6 de set. de 2005

A parte que me cabe

O melhor das despedidas são as sobremessas.

5 de set. de 2005

Vou mergulhar na piscina de baratas novamente. Asco, se elas não proclamassem a Paz. A bandeja contava os passos. Desfalque de quinze sacas de cimentos. A Branca me fazia cobranças, confissões. Seu pai me quer. "Eu o aceitaria como genro, aquele lá não!" Ainda bem que o Fornazze estava longe o suficiente. Nossos lábios protegidos. Eu estava cochichando? Pelos corredores toda conversa ocorre ao pé do ouvido. Quanto mais político, quanto mais importante, mais inaudível. "Ela estava me convencendo a trabalhar na campanha. Deixei claro que não iria." Imprensado no muro chapiscado, com um braço pressionando meu pescoço, sustentei minha verdade. "Não gosto de ver você conversando com ela." Mas ele adorava me ver fodendo aquela bunda morena, ou me ver sendo fodido pela prótese calejada, ou ainda foder alternadamente nós dois, na fantasia dele, nós duas. O hálito da cerveja me incomodava mais do que o semi-estrangulamento. Dizer-lhe que estava me machucando, que estava doendo, só iria excitá-lo ainda mais. Dizer-lhe que estavam todos olhando, só serveria para ele me lembrar que todos ali lhe devem favores. "Vamos dar uma volta de moto, amor. Fazer uma trilha. Assim não haverá testemunhas, será mais fácil se desfazer do meu corpo." "Não, não. Eu gosto muito de você." Há quanto tempo não ouvia ele me dizer que me amava. Haveria desistido ou se conformado? "Gosta?! Não me ama mais?" Ele olhou para os lados, para se certificar que ninguém nos observava. As pessoas estavam mais preocupadas com a picanha assando. E sussurou. Só tive forças para corresponder ao beijo. Era um churrasco de despedida. Todos ficaram felizes.

2 de set. de 2005

A gosto Deus. Setembro do Diabo. O sangue me escorre espontaneamente pelo nariz, enquanto tento me livrar de lágrimas pneumáticas. Maçãs-do-amor empaladas me desejando boa sorte. "A gata não agüentou nem dez minutos sexo de anal." E porque ele achava que eu teria que agüentar? Um ciclone se forma longe daqui, o pior acontecerá no mar que trago dentro de mim. Ele terminará por ser assoreado. Da brisa não quero nem beijos, quanto mais lembranças. Quer ir embora, vá! Já fiz as malas. Quer me deixar na secura do plananto, deixa. Vou me proteger numa depressão. Deve ter sido bom para alguém, mas chego a conclusão que minhas tardes de caules retorcidos serão dissecadas folha por folha debaixo do nosso abacateiro. Ninguém podia nos ver da janela. Já estive na sala do reitor, acredite em mim. Não me importo em perder, desde que não seja quem se preocupava com o meu sono. Por algum momento acreditei que chegaríamos ao outro lado da margem, mesmo sem os remos. Operações, operações, operações. "Se alguém perguntar, fui seu instrutor de tiro." Um conhecimento que seria útil agora, respondi-lhe. Ele riu. Aquela risada de deboche que me irrita mais do que ser acordado de madrugada, num domingo, para explorar frias cavernas úmidas de tão escuras com especialistas (imagine se não fossem) que sentem prazer em expor os outros ao perigo. "Eu estava te segurando, amor." Segurando-me com flores, chocolates e presentes. Nada alivia agora ausência. Ao contrário, só agrava. A voz do Barry White a resgatar o cheiro da erva-cideira sendo fervida. Não consigo sentir o som vibrando sob meu rosto. O bolero do Ibrahim Ferrer a lembrar das pisadelas. Dentre tantas opções e ele escolheu logo as que mais me apertam. Não vou passar seis meses lendo a Divina Comédia. Aliás, vou vendê-lo ao sebo (alguém fará melhor proveito) e com o dinheiro pagar um michê para me chicotear as costas. Eu fui um burro-idiota-imbecil. Os ipês amarelos-roxos-brancos-rosa a colorir o céu azul-empoeirado da cidade não compensam os planos doravante esquecidos. Desfeitos. A cidade se reduz a cinza, assim como serei daqui a uns segundos. "Culpa do seu presidente." Se alguém teve culpa, foi eu. Em acreditar que seria capaz. Posted by Picasa

31 de ago. de 2005

Sousândrade (1833-1902)

Ele se antecipou a James Joyce e a Ezra Pound.

Auauauauauávamos


Choque!choque!choque!, originally uploaded by André Amorim.

Do encontro entre o pitbull e o chiuaua se viu olhos alegres. Porque ele me mentiu, diante tantas revelações? Muita culpa guarda aquele coraçãozinho. Sabia que tínhamos algo em comum.

30 de ago. de 2005

Um pouco de história

Passou a vontade.

Viveca, Mandrake e Rubem Fonseca

"Depois alguém me perguntou, 'você que não gosta de tirar foto com ninguém, tirou com o travesti?' Respondi, 'tirei exatamente porque era um travesti, um homem que saiu do armário e enfrenta a discriminação gritando desesperadamente. Pelo mesmo motivo que me levou a dar apoio explícito ao projeto de lei da Marta Suplicy, legalizando a união civil entre homossexuais'. Se há uma coisa odiosa, é a discriminação, de qualquer tipo."

Embolados

"(...)
meu amor ele é demais nunca de menos
ele não precisa de camisa-de-vênus

Ouça o que eu vou dizer meu bem me ouça
o que ele precisa é de uma camisa-de-força
(...)"


Não consigo me livrar dessa melodia.

O que ele precisa é de uma camisa de linho. E eu uma de seda.

29 de ago. de 2005

Um domingo na história

Quando me provocam respondo: vá estudar medicina, vai!

Vaslav Nijinski (1889-1950)

"(...) Ele praticamente traduz em palavras o fluxo da consciência. Registra suas idéias usando repetições exaustivas que transmitem emoção aos pensamentos e, ao mesmo tempo, criam uma narrativa em ritmo desenfreado. (...)"

Antonin Artaud

"(...) a psicologia, questionada, posta contra a parede, é que preciso justificar-se diante de tais obras. " sic

Quem? Onde? Como? Por quê? Para quê? Para quem?

"Estela vive a sua poesia falada, as vezes gritando, rindo ou sussurando delicadamente. O falatório de Estela nos remete a poesia de Nijinski ,e aos escritos de Antonin Artaud, quando escrevia incessantemente para não perder a lucidez. "

Incompatibilidade

Mudou totalmente o sentido. Possibilidades poéticas.

Gênios

"(...)
Coou
meu café na café na calça pra mês segurar.
(...)"


Não adiantou.
Ele perdera o vôo na fila do check-in. Você fala muito rápido, lhe dissera a americana, após soltar uma risada esteriofônica. "É porque você não ainda conheceu os recifenses" -- pensou.

27 de ago. de 2005

A dura vida da bailarina

Finalmente compreendi o que é ironia.

26 de ago. de 2005

25 de ago. de 2005


fireworks4, originally uploaded by P & P.

Para espantar o mal agouro, neste ano astrológico que ora se inicia. Parabéns papai e mamãe.

