Admiro os amantes pelo significado dado ao beijo.
O que é um beijo, senão a ânsia em preencher uma ausência.
Beijo essa sua boca porca, na certeza de que não vai embora mais.
De tanto beijar, sai do cinema nauseado. Temi pela minha vida. Arrependeu-se tarde demais. Qualquer hora, essa tua hemorróida pula para fora.
14 de abr. de 2007
12 de abr. de 2007
11 de abr. de 2007
Na escuridão da folha branca do caderno, fujo dos temas propostos. Distante meta de ferramenta, de linguagem. A vergonha que acabei de passar. Quem era aquele homem. Levantei-me porquê? Poderia ser um assessor qualquer. Jamais se identificam. Nos solitários se colocam flores e a perspectiva se desconfigura. Daria uma bola, um doce e uma bala para ser aquele solitário na mesa da taverna. Admirar meu dorso no reflexo do anel de brilhante. Claro que há um anel. Este seria um outro post publicado sem nenhuma revisão, viver assim é como rodar o tambor do revólver com apenas uma munição. Um desrespeito pelo que poderia haver de melhor dentro de mim. No metablogging me equivoco sempre.
E se restringíssemos a curva da terra. Nenhum objeto deverá pousa na nossa cama. Somente mãos, boca e falo. E os pés. Meu dedão do pé, colônia de coliformes fecais. Aplicaria os golpes com mais força para compensar as novas limitações. Se eu permitisse. Claro, minha puta-vadia-cadela, me respondera sem fitar-me nos olhos. Todo procedimento depende da tua permissão. Suas sobrancelhas contraídas, mandíbula forçadamente cerrada, pálpebras apertando os olhos. Um psicótico sorvia todo chope gelado da tulipa. Garçons de prontidão. Onde fomos achar esse bar uma hora dessa aberta. Esta porta aberta... Uma crise de tosse se desencadeia e o burro do Márcio tenta se explicar, é o frio. Tenho alergia ao frio. Balela. Comportou-se como toda pessoa educada deveria se comportar. Levantou-se, tirou o sobreduto e colocou nos meus ombros. Perdeste a oportunidade de beijar meu cucuruco? Na cabeça eu dou é cascudo. Com o cabo da arma. Sem objetos, reforcei. Minha arma não é um objeto. É minha prótese. Sem ela sou maneta. Vamos dormir juntos todas as noites enquanto estivermos dividindo o mesmo teto. Vou aproveitar para ver o que você traz nos bolsos. Melhor não você pode se arrepender. Não é engraçado ouvir de cara que acabei de encontrar numa sala de bater-papo, piadas de humor negro. Se é que posso chamar isso de piada. Se é que posso chamar isso humor-negro. Você tem um humor-negro. O diabo também precisa soltar umas gargalhadas de vez em quando. Me calo. Concentro meu olhar na pilastra em frente à mesa, como se tivesse admirando andar de uma largatixa. Psiu! Um piscar com o olho direito. Um lento movimento dos lábios, mostrando em amplitude seu alinhado sorriso branco. Despeja mais outra tulipa de chope para dentro de si, com se fosse ele mesmo fosse o barril. A barricada que ninguém atravessa. Sou seu saco de areia, enquanto você respirar. Já conhecia esse chope. Não. Ele pediu a chopeira! Você está me passando vergonha bebendo como se tivéssemos acabado de chegar de uma lua-de-mel no Atacama. Você não bebe. O suficiente. Pede a conta. Calma. Olha as horas. Você não está pensando que vai trabalhar amanhã. Gostei muito de você. Vou te levar para lugar legal. Fechar o contrato num primeiro encontro. Desatinos, atrás de erros. Aconselharia a uma mulher a jamais se apaixonar por um homem. Essa vulnerabilidade, nem para Hitler, nos seus melhores dias. Tenho medo de você. Trata-se de se comportar, portanto. Me fale mais sobre você, minha vagabunda-piranha-vaca. Salvo pelo toque do celular. Pois não, chefe. Tamborila no tampo da mesa, marcando um samba famoso, talvez. Conhece o Rio. Não. Você vai gostar.
