhos. Seria desumano negar-lhe a gentileza. Como também, seria desumano não atender ao telefonema do estripador. Pressão psicológica. Ele achou que sangraria um porco. De fato imolaria um cordeiro. Carne muito doce para o seu apetite de pescoço de galinha. Por que você larga o preciosismo na varanda de pimenteiras-gigantes? Pimenta-de-cheiro, meu bem. Deu bode. Já perceberam onde estou? De volta. Capaz de enfiar o indicador na massa crua de bolo de fubá. E nem com fome estou. Apenas, tentei evitar disfarces destoantes, mas eu fico tão bem de salto alto. Espero uma mão educada, para sair do carro. Ao sentar-me, não me esqueço da barra da saia. Mesmo bêbado mantenho a compustura construída a seis mãos (Obrigado, meninas). E acabo de perceber como ser interrompido me faz bem, melhor que ontem à tarde. Cuidado! Costumo punir excessos. Eu nem mais me lembrava do e-mail da secretária do Senador. "Marcinho, meu querido, estou te esperando... os livros." Vou me desfazer do conselheiro. Assim: "Prezado Sr. Conselheiro, não me aprecia ter o meu medo estripado. Você sabe quem são meus escritores preferidos. Esteja à vontade." E eu me sinto muito à vontade para devolver o presente. Nunca sonhara que o teclado do laptop fosse tão desconfortável. Sim, é um fetiche que eu nunca imaginara descansando no meu colo. E eu não hesitei em procurar no céu-da-boca do Conselheiro formas flexíveis de agradecimentos. O toque do celular irrompendo minha madrugada. Agora!? Pega um táxi, eu pago. Quantos e-mails trocados de segundo em segundo. Tenho messenger instalado aqui, se quiseres... Adoraria (risos), mas não podemos. É verdade, troca-se uma letra: não podemos. Por que tinham que explodir Londres? Estava tão (i)legal. Por que não se exonera o secretário de segurança pública? Eu teria café-da-manhã na cama e não precisaria rasgar embrulhos de presente diantes atentos olhos azuis do diplomata.

25 de jun. de 2005

Os poemas que Clarice Lispector não compôs

Eis uma página que sempre preciso citar.

Versos de ponta a cabeça

Fico indignado com quem não se preocupa em rastrear fontes. Deveria se defender a literatura brasileira. A língua e indivíduo são, a meu ver, indissociáveis. Veja o que Homero (não só ele/ principalmente ele) fez pela língua grega.

P.S.: Só, hoje, me dei conta que o link poderia estar errado. E estava.

Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa

Eis a peleja que gosto de acompanhar.

24 de jun. de 2005

Harry Potter | Editora Rocco

Vai rolar um fight. Faço qualquer sacrifício para levar o capitão do BOPE para cama. Inclusive ler J.K. Rowling. Aquela história de que meus filhos são fascinados pelas aventuras do Harry Potter, não me convence. O capitão estava enfeitiçado e não era pela minha boca, sim, carnuda. Há algo na história do bruxinho que o seduz, a ele e a milhões, que o faz violar laços, antes tidos como sagrados. Pretendo, urgentemente descobrir. Vou me empenhar com afinco. Ele me quer, só não sabe como. Eu o quero, não sei o tanto, há muitos anos. Na suíte de luxo de um hotel de onde podemos comtemplar ao fundo o Congresso Nacional, lerei para ele trechos do livro. São as armas que disponho. Quarta-feira saberei se fui aceito na Ordem dos Magos Libertinos, ou não? Preciso me manter sereno.

