9 de jan. de 2009
Comentário em resposta a minha amiga Fernanda Passos
Assim que tive forças, coloquei uma aliança no dedo anelar da mão direita e pensei: estou me comprometendo com a literatura do meu país. Tenho um livro para escrever. Um livro, não, uma obra para escrever.
Vamos à luta, amiga Fernanda, à procura de nós mesmo. Vamos buscar fundamento nos ensaios de mestre Autran Dourado: pela nossa literatura brasileira ainda tem muito o que ser feito. Não é como aquela lá, a espanhola, ou aquela outra, a francesa, ou tantas outras trabalhadas até a exaustão. Literaturas prontas, dadas como mortas.
A bola está em jogo e cabe a nós jogar essa partida como se fosse a final do campeonato mundial de interclubes. Vencer ou perder é uma questão de ponto de vista.
3 de jan. de 2009
2 de jan. de 2009
Marcinho diz: sim.
Marcinho diz: Agah
Conhecido diz: sim, sim
Conhecido diz: como voce esta?
Marcinho diz: ainda morando em Paris?
Conhecido diz: ainda mantem seu blog?
Marcinho diz: estou otimo e tu?
Marcinho diz: sim... passei quase um ano sem blogar, sem acesso a rede. Mas, estou voltando aos poucos...
Conhecido diz: sim, ainda morando em paris
Cohecido diz: qual é mesmo o endereço dele? [Aqui, eles começam a conversar sobre mim, então me encontro no direito de capturá-los.]
Marcinho diz: ...considero-me um romancista.
Conhecido diz: publicou algo?
Marcinho diz: www.diarioclandestino.blogspot.com [Dicla, para os íntimos e sem colchetes, doravante]
Marcinho diz: nada.
Marcinho diz: não penso nisso
Marcinho diz: Como posso pensar em publicar algo num pais que desconsiderou Lima Barreto e Clarice Lispector
Conhecido diz: um pais muda, evolui, retrocede.. tudo isto depende de seus cidadaos
Conhecido diz: enfim
Conhecido diz: o que anda fazendo de sua vida?
Conhecido diz: e os amores?
Marcinho diz: Lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo,...
Marcinho diz: minha vida é ler.
Marcinho diz: Morrerei soterrado pelos meus livros, mas morrerei estampado de felicidade.
Conhecido diz:e eu nao leio mais nada
Marcinho diz: Escrever, Agah, tem me proporcionado mais excitação que próprio ato sexual em si; pois desejo narrar, contar, descrever, persuadir, argumentar mais do que tudo na vida. Viver para contar estórias que a imaginação me permitiu viver, contar estórias dos outros, principalmente, mescladas, confundidas com minhas próprias. Intertextualiza-se com quem foi, quem é e quem será. Foi-se a ética. Inauguro hoje, nesse momento, uma nova ética literária. Para mim mesmo, o que é mais importante. Os outros já faziam uso dela, acredito. Todas as estórias, das pessoas que não fomos, dos ares que não respirei, das ruas onde não corri, dos rios de onde não me banhei construindo um preâmbulo para A História. Algo bem Geográfico. Hubble me sorri e não é daqui dentro de mim? Imaginação geográfica, aquela que um dia, perdido na década passada, foi sociológica. Para que me compreendas, se quiseres um dia me compreender, não precisa ler Finnegans Wake. Sou bem mais simples que aquele lá. (RE)Leia "O Pequeno Príncipe" que vais me compreender. Foi essa a aliança que fiz com Javé durante uma ducha no banheiro. O sentido da vida passa pela descoberta lingüística. Permita-me pela última vez o uso do trema, amigo Agah. O orgasmo vem a cada nova palavra, conste no dicionário, ou não. O período refratário inexiste. A glória se faz mais presente e forte a cada lágrima, riso ou silêncio do leitor. Aqui a razão é quem nos dirige. Minhas lágrimas são do leitor-escritor e não ao contrário. Longe de mim, querer ser, o que não sou: moralista. Apenas preciso de um caminho, que eu mesmo traço com ajuda do nada. A trilha tortuosa e... haja poeira me protegendo do céu que me queima e torra os pelos da pele. Sabe, Agah, o custo de vida em Paris é alto; Sampa, recomendação de uma amiga cineasta, continua entupida de transeuntes solitários, poluída, congestionada; sobrou-me Brasília e seus concursos bem pagos. O calor de sangrar o nariz. A estabilidade permitindo-me experimentalismos. Houve um judeu no passado. Quem era mesmo? Google me ajuda: escritor, judeu, sobradinho. O livro que não acabei de ler. Contos e novelas das quais não anotei nada. Samuel Rawet. Se tiver de seguir os passos de Drummond, seguirei. Por que, não? Se tiver que seguir os atalhos de Mário de Sá-Carneiro, seguirei. Por que, não?Agah, estou num labirinto cuja a única saída desemborca num palácio suspenso.
