Acho que foi a Marfa Ignatievna. Desconfio também do Aliócha.
28 de nov. de 2005
26 de nov. de 2005
Estamos todos bem
A morte é tão feia, tão feia, que acaba se tornando simpática. Rezo para que ela seja boa comigo e com quem quero bem, mas quase sempre ela é perversa. Nos acorda de noite, tocando o interfone. É o jeito. Entra, senta-se. Quer um cafezinho? Uma água? Aceito um aperitivo. Então, ela nos distrai, nos faz rir (daí o humor negro), elogia nosso cabelo e, finalmente, nos mata. Sim. Mata-nos. Porque a estima por quem falecera revestia o ventrículo direito do meu coração. Falta de ar. Deixa de frescura e vá ligar para funerária, meu papel termina aqui. Nossos sentimentos. Me dá um abraço e vai se embora.
Se me fosse permitido, escolheria morrer por uma efermidade, não por acidente. Eu sofreria muito é verdade(tem morfina, pra quê?), incomodaria muito mais (quando se tem herança, não é incômodo nenhum), em compensação, ninguém levaria um susto (susto mata, sabiam?), ao contrário, seria um alívio. Foi melhor assim. Ele foi descansar (nós também). Ao observar a chuva a fustigar o pára-brisa, imaginei-me eu a enterrar meu pai. Foi difícil conter o choro, como está sendo agora. Daria um interessante capítulo de introdução. Depois. Da morte, só consigo rir.
25 de nov. de 2005
Em suspensão até segunda ordem
Não esperava ler "Harry Potter and the Half-Blood Prince" antes do carnaval. A fila andou rápido. Será que lá na Inglaterra, assim como no Brasil, a editora doa um volume para as bibliotecas? Creio que não. Do contrário, teria um carimbão na falsa folha de rosto. Então, o diretor da Cultura Inglesa (filial Brasília) aceitou o argumento das bibliotecárias que dessa vez, mais do nunca, transcorreriam longos angustiantes quinze dias para os pottermaníacos: Já chegou? Ainda, não. Ai, Meu Deus! Levar quinze dias para ler o Harry Potter! Só pode ser aluno do Intermediário. O nervosismo da garota recendeu no frio da biblioteca. Hermione Granger. Eu fui mais discreto: Oi, Kathy, tudo bom? Teria como eu dar uma olhadinha na lista de espera? Claro, meu anjo. Você não vai acreditar? Ela virou o monitor para que eu mesmo visse. Você é o próximo! Li meio incrédulo meu nome na tela do computador. Nunca tive tanta dúvida que aquele nome fosse o meu. Nem na lista dos aprovados do vestibular da UnB, fui tomado por tanto cepticismo. Tantos homônimos espalhados pelo país, deve ser outro... Se eu te contar, leitor, que ao sair do igloo-da-Kathy , abri a porta para a moça que ia devolver o livro, tu acreditas? Elegante morena de olhos azuis, magrela de tão alta, cachecol (ou echarpe?) vermelho enrolado no pescoço, perdida numa mini saia jeans. Fleur Delacour. Ela se dirigiu a uma cabine multimídia e passou toda a tarde aperfeiçoando sua pronúncia. Foi melhor assim, o desencontro me permitiu testemunhar um crime. Sou péssimo fisionomista, Doutor.
24 de nov. de 2005
A mão-de-gato dos blogs
Pessoas restritas só servem para me certificar que há muita gente mal intencionadas neste país, ou ingênuas.
Fontes não identificadas esquentam noticiário e iludem leitor
A Lebre e o Leão ontem à noite na fila do cinema.
Sempre depois do coito tomávamos vermífugo. Ela se achava a esclarecida. A tia-madrinha explicava minusiosamente detalhes da genitália feminina, da masculina, como se limpar, o ciclo mestrual, como se desvencilhar de canalhas que "só querem nos ver sofrer." (Ela tinha experiência.)
Eu, por minha vez, procurava os livros, os quais apenas folheava. Não entendia absolutamente nada. Agora percebo que era minha ansiedade não me permitia me concentrar, portanto compreender o que se lia. Não sofria de uma idiotice pressumida. De uma coisa, eu sabia: camisinha era um método contraceptivo eficaz, desde que associada com outros métodos e não podia se confiar na tabelinha.
