22 de mar. de 2006

A quanto tempo, não mexia no template. Me sinto uma criança brincando de barquinho.

O auto-engano dos livros (matéria do Observatório da Imprensa)

Há! Há! Há! É por isso que não entro em livrarias de shopping center. Prefiro a crise alérgica desencadeada quando respiro o ar cheio mofos e ácaros. Pode-se vê-los em suspensão. As traças e as aranhas podem ser boas anfitriãs quando acertamos a correta seqüência da senha.

21 de mar. de 2006

43 Things

a nova ciberpandemia.

Google é intimado por crimes em sites do Orkut

F-I-N-A-L-M-E-N-T-E!

Revista Época Blog Brasil

Profissionais se equilibrando a 9.000 pés de altura. Acho muito engraçado tudo isso. Fazia tempo que não ria tão gostoso.

20 de mar. de 2006

Várias peças e nenhuma


puzzle, originally uploaded by magnopere.

Madrugada de domingo, o lusco-fusco quebrava o encanto das castanholas. Amor? Jogo-o sozinho. Os vencedores perderam mais do que sentem. Perigos que nos fascinam quando os asfaltos recapeados nos chamam, plumas para pés quentes. Poderia ter ido parar no sexto anel do Inferno. Zombo da morte, como ela desdenha meus pêlos do braço, razão pela qual, horas antes, acompanhava a partida de sinuca, rinha de cão de rua. A bola branca encaçapava todas as outras na seqüência determinada pelo desenho da mangueira. No reflexo do copo, reconheci rostos familiares. Era tarde demais para pedir desculpas ou prometer retornar ligações, que nunca seriam atendidas. Concentrei-me na partida, o jogador queria mais do que olhares invejosos de todos do salão. Bastava a sua. De decubito ventral na cama de solteiro, rezava para que minhas vísceras deixassem de tremer. Havia sido apenas um descabida declaração do ébrio adestrado. Desencaxei as peças do meu quebra-cabeça para que fulaninhus de tal o montasse. Só não imaginei que peças perdidas seriam achadas. Antes eu tivesse ido para o beber com o capeta.

18 de mar. de 2006

De lado


the dark side of me, originally uploaded by Bruno Abreu.
Atrasado cinco minutos do horário combinado. O foyer tornou-se pequeno diante a raiva do fulaninho. Não faça mais isso. Não gosto de esperar. Desculpa, disse-lhe. E quando você está de prontidão? É diferente, me respondeu. Medo de que eu não viesse? De que tivesse acontecido algo de grave comigo? Ele me olhou de soslaio e nada disse. Entregou-me os ingressos. Vermelhos. Um pouco amassados. Examinava o acabamento das entradas em papel couchê como se degustasse costelinha de carneiro ao molho de sherry. Como foi seu dia? Ótimo! Tentava reconhecer o nome de alguém conhecido da equipe técnica. Até que ele as tomou da minha mão, guardando-as no bolso interno do paletó.

Poderia ter compartilhado com ele a crônica das notas fiscais rasuradas. Foram seis. Oito. Mas preferi poupá-lo de um cotidiano bobo, tolo, besta que vinha me sujeitando a troco de quê? Correntes de ouro em suspensão. Sonhos transcritos às 3h e meia da manhã. Estou com dor de cabeça. Fui almoçar às cinco horas da tarde. E mesmo ocupado me passou várias mensagens por celular, a tarde toda. Provavelmente, tédio e a forma encontrada para aliviá-lo, seria imaginar que alguém o aguardava. Alguém que mal conseguia segurar a caneta esferográfica de tão calejadas estavam as pontas dos dedos. Você recebeu minha mensagem? Tanto que estou aqui, respondi-lhe; desta vez fitando-lhe os olhos. Mantive-me preso ao olhar que me transmitia insatisfação. Que não se repita. Quando for se atrasar, me avisa.

Por causa de cinco minutos trovoadas ecoavam dentro do teatro, não mais lá fora. Baixei a cabeça à procura de desculpas convincentes, mas tudo que eu lhe oferecia de volta era o olhar marejado, denunciado por uma voz sufocada. Um choro que há muitos dias fugia de mim. Privacidade, por dois minutos. Tive um expediente atribulado; comecei a esbouçar uma explicação. A maioria das pessoas que está aqui também teve. Basta observar. Só me interessa observar você, falei. Preciso tomar uma cerveja. Mais? Guardei para mim a palavra que poderia desencadear ofensas mal direcionadas. Você realmente quer assistir a peça? Não; me respondeu, balaçando a cabeça. Então vamos para um lugar mais calmo. Era como se eu falasse sozinho. Acompanhei-o até o bar sem distinguir rostos supostamente conhecidos. Ele pediu a cerveja ao garçon, enquanto tirava a carteira do bolso. Procurava, entre notas de cem e cinqüenta, dinheiro trocado. Não encontrou. Buscou nos bolsos. Foi jogando sobre o balcão tudo que ali se encontrava: maço de cigarros, isqueiro, centavos de moeda americana, as chaves de casa, a do carro. Do outro bolso tirou um pen drive, o celular que quase foi ao chão. Curiosos assistiam a ridícula cena, imobilizados de... medo? Com certeza, assustados. A glock e a funcional juntaram-se aos outros objetos como se fosse a cereja do bolo. Entreguei meu cartão ao garçon, atônito, e pedi que passasse no débito, rezando para que a venda fosse processada antes que o fulaninho terminasse de socar seus pertences nos bolsos. Ufa! Obrigado, Senhor. Vamos? Ele realmente detestava esperar.

Dentro do carro, perguntei: O que aconteceu? Não gosto de ser usado. Por certo você deve ter se deleitado me fazendo esperar diante seus amigos. O quê?! Que amigos? De quais premissas você partiu para chegar a essa FALSA conclusão. A 120 km/h preferia que ele se concentrasse no trânsito, no semáforo, nos quebra-molas ao invés de vilipendiar meus colegas. Magoado, fiquei calado e não pedi que me levasse em casa. Deixei a cargo de sua consciência. No retorno do balão do aeroporto clareou-se suas intenções. As minhas, desde de manhã. Ao entrarmos no apartamento, fui direto para o quarto. A roupa cuidosamente sob o recamier, dobrei. O lençol cheirando à estoraque arranhava minha pele do dorso das minhas costas. A sensação de fervura no peito cedeu ao sono. Fui acordando com o peso de um corpo bêbado me puxando pelos quadris. Fingi que estava dormindo. De mim ele não ouviu nenhum murmúrio.

17 de mar. de 2006

Blogging | Outreach and outrage | Economist.com

Os links das blogotecas; finnícius wakeado a enjoycear veleidades pela estreita janela do quartinho dos fundos. Pétalas de sabão, bolas de flores. Buquês. Poderia ser de vinho tinto. Lençóis molhados. Suor à 15º celsius. Tremelico. Me escondo na banheira para me proteger da chuva que vem depois do gozo. A água contrabandeada de Poços de Caldas em garrafões de água minerail, transborda. Fria. Desperdício, grita Aroeira. Eu sou aroeira, Marcinho. Eu não fazia idéia o que significava isso. Arrependido? Agora não dá mais tempo. Fernando Pessoa me assopra um poema. Sou o epilético enrrolando a língua. Viva. A saliva que escorre da boca provém da raiva. Oba! Por causa do churrasco. Teremos cerveja a granel. A fumaça, a picanha e os erros. A fotocópia de apenas dez por cento: compromissos de amanhã. A morte do escritor: compromissos de amanhã. (Cadeira vaga. Na munheca, não) A peça do Paulo Autran: compromisso de amanhã que se tornou hoje, sem que eu me desse conta.

Brazil | A nation of non-readers | Economist.com

Temos um mercado em potencial. Foi isso mesmo que eu entendi?

Brasil é nação de não-leitores

Nem por isso.

15 de mar. de 2006

De paraísos e infernos

O nome dele era Gottlieb.

Geraldo Alckimin versus 'Carismático da Silva'

Naum estendo a maum a pessoas carismáticas. Vaum ser simpáticos lah com seus eleitouros. Brum... Brum... Multidaum di ovelhinhas, cavalinhas, caveirinhas, pisoteamassadas. Ensopado de Chuchu com lula flambada. Sob o efeito do finn que vem acolah. Duas doses de caipiranha. Sirva-se e volte cah.
Enquanto limpava a santa, Cínthia comentava com a cozinheira a visita do comandante. Tive medo dele me agarrar. Não era isso que todas gostaríamos? Era apenas um desejo que lhe vendava os olhos impedindo que da cabine de comando levantassem vôo. O caça supersônico agachando-se para pegar uma flor arrancada pelo vento. O Comandante oferecia à Cínthia mais que uma singela pata-de-vaca branca, oferecia a cura para o vício das laranjas sem sementes. As feridas não se cicatrizam. Ela tremia na impossibilidade de pronunciar correntamente seu nome. Um convite para jantar. O belo casal dançaria por horas, dias, semanas. Era desejo. Nada mais do que isso. O freio que cegava Cínthia.