24 de ago. de 2005

ACNUR

Por onde tenho navegado que ainda não havia lido a história dos refugiados. Queria eu ser proficiente em Inglês. Porque o antropólogo português não me dissera nada? Ocupado demais a procurar minha língua. Foram apenas beijos, caso contrário, estaria extremamente arrependido.
Tenho evitado qualquer manifestação de águas escorrendo pelo bebedouro seco da esquina nove de Setembro. Parabéns para moça de azul que acena sutilezas no caixote. Grito ou uivo? Encaro o motorista da caminhonete estendida e aceito o convite de jantar do Conselheiro e ainda molho meus pés na pia do lavabo. Cor-de-rosa. Turqueza. Verde. Anil. Passadeira persa. Dentes de alhos dourados. Fogo brando. Proibido de pronunciar menina. Muita afetação para um só rapaz, me dissera Branca. Arrependo-me das duras palavras proferidas. Palavrão na minha boca é doce. Torta de morango. Lava bem a vulva quando sair do banheiro, ensinei à balconista. Esfrega com a mão esquerda (ela era destra). Sabonete líquido nos pêlos da braço. Não havia corrimento porque ela sempre me obedecia. Já o bebedouro não. Como vinha dizendo, este estava vazio de tão seco. O supermercado fechado. O conselheiro coçando o nariz. Coriza. Eu a procura de um garfo. Estamos atrasados para a prévia de quarta-feira.
Continuo a escrever lá de casa. Acabou de chegar o excelentíssimo Doutor Pára-brisa. Todos impostam de voz para falar com ele. Transformam-se em formigas antecedendo o aguaceiro. Os telefones gritam meu nome. Será que ninguém pode resolver? Quer falar contigo. É, eu sei. Vamos nos encontrar em Florença, quando for inverno nos trópicos. Os italianos, péssimos negociantes, trocam as tabuletas. Distintas, amassadas, fédidas. O Doutor me chama para me fazer a mesma pergunta de mil maneiras diferentes, continuemos amanhã. Talvez mais tarde sentado na cama conseguirei compreender o haraquiri. Só queria saber se você respondeu à carta. Não só a respondi, Doutor, como também reservei uma mesa para doze pessoas na creperia de uma amiga minha. É onde quero estar. Cansei de traje a rigor.

23 de ago. de 2005

Respeito publicitários, mas ao sentar-me ao lado de um, inevitavelmente, sinto ânsia de vômito. Corro para o banheiro, onde jornalistas estão cagando, andando e sendo aplaudidos. Os cavalos e as éguas da polícia de choque estão pisoteando o gramado.

22 de ago. de 2005

11º Jornada Nacional de Literatura

Quem sabe um dia.

stethoscope, originally uploaded by uaeadorable.

"O único aparelho de escuta que eu tenho em casa é um estetoscópio."

Antonio Palocci Filho
(Ministro de Estado da Fazenda)

20 de ago. de 2005


100% polyester memory, originally uploaded by The Alieness.
RSVP

Cufflinks, originally uploaded by tankahong.

Sim.

19 de ago. de 2005

Só apanha se quiser

Odila, bem-vinda!
Se me permite, vou fazer da resposta ao seu comentário, meu post do dia. Estamos lendo:
Perto do Coração Selvagem. Clarice Lispector. Francisco Alves. 1995. 16ª Ed.
Contos e Novela Reunidos. Samuel Rawet. Organizador: André Seffrin. Civilização Brasileira. 2004. 1ª Ed.
Os Cus de Judas. António Lobo Antunes. Vega. 1979. 2ª Ed.
Como dissera, não necessariamente nessa ordem.

18 de ago. de 2005

Clarice Lispector, Samuel Rawet e António Lobo Antunes, não necessariamente nesta ordem.


Small Kid, originally uploaded by JragonsLayer.

Este post para vai para o leitor que me pediu três sugestões de leitura. Se não me bastasse a Branca e o Pônei a me perguntarem: o que eu leio? O que eu leio? Eis que me surge do ciberespaço esse querido inquisidor.

Não ouça Puccini antes de tomar a primeira xícara de café do dia. Com certeza você irá no apartamento do amado procurar pela escopeta escondida. Não escutei o conselho. O punhal não servia. Há sangue, demais, escorrendo pelo asfalto. Como se os projéteis não fossem arrebentar todas minhas emoções. Como se eu não precisasse me trancar no quarto.

Protegido de mim mesmo e dos beijos incandecentes, guardaria as sobras de pizza perto do coração, ou num cu de judas qualquer, quem sabe na fronteira com o Equador. (O jantar estava delícioso.)

A congregação de lobos. Congresso decadente. Samuel seria um anjo macio a nos polinizar. Sinto-me um herege, invocando seu nome. Samuel. Ipês brancos. Vô Samuel nos chamando para colher flores em Lácio. Naquele dialeto vejo-me déspota, orgulho da mamãe. Analfabeto cometo parricídio, sem contar outros crimes lesa-pátria.

Daniel, meu irmão, onde está você? (Não é você Gaudz e sim o parceiro do Pônei. Aquela dupla da RPMon que comentei contigo ontem à tarde.) Sinto saudade do molho de chaves, do passeio de moto ( a perna queimanda), do bolo de laranja, as piadas, do lenço. Eu poderia te ligar, ou te escrever, mas prefiro compartilhar da dor de pessoas que não existem. Personagens que não surram. Ciumentas, é verdade. Mas tenho mais domínio sobre elas, do que tive sobre tua imaginação. Minhas prioridades tem sido outras. Nosso passado me serve de húmus. Sinta-se um privilegiado, portanto. Conheço pessoas que gostariam de ser retratadas por mim, mas nunca deixarão de ser o que exatamente são: anônimos. Especula-se até que num futuro próximo eu escreveria um romance sobre fatos testemunhados no gabinete do ex-Deputado L. E. M. Gente! Era apenas um cacto. Que inferno! Jamais, Daniel. As imagens tão fortes quanto o amor prometido sobrepõem-se sobre mim. Elas mandam, eu obedeço. Sim, Dona Morte.

17 de ago. de 2005

O amor e seus heterônimos


, originally uploaded by aagg.

Depois da manifestação, fomos namorar ao crepúsculo, às margens do lago Paranoá. O Critoën de porta aberta, o som no último volume. Uma música irrelevante, diante dos beijos estralados. Estávamos vulneráveis, demasiados expostos. Mas o amor nos protegia. Nosso engano demorava a se recolher. Disse-lhe que tinha medo. Ali não era o lugar mais apropriado para a gente, esquecidos, se mergulhar em abraços apaixonados. Alguém poderia estar nos observando de alguma janela. E mesmo se tivessem nos observando, pensariam que se tratava de um casal de namorados. O que somos de fato, disse-me.
-- Gostei de você ter tirado uma folga para me acompanhar ao protesto.
-- Quem lhe disse que estou de folga? Chegando em casa, você vai me ajudar a escrever o relatório.

Bravata. Nem cheguei perto do laptop. Mas, irritei-o bastante, ao perguntar como ele me garantia que na Esplanada havia 10 mil pessoas.

-- Você pode enganar outro, não um geógrafo. Com a fotografia aérea do local, eu te digo em cinco minutos quantas pessoas havia lá.

-- Caralho! Já te disse que o helicóptero não estava ali para isso.

-- Então, ele estava lá para quê? Não acredito que o governador tenha enviado snipers para sobrevoar-nos. Afinal, vocês estavam lá.

Ele me pediu que eu fosse esquentar a lazanha. Obedeci, convencido de que voltaria ao tema, ou me recusaria a desfazer os nós dos lençóis.

16 de ago. de 2005

Vamos falar sobre política

-- Para dar conta de você, tenho que tomar viagra.
-- Para dar conta de você, tomo calmantes.

15 de ago. de 2005

De táxi com a Sorte


DSC02880, originally uploaded by otzberg.

