Um pouco de cultura e munido de boa vontade, assim estou enfrentando Finnegans Wake (Ai, ai, só quer ser o culto), doravante FW. Deseja-me sorte. Nessa salada de frutas, sirvo morangos amassados; caso contrário, o torto fumegante sobe na cama para dizer bom-dia-meu-amor.
Há cinco dias o romance-poema estava me esperando sobre o criado-mudo. Entrei no apartamento, como se estivesse indo salvar, das chamas do incêndio, um idoso. O molho de chaves zombava de mim. Perdi uma sexta-feira, um sábado e um domigo de leitura. (Por que será que ele insiste?) Gritei, ao saber por telefone que eu deveria (logo) buscá-lo. Pensei que ele também estava lá. Tranqüilamente, me despedi dos meus pares e decolei em direção da Lua. Disfarcei minha euforia. Não queria mostrar-lhes minha frágil felicidade. Aqui é proibido sorrir, já que ser feliz tornou-se impossível (Por quê? Explica-nos se for capaz).
Quando se fala ou recomenda muito algum romance, filme, exposição, o que se seja; das duas uma: ou você se decepciona, ou derrete-se de gozo. (Haveria a opção da indiferença, esqueceu-se?) Não me decepcionei, contudo (cuidado com essas vírgulas), a leitura gaguejada está longe de me lembrar o foda de ontem à noite: a leitada escorrendo pela minha bunda, o cacete batendo no meu rosto, com a glande sendo esfregada nos meus lábios; o indicador grosso me rasgando o cu. O dedo médio, depois o anular. Prazeres distintos, baunilha. Nenhum possui a pretensão de substituir o outro. Até porque, parece que o dia de ontem não anoiteceu. Nem a agenda sobre a cama prova que encontrei alguém que só diz me querer. Só se for nu, de cabeça pra baixo com as pernas a procura de apoio. Não achei graça. De novo, não faço. Meu nariz escorrendo sangue, um pedido safado de desculpas. Mesmo assim, ele consegue ser mais carinhoso que os outros.
14 de fev. de 2006
13 de fev. de 2006
No convite estava escrito: 20h. Cheguei às 17h para ajudar no que fosse preciso. Posto a mesa, fui ao supermercado comprar uns kalanchoes para enfeitar os banheiros. Branco, amarelo, laranja e vermelho. Acabei por comprar, também, duas echeveria laui para as mesas de centro e um pachypodium lamerei de um metro e meio de altura (eis auma das vantagens em se morar perto de um hipermercado). O canto da sala respirou aliviado. A anfitriã se atrapalhara com o assado. Na garrafa de Chandon restava uns quatro dedos, se muito. Você não vai beber nada. Esqueceu-se que não bebo. Sugeri ao garçon que utilizasse uma bandeja menor. Passa uma sensação de informalidade. Os convidados chegaram prontualmente, visto o fato de todos terem que se levantar cedo no outro dia. O rapaz que entrou por último, atrás da moça de vestido esvoaçante de flores azuis, chamou minha atenção Chamaria de qualquer um. Fotogênico, ombros largos, rosto quadrado, uma garrafa de vinho na mão, Luigi Bosca. Respire fundo, Marcinho. Não olhe mais na direção dele. Minha amiga me procurava com os olhos, movendo discretamente a cabeça. Chamou-me com um balançar de mão. Refugiei-me no banheiro. Quando abri a porta, fui surpreendido por ela segurando o rapaz pelo braço. Marcinho, esse é o Mucuri. Prazer. Estendi-lhe a mão. Sorri contrangido. Prazer é todo meu. Você, lavou essa mão? Cala boca, Bárbara. Ela não perdia a piada.
Ele tinha um dôssie sobre mim, conforme me confessou na varanda, antes de brindarmos aos noivos: o que estava lendo no momento, cineastas preferidos, a razão das minhas cólicas, meus planos para 2006. Vou degolar a Bárbara. E mudo de tão calado, sem conseguir organizar o raciocíno, fitava-lhe o cinza que lhe coloria os olhos, podia ver o vazio que se tornara minha mente. O garçon passou por nós e nos ofereceu da bandeja. Ele se esqueceu do forro. Antes que eu recusasse a gentileza, o Mucuri pegou uma taça e me entregou. Seria grosseria recusar? Provei do vinho antes de brindar a nossa saúde. Esse seria o primeiro vexame da noite. O segundo foi lhe dizer que gostaria de vê-lo novamente. Quer ir ao cinema, amanhã? Você gosta de acampar? -- me perguntou. Vamos para varanda. O som alto não nos permitia mais conversar. Se permiti que me abraçasse, foi descuido. Se perguntei o que seria aquele volume debaixo da jaqueta foi pura inocência alimentado por um hálito de gengibre. Eu me assustei com sua resposta, ele ficou constrangido. Não deveria andar armado. Concordo. Vim direto de uma missão para cá. Ah... Tá! Ele mentiu tão bem, que senti vontade de acreditar.
11 de fev. de 2006
Oui. J'ai une blog. A maturidade adquirida me permite confirmar suas dúvidas. Sim. Eu tenho um blog. Não há mistério, apenas uma vontade arroxeada de forrar com flores de bougainville o caminho que deixarei para trás. Despedidas podem comprometer nosso contrato. Não ouse me chamar pelo meu primeiro nome.
10 de fev. de 2006
Agudás: O Brasil no Benin
9 de fev. de 2006
Cronologia da crise das caricaturas de Maomé
Apoiado na sátira, pode-se atacar os que estão no comando das instituições. O ataque deveria vir de quem está dentro do sistema e não de quem de fora tem uma imagem distorcida. Quem ver de fora ver melhor. Depende das intenções. Parafraseando Comte-Sponville, uma coisa é um judeu contando piada sobre judeus; outra coisa é um neonazista contando a mesma piada. O humor pode aliviar, ou pode nos humilhar. Serve para alimentar a esperança (A Vida é Bela) ou reforçar o preconceito. Admiro-me Copenhague passando por esse vexame. E eu que pensava que a Europa fosse educada. Queria só saber quem está por trás das publicações charges? Estou a correr atrás de hipóteses.
8 de fev. de 2006
7 de fev. de 2006
"A Estética da Desgraça" ou "Os Figos"
O que tenho a dizer sobre a XV Feira Internacional do Livro de Havana (XV FILH 2006)
Olha só como resgato uma informação, diário: Qual é mesmo o nome daquele escritor cubano renegado pelo regime?Filmaram suas... confissões? O protagonista do filme foi indicado ao Oscar de melhor ator... ele era espanhol... Huevos de Oro. Bigas Luna... O telefone tocou. Realizei uma venda. Não me pergunte para entregar onde, pois já me esqueci. Quando voltei ao editor de texto, já tinha um nome: janvier. Pesquisa no Google. Nome de semana?! (Segunda-feira em francês, Márcio! Paris ainda povoa teu inconsciente? Safado! Que decepção!) Nenhuma referência à cinema. Respiro fundo. O movimento dos meus olhos demostram que estou tentando me lembrar de alguma coisa. Ah! Ele foi o protagonista de Carne Trêmula. No quinto link, seu nome: Javier Barden (rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm). Volto ao Google. Nova pesquisa: Javier Barden. Pesquisa avançada. Espanhol. Teria ganhado tempo, se tivesse pesquisado logo quando me veio "Huevos de Oro". Pára de se lamentar, que te sirva de experiência para acreditar na tua intuição. Ele clicou no primeiro link, sem se importar com o que se abriria. Droga! Volto à página anterior. Quarto link. Comercial demais. Achei! "Antes que Anochezca (Before night falls, 2000)". Página demorando a carregar. Reinaldo Arenas. Google. R e i n a l d o A r e n a s. Eita! REYnaldo Arenas.
