9 de jan. de 2006
7 de jan. de 2006
Membro da Minustah confirma suicídio de general
Ilse Losa (1913-2006)
SESC-2006. Nós encontraremos lá.
6 de jan. de 2006
Ná Ozzetti - site oficial
O rascunho que não fui capaz de escrever, ontem à noite, por causa de uma preguiça ensurdecedora
(Os astrofíscos devem fazer idéia de quem vem lá.)
5 de jan. de 2006
Laurence Sterne (1713 - 1768)
Não tem.
Não tem.
Não tem?!
Tem. Oba!
Pena que estejam de recesso branco.
Fundação Biblioteca Nacional
4 de jan. de 2006
Abacaxi corta o apetite
Márcio, vai almoçar! Agora, não. Estou escrevendo. E foi assim o dia todo. Vá almoçar. Estou sem fome. E o almoço? Depois. Mousse de maracujá? Deixe-a aí. Tem anis. Ahn-hã. Como se escreve hecatombe? Hmmm... o significado da palavra vai distorcer a idéia do texto. Mordera o nó do dedo da mão esquerda. Vasculhava a memória a procura de outro substantivo. Perfume achocolatado. Veio imediatamente a imagem da fumaça lhe penetrando a pele. As cinzas brancas calmamente depositadas no cinzeiro. O olhar desaprovando a partida compulsória. Telefona, assim que chegar? Lógico! E o beijo? Adeus. Escrever não mais afugenta o arrependimento da saudade que me estrala no peito. Se o Bruno soubesse que não mais será servido almoço aqui na loja, faria galhofa do meu apetite. Estou mandando a barca te buscar, 11h30, pode ser? Seria sua fala. Não te falei que você estaria melhor ao meu lado? Fantasiar a existência de um amante lhe ajudava a superar a humilhação. O Marcinho não almoçou hoje. Pode parar! Você fala que não é para se preocupar com ele. Não te entendo! A vida me empurra para prostituição dissimulada. Ninguém mais me agüenta ouvir lamentar a sorte. A aliança, trouxe guardada no bolso da paletó.
Ouvindo Edu Lobo cantar "Berimbau":
Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza, camará
22 de dez. de 2005
A ausência em todos nós
Uma imagem nunca será capaz de transmitir o alívio que ela estava sentindo. E podem chamar Milcho Manchevski.
Largou os cartões de natal em cima da mesa. Esqueceu o estabilizador ligado. Saiu descabelada pela casa, tropeçando nos brinquedos do caçula espalhados pela cozinha, com a gaiola do canário na mão. (Presente do homem lhe fazia gozar todos os dias por telefone.) Foi ao vizinho que lhe devia favores, pedir que cuidasse do seu filhinho, até seu retorno. "Eu sabia que aquele velho branco, gordo, peludo e barbudo algum dia me seria útil."
Ela estava em êxtase, sob efeito da espera dos últimos onze meses. (Ele soube induzi-la). Um comprimido, um gole d'água; mais um, outro gole; o último e pegou uma banana na fruteira. Comer uma fruta, lhe traria a certeza de que os comprimidos chegariam ao estômago. Foi ao banheiro da empregada e jogou suas cartelas de esperança no vaso. "Adeus, balinhas. Feliz Natal para vocês também. Deu descarga. "Nunca mais nos veremos." Olhou-se espelho, ajeitou a franja. "Já pensou em ser morena?" Passou pela cozinha, sem se comover com as louças ensaboadas, que ainda lhe aguardavam. Arrumou tudo de qualquer maneira e se despediu do escorredor de pratos, mandando beijo. Feliz Natal, meu amor! Para você também, phalaenopsis, Feliz Natal! (Regou a orquídea por desencargo de consciência). Boas Festas, Geladeira! Felicidades, Seu Fogão! Olhe lá hein, Dona Pia, não exagere na gordura; se despeça do tanque por mim. Foi fazer as malas.
No Rádio Táxi, demoravam a atender. "Alô? Bom dia! Por favor, eu gostaria de falar com o Ramirez." Olhou para o guarda-roupa. Franziu as sobrancelhas. Levaria apenas o chinelinho preto. (Outro presente do amante que ela só conhecia por fotos, voz e webcam). Pegou estojo de maquiagem (motivo de tantas brigas) e o colocou debaixo do travesseiro da cama da irmã. "Não vou mais precisar disso." Desistiu de levar mala. "Nem valise." O charme seria desembarcar sem nenhuma bagagem, além da edição de luxo, em original, D' El Ingenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha. (Presente de quem? A não ser do homem que conhecia seus sonhos, seus segredos, suas pretensões.) "Ele me apoia." É por você que estou lutando contra esses moinhos-de-ventos. -- dizia a dedicatória escrita atrás da fotografia. Cheirou a contra-capa como se fosse o pescoço dele. Respirou fundo. Acreditava que não bastava ser bonita, gostosa, sedutora e elegante. Tinha que ser culta, mesmo que não fosse inteligente. Abraçou-se com o livro.
Banho tomado. Cabelos presos. Saiu apressada em direção ao local combinado com o amigo taxista. Se trancara a casa, não se lembraria. Pensava apenas em embarcar, na confirmação do check-in. Enquanto aguardava, em pé, em frente a agência bancária, tirou da bolsa o caderninho de capa de couro de búfalo e escreveu: "22 de dezembro de 2005." Lembrou-se imediatamente da avó; do velório, dos crisântemos brancos, da vontade de se jogar na poça de lama, da rama de philodendron, que quase foi esquecida. "Dona Virgínia, não se orgulharia de mim." Escreveu alguns versos com letra miúda, trêmula, ágil Fechou o caderno, sem ainda guardá-lo na bolsa. "Vou fazê-lo vir me buscar." Tarde demais. O táxi freara a poucos centímetros dela: "Oi, Gostosa!" Ela teve certeza que deveria abandonar aquela vida. Entrou no táxi, pediu que a levasse ao aeroporto. Contou-lhe a novidade.
Ofegava, se confundia, trocava data e lugares. Ele apenas balançava a cabeça: "Você, é doida, gata!" Mostrou-lhe as passagens para provar-lhe o que estava dizendo. Ele estacionou no acostamento. Pisca-alerta ligado. "Vai ter coragem de deixar a gente?" Ela prometera escrever todos os dias, sem censura ou vergonha. Enviaria-lhe fotografias nas quais ela estaria mergulhando num mar de recifes azuis. Ele pigarreou. "Se você nunca deixou-se fotografar, porque faria agora?" Ela estava quase arrependida de tê-lo chamado, quando ele contornou o balão do aeroporto. Ao estacionarem no desembarque, ele ainda lhe perguntou: "Vai mesmo?" Ela não lhe respondeu, preferiu beijar-lhe. Um longo, melado, profundo, beijo de língua, enquanto acariciava-lhe o zíper da calça de brin bege. "Quando você volta?" Ela já estava longe. "Antes do dia quinze", gritou, "Feliz Natal!" Por ela, poderia ser nunca mais. Rebolando mais do que de costume, encaminhou-se a balcão de atendimento. A moça pediu que se apressasse. Todos já haviam embarcado. Nem ouviu a atendente desejar-lhe boas festas.
