9 de mar. de 2006
Blair garante a Lula investigação no caso Jean Charles de Menezes
Quando a discriminação vira notícia
7 de mar. de 2006
Presidente Lula em Londres
6 de mar. de 2006
Bolo de vento aos perdedores
Ao pôr os pés no chão: "até estancar o sangue." Enquanto estava arrumando a cama, reelaborei a frase: "deixa o sangue estancar, resmunguei." Seria uma frase interessante para inciar o post de hoje (20/02). Passaria a impressão de que havíamos ido além do simples desentendimento dos casais complicados. Não me entrego facilmente a quem se oferece sem pudor. Isolou-se debaixo das almofadas, até o dedo voltar a estralar. "Olha, o morto." -- disse a mal-amada. Oi, Helena! -- respondi, sem que elas esperassem, à amiga, que também deve ser uma mal-amada, porque mal casada, sei que é. Batom vermelho num aniversário de criança é sinal que está a procura de homem. Casal se esfregando ao dançar. Péssimo gosto. Todos aplaudiam. Exbicionismo tem hora e lugar. Você não vai ser servir? Não, obrigado. Quando estou contrariado nem apetite sinto, quanto mais vontade de fazer o social. Necessidade de voltar para debaixo da cama onde escondo aquela saudade moída. Estou apaixonado e todos desconfiam. Os telefonemas, os e-mails imprimidos, as idas ao orelhão, as fotografias digitais reveladas em papel couchê. (Para que ele guarde no fundo falso da gaveta da estante, o que se banalizou.) Passo uma mensagem pelo celular. Encontro marcado. É improvável que algum dia venha beijar-lhe a boca durante a cerimônia de formatura. Seria expulso imediatamente da coorporação e minha amiga me pergunta: Você tem fetiche? Muitos de nós temos. A sensação de segurança, de proteção. Disse-lhe que qualquer lugar seria muito perigoso ao lado dele. A hemorragia nasal nos atrapalhou qualquer intenção. E era o domingo de sol forte que eu havia pedido a Deus.
4 de mar. de 2006
A vasculhar históricos (II)
-- Marcito, são bonitas as alstroemérias?
-- Bonitas? Elas são lindas. Pena as pétalas serem tão frágeis. Elas são apropriadas para compor buquês compactos, daqueles usados quando vamos recepcionar alguém no aeroporto. As de cores quentes resistem por mais tempo.
-- hmmm...
-- Por quê?
-- Estou pensando.
-- Na roda?
-- Não. Apenas pensando.
A vasculhar históricos (I)
-- E aí, grande Marcinho, fmz?
-- Tranqüilo, Tobalo, e contigo?
-- Então, está é sua cara...rs.
(Ele se referia a minha fotografia no visor do MSN.)
-- Estou morrendo de vergonha de ti.
-- Sou eu mesmo. Flagrado ao acordar, rs
-- Ainda não lhe enviei os e-mails.
-- É até que você é um cara simpático...rs
-- Gentileza tua.
-- E os projetos? Conversou com o pessoal da COGER?
-- De perto até que engano. De terno então, nem se diga. Fui recebido como chefe-de-estado.
-- E eu sou feio de qualquer jeito..rs.
-- Que nada. Muitas vezes temos um certo charme que desconhecemos.
-- É, a mulherada sempre me diz isso...rs.
-- (...)
Há uma música do povo
3 de mar. de 2006
A vinte reais o vaso
A voz da Elis vindo de algum lugar da web. "Me deixas louca." Na lavanderia, meia hora atrás, fraquejei ao preencher o comprovante do cartão de débito. Esse não precisa assinar, senhor. Basta a senha -- me dissera a mocinha de piercing no supercílio. Porque ao conferir a data, a tempestade se fez dentre de mim. Está chovendo forte, não? Diz isso, senhorita, porque não olhou aqui dentro de mim. Peguei os ternos. Agradeci o gentil atendimento e resolvi enfrentar as linhas transversais que nos bloqueava a olhar. Paisagem dos sonhos, se plantasse milho. Gotas. Granizos. Enxurrada, lama. Queria entrar em casa antes que o Fornazze chegasse e descobrisse que eu havia lhe mentido. Sim. Ele chegou há dez dia e eu continuo me encontrando com o formando da turma do Oitavo. Você buscou meus ternos? Busquei, sim. Algo mais? Zombo da morte, que a raiva esconde.
Depois do almoço, vamos levar crisântemos brancos perfumados à lápide daquela senhora com quem sonho quando me deito cedo. Enquanto a lasanha termina de assar, ele tomará seu banho, sentará à mesa, vestindo apenas cueca. Branca, boxer. Vai me pedir que lhe sirva vinho. Tinto. Miolo. Ele me observará soprando o alpiste do Miro. Tecerá ditos monocórdicos sobre o buquê do vinho, sobre as uvas, sobre meus pés. Me pedirá um favor, e eu concentrado nas marcas que o cutelo faz na tábua-de-carne, me recusarei. O tomilho picado exala pela cozinha a senha. Me abraça pela cintura. Me convence a desligar o fogo do feijão com um beijo na nuca. E me explica minusiosamente os planos para essa tarde. Preciso ir ao cemitério antes, querido. Mesmo que seja só.
2 de mar. de 2006
Que sejam belos, mesmo forjados
Acabo de ver num grande portal da web fotografias do carnaval de Salvador. Foliões se beijando. Nenhuma ponta inveja, tampouco de excitação. Deve ser muito gostoso: axé, suor, saliva. E é mesmo. Contudo, falta um ingrediente aos modelos de abadá, aos fotojornalistas, que torne as fotos relevantes. Espontaneidade, a foto, tal qual beijo; melhor roubado. Não há porque forçar, quando ambos querem. (Ele queria no seu íntimo) Há de se entregar à gostosa surpresa do inevitável, principalmente quando não podemos nomear os desejos escamoteados para debaixo da mesa centro da sala-de-estar.
Nos han dado la tierra
Manipulação, Contramanipulação e persuasão no discurso Presidencial: mecanismos circunstanciais ou sempre atuais?
Alguns minutos depois, na outra mesa.
-- Você não vai mais me ajudar?
-- Estou aqui, qualquer dúvida me pergunte.
E nem o telefonema esperado ele quis atender.
Rainha fará pedido de desculpas velado por Jean Charles
Grã-Bretanha: Inglaterra, Escócia e País de Gales
Reino Unido: Grã-Bretanha + Irlanda do Norte, alguns territórios e várias possessões, entre elas, Falklands, vulgarmente conhecida como Ilhas Malvinas.
-- E a Commonwealth (Comunidade Britânica), primo?
Essa guria andou estudando. Ela quer me pegar.
-- Não sou enciclopédia. Nem tenho pretensão. Busque no Google.
-- Mas, Marcinho...
-- Posso te orientar na escolha dos links.
1 de mar. de 2006
Fênix em vigília
Do seu carnaval, só quero as cinzas. As vinte horas de sono ininterrupto. As dores a procurar asilo nas costas do escapulário. Nas nádegas desfraldadas. Um aconchego, para o rapaz que se aproximou sem se anunciar. Você se entrega facilmente aos gigantes. Pés de barro. Sujos. Fomos assentar um mármore na casa do Coronel. Relaxar o esfíncter e soltar a respiração. Seria uma fórmula, se não tivesse sido uma graça alcançada. Chora, sangra, espuma. Como é difícil te amar, Márcio. Amar? Me empresta o notebook que eu te mostro a face escura do sentimento enterrado, ontem à noite, atrás do canteiro de tomates. Vamos ao cinema amanhã? Depois da missa, respondi.