Percebi um certo estigma, por trás das "reportagens" e "resenhas". Porque ressaltar SOMENTE o sofrimento e as dificuldades? Até parece que só as minorias são perseguidas. Senti também certo folclore sobre a prática sexual. Se as mamães não encontram escondido nos pertences dos seus filhinhos objetos simulacros de vagina, assim como os agentes de polícia dizem encontrar na casa de homossexuais executados vibradores e chicotes, ora é porque seus filhinhos, mamães, não encontram algo que pudesse substituir uma boceta. Até porque, conformamo-nos resignados com a mão macia, a bananeira fria, a cabra fedida. Aliás, leitora, permita-me esta digressão: quando minha psicóloga criticou a avidez com que as minorias sexuais (ficou bem melhor!) copulam, não consegui replicar-lhe. Apenas um sentimento me dizia: ela não tem razão. Eu sentia dentro de mim seu ranço estereotipado, fustigando minha auto-estima. Hoje, tenho gana de bater na porta do consultório dela. Doutora, a senhora já testemunhou o desembarque, na Base Aérea de Brasília, ou em qualquer outra Base, de algum pelotão do Exército oriundo de missões internacionais? Não?! Nossa! Estou surpreso, tratando-se de uma consultora da ONU. Os casais se cumprimentam de um jeito tão familiar. Gritam, pulam, se jogam para cima, se abraçam (e não se soltam), se beijam de deixar a língua aparecer. Indiscrição total. Se fosse permitido arrancariam a roupa por ali mesmo. Perdem para a recepção feita pelo labrador quando o dono vai buscá-lo no hotel (nem sei se hotéis para cães podem ser chamados de hotéis), após as férias no litoral norte daquela ilha no Pacífico. Na hora do coito. Jesus! A ponto de nos esquecer que somos feito de carne. O desejo é tão intenso que anestesia tudo. Não há dor no prazer. Se as minorias comportam-se com voracidade, especulo eu, permita-me, Doutora, seria vontade sinceramente contida. Vontade de estar lá, participando da Feira, na condição de observador, apesar da arbitrariedade (peixe duro, este, danado de rasgar). Eu sou feliz, o que não que dizer que esteja satisfeito. Quanto mais me repreendem, veladamente, mais forte me sinto.
P.S.: Reconheço a irrelevância da minha opinião. Cumpro apenas meu dever.
6 de fev. de 2006
4 de fev. de 2006
Entre o lençol e o travesseiro
O mármore branco, liso, puro e limpo. Minhas mãos de alpinista agarrando-se ao frio das lágrimas em propensão. Corre, rápido. Salta, alto. Bloqueado. Estrada interditada. Não pára. Ultrapassa os carros pela direita. O sonho acaba aqui. Queria contar-lhe tudo, mas o espaço acabou. F!-se Como eu ia dizendo, o monumento de mármore era ínfimo diante minhas viagens carne-siderais. Onde você vai passar o carnaval? Na p! que te p! As moças fitam-me gulosas os cacos que se desprendem de mim. Vem no colo da mamãe. Do colo do útero à laringe gripada. Atchim! Espirros intermináveis. Cheiro úmido de própolis. P! Eu sou g! Berlim deserta testemunhava a profunda expedição à Rua das Flores, estreita, longa, polens de rosas suspensos no ar. Respiro a essência fálica sem provar do néctar adocicado, nos cachaceiros; salgado, nos maconheiros; insípido, nos anjos que ruflam suas asas sobre a cidade. Com se diz obrigado? Não precisa, basta sorrir. Perdi-me nas frestas do museu. As pessoas, preocupadas, procuravam pelo artilheiro. Quero um Goethe. Brilhar em Frankfurt. Desejos válidos na megalomania dos humildes. Leio a Cabala, deixada sobre a sobrea mesa. Meu fundamento torna-se válido. Permito que o rio circunscreva por dentro das minhas entranhas, gozo. Relaciomentos fechados. Você sabe fazer feijoada? E preparar caipirinha. Só não sei amar. O que a rua não me ensinou, o que na escola não aprendi. Berlim, Berlim. Ao subir a escadaria da universidade, na fachada de entrada, li: Seja bem-vindo à Berlin.
Mulheres nos campos de futebol
3 de fev. de 2006
Deu branca
O relógio da parede marcava 4h12. Estava ajudando não sei quem a carregar uns pacotes. Vamos parar aqui, preciso ir ao banheiro. Vamos naquele outro bar. -- disse-me--, apontando o outro lado da rua. Vamos! Levantei-me abruptamente da cama, joguei o coberto de lado e encurvado me dirigi ao banheiro. No escuro. Doía demais. A contração não cedia. Vontade de me deitar no chão. O que jantei, ontem à noite? Refrigerante, um pequeno pedaço de mussarela. Você não se alimenta corretamente. -- acusaria-me o gastroenterologista. Os intervalos entre as refeições são muito espaçados. -- comentaria a nutricionista. Você recusa comida? -- inquiria a psicóloga. Inútil, ouvir suas vozes. A louça gelada do sanitário. Preciso de uma toalha. A água morna (quente mais do que de costume) desviava minha atenção. Agachei-me, encolido feito um feto. Contrito, puxei uma Salve Rainha. Várias. Sempre em momentos extremos clamo por Ela. Já havia rogado por muitos nomes da Mãe, quando um filete de sangue coloriu de vermelho o fundo da banheira. Calma. (Há! Há! Há! Ele está com parvovirose.) Com o dedo no orifício, procura estancar o sangue. Amanhã (no caso, hoje), eu vou ao médico, nem que tenha que passar oito horas na fila do Pronto-Socorro. Poderíamos classificar sua prosa como literatura gay? -- perguntou o entrevistador. Sinceramente, -- respondi --, estou mais preocupado em saber, se o que eu escrevo pode ser considerado literatura. Assim fui me desvencilhando do entrevistador, diante uma platéia ávida por um autógrafo. Todos a portar o meu mais recente romance. A capa grossa, o encadernamento de luxo. Os murros na porta. O relógio da parede marcava 6h50.
2 de fev. de 2006
Amores-perfeitos provocam dor de cabeça
Colecionava notas falsas de 20 reais. Provas de amor. Posso ser presa por falsificar sentimentos. Rodas perfumadas. Toma tudo, amor, para você se recuperar logo. Dormiu. Posso ir embora. Ahn?! Preciso dormir, sonhar que essa noite existiu. Quanto mais me escamoteiam, com mais intensidade retalho minha carne. Pisoteio descalça cacos de vidro. Sobras do pára-brisa. Sou uma puta, dessas que preocupam quando seu rufião passa o final de semana sem dar notícias. Pega-se virose quando se sobe o morro? Atchim! Excesso de trabalho. Ele está em missão, me dizia a escrivã. Descansa por mais uma semana, querido. Podemos ir à ponte JK, fotografar o nascente. É lindo. Você a espreguiçar, quando entro no quarto. Meu nascer-do-sol às duas horas da manhã. Para que buscar lá fora, o que eu tenho aqui dentro? Chove intensamente, fraco se comparado a tempestade que desorganiza meu raciocínio, ao preparar suas malas. O que você me perguntou, mesmo? Olhos verdes acinzentados tosse. Cobre a boca com a mão, boceja, brinca de alisar a cabeça raspada. Deixa o cabelo crescer, paixão. De jeito nenhum. Cansei. Olho pelo janela do ônibus. Os carros nos ultrapassando em alto velocidade. Apostando pega? Você não existe mais. Me esquece, falou! Sim, senhor. Me esforço para esquecer a xícara de chá quente entornando em cima do cobertor. Ah, os cactos. Secaram. Amarro a boca do saco de lixo, com a impressão de ter jogado algo mais junto com os vasos. Aos poucos me desfaço DO QUE VOCÊ CHAMOU DE LAR. Cavouco com graveto a terra estorricada do canteiro da varanda do que era nosso quarto, quatro paredes azuis claras a sufocar nossas pretensões. Deveria deixar isso para profissionais. Talvez, se molhasse... Confiro a data de validade do saquinho de sementes. Corre-se o risco delas morrerem antes de germinar. Abro os sulcos, semeio as sementes, sem ânimo para cubri-las. Olho para elas e me pergunto: para quem?
