22 de out. de 2007


Caterpillar, originally uploaded by markopoulos.

Aquela lagartitinha que o eu-passarinho acabou de saborear como se fosse a sobremesa, bem que poderia me representar na exposição de motivos do próximo dia nove. (Gente do céu, e da terra principalmente, não faço idéia onde vou chegar com esse post. A cada releitura insiro uma frase, indiferente se arrebentar a bexiga. (Sentia prazer em colocar nossas vidas em risco.) Meu-eu ficcionista resumer-se-ia (desculpem-me os blogueiros que escrevem em estilo jornalístico, a mesóclice baixou como se eu fosse... perai, escriba, há toda uma preparação para ser receber um orixá, um pouco mais de respeito à crença dos teus antepassados, por favor, disse -lhe o diário intimo, num roupante atrevido adjetivado de matizes lilases.) a uma larva frágil e delicada, camuflando-se em seus medos e ressentimentos, no aguardo de cumprir-se promesa? O Sol é para todos, pena que os dias sejam nublados e a peçonha suficiente para derrubar um cavalo.

21 de out. de 2007

Não posso ter preconceitos, nem contra a moça que se veste como homem para seduzir os colegas de classe. Estratégia arriscada, porém acertada.

20 de out. de 2007

Das apostas erradas feitas no bar da esquina


Monaco, originally uploaded by Conwan.

"O governo de Mônaco vai acabar extraditando o Salvatore Cacciola." Um inocente comentário ( eu não tinha mais assunto) acabou originando a aposta. "Dificilmente. Há outros interesses envolvidos. ", retrucou meu amigo. Conseguia novamente incendiar a roda de chopp. Nossas vozes ressoavam por todo bar, abafando as outras conversas. "Aposto na competência dos nossos sub-procuradores.", disse-lhes. No tom mais sarcástico que eu poderia dizê-lo. E sorvi da tulipa o resto que eu já não mais queria. "Obrigado pela parte que me toca. ", disse ele, "De quanto vai ser a aposta?, perguntou-me, surpreendendo-me com um tom ríspito e arrogante. Fingi que não era comigo. Meu olhar perdia-se no horizonte na esperança de encontrar o ponto de apoio. " Foi apenas uma forma de se expressar.", disse-lhe, titubeando. Ele sem hesitar, tirou a carteira do bolso do paletó e de lá de dentro sacou uma nota de cinqüenta reais que foi cuidadosamente presa debaixo da minha tulipa vazia.
"Quer saber mais do que eu." resmungou como se fosse possível falar entre os dentes. Isso não vai dar em nada. "Jamais, mon cher. Je n'écrit pas en français." E sob olhares ávidos, uma outra nota de cinqüenta fez par a primeira. "Para não fazer desfeita. ", disse-lhe, fitando-lhe nos olhos. Gritaria geral. Fla-Flu improvissado numa calçada de ardósias vitrificadas. Dois galos de briga a se encararem minutos antes de se enfrentarem numa rinha. Ou seriam dois pitbulls? Sua boca espumava e não era espuma do chopp. Eu apenas observava-o sem entender o que eu havia dito de errado. Para onde teria ido o debate com seus elaborados argumentos irrefutáveis. "Confio no empenho do nosso ministro," disse-lhe, sem me importar com a provocação. "Agora, repatriarem todo o dinheiro extraviado seria esperar demais", completei, antes de me levantar sem pedir licença para ir ao banheiro. Quando voltei o bolão estava fechado. Cinco com um. E passei a ser conhecido como namoradinho ingênuo do Gustavo, para os íntimos: Eugênio.

Aula de sobrevivência em alto-mar


, originally uploaded by *Claudia Schulz*.

Chorar de barriga cheia, como se sabe é muito feio. Nunca ninguém me disse que escrever seria fácil, prazeroso ou me proveria. Quando você começou, tínhamos um objetivo, aprender. Nunca se esqueça da metáfora, escrever é como praticar natação. O problema é que nunca sabemos onde vai ser a aula, na semi-olímpica (onde dá pezinho), na olímpica (onde se dá cãibra), ou no tanque de saltos (onde olhares agonizantes se cruzaram e risadas são prelúdio de um beijo.)

EU NÃO CONSIGO ESCREVER! E não adianta mudar o gênero literário.