No táxi acompanhado de uma Gisele, sonhei que era beijado pelo Ouvidor-Geral. Um beijo miúdo, apertado, cheio de acácias mimosas e sulfurosas. Fitando-lhe nos olhos, disse-lhe: basta! A modelo nos observava através da volúpia enternecedora dos anfetaminados. Quem está articulando o golpe? Eu precisava saber. Testar as hipóteses, angariar fundamentos e provas. O distanciando impregnado desde anos castanha-com-ameixa, não me permitiria divulgar os nomes, tampouco devolver os livros apócrifos. Assim seria fácil demais. A calcinha de rendas brancas era de um perfume que dias atrás eu não pudera sentir. O Ouvidor-geral rindo do meu esquecimento entumecido, me causava repulsa. Sêmen dos querubins, garoto. Chamem as hortênsias, Doutor! Eu as quero cheirar também. A modelo me mordiscando os lábios escuros, meu lóbulo furado, meus cotovelos-joelhos-calcanhares. E o golpismo, Doutor? Esqueça isso, guri! Não sei. Mas se você quiser mando uma barca te deixar em casa. Queria ser Aquiles. Morrer naquele momento de fluídos orgânicos me escorrendo pela boca, me sujando a barba. Por fim, foi eu que procurei os finos lábios rosados da autoridade. Esta tua omissão me conduziu à fronteira. Aquele ramalhete de rosas vermelhas não era para mim. Porque você diz isso? O Ouvidor esquecera suas promessas, eu continuava fiel aos meus princípios. A modelo se afastara do nosso suor para poder se tocar sem nossa interferência. Agora somos nós, moleque. E eu desistira de formular perguntas, só pedia clêmencia. Já que o senhor faz questão, que seja carinhoso. Não quero me encontrar com meu proctologista antes do Natal. A modelo me prendeu a cabeça entre suas torneadas coxas de uréia, misericordiosa ela, e me ensinou a relaxar o esfíncter. Pude ver, então, a Verdade. Tarde demais. O sacristão se esforçava para me lembrar que os sinos controlados remotamente lamentam as perdas. As estufas com seus roxos lisianthus em botões. A edição fechada. Essa semana vai ser difícil.

13 de ago. de 2005

Um voz rebelde

Não me surpreenderá, se o Nobel de Literatura vier para as mãos desse ilustre Senhor.

12 de ago. de 2005

Sobre o pronunciamento de hoje à tarde

Se é para me desbobrar em mil, fa-lo-ei mesmo se firmamento estremecer. Trabalho voluntário tem sido minha única fonte de êxtase, bálsamo para minhas úlceras. E quando o cansaço apertar, ou o sono corromper, passeio entre as imensas e longas e estreitas prateleiras da biblioteca. Estão todos lá, ávidos pelo meu toque, sedentos pela minha análise. Eles são tão criativos... Trago cinco deles para minha mesa. Preciso de apoio.

11 de ago. de 2005

Passei, praticamente, a noite acordado. Ele ronca. Pior, ele se automedica. Mas ser acordado pela manhã com beijos seguidos de "parabéns pelo seu dia", me fez relevar. É só o que eu tenho feito.

10 de ago. de 2005

Trabalhoso negar


Fruit of our labor, originally uploaded by cgrabig.

-Acho indigesto morangos no café da manhã.
-Indigesto é você ir embora.

9 de ago. de 2005

Nagasaki não, meu bem.


DSC01700, originally uploaded by Kuwacky.

Poesia no ombro largo do suspiro. Significa paz, explicara-me ele. Paradoxo: o polícia promovendo paz. Não sei como você consegue comer doce no café da manhã. Ele tentava travessar a enxurrada no desespero de ontem à noite. Oi?! Dedos estralando diante meu olhar perdido. Oi?! Beijo com gosto de papaya. O ideograma a me lembrar dos Cantos. A jornalista a mostrar destroços do terror. Ele passou a prestar atenção no jogo de imagens e voz, quando me emocionei. Terminada a reportagem, deitou-me cuidadosamente na cama, acomodou minha cabeça no travesseiro para que eu pudesse recordar da noite anterior. Mordiscou-me os lábios entre intervalos de doces beijos, literalmente, doces, daquele mesmo que me dissera que não conseguia sequer experimentar no café da manhã. Com tanto bolo de fubá, era de beijos que ele tinha fome. Eu preciso ir embora. Tenho que abrir a loja. Pede a conta, por favor.

8 de ago. de 2005

Mushrooms, champignons, cogumelos, seta?


Micro mushrooms, originally uploaded by Hello Treacle.

O que se destinava apenas para comentar minha indelicadeza, desaguou na digressão minha de todos os dias. A poliglota poderia me responder a essa inquietação, já que se encontra on line, mas prefiro aguardar ser capaz, eu mesmo, de disolver minhas dúvidas primárias. Sossega, menino! Nada mais inverossímel do que lavar as mãos a todo momento. Você acerta ao errar... Eu prometera à Princesa, ao apresentar o croqui, que não complicaria o que por si só, apresenta-se intrinsecamente complexo. Mas, hoje de manhã, ao folhear o jornal, me convenci de que estaria talvez seguindo a estrela correta. (Não deveria ter vendido meu GPS.) "O estilo consiste em escrever como nos dá na veneta."(Sofocleto) Retorno depois. As idéias começaram, novamente, a se debaterem. Passado cinco minutos, interrompido por uma elegante morena de tailler rosa choque que me lembrou os holofotes ofuscantes, volto para finalizar o post. O que venho fazendo, bem ou mal, foi por causa de um alucinógeno. Não esperava te encontrar. Vagava. Nesses tempos de agentes da Polícia Federal investigando profiles e scraps, posso me comprometer por causa dessa confissão. Ressalvo, no entanto, que nesse espaço virtual não se faz apologia à entorpecentes ou se promove transações comerciais ilícitas. Minha pressepada passa por dentro de um branco afunilado túnel . Fique bem claro: branco! Ao me expressar assim, até parece que estou induzindo alguém a me ligar, até parece. Só não digo nunca, porque nunca é demais.

P.S.: Liga logo, caralho! Estou de saída.

Nunca fui de deletar post. Mas depois de Cold Mountain não consigo olhar para mais ninguém.

P.S.: É de se lamentar o ítulo do romance em português: "Montanha gelada".

6 de ago. de 2005

Hiroshima não, meu amor.


IMG_2124, originally uploaded by apilchin.

Tolo sou eu. "Ôh! Se gosto de bater. Não foi por acaso que trabalhei dois no BOPE." Tentei mudar de assunto, mas ele queria me descrever seu doentio perfil de sociopata. (Você se envolve com cada um!) Por fim, ele concordou em escutar-me. A solidão deixara um vazio, por mais que gritasse por socorro, ninguém me respondia, além dos olhos castanhos prestes a me apunhalar. Dessa vez a volúpia e a dor não se encontraram.

5 de ago. de 2005


, originally uploaded by Runs With Scissors.

Não era bem essa foto que eu gostaria de publicar, mas em tempos de liberdades individuais comprometidas, não convém divulgar fotos de pescoços. Obrigado, viu. Foi muito bom. -- dissera-me o cidadão que não pretendo encontrar novamente. Talvez eu tenha me esforçado demais. Poderia ter sido mais contido. (Pára de se lamentar. Você gozou, não gozou?) Não deveria ter me afastado das minhas leituras. Assim, me esqueceria de uma vez por todas que sou feito de carne. Na casa de swing da Madame Flor, reescrevi o manual de boas maneiras. O que até, então, vinha sendo minha imaginação resvalara-se na realidade. Grunhir do prazer, gemi no medo e gritei na dor. Embebido de volúpia, apoiei-me os sentidos na nuca do capitão. A língua da puta me serviu de bálsamo.