14 de mar. de 2006

Vinícius em Cy

Poeta, poetinha, camarada. Quão longe você foi, que ainda não voltou. (Nem voltará.) Aprendi com as Penélopes a esperar. Na era da telemática as notícias são raios de sol a nos queimar a vista. Não pode ter sido um ferimento profundo.

11 de mar. de 2006

A ossada de US$ 150 mil

Se confirmado o fato, a família do engenheiro João José Vasconcellos, seqüestrado no Iraque, estará amparada. Moeda de espécie alguma por mais valiosa que seja ameniza a dor da perda de um ente querido. Mas sem seguro fica infinitivamente mais difícil. Ou não? Pode-se ocorrer uma tragédia ao se discutir a partilha de bens. Pode-se surgir amigos interesseiros mais que traidores a nos sorver a fortuna. Não sei bem o que aconteceu, me dissera a paulistinha fantasiada de samambaia.

42, originally uploaded by Zac Chen.

"Só havia os dois na montanha pairando no ar eufórico e amargo, olhando de cima o dorso da águia e os faróis rastejantes dos veículos na planície, suspensos acima dos assuntos corriqueiros e longe dos mansos cachorros de fazenda que latiam quando escurecia. Eles se achavam invisíveis."
Idem


Goodbye, My Lover, originally uploaded by ngeva_01.

"A camisa parecia pesada até que Ennis viu que havia uma outra por dentro. As mangas estavam cuidadosamente colocadas por dentro das mangas da camisa de Jack. Era uma camisa perdida sua, ele pensou, há muito tempo atrás em alguma lavanderia. Sua camisa suja, o bolso rasgado, com botões faltando, roubada por Jack e escondida aqui dentro da camisa dele. As duas camisas eram um par como duas peles, uma dentro da outra, uma coisa só. Ennis apertou o rosto contra o tecido e respirou vagarosamente pela boca e pelo nariz, esperando que houvesse um resto de fumaça, de sálvia da montanha e do doce e salgado mau cheiro de Jack mas não havia nada, só a memória, o poder imaginário de Brockeback Mountain de que nada tinha restado a não ser o que estava nas suas mãos."
Annie Proulx (Trad: Adalgisa Campos da Silva,2006)

Ministério Público pede quebra de sigilo de usuários do Orkut

Olha a tempestade que estava vindo. A enxurrada vai revolver todo o lixo escondido debaixo da cama. A população apavorada de tão desamparada corre em direção à ponte. Atravessá-la. Saltar? Monitoro as imagens, na ilha de edição. Sinto prazer ao vê-las. Contribui conforme me cabia. Felicidade navegando no triste mar de agosto.

10 de mar. de 2006

Rompendo Fronteiras e Discutindo a Diversidade Sexual na Escola

Eram astronautas meus professores?

pantalla de movil, originally uploaded by miook.

Estou ligando desde ontem. Miojo com iogurte não foi uma boa escolha.

9 de mar. de 2006

Blair garante a Lula investigação no caso Jean Charles de Menezes

O que o falará os nossos detratores?

Quando a discriminação vira notícia

Desculpem-me minhas leitoras, o Dia Internacional da Mulher transformou-se numa data de consumo desenfreado.

7 de mar. de 2006

Presidente Lula em Londres

O que os assessores militares do presidente Néstor Kirchner devem achar disso? Não que me importe. Mas adoraria ter perguntado ao senhor que desvia o olhar quando me aproximo.

6 de mar. de 2006

Bolo de vento aos perdedores


Impresionismo 2 - La vuelta, originally uploaded by aagg.

Ao pôr os pés no chão: "até estancar o sangue." Enquanto estava arrumando a cama, reelaborei a frase: "deixa o sangue estancar, resmunguei." Seria uma frase interessante para inciar o post de hoje (20/02). Passaria a impressão de que havíamos ido além do simples desentendimento dos casais complicados. Não me entrego facilmente a quem se oferece sem pudor. Isolou-se debaixo das almofadas, até o dedo voltar a estralar. "Olha, o morto." -- disse a mal-amada. Oi, Helena! -- respondi, sem que elas esperassem, à amiga, que também deve ser uma mal-amada, porque mal casada, sei que é. Batom vermelho num aniversário de criança é sinal que está a procura de homem. Casal se esfregando ao dançar. Péssimo gosto. Todos aplaudiam. Exbicionismo tem hora e lugar. Você não vai ser servir? Não, obrigado. Quando estou contrariado nem apetite sinto, quanto mais vontade de fazer o social. Necessidade de voltar para debaixo da cama onde escondo aquela saudade moída. Estou apaixonado e todos desconfiam. Os telefonemas, os e-mails imprimidos, as idas ao orelhão, as fotografias digitais reveladas em papel couchê. (Para que ele guarde no fundo falso da gaveta da estante, o que se banalizou.) Passo uma mensagem pelo celular. Encontro marcado. É improvável que algum dia venha beijar-lhe a boca durante a cerimônia de formatura. Seria expulso imediatamente da coorporação e minha amiga me pergunta: Você tem fetiche? Muitos de nós temos. A sensação de segurança, de proteção. Disse-lhe que qualquer lugar seria muito perigoso ao lado dele. A hemorragia nasal nos atrapalhou qualquer intenção. E era o domingo de sol forte que eu havia pedido a Deus.

4 de mar. de 2006

A vasculhar históricos (II)


Peruvian Lily, originally uploaded by mjross.

-- Marcito, são bonitas as alstroemérias?
-- Bonitas? Elas são lindas. Pena as pétalas serem tão frágeis. Elas são apropriadas para compor buquês compactos, daqueles usados quando vamos recepcionar alguém no aeroporto. As de cores quentes resistem por mais tempo.
-- hmmm...
-- Por quê?
-- Estou pensando.
-- Na roda?
-- Não. Apenas pensando.

A vasculhar históricos (I)


Webcam, originally uploaded by Michael Battista.

-- E aí, grande Marcinho, fmz?

-- Tranqüilo, Tobalo, e contigo?

-- Então, está é sua cara...rs.
(Ele se referia a minha fotografia no visor do MSN.)

-- Estou morrendo de vergonha de ti.

-- Sou eu mesmo. Flagrado ao acordar, rs

-- Ainda não lhe enviei os e-mails.

-- É até que você é um cara simpático...rs

-- Gentileza tua.

-- E os projetos? Conversou com o pessoal da COGER?

-- De perto até que engano. De terno então, nem se diga. Fui recebido como chefe-de-estado.

-- E eu sou feio de qualquer jeito..rs.

-- Que nada. Muitas vezes temos um certo charme que desconhecemos.

-- É, a mulherada sempre me diz isso...rs.

-- (...)

Deixemos por alguns segundos a ficção na gaveta e vamos tecer uma pretensiosa crítica literária. Esse poema (clica aqui e depois volta) da Miss Eckardt (Oi, Dorinha!), colaboradora no Ponto Cego, reafirma a idéia que tenho da mulheres gaúchas. Elas exigem com elegância, sem subterfúgios ou pudores, que o homem cumpra seu papel; principalmente, quando, por motivo qualquer, ele se recusa. As gurias sabem o que quer e estão acostumadas ao mando. A quem possa interessar, sou extremamente desobediente e não há pimenta suficiente no mundo que me corrija. Pelos simples prazer de ser do contra. Ficou fácil, me conquistar, não?

Há uma música do povo

Cortesia de um colega blogueiro, residente do Porto. O poema do Fernando Pessoa na voz da Teresa Salgueiro. Quase não consigo mais deixar o site do Madredeus.

3 de mar. de 2006

A vinte reais o vaso


Proibido Estacionar, originally uploaded by Roner Marcelo.

