7 de jul. de 2006

Abaixar a campainha do telefone;
Ignorar as folhas de fac-simile;
Desativar o alerta do outlook,
do MSN,
do Google Talk,
esquecer por cinco minutos o abalo sísmico, no interior do sertão paraibano.
O orgasmo continua sendo meu ansiolítico preferido, mesmo sem ejaculação.
"(...) Algumas sementes se desprenderam da mureta e nem assim me convenci da irresponsabilidade que se interpões entre os dois quadrantes adjacentes do Imperador. Precisamos ligar para o engenheiro, pisar nos bancos-de-couro, relaxar os músculos enquanto ele se esforça para extrair petróleo. Tem tatuagem? Não. Deixa-me ver seu peitoral. Continua. As confissões, lamurias, lamentos e reclamações podem ser peça chique no salão de jogos, se soubêssemos jogar totó. Você sabe? Eu não sei. E os erros acumulam-se sobre a maca da enfermaria. Luzes azuis, verdes e amarelas. A nutricionista me acorda do sonho. Vamos? Me entrega seu braço, como estivesse me entregando seu coração. Ofereço-me para carregar sua bolsa de anéis de latinha de alumínio. Pesada. Peço os livro. Pesados. Ela me puxa a orelha com carinho: quem mandou não seguir o regime? Aperta meu bíceps esquerdo para se certificar das desatenções levianas que eu mesmo vinha comento com o meu corpo. Martírio. Quer ser santo é? (...)"

4 de jul. de 2006

:: Festa Literária Internacional de Parati ::

Se ela fosse à FLIP, procuraria abrigo nessa tenda.

19h
Mesa 15 - Nas fronteiras da narrativa
ALI SMITH, JONATHAN SAFRAN FOER Para cada crítico que lamenta o estado do romance moderno surge um romancista capaz de demonstrar as infinitas possibilidades de renovação desse gênero literário. Dois dos mais criativos autores da literatura em língua inglesa lêem seus trabalhos e mostram como o futuro do romance depende da disposição dos autores para afrontar suas fronteiras formais. O livro de estréia de Jonathan Safran Foer, Tudo se ilumina, e sua continuação, Extremamente alto, incrivelmente perto, desafiam as convenções da ficção contemporânea. Em romances como Hotel World e o premiado Por acaso, Ali Smith explora os limites da narrativa literária.
Local:TENDA DOS AUTORES R$ 17 TENDA DA MATRIZ R$ 5

23 de jun. de 2006

Arrependi-me das mudanças. As palavras se apagaram.

21 de jun. de 2006

Ao dizer que andava desorientada, deixou o pai apreensivo. Amanhã a gente vai ao cartório, querida. Tire um dia de folga.

16 de jun. de 2006

"El alter ego es un 'yo' que podría haber sido si hubiera elegido otro camino, otra persona, aun siendo la misma."

In: Wikipedia.es

7 de jun. de 2006

Sábado de lua cheia. Patrícia procurava uma farmácia de plantão onde garantia seus 15 minutos de felicidade. Esse é muito baixo. Aquele nem segurar o cigarro sabe. Preparada ela estava para ato; não para ser rejeitada pelo sujeito que a julgou vulgar. Ofendido, ele se foi. Saiu arranhando machas. Ela errara de alvo. Vulnerabilidades recém adquiridas afloravam conselhos torpes. Nada a convenceria recuar. Senão, o cheiro forte do suor que escorria do pescoço do motoboy que a observava. Movimentos circulares dentro do estabelecimento. Você chamaria um táxi para mim, por favor. Claro, senhorita. Precisava de um cúmplice. De uma opinião idônea. Espancaria todo dia, toda noite, o saco travestido de noivo. O alívio não viria.

3 de jun. de 2006

Espero Não Ter Decepcionado

Sim! Vamos atualizar. Fazer um up grade. Tirar a barba e o bigode. Cortar o cabelo e os imperceptíveis películos da orelha. Pequena, carnuda, discreta. Ninguém lê Guimarães Rosa. Poucos. Aaah!O pensamento se desprende de tudo que fui ontem. Tenho sonhado repetidamente com clientes. Tornei-me uma puta. Dessas que não seleciona clientela. O prazer direciona o bom dia, o boa tarde, o boa noite. Senti falta da onda, da tempestade, do maremoto. De fazer poesia na horizontal. Começou a pretensão. Senti saudade de mudar de assunto, sem deixar pista para minha leitora de olhos azuis. Você é muito gato. São seus olhos. Muito bonitos, por sinal. Ela riu, abriu a porta de trás de carro e afastou o banco do motorista para frente. Vadia! Eu, mais que ela. Sou mesmo aquela mulher que voltou para casa com a bolsa cheia de notas de 5 reais. Um momento, Marcinho. Retornos deveriam ser alegres e agradáveis. E são, querido diário. E ele começou a chorar. Lembrou-se da missa que faltara. Vocês perceberam com ele hoje está lento? Procurando letra por letra no teclado ronc-ronc. Se for para mim, quero tinto. Não viveria feliz, senão fosse para a estética literária do próximo milênio. Por que não pode ser agora? A metalinguagem (?) exclui centenas de dezenas de sabiás. Ele respirou fundo. E concluiu que havia passado muito tempo afastado dos colegas.