4 de ago. de 2005

Você poderia ao menos passar uma loção nesta tua barba.

3 de ago. de 2005

Fluorite rosary


fluorite rosary, originally uploaded by Sophie_vf.

Calma! Não foi esse. Sou escrupuloso (vulgo caxias), tratando-se de bens alheios, a ponto de incomodar os mais sensíveis. Priminha, esse post é especialmente para você e seus amiguinhos. (Com licença, leitores do DiCla, preciso xingar.) "Que cara chato, amor!" -- ouvira antes de deixar a cozinha. Se estou responsável por duas empresas, quatro pessoas, mais a cadela, o hamster, os cinco peixes (ai! de mim se acontecer algo aos bichos) e as plantas (principalmente!) não posso deixar à revelia gastos, horários e compromissos. Há pessoas que, atentas, admiram minha dedicação e eficiência. O rosário, nem conto pela beleza, mas quem trouxe de onde, abençoado você sabe por quem, me serve de acalento. "Trouxe, especialmente para você, Marcinho." E a história do tempo fechado ficará para um próximo post, a indesejada chegou hoje mais cedo. Ainda bem, estou retorcido de fome.

2 de ago. de 2005

Gazebo


Gazebo, originally uploaded by ptofnoretrn77.

Para moça que me descobriu no Skype. Como conseguiste? Isso é um gazebo. Conto com a tua discrição. [;)]

Por que as algumas pessoas usam do poder econômico para me convencer a ir para cama com elas? Será que trago escrito na testa: "Aluga-se"? Nada contra (nem a favor) os rapazes que trabalham à noite no estacionamento do shopping aguardando o leilão; ou aqueles, mais afortunados, aguardando, no conforto do flat, o celular tocar. Eles são bonitos, charmosos, carinhosos, viris (principalmente), robustos (nem todos), jovens (há maduros também), perspicazes, vaidosos, educados, cultos, usuários-traficantes (alguns), ladrões (dependendo da oportunidade). É uma fauna muito variada, diversificado safari. Só não digo que tem de tudo, porque não terminei ainda de ler a tese (que vai ser publicada por uma editora italiana) da Antropóloga Dra. Cristina Mendonça Alburquerque. Eles prestam serviços; eu sou levantado às três e cinqüenta sete para observar os delfínios floridos na estufa onde minhas pretensões ricocheteiam aleatorialmente. Vou levar dez pacotes. Metade branco, metade azul. O promotor vai se contentar com exuberância das flores.

1 de ago. de 2005

Biblioteca de la Universidad de Salamanca

Dois posts no mesmo dia? Estou sozinho aqui no gazebo, aproveitemos, portanto. Sábado à tarde, liguei para a Princesa, aquele telefone de toda semana, para perguntar como ia a vida. Depois continuo, chegou gente.

Há pessoas que me desarrumam o caminhado, uma delas é o acionista. Eu gagejo, eu tremo, coração acelera, minha pele se desmancha em suor (Sudorese. Ah!), rubor facial. Não sei. Não há espelho aqui, além dos olhos da minha gatinha. Ganhei uma gatinha do meu amor. É verdade, que se trata de uma pelúcia anti-alérgica, mas ao menos não me causa aflição. O tom de voz do acionista me lembra um comandante motivando a tropa. Nada mais facista. Para nossa surpresa, ele aos poucos vai desmontando a cara amarrada e o tubérculo de voz se adoça. De repende, aprende-se a cumprimentar, a se despedir com um aperto de mãos. (Ai! Minha mão gelada.) Liga-se para agradecer. Foi, então, quando ele se engasgou com meu nome. Assim como eu, ele não se desculpou. Vamos fingir que não houve erro. Que não erramos ao nos encontrar depois do expediente para fins extra-comerciais. É um bom cliente, compra bem e paga direitinho, passa alucinógino nos lábios, transmite tesão pelo beijo. (E um monte de bactérias, eca!) As mãos que me prendiam a cintura, simplesmente dissera: vamos com calma. Antes vou procurar justificativas para os crimes dele. Assim, posso continuar sereno, limpando a janela do meu quarto sem pensar que cortina vai combinar com as paredes pastel.

29 de jul. de 2005

Quero essa tua boca para sempre

Você está de castigo, me dissera meu pai. Cárcere privado. Preferiria uma surra de cabo de rodo, assim estaria livre para correr debaixo do bloco. Daqui posso ouvir o pessoal gritando. Aos menos, eles podiam ser solidários com o meu sofrimento. São meu amigos, presentem quando não estou bem. Precisava mesmo era ir embora. Londres continua sendo minha primeira opção. E enquanto não obtenho uma resposta, vou relando as histórias de Sherazade. E pensar que eu chamava-os de contos de fadas. Algum progresso eu fiz.
O riso entalado sai nervoso. A empregada contando à amiga que a patroa só lhe chamava às 9h30. Nem parecia mentira. Ela falava com tanta naturalidade, mas sabemos do delírio que atravessa a mente da moça... Ah!, sabemos de muito mais. "Ela não sabe beber, Soraia, toma duas latinhas e já conheça a dizer bobagens, sabe?"
Também não sei beber, fiquei mexendo o gelo com dedo. O cálice esperando minha boca. Sou o menino do dedo verde, olha!, disse ao Conselheiro, antes de passar, carinhosamente, meu dedo nos lábios dele.
O beijo levemente amargo... me lembrava jurubeba, gariroba. Você gosta? Meu fígado adora, respondi-lhe já de olhos fechados procurando a boca que me ensinara a pronunciar Finnegans. Fainigans... Finnegans (caralho!).
Você é meu intelectualzinho, meu menininho. Ah! Se não fosse os filhos dele... Quer ir ao teatro comigo, amanhã? Vou te levar para assistir a estréia de Carmen. Com o Teodoro no papel de Don José... Nossa! Você já deu para todo mundo. Admira-me muito um ministro de carreira cometer uma falácia dessas. Apenas saímos juntos milhares de vezes, o suficiente para considerá-lo como meu caso, mas nunca fomos para um motel. Vocês faziam no mato. Levantei-me do colo, confortável colo nefasto. Suas mãos eram fortes, para minha surpresa. Fica quieto! Sem querer derrubei o cálice, ao esbarrar na mesinha. Gotas verdes pingando no tapete. Deixa eu pelo menos buscar um pano. Foda-se o tapete. Amanhã a empregada limpa.
E quando ele se levantou me puxando pela mão, perguntei-lhe as horas. Preciso ir embora. Amanhã a gente se vê, certo? Não quero mais assistir à ópera. Estou com ciúme. Queria te sussurar meus segredos. Amanhã, respondi-lhe. Se ele quissesse mesmo, teria me enviado flores, ou ao menos me ligado para desejar bom dia.