21 de dez. de 2005
20 de dez. de 2005
Serenidade, Distanciamento e Boas Festas!
Felizes sãos as lesminhas a comer os brotos das phalaenopsis. Marcinho, você viu o lesmicida? Não. Deve está debaixo do tanque. Elas não tem que se preocupar com compras, pisca-piscas, presentes, cartões de Natal, Ceia, convidados, recepção, contas a pagar, insolvência. Na noite do dia 24, após a Missa do Galo, na Santo Antônio, vou me misturar aos convivas, ao voltar para casa; provarei da salada de alface americana, broto de alfafa, capuchinha e tomate-cereja (tudo sem vinagre, sal ou azeite para não tirar da boca o gosto distante da hóstia consagrada); mortificar a carne, ouvindo histórias de excessos, olhares de intimidação. (A polícia sabe torturar mesmo quando em traje de gala.) Talvez seja uma noite agradável na qual se fará amor no quarto do filho do meio dos anfitriões.
Ele estava ansioso, compreensível. Eu continuava a sustentar a mentira. Mais da metade dos muitos presentes debaixo da árvore destinava-se a ele. Num ato de generosidade, abriu o guarda-roupa e me disse: Pode escolher o que você quiser, -- para alguns segundos depois, concluir: se você não for cuspir. Contive minha vontade de empurrá-lo contra o guarda-roupa, não por ele ser mais forte do que eu, mas por ter testemunhado o quanto ele poderia ser covarde.
Com o peito arfando, colei-me ao seu corpo (tentativa desesperada de mostrar-lhe que era amor), ignorando o receio de mais uma vez ser afastado. Nenhuma palavra, nenhum gesto. Apenas o fluxo da corrente sangüínea a denunciar seu desejo. Minha boca embebida do ar da sua respiração, aguardava seu consentimento. Minha imagem invertida na sua pupila, me dizia: não se atreva. Faça o que lhe pedi. Não inventa moda. Se ao menos ele desviasse o olhar, poderíamos voltar ao jogo, terminar a partida, destrancar a porta. Mas preferia fitar-me tal qual um cão de rua em posição de briga. Ele queria que eu avançasse, para ter o prazer de se afastar. Eu queria não ter acompanhado meu pai, na véspera de Natal. Situação semelhante em que me encontro agora. Talvez seja essa a causa da minha má vontade em relação a tudo e a todos. Não posso fazer disso um drama.
Atualizado (18:40): Enquanto me dirigia à biblioteca, agora à tarde, estalou-me uma idéia: onde eu tenho buscado segurança e refúgio? Ora, na Literatura consagrada. Portanto, guri, não fuja de teste.
Oficina Poética no Portal Literal ou O Dom de Fluir
19 de dez. de 2005
From: Márcio
Date: 19/12/2005 13:17
Subject: Nothing compares to you. Lembra-se? (versão revista)
To: Beatriz Vilazanti
Sugar,
Oi! Sou eu. Escrever-lhe, hoje, tornou-se minha prioridade. Custei a tomar coragem. Os meses nos atropelam e depois ficamos com vergonha dos amigos por se manter tanto tempo afastado daqueles cujas lembranças sempre nos alegra.
Dias desses... minto, em julho, estava lendo "Cem Anos de Solidão" quando me lembrei de você me falando do trecho das formigas carregando um Buendía. Caramba! Onde elas estão? Lia, lia, lia e nada das tais formigas aparecerem. Será que era um detalhe irrevelevante?
Vi borboletas, bananeiras, toceiras de begônias, participei de expedições, de guerras, chorei, ri, praguejei, a ponto de me esquecer delas, jamais de você. Preciso escrever para Vila, preciso escrever para Vila. Para contar-lhe que me mudara para Macondo (como se me fosse possível).
Surpreendentemente, elas surgiram, minúsculas, avermelhadas, uma porção delas, saindo por várias frestas, subindo por todos os cantos, frustando os amantes, carregando o nenen. Demorei acreditar. O Gabo construíra um castelo de cartas (como baralho me fascina) e puxara aquela que servira de alicerce para as outras.
Desmoronei junto. E nada me aliviava do choque de realidade que a ficção me causara.
Refeito, voltei ao cotidiano. Peitar a Dona Relidade, pode ser divertido, descobri. Mas sem ficção estava desconfortável. Busquei, então, acalento com quem poderia me ajudar: primeiro Dostoievski, depois Clarice, em seguida, Lobo Antunes, Joyce, Oscar Wilde, Homero, Fernando Pessoa, Dante Aliglieri, Samuel Rawet, (quem mais me serviu de escora este ano?) Tolstói, Sófocles, Lorca, alguns teóricos enfadonhos e outros romancistas desgastados pela publicidade que dispensam citação.
Nem sei como consegui, entre faxes, e-mails, telefones e clientes, (Sim. Continuo aqui na loja.) acompanhar histórias tão distintas. Às vezes, me sentia tal qual uma abelha perdida no Jardim do Éden, noutras, um solista desafinando no ensaio aberto do coro sinfônico, ou ainda, um submarino emergindo no espaço marítimo de outras nações sem permissão. Entretanto, percebi que tal busca me ajudava a ser persuasivo com clientes, quaisquer que fossem. Corre até o boato que me tornei empresário do ramo de flores. Mentira. Nego e renego peremptoriamente. (Nós, brasilienses, principalmente os candangos, adoramos promover intrigas.)Posso ter fechado vultosos contratos. Recebido muitas cantatas. Recusado presentes e favores. Nem assim. Flores são negócios da família, nunca foi o meu. Você bem sabe.
É óbvio que o hábito de fazer a loja de sala de leitura tem me gerado conflitos, causado aborrecimentos. Contudo, minha vontade tem prevalecido, visto ver sincera. Não se preocupe. Estou bem. Comércio pode ser um bom lugar para colecionar tipos: ora bizarros, alguns hilários, outros taciturnos, ou ainda, dissimulados (meus preferidos).
É para um tipo assim, que prepararei o arranjo que estou lhe enviando. Gostaria que fosse como antes, flores para alegrar ainda mais sua noite de natal. Paciência. Vou imaginar que seja, escrevendo um conto inspirado na sua emoção ao receber flores de um amigo que há muito tempo não recebia notícias. Conseguir, não sei se vou. Caso consiga, receberá em breve, carta minha.
Está escutando ? ... Jingles all the way... Preciso ir. Não posso mais.
Beijos de boas festas!
Marcinho
P.S.: Enquanto lhe escrevia este, enviei-lhe, acidentalmente, uma cópia incompleta, sem revisão, em parágrafo único. Desconsidere, por favor. Isso que nos acontece quando teimamos em escrever no local de trabalho. Beijos!