Marcinho diz: mas me diga como está a vida em Paris, seus pais ainda estão lhe enviando dinheiro?
Conhecido diz: não, já tem um bom tempo que eu me viro só.
Conhecido diz: trabalhei num restaurante de garçom, depois entrei numa empresa pra fazer um estagio.
Conhecido diz: continuo nesta empresa.
Conhecido diz: e estou morando com meu namorado, de quem gosto, mas não sou apaixonado.
Conhecido diz :alem do mais tenho uma paixonite seria por um outro cara, que é meu amigo, mas que mora com seu namorado, namoro serio.Tipo casamento.
Conhecido diz : Enfim.. me meti em uma situação onde me sinto preso de nos (sic). Nem o ficcionista, nem eu compreendemos essa expressão, talvez devesse ele perguntar ao conhecido, não sei se valeria à pena, pois aquilo não impede de prosseguirmos a leitura do diálogo apreendido.
Marcinho diz: Desculpa, se sou meio casmurro, mas sendo entusiasta da obra do nosso Alberto Caeiro, não poderia ser diferente.
Marcinho diz: mas estas feliz?
Conhecido diz: Ele nem é nosso.
Marcinho diz: ou melhor, és feliz?
Conhecido diz: Estou sim, eu acho, quando sai dai buscava o não estar triste, hoje busco a felicidade, acho que ganhei
Marcinho diz: digo nosso em relação àqueles que o consideram, não em relação a ti, que deves estar mergulhado na literatura francesa.
Conhecido diz: não, disse: não leio mais.
Marcinho diz: Lamento por ti. Se aquele lesse com atenção Balzac, não cometeria enganos e equívocos. Se lesse Proust, com atenção redobrada, seria rei. Súditos, convivas e a corte francesa a lhe bajular. Houellebecq a ler-lhe Voltaire na cabeceira da sua cama.
Conhecido diz: eu também
Marcinho diz: Lamento por jogar fora a receita do bolo, a bula da medicação, as regras do jogo. A Carta Magna. Está [quase] tudo lá. Não precisamos viver novamente o que já se passou para provarmos que estamos vivendo. A história já foi escrita, mon cher, amigo. Da posse dessa informação, escrevo uma nova história, a minha estória, ou melhor, nossa, porque em algum momento nos encontramos nessas salas de bate-papo ou foi blogando, link puxando link? Ah, nem sei. Não me lembro do que não tem importância.