28 de jul. de 2005

Estou enviando o sinal. Desespero batendo na porta. Números de celulares trocados. Nunca fomos amantes. Ah! Se fosse pedido quebra de sigilo telefônico (Para quê?). Nossos gemidos a vagar no eco da incompreenssão. Minha, sim. Totalmente minha. Sexo avulso eu teria ao mover o pensamento; debaixo de qualquer mesa de jacarandá. Teria que ser algo mais do que um cheque em braco que a qualquer momento pode ser assustado. Por onde você esteve, ontem? Precisava ... Precisava?! Impostei minha voz no veludo do meu canto e disse-lhe três mentiras entre salivas e estralos: senti muito tua falta, eu te quero muito, eu te amo. Você não ama ninguém além de si mesmo. Baixa as calças. Esse joginho cafajeste mina os santos que me guardam. Estamos protegidos. Graças a Nossa Senhora da Glória. Quando argumentos racionais são brutalmente rechaçados apelamos para o emocional. Chorar é fácil, quero ver alguém me fazer rir. E o nosso presidente? Estou disposto a comer farinha ao teu lado. Nem ao menos somos amigos e eu mentia doentiamente. Mitomania, meu bem. Quem sabe um dia...Despedi-me com um beijo, sem antes pedir que não me ligasse no escritório, nem em casa, tampouco no celular. Meu sangue não é azul, entende? Ademais, tenho muito orgulho de ser filho de pais analfabetos. Já que não sei quando te verei novamente. Eu me engasgando com o vinho forte a me escorrer pelo corpo. Preciso voltar pra o escritório. Trabalha para mim. Secretário-Executivo, sem ironia. Missões diplomáticas... Passei a não pelo ombro dele, como se tivesse tirando um pêlo. Quem lava tua farda? (Risos) Mando para lavanderia. (Por isso, tão branca). E quando não tivermos dinheiro, quem vai lavar minhas cuecas?

26 de jul. de 2005

Gauderiando nas salidades estoicanas (trecho avulso)


Mud Bath, originally uploaded by DWinton.

Das lamas do Mar Morto faria um emplasto que Brás Cubas nenhum imaginara para me aliviar as ameaças proferidas e do estresse gerado pela visita retubante do policial militar (Meu Deus! Ele continua lindo maravilhoso); me livraria da incômoda lembrança da surdez temporária causada pelos gritos mordidos do Coronel (não, não era Aureliano Buendía); besuntaria minhas vísceras antes que abrissem o bufê, por fim cobriria, com a salgada lama, minhas alegrias enviadas, agora pouco, por fax, para Gardea. Não se iluda -- me dissera o diplomata -- Milão é uma droga. Há poucos lugares no mundo que realmente valeria a pena visitar. Gostaria de poder eu mesmo dizer isso.

P.S.: Desculpa-me o post atrasado, fui enforcado pelo fio do telefone. Sem mágoas, sem perseguição. Os papéis sociais voam. A qualquer momento a gente (eles, tu e eu) alcançaremos o Himalaia. (hehe) Alguém, aí, fala bhojpuri?

25 de jul. de 2005

-- (...) e depois, vocês foram para onde?
-- Despedimo-nos e cada um foi para sua casa.
-- Para casa!? Não acredito. Ele era perfeito.
-- Perfeito para apresentar aos pais, fazer inveja aos amigos, ou passear em Caldas Novas. Mas do que isso, só o tempo.
-- Com um tipo daquele, eu teria traído o Alfredo.
-- Bobagem. Ele nem beija tão bem assim.
-- Ah! Nem mentir você sabe mais . Fiquei asfixiada, só de olhar. Todo mundo que passava comentava.
-- Ele estava com o perfume que o Bruno usava antes do acidente.
-- Jura? Oh! Marcinho, que falta de sorte.

23 de jul. de 2005

Com gás, por favor.

A frustração do coito interrompido, tenho evitado. Tolice. Nada pode me impedir de gozar, além do meu medo de parar no acostamento. Correr havia sido a estratégia mais idiota, digna de alcegas verdes-pistache. A marca da mordida ainda arde na pele cor de bosta. Moreno morrom-bombom. Chocolate branco na esquina da Rua 13 de Maio (de 1922). Seriam suntuosos veludos pastiches de curvas desvairadas de cuecas boxer. CKOne no aparador da sala de visitas. Meu objetivo rifado pelo meu desejo que não se levantara. A poetisa a me pedir que lhe emprestasse meus olhos. Seria desumano negar-lhe a gentileza. Como também, seria desumano não atender ao telefonema do estripador. Pressão psicológica. Ele achou que sangraria um porco. De fato imolaria um cordeiro. Carne muito doce para o seu apetite de pescoço de galinha. Por que você larga o preciosismo na varanda de pimenteiras-gigantes? Pimenta-de-cheiro, meu bem. Deu bode. Já perceberam onde estou? De volta. Capaz de enfiar o indicador na massa crua de bolo de fubá. E nem com fome estou. Apenas, tentei evitar disfarces destoantes, mas eu fico tão bem de salto alto. Espero uma mão educada, para sair do carro. Ao sentar-me, não me esqueço da barra da saia. Mesmo bêbado mantenho a compustura construída a seis mãos (Obrigado, meninas). E acabo de perceber como ser interrompido me faz bem, melhor que ontem à tarde. Cuidado! Costumo punir excessos. Eu nem mais me lembrava do e-mail da secretária do Senador. "Marcinho, meu querido, estou te esperando... os livros." Vou me desfazer do conselheiro. Assim: "Prezado Sr. Conselheiro, não me aprecia ter o meu medo estripado. Você sabe quem são meus escritores preferidos. Esteja à vontade." E eu me sinto muito à vontade para devolver o presente. Nunca sonhara que o teclado do laptop fosse tão desconfortável. Sim, é um fetiche que eu nunca imaginara descansando no meu colo. E eu não hesitei em procurar no céu-da-boca do Conselheiro formas flexíveis de agradecimentos. O toque do celular irrompendo minha madrugada. Agora!? Pega um táxi, eu pago. Quantos e-mails trocados de segundo em segundo. Tenho messenger instalado aqui, se quiseres... Adoraria (risos), mas não podemos. É verdade, troca-se uma letra: não podemos. Por que tinham que explodir Londres? Estava tão (i)legal. Por que não se exonera o secretário de segurança pública? Eu teria café-da-manhã na cama e não precisaria rasgar embrulhos de presente diantes atentos olhos azuis do diplomata.

25 de jun. de 2005

Os poemas que Clarice Lispector não compôs

Eis uma página que sempre preciso citar.

Versos de ponta a cabeça

Fico indignado com quem não se preocupa em rastrear fontes. Deveria se defender a literatura brasileira. A língua e indivíduo são, a meu ver, indissociáveis. Veja o que Homero (não só ele/ principalmente ele) fez pela língua grega.

P.S.: Só, hoje, me dei conta que o link poderia estar errado. E estava.

Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa

Eis a peleja que gosto de acompanhar.

24 de jun. de 2005

Harry Potter | Editora Rocco

Vai rolar um fight. Faço qualquer sacrifício para levar o capitão do BOPE para cama. Inclusive ler J.K. Rowling. Aquela história de que meus filhos são fascinados pelas aventuras do Harry Potter, não me convence. O capitão estava enfeitiçado e não era pela minha boca, sim, carnuda. Há algo na história do bruxinho que o seduz, a ele e a milhões, que o faz violar laços, antes tidos como sagrados. Pretendo, urgentemente descobrir. Vou me empenhar com afinco. Ele me quer, só não sabe como. Eu o quero, não sei o tanto, há muitos anos. Na suíte de luxo de um hotel de onde podemos comtemplar ao fundo o Congresso Nacional, lerei para ele trechos do livro. São as armas que disponho. Quarta-feira saberei se fui aceito na Ordem dos Magos Libertinos, ou não? Preciso me manter sereno.

