24 de out. de 2007


, originally uploaded by Márcio Hachmann.

Pelas mentiras que nos contam desde criança. Pelos direitos de todas as minorias.

Para quem consegue ler Flaubert no original, surrupiado daqui.

23 de out. de 2007

Ode ao blogue extinto

Há quanto tempo não navegava indiscriminadamente pela Blogosfera. (Escrevia em pé, se recusando a se sentar no assento morno deixado pelo desafeto. A pérola da ostra, riscada em cinco lugares. Ele bufava. Raiva a lhe roer as víceras.) Nessas últimas viagens, tenho descoberto escritores que não deixam nada a desejar. Gente estudiosa. Tubarões num mar sem recifes. Só sangue B, como se diria no jargão dos caveirados, tão na moda objeitos de fetiche. Nessas horas penso em Manuel Bandeira e em seu primeiro livro de poesias publicado. Penso em Fernando Pessoa e no seu "Mensagem". Penso em Clarice (ah! Clarice me perdôe.) e na sua carta ao um outro Fernando, este o Sabino, pedindo-lhe uma colocação. A vida se renova e tudo floresce. As anêmonas. Quem vai vencer a barreira da editoração? Quem a superou, venceu a distribuição? Às vezes me pego a falar bobagens, como se soubesse de que parte do universo chegam as últimas fotos do Hubble. A parabólica que fui, o telescópio que serei. Sorrio para cada raio a rasgar o céu nublado. É a natureza a me fotografar durante meu hobby: fracassar diante anônimos transeuntes. A sintaxe dos profetas. Os lamentos de um carola. Sinto puta-inveja da clareza e objetividade (e correção!) com as quais esses blogueiros-poetas-escritores narram e descrevem e dissertam suas idéias. Seus personagens risíveis, suas dicotomias implacáveis. Talvez falte-me orientação. Onde guardei a bússula? Me aponte o norte magnético, quero fazer dele, geográfico. Um GPS esquecido no porta-luvas do carro de um paquera inominável. Em banheiras de motel, pés-de-pato importados. Ele era um escritor a procura de uma fonte de renda. Agora que a encontrou (em detrimento da sua suposta literatura, mas uma não exclue a outra, mais que a complementa), num desses palácios luxuosos da capital, compra flores e não manda mais entregar. Ele tem medo. Ele tem medo de mim. Ele tem medo do que vou fazer com aquelas fotos (apaguei-as). Ele tem medo do que vou fazer com aquelas suas despendiosas cartas de amor (joguei-as no vaso sanitário, conforme o costume) escritas em memória de uma relação que nunca existiu de fato. De mão dadas, amor. Só o stabilishment para ele agora importa. Dormiu abraçado com uma tal senhora Glória e se deslumbrou. Sinto pena. E é de mim mesmo, por não ter tido a coragem de fazer i-gual-zi-nho.

Em homenagem a Orhan Pamuk

Lá fora chove, aqui dentro... neve se acumulando sobre o recamier, sobre o aparador da sala de jantar, sob meus pés. Se faz frio? Com o frio a gente se acostuma. Não me acostumo com o desejo implorado de não se querer ser mais do que já não se pode por absoluta falta de espaço. Solidão é um passageiro que pedia carona na altura da 108 sul (para quem não conhece a capital, é a rua da Igrejinha) e agora, bem instalado, a qualquer momento vai descer. E vai levar e vai trazer. Talvez esquecer. O livro (o romance) serviu como quebra-gelo (só agora percebo a ironia me presenteada pela Vida). Falamos sobre a diversidade dos modos e costumes. Uma amiga minha, fulana de tal, foi mais bem acolhida em Istambul do que em Paris... Sobre os fonemas, as diferenças socio-lingüísticas, sobre o injusto sistema de crédito da universidade. Ensinei-lhe alguns macetes. Dei-lhe algumas dicas. Não pega disciplina com professor fulano de tal. Carnificina geral. Trocamos telefones, e-mails. Confidências. Paixões. E aprendi (descobri) que oil wrestling(com licença o leitor-tradutor e a leitora-tradutora se eu errar na tradução, fica assim mesmo. Depois vocês me corrigem), luta-romana, seria principal esporte nacional da Turquia. E Solidão, ex-vencedor na modalidade. E depois diz que não tem nada a nos ensinar.

Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.

Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.


Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.