A voz da Elis vindo de algum lugar da web. "Me deixas louca." Na lavanderia, meia hora atrás, fraquejei ao preencher o comprovante do cartão de débito. Esse não precisa assinar, senhor. Basta a senha -- me dissera a mocinha de piercing no supercílio. Porque ao conferir a data, a tempestade se fez dentre de mim. Está chovendo forte, não? Diz isso, senhorita, porque não olhou aqui dentro de mim. Peguei os ternos. Agradeci o gentil atendimento e resolvi enfrentar as linhas transversais que nos bloqueava a olhar. Paisagem dos sonhos, se plantasse milho. Gotas. Granizos. Enxurrada, lama. Queria entrar em casa antes que o Fornazze chegasse e descobrisse que eu havia lhe mentido. Sim. Ele chegou há dez dia e eu continuo me encontrando com o formando da turma do Oitavo. Você buscou meus ternos? Busquei, sim. Algo mais? Zombo da morte, que a raiva esconde.

Depois do almoço, vamos levar crisântemos brancos perfumados à lápide daquela senhora com quem sonho quando me deito cedo. Enquanto a lasanha termina de assar, ele tomará seu banho, sentará à mesa, vestindo apenas cueca. Branca, boxer. Vai me pedir que lhe sirva vinho. Tinto. Miolo. Ele me observará soprando o alpiste do Miro. Tecerá ditos monocórdicos sobre o buquê do vinho, sobre as uvas, sobre meus pés. Me pedirá um favor, e eu concentrado nas marcas que o cutelo faz na tábua-de-carne, me recusarei. O tomilho picado exala pela cozinha a senha. Me abraça pela cintura. Me convence a desligar o fogo do feijão com um beijo na nuca. E me explica minusiosamente os planos para essa tarde. Preciso ir ao cemitério antes, querido. Mesmo que seja só.

2 de mar. de 2006

Que sejam belos, mesmo forjados


O beijo, originally uploaded by Juliana Leitão.

Acabo de ver num grande portal da web fotografias do carnaval de Salvador. Foliões se beijando. Nenhuma ponta inveja, tampouco de excitação. Deve ser muito gostoso: axé, suor, saliva. E é mesmo. Contudo, falta um ingrediente aos modelos de abadá, aos fotojornalistas, que torne as fotos relevantes. Espontaneidade, a foto, tal qual beijo; melhor roubado. Não há porque forçar, quando ambos querem. (Ele queria no seu íntimo) Há de se entregar à gostosa surpresa do inevitável, principalmente quando não podemos nomear os desejos escamoteados para debaixo da mesa centro da sala-de-estar.


Doves, originally uploaded by GeoffNascar.

O frio da sua indiferença me aquece.

Nos han dado la tierra

Ah, a saudade. Mocinha sardenta que não conseguia pronunciar o nome do meu pai.

Todo sobre Pedro Juan

E pensar que para meu amigo sociólogo castelhano seria o mesmo que grego.

Re [corte] Cultural

Sir Michel Melamed me convenceu.

Bestiario

sem mais, nem porque.

Manipulação, Contramanipulação e persuasão no discurso Presidencial: mecanismos circunstanciais ou sempre atuais?

Clica ai. Fecha. Clica nesse outro. Também não. Pesquisa de novo. Entre aspas. Salva esse link para mim! Esse tema me interessa.

Alguns minutos depois, na outra mesa.

-- Você não vai mais me ajudar?
-- Estou aqui, qualquer dúvida me pergunte.

E nem o telefonema esperado ele quis atender.

Rainha fará pedido de desculpas velado por Jean Charles

A propósito, vestibulanda:

Grã-Bretanha: Inglaterra, Escócia e País de Gales

Reino Unido: Grã-Bretanha + Irlanda do Norte, alguns territórios e várias possessões, entre elas, Falklands, vulgarmente conhecida como Ilhas Malvinas.

-- E a Commonwealth (Comunidade Britânica), primo?
Essa guria andou estudando. Ela quer me pegar.
-- Não sou enciclopédia. Nem tenho pretensão. Busque no Google.
-- Mas, Marcinho...
-- Posso te orientar na escolha dos links.

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações

Assim fica fácil demais.

Queen or clown of doves, originally uploaded by caraguevo.

Vamos alimentar os pombos, enquanto não aparece ninguém.

1 de mar. de 2006

Fênix em vigília


B.r.a.s.í.l.i.a., originally uploaded by Marcao.

Do seu carnaval, só quero as cinzas. As vinte horas de sono ininterrupto. As dores a procurar asilo nas costas do escapulário. Nas nádegas desfraldadas. Um aconchego, para o rapaz que se aproximou sem se anunciar. Você se entrega facilmente aos gigantes. Pés de barro. Sujos. Fomos assentar um mármore na casa do Coronel. Relaxar o esfíncter e soltar a respiração. Seria uma fórmula, se não tivesse sido uma graça alcançada. Chora, sangra, espuma. Como é difícil te amar, Márcio. Amar? Me empresta o notebook que eu te mostro a face escura do sentimento enterrado, ontem à noite, atrás do canteiro de tomates. Vamos ao cinema amanhã? Depois da missa, respondi.

26 de fev. de 2006

Procuradora e ministro são alvo de grampo ilegal

E ainda teremos que fazer coligação com o PMDBicha. Vivemos sobre a nuvem do medo, do silêncio e da chantagem. O Coronel do asfalto faz suas vítimas. Até quando Brasília será uma cidade sitiada por essa quadrilha.

25 de fev. de 2006

Ele acabara de responder os comentários dos leitores. Prática incomum para um sábado de folia. Voltou do supermercado sem o frango assado. Concentrou-na crônica que seria esquecida imcompleta na pasta Textos Avulsos. Carnaval de orgia, na Salvador de todos Santos ou na Cabo Frio dos fuzileiros sarados, foram as opções descartadas. Pobre dele, achar que na solidão do quarto estreito e mal-iluminado conseguiria encarar tragédia. Não faça drama. Depois volta ao lugar.

Quem são os marqueteiros políticos

Durante a crise do mensalão:
-Querida, estamos rezando por vocês. Vamos atravessar essa tormenta sãos e salvos.

Agora, adiante a indefinição:
-Querida, estamos torcendo por vocês. E ainda vamos levar no primeiro turmo.
-Ah, Marcito. Que os anjos digam amém.
-Amém!

23 de fev. de 2006

Na última estante do corredor à esquerda


prayer, originally uploaded by pentimento.

-Marcinho!
-Oi! Madrinha!
-Filhinho, você quer aproveitar o carnaval para ler o livro?
-Adoraria.
- Vou mandar o Biel pegá-lo para você e depois vai buscá-lo lá em casa.
-Claro, perfeito!
-Soletra aqui para o Celinho, o nome do livro.
-Espera aí, Madrinha, eu tenho o endereço dele na instante.
-Não acredito. Ele é o cão, Celinho! Já vai ter dar o endereço o livro. Fale aqui com ele.
-Fica mais fácil com o endereço, né, Dona Fatinha.

Enquando lhe escrevo, rezo para que ele não se confunda. É o volume 2. Vol 2. Não fui enfático suficiente. Mas se ele pegar o volume 1, vai ser divertido também. A propósito, não pega bem dizer que estou lendo JJ. Ou as pessoas acham que sou um gênio, ou me acham metido; como havia comentado João Silvério Trevisan, ao participar do chat da sua oficina literária. (Se não suporto o sarcasmo, não nasci para escrever.) Nenhuma das alternativas acima. É dever-de-casa que faço com surpreendente prazer. Qualquer dia, publico minha opinião sobre Finnegans Wake (como se isso fosse importante). Ai, então, poderei voltar ao boxe.

Aguardando o chamado


WAITING FOR A WORK, originally uploaded by cutangus.

Os Lábios-Carnudos pronunciaram meu nome ao sentir meus olhos procurando os seus. Meninas-dos-olhos âmbar. Dante sonhava com Beatriz, eu sonho com você. todas as noites é contigo que me deito. Não há como me sentir só no minúsculo quatro frio das nossas esperanças. São seus braços que me apertam quando imagino ouvir o rangido da porta, minutos após. A janela aberta alimenta minhas fantasias. Você ameaçou me visitar. Que venha, então, com a sirene ligada anunciando urbi et orbi o seu amor tolhido, encolhido, colido por mim. Fico feliz pela sua linda família. Pelo caminho que escolheu. E se não é feliz, conforme me confessou por e-mail, talvez seja pelo orgulho que me obriga a negar-te. Não sei dividir seus beijos com mais ninguém. Queria aprender. Sei que você está aguardando o meu chamado, um bizu (de acordo com seu jargão). Recomendo que leia um livro, enquanto espera, assim você não perde seu tempo pensando na gente.

Efeito Katilce

Seriam os internautas imbecis, ou há uma conspiração para imbeciliazar as pessoas? Nenhuma, nem outra. Talvez as duas e mais algumas. Só sei que desliguei a televisão diante do fato dos âncoras terem dado tanto importância à celebridade instantânea. Eu tenho um liqüidificador ou um moedor-de-carne na sala-de-estar? É uma serra-elétrica afiada pronta para derrubar o que tiver pela frente. Quero a minha digital, o quanto antes.