18 de out. de 2007

"Não te atrevas a escrever um livro antes de ler mil."
Ditado chinês, copiado daqui.

17 de out. de 2007


My Anna Karenina, originally uploaded by karinga.

Interrompeu a leitura. Com a mão no bolsilho do casaco procurava pelo lápis. Olhou em volta de si. No criado-mudo. Na escrivaninha. No aparador. Fechou o livro e o deixou em cima da poltrona onde se encontrava sentado. Precisa copiar aquela frase: "Não há de ser nada... Tudo vai dar certo." Seu otimismo resistia até 38 graus de febre. Passados calafrios, refletia sobre as escolhas erradas tomadas durante o curto periodo em que o rei se ausentou de casa.

8 de out. de 2007

A primeira frase nunca pode ser pessoal. Preciso das noites sem risoto para desmistificar o sentido do número dez. Desista leitor, estou apenas juntanto aleatoriamente peças de um quebra-cabeça que teima em ser incompleto. Há riscos, eu sei, mesmo assim a lataria nos protege. Nada de dor, nem prazer. Estamos, estou, no limiar. Sorumbático. E não consigo me livrar da primeira pessoa. Talvez um novena. Quinhentos Pai-Nosso. La Cité de Quebec. Os versos em inglês. Atwood a me corrigir o nó da gravata. Observo o candelabro do hall, o teatro de mil vozes, e concluo: o cinema é ente em coma. Do teatro faço minha cama. E não há porque se lamentar. A apólice de seguro bilionária não permitirá a nenhum dos órfão chorar. Meu humor oscila de meio-dia às quatro da tarde. A novidade, um acidente na ponte. Conheço aquela placa. A foto do motorista me excita. O órfão me puxa pela camisa. Daqui a um mês, daqui a um mês, me respondem. Olhar de fúria. Insatisfação. Mando por descarga abaixo todo o meu medo. Agradeceria à força cósmica que rege essa galáxia pelo montinho de massa compacta constituida à forceps dentro do recanto de Atibaia. Não posso, preciso estabelecer contatos por telefone com os torturados exibicionistas. Não é o caso. Dispenso. Grosso! Acabara de perder uma oportunidade. Desligo o telefone. E desisto de nossas tentativas. A noite foi feita para se brincar, não o dia. Volte ao roseiral e termine a colheita de outubro, me aconselha meu diário íntimo que até então acompanhava toda cena como se não fosse conosco.

27 de set. de 2007

A ausência traduz-se numa incapacidade preocupante de enfrentar algozes. Ela me disse, dois pontos, abre aspas, você vai morrer, fecha aspas. Todos nós vamos morrer, foi meu pensamento imediato, mas não lhe disse nada. Permaneci calado. Não havia o que discutir. Preferi deixá-la para nunca mais. Nunca mais talvez. Pera aí! Como assim? Você some, não me deixa um bilhete, não me liga, passa semanas sem me atualizar e de repente surge inesperadamente evasivo e prolixo? Meu diário se comporta mal e o efeito do álcool estava demorando a passar. A vontade de eclodir sem ao menos saber o que significa eclodir. Diários se desesperam quando esquecidos em ambientes inóspitos e estéreis. Eles têm medo. Não sabem viver só. Preferem a esperar na fila para entrar na sala de projeção; fila para comer um crepe; fila para ir ao banheiro; fila para sair em segurança do shopping; desde que, toda a nata da sociedade esteja ali reunida. De vez em quando, do meu leite se forma uma grossa nata e dela faço biscoitos deliciosos. Para consumo próprio. Para consumo próprio. Comerciantes e jornalistas não pisam no meu quintal. Passo horas deitado no sofá da sala de estar pensando no final da história do último menino que colheu flores amarelas no descampado onde marginais, à noite, se escondiam para assaltar os trabalhadores que desciam do ônibus sozinhos e distraídos. Levanto-me. Vou à varanda do quarto da minha irmã. Fazer o quê? Ver o horizonte. Daqui a pouco o sol vai se pôr. Daqui pode-se ter pensamentos mais ousados em relação ao final. Fausto esquecido sobre a espreguiçadeira. Procurei-te por toda casa. Estamos atrasados alguns dias. A bibliotecária se recusará a emitir o boleto da multa mais uma vez. No mais, continua como Deus quer. A dica do óleo foi excelente. Minha pele sobrevive ao castigo da estiagem. Até amanhã, se eu estiver de bom humor.