Me passa a toalha.
Venha trabalhar no MEU Jornal. Obrigado, mas eu prefiro não. Resposta rápida, para movimentos singulares. Pensa com calma, não precisa dar a resposta agora. Poderia ter me justificado, mas... posso precisar dele um dia, novamente. Quando se perde dinheiro, acha-se patrão. Ele olhava para a frase que havia acabado de escrever e tinha a mais absoluta certeza de que havia escrito um aforismo. Seu primeiro aforismo consciente não-encomendado (Hum sei não. Vai com calma!), saído assim do nada, no susto do espirro convertido em tosse seca. Desci do carro com a sensação movediça que toma conta dos deuses quando se arma uma cilada para o incaulto humano bobo-tolo-otário. Foi apenas sexo? Foi. Sexo descartável? Foi. Não mais anônimo. E assim ele quebrava a verossimilhança do post. Já lhe disse: sem pastar, não se produz leite. Ele riu, queria me confessar mais algumas estripulhias vespe-noturno, mas coloquei-o para fora ao lembrar-lhe: seu ovo mole está frio. Diários por mais íntimos e reveladores que sejam também se cansam, principalmente tratando-se de Ninguém.

22 de out. de 2007


Caterpillar, originally uploaded by markopoulos.

Aquela lagartitinha que o eu-passarinho acabou de saborear como se fosse a sobremesa, bem que poderia me representar na exposição de motivos do próximo dia nove. (Gente do céu, e da terra principalmente, não faço idéia onde vou chegar com esse post. A cada releitura insiro uma frase, indiferente se arrebentar a bexiga. (Sentia prazer em colocar nossas vidas em risco.) Meu-eu ficcionista resumer-se-ia (desculpem-me os blogueiros que escrevem em estilo jornalístico, a mesóclice baixou como se eu fosse... perai, escriba, há toda uma preparação para ser receber um orixá, um pouco mais de respeito à crença dos teus antepassados, por favor, disse -lhe o diário intimo, num roupante atrevido adjetivado de matizes lilases.) a uma larva frágil e delicada, camuflando-se em seus medos e ressentimentos, no aguardo de cumprir-se promesa? O Sol é para todos, pena que os dias sejam nublados e a peçonha suficiente para derrubar um cavalo.

21 de out. de 2007

Não posso ter preconceitos, nem contra a moça que se veste como homem para seduzir os colegas de classe. Estratégia arriscada, porém acertada.

20 de out. de 2007

Das apostas erradas feitas no bar da esquina


Monaco, originally uploaded by Conwan.

"O governo de Mônaco vai acabar extraditando o Salvatore Cacciola." Um inocente comentário ( eu não tinha mais assunto) acabou originando a aposta. "Dificilmente. Há outros interesses envolvidos. ", retrucou meu amigo. Conseguia novamente incendiar a roda de chopp. Nossas vozes ressoavam por todo bar, abafando as outras conversas. "Aposto na competência dos nossos sub-procuradores.", disse-lhes. No tom mais sarcástico que eu poderia dizê-lo. E sorvi da tulipa o resto que eu já não mais queria. "Obrigado pela parte que me toca. ", disse ele, "De quanto vai ser a aposta?, perguntou-me, surpreendendo-me com um tom ríspito e arrogante. Fingi que não era comigo. Meu olhar perdia-se no horizonte na esperança de encontrar o ponto de apoio. " Foi apenas uma forma de se expressar.", disse-lhe, titubeando. Ele sem hesitar, tirou a carteira do bolso do paletó e de lá de dentro sacou uma nota de cinqüenta reais que foi cuidadosamente presa debaixo da minha tulipa vazia.
"Quer saber mais do que eu." resmungou como se fosse possível falar entre os dentes. Isso não vai dar em nada. "Jamais, mon cher. Je n'écrit pas en français." E sob olhares ávidos, uma outra nota de cinqüenta fez par a primeira. "Para não fazer desfeita. ", disse-lhe, fitando-lhe nos olhos. Gritaria geral. Fla-Flu improvissado numa calçada de ardósias vitrificadas. Dois galos de briga a se encararem minutos antes de se enfrentarem numa rinha. Ou seriam dois pitbulls? Sua boca espumava e não era espuma do chopp. Eu apenas observava-o sem entender o que eu havia dito de errado. Para onde teria ido o debate com seus elaborados argumentos irrefutáveis. "Confio no empenho do nosso ministro," disse-lhe, sem me importar com a provocação. "Agora, repatriarem todo o dinheiro extraviado seria esperar demais", completei, antes de me levantar sem pedir licença para ir ao banheiro. Quando voltei o bolão estava fechado. Cinco com um. E passei a ser conhecido como namoradinho ingênuo do Gustavo, para os íntimos: Eugênio.