Provas de amor chegam embrulhadas


Cantavam o refrão com entusiasmo, ".. São João, São João, acende a fogueira do meu coração..." Arma branca nas minhas mãos, o copo de quentão me acompanhava. Calma, rapaz, no caminho de casa tropeçarás no príncipe, não o machuque com o seu mau humor. Cansaço, paixão. Minhas semanas têm sido de quinze dias. E o retorno para casa nem sempre tranqüilo. Os bares lotados, boêmios de gravata, a conta pendurada na generosidade de um amigo à espreita. Não há nem mais onde me esconder. A generosidade me arrastarra ao forró particular dos meus sonhos.
Vamos dançar, vamos! Preciso arrumar uma namorada, Raquel. Namorada, Marcinho? Como assim?! Fitei nos olhos da minha confidente, tempo suficiente para que ela conseguisse traduzir meus pensamentos. É o Bruno, não é? Se tivessem uma baixa seria simples. Enviar-lhe a coroa de tulipas pérola. Com avenca suiça! Com muita avenca suíça. Ela balançou a cabeça, como se dissesse: Infelizmente, concordo contigo. Sabe, paixão, por isso que eu gosto de acreditar que existe inferno. E ele vai ter que prestar contas de muitas almas que ele mandou para lá. No inferno os papéis serão invertidos: o polícia toma o lugar do bandido... E o bandido de Capeta, completou ela. Descontraídamente rimos, como fazíamos quando eu engasgava na água. Nem percebemos quando o Alfredo chegou com os copos de... Quentão! Você quer me embebedar? É São João. Toma! Que companheiro é você.
Amor, lá no serviço, você não conhece ninguém... Raquel! Esqueceu-se de quem me apresentou o Bruno? O que tem o Fornazze? Não me liga, não responde meus e-mails, vem a Brasília e não me procura...Vocês não foram ao cinema anteontem? Como você sabe?! Vocês não foram ao cinema anteontem? Co-mo vo-cê sa-be? Ele chegou lá em casa reclamando que você preferiu assistir a um filme de intelectual a ir para o motel. Não foi bem assim, Raquel e ademais ninguém mandou ele hospedar aquele José Maria lá em casa. O cara é parceiro, Marcinho. Alguém quer canjica?
Vou saltar de bungee jump. Não vai mesmo, ficou maluco? Ah, eu queria tanto saltar... Até você, Raquel? Peguei-a pela a mão e disse-lhe vamos, imediamente, o Alfredo a segurou pelo braço. Não vai, não! Me solta, Alfredo! Você está me machucando. O olhar sério da Raquel foi suficiente para que ele a soltasse. Para quem você está ligando? Para o seu marido! Ele adora me ouvir gritando. Alfredo, pára com isso! Vão acabar chamando a segurança. Ele tirou a carteira do bolso. E todo mundo no clube passou a prestar na gente. Para onde eu olhava, as pessoas desviavam o rosto, como se fingissem que não estavam olhando. A Raquel se divertia. Eu estava decidido a gastar os últimos cinqüenta reais. Peraí, Doutor, ele quer falar contigo. Peguei o celular e o desliguei.
Saímos em direção do aparelho, a Raquel e eu mão dados e o Alfredo gritando atrás da gente. Quem vai primeiro, Marcinho? Ladys, first. Há-há-há! Dispenso seu cavalheirismo cretino. Então, vou primeiro. Ia. Fui segurado pelo braço e arrastado até o carro, com a Raquel gritando larga ele, larga ele, atrás da gente. Você quer ficar viúva, Raquel? A expressão do Alfredo era de desespero. Então a graça acabou. O que o Bruno lhe disse? O que sempre ele diz: eu amo demais esse moleque. Abri meu melhor sorriso para Raquel e pedi que o Alfredo fosse, então, buscar mais quentão para gente. Vê se desta vez trás o meu sem açúcar. Ainda provoquei a Raquel, quando o Alfredo se afastou, chamando-a para irmos, finalmente, saltar de bungee jump. Mas ela, me perguntou se aquele tempo todo eu não estivera rezando ao Santo errado. Quem sabe?

Festa de St. Hans ou São João Batista

Zacarias continua calado. Deve ter sido trote.

23 de jun. de 2005

Blogs Políticos: A "webcatarse" do cidadão desiludido

Agora se faz no blog do Noblat o que antes se fazia no porta de banheiro público. Massa, véi! :D

22 de jun. de 2005

Michael Moore e os Assassinos por Natureza

"(...) diferença básica entre ironia e sarcasmo (...). Enquanto o sarcasmo é o um instrumento da camada dominante para lembrar da sua posição para os demais, a ironia é a arma dos desprivilegiados, que usam a linguagem dos que estão do poder contra eles mesmos."

Parlamentarismo à brasileira

Quem seria nosso primeiro-ministro?

Sobre os perigos da leitura

Onde mora a filosofia

Das dificuldades de Filosofar no Brasil

Jean-Paul Sartre


SARTRE, originally uploaded by elaine.cheng.

O vazio do meu silêncio resvala na minha ignorância. A novidade reside na lápide arrebentada. 14 de julho de 1946, 03 de março de 1980. Fiz o sinal do cruz por educação. Sei que ela não acreditava, nem gostava. Arranquei uma rosa amarela com a autoridade de filho caçula e sai caminhando ávido por um telefone público.

A tese de doutorado do Coelho

Não consegui conter as gargalhadas. Se o aluno transpõem as adversidades sem apadrinhamento ou ajuda dos outros, seu mérito é maior? Acredito que sim. Mas ninguém vence sozinho. Nem o maratonista, cuja o treinador acaba de se jogar do alto prédio dos nossos sonhos.

Clube Virtual dos Militares da Reserva e Reformados da Aeronáutica

Onde chamam o José Dirceu ainda pelo codinome Daniel. Pode? Está claro que há muito rancor entremeado na nossa frágil democracia representativa. O exercício está apenas no começo.

21 de jun. de 2005

Jefferson: corrupção no governo Lula supera Collor

Com certeza! O Dep. Roberto Jefferson tem toda autoridade para fazer tal afirmação, pois ele estava por dentro do Esquema do PC Farias. Mas ainda tenho uma dúvida: então quer dizer que se não se descobrir nada sobre o esquema de corrupção supostamente chefiado pelo dep. José Dirceu significa que o crime foi perfeito? Isso me parece um raciocínio falacioso. Só não me lembro qual.
Posted by Hello

Por que teve de ser tão rápido, anônimo e descartável? Ainda trago na boca o gosto do latéx. No fundo da língua havia leve sabor de tabaco. (Ele também estava tentando largar o vício, por isso minhas gargalhadas, antes de iniciar esta entrada.) Fiquei anestesiado pelos beijos no meu ânus. Pude assim, controlar a dor. Que de insuportável, tornara-se administrável. Ele me fez tantas perguntas que pensei que fosse me convidar para jantar. Era só sexo, Marcinho e o ele nos enganou perfeitamente. Talvez, eu sirva só para isso descarga de emoçãos funestas contidas numa cumbuca enrrugada. Não preciso de sexo avulso. Na prática, prefiro ser observador atento e contido, como sempre fui. Acontece, que... não há justificativas. Não consigo mais namorar à distância.

20 de jun. de 2005

Não é o que parece

Que ironia! Acabaram enganando quem não deveria ser enganado.

18 de jun. de 2005

Dramalhão no país da retórica

Que o Dep. Roberto Jefferson estava encenando, não tinha dúvida. Só não sabia como explicar isso às moscas de frutas que insistiam em me atormentar. Quanto prazer sinto em vê-las mortas.

Com 3 artigos, Einstein reinventa luz, tempo, espaço e natureza da matéria

17 de jun. de 2005

::P e n s a m e n t o s I m p e r f e i t o s ::

Imagine se fosse, perfeito? Estariam no céu cantando para o Senhor.

16 de jun. de 2005

Ulysses, James Joyce


Ulysses, James Joyce, originally uploaded by cobra libre.

