9 de dez. de 2005

Leia Livro

Existe sim, crime perfeito. Que o diga Ivan Karamázov.

8 de dez. de 2005

Bem próximo de nós


Campo, originally uploaded by ludzorzi.

Uma confissão de amor: um pau de arara desativado, atrás do Complexo Penitenciário da Papuda ( a uns 20 Km da Praça dos Três Poderes). Não era nada do que eu imaginava. Fiquei desapontado, assumo.
-- Então, vamos?
-- Você me fez trazê-lo aqui para quê? Curte o pôr-do-sol.

No horizonte, chamava-me atenção a chuva bem delimitada. Sentia ânsia de vômito. As barras da minha calça infestada de sementes de bidens pilosa me incomodavam. Não vou mais a restaurante nenhum. Vamos embora, não estou me sentindo bem. Imagens de Auschwitz me vieram à mente. Não deveria ter assistido ao documentário.

6 de dez. de 2005

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Roberto Benigni: entrevista na ISTOÉ

ISTOÉ – A sátira política é dos seus gêneros prediletos. Qual é a sua opinião sobre a política?
Benigni – Como disse o jornalista Eugenio Scalfari, “a sátira é contra o poder, caso contrário não é sátira”. Porém, algumas personalidades atraem mais que outras. Por exemplo, Berlusconi (primeiro-ministro italiano). Mesmo se ele não tivesse tanto poder, seria satirizado porque ele atrai os cômicos. A sátira é a democracia que chicoteia a si mesma. Não sei fazer teorias sobre a sátira, talvez Dario Fo possa fazer melhor do que eu. O prazer de fazer rir é como o leite materno. Imagine que eu estou mamando aquele néctar... Eu não paro para pensar. Vou ficar olhando e pensando no sabor do peito? OK, eu sei que o seio não é o órgão mais apto para eu me explicar. (grifo nosso)

5 de dez. de 2005

Sorvete de pétalas rosa-menina, cobertura de espinhos


Snow and Flowers, originally uploaded by destinatio.

Disse-lhe que minha flor predileta era tulipa. Desapontado disfarçou o sorriso. Bobo. Desdenho todo o amor por mim.

2 de dez. de 2005

E saíram à caça


Caça de Combate, originally uploaded by joabe_brill.

Quando vi o Ten. Coronel atravessando a rua, em direção à loja, minimizei a caixa de entrada do outlook e sai imediatamente do campo de visão dele. Contive o sorriso. Pensei em beber água. Não dava mais tempo. Ele já havia entrado na loja. Esperar ele não podia. Estendera-me a mão, sem esperar minha defesa. A sauna, na cabine. A boate, na dark room. O estacionamento, no motel. Disfarçar que não o conhecia era fácil, difícil foi fingir que havia sido apenas sexo avulso de tão casual. Vamos fazer tudo de nova, mas dessa vez diferente? Anotei seu pedido sem compreender claramente o que ele dizia. A letra antes legível, rabisco. Mostrei-lhe as anotações para que ele conferisse a encomenda. Falhas seriam punidas com cadeia. Diante do meu nevorsismo, ele se confundiu. Jantar formal? Não sei. Acho que sim. Com certeza. Perguntado sobre as cores e as flores: Confio no seu bom gosto. Comecei a explicar-lhe como seriam os arranjos: Está ótimo! Perfeito! Ele poderia ter-me dito: calma. Não tenho pressa. Mas preferiu reclamar da dor de cabeça: estou sem almoçar até agora. (Já se passava das quatro horas.) Ele ainda se lembra de julho. Gostaria que tivesse esquecido.

Embora o test-drive na esquina dos beijos amanteigados, lamentasse todas as fossas enterradas em pedras de gelo, resistimos às água de coco-verde deflorada nas costas. Que costume bizarro misturar sexo com comida! Terça-feira da semana passada. Hoje, choverá diferente. Me sufoca, me bate, me espanca. Sou sua flor em botão. Ele acreditou. E ele acreditou. Insensato. Irresponsável. Por mais que nos esforcemos, o travesseiro ronrona à noite. Não dói, porque o cansaço não deixa. O sorriso banguela causava tristeza à vizinha da casa da fachada verde. Detalhe importante para um dente de siso. Ela estende as fronhas quando nos preparamos para partir. Agora é tarde, princesa, depois te conto. Suspiros de leve atenuaria nossos olhares d-e-s-c-o-n-f-i-a-d-í-s-s-i-m-o-s. Não consigo. Não dá liga. Ele chegou à quinze minutos. Me acena lá de fora. Já pedi que não viesse me buscar no serviço. Disfarço. Passo a mão no cabelo, finjo que estou ao telefone. Estou vulnerável. Do estacionamento, pode-se me ver movimentando dentro da loja. Se fosse o sniper... Ele está sendo inconveniente. Ascendeu um cigarro. Está decidido a me esperar. Test-drive no barracão da obra. Já me arrependi de tê-lo beijado. Cofiou a barba grisalha. Fuma tranqüilhamente como se estivesse acabado de gozar em cima de mim (sonha!) e eu aflito, arrependido, com vontade de me dar um tiro. Ele nem é tão bonito assim, nem tão gostoso assim. Eu era apenas a vontade de enlouquecê-lo de desejo. Brincar de beijar na boca. Tê-lo de joelhos, a me mordiscar os artelhos. Só de cueca na cama, a procurar estrelas no céu da boca com a ponta dos dedos molhados na vodka. E eu a negar-lhe a saciedade. Quero te ver de cueca branca, da próxima vez. Ele balbuciou latidos roucos. Se você quiser posso chamar uma amiga. Enfermeira do HFA. Há! Há! Há! A fantasia de todos nós. A classe que nos perdoe. Disse-lhe que bastava, nós dois. Queria um relacionamente fechado. Esse foi o meu erro. Ele vai investir numa instituição falida. Vai perder dinheiro.

