11 de ago. de 2005

Passei, praticamente, a noite acordado. Ele ronca. Pior, ele se automedica. Mas ser acordado pela manhã com beijos seguidos de "parabéns pelo seu dia", me fez relevar. É só o que eu tenho feito.

10 de ago. de 2005

Trabalhoso negar


Fruit of our labor, originally uploaded by cgrabig.

-Acho indigesto morangos no café da manhã.
-Indigesto é você ir embora.

9 de ago. de 2005

Nagasaki não, meu bem.


DSC01700, originally uploaded by Kuwacky.

Poesia no ombro largo do suspiro. Significa paz, explicara-me ele. Paradoxo: o polícia promovendo paz. Não sei como você consegue comer doce no café da manhã. Ele tentava travessar a enxurrada no desespero de ontem à noite. Oi?! Dedos estralando diante meu olhar perdido. Oi?! Beijo com gosto de papaya. O ideograma a me lembrar dos Cantos. A jornalista a mostrar destroços do terror. Ele passou a prestar atenção no jogo de imagens e voz, quando me emocionei. Terminada a reportagem, deitou-me cuidadosamente na cama, acomodou minha cabeça no travesseiro para que eu pudesse recordar da noite anterior. Mordiscou-me os lábios entre intervalos de doces beijos, literalmente, doces, daquele mesmo que me dissera que não conseguia sequer experimentar no café da manhã. Com tanto bolo de fubá, era de beijos que ele tinha fome. Eu preciso ir embora. Tenho que abrir a loja. Pede a conta, por favor.

8 de ago. de 2005

Mushrooms, champignons, cogumelos, seta?


Micro mushrooms, originally uploaded by Hello Treacle.

O que se destinava apenas para comentar minha indelicadeza, desaguou na digressão minha de todos os dias. A poliglota poderia me responder a essa inquietação, já que se encontra on line, mas prefiro aguardar ser capaz, eu mesmo, de disolver minhas dúvidas primárias. Sossega, menino! Nada mais inverossímel do que lavar as mãos a todo momento. Você acerta ao errar... Eu prometera à Princesa, ao apresentar o croqui, que não complicaria o que por si só, apresenta-se intrinsecamente complexo. Mas, hoje de manhã, ao folhear o jornal, me convenci de que estaria talvez seguindo a estrela correta. (Não deveria ter vendido meu GPS.) "O estilo consiste em escrever como nos dá na veneta."(Sofocleto) Retorno depois. As idéias começaram, novamente, a se debaterem. Passado cinco minutos, interrompido por uma elegante morena de tailler rosa choque que me lembrou os holofotes ofuscantes, volto para finalizar o post. O que venho fazendo, bem ou mal, foi por causa de um alucinógeno. Não esperava te encontrar. Vagava. Nesses tempos de agentes da Polícia Federal investigando profiles e scraps, posso me comprometer por causa dessa confissão. Ressalvo, no entanto, que nesse espaço virtual não se faz apologia à entorpecentes ou se promove transações comerciais ilícitas. Minha pressepada passa por dentro de um branco afunilado túnel . Fique bem claro: branco! Ao me expressar assim, até parece que estou induzindo alguém a me ligar, até parece. Só não digo nunca, porque nunca é demais.

P.S.: Liga logo, caralho! Estou de saída.

Nunca fui de deletar post. Mas depois de Cold Mountain não consigo olhar para mais ninguém.

P.S.: É de se lamentar o ítulo do romance em português: "Montanha gelada".

6 de ago. de 2005

Hiroshima não, meu amor.


IMG_2124, originally uploaded by apilchin.

Tolo sou eu. "Ôh! Se gosto de bater. Não foi por acaso que trabalhei dois no BOPE." Tentei mudar de assunto, mas ele queria me descrever seu doentio perfil de sociopata. (Você se envolve com cada um!) Por fim, ele concordou em escutar-me. A solidão deixara um vazio, por mais que gritasse por socorro, ninguém me respondia, além dos olhos castanhos prestes a me apunhalar. Dessa vez a volúpia e a dor não se encontraram.

5 de ago. de 2005


, originally uploaded by Runs With Scissors.

Não era bem essa foto que eu gostaria de publicar, mas em tempos de liberdades individuais comprometidas, não convém divulgar fotos de pescoços. Obrigado, viu. Foi muito bom. -- dissera-me o cidadão que não pretendo encontrar novamente. Talvez eu tenha me esforçado demais. Poderia ter sido mais contido. (Pára de se lamentar. Você gozou, não gozou?) Não deveria ter me afastado das minhas leituras. Assim, me esqueceria de uma vez por todas que sou feito de carne. Na casa de swing da Madame Flor, reescrevi o manual de boas maneiras. O que até, então, vinha sendo minha imaginação resvalara-se na realidade. Grunhir do prazer, gemi no medo e gritei na dor. Embebido de volúpia, apoiei-me os sentidos na nuca do capitão. A língua da puta me serviu de bálsamo.