16 de dez. de 2005
Tâmaras, damascos, nozes e avelã
9 de dez. de 2005
8 de dez. de 2005
Bem próximo de nós
Uma confissão de amor: um pau de arara desativado, atrás do Complexo Penitenciário da Papuda ( a uns 20 Km da Praça dos Três Poderes). Não era nada do que eu imaginava. Fiquei desapontado, assumo.
-- Então, vamos?
-- Você me fez trazê-lo aqui para quê? Curte o pôr-do-sol.
No horizonte, chamava-me atenção a chuva bem delimitada. Sentia ânsia de vômito. As barras da minha calça infestada de sementes de bidens pilosa me incomodavam. Não vou mais a restaurante nenhum. Vamos embora, não estou me sentindo bem. Imagens de Auschwitz me vieram à mente. Não deveria ter assistido ao documentário.
6 de dez. de 2005
Roberto Benigni: entrevista na ISTOÉ
Benigni – Como disse o jornalista Eugenio Scalfari, “a sátira é contra o poder, caso contrário não é sátira”. Porém, algumas personalidades atraem mais que outras. Por exemplo, Berlusconi (primeiro-ministro italiano). Mesmo se ele não tivesse tanto poder, seria satirizado porque ele atrai os cômicos. A sátira é a democracia que chicoteia a si mesma. Não sei fazer teorias sobre a sátira, talvez Dario Fo possa fazer melhor do que eu. O prazer de fazer rir é como o leite materno. Imagine que eu estou mamando aquele néctar... Eu não paro para pensar. Vou ficar olhando e pensando no sabor do peito? OK, eu sei que o seio não é o órgão mais apto para eu me explicar. (grifo nosso)
5 de dez. de 2005
Sorvete de pétalas rosa-menina, cobertura de espinhos
Disse-lhe que minha flor predileta era tulipa. Desapontado disfarçou o sorriso. Bobo. Desdenho todo o amor por mim.
2 de dez. de 2005
E saíram à caça
Quando vi o Ten. Coronel atravessando a rua, em direção à loja, minimizei a caixa de entrada do outlook e sai imediatamente do campo de visão dele. Contive o sorriso. Pensei em beber água. Não dava mais tempo. Ele já havia entrado na loja. Esperar ele não podia. Estendera-me a mão, sem esperar minha defesa. A sauna, na cabine. A boate, na dark room. O estacionamento, no motel. Disfarçar que não o conhecia era fácil, difícil foi fingir que havia sido apenas sexo avulso de tão casual. Vamos fazer tudo de nova, mas dessa vez diferente? Anotei seu pedido sem compreender claramente o que ele dizia. A letra antes legível, rabisco. Mostrei-lhe as anotações para que ele conferisse a encomenda. Falhas seriam punidas com cadeia. Diante do meu nevorsismo, ele se confundiu. Jantar formal? Não sei. Acho que sim. Com certeza. Perguntado sobre as cores e as flores: Confio no seu bom gosto. Comecei a explicar-lhe como seriam os arranjos: Está ótimo! Perfeito! Ele poderia ter-me dito: calma. Não tenho pressa. Mas preferiu reclamar da dor de cabeça: estou sem almoçar até agora. (Já se passava das quatro horas.) Ele ainda se lembra de julho. Gostaria que tivesse esquecido.
1 de dez. de 2005
Chuva de Ouro
Vou aguardar os apagadores me ensinarem a interpretar a sinfonia das poças de lama. O irascível problemático agente da ordem me cumprimentou. Estou feliz. Três a zero. Não soube eu prolongar o prazer. Sou estúpido, quando lírico. Paulistano doente por uma perfumada carreira de salmão, ele me convidara novamente para plotar a Avenida Paulista. Garoto arisco. Minha fama chegou a Beijing. Coração despetalado. Agressões verbais. Não escolho signos lingüisticos para externalizar a cólera que se alimenta do meu fígado. Nunca imaginei que seria capaz de dizer-lhe não. Quiçá... Não. Por atrás dessas nuvens, poderíamos acompanhar o suicídio do Sol. Ele se sensibilizou. Meu cinismo me assusta, mas é assim mesmo. É só tomar cuidado para não queimar as mãos. Vamos tomar uns gorós? Naquele boteco, onde há mais homens lindos que cerveja gelada? Fitei-lhe os olhos e murmurei uma desculpa qualquer. O agente se inquietou, estendeu-me a mão e falou num idioma que me surpreendeu: por favor. Óculos escuros resolverão o problema. Está fazendo um ano, amor. Estávamos distribuindo preservativos no setor hoteleiro e você fletando com as recepcionistas, só para me ver espumando. Por mim, ele morreria sem me conhecer novamente, estava eu mudado. Senti falta da sua boca me mordiscando a orelha, me repuxando o lábio inferior. Agora, pretendia me esconder atrás da comitiva de ursos brancos vestidos de ternos escuros. Promovo um bacanal, se você quiser, me dissera. Promessas perderão a validade quando chegarmos à Praça dos Três Poderes. Abelha perdida. Lábios ainda inchados. Além do mais, fantasia nos pêlos do joelho significam sonhos decifrados. Tão difícil de entender, não? Respirei fundo e me soltei do abraço que me acalmava. Queria um namorado, não um amante. Beijei-lhe com carinho, procurando o amor que ele trazia preso na garganta. Poderia fazer essa experiência, ir embora para São Paulo, até a aflição ceder, o desejo por mim esmaecer, mas ele não estava sendo convincente. Feliz Natal! -- lhe disse ao me despedir. Ele baixou a cabeça. E até agora não me respondeu os e-mails.
30 de nov. de 2005
Mamãezinha, a senhora sabe o quanto te odeio, mas não quero que saia por aí me chamando de ingrato. Obrigado por aquilo. Como? Não entendi. Obrigado, por ter me dito (o trocadilho chulo é proposital). A senhora poderia ter optado por interromper sua gravidez, não me oponho ao seu direito conquistado, contudo, pergunto-lhe sem esperança que me respondas, porque seguiu com a gestação, se no final ia me deixar sozinho. Foi para você ir se acostumando.
29 de nov. de 2005
28 de nov. de 2005
Fedor Dostoievski
26 de nov. de 2005
Estamos todos bem
A morte é tão feia, tão feia, que acaba se tornando simpática. Rezo para que ela seja boa comigo e com quem quero bem, mas quase sempre ela é perversa. Nos acorda de noite, tocando o interfone. É o jeito. Entra, senta-se. Quer um cafezinho? Uma água? Aceito um aperitivo. Então, ela nos distrai, nos faz rir (daí o humor negro), elogia nosso cabelo e, finalmente, nos mata. Sim. Mata-nos. Porque a estima por quem falecera revestia o ventrículo direito do meu coração. Falta de ar. Deixa de frescura e vá ligar para funerária, meu papel termina aqui. Nossos sentimentos. Me dá um abraço e vai se embora.