Luciana Gimenez entrevista Mick Jagger

Eis um casal que eu adoraria ver juntinhos. Sim! Tenho lá minhas fraquezas. Essa magreluda é uma delas. Como diria uma amiga, não basta ser bonita, gostosa, bem-nascida, perspicaz; tem que ser poliglota. Anciãs iletradas em coreano, anciões surdos-mudos em alemão. O ator que domina diversos sotaques (dialetos) brasileiros. A menina que fala gírias (dialetos) de distintos grupos sociais. Na escola acesso a quatro idiomas. Você não se confunde? Não. Me pergunta em espanhol, ao me ver responder ao cumprimento de uma colega da turma de francês. Aproxima-se um outro colega, perguntando qual poema do Whitman que havíamos escolhido para recitar no Festeirol. Não me decidi. Você é muito enrolado. São todos tão lindos. A moça não conseguia lembrar o poema escolhido por ela. Só me vem o título em espanhol. Há! Há! Há! Há. É da escola de línguas que me lembro quando assistia à Miss Gimenez. Eu a entendo, por isso não a julgo e mesmo se não a entende, não a julgaria; pelos menos preciptadamente.

22 de fev. de 2006

"Me sinto frustrado por não ter diploma"

Ôh, presidente, faz favor. Academia deveria ser para aqueles que possuem espírito investigado, que esqueceriam da humanidade para viver da e para pesquisa científica apesar das dificuldades. Abnegação, em suma. Convenhamos, nem todo mundo tem paciência para testar hipóteses, sendo que muitas vezes descobrimos aquilo que todos já sabiam. Conheci pessoas que detestavem discussões infindáveis. Seriam eles os chamados pragmáticos? O saber são vários e todos extremamente válidos. Não supervalorizo um conhecimento, em detrimento de outro. Apenas, acredito que o ensino médio deveria passar por uma REVOLUÇÃO, no sentido exato que essa palavra encerra. Poderia começar com bibliotecas escolares amplas, iluminadas, acervo multimédia com um catálogo inicial de 10.000 (!) obras, cadeiras e mesas confortáveis, notebooks por mesa com acesso rápido a web (com filtros, hehe), aberta 24 horas por dia. Isso custaria uma fortuna, diria os pessimistas. Que nada! Iríamos atrair investidores, ávidos por formentar o capital social. Acho que vou convocar uns amigos para que elaboremos um Projeto de Lei, (agora você foi longe demais) ou escrever uma cartinha para Dilma Rousseff (enlouqueceu!) já que me parece que a coordenação da campanha estará sobre seu comando. Frustação seria me acomodar.

(I Can't Get No) Satisfaction


Show Rolling Stones - Rio, originally uploaded by bgoyanna.

Enquanto voltava da sessão, me perguntava se haveria um artista brasileiro capaz de reunir mais de um milhão de pessoas, aqui ou em qualquer lugar do mundo, num estreito calçadão, onde pés eram carinhosamente pisoteados. Não há. Principalmente, quando o único (?) motivo era cantar(?) com seu ídolo.

A propósito, quantos milhões de cópias eles já venderam no Brasil? Devem ter sido muitos, visto a quantidade de pessoas que se diziam fãs. Talvez, leitora, leitor, vocês estejam sentindo um ressentimento recender. Ele queria ter estado lá. Só se fosse para ser um homem-bomba. BUM! O Mr. Jagger não perderia o rebolado.

Irrito-me com esses estrangeiros que abusam do status e do poder econômico para nos seduzir e nos obrigam a realiar suas fantasias mais depravadas. Eu me recuso. A Literatura não me permite ser moralista, mas apoiado na crônica na qual nossa Clarice Lispector critica o programa do Chacrinha, declaro que preferiria o exílio, a ter que me sujeitar ao que pensam ter poder.

Lula tenta cortejar o voto evangélico

Se der tudo certo, passamos a impressão ao mundo que somos uma sociedade ecumênica, tolerante. Minha ingenuidade me dilacera os ânimos.

21 de fev. de 2006

Sonhar com lírios

Agora que sou beneficiado, incentivo o e-commerce; as comodidades, as vantagens. Esquece isso. Vamos à promotoria agora de manhã. Você terá coragem de denunciar o torturador depois de ter ido para cama com ele? Ele nunca vai sabem quem o delatou. Até porque se tivesse sido algo mais que sexo, teria piedade daquele pequerrucho volume dentre as pernas, que se tornou descomunal quando você aproximou da boca, né? Poxa, filé, finalmente. Finalmente? Desde outubro estava a procura desse protótipo de Highlander. E ele me chamando de meu amor. Oh, perfume, danado, gostoso. Ah, o amor. Por causa dele, vou refletir.

20 de fev. de 2006


Sign..., originally uploaded by holysloot.

Primeiro pensamento ao levantar da cama: "até estancar o sangue."

18 de fev. de 2006


Crocus #2, originally uploaded by Lord V.

O cansaço sobrepõem a vontade.

17 de fev. de 2006

Puliças da Core realizam um churras pré-carnavalesco, um dia após carnificina na Rocinha.

Seriam eles antropógafos?

Los idiomas celtas

Será que tem algo a ver?

Uma Leitura de Tristão e Isolda à Luz da Crítica Feminina

Burro, burro, burro. Incorrigivelmente burro. Eu não sabia.

190, originally uploaded by FabioMarim.

Foi convidado à formatura do fulaninho. Vou declinar do convite. Só não sei como.

16 de fev. de 2006

Hablemos chino

Há! Há! Há! Há! Há! Há! Pode ser mais que divertido

"Inglês não será mais vantagem no mercado de trabalho"

Mandarim ou árabe?

Povos e Civilizações

Uma vela. Fósforo. A lanterna!

Edmund Husserl

Fenômeno para ele é consciência enquanto fluxo temporal de vivências, apresentando intencionalidade enquanto estrutura, ou seja, consciência de algo.

Schelling

É por onde gostaria de começar. Por causa do conceito de liberdade.

Leibniz

Há! Há! Há! Me gustas quando callas

São Tomás de Aquino

Devagar, divagar, vagar.

Platão

No mundo das Idéias

Aristóteles

"(...) uma base de acesso aos textos de Aristóteles traduzidos em língua portuguesa, e às suas interpretações contemporâneas."

15 de fev. de 2006

"Viagem de astronauta brasileiro é marketing, diz militar"

Gostaria muito de dizer a esse Comandante que não há mal nenhum no marketing em si. Problema seria, o uso que se faz e e se fará dele. Se a viagem não traz avanço tecnológico, traz com certeza avanço GEOPOLÍTICO. E disso, temos certeza que o Ten. Brigadeiro-do-Ar entende; caso contrário, não estaria onde está, (ou não?) Portanto, trata-se no mínino de uma leviandade sua entrevista à FDS.

"Mulher e amante morrem asfixiados dentro de motel"

Seria engraçado, se não fosse trágico.

Pesquisa consolida recuperação de Lula

-- Não creio que a diferença seja de votos voláteis, visto a entrevista do presidente ao Pedro Bial.
-- Tu votarias em mim?
-- Depende, você vai se lançar por qual partido? Eu voto no partido.
-- PFL
-- De jeito nenhum! A proposito, tenho um amigo da liderança jovem do PSDB, com pretensões ao executivo nacional, extremamente conservador. Nunca mais quis sair com ele. Hipocrisia me irrita.
-- Estranho. Era para ele ser liberal.
-- Progressista. O que mais existe é entendido com visão política retrógrada.

Ele virou-se de costas e terminou de tirar a espuma do corpo, sem me responder se nos encontraríamos hoje.

14 de fev. de 2006

Abençoai-nos, São Valentino

Você se ausenta muito de Brasília? Não. Enfaticamente respondeu. Trabalho no Gabinete do Comando. Conheço gente lá. Quem? Isso é irrelevante. Para você! Quem você conhece lá? Tive que explicar que de fato não conhecia ninguém, apenas prestávamos serviços. Beijos sufocantes me obrigaram explicar como era a prestação de serviços, as compras, as vendas, a emissão de notas fiscais. (Como se ele já não soubesse. Queria apenas me forçar a falar.)