Todo mês por volta do dia dezessete, eu a perguntava: Laurinha, desceu? Ainda não, mas não se preocupa. Minha tia me explicou que meu ciclo ainda é irregular. É normal atrassar. Eu que comesse minhas unhas até o sabugo. Você, perguntou o que seria aquela dor que eu sinto. Ah! me esqueci. Deve ser doença venéria...
Uma manchinha arroxeada na glande me levou à visitar o consultório de uma renomada infectologista aqui na capital, dez anos mais tarde. Vai ali para aquele canto. Pode baixar as calças. A cueca. Agora expõem para fora a glande. Minhas pernas tremiam. Eu precisava sentar. Com a mini laterna focando a região pélvica, diagnosticou a médica: é um mancha de nascença. Pode vestir a roupa e lavar as mãos naquela pia. Eu queria ter lhe fazer várias perguntas, mas estava com vergonha. Hoje, eu sei que dor era aquela que eu sentia. Mas por que, então, a Laurinha nunca engravidou?
P.S.: Na realidade, ela estava mais para uma tigreza. Unhas grandes, coloridas de tão estravagantes que me marcavam as costas. Eu gostava. Nem sempre. Tenho orgulho das minhas cicatrizes e exibir minhas costas ossudas. Isso aqui foi uma louca. Explico, fingindo indiferença. Me restava, então, ser um lebracho. Admiro-me a misericórdia dela, em nunca ter me devorado a tenra carne que insistia em dizer sim, quando eu queria dizer não.
23 de nov. de 2005
Trechos dostoievianos: meus preferidos
Interrompemos a leitura quando atiraram o pão traiçoeiro ao famélico cão. Em Moscou deveria ser diferente.
22 de nov. de 2005
Oncídios do Jardim Botânico
Não há nada melhor do que estar desempregado. Até quando? Até dia vinte nove do corrente. Vou entrar na cápsula de vento. Me sentirei um pouco abatido, mas sairei mais forte. A verdade alimenta a disciplina. Hoje finalmente coloco as mãos no tratado para sempre. Quem sabe não publique uma fotos. (Exibido!)
21 de nov. de 2005
O que eu gostaria de ganhar de Natal?
19 de nov. de 2005
Bienvenue sur le site officiel de Charles Aznavour
18 de nov. de 2005
Festa do Beaujolais Nouveau termina em violência na França
Escondido debaixo da cama
17 de nov. de 2005
Dentro do Toyota
Ao lusco-fusco, da Praça dos Três Poderes, via-se que as luzes do gabinete ainda não haviam sido acessas. O arranjo de rosas coral não poderia ter servido de desculpa suficiente para uma intimação. Lá estávamos. O polícia me flagrara antes da última colherada. E as novidade, Dr. Márcio? Nenhuma, Dentinho, nenhuma. Fiquei em dúvidas se lhe confiara meu novo imbróglio. (Ele poderia me julgar um promíscuo.) Dentido, você se lembra daquela história do estripador do cerrado? O conselheiro?! Claro! Haverá uma performace no assoalho do lago depois de amanhã. Queria saber quantos meses o dentinho levaria para se ajoelhar diante o estante de vendas do cacos adocicados da fábrica de refino de telúrio. Corta o cabelo. Faz a barba. Depois a gente conversa sobre quantos cães serão necessários para curar nossas nuvens oscilatórias. Vocês se amaram? Só permiti que facas de plásticos me ensinassem a capturar borboletas azuis. Massa podre com Beaujolais. Ninguém nos observava, com exceção as esculturas nigerianas. Antílopes machos mordiscando-se. Aproximei-me da orelha esquerda do Dentido, sua boina ainda suja de sangue seco. Acho que até o final do ano me caso. Casar-se para sair de casa, assim como as moçoilas faziam? Não convém. Ele me ama. Para o conselheiro, você não passa de um pedaço de pé-de-moleque moído. Refiro-me aos óculos de São Francisco de Assis. Ele vai me vencer todas as noites de sol sem ninguém para me explicar como se cozinha beringela. Não obstantes as curvas soltas, examinei minuciosamente o nó, sinal que os óculos profanos do Santo agiria sobre minhas fantasias. Dentinho praguejou, chamou-me de fraco e me aconselhou a não comentar com o diplomata meus planos. Este poderia pensar que eu queria vida fácil ou que estava chamando-lhe para o rola. Dificilmente, acredito em laranjas, principalmente quando muito azedas. Em retribuição a minha educação, provei da ironia do conselheiro: Dr. Márcio.
Próximo capítulo , oxímoro domingo: o coronel a me esmagar a mão.