Aula de sobrevivência em alto-mar


, originally uploaded by *Claudia Schulz*.

Chorar de barriga cheia, como se sabe é muito feio. Nunca ninguém me disse que escrever seria fácil, prazeroso ou me proveria. Quando você começou, tínhamos um objetivo, aprender. Nunca se esqueça da metáfora, escrever é como praticar natação. O problema é que nunca sabemos onde vai ser a aula, na semi-olímpica (onde dá pezinho), na olímpica (onde se dá cãibra), ou no tanque de saltos (onde olhares agonizantes se cruzaram e risadas são prelúdio de um beijo.)

EU NÃO CONSIGO ESCREVER! E não adianta mudar o gênero literário.

18 de out. de 2007

"Não te atrevas a escrever um livro antes de ler mil."
Ditado chinês, copiado daqui.

17 de out. de 2007


My Anna Karenina, originally uploaded by karinga.

Interrompeu a leitura. Com a mão no bolsilho do casaco procurava pelo lápis. Olhou em volta de si. No criado-mudo. Na escrivaninha. No aparador. Fechou o livro e o deixou em cima da poltrona onde se encontrava sentado. Precisa copiar aquela frase: "Não há de ser nada... Tudo vai dar certo." Seu otimismo resistia até 38 graus de febre. Passados calafrios, refletia sobre as escolhas erradas tomadas durante o curto periodo em que o rei se ausentou de casa.

8 de out. de 2007

A primeira frase nunca pode ser pessoal. Preciso das noites sem risoto para desmistificar o sentido do número dez. Desista leitor, estou apenas juntanto aleatoriamente peças de um quebra-cabeça que teima em ser incompleto. Há riscos, eu sei, mesmo assim a lataria nos protege. Nada de dor, nem prazer. Estamos, estou, no limiar. Sorumbático. E não consigo me livrar da primeira pessoa. Talvez um novena. Quinhentos Pai-Nosso. La Cité de Quebec. Os versos em inglês. Atwood a me corrigir o nó da gravata. Observo o candelabro do hall, o teatro de mil vozes, e concluo: o cinema é ente em coma. Do teatro faço minha cama. E não há porque se lamentar. A apólice de seguro bilionária não permitirá a nenhum dos órfão chorar. Meu humor oscila de meio-dia às quatro da tarde. A novidade, um acidente na ponte. Conheço aquela placa. A foto do motorista me excita. O órfão me puxa pela camisa. Daqui a um mês, daqui a um mês, me respondem. Olhar de fúria. Insatisfação. Mando por descarga abaixo todo o meu medo. Agradeceria à força cósmica que rege essa galáxia pelo montinho de massa compacta constituida à forceps dentro do recanto de Atibaia. Não posso, preciso estabelecer contatos por telefone com os torturados exibicionistas. Não é o caso. Dispenso. Grosso! Acabara de perder uma oportunidade. Desligo o telefone. E desisto de nossas tentativas. A noite foi feita para se brincar, não o dia. Volte ao roseiral e termine a colheita de outubro, me aconselha meu diário íntimo que até então acompanhava toda cena como se não fosse conosco.

27 de set. de 2007

A ausência traduz-se numa incapacidade preocupante de enfrentar algozes. Ela me disse, dois pontos, abre aspas, você vai morrer, fecha aspas. Todos nós vamos morrer, foi meu pensamento imediato, mas não lhe disse nada. Permaneci calado. Não havia o que discutir. Preferi deixá-la para nunca mais. Nunca mais talvez. Pera aí! Como assim? Você some, não me deixa um bilhete, não me liga, passa semanas sem me atualizar e de repente surge inesperadamente evasivo e prolixo? Meu diário se comporta mal e o efeito do álcool estava demorando a passar. A vontade de eclodir sem ao menos saber o que significa eclodir. Diários se desesperam quando esquecidos em ambientes inóspitos e estéreis. Eles têm medo. Não sabem viver só. Preferem a esperar na fila para entrar na sala de projeção; fila para comer um crepe; fila para ir ao banheiro; fila para sair em segurança do shopping; desde que, toda a nata da sociedade esteja ali reunida. De vez em quando, do meu leite se forma uma grossa nata e dela faço biscoitos deliciosos. Para consumo próprio. Para consumo próprio. Comerciantes e jornalistas não pisam no meu quintal. Passo horas deitado no sofá da sala de estar pensando no final da história do último menino que colheu flores amarelas no descampado onde marginais, à noite, se escondiam para assaltar os trabalhadores que desciam do ônibus sozinhos e distraídos. Levanto-me. Vou à varanda do quarto da minha irmã. Fazer o quê? Ver o horizonte. Daqui a pouco o sol vai se pôr. Daqui pode-se ter pensamentos mais ousados em relação ao final. Fausto esquecido sobre a espreguiçadeira. Procurei-te por toda casa. Estamos atrasados alguns dias. A bibliotecária se recusará a emitir o boleto da multa mais uma vez. No mais, continua como Deus quer. A dica do óleo foi excelente. Minha pele sobrevive ao castigo da estiagem. Até amanhã, se eu estiver de bom humor.