Você me saíra um perfeito espião. Trabalho na Inteligência. E você confia uma informação dessa a quem acabou de conhecer? Há meses estava na sua rota. A colisão seria a qualquer momento. Isso me cheira à Bárbara? Diríamos que ela seria nossa madrinha. Barbárie. Vou matá-la. Ela te disse que sou comprometido? An-ham. (Cínico!) Vou me aproveitar barbaridade do bárbaro vigor que ostentas e nunca mais vamos nos ver, pelo menos nus -- suados e agarrados, refletidos no espelho do teto.

Fiz força para sair de debaixo do cavalo e mostrei-lhe quão gentil cavaleiro, eu estava disposto a ser. Estou acostumado a maiores, disse-lhe. O riso de deboche ecoou por todo quarto. A expressão de dor me traiu. Só agora me dou conta que meus parentes e amigos podem vir a ler isso. Imprimir e ler. Estupefatos. Decepcionados. Irritados. Atônitos. Estarrecidos. Não posso fazer nada. Sorry! Minha leitora me paga para eu ser imaculamente pornográfico. Onde eu estava mesmo?

O cu pedia água; a garganta, arrego. Implorei que jorrasse o que tivesse ainda para jorrar. Terminasse com a sessão de espasmos. Não tenho pressa. Não sei se vou ter esse prazer de novo. (Canalha!) Procurei seus lábios. Infligir um terço da dor que eu sentia, ao mordicá-los. Quer namorar comigo? O mito irlandês estava diante de mim. Fruto da ironia, do improvável. A dúvida. Hesitei diante a mudança. Preciso pensar. Saber como vou fazer para devolver as chaves sem despertar a erupção do Vesúvio. Acalmar a fúria diante a provável separação. Estou me sentindo mal, por ter (estar traindo) aquele que me alimenta os sonhos. Mas essa solidão somada a essa ausência... Ele veio em boa hora. Posso voltar à minha leitura. Agora vou conseguir me concentrar.


James Joyce-21, originally uploaded by jpfinley.

Um pouco de cultura e munido de boa vontade, assim estou enfrentando Finnegans Wake (Ai, ai, só quer ser o culto), doravante FW. Deseja-me sorte. Nessa salada de frutas, sirvo morangos amassados; caso contrário, o torto fumegante sobe na cama para dizer bom-dia-meu-amor.

Há cinco dias o romance-poema estava me esperando sobre o criado-mudo. Entrei no apartamento, como se estivesse indo salvar, das chamas do incêndio, um idoso. O molho de chaves zombava de mim. Perdi uma sexta-feira, um sábado e um domigo de leitura. (Por que será que ele insiste?) Gritei, ao saber por telefone que eu deveria (logo) buscá-lo. Pensei que ele também estava lá. Tranqüilamente, me despedi dos meus pares e decolei em direção da Lua. Disfarcei minha euforia. Não queria mostrar-lhes minha frágil felicidade. Aqui é proibido sorrir, já que ser feliz tornou-se impossível (Por quê? Explica-nos se for capaz).

Quando se fala ou recomenda muito algum romance, filme, exposição, o que se seja; das duas uma: ou você se decepciona, ou derrete-se de gozo. (Haveria a opção da indiferença, esqueceu-se?) Não me decepcionei, contudo (cuidado com essas vírgulas), a leitura gaguejada está longe de me lembrar o foda de ontem à noite: a leitada escorrendo pela minha bunda, o cacete batendo no meu rosto, com a glande sendo esfregada nos meus lábios; o indicador grosso me rasgando o cu. O dedo médio, depois o anular. Prazeres distintos, baunilha. Nenhum possui a pretensão de substituir o outro. Até porque, parece que o dia de ontem não anoiteceu. Nem a agenda sobre a cama prova que encontrei alguém que só diz me querer. Só se for nu, de cabeça pra baixo com as pernas a procura de apoio. Não achei graça. De novo, não faço. Meu nariz escorrendo sangue, um pedido safado de desculpas. Mesmo assim, ele consegue ser mais carinhoso que os outros.

13 de fev. de 2006


g27iwb, originally uploaded by deantimes.

No convite estava escrito: 20h. Cheguei às 17h para ajudar no que fosse preciso. Posto a mesa, fui ao supermercado comprar uns kalanchoes para enfeitar os banheiros. Branco, amarelo, laranja e vermelho. Acabei por comprar, também, duas echeveria laui para as mesas de centro e um pachypodium lamerei de um metro e meio de altura (eis auma das vantagens em se morar perto de um hipermercado). O canto da sala respirou aliviado. A anfitriã se atrapalhara com o assado. Na garrafa de Chandon restava uns quatro dedos, se muito. Você não vai beber nada. Esqueceu-se que não bebo. Sugeri ao garçon que utilizasse uma bandeja menor. Passa uma sensação de informalidade. Os convidados chegaram prontualmente, visto o fato de todos terem que se levantar cedo no outro dia. O rapaz que entrou por último, atrás da moça de vestido esvoaçante de flores azuis, chamou minha atenção Chamaria de qualquer um. Fotogênico, ombros largos, rosto quadrado, uma garrafa de vinho na mão, Luigi Bosca. Respire fundo, Marcinho. Não olhe mais na direção dele. Minha amiga me procurava com os olhos, movendo discretamente a cabeça. Chamou-me com um balançar de mão. Refugiei-me no banheiro. Quando abri a porta, fui surpreendido por ela segurando o rapaz pelo braço. Marcinho, esse é o Mucuri. Prazer. Estendi-lhe a mão. Sorri contrangido. Prazer é todo meu. Você, lavou essa mão? Cala boca, Bárbara. Ela não perdia a piada.

Ele tinha um dôssie sobre mim, conforme me confessou na varanda, antes de brindarmos aos noivos: o que estava lendo no momento, cineastas preferidos, a razão das minhas cólicas, meus planos para 2006. Vou degolar a Bárbara. E mudo de tão calado, sem conseguir organizar o raciocíno, fitava-lhe o cinza que lhe coloria os olhos, podia ver o vazio que se tornara minha mente. O garçon passou por nós e nos ofereceu da bandeja. Ele se esqueceu do forro. Antes que eu recusasse a gentileza, o Mucuri pegou uma taça e me entregou. Seria grosseria recusar? Provei do vinho antes de brindar a nossa saúde. Esse seria o primeiro vexame da noite. O segundo foi lhe dizer que gostaria de vê-lo novamente. Quer ir ao cinema, amanhã? Você gosta de acampar? -- me perguntou. Vamos para varanda. O som alto não nos permitia mais conversar. Se permiti que me abraçasse, foi descuido. Se perguntei o que seria aquele volume debaixo da jaqueta foi pura inocência alimentado por um hálito de gengibre. Eu me assustei com sua resposta, ele ficou constrangido. Não deveria andar armado. Concordo. Vim direto de uma missão para cá. Ah... Tá! Ele mentiu tão bem, que senti vontade de acreditar.

11 de fev. de 2006

O amor por sua vez, não acaba jamais.


what I'll do for art, originally uploaded by reiscakes.

Oui. J'ai une blog. A maturidade adquirida me permite confirmar suas dúvidas. Sim. Eu tenho um blog. Não há mistério, apenas uma vontade arroxeada de forrar com flores de bougainville o caminho que deixarei para trás. Despedidas podem comprometer nosso contrato. Não ouse me chamar pelo meu primeiro nome.

10 de fev. de 2006


Brasília, originally uploaded by Mel Toledo.

Chove torrencialmente na capital.

Agudás: O Brasil no Benin

"Nunca mais o Brasil dará as costas para a África." Podem chamá-lo de populista, de demagogo. Mas uma frase dessa só poderia ter saído da boca de um estadista.

9 de fev. de 2006

Cronologia da crise das caricaturas de Maomé

O Editor-chefe do jornal dinarmaquês "Jyllands Posten" demorou demais a pedir desculpas. Deveria pedir perdão, pois acredito que eles refletiram muito antes de publicar as charges. Em nome da suposta liberdade de imprensa, podemos publicar o que quisermos? Creio que não. O bem-estar coletivo sobrepõe-se sobre a liberdade expressão. Não seria do interesse da Impressa noticiar um fato que causaria caos. Ou seria? Espalhar temor, medo e preconceito ao noticiar uma pandemia que se transmite com muita facilidade.

Apoiado na sátira, pode-se atacar os que estão no comando das instituições. O ataque deveria vir de quem está dentro do sistema e não de quem de fora tem uma imagem distorcida. Quem ver de fora ver melhor. Depende das intenções. Parafraseando Comte-Sponville, uma coisa é um judeu contando piada sobre judeus; outra coisa é um neonazista contando a mesma piada. O humor pode aliviar, ou pode nos humilhar. Serve para alimentar a esperança (A Vida é Bela) ou reforçar o preconceito. Admiro-me Copenhague passando por esse vexame. E eu que pensava que a Europa fosse educada. Queria só saber quem está por trás das publicações charges? Estou a correr atrás de hipóteses.