Se me fosse permitido, escolheria morrer por uma efermidade, não por acidente. Eu sofreria muito é verdade(tem morfina, pra quê?), incomodaria muito mais (quando se tem herança, não é incômodo nenhum), em compensação, ninguém levaria um susto (susto mata, sabiam?), ao contrário, seria um alívio. Foi melhor assim. Ele foi descansar (nós também). Ao observar a chuva a fustigar o pára-brisa, imaginei-me eu a enterrar meu pai. Foi difícil conter o choro, como está sendo agora. Daria um interessante capítulo de introdução. Depois. Da morte, só consigo rir.
25 de nov. de 2005
Em suspensão até segunda ordem
Não esperava ler "Harry Potter and the Half-Blood Prince" antes do carnaval. A fila andou rápido. Será que lá na Inglaterra, assim como no Brasil, a editora doa um volume para as bibliotecas? Creio que não. Do contrário, teria um carimbão na falsa folha de rosto. Então, o diretor da Cultura Inglesa (filial Brasília) aceitou o argumento das bibliotecárias que dessa vez, mais do nunca, transcorreriam longos angustiantes quinze dias para os pottermaníacos: Já chegou? Ainda, não. Ai, Meu Deus! Levar quinze dias para ler o Harry Potter! Só pode ser aluno do Intermediário. O nervosismo da garota recendeu no frio da biblioteca. Hermione Granger. Eu fui mais discreto: Oi, Kathy, tudo bom? Teria como eu dar uma olhadinha na lista de espera? Claro, meu anjo. Você não vai acreditar? Ela virou o monitor para que eu mesmo visse. Você é o próximo! Li meio incrédulo meu nome na tela do computador. Nunca tive tanta dúvida que aquele nome fosse o meu. Nem na lista dos aprovados do vestibular da UnB, fui tomado por tanto cepticismo. Tantos homônimos espalhados pelo país, deve ser outro... Se eu te contar, leitor, que ao sair do igloo-da-Kathy , abri a porta para a moça que ia devolver o livro, tu acreditas? Elegante morena de olhos azuis, magrela de tão alta, cachecol (ou echarpe?) vermelho enrolado no pescoço, perdida numa mini saia jeans. Fleur Delacour. Ela se dirigiu a uma cabine multimídia e passou toda a tarde aperfeiçoando sua pronúncia. Foi melhor assim, o desencontro me permitiu testemunhar um crime. Sou péssimo fisionomista, Doutor.
24 de nov. de 2005
A mão-de-gato dos blogs
Pessoas restritas só servem para me certificar que há muita gente mal intencionadas neste país, ou ingênuas.
Fontes não identificadas esquentam noticiário e iludem leitor
A Lebre e o Leão ontem à noite na fila do cinema.
Sempre depois do coito tomávamos vermífugo. Ela se achava a esclarecida. A tia-madrinha explicava minusiosamente detalhes da genitália feminina, da masculina, como se limpar, o ciclo mestrual, como se desvencilhar de canalhas que "só querem nos ver sofrer." (Ela tinha experiência.)
Eu, por minha vez, procurava os livros, os quais apenas folheava. Não entendia absolutamente nada. Agora percebo que era minha ansiedade não me permitia me concentrar, portanto compreender o que se lia. Não sofria de uma idiotice pressumida. De uma coisa, eu sabia: camisinha era um método contraceptivo eficaz, desde que associada com outros métodos e não podia se confiar na tabelinha.
Todo mês por volta do dia dezessete, eu a perguntava: Laurinha, desceu? Ainda não, mas não se preocupa. Minha tia me explicou que meu ciclo ainda é irregular. É normal atrassar. Eu que comesse minhas unhas até o sabugo. Você, perguntou o que seria aquela dor que eu sinto. Ah! me esqueci. Deve ser doença venéria...
Uma manchinha arroxeada na glande me levou à visitar o consultório de uma renomada infectologista aqui na capital, dez anos mais tarde. Vai ali para aquele canto. Pode baixar as calças. A cueca. Agora expõem para fora a glande. Minhas pernas tremiam. Eu precisava sentar. Com a mini laterna focando a região pélvica, diagnosticou a médica: é um mancha de nascença. Pode vestir a roupa e lavar as mãos naquela pia. Eu queria ter lhe fazer várias perguntas, mas estava com vergonha. Hoje, eu sei que dor era aquela que eu sentia. Mas por que, então, a Laurinha nunca engravidou?
P.S.: Na realidade, ela estava mais para uma tigreza. Unhas grandes, coloridas de tão estravagantes que me marcavam as costas. Eu gostava. Nem sempre. Tenho orgulho das minhas cicatrizes e exibir minhas costas ossudas. Isso aqui foi uma louca. Explico, fingindo indiferença. Me restava, então, ser um lebracho. Admiro-me a misericórdia dela, em nunca ter me devorado a tenra carne que insistia em dizer sim, quando eu queria dizer não.
23 de nov. de 2005
Trechos dostoievianos: meus preferidos
Interrompemos a leitura quando atiraram o pão traiçoeiro ao famélico cão. Em Moscou deveria ser diferente.
22 de nov. de 2005
Oncídios do Jardim Botânico
Não há nada melhor do que estar desempregado. Até quando? Até dia vinte nove do corrente. Vou entrar na cápsula de vento. Me sentirei um pouco abatido, mas sairei mais forte. A verdade alimenta a disciplina. Hoje finalmente coloco as mãos no tratado para sempre. Quem sabe não publique uma fotos. (Exibido!)
21 de nov. de 2005
O que eu gostaria de ganhar de Natal?
19 de nov. de 2005
Bienvenue sur le site officiel de Charles Aznavour
18 de nov. de 2005
Festa do Beaujolais Nouveau termina em violência na França
Escondido debaixo da cama
17 de nov. de 2005
Dentro do Toyota
Ao lusco-fusco, da Praça dos Três Poderes, via-se que as luzes do gabinete ainda não haviam sido acessas. O arranjo de rosas coral não poderia ter servido de desculpa suficiente para uma intimação. Lá estávamos. O polícia me flagrara antes da última colherada. E as novidade, Dr. Márcio? Nenhuma, Dentinho, nenhuma. Fiquei em dúvidas se lhe confiara meu novo imbróglio. (Ele poderia me julgar um promíscuo.) Dentido, você se lembra daquela história do estripador do cerrado? O conselheiro?! Claro! Haverá uma performace no assoalho do lago depois de amanhã. Queria saber quantos meses o dentinho levaria para se ajoelhar diante o estante de vendas do cacos adocicados da fábrica de refino de telúrio. Corta o cabelo. Faz a barba. Depois a gente conversa sobre quantos cães serão necessários para curar nossas nuvens oscilatórias. Vocês se amaram? Só permiti que facas de plásticos me ensinassem a capturar borboletas azuis. Massa podre com Beaujolais. Ninguém nos observava, com exceção as esculturas nigerianas. Antílopes machos mordiscando-se. Aproximei-me da orelha esquerda do Dentido, sua boina ainda suja de sangue seco. Acho que até o final do ano me caso. Casar-se para sair de casa, assim como as moçoilas faziam? Não convém. Ele me ama. Para o conselheiro, você não passa de um pedaço de pé-de-moleque moído. Refiro-me aos óculos de São Francisco de Assis. Ele vai me vencer todas as noites de sol sem ninguém para me explicar como se cozinha beringela. Não obstantes as curvas soltas, examinei minuciosamente o nó, sinal que os óculos profanos do Santo agiria sobre minhas fantasias. Dentinho praguejou, chamou-me de fraco e me aconselhou a não comentar com o diplomata meus planos. Este poderia pensar que eu queria vida fácil ou que estava chamando-lhe para o rola. Dificilmente, acredito em laranjas, principalmente quando muito azedas. Em retribuição a minha educação, provei da ironia do conselheiro: Dr. Márcio.