15 de set. de 2007

Canção da Chuva ou ASAP


Chuva e futebol/rain soccer, originally uploaded by QuelCarvalho.

Venha chuva, acompanhada da primavera,
fazer cócegas nesse corpo, infelizmente seu.
Soro hidrata, mas só você vivifica.

Venha! Mas venha tempestade.
Inunde o parquinho, a praça, o terraço.
Afogue minhas lembranças, todas elas, não me importo,
se for para o nosso bem.

Venha chuva! Acompanhada de ventos. Arranque pelas raízes todo nosso condenado pinheral. Toda gambira.
As telhas quebradas. Arrasse os bananais com seus morcegos.

Voçorocas nos corações do incautos,
Lama e lixo para dentro de casa.
Leptospirose, hepatite, dengue, desabrigados.
Tragédias pessoais televisionadas.

Mas, venha mesmo assim.
ASAP

6 de set. de 2007

20 de ago. de 2007


Last Tango in Buenos Aires, originally uploaded by welsh boy.

Esperava o quanto fosse preciso. Garoto apaixonado pelo nada.

17 de ago. de 2007


Autumn Swan, originally uploaded by PuffinArt.

Segue abaixo, uma piada recebida por e-mail de um parente muito próximo (por acaso, colega de trabalho). Estava mesmo precisando renovar meu velho repertório. Ao contar piadas de gays em reuniões familiares, provo do meu próprio sarcasmo me queimando a língua. Evita-se qualquer pergunta indiscreta. Estou com munição na agulha, não erro o alvo. Fazer humor das próprias angústias passou a ser um modo de vida.

"O FILHO GAY
Desconfiado das atitudes do filho, o pai leva o garoto ao psicólogo para descobrir se seu filho é homossexual.

O Dr pergunta ao garoto:
- Qual o vegetal que você mais gosta?
(Meu Deus, ele vai dizer cenoura ou pepino – pensa o pai).
- Chuchu – responde o garoto.
(Ufa! – pensa o pai).


- Qual seu número preferido? Pergunta o Dr.
(24! – pensa o pai).
- 111 – responde o filho.
(Ufa! Pensa o pai).
- Qual o animalzinho que você gostaria de criar?
(Cordeirinho, carneirinho, viadinho, ai meu Deus, o que esse moloque vai responder?! – pensa o pai).
- Jacaré! – diz o filho.
(Ufa! Aliviado fica o pai).


O que você quer ser quando crescer? -pergunta o Dr.
(cabeleireiro, alfaiate, estilista – pensa o pai).
- Advogado – responde o filho.
- Que fruta você mais gosta? – pergunta o médico [sic].
(Até aqui tudo bem, pensa o pai).
- Jabuticaba, afirma o menino.
O moleque deixa a sala e o pai aliviado, diz para o médico:


- Meu filho é um MACHÃO de primeira linhagem não é Dr?
E o Dr. Responde:
- Seu filho é gay assumido:
- Chuchu, dá o ano inteiro...
- 111 é um atrás do outro...
- Jacaré se defende dando o rabo...
- Advogado vive de vara em vara...
- Jabuticaba é a única fruta que nasce e morre grudada no pau!
Portanto, VIADÃO [sic] mesmo!!!"

16 de ago. de 2007


total chaos, originally uploaded by b_unit.

Calma! A senhora está nervosa. Pedi educadamente a cliente indignada pq a vendedora se confundiu ao passar seu cartão de dédito. Imagine se vou pagar trinta e cinco reais no crédito.

Longo vídeo para aliviar o desejo de estar lá. Cumpre seu propósito. Me leva e me traz de volta.