1 de fev. de 2006
Depois do mergulho
Senhor Alberto, a moça que caser-se com esse menino vai ser muito feliz. Basta, dizer que quero me casar para chover pretendentes. Oxalá, em Barcelona, seja igual. Como diria o faixa marrom de jiu-jitsu: ff de qualidade. ?????. Foda fixa, mané. Pow! Um dos motivos que deixei de freqüentar sua casa. Pá! Aiêee. Que brincadeira mais sem graça. Boxer só aceita carinho, quando o dono está por perto. Caso contrário: nhac! E meus ossos espalhados pela garagem. Você é veado, mas é gente boa. Nunca consegui sentir mais do que afeto de amigos de colégio pelo Eduardo; por mais que massageasse seus ombros, coluna, lombar, coxa e panturrilha. Os pé, me recusava. O rosto, desejava. Ele é enrustido, mas é gente boa. Me dá pigarro, quando estou chupando a Giulia. Parace que engoli um pentelho. Você tem cabelos no céu da boca. Gargalhadas ressoaram pelo jardim. As ráfis tremeram assustadas. Um décimo do timbre grave, me faria milionário. Corajoso é você. Meus amigos têm uma imagem distorcida de mim. Inteligente, bonito, corajoso. Não sou nada disso. Por mais que eles tentem reanimar meu coração, fracasso todos os dias quando me deito. Sou vencido, todas as manhãs quando acordo. Ao ser perguntado, se havia tomado anabolizantes esteróides, Eduardo me detalhou todo processo, com orgulho de quem venceu um toreiro na arena. Não era sobre isso, que queria conversar. Lápis e papel esquecidos na mochila. Gravador envelhecendo no criado-mudo. Que escritor queria ser eu, se não portava lápis e papel. Nomes de remédios desconhecidos para serem lembrados. Pesquisa no Google. No Orkut. Sondo minha memória, imprecisão. Vou preparar um dose para você. Depois, é só levantar uns pesos. Vou te acompanhar de perto. Montar sua série. Você está muito magro. Olha só essas saboneteiras. Na micareta, vamos pegar todas. Meu olhar denotava desconfiança. Ele falava sério. E aquele rapaz que morreu? Não soube fazer o negócio. Tomaria, apenas com acompanhamento médico, -- disse-lhe, ao calçar o tênis. E o que eu sou?-- perguntou-me, fitando-me com raiva. Se der complicação, rasgo meu diploma. Vou fazer um ciclo para você... E antes que ele concluísse a fala, disse-lhe que meu problema não era aquele. As pessoas teriam que me aceitar exatamente do jeito que eu sou. Com tudo de ruim e de bom que eu trago. É, mas nem você mesmo se aceita. Ele estava aprendendo comigo a ser cruel. Para não sair nocauteado: A maior prova de resignação foi ter recusado enganar os olhos azuis da moça do Xsara branco. Ele riu, jogando a cabeça para trás. Como se fosse possível esconder um desejo que provoca cobiça nas mulheres. Sonhei com ela, madrugada de hoje, servindo-me leite condensado com os dedos. A Cínthia vai se remoer de ciúme. O Naz vai pedir para conhecê-la. E o Eduardo, achou que eu estava desconversando.
31 de jan. de 2006
No banco detrás
Não faça isso. Vá lá. Diga-lhes o quanto você os ama. Permita que a maria-fumaça serpenteie os labirintos do seu coração. Prefiro manter-me à parte. Eu poderia ser preso por desacato. Nunca mais jamais. Observo de longe quem entra, quem sai; os falsos, os sinceros. De manhã traço trilhas alternativas; à tarde provo dos picolés de chocolate ao leite ( às vezes de coco ao leite, também ); à noite, acaricio meu sexo, perdido em imagens de calças pretas, desbotadas. Rostos anônimos, caveirados. Sua despedida entrou ragando dessa vez. Não me encare desse jeito, querido. Bastou seu olhar de ódio para eu me arrepender da promessa. Ele é imaturo, devasso, mentiroso, hipócrita. como ele podia estar com medo da penunbra, se o que ele gostava mesmo era acalmar presídios? Medo tive eu do seu olhar de raiva. Precisava ir embora sem ao menos deixar um bilhete? Com o dinheiro da pernoite comprei um bracelete de presente para filha de uma amiga. Bem-vindo à maioridade, Natália. Juro que, se eu não estivesse me comprometido até o gargalo, convidaria ela para jantar. Olhares de soslaio me convertem.
30 de jan. de 2006
28 de jan. de 2006
Meu Amor vive de brisa
Flagrei o Minotauro vasculhando as gavetas da escrivaninha. Cínthia, vamos estudar mandarim. É a única solução que antevejo, salvo as paredes de correntes penduradas. E ainda me perguntam, se as marcas são de chicote. Chicotinho queimado, tesouro. Vuuuuuuu... Te mostrei a tatuagem? Na pélvis estava escrito: Bruno Fornazze. Nem quando os pêlos crescerem, será coberto o vislumbre do inferno. Eita, grutinha, quente da porra. Você não ia fazer no cofrinho? O Naz preferiu na frente. Melhor do que piercing. Ela aceitou contrariada. Ele se apropriara do corpo da Cinthia, mas a alma era de Deus; enquanto estiver eu por perto, alimentado sua mente com palavras. Ah! Marcinho você é tão inteligente. Já lhe disse, se eu fosse inteligente estaria em Salamanca, observando os patinhos correrem atrás da mamãe deles? Como é mesmo aquela palavra? Ensimesmado. O telefone interrompera nosso chá. Atendi. Sete palavrões para me convencer da estima que sentia por mim. Eu te amo, declarou-me o sumo pontífice. Papá. Papa. Papão. Atendia como eu bem lhe chamasse. Naz, ela está no banho. Ele pediu-nos que estivessemos no restaurante às nove horas . Passeio completo. Chegamos 10 minutos atrasados. O maitre nos recebeu sorrindo. Encontraram um fuzil que só ele sabia desmontar, levantou-se e saiu. Deixou a garrafa pela metade. Eram sempre as mesmas histórias. Se o celular tocasse, podia ser no meio da trepada, ele vestia a calça, arrancava as meias pretas de dentro do sapato, calçavá-los e saia abotoando a camisa azul. Sempre a mesma. Amante de rituais. Começa de baixo para cima para não se peder. Do dedão-do-pé à orelha. Do calcanhar à nuca. Nossos pés, segurados com as mãos, como se fosse possível fundi-los. Eu relutava. A Cinthia se submetia. De cabeça para baixo havia poucas rotas de fuga. E cade a sua? Você vai pagar?... Fala lá com o Montalvão. ...pelo centímetro quadrado da minha pele. Bota preço. Não estou à venda. Como não queria ser estripado, antes de ser arremeçado contra o espelho, disse-lhe que para ele seria de graça. Além de irritar, o que você quer? -- me perguntou, acariciando-me o pescoço. Devagar, murmurei. Dentro da Cínthia havia um néctar diferente. Cheirava à brócolis. Na posição que me encontrava, me convenci que ele tinha razão em controlar nosso quotidiano, mesmo que para isso espionasse nossa privacidade e pusesse estranhos para nos seguir, nos observar. Sim. Eu tenho um diário, no qual você é o antagonista da minha história. Sinta-se privilegiado. Só me lembro de quem amo, no momento em que estou escrevendo. Seu hálito me refresca. Já tomou cialis? Disseram que só de soprar a brisa... Quando estou saltando a 9.000 pés de altura (acreditava em tudo que ele dizia; a Cinthia, não.), penso na gente, no que iremos inventar na próxima vez que nos encontrarmos; ouço, mentalmente, seus gritos, os gemidos da Cínthia. Só há uma sensação melhor do que saltar de pau duro. Ele me beijou. Afastei-lo ao me levantar. Que aconteceu? Nada, Cínthia. Só não estou com paciência para ficar dando atenção a gente bêbada. Não sei como você agüenta o hálito dele. Perfume dos trópicos, me dissera uma vez. Aquilo foi no início.