Próximo capítulo , oxímoro domingo: o coronel a me esmagar a mão.
São Google, olhai por nós plagiadores.
Pixies: Discografia completa
16 de nov. de 2005
Nicolás Bratosevich
Ricardo Piglia
8 de nov. de 2005
Espane os móveis
"... tudo aquilo que me disseste sábado, por telefone, ainda desperta no meu estômago desejos fédidos. Eu te amo, Bobão. Não é por causa do cavanhaque, aliás, desenho perfeito, que vou me desfazer do molho de chaves suíças. A dor se transformou num leve incomodo, nada próximo do sorriso braquiproctofilista do papai Ursinaldo Diego Pórfiro. De novo, não, por favor. Não sou mais aquele efebo. Quero morrer puro como rastilhos de sal que se secam sobre minhas maçãs, as quais você nunca mais beijou, em público, na fila de cinema, para as outras bichas morrerem de inveja. Elas que morram daquela outra coisa lá. (Sim, gosto de lhe ostentar feito troféu.) Nós dois seremos sempre parceiros das confidências ouvidas atrás da porta. E nem que as folhas caíssem quando você soprasse no meu ouvido fantasias proibidas até para nós que temos a mente arregaçada de tão liberal, nem assim, eu poderia fazer aquela diferença milimétrica. Serve-me, mais chocolate, a imagem do jeans se rasgando me deixou carente. Seus beijos não suprem mais as comportas da minha Itiquira. Cachoeira, amor. Nem me lembro da diferença entre gotas tingindo minhas costas (nuas) e latinhas de cerveja nos esperando para brindar nosso único aniversário que deveria ser comemorado. (Estou simplicando para você.) Sinto falta das suas amigas. Apenas das falas, não das ações. Sou aquele ciumento que não se importa em iniciar um interrogatório, as duas horas da manhã. Tudo nosso, aconteceu de madrugada: as velas, o carro, a mãe, seu padastro, seu filho, por que agora seria diferente? Tenho receio da cena da embriaguez volte repaginada. Só para não usar uma palavra. Vou dar uma fumada e volto em seguida para dizer-lhe que estou aos poucos levando meus livros para aquilo que você teima em chamar de forte e eu teimo em chamar de esconderijo. Lar, um dia, talvez, só Deus sabe. Que me importa a chegada da chuva. Os pintores não virão mais."
31 de out. de 2005
MENU DO DIA
Di Cla,
Encontrei esse jogo da confissão que está circulando pela blogosfera no Sisifo's Curce, blog da nossa querida amiga Dayse. Tentei desvincular o alter ego, construído arduamente ao longo desses três anos, de quem ora lhe escreve. Espero que você não se incomode. Pretensão, às vezes cansa. Posto a explicação, vamos ao jogo:
Eu não sei:
1.Agradecer
2.Mentir
3.Guardar segredos
5.Pedir desculpas
6.Amar
7.Escutar
8.Dividir
9.Despedir-me
10.Compor sonetos
Eu sei:
1.Presentear
2.Atar nó borboleta
3.Preparar paella
4.Escolher vinhos
5.Receber convidados
6.Apresentar pessoas que não se conhecem
7.Dançar bolero
8.Divergir de opiniões
9.Reconhecer méritos
10.Nadar de costas
Tenho medo:
1.dos Ciumentos
2.dos Paranóicos
3.dos Carismáticos
4.dos Auto-confiantes
5.de Freiras
Não tenho medo de:
1.Assessores
2.Deputados
3.Senadores
4.Fazendeiros
5.Conselheiros
6.Embaixadores
7.Capitães
8.Comandantes
9.Almirantes
10.Brigadeiros
11.Generais
12.Delegados
13.Advogados
14.Promotores
15.Juízes
16.Desembargadores
17.Párocos
18.Empressários da noite
19.Filhinhos-de-papai
20.Leões-de-chácara
Detesto:
1.Marrentos
2.Gozadores
3.Atrevidos
4.Arrogantes
5.Extremistas
6.Alcóolatras
7.Vitimistas
8.Investigadores
9.Promíscuos
10. Rosas vermelhas
Sou fissurado por:
1.Cílios
2.Seios
3.Glúteos
4.Lábios finos, grossos; pequenos grandes e grandes pequenos
5.Prepúcios
Eu nunca:
1.Soltei pipa
2.Briguei na rua
3.Tomei banho de chuva
4.Respondi minha madrasta
5.Participei de ménages à trois, gang-bang ou sessões de SM
Eu já:
1.Sofri luxação no pulso
2.Apanhei com fio de ferro-de-passar-roupa
3.Fugi de casa
4.Reprovei de ano
5.Trafiquei
6.Roubei
7.Prostitui-me
8.Experimentei drogas
9.Recebi herança
10.Fui violentado
11.Cantei em coral
12.Dirigi elenco teatral
13.Interpretei papéis femininos
14.Jantei em Embaixada
15.Desci de rapel
16.Cavei valas
17.Pratiquei espeleologia
18.Xinguei professor em sala de aula perante testemunhas
19.Venci uma causa
20.Escrevi cartas de amor
21.Brinquei de roleta-russa
22.Observei uma autópsia
23.Presenciei tortura psicológica conduzida por oficiais do Regimento da Polícia Montada do Distrito Federal
24.Simulei estupro
25.Fui vítima de afogamento
26.Quebrei óculos-de-sol
27.Consultei cartomante
28.Montei e desmontei um fuzil Colt M-16
29.Devolvi aliança de compromisso
30.Compus sonetos
24 de out. de 2005
"Dogville e a poesia" - 12/9/2005 - Digestivo Cultural - Michel Laub - Ensaios
17 de out. de 2005
Sábado passado
Estimado Comte Mandágora,
Desculpa a demora em respondê-lo. As flores tem me exigido integralmente. Semanas de quinze dias. Quando não são elas, são as mães de noivas indecisas, decorações colossais marcadas em cima da hora, fornecedores que esquecem pedidos, funcionários mal-criados. Para ter idéia, trabalhei todo o feriado decorando o salão de festa do clube ao qual você é associado. Será que tivemos trabalho? Colocamos girlandas em todas as pilastras, inclusive as duas da portaria. Não reclamo.