Toca telefone, toca. Levo-te para casa ou não? Olho o anti-romance servindo de peso para as folhas que minutos antes estavam espalhadas pelo chão. Na gabiente do senador, sou o garoto da suculentos e ninguém se atreve a me interromper. Um, dois, três cafezinhos seguidos. Sente-se. Fica à vontade. Minha primeira CPI. Podre em Brasília, são os pombinhos que insistem em fazer cocô na Praça dos Três Poderes. Tenho certeza que se trata de mais uma fantasia sexual do meu pai. Sim! Meu amante tem idade suficiente para me custear os estudos em Montpellier (E daí?) e tudo que escrevo se converge para ele. Óbvio. É para ele que declamo versos apanhados atrás da orelha da secretária que está acima do peso. Gostosinha, carne de segunda. Acém congelado no meu freezer carinhoso. Ela gosta e eu estou aprendendo a disfarçar que não gosto. Eca! Cuspo de lado. Ela ri. Cuspo novamente, dessa vez no cofrinho dela. Só o pensamento da possiblidade já a faz gozar. O pai, o meu, nem imagina e cotinuamos a correr pelo gramando detrás do Congresso. Não há nada de mais sair do gabinete às 21h e descançar os pés na grama puída. Denis, faz um favor? Olha até que hora a biblioteca fica aberta. Ele sai resmungando. Que isso! Só pedi um favor. Dissesse que estava ocupado. Um Senador da tribuna faz um discurso frouxo. Que péssimos assessores se escondem aqui! Onde estão os bom? Os bons bombons! Godiva na minha mesa. Mortos, mas são dois godivas e são gostosa e inteiramente meus. Será que eu conseguiria ler o monólogo da Molly, logo à noite? Deixa de ser Maria, Marcinho! Temos muitos documentos para analisar e a Comissão toda para... ixi! Fudeu. Despeço-me carinhosamente dos meus. Alguém atende o telefone, por favor! Eu saí. Na porta, o macho me espera. O teclado não ajuda, porra! De terno escuro e barba aparada, levá-lo para jantar no Chinês seria uma possibilidade e não tivêssemos no fim. Tu podias ter tirado a barba, poxa! Sou alérgico. Meu pescoço fica vermelhão. Vermelhão é a cabeça do meu pau! Fala mais alto, ninguém sabe disso. Acabei não lhe dizendo, querido DiCla, como me apaixonei pelo pela tradução do Houaiss. Em casa, a gente continua. Em off.

Querido DiCla,

Happy Bloom's Day!



Minha primeira CPI. Três meses passam rápidos.

2005 - Uma Odisséia Literária:

Neste blogue podemos acompanhar trechos do percurso (no tempo e no espaço) do Leopold Bloom (metempsicose de Ulisses).

Ulisses gostaria de ser um cidadão comum. James Joyce aproveitou a idéia e nos presenteou com o judeu __________.
E você, DiCla, se sua alma pudesse trocar de corpo, quem gostaria de ser?

James Joyce (bacia de links)

Há material suficiente para elaborar uma tese. Fale a pena? Sim! Se no caminho não houvesse uma pedra. "Há uma pedra no meio do caminho."

Ria, se puderes.


James Joyce Books, originally uploaded by chillihead.
Trouxe o texto abaixo da coluna do Fausto Wolff. Se não podia, agora já era.

"Eventualmente, James Joyce ditava partes do seu romance Finnegan's Wake para seu discípulo, secretário e office boy Samuel Beckett, ao qual dava alguns centavos quando estes apareciam. Joyce reclamava que ''este negócio de ditar não funciona comigo'' quando bateram à porta e Beckett, que mais tarde escreveria três obras-primas do teatro mundial, não ouviu. Joyce disse:

- Entre.

Beckett escreveu este ''entre'' no papel.

Mais tarde o discípulo leu para o mestre o que ele havia escrito. Quando chegaram no ''Entre'', Joyce perguntou:

- Que ''entre'' é este?

- Foi o senhor quem ditou.

- Ditei, é? - E depois de uma pausa. - Então deixe ficar.

É por isso que Finnegan's Wake é incompreensível e Beckett aprendeu a lição: até hoje ninguém entendeu seus três romances."

Lluvia de críticas para el Ulises en su centenario

Críticas para o centenário que continuam sendo pertinentes. Considero o anti-romance apenas como um apunhado de técnicas literárias para todo aquele que deseja aprender a escrever ficção. Minha ingênuidade deve estar me traindo. À noite, voltarei à biblioteca.

La riqueza mestiza de Nélida Piñon

Numa banca de revista, próximo ao Ministério da Saúde:

-- Espanhol e grego para mim é a mesma coisa.
-- Nunca!
-- Estou dizendo! Fiz um semestre de grego...
-- Não vejo problema... mas o dicionário fica ao meu lado o tempo todo.

15 de jun. de 2005

O primeiro depoimento de Roberto Jefferson: lama sobre a mídia

Odeio quando me chamam de burro! Será que o jornalista acha que acredito no que leio?

London Burning

Saudade do tempo que eu passava as tardes, na casa do namorado da minha tia, ouvindo e dançando rock alternativo inglês. Sorte tinha ela de namorar um musicista. Sorte tinha eu de ser vizinho dele. Mais sorte ainda, era ele ter um irmão da minha idade. Punhetinhas e Playboys à parte, eu gostava mesmo era dos vocais, que eu imitava sob os olhares cúmplices do Marden.

A nova tradução de Ulysses

FASCINADO AO LER AS CINCOS PRIMEIRAS PÁGINAS, precisa passear pelas ruas de Dublin conduzido pelas frases do Houaiss com a única certeza de que deveria, o quanto antes, voltar a estudar Inglês. Ler James Jayce no original. Há muito marketing por atrás dos faxs que me chegam, duplicados, com pedidos vermelhos. Se a professora Bernardina da Silveira Pinheiro não fosse lançar sua tradução do Ulysses durante Bloom's Day (e os jornais não divulgassem o evento), eu me esqueceria da data. Assim como, me esqueço dos aniversários de amigos, familiares e colaboradoras. Memória é um ato social (onde eu li isso, mesmo?). Lembramos daquilo que nos lembram, muitas vezes. Queria que me esquecessem. Que me deixassem em paz. Que não me telefonassem nunca mais. Telefonemas noturnos desestabilizam minha libido.
Um cão me mordiscava a orelha, ora era um rottweiler, ora um labrador, era o homem que eu fingira amar. Acordei assustado. Encostei meu dorso no corpulento algoz que me trouxera cravos vermelhos disfarçados de trufas. O vinho tinto seco, mais seco estávamos nós de desejo um pelo outro. Do alto da minha benevolência propus ao corpulento um relacionamento aberto. Não que eu desejasse. Não queria mesmo! Apenas, não gostaria que ele sofresse a agonia da ausência das minhas mãos relaxando seu peito nu. Sinta-se à vontade para fazer sexo com outros caras. -- disse-lhe. Afinal, sexo é atração; amor, apoio incondicional. O Fornazze me abraçou pelas costas, predendo meus braços e perguntou o que eu queria ganhar de Dia dos Namorados. O que eu quero, eu já tenho. -- respondi-lhe. Mas na realidade, eu não sabia o que lhe responder. Agora eu sei. A porra do celular não atende.

14 de jun. de 2005

BliG Ricardo Noblat

Não acredito em nada que o Dep. Roberto Jefferson disse. Ele é artista e como tal mente. Resta saber o que ele acrescenta à nação com essa opereta tosca. (Ainda bem, que não mudei minha rotina. Ia ficar puto de raiva.) Estou cansado de saber que os donos do poder são corruptíveis. Por que não se aproveita e inicia-se a Reforma Política? Porque os ratos do Legislativo são de uma espécime muito rara e importante para a biodiversidade amazônica.