15 de set. de 2007

Canção da Chuva ou ASAP


Chuva e futebol/rain soccer, originally uploaded by QuelCarvalho.

Venha chuva, acompanhada da primavera,
fazer cócegas nesse corpo, infelizmente seu.
Soro hidrata, mas só você vivifica.

Venha! Mas venha tempestade.
Inunde o parquinho, a praça, o terraço.
Afogue minhas lembranças, todas elas, não me importo,
se for para o nosso bem.

Venha chuva! Acompanhada de ventos. Arranque pelas raízes todo nosso condenado pinheral. Toda gambira.
As telhas quebradas. Arrasse os bananais com seus morcegos.

Voçorocas nos corações do incautos,
Lama e lixo para dentro de casa.
Leptospirose, hepatite, dengue, desabrigados.
Tragédias pessoais televisionadas.

Mas, venha mesmo assim.
ASAP

6 de set. de 2007

20 de ago. de 2007


Last Tango in Buenos Aires, originally uploaded by welsh boy.

Esperava o quanto fosse preciso. Garoto apaixonado pelo nada.

17 de ago. de 2007


Autumn Swan, originally uploaded by PuffinArt.

Segue abaixo, uma piada recebida por e-mail de um parente muito próximo (por acaso, colega de trabalho). Estava mesmo precisando renovar meu velho repertório. Ao contar piadas de gays em reuniões familiares, provo do meu próprio sarcasmo me queimando a língua. Evita-se qualquer pergunta indiscreta. Estou com munição na agulha, não erro o alvo. Fazer humor das próprias angústias passou a ser um modo de vida.

"O FILHO GAY
Desconfiado das atitudes do filho, o pai leva o garoto ao psicólogo para descobrir se seu filho é homossexual.

O Dr pergunta ao garoto:
- Qual o vegetal que você mais gosta?
(Meu Deus, ele vai dizer cenoura ou pepino – pensa o pai).
- Chuchu – responde o garoto.
(Ufa! – pensa o pai).


- Qual seu número preferido? Pergunta o Dr.
(24! – pensa o pai).
- 111 – responde o filho.
(Ufa! Pensa o pai).
- Qual o animalzinho que você gostaria de criar?
(Cordeirinho, carneirinho, viadinho, ai meu Deus, o que esse moloque vai responder?! – pensa o pai).
- Jacaré! – diz o filho.
(Ufa! Aliviado fica o pai).


O que você quer ser quando crescer? -pergunta o Dr.
(cabeleireiro, alfaiate, estilista – pensa o pai).
- Advogado – responde o filho.
- Que fruta você mais gosta? – pergunta o médico [sic].
(Até aqui tudo bem, pensa o pai).
- Jabuticaba, afirma o menino.
O moleque deixa a sala e o pai aliviado, diz para o médico:


- Meu filho é um MACHÃO de primeira linhagem não é Dr?
E o Dr. Responde:
- Seu filho é gay assumido:
- Chuchu, dá o ano inteiro...
- 111 é um atrás do outro...
- Jacaré se defende dando o rabo...
- Advogado vive de vara em vara...
- Jabuticaba é a única fruta que nasce e morre grudada no pau!
Portanto, VIADÃO [sic] mesmo!!!"

16 de ago. de 2007


total chaos, originally uploaded by b_unit.

Calma! A senhora está nervosa. Pedi educadamente a cliente indignada pq a vendedora se confundiu ao passar seu cartão de dédito. Imagine se vou pagar trinta e cinco reais no crédito.

Longo vídeo para aliviar o desejo de estar lá. Cumpre seu propósito. Me leva e me traz de volta.

15 de ago. de 2007

Ode a Jack Kerouac


Ode to Jack Kerouac, originally uploaded by Olivander.