Acabo por me divertir, seja ao observar os clientes, seja ao escrever mensagens de-feliz-aniversário. Certas horas, atinjo o ponto ótimo do estres: esteja eu atualizando o site ou escrevendo um fax, sempre toca o telefone. Duas, três ligações simultaneamente surgem em seguida; madames que insistem em opinar na confecção dos arranjos com se entendessem de arte floral entram na loja esquilibrando-se elegantemente em saltos escandalosamente finos; motoristas apressados que mal se lembram do nome das flores que vieram comprar insistem em serem atendidos prontamente; ou pior, namorados apaixonados que não conseguem escrever um simples declaração de amor nos pede ajuda. "-- Isso é com o Márcio. Ele que é bom nisso." E não é que o coitado espera? E não é que tenho que escrever algo interessante e original baseando-me no vago e impreciso ela-curte-os-Strokes? "Que banda é essa caramba?" (Hmmm... Estou gostando.)
Desdobro-me em vários, sempre sorrindo, sempre atencioso. Para quê? Se não posso gritar por socorro, quando a banheira transborda. Não sei se essa correria me possibilitaria escrever um romance, uma coletânea de causos, talvez. Mas não espere por isso, prefiro tal você costuma sugerir: "vamos explorar a imaginação." Preciso beber da fonte, mesmo sendo de tempos em tempos. Pode me ligar, se for mais fácil para você.
Respeitoso abraço,
Marcinho
"(...)" <(...)@dpf.gov.br> escreveu:
>Caro Marcinho!
>Que saudades! Afinal, há quanto tempo não nos comunicamos?
assunto proposto seria, para mim, ótimo, uma vez que li todos os livros da série. Só falta o lançamento. Poderíamos falar de Lord Vald-Mort, inimigo número um de Harry e quais suas tramas para eliminar o bondoso e inocente Potter. Além da influência da literatura infantil, não na política econômica, mas na economia de mercado dos países emergentes.
Apenas uma curiosidade: você sabia que J.K. Rowling era muito pobre? Levava sua filha para a escola e para economizar energia de calefação em sua residência, ficava num Pub, perto da escola, que possuia aquecedor. Enquanto isso começou a escrever a série Harry Potter. Hoje é mais rica que a Rainha da Inglaterra.
>Atualmente estou um pouco sem tempo, em face de um curso que estou coordenando, de 19:30 às 22:40h. Talvez 4ª-feira que vem, dia 12 de out, esteja disponível para nossa conversa.
>Sinceramente, gostaria muito, Marcinho. Forte abraço!
>
>P.S.: Você foi suficientemente claro!
>Comte Mandágora
>> Bom dia, Comte Mandágora!
>>
>> Há muito tempo estou querendo te escrever, mas não sei se deveria. Qual assunto abordar? O lançamento do novo livro da J.K. Rowling no castelo escocês não seria apropriado visto o fato de eu ainda não conhecer tão bem as aventuras do Harry Potter, quanto gostaria. Contudo, se estives com tempo, poderíamos nos encontrar para conversarmos sobre os rumos que a literatura infantil contemporânea está tomando e se tal fato influencia as politicas econômicas das países emergentes. Pense a respeito.
>>
>>Frt abraço!
>
> Marcinho
>
> P.S.: Meu novo e-mail: (...)@gmail.com
> P.S.S.: Espero ter sido suficientemente claro. A que ginástica mental você me obriga!
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Converse com seus amigos em tempo real com o Yahoo! Messenger
http://br.download.yahoo.com/messenger/
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UOL Fone: Fale com o Brasil e o Mundo com até 90% de economia
http://www.uol.com.br/fone
-- Ah! O Senhor sabia que o Deputado Alberto Fraga é lobista da Taurus? Fonte quente.
-- O Márcio quer me convencer a votar no SIM.
-- De forma alguma, o senhor é voto consolidado. Apenas queria lhe passar a informação. Não é só uma questão de segurança, mas de altos interesses econômicos.
6 de out. de 2005
Orelha de pitbull (nunca ninguém havia me feito tal observação).
Tenho me esforçado para postar apenas uma vez por semana, de preferência às segundas-feiras, contudo, por mais que eu tente me manter afastado da web, algo me suga ao ciberespaço, ao mesmo que alguém me empurra para fora dele. Algo e alguém se desentendem e minha vontade de estrangulá-los se dissipa, quando descubro que as Circunstâncias estão se encarregando de cumprir meu desejo.
Tem sido extremamente difícil conviver entre desesperançosos. Ambiente tão rico quanto o Saara. Pára de reclamar. Encare a situação com estágio probatório a um cargo qualquer no Senado, ou na Câmara, ou quem sabe naquele Tribunal onde elevadores exalam à nenúfares azuis . Tenho aprendido a engolhir sapos. Minha imaginação os transforma em rãs e nós sabemos do ossinho da coxa levemente apimentada estralando na boca. Apenas suponho.
Olho para cima como se estivesse visto uma lagatixa. E quando você não puder olhar para cima, Márcio, alguém, que não seja sua terapeuta, vai te estender o lenço? Não. Minhas lágrimas retóricas se comportarão exatamente conforme o texto, uma embaixadora vai entrar na loja, estimular meu poder de persuasão, me levar o sorrir:
-- Você tem rezado, Márcio?
-- Tenho.
-- E já aconteceu um milagre na sua vida?
-- Ainda não.
-- Então está rezando pouco.
-- Espera ai... me aconteceu uma milagre ontem à tarde.
E as lágrimas vieram doce o suficiente para ela espontaneamente me abraçar entusiamada. O almoxarife tatuado, testemunha privilegiada da cena, discretamente movimentou os lábios: "Deu ontem, né, seu puto? Foi rola, não foi?"
Atento-me ao fato que nem poderia estar registrando essa história. Através do link do Dicla no Orkut, alguns amigos podem me descobrir na via dupla. Temos que remover aquele link de lá, depois. Depois, mesmo. Conta logo o ocorrido no fila do Pão de Açúcar. Vangloria-se. Promova-se. Sei que é bem isso que deseja. Diga logo que o pangaré foi safo, que mandou bem, que faturou uma estirpe jurídica.
A latinha de coca-cola quente, a fila parada, a revista Veja, meu comentário sobre a capa ao senhor de gravata, a contribuição ao meu argumento, a troca de olhares no estacionamento, a hesitação, a discreta patolada acompanhada de um sorriso, que de tão tímida tornou-se elegante. Aproximei-me, estendi a mão, apresentei-me, recusei a carona, mas não a conversa.