27 de jan. de 2006
Episódios amalgamados
26 de jan. de 2006
O gosto que me arde na boca
Só podem estar de férias. Oh! Meu Amor, estive tão ocupado. Nunca mais ele atualizou o weblog. Isso também me incomoda. Escrever à noite me entorpece, mais do que me incomoda. Até parece que estou de volta à universidade, dormindo durante a viagem, passando da parada de ônibus, sendo acordado. Por quem? Poderia ter sido com aqueles cafés-da-manhã, servidos na cama, acordado com beijos. Meu hálito azedo. É desse azedo que gosto, minha vinagreira decantada, ele me respondia. Meu Amor, não ousa pronunciar meu nome. Entendo-lo. Eu faria pior. Ama-lo-ia e o descarta-lo-ia na manhã seguinte. Sem trocar números de telefones. Sem promessas. Sem esperanças. Aos poucos, vamos revelando os segredos sussurrados durante o jantar no apartamento do senador; ou ainda; aos poucos, vou lhes mostrando os detalhes da decoração da mansão do Almirante. Não sei se interessa. Me permita ser vulgar, leitora, essa frase me ressoa doloridamente: "Eu te amo, vagabunda. Você é só minha, puta. Te quero demais." Por que ele inverte o gênero? Até quando suportarei prededores de roupa presos a bainha da minha camiseta? Tenho péssimas lembranças: "Pensei que você havia desertado?" O corpo arqueado mal conseguia se equilibrar na lustrosa muleta de titânio. As rosas olhavam para o chão por vergonha de serem mais bonitas do que eu, a sobra do bagaço da laranja da terra. A fervura da calda do doce me trazia mãos a me acariciar a cintura. Sai para lá. Me solta. Não tinha mais esperanças de algum dia compartilhar das nuvens, cujas curvas ontem à noite me ensinaram a soltar pipas. Foi bom? Desconfio de quem me permite repuxar suas estrelas. Razoável.
11 de jan. de 2006
GLAUCO DAMMAS
10 de jan. de 2006
Teoria do Caos: bibliografia introdutória
"A essência dos Caos". Edward N. Lorenz.
9 de jan. de 2006
7 de jan. de 2006
Membro da Minustah confirma suicídio de general
Ilse Losa (1913-2006)
SESC-2006. Nós encontraremos lá.
6 de jan. de 2006
Ná Ozzetti - site oficial
O rascunho que não fui capaz de escrever, ontem à noite, por causa de uma preguiça ensurdecedora
(Os astrofíscos devem fazer idéia de quem vem lá.)
5 de jan. de 2006
Laurence Sterne (1713 - 1768)
Não tem.
Não tem.
Não tem?!
Tem. Oba!
Pena que estejam de recesso branco.
Fundação Biblioteca Nacional
4 de jan. de 2006
Abacaxi corta o apetite
Márcio, vai almoçar! Agora, não. Estou escrevendo. E foi assim o dia todo. Vá almoçar. Estou sem fome. E o almoço? Depois. Mousse de maracujá? Deixe-a aí. Tem anis. Ahn-hã. Como se escreve hecatombe? Hmmm... o significado da palavra vai distorcer a idéia do texto. Mordera o nó do dedo da mão esquerda. Vasculhava a memória a procura de outro substantivo. Perfume achocolatado. Veio imediatamente a imagem da fumaça lhe penetrando a pele. As cinzas brancas calmamente depositadas no cinzeiro. O olhar desaprovando a partida compulsória. Telefona, assim que chegar? Lógico! E o beijo? Adeus. Escrever não mais afugenta o arrependimento da saudade que me estrala no peito. Se o Bruno soubesse que não mais será servido almoço aqui na loja, faria galhofa do meu apetite. Estou mandando a barca te buscar, 11h30, pode ser? Seria sua fala. Não te falei que você estaria melhor ao meu lado? Fantasiar a existência de um amante lhe ajudava a superar a humilhação. O Marcinho não almoçou hoje. Pode parar! Você fala que não é para se preocupar com ele. Não te entendo! A vida me empurra para prostituição dissimulada. Ninguém mais me agüenta ouvir lamentar a sorte. A aliança, trouxe guardada no bolso da paletó.
Ouvindo Edu Lobo cantar "Berimbau":
Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza, camará
22 de dez. de 2005
A ausência em todos nós
Uma imagem nunca será capaz de transmitir o alívio que ela estava sentindo. E podem chamar Milcho Manchevski.
Largou os cartões de natal em cima da mesa. Esqueceu o estabilizador ligado. Saiu descabelada pela casa, tropeçando nos brinquedos do caçula espalhados pela cozinha, com a gaiola do canário na mão. (Presente do homem lhe fazia gozar todos os dias por telefone.) Foi ao vizinho que lhe devia favores, pedir que cuidasse do seu filhinho, até seu retorno. "Eu sabia que aquele velho branco, gordo, peludo e barbudo algum dia me seria útil."
Ela estava em êxtase, sob efeito da espera dos últimos onze meses. (Ele soube induzi-la). Um comprimido, um gole d'água; mais um, outro gole; o último e pegou uma banana na fruteira. Comer uma fruta, lhe traria a certeza de que os comprimidos chegariam ao estômago. Foi ao banheiro da empregada e jogou suas cartelas de esperança no vaso. "Adeus, balinhas. Feliz Natal para vocês também. Deu descarga. "Nunca mais nos veremos." Olhou-se espelho, ajeitou a franja. "Já pensou em ser morena?" Passou pela cozinha, sem se comover com as louças ensaboadas, que ainda lhe aguardavam. Arrumou tudo de qualquer maneira e se despediu do escorredor de pratos, mandando beijo. Feliz Natal, meu amor! Para você também, phalaenopsis, Feliz Natal! (Regou a orquídea por desencargo de consciência). Boas Festas, Geladeira! Felicidades, Seu Fogão! Olhe lá hein, Dona Pia, não exagere na gordura; se despeça do tanque por mim. Foi fazer as malas.
