26 de out. de 2007
25 de out. de 2007
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
O Senhor Olavo de Carvalho oferece uma bibliografia básica para seus alunos que clamam por um orientação. Ganha-se tempo, mas ainda assim, ainda assim, prefiro descobrir tudo por mim mesmo. Se não sou capaz de selecionar uma bibliografia, de que serei capaz, então? De seguir a manada. Pegue sua mochila e vamos embora, diria o diário, se não estivesse de ball gag desde cedo. Você, fala demais, mulher. Ele puto resmungava.
24 de out. de 2007
Sujos de chocolate
O colorido da cidade, a ansiedade a me desestabilizar. Podem vir centanas de milhares de flores, simulando uma chuva de pétalas que nem mesmo assim, que nem mesmo assim, volto atrás. Passado, meu bem. Fazemos parte da história particular de cada um. Quer me rever? Visite o museu da tua memória. Fraca. Pois deixou de ser social. Compartilhar-se foi bom? Razoável, para lhe ser sincero. Digo isso para que tu possas aprimorar suas técnicas e táticas de guerrilha. Tu tens certeza que estiveste onde dizes que estiveste? Para mim tu eres todo, repito, um fraco, essa tua armadura, ossos, músculos, nervos e tendões com o tempo murchará. Levará tempo reconheço, mas seremos implacáveis.
E os banhos de óleo que lhe preparávamos com tanta devoção. Quantas mãos serão preciso para saciar seu desejo a se pôr só depois de levantar o sol. Os recheios dos sushis. Os salmões depurados. Cortar os punhos, da camisa de seda, quando surge um evento imprevisto. Eu me odeio por ter me dedicado tanto. Pela insanidade desatada. O florescimento sempre serviu de pretexto. Quero te polinizar no conforto do tapete do meu quarto. Foi a cantada mais bêbada, escutada. O lóbulo da orelha. A jóia a encontrar refúgio numa boca melodiosa. O atrito das jóias acordaria nossos pais, se já não estivem mortos. Pode ser um psicopata. Boate cheia. Amigos diziam. Todos me invejavam. Alguns nos invejaram.
São flamboyants! Admiro-me um aluno de geografia desconhecer as espécies da sua própria cidade. Como se ele tivesse uma outra lição a me ensinar.... Estou sentido um ressentimento, acaba de me falar meu primo que está aqui do meu lado acompanhando o desenrolar desse post. Sua função auto-proclamada: corrigir -me a ortografia, a semântica, a sintaxe. Aqui estou no limiar, explico-lhe Normas rígidas nos servem mais. Desse momumento, quero só o alicerce. A vida aqui dentro flui. Observe com que facilidade coloco pés atrás da nuca. Não entendi? Fle-xi-bi-li-da-de. Ostra vienense, para os que fazem do quatro um oito. Ele ri. Eu quero esquecer. Pena que ele não acredita no power bloggers e nas mudanças que estão por vir. Sai os altos flamboyants. (Ah! Era como se eu estivesse tocando nos dedos de Deus.) Entram as delicadas tulipas. (Nos seus canteiros vamos experimentar o verdadeiro orgasmo. Oh! Toronto. Sonho contigo todas as noites.) Isso não é normal, nem verossimil, diarista... Ainda não terminou, primo? Isso não tem fim. Vou dar um chutão no estabilizador. A ansiedade.
Pelas mentiras que nos contam desde criança. Pelos direitos de todas as minorias.
Para quem consegue ler Flaubert no original, surrupiado daqui.
23 de out. de 2007
Ode ao blogue extinto
Em homenagem a Orhan Pamuk
Lá fora chove, aqui dentro... neve se acumulando sobre o recamier, sobre o aparador da sala de jantar, sob meus pés. Se faz frio? Com o frio a gente se acostuma. Não me acostumo com o desejo implorado de não se querer ser mais do que já não se pode por absoluta falta de espaço. Solidão é um passageiro que pedia carona na altura da 108 sul (para quem não conhece a capital, é a rua da Igrejinha) e agora, bem instalado, a qualquer momento vai descer. E vai levar e vai trazer. Talvez esquecer. O livro (o romance) serviu como quebra-gelo (só agora percebo a ironia me presenteada pela Vida). Falamos sobre a diversidade dos modos e costumes. Uma amiga minha, fulana de tal, foi mais bem acolhida em Istambul do que em Paris... Sobre os fonemas, as diferenças socio-lingüísticas, sobre o injusto sistema de crédito da universidade. Ensinei-lhe alguns macetes. Dei-lhe algumas dicas. Não pega disciplina com professor fulano de tal. Carnificina geral. Trocamos telefones, e-mails. Confidências. Paixões. E aprendi (descobri) que oil wrestling(com licença o leitor-tradutor e a leitora-tradutora se eu errar na tradução, fica assim mesmo. Depois vocês me corrigem), luta-romana, seria principal esporte nacional da Turquia. E Solidão, ex-vencedor na modalidade. E depois diz que não tem nada a nos ensinar.