Duração do efeito da cocaína

Euforia
Alforria
Eu iria
Se não fosse mais baixo.

1 de dez. de 2005

Chuva de Ouro


Mais um céu =P, originally uploaded by Érica_Roll.

Vou aguardar os apagadores me ensinarem a interpretar a sinfonia das poças de lama. O irascível problemático agente da ordem me cumprimentou. Estou feliz. Três a zero. Não soube eu prolongar o prazer. Sou estúpido, quando lírico. Paulistano doente por uma perfumada carreira de salmão, ele me convidara novamente para plotar a Avenida Paulista. Garoto arisco. Minha fama chegou a Beijing. Coração despetalado. Agressões verbais. Não escolho signos lingüisticos para externalizar a cólera que se alimenta do meu fígado. Nunca imaginei que seria capaz de dizer-lhe não. Quiçá... Não. Por atrás dessas nuvens, poderíamos acompanhar o suicídio do Sol. Ele se sensibilizou. Meu cinismo me assusta, mas é assim mesmo. É só tomar cuidado para não queimar as mãos. Vamos tomar uns gorós? Naquele boteco, onde há mais homens lindos que cerveja gelada? Fitei-lhe os olhos e murmurei uma desculpa qualquer. O agente se inquietou, estendeu-me a mão e falou num idioma que me surpreendeu: por favor. Óculos escuros resolverão o problema. Está fazendo um ano, amor. Estávamos distribuindo preservativos no setor hoteleiro e você fletando com as recepcionistas, só para me ver espumando. Por mim, ele morreria sem me conhecer novamente, estava eu mudado. Senti falta da sua boca me mordiscando a orelha, me repuxando o lábio inferior. Agora, pretendia me esconder atrás da comitiva de ursos brancos vestidos de ternos escuros. Promovo um bacanal, se você quiser, me dissera. Promessas perderão a validade quando chegarmos à Praça dos Três Poderes. Abelha perdida. Lábios ainda inchados. Além do mais, fantasia nos pêlos do joelho significam sonhos decifrados. Tão difícil de entender, não? Respirei fundo e me soltei do abraço que me acalmava. Queria um namorado, não um amante. Beijei-lhe com carinho, procurando o amor que ele trazia preso na garganta. Poderia fazer essa experiência, ir embora para São Paulo, até a aflição ceder, o desejo por mim esmaecer, mas ele não estava sendo convincente. Feliz Natal! -- lhe disse ao me despedir. Ele baixou a cabeça. E até agora não me respondeu os e-mails.

30 de nov. de 2005


Kennedy, originally uploaded by theblue.

Mamãezinha, a senhora sabe o quanto te odeio, mas não quero que saia por aí me chamando de ingrato. Obrigado por aquilo. Como? Não entendi. Obrigado, por ter me dito (o trocadilho chulo é proposital). A senhora poderia ter optado por interromper sua gravidez, não me oponho ao seu direito conquistado, contudo, pergunto-lhe sem esperança que me respondas, porque seguiu com a gestação, se no final ia me deixar sozinho. Foi para você ir se acostumando.