No Rádio Táxi, demoravam a atender. "Alô? Bom dia! Por favor, eu gostaria de falar com o Ramirez." Olhou para o guarda-roupa. Franziu as sobrancelhas. Levaria apenas o chinelinho preto. (Outro presente do amante que ela só conhecia por fotos, voz e webcam). Pegou estojo de maquiagem (motivo de tantas brigas) e o colocou debaixo do travesseiro da cama da irmã. "Não vou mais precisar disso." Desistiu de levar mala. "Nem valise." O charme seria desembarcar sem nenhuma bagagem, além da edição de luxo, em original, D' El Ingenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha. (Presente de quem? A não ser do homem que conhecia seus sonhos, seus segredos, suas pretensões.) "Ele me apoia." É por você que estou lutando contra esses moinhos-de-ventos. -- dizia a dedicatória escrita atrás da fotografia. Cheirou a contra-capa como se fosse o pescoço dele. Respirou fundo. Acreditava que não bastava ser bonita, gostosa, sedutora e elegante. Tinha que ser culta, mesmo que não fosse inteligente. Abraçou-se com o livro.
Banho tomado. Cabelos presos. Saiu apressada em direção ao local combinado com o amigo taxista. Se trancara a casa, não se lembraria. Pensava apenas em embarcar, na confirmação do check-in. Enquanto aguardava, em pé, em frente a agência bancária, tirou da bolsa o caderninho de capa de couro de búfalo e escreveu: "22 de dezembro de 2005." Lembrou-se imediatamente da avó; do velório, dos crisântemos brancos, da vontade de se jogar na poça de lama, da rama de philodendron, que quase foi esquecida. "Dona Virgínia, não se orgulharia de mim." Escreveu alguns versos com letra miúda, trêmula, ágil Fechou o caderno, sem ainda guardá-lo na bolsa. "Vou fazê-lo vir me buscar." Tarde demais. O táxi freara a poucos centímetros dela: "Oi, Gostosa!" Ela teve certeza que deveria abandonar aquela vida. Entrou no táxi, pediu que a levasse ao aeroporto. Contou-lhe a novidade.
Ofegava, se confundia, trocava data e lugares. Ele apenas balançava a cabeça: "Você, é doida, gata!" Mostrou-lhe as passagens para provar-lhe o que estava dizendo. Ele estacionou no acostamento. Pisca-alerta ligado. "Vai ter coragem de deixar a gente?" Ela prometera escrever todos os dias, sem censura ou vergonha. Enviaria-lhe fotografias nas quais ela estaria mergulhando num mar de recifes azuis. Ele pigarreou. "Se você nunca deixou-se fotografar, porque faria agora?" Ela estava quase arrependida de tê-lo chamado, quando ele contornou o balão do aeroporto. Ao estacionarem no desembarque, ele ainda lhe perguntou: "Vai mesmo?" Ela não lhe respondeu, preferiu beijar-lhe. Um longo, melado, profundo, beijo de língua, enquanto acariciava-lhe o zíper da calça de brin bege. "Quando você volta?" Ela já estava longe. "Antes do dia quinze", gritou, "Feliz Natal!" Por ela, poderia ser nunca mais. Rebolando mais do que de costume, encaminhou-se a balcão de atendimento. A moça pediu que se apressasse. Todos já haviam embarcado. Nem ouviu a atendente desejar-lhe boas festas.
21 de dez. de 2005
20 de dez. de 2005
Serenidade, Distanciamento e Boas Festas!
Felizes sãos as lesminhas a comer os brotos das phalaenopsis. Marcinho, você viu o lesmicida? Não. Deve está debaixo do tanque. Elas não tem que se preocupar com compras, pisca-piscas, presentes, cartões de Natal, Ceia, convidados, recepção, contas a pagar, insolvência. Na noite do dia 24, após a Missa do Galo, na Santo Antônio, vou me misturar aos convivas, ao voltar para casa; provarei da salada de alface americana, broto de alfafa, capuchinha e tomate-cereja (tudo sem vinagre, sal ou azeite para não tirar da boca o gosto distante da hóstia consagrada); mortificar a carne, ouvindo histórias de excessos, olhares de intimidação. (A polícia sabe torturar mesmo quando em traje de gala.) Talvez seja uma noite agradável na qual se fará amor no quarto do filho do meio dos anfitriões.
Ele estava ansioso, compreensível. Eu continuava a sustentar a mentira. Mais da metade dos muitos presentes debaixo da árvore destinava-se a ele. Num ato de generosidade, abriu o guarda-roupa e me disse: Pode escolher o que você quiser, -- para alguns segundos depois, concluir: se você não for cuspir. Contive minha vontade de empurrá-lo contra o guarda-roupa, não por ele ser mais forte do que eu, mas por ter testemunhado o quanto ele poderia ser covarde.
Com o peito arfando, colei-me ao seu corpo (tentativa desesperada de mostrar-lhe que era amor), ignorando o receio de mais uma vez ser afastado. Nenhuma palavra, nenhum gesto. Apenas o fluxo da corrente sangüínea a denunciar seu desejo. Minha boca embebida do ar da sua respiração, aguardava seu consentimento. Minha imagem invertida na sua pupila, me dizia: não se atreva. Faça o que lhe pedi. Não inventa moda. Se ao menos ele desviasse o olhar, poderíamos voltar ao jogo, terminar a partida, destrancar a porta. Mas preferia fitar-me tal qual um cão de rua em posição de briga. Ele queria que eu avançasse, para ter o prazer de se afastar. Eu queria não ter acompanhado meu pai, na véspera de Natal. Situação semelhante em que me encontro agora. Talvez seja essa a causa da minha má vontade em relação a tudo e a todos. Não posso fazer disso um drama.
Atualizado (18:40): Enquanto me dirigia à biblioteca, agora à tarde, estalou-me uma idéia: onde eu tenho buscado segurança e refúgio? Ora, na Literatura consagrada. Portanto, guri, não fuja de teste.
Oficina Poética no Portal Literal ou O Dom de Fluir
19 de dez. de 2005
From: Márcio
Date: 19/12/2005 13:17
Subject: Nothing compares to you. Lembra-se? (versão revista)
To: Beatriz Vilazanti
Sugar,
Oi! Sou eu. Escrever-lhe, hoje, tornou-se minha prioridade. Custei a tomar coragem. Os meses nos atropelam e depois ficamos com vergonha dos amigos por se manter tanto tempo afastado daqueles cujas lembranças sempre nos alegra.
Dias desses... minto, em julho, estava lendo "Cem Anos de Solidão" quando me lembrei de você me falando do trecho das formigas carregando um Buendía. Caramba! Onde elas estão? Lia, lia, lia e nada das tais formigas aparecerem. Será que era um detalhe irrevelevante?
Vi borboletas, bananeiras, toceiras de begônias, participei de expedições, de guerras, chorei, ri, praguejei, a ponto de me esquecer delas, jamais de você. Preciso escrever para Vila, preciso escrever para Vila. Para contar-lhe que me mudara para Macondo (como se me fosse possível).
Surpreendentemente, elas surgiram, minúsculas, avermelhadas, uma porção delas, saindo por várias frestas, subindo por todos os cantos, frustando os amantes, carregando o nenen. Demorei acreditar. O Gabo construíra um castelo de cartas (como baralho me fascina) e puxara aquela que servira de alicerce para as outras.
Desmoronei junto. E nada me aliviava do choque de realidade que a ficção me causara.