22 de out. de 2007
Aquela lagartitinha que o eu-passarinho acabou de saborear como se fosse a sobremesa, bem que poderia me representar na exposição de motivos do próximo dia nove. (Gente do céu, e da terra principalmente, não faço idéia onde vou chegar com esse post. A cada releitura insiro uma frase, indiferente se arrebentar a bexiga. (Sentia prazer em colocar nossas vidas em risco.) Meu-eu ficcionista resumer-se-ia (desculpem-me os blogueiros que escrevem em estilo jornalístico, a mesóclice baixou como se eu fosse... perai, escriba, há toda uma preparação para ser receber um orixá, um pouco mais de respeito à crença dos teus antepassados, por favor, disse -lhe o diário intimo, num roupante atrevido adjetivado de matizes lilases.) a uma larva frágil e delicada, camuflando-se em seus medos e ressentimentos, no aguardo de cumprir-se promesa? O Sol é para todos, pena que os dias sejam nublados e a peçonha suficiente para derrubar um cavalo.
21 de out. de 2007
20 de out. de 2007
Das apostas erradas feitas no bar da esquina
"O governo de Mônaco vai acabar extraditando o Salvatore Cacciola." Um inocente comentário ( eu não tinha mais assunto) acabou originando a aposta. "Dificilmente. Há outros interesses envolvidos. ", retrucou meu amigo. Conseguia novamente incendiar a roda de chopp. Nossas vozes ressoavam por todo bar, abafando as outras conversas. "Aposto na competência dos nossos sub-procuradores.", disse-lhes. No tom mais sarcástico que eu poderia dizê-lo. E sorvi da tulipa o resto que eu já não mais queria. "Obrigado pela parte que me toca. ", disse ele, "De quanto vai ser a aposta?, perguntou-me, surpreendendo-me com um tom ríspito e arrogante. Fingi que não era comigo. Meu olhar perdia-se no horizonte na esperança de encontrar o ponto de apoio. " Foi apenas uma forma de se expressar.", disse-lhe, titubeando. Ele sem hesitar, tirou a carteira do bolso do paletó e de lá de dentro sacou uma nota de cinqüenta reais que foi cuidadosamente presa debaixo da minha tulipa vazia.
"Quer saber mais do que eu." resmungou como se fosse possível falar entre os dentes. Isso não vai dar em nada. "Jamais, mon cher. Je n'écrit pas en français." E sob olhares ávidos, uma outra nota de cinqüenta fez par a primeira. "Para não fazer desfeita. ", disse-lhe, fitando-lhe nos olhos. Gritaria geral. Fla-Flu improvissado numa calçada de ardósias vitrificadas. Dois galos de briga a se encararem minutos antes de se enfrentarem numa rinha. Ou seriam dois pitbulls? Sua boca espumava e não era espuma do chopp. Eu apenas observava-o sem entender o que eu havia dito de errado. Para onde teria ido o debate com seus elaborados argumentos irrefutáveis. "Confio no empenho do nosso ministro," disse-lhe, sem me importar com a provocação. "Agora, repatriarem todo o dinheiro extraviado seria esperar demais", completei, antes de me levantar sem pedir licença para ir ao banheiro. Quando voltei o bolão estava fechado. Cinco com um. E passei a ser conhecido como namoradinho ingênuo do Gustavo, para os íntimos: Eugênio.
Aula de sobrevivência em alto-mar
Chorar de barriga cheia, como se sabe é muito feio. Nunca ninguém me disse que escrever seria fácil, prazeroso ou me proveria. Quando você começou, tínhamos um objetivo, aprender. Nunca se esqueça da metáfora, escrever é como praticar natação. O problema é que nunca sabemos onde vai ser a aula, na semi-olímpica (onde dá pezinho), na olímpica (onde se dá cãibra), ou no tanque de saltos (onde olhares agonizantes se cruzaram e risadas são prelúdio de um beijo.)
18 de out. de 2007
17 de out. de 2007
Interrompeu a leitura. Com a mão no bolsilho do casaco procurava pelo lápis. Olhou em volta de si. No criado-mudo. Na escrivaninha. No aparador. Fechou o livro e o deixou em cima da poltrona onde se encontrava sentado. Precisa copiar aquela frase: "Não há de ser nada... Tudo vai dar certo." Seu otimismo resistia até 38 graus de febre. Passados calafrios, refletia sobre as escolhas erradas tomadas durante o curto periodo em que o rei se ausentou de casa.
8 de out. de 2007
27 de set. de 2007
15 de set. de 2007
Canção da Chuva ou ASAP
Venha chuva, acompanhada da primavera,
fazer cócegas nesse corpo, infelizmente seu.
Soro hidrata, mas só você vivifica.
Venha! Mas venha tempestade.
Inunde o parquinho, a praça, o terraço.
Afogue minhas lembranças, todas elas, não me importo,
se for para o nosso bem.
Venha chuva! Acompanhada de ventos. Arranque pelas raízes todo nosso condenado pinheral. Toda gambira.
As telhas quebradas. Arrasse os bananais com seus morcegos.
Voçorocas nos corações do incautos,
Lama e lixo para dentro de casa.
Leptospirose, hepatite, dengue, desabrigados.
Tragédias pessoais televisionadas.
Mas, venha mesmo assim.
ASAP