4 de ago. de 2005

Você poderia ao menos passar uma loção nesta tua barba.

3 de ago. de 2005

Fluorite rosary


fluorite rosary, originally uploaded by Sophie_vf.

Calma! Não foi esse. Sou escrupuloso (vulgo caxias), tratando-se de bens alheios, a ponto de incomodar os mais sensíveis. Priminha, esse post é especialmente para você e seus amiguinhos. (Com licença, leitores do DiCla, preciso xingar.) "Que cara chato, amor!" -- ouvira antes de deixar a cozinha. Se estou responsável por duas empresas, quatro pessoas, mais a cadela, o hamster, os cinco peixes (ai! de mim se acontecer algo aos bichos) e as plantas (principalmente!) não posso deixar à revelia gastos, horários e compromissos. Há pessoas que, atentas, admiram minha dedicação e eficiência. O rosário, nem conto pela beleza, mas quem trouxe de onde, abençoado você sabe por quem, me serve de acalento. "Trouxe, especialmente para você, Marcinho." E a história do tempo fechado ficará para um próximo post, a indesejada chegou hoje mais cedo. Ainda bem, estou retorcido de fome.

2 de ago. de 2005

Gazebo


Gazebo, originally uploaded by ptofnoretrn77.

Para moça que me descobriu no Skype. Como conseguiste? Isso é um gazebo. Conto com a tua discrição. [;)]

Por que as algumas pessoas usam do poder econômico para me convencer a ir para cama com elas? Será que trago escrito na testa: "Aluga-se"? Nada contra (nem a favor) os rapazes que trabalham à noite no estacionamento do shopping aguardando o leilão; ou aqueles, mais afortunados, aguardando, no conforto do flat, o celular tocar. Eles são bonitos, charmosos, carinhosos, viris (principalmente), robustos (nem todos), jovens (há maduros também), perspicazes, vaidosos, educados, cultos, usuários-traficantes (alguns), ladrões (dependendo da oportunidade). É uma fauna muito variada, diversificado safari. Só não digo que tem de tudo, porque não terminei ainda de ler a tese (que vai ser publicada por uma editora italiana) da Antropóloga Dra. Cristina Mendonça Alburquerque. Eles prestam serviços; eu sou levantado às três e cinqüenta sete para observar os delfínios floridos na estufa onde minhas pretensões ricocheteiam aleatorialmente. Vou levar dez pacotes. Metade branco, metade azul. O promotor vai se contentar com exuberância das flores.

1 de ago. de 2005

Biblioteca de la Universidad de Salamanca

Dois posts no mesmo dia? Estou sozinho aqui no gazebo, aproveitemos, portanto. Sábado à tarde, liguei para a Princesa, aquele telefone de toda semana, para perguntar como ia a vida. Depois continuo, chegou gente.

Há pessoas que me desarrumam o caminhado, uma delas é o acionista. Eu gagejo, eu tremo, coração acelera, minha pele se desmancha em suor (Sudorese. Ah!), rubor facial. Não sei. Não há espelho aqui, além dos olhos da minha gatinha. Ganhei uma gatinha do meu amor. É verdade, que se trata de uma pelúcia anti-alérgica, mas ao menos não me causa aflição. O tom de voz do acionista me lembra um comandante motivando a tropa. Nada mais facista. Para nossa surpresa, ele aos poucos vai desmontando a cara amarrada e o tubérculo de voz se adoça. De repende, aprende-se a cumprimentar, a se despedir com um aperto de mãos. (Ai! Minha mão gelada.) Liga-se para agradecer. Foi, então, quando ele se engasgou com meu nome. Assim como eu, ele não se desculpou. Vamos fingir que não houve erro. Que não erramos ao nos encontrar depois do expediente para fins extra-comerciais. É um bom cliente, compra bem e paga direitinho, passa alucinógino nos lábios, transmite tesão pelo beijo. (E um monte de bactérias, eca!) As mãos que me prendiam a cintura, simplesmente dissera: vamos com calma. Antes vou procurar justificativas para os crimes dele. Assim, posso continuar sereno, limpando a janela do meu quarto sem pensar que cortina vai combinar com as paredes pastel.