Refeito, voltei ao cotidiano. Peitar a Dona Relidade, pode ser divertido, descobri. Mas sem ficção estava desconfortável. Busquei, então, acalento com quem poderia me ajudar: primeiro Dostoievski, depois Clarice, em seguida, Lobo Antunes, Joyce, Oscar Wilde, Homero, Fernando Pessoa, Dante Aliglieri, Samuel Rawet, (quem mais me serviu de escora este ano?) Tolstói, Sófocles, Lorca, alguns teóricos enfadonhos e outros romancistas desgastados pela publicidade que dispensam citação.
Nem sei como consegui, entre faxes, e-mails, telefones e clientes, (Sim. Continuo aqui na loja.) acompanhar histórias tão distintas. Às vezes, me sentia tal qual uma abelha perdida no Jardim do Éden, noutras, um solista desafinando no ensaio aberto do coro sinfônico, ou ainda, um submarino emergindo no espaço marítimo de outras nações sem permissão. Entretanto, percebi que tal busca me ajudava a ser persuasivo com clientes, quaisquer que fossem. Corre até o boato que me tornei empresário do ramo de flores. Mentira. Nego e renego peremptoriamente. (Nós, brasilienses, principalmente os candangos, adoramos promover intrigas.)Posso ter fechado vultosos contratos. Recebido muitas cantatas. Recusado presentes e favores. Nem assim. Flores são negócios da família, nunca foi o meu. Você bem sabe.
É óbvio que o hábito de fazer a loja de sala de leitura tem me gerado conflitos, causado aborrecimentos. Contudo, minha vontade tem prevalecido, visto ver sincera. Não se preocupe. Estou bem. Comércio pode ser um bom lugar para colecionar tipos: ora bizarros, alguns hilários, outros taciturnos, ou ainda, dissimulados (meus preferidos).
É para um tipo assim, que prepararei o arranjo que estou lhe enviando. Gostaria que fosse como antes, flores para alegrar ainda mais sua noite de natal. Paciência. Vou imaginar que seja, escrevendo um conto inspirado na sua emoção ao receber flores de um amigo que há muito tempo não recebia notícias. Conseguir, não sei se vou. Caso consiga, receberá em breve, carta minha.
Está escutando ? ... Jingles all the way... Preciso ir. Não posso mais.
Beijos de boas festas!
Marcinho
P.S.: Enquanto lhe escrevia este, enviei-lhe, acidentalmente, uma cópia incompleta, sem revisão, em parágrafo único. Desconsidere, por favor. Isso que nos acontece quando teimamos em escrever no local de trabalho. Beijos!
16 de dez. de 2005
Tâmaras, damascos, nozes e avelã
9 de dez. de 2005
8 de dez. de 2005
Bem próximo de nós
Uma confissão de amor: um pau de arara desativado, atrás do Complexo Penitenciário da Papuda ( a uns 20 Km da Praça dos Três Poderes). Não era nada do que eu imaginava. Fiquei desapontado, assumo.
-- Então, vamos?
-- Você me fez trazê-lo aqui para quê? Curte o pôr-do-sol.
No horizonte, chamava-me atenção a chuva bem delimitada. Sentia ânsia de vômito. As barras da minha calça infestada de sementes de bidens pilosa me incomodavam. Não vou mais a restaurante nenhum. Vamos embora, não estou me sentindo bem. Imagens de Auschwitz me vieram à mente. Não deveria ter assistido ao documentário.
6 de dez. de 2005
Roberto Benigni: entrevista na ISTOÉ
Benigni – Como disse o jornalista Eugenio Scalfari, “a sátira é contra o poder, caso contrário não é sátira”. Porém, algumas personalidades atraem mais que outras. Por exemplo, Berlusconi (primeiro-ministro italiano). Mesmo se ele não tivesse tanto poder, seria satirizado porque ele atrai os cômicos. A sátira é a democracia que chicoteia a si mesma. Não sei fazer teorias sobre a sátira, talvez Dario Fo possa fazer melhor do que eu. O prazer de fazer rir é como o leite materno. Imagine que eu estou mamando aquele néctar... Eu não paro para pensar. Vou ficar olhando e pensando no sabor do peito? OK, eu sei que o seio não é o órgão mais apto para eu me explicar. (grifo nosso)
5 de dez. de 2005
Sorvete de pétalas rosa-menina, cobertura de espinhos
Disse-lhe que minha flor predileta era tulipa. Desapontado disfarçou o sorriso. Bobo. Desdenho todo o amor por mim.
2 de dez. de 2005
E saíram à caça
Quando vi o Ten. Coronel atravessando a rua, em direção à loja, minimizei a caixa de entrada do outlook e sai imediatamente do campo de visão dele. Contive o sorriso. Pensei em beber água. Não dava mais tempo. Ele já havia entrado na loja. Esperar ele não podia. Estendera-me a mão, sem esperar minha defesa. A sauna, na cabine. A boate, na dark room. O estacionamento, no motel. Disfarçar que não o conhecia era fácil, difícil foi fingir que havia sido apenas sexo avulso de tão casual. Vamos fazer tudo de nova, mas dessa vez diferente? Anotei seu pedido sem compreender claramente o que ele dizia. A letra antes legível, rabisco. Mostrei-lhe as anotações para que ele conferisse a encomenda. Falhas seriam punidas com cadeia. Diante do meu nevorsismo, ele se confundiu. Jantar formal? Não sei. Acho que sim. Com certeza. Perguntado sobre as cores e as flores: Confio no seu bom gosto. Comecei a explicar-lhe como seriam os arranjos: Está ótimo! Perfeito! Ele poderia ter-me dito: calma. Não tenho pressa. Mas preferiu reclamar da dor de cabeça: estou sem almoçar até agora. (Já se passava das quatro horas.) Ele ainda se lembra de julho. Gostaria que tivesse esquecido.
1 de dez. de 2005
Chuva de Ouro
Vou aguardar os apagadores me ensinarem a interpretar a sinfonia das poças de lama. O irascível problemático agente da ordem me cumprimentou. Estou feliz. Três a zero. Não soube eu prolongar o prazer. Sou estúpido, quando lírico. Paulistano doente por uma perfumada carreira de salmão, ele me convidara novamente para plotar a Avenida Paulista. Garoto arisco. Minha fama chegou a Beijing. Coração despetalado. Agressões verbais. Não escolho signos lingüisticos para externalizar a cólera que se alimenta do meu fígado. Nunca imaginei que seria capaz de dizer-lhe não. Quiçá... Não. Por atrás dessas nuvens, poderíamos acompanhar o suicídio do Sol. Ele se sensibilizou. Meu cinismo me assusta, mas é assim mesmo. É só tomar cuidado para não queimar as mãos. Vamos tomar uns gorós? Naquele boteco, onde há mais homens lindos que cerveja gelada? Fitei-lhe os olhos e murmurei uma desculpa qualquer. O agente se inquietou, estendeu-me a mão e falou num idioma que me surpreendeu: por favor. Óculos escuros resolverão o problema. Está fazendo um ano, amor. Estávamos distribuindo preservativos no setor hoteleiro e você fletando com as recepcionistas, só para me ver espumando. Por mim, ele morreria sem me conhecer novamente, estava eu mudado. Senti falta da sua boca me mordiscando a orelha, me repuxando o lábio inferior. Agora, pretendia me esconder atrás da comitiva de ursos brancos vestidos de ternos escuros. Promovo um bacanal, se você quiser, me dissera. Promessas perderão a validade quando chegarmos à Praça dos Três Poderes. Abelha perdida. Lábios ainda inchados. Além do mais, fantasia nos pêlos do joelho significam sonhos decifrados. Tão difícil de entender, não? Respirei fundo e me soltei do abraço que me acalmava. Queria um namorado, não um amante. Beijei-lhe com carinho, procurando o amor que ele trazia preso na garganta. Poderia fazer essa experiência, ir embora para São Paulo, até a aflição ceder, o desejo por mim esmaecer, mas ele não estava sendo convincente. Feliz Natal! -- lhe disse ao me despedir. Ele baixou a cabeça. E até agora não me respondeu os e-mails.