Acordado no meio da madrugada por uma fisgada que me recuso a investigar a procedência. Daqui a alguns posts direi: não era nada. Não é nada. Apenas dói. Sinal que estamos vivos. Levanto-me definitivamente. Acendo a luz. Pego meu laptop. Corro para o banheiro. Não reclama da sorte, rapaz. Houve uma época em que levantar-se no escuro era uma profissão de fé. Fizemos progresso. Floratil a essa hora, nem na rua das farmácias. Distraio-me com quem encontro on line no chat, porque no messenger não há mais ninguém. Quantas identidades terei de assumir até a dor ceder? Quantas forem necessárias. Nasce sol, traz de volta o dia, com a promessa que vou procurar ajuda. Esguicho, acompanhado de abruptos movimentos peristálticos. Sou acrobata e não sabia. Um italiano, um norueguês e um estadunidense. A luz do monitor piscando. Quem me fará esquecer minha humilhante condição de ser humano? O estadunidense lamenta pelo meu estado. Pára, rapaz, senão ele vai chorar. A beleza de um harmonioso par de sobrancelhas distrai, cura, refresca. Liga sua webcam. Ligo-a, mas me recuso a sorrir. Seria contraditório. Sorri para mim. Mostrar os dentes não é sorrir. Estou descabelado. Acabei de acordar. Minhas pálpebras inchadas escondem o castanho dos meus olhos. Tenho algo para você. Bomba de sucção não seria um objeto a se cobiçar no estado em que me encontro. Faltou sensibilidade. Desculpa. Envia-me depois uma fotografia tua... artística, por favor. Condeno pornografia. Gargalhadas atravessam o atlântico na velocidade de um beijo. Não queria se despedir, antes de mim. Até porque o fuso horário lhe favorecia. A luz do sol entrando por debaixo da porta do banheiro. Preciso ir amigo. Ah! Sério? Cinco horas. Tenho mais alguns minutos, já que estamos a sós aqui nós dois, presumo, esqueço o trivial e exploro as possibilidades. Se gostares de literatura, lanço uma moeda no cofrinho. Leio os best-sellers, nem sempre até o final. hehehe. Já que gostas, irei lhe presentear com uma caixa de bombons. A embalagem jogo no lixo, juntamente com o plástico e papel alumínio que nos protegia do chocolate. Veja isso. Ele está lendo o NYT, enquanto conversa comigo. Será que digito tão devagar assim? Conheço. Modestamente considero-o datado. Os anos sessenta pregava o amor livre (e o fim da guerra). Como se o sentimento pudesse ser aprisionado. Hoje, pode-se trazer a namoradinha para dormir em casa. Sem querer ser moralista. Não tenho nada a ver com a vida dos outros. Nem quando os problemas se tornam um caso de saúde pública. Mas eu preferia quando podia burlar os limites impostos pelo meus pais, era mais divertido. Tu és um beatnik? Hã? Como? Tu és remanecente da geração beat? Sou da geração saúde. Percebe-se pelo avantajado do tríceps. Black belt. Cinturões em torno do pescoço me deixam sem ar. Respeito muito minha faixa. Fantasias, meu bem. Fantasias acopladas a teorias sócio-antropológicas. Douglas Coupland agradece.

14 de ago. de 2007


510 Morfina, originally uploaded by Juanjo Martínez.

A Montanha Mágica
Letra: Renato Russo

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal.

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora.

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que eu tenho de suave
E me fazes tão mal.

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto p'rá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas?

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes -
Agora só artesanato:
O resto são escombros.

Mas é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio .38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega - vou mudar a minha vida.
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol n'um copo d'água.

13 de ago. de 2007


NYC - Bowling Green: Charging Bull, originally uploaded by wallyg.

Estava com receio de ter acontecido algo de grave. Continuamos sonhando. Faça as malas. Passado o furacão, sobre os escombros erguirei uma sólida carreira, sem direito a piadas. O humor é ácido, mais que inteligente. E vacilar seria perder de vez toda a esperança.

9 de ago. de 2007


DSC069421, originally uploaded by skintype.

Ele me ama. Não o suficiente.

8 de ago. de 2007


amor e caridade..., originally uploaded by U N I T I *.

Venho selecionando alguns trechos do "A Montanha Mágica" para publicar aqui no DiCla. Eis abaixo uns dos que mais me marcou. Verdades ácidas me guiam até a última página.

“-- Esses produtos da probidade burguesa – replicou Naphta – teriam sido de pouca utilidade para os séculos a que o senhor se refere. Nenhuma das partes interessadas poderia ter lucrado com eles, nem os enfermos e os míseros, nem tampoucos os felizes que se mostravam caridosos, não por compaixão, mas em prol da salvação da própria alma.” Mann, Thomas. A Montanha Mágica. 543 p.