Blog do Moreno (Bastidores da política nacional)

Quase meio-dia, numa comercial de Brasília

-- Acho que vou resgatar meus dólares.
-- Calma, R. , espera o depoimento do Dep. Roberto Jefferson.

Meus Deus! Será que isso faz de mim um especulador financeiro. Tudo menos isso.

Planando sob mentes estúpidas


Brasília, DF, originally uploaded by ana_maria_.

A qualquer momento a inibição cede e voltaremos o olhar contrito para a alma verde do meu alter-ego que me pede para explicar, afinal, por que não mais me protejo dos cintos de couro que me torcem os dedos. São 9 horas, daqui a pouco o celular tocará. Minhas prioridades encaixotadas se mudam de perspectiva. A deriva... Consideram-me político, o que não significa que eu saiba me comportar como tal. A propósito, quantos graus me separam do Dr. Thomas Mesereau Jr.? Tomara que sejam poucos. ;)

13 de jun. de 2005

Numa galáxia não muito distante...

Minha prima me ligara preocupada com entrevista do Dep. Roberto Jefferson à Folha de São Paulo. Disse-lhe que só saltaria do barco, se o L.F.Verissimo escrevesse uma crônica atacando o PT e o governo. E ainda assim, eu iria atrás de outras opiniões. Mas ela crescera, tornara-se uma mocinha muito perspicaz, e me pedira que desenvolvesse o argumento. Está pronto, querida! Acabei de enviá-lo para o teu e-mail.

Writing Fiction

Que adorável surpresa! Acabo de descobrir que eu tinha apenas preguiça de ler em inglês. A motivação me guia para além de onde imaginei.

11 de jun. de 2005

10 de jun. de 2005

Leia Livro

Rapidinho, enquanto nenhum namorado afoito me pergunta o preço do buquê de rosas vermelhas. Gosto quando leitores do DiCla, me trazem links relevantes. Me parece que ganhei meu dia, triste por saber que meu amor não poderá vir à Brasília. Continuaremos pelo skipe, ora pois!

Lula no está en venta - ELPAIS.es - Opinión

Estou agoniado, mas argumentos favoráveis não me faltam para tranqüilizar os meus.

9 de jun. de 2005

meio quilo de costelinha

As sirenes já não me dão mais prisão de ventre. Talvez eu deva voltar ao açougue.

Gustavo Flaubert (1821- 1880)

Tenho me comportado igualzinho a Madame. O final todos presentem.

8 de jun. de 2005

César Vallejo (1892-1937)

-Posso trocar?
-Não! Já comprei.
-Então me entrega hoje; e o outro, me entrega no sábado.
-Bebeu?
-Posso beber... se você quiser.
-?!
-... o leitinho...
-Não provoca...
-Pensa com carinho.
-Nos carinhos?
-Também.
-Nesse caso, prefiro agir sem pensar.

Trocando em miúdos (Chico Buarque)

Direi que o Naz é perspicaz, se sábado de manhã, antes de eu sair para floricultura, encontrar um Neruda ao lado do meu travesseiro. Não substitue a ausência do amado, mas alivia a consciência pesada.

Lula diz que não acobertará ninguém e que cortará própria carne

Pelo tom do jantar de ontem, já estamos em campanha eleitoral. Não consegui comer nada. Faltava-me argumentos. Restava-me ouvir a retórica dos preconceituosos (pq ninguém admite?) e tentar no meio de tantas falácias, mostrar-lhes o quanto estavam equivocados. Mais uma vez, eu estava isolado. E mantendo um pouco de dignidade, escutava com semblante sério todas as queixas sem nada responder. Mesmo quando a réplica me veio, preferi me silenciar. Até porque ninguém estava interessado na minha opinião. Em momento nenhum minha fé se abalou, mesmo estando diante de interlocutores privilegiados.

7 de jun. de 2005

Paulo Markun: Dirceu foi bem no Roda Viva

Acabo de me lembrar o que estava eu fazendo na noite de 17 de maio. Assistindo ao Roda Viva? Eram os meus planos, não o do meu caso. Estava assistindo um outro tipo de vídeo, desses caseiros que a gente filma/ participa quando estamos embriagados de saudade. Não foi difícil convencer o Naz a apagá-lo. Vai que um dia eu seja solicitado a trabalhar no Palácio do Planalto, já imaginou o escândalo? Uma autoridade de Estado de salto alto fazendo felação. O dólar imediantamente passaria a valer R$5,00. A Bolsa de valores quebraria, o Risco-Brasil. atingiria níveis intoleráveis. Pediriam minha cabeça. E o pior, eu teria que me sujeitar às fantasias do meu amante, em troca da discrição. Jamais.

6 de jun. de 2005

Bits & Bytes: 10 blogues que adoramos.

Dois dos quais visito freqüentemente. São as regras do jogo, manter-se informado sobre quem é quem. Lamentável que virtualmente seja tudo tão fugaz. Tenho percebido que alguns blogues ditos literários, estão apenas testando seus textos, adequando seu público, a espera/procura de uma editora ou de condições para auto-financiar seu primeiro livro. Estão certo. O errado aqui sou eu. Imagine, querido diário, se a Rede Globo anunciasse hoje à noite em horário nobre o encerramento das suas atividades televisivas. Seria alívio, depois. Na hora, caos. Assim me sinto, quando me deparo com um link rompido, com bogue desatualizado... Para o celular que vibra em cima da minha mesa, digam que morri. Bloqueou meu raciocínio, não sei mais o que eu ia dizer. Nada de importante... Não vou atender. Estou também cansado de jantar em motel.

Anjos de Prata

Oitos dias para elaborar uma narrativa curta (1 lauda). Na semana dos Dias dos Namorados? Não serei capaz. Sim! Também tenho esse defeito: sou derrotista. O que ouço/ vejo já não me serve. Teus olhos. Vamos tentar por derivação.

Harry Potter e o Príncipe Bastardo

Cada vez me convenço que literatura se faz com marketing. Deixa-me ir fazer o meu. A propósito, a Dra. não se interessa se há poeticidade no que escrevo ou não. Por isso não me propus a buscá-la no aeroporto. Posso até comer carne mixada, mas tem que saber se oferecer, me seduzir. Nem lambari, nem sabonete, tampouco Mercúrio, Hermes, talvez ungido pelo Deus mensageiro. predestinado, não! Tinha que entregar/ enviar um bouquet de géberas para Manaus. Sempre tenho algo para entregar. Estou me cansando disso, dessa digressão, daquela falta de assunto, do desejo que toma conta dos meus dedos-cérebro-imaginação e só passa depois do almoço. Talvez se eu deixasse de escrever para mim, mesmo; largasse o tom confessional do diário. Talvez... sonharia com advérbios. Mentira! A ficção possui sua próprias regras. Odeio obdecer/seguir regras das quais não pude participar na elaboração. Por isso, amo a língua. Faço dela o que eu quiser, pagando o risco do isolamento, mas de repende, eu nasci mesmo para ser só. O homem é um ser social. Meu amigo recifense, (esse não é invenção minha, não!) me dissera que os comentários no blog dele não passavam de dez. Eram sempre as mesmas pessoas, os mesmos amigos. Ri e respondi-lhe que os meus, não passavam de cinco. O que me agrada muito. Sim! Multidão me desorienta. E nada pior do que estar-se só esperando o vôo atrasado. Desculpa. Faulkner está aqui comigo, descansando no meu colo. Ele também fala sozinho. Mesmo assim, gosto de escutá-lo.

P.S.: Não estou lendo o autor acima citado. Digitei conforme foi se desenrolando.
García Lorca continua me tomando todo o tempo.