De tudo desprendido da minha pele, não sentirei da fumaça orgânica a saudade assintosa. Sou o cão de companhia a cheirar testosterona alheia. Voou longe meu desejo. Faltava-me sangue no cóccix. (Problema doce seu) O Grave me ajudou. Palavras tolas de tão hesitantes. Compromissos assumidos na tarde diluída na água do sanitário. Só Deus por mim. Talvez telefone para o Pedreira. Certamente não o farei. A promessa do cabo da tonfa surpreendeu-me. Então a idéia planava na imaginação da classe? Muito mais. Foi uma proposta aceita sem hesitação.
3 de dez. de 2006
2 de dez. de 2006
Era um fevereiro lunar. Minha identidade diluída em álcool barato tentava submergir entre espelhos e pilastras. Copos sujos de tão embaçados emaranhados debaixo da mesa denunciavam nossas piores intenções. Marcas de dedos a comprometer o colarinho azul-claro que se soltava na pressão do polegar contra o indicador. Azul, os olhos; claro céu. Meus cabelos eram rédeas nas mãos do estranho (que mais tarde viria, a saber, quem era). Três da manhã e eu completamente comprometido numa experiência etílico-narcótica. Psicotrópica, enfim. (Eis uma confissão que nem à amiga Dra. Psiquiatra, contei). Beijos musculosos de bíceps hipertrofiados tentavam me convencer a provar da uréia anabolizada. Resquícios. Se fosse semiótica eu aceitaria. Não lhe disse isso. Provocar seria demais. Um apetite descomunal para o pouco de mignon estruturado que eu era. Meu sofrimento traduzido em dor, embora o sorriso me convencesse a entregar-me a luz que refletia no espelho. Essa não me ofuscava. Marcas de mordidas no calcanhar denunciando o quê? Nem satisfatório, por causa da culpa beatificada. Ela me corrói. Estacionada. “Essa tua cintura, é o que tens de mais gostoso”. Era a primeira vez que ouvi um elogio-azeitona. Engoli. Mantenha-me imobilizado junto à cama, poderia lhe suplicar, mas sufocado com uma mangueira de sucção a me lavar o estômago, eu tentava exprimir o máximo de prazer que já não mais sentia, nem poderia. Meus dias de masoquista, definitivamente, haviam sido queimados num beco do conjunto D, em frente à casa 14, numa Guariroba que não mais me reconheceria, nem eu à ela. Vamos fazer novas fotos De Leite... Preciso ir ao banheiro mijar toda cerveja de ontem à noite. De tudo que já foi feito, tomemos posse da nossa herança. (Depois encaixo isso. Volto mais tarde, leitores, minha consciência pesa por não estar lendo Balzac)
— O que você está lendo dele?
— A Comédia Humana. Estou na biografia ainda.
— E o que está achando.
— Necessário.
1 de dez. de 2006
Tampouco entendo de flores, meu amigo Neto, apenas me encaixo na situação ilustrada "em terra de cego quem tem um olho é rei". Toco minha flauta, atraindo ratos que não são os cinzas (aqueles que me proporcionam delírios oníricos), mas amarelados de tanto queijo roubado comido. Aceito resignado aquele meu quinhão.
29 de nov. de 2006
Oncidium
Gosto de argumentos irrefutáveis. De pressionar contra o balcão titulares de contas bancárias no exterior. Nunca vi, respondera o rapaz à cliente, quando perguntado sobre a existência de orquídeas vermelhas. Existe sim, disse-lhe, Catleia vermelha. Ele incrédulo me fitava assustado. Consultou no Google. Satisfeito não encontrou nada. Perguntei-lhe, sem parar de escrever o cartão: de que cor é a Sherry baby? Ninguém me respondeu. O que me leva a creer que o encurralei novamente. Minha auto-estima precisava desse estímulo antes de voltar a noite.
Amores para amoras
O que eu gostaria de ganhar de presente de Natal? A serenidade que um amante jamais me proporcionaria. (Nunca foi assim. Nem poderia ser.) Óleo de amora para friccionar no peito do De Leite durante o interlúdio. [Eu (te) amo tua boca carnuda de tão macia. Eu (te) amo tua língua áspera e atrevida.] Se fosse menor o amor, não teria medo das conseqüências. Mas não é. ( Parabéns por suas sábias conclusões.) E a imensidão do descomunal resvala quando de fato deveria me acordar do pesadelo. Me tira daqui. Estou tão leve. Trocar e-mails antes e depois pode ser um aperitivo (melhor que a tequila). Pode ser. Não é. Que o De Leite se derrame quando ferver.
3 de nov. de 2006
Lendo, alegre, Lolita num porto feira-livre
31 de out. de 2006
Onde perdi a minha paz
28 de out. de 2006
Testamento de Heilingenstadt
18 de out. de 2006
17 de out. de 2006
13 de out. de 2006
7 de out. de 2006
6 de out. de 2006
5 de out. de 2006
César Vallejo
Subes centelleante de labios y de ojeras!
Por tus venas subo, como un can herido
que busca el refugio de blandas aceras.
Amor, en el mundo tú eres un pecado!
Mi beso en la punta chispeante del cuerno
del diablo; mi beso que es credo sagrado!
Espíritu en el horópter que pasa
!uro en su blasfemia!
el corazón que engendra al cerebro!
que pasa hacia el tuyo, por mi barro triste.
!Platónico estambre
que existe en el cáliz donde tu alma existe!
?Algún penitente silencio siniestro?
?Tú acaso lo escuchas? Inocente flor!
... Y saber que donde no hay un Padrenuestro,
el Amor es un Cristo pecador!"