8 de fev. de 2006

(...) Ele é igual a puta de boate; quer receber o máximo, no menor tempo possível. Depois eu vejo o que tem essa máquina.

7 de fev. de 2006

"A Estética da Desgraça" ou "Os Figos"


Kaki kui, originally uploaded by Hobo pd.

O que tenho a dizer sobre a XV Feira Internacional do Livro de Havana (XV FILH 2006)

Olha só como resgato uma informação, diário: Qual é mesmo o nome daquele escritor cubano renegado pelo regime?Filmaram suas... confissões? O protagonista do filme foi indicado ao Oscar de melhor ator... ele era espanhol... Huevos de Oro. Bigas Luna... O telefone tocou. Realizei uma venda. Não me pergunte para entregar onde, pois já me esqueci. Quando voltei ao editor de texto, já tinha um nome: janvier. Pesquisa no Google. Nome de semana?! (Segunda-feira em francês, Márcio! Paris ainda povoa teu inconsciente? Safado! Que decepção!) Nenhuma referência à cinema. Respiro fundo. O movimento dos meus olhos demostram que estou tentando me lembrar de alguma coisa. Ah! Ele foi o protagonista de Carne Trêmula. No quinto link, seu nome: Javier Barden (rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm, rabiêre báredêm). Volto ao Google. Nova pesquisa: Javier Barden. Pesquisa avançada. Espanhol. Teria ganhado tempo, se tivesse pesquisado logo quando me veio "Huevos de Oro". Pára de se lamentar, que te sirva de experiência para acreditar na tua intuição. Ele clicou no primeiro link, sem se importar com o que se abriria. Droga! Volto à página anterior. Quarto link. Comercial demais. Achei! "Antes que Anochezca (Before night falls, 2000)". Página demorando a carregar. Reinaldo Arenas. Google. R e i n a l d o A r e n a s. Eita! REYnaldo Arenas.

Percebi um certo estigma, por trás das "reportagens" e "resenhas". Porque ressaltar SOMENTE o sofrimento e as dificuldades? Até parece que só as minorias são perseguidas. Senti também certo folclore sobre a prática sexual. Se as mamães não encontram escondido nos pertences dos seus filhinhos objetos simulacros de vagina, assim como os agentes de polícia dizem encontrar na casa de homossexuais executados vibradores e chicotes, ora é porque seus filhinhos, mamães, não encontram algo que pudesse substituir uma boceta. Até porque, conformamo-nos resignados com a mão macia, a bananeira fria, a cabra fedida. Aliás, leitora, permita-me esta digressão: quando minha psicóloga criticou a avidez com que as minorias sexuais (ficou bem melhor!) copulam, não consegui replicar-lhe. Apenas um sentimento me dizia: ela não tem razão. Eu sentia dentro de mim seu ranço estereotipado, fustigando minha auto-estima. Hoje, tenho gana de bater na porta do consultório dela. Doutora, a senhora já testemunhou o desembarque, na Base Aérea de Brasília, ou em qualquer outra Base, de algum pelotão do Exército oriundo de missões internacionais? Não?! Nossa! Estou surpreso, tratando-se de uma consultora da ONU. Os casais se cumprimentam de um jeito tão familiar. Gritam, pulam, se jogam para cima, se abraçam (e não se soltam), se beijam de deixar a língua aparecer. Indiscrição total. Se fosse permitido arrancariam a roupa por ali mesmo. Perdem para a recepção feita pelo labrador quando o dono vai buscá-lo no hotel (nem sei se hotéis para cães podem ser chamados de hotéis), após as férias no litoral norte daquela ilha no Pacífico. Na hora do coito. Jesus! A ponto de nos esquecer que somos feito de carne. O desejo é tão intenso que anestesia tudo. Não há dor no prazer. Se as minorias comportam-se com voracidade, especulo eu, permita-me, Doutora, seria vontade sinceramente contida. Vontade de estar lá, participando da Feira, na condição de observador, apesar da arbitrariedade (peixe duro, este, danado de rasgar). Eu sou feliz, o que não que dizer que esteja satisfeito. Quanto mais me repreendem, veladamente, mais forte me sinto.

P.S.: Reconheço a irrelevância da minha opinião. Cumpro apenas meu dever.

6 de fev. de 2006

4 de fev. de 2006

Entre o lençol e o travesseiro


SANY0534, originally uploaded by quox xonb.

O mármore branco, liso, puro e limpo. Minhas mãos de alpinista agarrando-se ao frio das lágrimas em propensão. Corre, rápido. Salta, alto. Bloqueado. Estrada interditada. Não pára. Ultrapassa os carros pela direita. O sonho acaba aqui. Queria contar-lhe tudo, mas o espaço acabou. F!-se Como eu ia dizendo, o monumento de mármore era ínfimo diante minhas viagens carne-siderais. Onde você vai passar o carnaval? Na p! que te p! As moças fitam-me gulosas os cacos que se desprendem de mim. Vem no colo da mamãe. Do colo do útero à laringe gripada. Atchim! Espirros intermináveis. Cheiro úmido de própolis. P! Eu sou g! Berlim deserta testemunhava a profunda expedição à Rua das Flores, estreita, longa, polens de rosas suspensos no ar. Respiro a essência fálica sem provar do néctar adocicado, nos cachaceiros; salgado, nos maconheiros; insípido, nos anjos que ruflam suas asas sobre a cidade. Com se diz obrigado? Não precisa, basta sorrir. Perdi-me nas frestas do museu. As pessoas, preocupadas, procuravam pelo artilheiro. Quero um Goethe. Brilhar em Frankfurt. Desejos válidos na megalomania dos humildes. Leio a Cabala, deixada sobre a sobrea mesa. Meu fundamento torna-se válido. Permito que o rio circunscreva por dentro das minhas entranhas, gozo. Relaciomentos fechados. Você sabe fazer feijoada? E preparar caipirinha. Só não sei amar. O que a rua não me ensinou, o que na escola não aprendi. Berlim, Berlim. Ao subir a escadaria da universidade, na fachada de entrada, li: Seja bem-vindo à Berlin.

Mulheres nos campos de futebol

Eis o perfil de mulher que me atrai sexualmente. Não se intimidam diante das adversidades. Se precisarem mata uma cobra. Se precisarem mostra o pau.

3 de fev. de 2006

Deu branca


DSCN2959, originally uploaded by fanglei zhuang.

O relógio da parede marcava 4h12. Estava ajudando não sei quem a carregar uns pacotes. Vamos parar aqui, preciso ir ao banheiro. Vamos naquele outro bar. -- disse-me--, apontando o outro lado da rua. Vamos! Levantei-me abruptamente da cama, joguei o coberto de lado e encurvado me dirigi ao banheiro. No escuro. Doía demais. A contração não cedia. Vontade de me deitar no chão. O que jantei, ontem à noite? Refrigerante, um pequeno pedaço de mussarela. Você não se alimenta corretamente. -- acusaria-me o gastroenterologista. Os intervalos entre as refeições são muito espaçados. -- comentaria a nutricionista. Você recusa comida? -- inquiria a psicóloga. Inútil, ouvir suas vozes. A louça gelada do sanitário. Preciso de uma toalha. A água morna (quente mais do que de costume) desviava minha atenção. Agachei-me, encolido feito um feto. Contrito, puxei uma Salve Rainha. Várias. Sempre em momentos extremos clamo por Ela. Já havia rogado por muitos nomes da Mãe, quando um filete de sangue coloriu de vermelho o fundo da banheira. Calma. (Há! Há! Há! Ele está com parvovirose.) Com o dedo no orifício, procura estancar o sangue. Amanhã (no caso, hoje), eu vou ao médico, nem que tenha que passar oito horas na fila do Pronto-Socorro. Poderíamos classificar sua prosa como literatura gay? -- perguntou o entrevistador. Sinceramente, -- respondi --, estou mais preocupado em saber, se o que eu escrevo pode ser considerado literatura. Assim fui me desvencilhando do entrevistador, diante uma platéia ávida por um autógrafo. Todos a portar o meu mais recente romance. A capa grossa, o encadernamento de luxo. Os murros na porta. O relógio da parede marcava 6h50.

2 de fev. de 2006

Amores-perfeitos provocam dor de cabeça


golden afternoon, originally uploaded by raspberrytart.