-- Sou uma pessoa contundente. Bato de frente com o poder. Odeio Brasília. Só consigo permanecer aqui por temporadas.
-- Ela é cosmopoLIta...
--Éeh...
-- ... por causa do corpo diplomático, dos políticos... e provinciana ao mesmo tempo.
-- Exato! O provincianismo mata essa cidade.
Um traço da personalidade me convenceu a fazer o que, onde e como ele queria. Advogado experiente me induziu a falar sobre mim, sem receios, preocupações, abertamente. Descobrimos que somos vizinhos (apenas um kilômetro nos separava), que sua esposa conhece meus padrinhos e que não a nada mais gostoso do que comer torta gelada de chocolate com castanha-do-Brasil na Di Lorenza observando o chuvisco apressar o passo da moça que havia descido com seu labrador.
Finnicius Revém [Finnegans Wake]
"Poderá ser recomendável, numa primeira leitura, passar pelo texto sem a preocupação de explorar o que ele esconde. Quem se confia a jogos sonoros, ao ludismo de imagens e idéias, pode ler Joyce com prazer."
A Paixão Segundo Martins ( Die Martins-Passion 2003)
Perco-me entre acordes, antes de tomar café-da-manhã, saudade de quando ruído (grunido) me vibrava a carne.
SEPULTURA : Official Website
Novae: A astúcia venceu a soberba por Emir Sader
"O senhor sabia que tenho um artigo publicado na SBPC, fruto de uma pesquisa sobre latossolo vermelho?" Ou seja, publicar seria de menos. Eu quero respeito. Se meu comportamento/moral/ética/ atitude/idéias incomodam alguém, isso seria problema pessoal dele. Até porque, não prejudico ninguém; ao contrário, me desdobro para ajudar, sem fazer qualquer tipo de cobrança depois. Serviço voluntário conta muito para onde vou. Entretanto, minha paciência envia sinais de saturação.
Casar-me (e mudar-me) seria fuga. Prefiro o combate. Permanecer pregado na tela do computador, como de fato fosse dono. Se querem jogar paciência, pinball, conversar no Messenger, ou ver mulher pelada, faça-os em casa, onde, caso a máquina seja contaminada por vírus, worms ou trojans , não prejudiquem outrem.
Uma vida pela vida
4 de out. de 2005
Cordel do Fogo Encantado
3 de out. de 2005

2

Assim tem sido, graças ao General Cartógrafo. Trilha das capivaras mapeada apenas mentalmente; "... fazendo covardia com os bichinhos." Minutos de espera. Esperaria mais, se lábios indisciplinados pudessem me responder. Cansado de sentir o suor gotejando nas minhas costas, leventei-o com a força da respiração e se vamos falar sobre sexo, leitora (não trago nenhuma novidade) culpe os serviços de CVV congestionados, a banca de jornais fechada, a video-locadora aberta. Dois rapazes conversando enquanto fumam. A vídeo-locadora está aberta! Vazia. Digo aos rapazes para ficarem à vontade, "só estou olhando", nem precisava. Onde estão os pornôs? Na pasta preta, seu burro. Cinco grossas pastas pretas de folhas-de-plático, apenas os encartes. Surfar na web sairia de graça. Sorrisos francos para webcam. (...) Enviar, aceito. Enviar, salvo. Encontros de cartões de crédito, após uma longa e prazerosa conversa. Quinze cervejas... Eu precisa de sexo, não de companhia, já que ninguém nem nada seria capaz de suprir a carência por mussarela derretida às cinco horas da manhã. Observar a cópula dos heterosexual (você ainda se lembra?) poderia ser interessante. "Marciiiiiiiiinho!" Assutei. Lógico. Érika me abraçou sem me dar tempo de reagir. Os rapazes entraram. Acabei sendo persuadido a alugar "Doce Novembro". Quase a arte que imita a vida imita a arte. Para confrontar, aceitamos a sugestão do atendente: Monster. A Érika entrou em êxtase quando lhe contei que não havia assistido a nenhum dos dois. Fujo de Oscar. Deveria fugir dos preconceitos que me revestem, impendindo de telefonar para os amigos que de repente nos surpreendem. Fios loiros dourados trançados me ajudaram a improvisar. Loiras são muito perigosas. Os mapas nem de longe correspondem ao ideal, mas foram traçados. E era apenas isso que importava. Não era o caso de usar maquiagem. (voltar pra revisar)

1
1 de out. de 2005
Paradoxo xoxo: Duelo (réplica)
Blog paralelos
26 de set. de 2005
-- Deve ter sido numa sauna.
-- Provavelmente.
-- Como?!
Os amantes olharam-se, amunciando uma discussão. Que de fato aconteceu, de madrugada, em casa, no lençol branco manchado de sêmen, sangue e resquícios de fezes.
-- Porra! Você tem que fazer uma higiene...
-- Por que você não parou quando eu pedi?
-- Rebolando feito uma puta, você queria que eu parasse?
-- Tanto queria, que o lençol está sujo. Vamos combinar o seguinte: quando eu ficar calado por mais de três segundos, você me solta.
Assim ficou combinado. Até que uma das partes resolveu pedir desculpas. E começaram tudo de novo, inclusive uma discussão tola por causa da interpretação do Ed Motta para Bye bye Brasil.
Graves e agudos foram ouvidos da portaria. Pensou-se em chamar a polícia, mas tal idéia foi rejeitada por causa do espírito coorporativista da classe.
24 de set. de 2005
Em carta a seus alunos, Marilena Chauí fala sobre onipotência da mídia
Nem sei quantas vezes interrompi a leitura para tomar fôlego, rir, delirar de prazer, por causa do conteúdo dessa carta tão carinhosa de contundente. Que pena... ler os textos da Marilena Chauí, ou suas sugestões bibliográficas, não me faça ser seu aluno. Mas posso ser partidário. E serei, em breve. Ficcionista engajado. Você antevê a consequência disso, Marcinho? Vamos para o sacrifício, como se já não estivéssemos.
Sempre questionei os livros, o que dirá da midia, "empresas privadas e, portanto, pertencem ao espaço privado dos interesses de mercado". Não que eu seja contra propriedade privada, ao contrário. Apenas, reconheço a importância e o significado de se usar adjetivos (você, fala cheio de autoridade). Como escreveu um poeta: "A borboleta é apenas uma borboleta. A flor é apenas uma flor." E a midia, deste quando adquiri o vício de folhear vários jornais diariamente, abusa de adjetivos, o que dirá do coitado do futuro do pretérito. Não está muito difícil descobrir a quem a mídia serve (ao leitor é que não é.) Basta seguir a lógica das commodities, minha hipótese de trabalho.