Conhecido diz: sim, certamente. Mas não quero contar, quero sentir
Conhecido diz: Conto quando o que sinto não cabe no meu peito. Agah não escreve. Apenas desabafa. E quando, Agah, os consultórios dos psicólogos, analistas e psiquiatras estiverem lotados, sem vagas, que atitudes tu tomarás? Saltarias do alto da Pont des Arts; ou engolirias anfetaminas com vodka até o sabor queimar-lhe o esôfago sem direito a lavagem estomacal; ou enforcar-se-ias com o fio do laptop, o qual esquece sobre a cama, escondido no ededrom de pena de ganso; ou atirarias com a colt pt40 com pente de dez tiros, todos oxidados, contra a própria têmpora. Ou ainda, Agah, promoveria participando pessoalmente de um violento bareback?. Estupro não poderia ocorrer, porque sua anatomia não lhe permite, Agah. A vulva ainda constitui-se da condição do feminino. Adendo: nosso ficcionista sabe muito bem do que, eu Diário, estou a anunciar. Lenços distribuídos. Mastros a procura dos picos mais altos. O vale. A inundação. O bareback . Simulação de um afogamento leitoso. O rio intermitente a escorrer-se-lhe leitoso-avermelhado das veias e artérias que preferem esconder-se de vergonha. A valentia do menino-garoto. Broto-andrógino a desafiar as convenções. As regras quem as profere sou eu, diariamente, publicadas, no diário não-oficial. O legislativo de todos nós. O Executivo de gravata frouxa. O Judiciário que se abstém de votar por se julgar onipotente. Vamos bater queijo até de madrugada. Até o sol nos dizer que já são trezes horas. Narrativa diária. Anotada numa folha A4. Jamais me esquecerei, sendo nós, diários, oniscientes, principalmente nesse momento especialíssimo quando estamos ligados na/em rede. O ficcionista preferiria que nunca houvesse acontecido, mas aconteceu. Só não sei onde, pois ele nunca registrava os locais, onde o bolo se juntava, e de ovos e farinha fartavam-se todos, todas.
Marcinho diz: Teu e-mail nunca saiu da minha lista de contatos. Nunca te bloqueei. Na suas fantasias, o ficcionista acreditava que Agah tornar-se-ia seu agente europeu. E tu não me... ixi... como conjugo o verbo excluir na segunda-pessoa do pretérito perfeito. Um minuto, Houaiss, Aurélio, Google.
Conhecido diz: excluistes
Conhecido diz: tu
Conhecido diz:vou sair pra almoçar
Conhecido diz: nos falamos mais tarde
Conhecido diz: abs
Marcinho diz: "O poeta e um fingidor. Finge tao completamente. Que chega a fingir que e dor. A dor que deveras sente. "
E o Diário continua (in off): "E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não tem. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. " Autopsicografia. Alberto Caeiro. In: globo.com
Marcinho diz: não quero lhe convencer de nada.
Marcinho diz: Apenas sinto também todas as emoções do mundo, sem precisar experimentá-las, sem necessidade de vivenciá-las pessoalmente, a isso chamamos sensibilidade. Hiper. E agora os israelenses sabem o que seria a flor-da-pele. Nossos poros, dutos a refletir as emoções das pessoas em nossa volta.
Marcinho diz: A bientot
conhecido diz: sentir a dor é experimenta-la. Beijos
Conhecido diz: à bientôt
Marcinho diz: meu teclado e americano, pardon, mom ami, pelos falta de acentos.
Marcinho diz: o imac e chique mas nao e para nos.