Colecionava notas falsas de 20 reais. Provas de amor. Posso ser presa por falsificar sentimentos. Rodas perfumadas. Toma tudo, amor, para você se recuperar logo. Dormiu. Posso ir embora. Ahn?! Preciso dormir, sonhar que essa noite existiu. Quanto mais me escamoteiam, com mais intensidade retalho minha carne. Pisoteio descalça cacos de vidro. Sobras do pára-brisa. Sou uma puta, dessas que preocupam quando seu rufião passa o final de semana sem dar notícias. Pega-se virose quando se sobe o morro? Atchim! Excesso de trabalho. Ele está em missão, me dizia a escrivã. Descansa por mais uma semana, querido. Podemos ir à ponte JK, fotografar o nascente. É lindo. Você a espreguiçar, quando entro no quarto. Meu nascer-do-sol às duas horas da manhã. Para que buscar lá fora, o que eu tenho aqui dentro? Chove intensamente, fraco se comparado a tempestade que desorganiza meu raciocínio, ao preparar suas malas. O que você me perguntou, mesmo? Olhos verdes acinzentados tosse. Cobre a boca com a mão, boceja, brinca de alisar a cabeça raspada. Deixa o cabelo crescer, paixão. De jeito nenhum. Cansei. Olho pelo janela do ônibus. Os carros nos ultrapassando em alto velocidade. Apostando pega? Você não existe mais. Me esquece, falou! Sim, senhor. Me esforço para esquecer a xícara de chá quente entornando em cima do cobertor. Ah, os cactos. Secaram. Amarro a boca do saco de lixo, com a impressão de ter jogado algo mais junto com os vasos. Aos poucos me desfaço DO QUE VOCÊ CHAMOU DE LAR. Cavouco com graveto a terra estorricada do canteiro da varanda do que era nosso quarto, quatro paredes azuis claras a sufocar nossas pretensões. Deveria deixar isso para profissionais. Talvez, se molhasse... Confiro a data de validade do saquinho de sementes. Corre-se o risco delas morrerem antes de germinar. Abro os sulcos, semeio as sementes, sem ânimo para cubri-las. Olho para elas e me pergunto: para quem?

1 de fev. de 2006

Depois do mergulho


Paranoá, originally uploaded by velhojr.

Senhor Alberto, a moça que caser-se com esse menino vai ser muito feliz. Basta, dizer que quero me casar para chover pretendentes. Oxalá, em Barcelona, seja igual. Como diria o faixa marrom de jiu-jitsu: ff de qualidade. ?????. Foda fixa, mané. Pow! Um dos motivos que deixei de freqüentar sua casa. Pá! Aiêee. Que brincadeira mais sem graça. Boxer só aceita carinho, quando o dono está por perto. Caso contrário: nhac! E meus ossos espalhados pela garagem. Você é veado, mas é gente boa. Nunca consegui sentir mais do que afeto de amigos de colégio pelo Eduardo; por mais que massageasse seus ombros, coluna, lombar, coxa e panturrilha. Os pé, me recusava. O rosto, desejava. Ele é enrustido, mas é gente boa. Me dá pigarro, quando estou chupando a Giulia. Parace que engoli um pentelho. Você tem cabelos no céu da boca. Gargalhadas ressoaram pelo jardim. As ráfis tremeram assustadas. Um décimo do timbre grave, me faria milionário. Corajoso é você. Meus amigos têm uma imagem distorcida de mim. Inteligente, bonito, corajoso. Não sou nada disso. Por mais que eles tentem reanimar meu coração, fracasso todos os dias quando me deito. Sou vencido, todas as manhãs quando acordo. Ao ser perguntado, se havia tomado anabolizantes esteróides, Eduardo me detalhou todo processo, com orgulho de quem venceu um toreiro na arena. Não era sobre isso, que queria conversar. Lápis e papel esquecidos na mochila. Gravador envelhecendo no criado-mudo. Que escritor queria ser eu, se não portava lápis e papel. Nomes de remédios desconhecidos para serem lembrados. Pesquisa no Google. No Orkut. Sondo minha memória, imprecisão. Vou preparar um dose para você. Depois, é só levantar uns pesos. Vou te acompanhar de perto. Montar sua série. Você está muito magro. Olha só essas saboneteiras. Na micareta, vamos pegar todas. Meu olhar denotava desconfiança. Ele falava sério. E aquele rapaz que morreu? Não soube fazer o negócio. Tomaria, apenas com acompanhamento médico, -- disse-lhe, ao calçar o tênis. E o que eu sou?-- perguntou-me, fitando-me com raiva. Se der complicação, rasgo meu diploma. Vou fazer um ciclo para você... E antes que ele concluísse a fala, disse-lhe que meu problema não era aquele. As pessoas teriam que me aceitar exatamente do jeito que eu sou. Com tudo de ruim e de bom que eu trago. É, mas nem você mesmo se aceita. Ele estava aprendendo comigo a ser cruel. Para não sair nocauteado: A maior prova de resignação foi ter recusado enganar os olhos azuis da moça do Xsara branco. Ele riu, jogando a cabeça para trás. Como se fosse possível esconder um desejo que provoca cobiça nas mulheres. Sonhei com ela, madrugada de hoje, servindo-me leite condensado com os dedos. A Cínthia vai se remoer de ciúme. O Naz vai pedir para conhecê-la. E o Eduardo, achou que eu estava desconversando.

31 de jan. de 2006

No banco detrás


...and again, originally uploaded by mhatilda.

Não faça isso. Vá lá. Diga-lhes o quanto você os ama. Permita que a maria-fumaça serpenteie os labirintos do seu coração. Prefiro manter-me à parte. Eu poderia ser preso por desacato. Nunca mais jamais. Observo de longe quem entra, quem sai; os falsos, os sinceros. De manhã traço trilhas alternativas; à tarde provo dos picolés de chocolate ao leite ( às vezes de coco ao leite, também ); à noite, acaricio meu sexo, perdido em imagens de calças pretas, desbotadas. Rostos anônimos, caveirados. Sua despedida entrou ragando dessa vez. Não me encare desse jeito, querido. Bastou seu olhar de ódio para eu me arrepender da promessa. Ele é imaturo, devasso, mentiroso, hipócrita. como ele podia estar com medo da penunbra, se o que ele gostava mesmo era acalmar presídios? Medo tive eu do seu olhar de raiva. Precisava ir embora sem ao menos deixar um bilhete? Com o dinheiro da pernoite comprei um bracelete de presente para filha de uma amiga. Bem-vindo à maioridade, Natália. Juro que, se eu não estivesse me comprometido até o gargalo, convidaria ela para jantar. Olhares de soslaio me convertem.

30 de jan. de 2006

[ filmes gls ou quase ]

Para me lembrar o quanto era divertido ser cinéfilo ( ao seu lado).
Há um novo psicotrópico circulando pelas estradas desertas do Lago Sul. Espero que tenha facilitado. Anfiteatro da Conha acústica, 4h32 da madrugada, às margens do Lago Paranoá. A dormência acompanhada de surtos alucinatórios, para depois desaguar na euforia dos campeões, a impedia de distingüir os graves. Alguém a puxou pelo braço, antes que se reiniciasse a sessão de cachorrinhos pelados choramingando afeto. Ritual de passagem menos ritual de acasalamento. O sentido que nos escapava. Os gritos interropiam minhas anotações. Desconfiava da tecnologia que sempre o servia. As folhas soltam navegavam nas águas oculares. Consagraram o Príncipe ao brindar com espumante. Os cacos de vidros das taças ainda estão lá. Beijos na boca, que guardava diversos sabores, retificavam o ingresso. Agora, chega Cínthia. Vamos embora. Amanhã, vocês vão treinar? Cínico. Certamente, vossa alteza. Quando pensávamos que estávamos livres, o Marcelo estacionou seu astra hatch vinho ao lado da gente. Entra no carro, entra no carro. O Gustavo que me perdoe. Eu havia alcançado o limite da minha elasticidade. Marcelo desceu do carro e nos cercou. Se me dessem pedinho, transpunha aquele muro. Não era o caso. Vamos conversar. O clareamento dental o deixara mais lindo do que já era. Sensível. Não imagina que havia o que melhorar naquele rosto que nos fascinava. Beijou a mão da Cínthia, piscou para mim. Foi cumprimentar os rapazes, enquanto esperávamos encostado no carro. Qual a desculpa que vamos dar para ele? Nenhuma. Vamos ver o que ele vai nos propôr; como você sabe, não será nada demais. Você vai sozinha. Estou cansado. De jeito nenhum. Sem você, não tem graça.

28 de jan. de 2006

Meu Amor vive de brisa


Vista de Resende, originally uploaded by marciamaia.