10 de abr. de 2007
De que adiantou passar a noite na orgia levando chineladas de candidados a carrasco, se minha glande ainda dói. A solução não está atrás do bambuzal, nem na trilha da capivara. Preciso expelir o líqüido que me entorpece. Podia ser cocaína. Minhas pernas doem. Mal consigo me sentar. Em momento nenhum se preocuparam se o músculo poderia se romper ou não. Contratura muscular. Assado é mais gostoso. Comi, tenho que arrotar. Manuseavam as armas como se fossem brinquedos. Senti medo da intimidade. A novidade para todos, desmaiar durante o orgasmo. Nunca houve limites de fato. Bondage é brincadeira de criança. A força do braço me acaricia o pescoço. O peso do corpo me sufoca quando covardemente me imobiliza finalmente. Os hematomas testemunham a ausência do par de meias na gaveta de cuecas, da toalha molhada jogada no chão do banheiro. Nosso tapete de friesias. Precisamos acertar, antes que a sorte nos abandone. Não posso contar com ela todas as vezes que a lua me chama para brincar com filhotes de lobos.
9 de abr. de 2007
Ao abrir a lata de chocolate em pó
Os olhos do anjo nos perseguia por toda avenida. Ninguém vai me impedir de atravessar a ponte que separava o ontem do hoje. Salta! Voltei uns dez passos e correndo, saltei, sob o olhar concupiscente daquele anjo reluzente. Onde mais ele poderia pendurar cordões de ouro? No pescoço dos outros. Eram coleiras. Você não é um outro. Nunca houve ninguém... Melhor teria sido interrompê-lo antes de me voltar para cruzamento, onde veículos limpos e encerrados nos desrespeitava velozmente. Estamos no lugar errado. Na hora certa. Admiro o reflexo do ruído no retrovisor. Olha aquele! Lindo. Seus olhos. Preciso ir. Ir embora. Ir ao supermercado comprar kinos. Não teremos tempo de preparar uma sobremesa. Kino? Kiwano. Ah! E como consigo um convite para essa recepção. Esteja convidado. Espero que se comporte. Passeio completo.Escorreguei do trampolim. Piscina suja de merda. Só a pontinha. Não esquenta. Me preocupava com o bem-estar dos anjos, daquele anjo em especial. Ele queria sentir o cheiro do meu avesso. Fragrância em colônia. De bactérias. Com água boricada, lavei sua asas. Desenvolvidas. Forjadas nas melhores academia de halterofilismo da cidade. Camiseta regata branca sem mancha de ferro. Etiqueta apagada ao gosto da lavadeira.O céu que lhe ofusca, não é mais o mesmo que me impede de sair de casa. Um dia, vou reler tudo isso e vou rir da minha inexperiência. Arrepender-me, nunca. Seus olhos azuis, meu particular mar sem ondas. Sua barba espessa de tão cerrada, meu emaranhado novelo de lã. Com ele, tricotava agasalhos para proteger o Sol do frio da sua indiferença. Doía? Só quando a densa fumaça vinha se alojar nos meus brônquios. Cinza-escura. Jurava que era chocolate amargo. Faz um ano. Poderia ter sido nosso primeiro aniversário, mas outro (sempre haverá um outro, mesmo que demore demais), se pôs a cuidar das nossas orquídeas. Aquelas que me trouxeste supondo que seria eu capaz de regá-las até o florescer. Morremos um pouco quando definitivamente se foste. Algumas mudas esturricaram. Precisavas ver. E renascemos, floridas, como sempre deveria ser. Na esperança de que a enxurrada te arrastasse até as bocas de lobo. Esse ovo de chocolate insosso. As sharrys não exalam mais seu perfume, nem o delas. Chove de arrebentar asfalto. Percorro as salas desocupadas do grande prédio do Tesouro Nacional. Procuro por ti. Meu faro viciado. Seu boné me instiga. Seus óculos-escuros me guiam. Depois os estacionamentos e finalmente na bruma quente e seca. Na vapor. Banheiros de shopping? Seria degradante (somente para quem está fora do círculo, para quem não se senta conosco na mesa do bar.) Nos dos cinema. Vi sem ser visto uns amigos no hall. A fila e a multidão eram as mesmas (noite de amostra). Preferi não cumprimentá-los. Desejar feliz Páscoa a quem deveria ter mandado à puta-que-os-pariu me deixaria frustrado. Convém olhar para cima quando o pé direito é alto. Te encontrei no outdoor da esquina da rua dos restaurantes. Não eras tu. Não aquele que me ameaçou com uma faca de cortar bolo. Estupro consensual. Nossa sociedade com a sorte se derreteu quando me esqueci de fechar a porta do quarto. Quem mais poderia imaginar o vento jogando no chão nossas roupas. Quem mais? Foi um equívoco que me recuso a ruminar.
14 de fev. de 2007
30 de dez. de 2006
Dez compromissos para 2007
7. Guardar as pretensões na última gaveta da estante e participar com afinco e devoção do concurso. Ei de vencê-lo. Essa cena não se repetirá nunca mais.