Brasil: as armas e as vítimas
23 de set. de 2005
Fomos premiados
Venham todos comer damasco na sede da Polícia Federal em São Paulo. Às custas do Tesouro? Não. Cortesia dos carcereiros. Se não compraram, ao menos facilitaram a entrada. Imaginem, queridos leitores, uma fotografia do EX-candidato à presidência da República, Doutor Paulo Maluf, servindo champagne francesa aos agentes e demais autoridades. "É assim que se trata subalternos." Nada mais digno, afinal, a Polícia Federal tem trabalhado muito ("eu te liguei, amor, até ficar cansado de ouvir 'telefone desligado ou fora da área de serviço.' ") só não sabemos em prol de quem.
Minha fonte (não nos parece) se vangloriou no dia que prenderam sua excelência: "Me dê os parabéns. Em nome da coorporação, mereço." "Parabéns, respondi, por ter finalmente conseguido cumprir com sua obrigação. Agora sim, você faz jus ao salário que recebe. E o dinheiro, conseguiram repatriá-lo?" Ele desviou o olhar para ganhar tempo, formular uma resposta excepcional, acenou para o garçon: "Irmão..." Irmão? -- disse-lhe -- Ele se chama Amanai, Amanai San. Não estamos num pé-sujo.
-- Pois não, Doutor.
-- Irmão, traz outra cerveja, por favor. Você quer mais sashimi?
-- De atum, por gentileza.
-- E um de salmão.
-- Você precisa aprender tratar bem as pessoas.
-- E é você que vai me ensinar isso? -- Se você quiser, vou.
Se eu quisesse despertar a fúria do Vesúvio, bastasse quando estivéssemos em público mostrasse intimidade com um desconhecido, mas não o lembrei disso. Preferi morder-lhe o calcanhar:
-- Espero que ex-governador não tenha privilégios na prisão.
-- E não terá, disse-me, interrompendo o gole. Você tem minha palavra. Somos uma instituição séria.
Como queria que o celular dele atendesse. Gozar da autoridade. Ou saber em que hotel ele se hospedou para enviar-lhe uma cesta recheada de damasco secos (hmmmm, chega deu vontade) com uma garrafa de Johnnie Walker Red Label 12 anos. Pena que ele não tenha paladar, nem senso de humor.
22 de set. de 2005
À caminho de uma sauna qualquer
Mustang Sally
written by Sir Mack Rice
Mustang Sally
Guess you better slow your Mustang down
Mustang
Sally , baby
I guess you better slow your Mustang down
You been a runnin'
all over town
I guess I'll better put your big feet on the ground, oh yes, I
will
All you wanna do is ride around, Sally (ride Sally ride)
All you
wanna do is ride around, Sally (ride Sally ride)
All you wanna do is ride
around, Sally (ride Sally ride)
All you wanna do is ride around, Sally (ride
Sally ride)
One of these early mornings
You gonna be wipin' your
weepin' eyes, yes you will
I bought you a Vintage Mustang
Of nineteen
sixty-five
Now you comin' right signifyin' woman, no
You don't wanna let
me ride
Mustang Sally, baby, yeah
I guess you better slow your Mustang
down, yes you will darling, I hope you will
Going around running' all over
town
I'm gonna put your big fat feet on the ground, oh yes Sally, well, look
at here
All you wanna do is ride around, Sally (ride Sally ride)
All
you wanna do is just ride around, Sally (ride Sally ride)
All you wanna do is
just ride around, Sally (ride Sally ride)
All you wanna do is ride around,
Sally (ride Sally ride)
One of these early mornings
You gonna put your bad
bad feet on the ground, oh yes I will, Sally
Sally (ride Sally
ride)
Sally (ride Sally ride)
(ride Sally ride)
(ride Sally
ride)
(ride Sally ride)
(ride Sally ride)
Estranho quando me deparo, em blogues desconhecidos, com letras de música publicadas. O que deseja dizer o blogueiro? Para o leitor que acompanha freqüentemente o blogue, ou conhece o canditado a cronista, seria fácil (!) responder tal pergunta. Mas para quem aparece vindo do Google resta, no meu caso, a indiferença ou a desconfiança de que a letra não esteja correta. Gostaria de vez em quando, ler ao menos uma justificativa, diferente do "porque eu gosto" subententido. Pode ter sido uma lembrança, que ressoa infinitivamente; pode ser vontade de ter para si aquele melodia, no caso ritmo. Mas não nos cabe agora levantar hipóteses, até porque não apresentamos justificativa. Poderia deixar para o leitor que acompanha o DiCla, responder-nos. E deixo. Ele que contextualize o espaço-tempo na seqüência de posts com o conversa no MSN que apenas os dois envolvidos tem acesso; seguida da conversa no telefone, que além do mim todo o nono andar ouviu. Que discussão sarcástica! (Como foi? Conte-nos!) Que telefonema desaforado! (Reproduza-o!)
Este post serve ao leitor chegado através do Google, com a intenção de apenas salientar-me minha ignorância, em público, em relação ao Blues. (Que me importa isso?) Não se pode conhecer tudo. Concordo. Mas não se pode ignorar que um longínquo amigo considerado seja aficionado por Buddy Guy, cuja canção (depois de escutá-lo na web) esteve incluída num musical de Allan Parker. Sei muito pouco sobre meus amigos virtuais e eles de mim (apesar de acompanhar seus blogues), talvez por isso sejamos amigos somente virtuais. Também aprecio Blues. A ponto de não ter ainda conseguido escrever sobre a ação do Katrina em Nova Orleans. Robert, você poderia ter sugirado outro tema.
21 de set. de 2005
Declaração de amor
Minha flor, minha flor, minha flor. Minha prímula, meu pelargônio, meu gladíolo, meu botão-de-ouro. Minha peônia. Minha cinerária, minha calêndula, minha boca-de-leão. Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio.Flor, flor, flor. Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha. Catléia, delfínio, estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha. Daliabegônia minha. Forsitiaíris, tuliparrosa minhas. Violeta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-pessoal-de-defunto (foto). Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.
In: Andrade, Carlos Drummond. Poesia Errante. Record. 1988. 1ª Ed.
Lógico!
Nos rebordos da chapada a guerrilha se esfumaça. Eis a ironia: ex-guerrilheiros foram finalmente alvejados, razão pela qual permitiram ascensão do grupo. Do mirante observo as emboscadas. Reprise do Fim-do-mundo. Plágio. Deputado canastrão.
Se fôsse nos EEUU, o político suicidaria com um tiro na têmpora, não por ter perdido os privilégios, mas por vergonha. Aqui em Bruzunganga, ele distribui autógrafo ao passear pelas ruas. Se o encontro na rua, escarro-lhe na cara. Não faça isso, Marcinho. O deputado gosta. Ele contratava go-go boys fluminenses para açoitá-lo enquanto não era convocado para apaziguar a gula dos correligionários. Há de se estudar lógica, sem esmorecer.





