Provas de amor chegam embrulhadas


Cantavam o refrão com entusiasmo, ".. São João, São João, acende a fogueira do meu coração..." Arma branca nas minhas mãos, o copo de quentão me acompanhava. Calma, rapaz, no caminho de casa tropeçarás no príncipe, não o machuque com o seu mau humor. Cansaço, paixão. Minhas semanas têm sido de quinze dias. E o retorno para casa nem sempre tranqüilo. Os bares lotados, boêmios de gravata, a conta pendurada na generosidade de um amigo à espreita. Não há nem mais onde me esconder. A generosidade me arrastarra ao forró particular dos meus sonhos.
Vamos dançar, vamos! Preciso arrumar uma namorada, Raquel. Namorada, Marcinho? Como assim?! Fitei nos olhos da minha confidente, tempo suficiente para que ela conseguisse traduzir meus pensamentos. É o Bruno, não é? Se tivessem uma baixa seria simples. Enviar-lhe a coroa de tulipas pérola. Com avenca suiça! Com muita avenca suíça. Ela balançou a cabeça, como se dissesse: Infelizmente, concordo contigo. Sabe, paixão, por isso que eu gosto de acreditar que existe inferno. E ele vai ter que prestar contas de muitas almas que ele mandou para lá. No inferno os papéis serão invertidos: o polícia toma o lugar do bandido... E o bandido de Capeta, completou ela. Descontraídamente rimos, como fazíamos quando eu engasgava na água. Nem percebemos quando o Alfredo chegou com os copos de... Quentão! Você quer me embebedar? É São João. Toma! Que companheiro é você.
Amor, lá no serviço, você não conhece ninguém... Raquel! Esqueceu-se de quem me apresentou o Bruno? O que tem o Fornazze? Não me liga, não responde meus e-mails, vem a Brasília e não me procura...Vocês não foram ao cinema anteontem? Como você sabe?! Vocês não foram ao cinema anteontem? Co-mo vo-cê sa-be? Ele chegou lá em casa reclamando que você preferiu assistir a um filme de intelectual a ir para o motel. Não foi bem assim, Raquel e ademais ninguém mandou ele hospedar aquele José Maria lá em casa. O cara é parceiro, Marcinho. Alguém quer canjica?
Vou saltar de bungee jump. Não vai mesmo, ficou maluco? Ah, eu queria tanto saltar... Até você, Raquel? Peguei-a pela a mão e disse-lhe vamos, imediamente, o Alfredo a segurou pelo braço. Não vai, não! Me solta, Alfredo! Você está me machucando. O olhar sério da Raquel foi suficiente para que ele a soltasse. Para quem você está ligando? Para o seu marido! Ele adora me ouvir gritando. Alfredo, pára com isso! Vão acabar chamando a segurança. Ele tirou a carteira do bolso. E todo mundo no clube passou a prestar na gente. Para onde eu olhava, as pessoas desviavam o rosto, como se fingissem que não estavam olhando. A Raquel se divertia. Eu estava decidido a gastar os últimos cinqüenta reais. Peraí, Doutor, ele quer falar contigo. Peguei o celular e o desliguei.
Saímos em direção do aparelho, a Raquel e eu mão dados e o Alfredo gritando atrás da gente. Quem vai primeiro, Marcinho? Ladys, first. Há-há-há! Dispenso seu cavalheirismo cretino. Então, vou primeiro. Ia. Fui segurado pelo braço e arrastado até o carro, com a Raquel gritando larga ele, larga ele, atrás da gente. Você quer ficar viúva, Raquel? A expressão do Alfredo era de desespero. Então a graça acabou. O que o Bruno lhe disse? O que sempre ele diz: eu amo demais esse moleque. Abri meu melhor sorriso para Raquel e pedi que o Alfredo fosse, então, buscar mais quentão para gente. Vê se desta vez trás o meu sem açúcar. Ainda provoquei a Raquel, quando o Alfredo se afastou, chamando-a para irmos, finalmente, saltar de bungee jump. Mas ela, me perguntou se aquele tempo todo eu não estivera rezando ao Santo errado. Quem sabe?

Festa de St. Hans ou São João Batista

Zacarias continua calado. Deve ter sido trote.

23 de jun. de 2005

Blogs Políticos: A "webcatarse" do cidadão desiludido

Agora se faz no blog do Noblat o que antes se fazia no porta de banheiro público. Massa, véi! :D

22 de jun. de 2005

Michael Moore e os Assassinos por Natureza

"(...) diferença básica entre ironia e sarcasmo (...). Enquanto o sarcasmo é o um instrumento da camada dominante para lembrar da sua posição para os demais, a ironia é a arma dos desprivilegiados, que usam a linguagem dos que estão do poder contra eles mesmos."

Parlamentarismo à brasileira

Quem seria nosso primeiro-ministro?

Sobre os perigos da leitura

Onde mora a filosofia

Das dificuldades de Filosofar no Brasil