29 de dez. de 2006
Dez compromissos para 2007
6. Amar somente quem me quer. Amar quem se preocupa em perguntar se já almocei, se quero almoçar, se estou com fome, se quero sair pra jantar, com qual recheio eu quero a pizza. Eu me recusando. Ele solicitando uma "aos quatro queijos" tamanho família à atendente do Drive-thru. Com bastante orégano, senhorita. Relaxar na banheira, sem me importar com a conta do motel que ele nunca fez questão de questionar o preço. Aceitar os convites para acampar na chapada; os convites para pescar no Alto Araguaia. Amar quem quer cuidar de mim. Tornar-se um cão de estimação daqueles que abanam a cauda de tanta felicidade ao ouvir o motor do carro do dono estacionar em frente ao portão. Saio correndo para recebê-lo na porta. Recebê-lo aos beijos. Fortes, quentes, molhados, intensos. Tomar de suas mãos a pasta de couro de búfalo e o paletó. Afrouxar-lhe o nó da gravata. Pular no seu colo. Eu esganchado na sua cintura. Meus pés cruzados por trás. O peso do meu corpo sustentado por seus braços. Minhas costas pressionadas contra parede. Me morde os lábios, me aperta com força, vamos para o chão. "Hail To The Thief" abafando a gritaria.
28 de dez. de 2006
Dez compromissos para 2007
5. Manter-se em silêncio durante o dia. Evocar o mantra durante a caminhada noturna. Meditar antes de ir dormir e adorar o Santíssimo às quintas-feiras na capelinha da Santo Antônio.
Dez compromissos para 2007
3. Fazer uso medicinal da Kombucha, dos grãos de Kefir e do levedo de cerveja (ugluh!).
Dez compromissos para 2007
2. Digitar com destreza e precisão. 2.000 toques-líqüidos por minuto seria uma marca invejável.
27 de dez. de 2006
26 de dez. de 2006
Ele se arrastava no chão, ouvindo versos que só mais tarde depois de noites e noites quentes e frias conseguiu traduzir e mesmo assim com ajuda da amiga que sempre se encontrava on line. A razão residia naqueles castanhos cachos, cabelos selvagens. Fortes. O namoradinho se deliciava com o fato dele se sentir tão à vontade na sua frente. Ele trazia as novidades que as gravadoras enviavam para loja. Incentiva os trejeitos das mãos, o rodopiar da saia azul-anil. Desde que ele fosse o único espectador a saborear a visão proporcionada pelas curvas das coxas. Não era. Nunca foi. Ele era um ganha pão, assim como viria a ser todos os outros. Não que a música lhe aquecesse os brônquios, apenas as paredes não podiam conter o som que se propagava rua abaixo. Duas horas da manhã. Chama a polícia. Alexandre dopiava desequilibrando o eixo da Terra. Ele desistiria de viver ao lado de um cara que, no futuro, dirigiria picapes dissonantes. Pista cheia. Planava ao som da melodia. Sobrevivência dos seus sonhos garantidos por longos três minutos. E pensar que o orgasmo se perderia no cosmo antes infinito. O vício embrionário se apoderando da boca cujos lábios assoprariam velas projetadas especialmente para derreter-se rapidamente. Parafina incandescente. Uma forma de arrancar notas de cem dólares de estrangeiros gordos de tão peludos. Não me importa. Desde que sejam carinhosos. O que eu faço com esse preto consolo borrachudo que enverga quando o jogo para cima. Bestialidades. Os homens se divertiam. E a canção se repetia dentro de si, num ritmo que se alternava entre o pianíssimo ao estrondoso. Ele queria morrer, mas o drama não permitiria que a tragédia se consumasse. Havia regras a seguir. Obediência, subserviência, uniforme completo. Calcinha branca, com fundo puído, o cós com a renda descosturada o que se trazia naturalidade àquele menino. Peito tenro. Não balançavam ainda como viria a balançar, anos mais tarde, pista de apresentação. Um putinho em formação. Ele se divertia a tarde toda, esquecendo-se de preparar o jantar do pai antes que este chegasse do trabalho.
Ao som da voz do Thom Yorke, baixado daqui.
24 de dez. de 2006
Jonathan Safran Foer
23 de dez. de 2006
Ainda assim faltaria você. Inspira-me!