30 de nov. de 2005
Mamãezinha, a senhora sabe o quanto te odeio, mas não quero que saia por aí me chamando de ingrato. Obrigado por aquilo. Como? Não entendi. Obrigado, por ter me dito (o trocadilho chulo é proposital). A senhora poderia ter optado por interromper sua gravidez, não me oponho ao seu direito conquistado, contudo, pergunto-lhe sem esperança que me respondas, porque seguiu com a gestação, se no final ia me deixar sozinho. Foi para você ir se acostumando.
29 de nov. de 2005
28 de nov. de 2005
Fedor Dostoievski
26 de nov. de 2005
Estamos todos bem
A morte é tão feia, tão feia, que acaba se tornando simpática. Rezo para que ela seja boa comigo e com quem quero bem, mas quase sempre ela é perversa. Nos acorda de noite, tocando o interfone. É o jeito. Entra, senta-se. Quer um cafezinho? Uma água? Aceito um aperitivo. Então, ela nos distrai, nos faz rir (daí o humor negro), elogia nosso cabelo e, finalmente, nos mata. Sim. Mata-nos. Porque a estima por quem falecera revestia o ventrículo direito do meu coração. Falta de ar. Deixa de frescura e vá ligar para funerária, meu papel termina aqui. Nossos sentimentos. Me dá um abraço e vai se embora.
Se me fosse permitido, escolheria morrer por uma efermidade, não por acidente. Eu sofreria muito é verdade(tem morfina, pra quê?), incomodaria muito mais (quando se tem herança, não é incômodo nenhum), em compensação, ninguém levaria um susto (susto mata, sabiam?), ao contrário, seria um alívio. Foi melhor assim. Ele foi descansar (nós também). Ao observar a chuva a fustigar o pára-brisa, imaginei-me eu a enterrar meu pai. Foi difícil conter o choro, como está sendo agora. Daria um interessante capítulo de introdução. Depois. Da morte, só consigo rir.
25 de nov. de 2005
Em suspensão até segunda ordem
Não esperava ler "Harry Potter and the Half-Blood Prince" antes do carnaval. A fila andou rápido. Será que lá na Inglaterra, assim como no Brasil, a editora doa um volume para as bibliotecas? Creio que não. Do contrário, teria um carimbão na falsa folha de rosto. Então, o diretor da Cultura Inglesa (filial Brasília) aceitou o argumento das bibliotecárias que dessa vez, mais do nunca, transcorreriam longos angustiantes quinze dias para os pottermaníacos: Já chegou? Ainda, não. Ai, Meu Deus! Levar quinze dias para ler o Harry Potter! Só pode ser aluno do Intermediário. O nervosismo da garota recendeu no frio da biblioteca. Hermione Granger. Eu fui mais discreto: Oi, Kathy, tudo bom? Teria como eu dar uma olhadinha na lista de espera? Claro, meu anjo. Você não vai acreditar? Ela virou o monitor para que eu mesmo visse. Você é o próximo! Li meio incrédulo meu nome na tela do computador. Nunca tive tanta dúvida que aquele nome fosse o meu. Nem na lista dos aprovados do vestibular da UnB, fui tomado por tanto cepticismo. Tantos homônimos espalhados pelo país, deve ser outro... Se eu te contar, leitor, que ao sair do igloo-da-Kathy , abri a porta para a moça que ia devolver o livro, tu acreditas? Elegante morena de olhos azuis, magrela de tão alta, cachecol (ou echarpe?) vermelho enrolado no pescoço, perdida numa mini saia jeans. Fleur Delacour. Ela se dirigiu a uma cabine multimídia e passou toda a tarde aperfeiçoando sua pronúncia. Foi melhor assim, o desencontro me permitiu testemunhar um crime. Sou péssimo fisionomista, Doutor.
24 de nov. de 2005
A mão-de-gato dos blogs
Pessoas restritas só servem para me certificar que há muita gente mal intencionadas neste país, ou ingênuas.
Fontes não identificadas esquentam noticiário e iludem leitor
A Lebre e o Leão ontem à noite na fila do cinema.
Sempre depois do coito tomávamos vermífugo. Ela se achava a esclarecida. A tia-madrinha explicava minusiosamente detalhes da genitália feminina, da masculina, como se limpar, o ciclo mestrual, como se desvencilhar de canalhas que "só querem nos ver sofrer." (Ela tinha experiência.)
Eu, por minha vez, procurava os livros, os quais apenas folheava. Não entendia absolutamente nada. Agora percebo que era minha ansiedade não me permitia me concentrar, portanto compreender o que se lia. Não sofria de uma idiotice pressumida. De uma coisa, eu sabia: camisinha era um método contraceptivo eficaz, desde que associada com outros métodos e não podia se confiar na tabelinha.
Todo mês por volta do dia dezessete, eu a perguntava: Laurinha, desceu? Ainda não, mas não se preocupa. Minha tia me explicou que meu ciclo ainda é irregular. É normal atrassar. Eu que comesse minhas unhas até o sabugo. Você, perguntou o que seria aquela dor que eu sinto. Ah! me esqueci. Deve ser doença venéria...
Uma manchinha arroxeada na glande me levou à visitar o consultório de uma renomada infectologista aqui na capital, dez anos mais tarde. Vai ali para aquele canto. Pode baixar as calças. A cueca. Agora expõem para fora a glande. Minhas pernas tremiam. Eu precisava sentar. Com a mini laterna focando a região pélvica, diagnosticou a médica: é um mancha de nascença. Pode vestir a roupa e lavar as mãos naquela pia. Eu queria ter lhe fazer várias perguntas, mas estava com vergonha. Hoje, eu sei que dor era aquela que eu sentia. Mas por que, então, a Laurinha nunca engravidou?
P.S.: Na realidade, ela estava mais para uma tigreza. Unhas grandes, coloridas de tão estravagantes que me marcavam as costas. Eu gostava. Nem sempre. Tenho orgulho das minhas cicatrizes e exibir minhas costas ossudas. Isso aqui foi uma louca. Explico, fingindo indiferença. Me restava, então, ser um lebracho. Admiro-me a misericórdia dela, em nunca ter me devorado a tenra carne que insistia em dizer sim, quando eu queria dizer não.
23 de nov. de 2005
Trechos dostoievianos: meus preferidos
Interrompemos a leitura quando atiraram o pão traiçoeiro ao famélico cão. Em Moscou deveria ser diferente.
22 de nov. de 2005
Oncídios do Jardim Botânico
Não há nada melhor do que estar desempregado. Até quando? Até dia vinte nove do corrente. Vou entrar na cápsula de vento. Me sentirei um pouco abatido, mas sairei mais forte. A verdade alimenta a disciplina. Hoje finalmente coloco as mãos no tratado para sempre. Quem sabe não publique uma fotos. (Exibido!)
21 de nov. de 2005
O que eu gostaria de ganhar de Natal?