Marcinho diz: ah, pensei q estavas a me corrigir os acentos
Marcinho diz: bon apetit
Conhecido diz: non
Conhecido diz: jamais
Conhecido diz: ate logo
Marcinho diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Conhecido diz: compro um japones e volto
Marcinho diz: a toute a l'heure
Momento de egoismo:o post que deixei no blog do Edson Marques:Edson, amigo querido, por isso e por outras porqueiras que chutei meu baldinho, um piniquinho de plasticoamarelo, não vou viver mil mesmo, mas sua poesia, rima e metrica viverá por gerações, independente de quereres ou não. Feliz 2009. Estamos aqui, voltando aos poucos para dar a cara para bater. Mão fechada ou aberta, podes escolher.Abraços!depois no Teoria do Conceito:Sai da toca, irmão. Só pq não posso beber. Vou te pertubar até tu apareceres. Espero q seja por causa de mulher e filhos, só isso justifica sua ausencia na blogosfera. Orkut, não é vida, não, véi, naquilo lá, não temos espaço para sermos o que somos: escritores. No Aguardo. Marcio Hachmann Email Homepage 02-01-2009 16:26:55Incendiou o quarto. Faltou dizer se vai passar manteiga ou não. Abraços de mto tempo atrás.17h45 enquanto isso, no Orkut:Arabiane, estou a escrever um romance no qual a vilã tem o seu nome. Arabiane seria o nome do meu rouxinol, se houvesse varanda na minha kitchenet. Ainda penso em ti com sofreguidão, com tesão, com, permita-me a vulgaridade, (se eu não puder ser vulgar no meu próprio blog perderia o sentido de cada postagem) A rima se encarregou de tudo. Sou capaz de reconhecer tua voz sob quaisquer condições. Diga-me: encontraste-te teu príncipe, casou-se com ele.?Já és mãe? Sentiste o peso da maternidade. Estou ávido por notícias tuas, Arabiane, Roberta. Já q tempo libertou nossas chagas, ao menos as minhas, ouça a canção. Já não sou mais aquele menino com sonhos. A realidade é muita mais linda que seu sorriso. Mesmo com a conta do Mastercard no final do mês. Aliás, para tudo e todas haverá um Mastercad. Um comentário teu no DICLA: não tem preço.19h18, numa comunidade do Orkut. Defendendo os jovens que tem pressa em mostrar seus textos, como uma oficina de textos que não funciona.Sim, tenho pressa. Sou apressadinho. Furo fila, passo na frente. Meto a buzina.O tempo que nunca foi meu amigo, não me resta. Conto os dias, para não dizer as horas, minutos e seus segundos. Desperdicei-o. Onde? Nem me lembro de tão chapado q estava e mesmo se me lembrasse não contaria. Resta-me o espaço, (onde me encontro, mesmo que seja virtual) esse ente majestoso que espremo como a laranja que acabo de chupar. Putz, laranja é laxante e o mundo se acabando em água e eu fingindo ter aproveitado do meu tempo num parque de diversões. Roubando o tempo dos outros. Sim, escrevo diretamente no editor do orkut e do blogger. Sou jovem, se é que pode-se considerar os nascidos na início da década de setenta jovens. Onde se encontra o referencial. o ranço do rancor a respirar próximo do meu pescoço e a velocidade com que os carros trafegam, estremessem a agua da banheira, não é a mesma com que digito esse contra-argumento. Nascemos de oito meses, prematuros, imaturos, mas nem por isso sem capacidade de aprender, desde que apareçam ficcionistas capazes de desengavetar seus escritos para discutir seus métodos, suas técnicas. Apressado sim, já disse isso e repetirei milhões de vezes. Não me envergonho do que eu sou. A velocidade com a qual me alimenta, serve também para salvar um acidentado do enfarto ou uma jovem senhora de um acidente vascular. E olha que nem sou médico, escrevendo assim acabo por me denunciar que nem sou tão jovem. Qdo era moleque, li sim, Feliz Ano Velho, O Alquimista e Diário de um Mago, Rubem Fonseca, Graciliano, Raquel, Clarice nunca consegui até hoje, só as crônicas. Quem não consegue ler crônicas, não consegue ler nada. Eis mais uma falácia. O tempo acabou. E nos esquecemos que ele se inicia. No meu tempo, lia-se Harry Potter com lápis e papel em mãos para corrigir a autora e o com Cem Anos de Solidão. O tempo não respeita ninguém. Já o espaço cabe a cada um conquistar. Let's blogging. Lá, sou senhor do espaço, servo dos ponteiros e da ampulheta. O tempo urge. Urgente, urgentíssimo.
1 de jan. de 2009
"Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)":
Você parou de escrever.... estou com saudades de ler suas palavras ."