Estou aqui no pelourinho expiando por nossos erros. Quantas vezes precisaremos praguejar contra a operadora? Até aprender a se comportar numa delicatéssen. Veste a jaqueta. Pegue o gravador. Vamos dar uma volta no quarteirão. Tua postura não convence. Como se fosse necessário. O nível da minha insatisfação atingiu o intolerável. Vontade de bater a cabeça na parede até quebrar o pescoço. E porque não o faz? Tenho consideração pelos azulejos do Athos Bulcão. Seja claro, honesto, transparente. Confiro se os telefones estão no gancho. Maçante seria se fosse a antevéspera da bodas de ouro dos louva-deuses. E sua frustração toda seria porque Papai Noel não quis lhe deixar em casa. Ou não pode, ou não fazia questão. O protocolo cumprido no banco de trás de uma pathfinder, ao menos o couro respondia: “me rasga, me arranca, me faz de chicote”. Não adianta tamborilar os dedos no teclado. O verbo continuará atrasado. Vamos ao menos fazer uma empregada doméstica sorrir. “Ah! Você não entende o consumidor". E o que adiantaria se não podemos oferecer o que ele deseja? Respondi numa boa. Hoje, descobri que me davam gelo. Há! Há! Há! Gelo eu chupo ou enxugo. Há a possibilidade de raspá-lo também. Transparente ou opaco? Deixa pra lá. Quarenta graus lá fora; menos vinte, aqui dentro. E a noite, o Senhor Carisma, este escriba fracassado (redundante), estará recebendo os convivas. Reformas de posto de gasolina e mastoplastia tornaram-se assuntos tabus. Mesmo quando o tumor nos corrói os sentimentos. O anfitrião escondido atrás de um pote de nozes a quebrar. Podia ser um baile de máscara, assim não teríamos trabalho nenhum. A mesma expressão, para todas situações. Coloque-se no lugar do Estrela. Dos Estrelas. Quantos se apagaram esperavam você cumprir uma promessa que nunca seria capaz de cumpri-la, se eles não revisem tudo que lhes fora ensinado sobre a prática do coito? Eu menti, enganei e me sinto no direito de emputecido ligar xingando Fulaninho e Beltrano. Eu não tenho direito nenhum. O que você está fazendo? Nada. Se o sicrano tivesse feito a pergunta corretamente, eu teria lhe respondido a mais absoluta verdade: estou escrevendo uma carta suicida. Que mal há nisso? É apenas um exercício literário. Ele com certeza não teria deixado a latinha de cerveja ao lado do teclado. “Abre para mim. Abre-a para mim". Segurou a latinha em suas mãos, como se fosse um capitão levando o troféu da final do mundial de Interclubes. O anel de alumínio que poderia ser estraçalhado, amassado e regurgitado, se ele quisesse, preferiu jogá-lo no bolso da minha camisa. “Para você guardar de lembrança de mim”. “Já tenho muitas lembranças tuas.” Atirei-o longe. Observando sicrano bicar da cerveja, aguçou-me a vontade de recitar-lhe alguns versos de Camões, os que eu conseguisse me lembrar. Irritá-lo com que foi obrigado a estudar no ginasial. O frio alumínio roçando minhas costas a caminho do pescoço. Se tivesse restado alguma gota, estaria ela deslizando pela minha pele. Banhado, lambido e servido. Despejaria em mim todo o líquido sem se importar se eu aceitaria ou não; se eu agüentaria ou não. Pedir para buscar outra bebida, seria covardia com seus lábios a procura dos meus mamilos intumescidos. Precisa aperta-los tanto? Não morde! Solta! As unhas cravadas na nuca, um freio de mão improvisado. A força vento envergando o coqueiro até suas folhas encostarem-se no chão. Que vida se rache em bandas. Pedi apenas para que antes me deixasse salvar o arquivo. Ele chutou o estabilizador e me silenciou gemidos com meus lábios entre seus dentes.
Ouvindo Chico Ao Vivo (Disco 2), desde às 5 da manhã.
22 de dez. de 2006
Que culpa tem os vitrais? Ele poderia ter dito qualquer coisa: "você tem dinheiro para o táxi?". Preferiu o silêncio. A arma estratégica que também uso para me mortificar, quando de fato as opções acabaram. Punhal usado quando desejo que todos saibam que a raiva se faz inteira presente no meu coração, dominando minha mente com pensamentos de fuga. Essa ausência trago dentro de mim. O cosmo contigo numa semente. Tem lógica. Tudo tem sua lógica, mesmo não sendo racional. Esse silêncio me mata. Antes fosse fulminante, como um ataque do coração.


