29 de nov. de 2005

Por enquanto, não consigo mastigar, mas consigo escrever. Ler me distrai do pós-operatório. Medo. "Os Irmãos Karamazovi" ficou esquecido sobre a cama, emaranhado no edredon cor-de-rosa. Alessandra, Alesandra, Alessandra. Tenta relaxar, Marcinho, não cai uma agulha, sem que Deus saiba. Podia detalhar o sexo, ansiolítico natural, mas prefiro falar dos cirurgiões, da assistente. O desconto funciona mesmo? Funciona, sim. Consegui pensar rápido antes da anestesia. Cinco por cento. Já é alguma coisa. Imagine se fosse um aumento de cinco por cento na taxa selic? Eles riram. Me senti do povo. Deixei a sala de cirurgia sem esclarecer minhas dúvidas. Não era capaz nem de responder as perguntas. Até ali, tranqüilo. Vamos embora. Tchau, Senhor Doutor, Senhora Doutora e Senhora Assistente. Obrigado. Fiquem com Deus. Ainda não chove. É uma bênção. Tenho me agarrado a Ele, prometido fazer a lição sem queixas ou reclamações. Tem que fazer, não tem? Então faça. Não posso mais protelar. Pude ouvir o osso sendo raspado. A Assistente me fazendo cócegas com suas histórias de identidade dobrada dentro do bolso da calça. Senhora, cuidado! Eu sou escritor, tenho um blog. Suas falas podem virar literatura nas minhas mãos. (Ih! começou a pretensão.) Todos rindo e eu sentindo um alívio. Se estão rindo, é porque não está havendo complicações. E se eles forem sádicos? Papai do céu, nos havíamos conversado que nunca mais nos envolveríamos com esses tipos, por mais ricos, belos e charmosos que fossem. E pensar que por causa de um perverso, estava sendo aberto e costurado. Espero a Alessandra me ligar. Esqueci meu livro em cima da cama. Eu sei, eu sei. À noite, eu te levo. E quem me faria companhia, enquando chove? Beatriz. Sob efeito do Paraíso que faltava. Sim. O Paraíso de Dante. Anestésico natural. Tanto que acabei de escapar de um assalto. A cidade torna-se fisicamente violenta, mas do que a Ética permite.

28 de nov. de 2005

Fedor Dostoievski

Estou apaixonado. Finalmente. No começo me aborrecia, agora não consigo largá-lo. Presinto a dor do vazio que me desorientará ao ler a última frase, assim como em "Cem Anos de Solidão". Para mim essa seria uma das diferenças entre um clássico universal e um best-seller. Este, ao terminarmos a leitura, corremos atrás de outro, tal o adicto a procura do entorpecente. Aquele, nos mata para qualquer outro pensamento que não seja por quê?

Book3, originally uploaded by Erunion.

Acho que foi a Marfa Ignatievna. Desconfio também do Aliócha.

26 de nov. de 2005

Estamos todos bem

A morte é tão feia, tão feia, que acaba se tornando simpática. Rezo para que ela seja boa comigo e com quem quero bem, mas quase sempre ela é perversa. Nos acorda de noite, tocando o interfone. É o jeito. Entra, senta-se. Quer um cafezinho? Uma água? Aceito um aperitivo. Então, ela nos distrai, nos faz rir (daí o humor negro), elogia nosso cabelo e, finalmente, nos mata. Sim. Mata-nos. Porque a estima por quem falecera revestia o ventrículo direito do meu coração. Falta de ar. Deixa de frescura e vá ligar para funerária, meu papel termina aqui. Nossos sentimentos. Me dá um abraço e vai se embora.

Se me fosse permitido, escolheria morrer por uma efermidade, não por acidente. Eu sofreria muito é verdade(tem morfina, pra quê?), incomodaria muito mais (quando se tem herança, não é incômodo nenhum), em compensação, ninguém levaria um susto (susto mata, sabiam?), ao contrário, seria um alívio. Foi melhor assim. Ele foi descansar (nós também). Ao observar a chuva a fustigar o pára-brisa, imaginei-me eu a enterrar meu pai. Foi difícil conter o choro, como está sendo agora. Daria um interessante capítulo de introdução. Depois. Da morte, só consigo rir.

25 de nov. de 2005

Em suspensão até segunda ordem


180 words/hour, originally uploaded by Emaratioryx.

Não esperava ler "Harry Potter and the Half-Blood Prince" antes do carnaval. A fila andou rápido. Será que lá na Inglaterra, assim como no Brasil, a editora doa um volume para as bibliotecas? Creio que não. Do contrário, teria um carimbão na falsa folha de rosto. Então, o diretor da Cultura Inglesa (filial Brasília) aceitou o argumento das bibliotecárias que dessa vez, mais do nunca, transcorreriam longos angustiantes quinze dias para os pottermaníacos: Já chegou? Ainda, não. Ai, Meu Deus! Levar quinze dias para ler o Harry Potter! Só pode ser aluno do Intermediário. O nervosismo da garota recendeu no frio da biblioteca. Hermione Granger. Eu fui mais discreto: Oi, Kathy, tudo bom? Teria como eu dar uma olhadinha na lista de espera? Claro, meu anjo. Você não vai acreditar? Ela virou o monitor para que eu mesmo visse. Você é o próximo! Li meio incrédulo meu nome na tela do computador. Nunca tive tanta dúvida que aquele nome fosse o meu. Nem na lista dos aprovados do vestibular da UnB, fui tomado por tanto cepticismo. Tantos homônimos espalhados pelo país, deve ser outro... Se eu te contar, leitor, que ao sair do igloo-da-Kathy , abri a porta para a moça que ia devolver o livro, tu acreditas? Elegante morena de olhos azuis, magrela de tão alta, cachecol (ou echarpe?) vermelho enrolado no pescoço, perdida numa mini saia jeans. Fleur Delacour. Ela se dirigiu a uma cabine multimídia e passou toda a tarde aperfeiçoando sua pronúncia. Foi melhor assim, o desencontro me permitiu testemunhar um crime. Sou péssimo fisionomista, Doutor.