Flagrei o Minotauro vasculhando as gavetas da escrivaninha. Cínthia, vamos estudar mandarim. É a única solução que antevejo, salvo as paredes de correntes penduradas. E ainda me perguntam, se as marcas são de chicote. Chicotinho queimado, tesouro. Vuuuuuuu... Te mostrei a tatuagem? Na pélvis estava escrito: Bruno Fornazze. Nem quando os pêlos crescerem, será coberto o vislumbre do inferno. Eita, grutinha, quente da porra. Você não ia fazer no cofrinho? O Naz preferiu na frente. Melhor do que piercing. Ela aceitou contrariada. Ele se apropriara do corpo da Cinthia, mas a alma era de Deus; enquanto estiver eu por perto, alimentado sua mente com palavras. Ah! Marcinho você é tão inteligente. Já lhe disse, se eu fosse inteligente estaria em Salamanca, observando os patinhos correrem atrás da mamãe deles? Como é mesmo aquela palavra? Ensimesmado. O telefone interrompera nosso chá. Atendi. Sete palavrões para me convencer da estima que sentia por mim. Eu te amo, declarou-me o sumo pontífice. Papá. Papa. Papão. Atendia como eu bem lhe chamasse. Naz, ela está no banho. Ele pediu-nos que estivessemos no restaurante às nove horas . Passeio completo. Chegamos 10 minutos atrasados. O maitre nos recebeu sorrindo. Encontraram um fuzil que só ele sabia desmontar, levantou-se e saiu. Deixou a garrafa pela metade. Eram sempre as mesmas histórias. Se o celular tocasse, podia ser no meio da trepada, ele vestia a calça, arrancava as meias pretas de dentro do sapato, calçavá-los e saia abotoando a camisa azul. Sempre a mesma. Amante de rituais. Começa de baixo para cima para não se peder. Do dedão-do-pé à orelha. Do calcanhar à nuca. Nossos pés, segurados com as mãos, como se fosse possível fundi-los. Eu relutava. A Cinthia se submetia. De cabeça para baixo havia poucas rotas de fuga. E cade a sua? Você vai pagar?... Fala lá com o Montalvão. ...pelo centímetro quadrado da minha pele. Bota preço. Não estou à venda. Como não queria ser estripado, antes de ser arremeçado contra o espelho, disse-lhe que para ele seria de graça. Além de irritar, o que você quer? -- me perguntou, acariciando-me o pescoço. Devagar, murmurei. Dentro da Cínthia havia um néctar diferente. Cheirava à brócolis. Na posição que me encontrava, me convenci que ele tinha razão em controlar nosso quotidiano, mesmo que para isso espionasse nossa privacidade e pusesse estranhos para nos seguir, nos observar. Sim. Eu tenho um diário, no qual você é o antagonista da minha história. Sinta-se privilegiado. Só me lembro de quem amo, no momento em que estou escrevendo. Seu hálito me refresca. Já tomou cialis? Disseram que só de soprar a brisa... Quando estou saltando a 9.000 pés de altura (acreditava em tudo que ele dizia; a Cinthia, não.), penso na gente, no que iremos inventar na próxima vez que nos encontrarmos; ouço, mentalmente, seus gritos, os gemidos da Cínthia. Só há uma sensação melhor do que saltar de pau duro. Ele me beijou. Afastei-lo ao me levantar. Que aconteceu? Nada, Cínthia. Só não estou com paciência para ficar dando atenção a gente bêbada. Não sei como você agüenta o hálito dele. Perfume dos trópicos, me dissera uma vez. Aquilo foi no início.

27 de jan. de 2006

Episódios amalgamados

Ligaram para você do Ministério da Cultura. Fudeu! Péi! Pow! Ela varria como se a vassoura tivesse culpa. Senta ao de lado sem cruzar as pernas, à procura do ângulo perfeito. Respirou fundo, naquela multidão não era ela mesma. Menininha escolhia a caixa de charuto para o namorado. Ele vale. Ela valia. Vou levar essa moço. Qual meu desconto, se eu pagar à vista? Presente. Ela recusou. Não se pode presentear com um presente que acabara de ganhar. O vendedor insistiu. Vou levar outra, então. Ele umedeceu os lábios que a lembrava a piaçava escondida atrás da porta da área de serviço. Vamos aproveitar para malhar o quadril, esfregar na cara dele toda sua vergonha e se despedir sem deixar o número do telefone. Da próxima vez, trago o Dagorbeto, só para mostrá-lo, para provar, que agora sou uma mocinha crente nas instituições falidas. Olha, amor, foi aqui que comprei teu presente. Senhor Douglas de educação espanhola se engasgou no ritmo do passo doble, nas cordas da castanholas. Amanhã, ele estará repoussando sobre a terra quente do descampado, o sangue talhado, os dedos furados. Conversaram como se fossem amigos de infância, separados à força pela enxurrada. Dagoberto mudou. Ela foi torturada, antes de morta. Assuntos profissionais que se recusara a compartilhar comigo. Pediu licença aos rapazes. Foi ao banheiro tirar um cílio que a incomodava.

26 de jan. de 2006

O gosto que me arde na boca

Só podem estar de férias. Oh! Meu Amor, estive tão ocupado. Nunca mais ele atualizou o weblog. Isso também me incomoda. Escrever à noite me entorpece, mais do que me incomoda. Até parece que estou de volta à universidade, dormindo durante a viagem, passando da parada de ônibus, sendo acordado. Por quem? Poderia ter sido com aqueles cafés-da-manhã, servidos na cama, acordado com beijos. Meu hálito azedo. É desse azedo que gosto, minha vinagreira decantada, ele me respondia. Meu Amor, não ousa pronunciar meu nome. Entendo-lo. Eu faria pior. Ama-lo-ia e o descarta-lo-ia na manhã seguinte. Sem trocar números de telefones. Sem promessas. Sem esperanças. Aos poucos, vamos revelando os segredos sussurrados durante o jantar no apartamento do senador; ou ainda; aos poucos, vou lhes mostrando os detalhes da decoração da mansão do Almirante. Não sei se interessa. Me permita ser vulgar, leitora, essa frase me ressoa doloridamente: "Eu te amo, vagabunda. Você é só minha, puta. Te quero demais." Por que ele inverte o gênero? Até quando suportarei prededores de roupa presos a bainha da minha camiseta? Tenho péssimas lembranças: "Pensei que você havia desertado?" O corpo arqueado mal conseguia se equilibrar na lustrosa muleta de titânio. As rosas olhavam para o chão por vergonha de serem mais bonitas do que eu, a sobra do bagaço da laranja da terra. A fervura da calda do doce me trazia mãos a me acariciar a cintura. Sai para lá. Me solta. Não tinha mais esperanças de algum dia compartilhar das nuvens, cujas curvas ontem à noite me ensinaram a soltar pipas. Foi bom? Desconfio de quem me permite repuxar suas estrelas. Razoável.

11 de jan. de 2006

GLAUCO DAMMAS

Estava respirando o ar que vinha das salinas, quando encontrou uma cereja inteirinha no fundo da taça de sorvete. Ofereceu ao Guilherme, como se fosse a aceitação do convite feito na noite passada.

10 de jan. de 2006

Teoria do Caos: bibliografia introdutória

"Caos, Uma Introdução". Nelson Fiedler Ferrara e Carmen P. Cintra do Prado.
"A essência dos Caos". Edward N. Lorenz.
No Buraco do Tatu, quebrou a suspensão do carro. Sorte dela estar passando uma viatura do BPTran.

9 de jan. de 2006

Cinthia ou Cínthia. Com ou sem "h"? Se errasse, teria que começar tudo de novo. Desistiu de escrever o cartão. Vou entregar pessoalmente.

7 de jan. de 2006

É pau, é pedra...

ironia

Membro da Minustah confirma suicídio de general

Foi uma boa desculpa, para desmanchar o mal entendido. Mas ela não queria papo com o comandante.

Ilse Losa (1913-2006)

Se algum dia foi patinho feio, precisou esquecer. Os convidados haviam chegado.

SESC-2006. Nós encontraremos lá.

Pretensiosa. Atrevida. Irresponsável. A menina-mulher entrara no bar para mais um dia de trabalho, pensando nas entrelinhas da fala do namorado. (Eles ficarão noivo em Agosto) Por que você escreve? Perguntara-lhe. Não é "por que", amor. É para quem. Escrevo para ti. Mesmo que não consiga alcançar a clareza que nos cega quando vamos comungar.

6 de jan. de 2006

Ná Ozzetti - site oficial

Na melodia de curvas frouxas, antepasto para o pecado servido de molhinho.