19 de nov. de 2005
Bienvenue sur le site officiel de Charles Aznavour
18 de nov. de 2005
Festa do Beaujolais Nouveau termina em violência na França
Escondido debaixo da cama
17 de nov. de 2005
Dentro do Toyota
Ao lusco-fusco, da Praça dos Três Poderes, via-se que as luzes do gabinete ainda não haviam sido acessas. O arranjo de rosas coral não poderia ter servido de desculpa suficiente para uma intimação. Lá estávamos. O polícia me flagrara antes da última colherada. E as novidade, Dr. Márcio? Nenhuma, Dentinho, nenhuma. Fiquei em dúvidas se lhe confiara meu novo imbróglio. (Ele poderia me julgar um promíscuo.) Dentido, você se lembra daquela história do estripador do cerrado? O conselheiro?! Claro! Haverá uma performace no assoalho do lago depois de amanhã. Queria saber quantos meses o dentinho levaria para se ajoelhar diante o estante de vendas do cacos adocicados da fábrica de refino de telúrio. Corta o cabelo. Faz a barba. Depois a gente conversa sobre quantos cães serão necessários para curar nossas nuvens oscilatórias. Vocês se amaram? Só permiti que facas de plásticos me ensinassem a capturar borboletas azuis. Massa podre com Beaujolais. Ninguém nos observava, com exceção as esculturas nigerianas. Antílopes machos mordiscando-se. Aproximei-me da orelha esquerda do Dentido, sua boina ainda suja de sangue seco. Acho que até o final do ano me caso. Casar-se para sair de casa, assim como as moçoilas faziam? Não convém. Ele me ama. Para o conselheiro, você não passa de um pedaço de pé-de-moleque moído. Refiro-me aos óculos de São Francisco de Assis. Ele vai me vencer todas as noites de sol sem ninguém para me explicar como se cozinha beringela. Não obstantes as curvas soltas, examinei minuciosamente o nó, sinal que os óculos profanos do Santo agiria sobre minhas fantasias. Dentinho praguejou, chamou-me de fraco e me aconselhou a não comentar com o diplomata meus planos. Este poderia pensar que eu queria vida fácil ou que estava chamando-lhe para o rola. Dificilmente, acredito em laranjas, principalmente quando muito azedas. Em retribuição a minha educação, provei da ironia do conselheiro: Dr. Márcio.
Próximo capítulo , oxímoro domingo: o coronel a me esmagar a mão.
São Google, olhai por nós plagiadores.
Pixies: Discografia completa
16 de nov. de 2005
Nicolás Bratosevich
Ricardo Piglia
8 de nov. de 2005
Espane os móveis
"... tudo aquilo que me disseste sábado, por telefone, ainda desperta no meu estômago desejos fédidos. Eu te amo, Bobão. Não é por causa do cavanhaque, aliás, desenho perfeito, que vou me desfazer do molho de chaves suíças. A dor se transformou num leve incomodo, nada próximo do sorriso braquiproctofilista do papai Ursinaldo Diego Pórfiro. De novo, não, por favor. Não sou mais aquele efebo. Quero morrer puro como rastilhos de sal que se secam sobre minhas maçãs, as quais você nunca mais beijou, em público, na fila de cinema, para as outras bichas morrerem de inveja. Elas que morram daquela outra coisa lá. (Sim, gosto de lhe ostentar feito troféu.) Nós dois seremos sempre parceiros das confidências ouvidas atrás da porta. E nem que as folhas caíssem quando você soprasse no meu ouvido fantasias proibidas até para nós que temos a mente arregaçada de tão liberal, nem assim, eu poderia fazer aquela diferença milimétrica. Serve-me, mais chocolate, a imagem do jeans se rasgando me deixou carente. Seus beijos não suprem mais as comportas da minha Itiquira. Cachoeira, amor. Nem me lembro da diferença entre gotas tingindo minhas costas (nuas) e latinhas de cerveja nos esperando para brindar nosso único aniversário que deveria ser comemorado. (Estou simplicando para você.) Sinto falta das suas amigas. Apenas das falas, não das ações. Sou aquele ciumento que não se importa em iniciar um interrogatório, as duas horas da manhã. Tudo nosso, aconteceu de madrugada: as velas, o carro, a mãe, seu padastro, seu filho, por que agora seria diferente? Tenho receio da cena da embriaguez volte repaginada. Só para não usar uma palavra. Vou dar uma fumada e volto em seguida para dizer-lhe que estou aos poucos levando meus livros para aquilo que você teima em chamar de forte e eu teimo em chamar de esconderijo. Lar, um dia, talvez, só Deus sabe. Que me importa a chegada da chuva. Os pintores não virão mais."
31 de out. de 2005
MENU DO DIA
Di Cla,
Encontrei esse jogo da confissão que está circulando pela blogosfera no Sisifo's Curce, blog da nossa querida amiga Dayse. Tentei desvincular o alter ego, construído arduamente ao longo desses três anos, de quem ora lhe escreve. Espero que você não se incomode. Pretensão, às vezes cansa. Posto a explicação, vamos ao jogo:
Eu não sei:
1.Agradecer
2.Mentir
3.Guardar segredos
5.Pedir desculpas
6.Amar
7.Escutar
8.Dividir
9.Despedir-me
10.Compor sonetos
Eu sei:
1.Presentear
2.Atar nó borboleta
3.Preparar paella
4.Escolher vinhos
5.Receber convidados
6.Apresentar pessoas que não se conhecem
7.Dançar bolero
8.Divergir de opiniões
9.Reconhecer méritos
10.Nadar de costas
Tenho medo:
1.dos Ciumentos
2.dos Paranóicos
3.dos Carismáticos
4.dos Auto-confiantes
5.de Freiras
Não tenho medo de:
1.Assessores
2.Deputados
3.Senadores
4.Fazendeiros
5.Conselheiros
6.Embaixadores
7.Capitães
8.Comandantes
9.Almirantes
10.Brigadeiros
11.Generais
12.Delegados
13.Advogados
14.Promotores
15.Juízes
16.Desembargadores
17.Párocos
18.Empressários da noite
19.Filhinhos-de-papai
20.Leões-de-chácara
Detesto:
1.Marrentos
2.Gozadores
3.Atrevidos
4.Arrogantes
5.Extremistas
6.Alcóolatras
7.Vitimistas
8.Investigadores
9.Promíscuos
10. Rosas vermelhas
Sou fissurado por:
1.Cílios
2.Seios
3.Glúteos
4.Lábios finos, grossos; pequenos grandes e grandes pequenos
5.Prepúcios
Eu nunca:
1.Soltei pipa
2.Briguei na rua
3.Tomei banho de chuva
4.Respondi minha madrasta
5.Participei de ménages à trois, gang-bang ou sessões de SM
Eu já:
1.Sofri luxação no pulso
2.Apanhei com fio de ferro-de-passar-roupa
3.Fugi de casa
4.Reprovei de ano
5.Trafiquei
6.Roubei
7.Prostitui-me
8.Experimentei drogas
9.Recebi herança
10.Fui violentado
11.Cantei em coral
12.Dirigi elenco teatral
13.Interpretei papéis femininos
14.Jantei em Embaixada
15.Desci de rapel
16.Cavei valas
17.Pratiquei espeleologia
18.Xinguei professor em sala de aula perante testemunhas
19.Venci uma causa
20.Escrevi cartas de amor
21.Brinquei de roleta-russa
22.Observei uma autópsia
23.Presenciei tortura psicológica conduzida por oficiais do Regimento da Polícia Montada do Distrito Federal
24.Simulei estupro
25.Fui vítima de afogamento
26.Quebrei óculos-de-sol
27.Consultei cartomante
28.Montei e desmontei um fuzil Colt M-16
29.Devolvi aliança de compromisso
30.Compus sonetos
