29 de jul. de 2005

Quero essa tua boca para sempre

Você está de castigo, me dissera meu pai. Cárcere privado. Preferiria uma surra de cabo de rodo, assim estaria livre para correr debaixo do bloco. Daqui posso ouvir o pessoal gritando. Aos menos, eles podiam ser solidários com o meu sofrimento. São meu amigos, presentem quando não estou bem. Precisava mesmo era ir embora. Londres continua sendo minha primeira opção. E enquanto não obtenho uma resposta, vou relando as histórias de Sherazade. E pensar que eu chamava-os de contos de fadas. Algum progresso eu fiz.
O riso entalado sai nervoso. A empregada contando à amiga que a patroa só lhe chamava às 9h30. Nem parecia mentira. Ela falava com tanta naturalidade, mas sabemos do delírio que atravessa a mente da moça... Ah!, sabemos de muito mais. "Ela não sabe beber, Soraia, toma duas latinhas e já conheça a dizer bobagens, sabe?"
Também não sei beber, fiquei mexendo o gelo com dedo. O cálice esperando minha boca. Sou o menino do dedo verde, olha!, disse ao Conselheiro, antes de passar, carinhosamente, meu dedo nos lábios dele.
O beijo levemente amargo... me lembrava jurubeba, gariroba. Você gosta? Meu fígado adora, respondi-lhe já de olhos fechados procurando a boca que me ensinara a pronunciar Finnegans. Fainigans... Finnegans (caralho!).
Você é meu intelectualzinho, meu menininho. Ah! Se não fosse os filhos dele... Quer ir ao teatro comigo, amanhã? Vou te levar para assistir a estréia de Carmen. Com o Teodoro no papel de Don José... Nossa! Você já deu para todo mundo. Admira-me muito um ministro de carreira cometer uma falácia dessas. Apenas saímos juntos milhares de vezes, o suficiente para considerá-lo como meu caso, mas nunca fomos para um motel. Vocês faziam no mato. Levantei-me do colo, confortável colo nefasto. Suas mãos eram fortes, para minha surpresa. Fica quieto! Sem querer derrubei o cálice, ao esbarrar na mesinha. Gotas verdes pingando no tapete. Deixa eu pelo menos buscar um pano. Foda-se o tapete. Amanhã a empregada limpa.
E quando ele se levantou me puxando pela mão, perguntei-lhe as horas. Preciso ir embora. Amanhã a gente se vê, certo? Não quero mais assistir à ópera. Estou com ciúme. Queria te sussurar meus segredos. Amanhã, respondi-lhe. Se ele quissesse mesmo, teria me enviado flores, ou ao menos me ligado para desejar bom dia.

28 de jul. de 2005

Estou enviando o sinal. Desespero batendo na porta. Números de celulares trocados. Nunca fomos amantes. Ah! Se fosse pedido quebra de sigilo telefônico (Para quê?). Nossos gemidos a vagar no eco da incompreenssão. Minha, sim. Totalmente minha. Sexo avulso eu teria ao mover o pensamento; debaixo de qualquer mesa de jacarandá. Teria que ser algo mais do que um cheque em braco que a qualquer momento pode ser assustado. Por onde você esteve, ontem? Precisava ... Precisava?! Impostei minha voz no veludo do meu canto e disse-lhe três mentiras entre salivas e estralos: senti muito tua falta, eu te quero muito, eu te amo. Você não ama ninguém além de si mesmo. Baixa as calças. Esse joginho cafajeste mina os santos que me guardam. Estamos protegidos. Graças a Nossa Senhora da Glória. Quando argumentos racionais são brutalmente rechaçados apelamos para o emocional. Chorar é fácil, quero ver alguém me fazer rir. E o nosso presidente? Estou disposto a comer farinha ao teu lado. Nem ao menos somos amigos e eu mentia doentiamente. Mitomania, meu bem. Quem sabe um dia...Despedi-me com um beijo, sem antes pedir que não me ligasse no escritório, nem em casa, tampouco no celular. Meu sangue não é azul, entende? Ademais, tenho muito orgulho de ser filho de pais analfabetos. Já que não sei quando te verei novamente. Eu me engasgando com o vinho forte a me escorrer pelo corpo. Preciso voltar pra o escritório. Trabalha para mim. Secretário-Executivo, sem ironia. Missões diplomáticas... Passei a não pelo ombro dele, como se tivesse tirando um pêlo. Quem lava tua farda? (Risos) Mando para lavanderia. (Por isso, tão branca). E quando não tivermos dinheiro, quem vai lavar minhas cuecas?