24 de nov. de 2005

A mão-de-gato dos blogs

Português oral castiço me irrita, prinpalmente quando o falante não se importa com a textura das cores. Imaginem a importância das cores para um pintor. Pois é! Eu sou assim: cor e luz, ritmo e melodia.
Pessoas restritas só servem para me certificar que há muita gente mal intencionadas neste país, ou ingênuas.

Fontes não identificadas esquentam noticiário e iludem leitor

"(...) Esse recurso da denominação vaga de fontes com informações cruciais não é novo na imprensa brasileira. (...) No período da ditadura, era comum encontrar "segundo fontes militares" nas reportagens para maquiar falhas na apuração, plantações de meias-verdades ou meias-mentiras e até mesmo opiniões pessoais dos jornalistas. (...) Está se tornando monótono e motivo para não acreditar integralmente no que se lê."

A Lebre e o Leão ontem à noite na fila do cinema.


Ride the tiger, originally uploaded by RandomMoth.

Sempre depois do coito tomávamos vermífugo. Ela se achava a esclarecida. A tia-madrinha explicava minusiosamente detalhes da genitália feminina, da masculina, como se limpar, o ciclo mestrual, como se desvencilhar de canalhas que "só querem nos ver sofrer." (Ela tinha experiência.)

Eu, por minha vez, procurava os livros, os quais apenas folheava. Não entendia absolutamente nada. Agora percebo que era minha ansiedade não me permitia me concentrar, portanto compreender o que se lia. Não sofria de uma idiotice pressumida. De uma coisa, eu sabia: camisinha era um método contraceptivo eficaz, desde que associada com outros métodos e não podia se confiar na tabelinha.

Todo mês por volta do dia dezessete, eu a perguntava: Laurinha, desceu? Ainda não, mas não se preocupa. Minha tia me explicou que meu ciclo ainda é irregular. É normal atrassar. Eu que comesse minhas unhas até o sabugo. Você, perguntou o que seria aquela dor que eu sinto. Ah! me esqueci. Deve ser doença venéria...

Uma manchinha arroxeada na glande me levou à visitar o consultório de uma renomada infectologista aqui na capital, dez anos mais tarde. Vai ali para aquele canto. Pode baixar as calças. A cueca. Agora expõem para fora a glande. Minhas pernas tremiam. Eu precisava sentar. Com a mini laterna focando a região pélvica, diagnosticou a médica: é um mancha de nascença. Pode vestir a roupa e lavar as mãos naquela pia. Eu queria ter lhe fazer várias perguntas, mas estava com vergonha. Hoje, eu sei que dor era aquela que eu sentia. Mas por que, então, a Laurinha nunca engravidou?

P.S.: Na realidade, ela estava mais para uma tigreza. Unhas grandes, coloridas de tão estravagantes que me marcavam as costas. Eu gostava. Nem sempre. Tenho orgulho das minhas cicatrizes e exibir minhas costas ossudas. Isso aqui foi uma louca. Explico, fingindo indiferença. Me restava, então, ser um lebracho. Admiro-me a misericórdia dela, em nunca ter me devorado a tenra carne que insistia em dizer sim, quando eu queria dizer não.

23 de nov. de 2005

Vou ter que fazer uma intervenção, não posso protelar mais; dissera-me o cirurgião. Poderíamos marcar domingo pela manhã. Era uma gentileza que ele estava fazendo a um amigo. Domingo não posso, tenho compromisso. O dia todo? Todo o dia, vou ser fiscal num concurso. Não pode faltar? Até poderia, mas eu precisava do dinheiro. Se fosse urgente mesmo, ele me operaria imediatamente. Sábado à noite? Que favor era esse que aquele estranho devia ao nosso amigo em comum. Ele consultou mais uma vez agenda, contraiu os lábios. Vamos fazer o seguinte: vou atender essa senhora... não. Vai para casa. Vou te atender terça-feira.

Trechos dostoievianos: meus preferidos


DSC00894, originally uploaded by Erbi.

Interrompemos a leitura quando atiraram o pão traiçoeiro ao famélico cão. Em Moscou deveria ser diferente.