30 de mar. de 2006

Os tambores de Josué

"Aqui estais chegando, meu prezado conterrâneo, pelos vossos próprios méritos e sem nada dever a ninguém.(...)"

O Diabo das Pequenas Coisas: Luis Fernando Verissimo

E pensar que esse detalhe surgiu em um blogue, se não me engano.

24 de mar. de 2006

Beijo de jacaré, abraço de macaco


O Poder da Pesca, originally uploaded by joaobambu.

As pranchas que se afastam da praia são resquícios daquele dia ontem à tarde. Sol de açúcar se desmanchando de medo das Luas. Os Cara-de-pau. Os Cremes-de-leite. Água doce escorrendo do umbigo da menina que acabara de complentar 12 anos. Seria pedofilia ensinar-lhe shodô? Apologia, talvez. Não havia pêlos para se apoiar, caso caísse da goteira a nudez languida dos olhos azuis a secar aqüíferos jordanianos. (Chamem, os árabes, por favor!) E no reflexo do laguinho formado no seio da pedra, lágrimas adultas bebericavam. Os tiús agradeciam. Risadas disfarçavam o constrangimento solado, soldado. Quando o mar se recuperou da ressaca, o matacão lhe disse: poxa, você fica muito nervoso com a gente. Sou bruto, caralho. Gargalhadas de tão sinceras assustaram as gaivotas pousadas na linha do equador. Sem estrupação, gritou alguém. Os risos estereofônicos... (preferiria que fossem por streaming) ... ensurdecedores. Não se podia conversar ao celular. O mar sacudiu-se em ondas altas que fulaninhus de tal adoraria surfar e recolheu-se atrás da ilha (de edição?). O respeito adquirido por ter se tornado aquele que fala o precisa ser dito aguçou o apetite de todos. Afinal, deus não pode (não quer!) comprometer a política do tapete de petálas de rosas brancas. (Foram duas garrafas de cachaça mineira divididas por cinco, ao final de 37 minutos. Quem venceu a aposta? Eu, ora.) O mar de revolto, se fez triste e saiu para escutar o epicentro do maremoto que se anunciava t-i-m-i-d-a-m-e-n-t-e. Segura a pemba, doido! Era o dever-de-casa. E ele se comportou com um general de gabinete.

23 de mar. de 2006

Soldados serão julgados por fazer sexo em quartel


In The Bone, originally uploaded by aggies92.

Vou pesquisar antes de escrever, minha experiência não vale. Eu sabia que era punível de expulsão, mas a possibilidade de trabalhar no hostil galpão, longe da tranqüilidade proporcionada pelo ar-condicionado, me convencia a simular o prazer. Quantas estrelas haviam no céu de brigadeiro, além da constelação de áries, ascendente em escorpião? Nunca me recusei. Aguardava pacientemente o final da ordem unida. Não que fosse feio, ao contrário, beleza não faltava aos olhos azuis que seduziam quem quer que se aproximasse. E eu sempre sério e emburrado. Você é sortudo, dizia uns. Será que mais alguém sabia? Os sorrisos, os tapinhas nas costas, a camaradagem; nada era gratuito. Meu silêncio assustado travestido de indiferença transpunha os domínios da comarca. Nunca me perguntei se do saco furado sairia vento, mas não via a hora de ir para casa.



22 de mar. de 2006


butterfly at arboretum, originally uploaded by mturnage.

De queda livre, sem pára-quedas.
Seria suícidio, se não fosse poesia.

Ornamentais, sem platéia.
Seria sem propósito, se não fosse poesia.

Justiça condena hospital de MG

Ah! Se fosse nos Estados Unidos...
O menino chorando. A pipa estancou.
Bolinhas de gude escondidas atrás da guarda-roupa.
A quanto tempo, não mexia no template. Me sinto uma criança brincando de barquinho.

O auto-engano dos livros (matéria do Observatório da Imprensa)

Há! Há! Há! É por isso que não entro em livrarias de shopping center. Prefiro a crise alérgica desencadeada quando respiro o ar cheio mofos e ácaros. Pode-se vê-los em suspensão. As traças e as aranhas podem ser boas anfitriãs quando acertamos a correta seqüência da senha.

21 de mar. de 2006