26 de jul. de 2005

Gauderiando nas salidades estoicanas (trecho avulso)


Mud Bath, originally uploaded by DWinton.

Das lamas do Mar Morto faria um emplasto que Brás Cubas nenhum imaginara para me aliviar as ameaças proferidas e do estresse gerado pela visita retubante do policial militar (Meu Deus! Ele continua lindo maravilhoso); me livraria da incômoda lembrança da surdez temporária causada pelos gritos mordidos do Coronel (não, não era Aureliano Buendía); besuntaria minhas vísceras antes que abrissem o bufê, por fim cobriria, com a salgada lama, minhas alegrias enviadas, agora pouco, por fax, para Gardea. Não se iluda -- me dissera o diplomata -- Milão é uma droga. Há poucos lugares no mundo que realmente valeria a pena visitar. Gostaria de poder eu mesmo dizer isso.

P.S.: Desculpa-me o post atrasado, fui enforcado pelo fio do telefone. Sem mágoas, sem perseguição. Os papéis sociais voam. A qualquer momento a gente (eles, tu e eu) alcançaremos o Himalaia. (hehe) Alguém, aí, fala bhojpuri?

25 de jul. de 2005

-- (...) e depois, vocês foram para onde?
-- Despedimo-nos e cada um foi para sua casa.
-- Para casa!? Não acredito. Ele era perfeito.
-- Perfeito para apresentar aos pais, fazer inveja aos amigos, ou passear em Caldas Novas. Mas do que isso, só o tempo.
-- Com um tipo daquele, eu teria traído o Alfredo.
-- Bobagem. Ele nem beija tão bem assim.
-- Ah! Nem mentir você sabe mais . Fiquei asfixiada, só de olhar. Todo mundo que passava comentava.
-- Ele estava com o perfume que o Bruno usava antes do acidente.
-- Jura? Oh! Marcinho, que falta de sorte.

23 de jul. de 2005

Com gás, por favor.

A frustração do coito interrompido, tenho evitado. Tolice. Nada pode me impedir de gozar, além do meu medo de parar no acostamento. Correr havia sido a estratégia mais idiota, digna de alcegas verdes-pistache. A marca da mordida ainda arde na pele cor de bosta. Moreno morrom-bombom. Chocolate branco na esquina da Rua 13 de Maio (de 1922). Seriam suntuosos veludos pastiches de curvas desvairadas de cuecas boxer. CKOne no aparador da sala de visitas. Meu objetivo rifado pelo meu desejo que não se levantara. A poetisa a me pedir que lhe emprestasse meus olhos. Seria desumano negar-lhe a gentileza. Como também, seria desumano não atender ao telefonema do estripador. Pressão psicológica. Ele achou que sangraria um porco. De fato imolaria um cordeiro. Carne muito doce para o seu apetite de pescoço de galinha. Por que você larga o preciosismo na varanda de pimenteiras-gigantes? Pimenta-de-cheiro, meu bem. Deu bode. Já perceberam onde estou? De volta. Capaz de enfiar o indicador na massa crua de bolo de fubá. E nem com fome estou. Apenas, tentei evitar disfarces destoantes, mas eu fico tão bem de salto alto. Espero uma mão educada, para sair do carro. Ao sentar-me, não me esqueço da barra da saia. Mesmo bêbado mantenho a compustura construída a seis mãos (Obrigado, meninas). E acabo de perceber como ser interrompido me faz bem, melhor que ontem à tarde. Cuidado! Costumo punir excessos. Eu nem mais me lembrava do e-mail da secretária do Senador. "Marcinho, meu querido, estou te esperando... os livros." Vou me desfazer do conselheiro. Assim: "Prezado Sr. Conselheiro, não me aprecia ter o meu medo estripado. Você sabe quem são meus escritores preferidos. Esteja à vontade." E eu me sinto muito à vontade para devolver o presente. Nunca sonhara que o teclado do laptop fosse tão desconfortável. Sim, é um fetiche que eu nunca imaginara descansando no meu colo. E eu não hesitei em procurar no céu-da-boca do Conselheiro formas flexíveis de agradecimentos. O toque do celular irrompendo minha madrugada. Agora!? Pega um táxi, eu pago. Quantos e-mails trocados de segundo em segundo. Tenho messenger instalado aqui, se quiseres... Adoraria (risos), mas não podemos. É verdade, troca-se uma letra: não podemos. Por que tinham que explodir Londres? Estava tão (i)legal. Por que não se exonera o secretário de segurança pública? Eu teria café-da-manhã na cama e não precisaria rasgar embrulhos de presente diantes atentos olhos azuis do diplomata.

25 de jun. de 2005