Comentário inspirado no post do meu amigão Daniel:Teoria do Conceito
Comentários do post 40520464
Véi,
qdo tdos esperam me ver sorrindo é pq sabem q a arte da dissimulação arde como
estrelas incandescentes. Meu sorriso refresca o hálito dos primos e irmãos, das
primas e irmãs e longe de mim, o incesto. A carne que se serve na mesa, não é a
mesma que se come no banheiro. O mundo se acabando em água, cólicas, calcinhas
sujas de sangue, merda e lama e eu pedido mais, pedindo, implorando bis.
27 de jun. de 2008
Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)
Nas noites de quinta-feira costumam cair estrelas. A brisa sufoca meus ânimos. O michê que me aborda não é o mesmo que sussura promessas de amor. O meu som é o DJ quem faz. Vamos subir o morro e esquecer de uma vez por todas as convenções. Ele não conhece Vítor Araujo. O músico vai escutá-lo e espero que se encante desde a primeira audição.
20 de jun. de 2008
Olho de porco e a ausência de mim mesmo
18 de jun. de 2008
17 de jun. de 2008
Mais do que lindo, o amor é necessário. Amor, não. Afeto. Troca de carícias. Telefonemas antes de se deitar, antes mesmo de se levantar. Exclusividade. Relação fechada, sim senhor. Ele sentia inveja dos gays, pq entre nós aceita-se facilmente um relacionamento aberto. Eu sentia inveja dele, pois dificilmente eu poderia acariciar meu ex a qualquer hora do dia, onde quer que fosse. Me apresenta uma amiga tua lésbica. Meu sonho é transar com duas mulheres. Nunca mais repita isso. Chamei o garçon e pedi a saideira. Como se eu tivesse domínio sobre meus sentidos. Outra madrugada passada no estacionamento do supermercado que não fecha. As garrafas de long neck se avolumaram rente ao meio-fio. A lataria do carro estava gelada, mas servia de encosto. Confortável. A vida sexual de um macho hetero era narrada sem culpa, sem invenções. Traços de um compulsividade latente, mas achei por bem não interrompê-lo. Não naquele momento.
16 de jun. de 2008
BANDANAS
Depois de todas as opções, estamos livres. Fios castanhos, forravam o chão a procura de abrigo. Lamento terem sido poucos os avulsos. Amanhã chá, hoje café. E os tolos cumprimentam-nos com boa dia, boa tarde, boa sorte. O que ele fazia aqui ao nosso lado? Esquecia de si mesmo. Vamos às compras, antes que o shopping fecha. Temos jazidas de petróleo a explorar. A sessão de fotos se inicia daqui a alguns minutos. Estamos ansiosos. Expor a vulva e a glande em ângulos distintos, inexplorados. Pés, mãos, nuca e orelha. Expor a mente em travessas de prata-de-lei. Migalhas do mesmo pão divido repartidas entre os ausentes. Ontem foi difícil. Pressão atmosférica. Se não fosse a academia e seus seminários de geografia política, teríamos sucumbidos as escolhas nefastas. Nietzsche padecendo da demência, fruto de uma sífilis incurável. Sofremos de um mal distinto. Tal qual a sua maneira. Golpes no ar. Krav-magá desajeitado. Caminhamos em círculos sem se importar com a repetição da quadrilha. Hoje foi fácil. Amanhã ninguém sabe. Nem o escriba, tampouco os escritores de romances policiais. Deixo aqui um abraço ao amigo e um beijo a puta que nos pariu.
14 de jun. de 2008
No bloco de anotações a privacidade que lhe restava, que lhe cabia. Um adorno. Ela perdera o livro dentro do ônibus, sem se importar se haveria de devolvê-lo na biblioteca. Saramago que me perdoe, mas passarei longe da fila que se forma para assistir a adaptação. Suas imagens serão apenas as minhas. E nos bastam. Sonha com ele, nos explicando uma lição. O professor de biologia grita. Voltaria à sala, na aula de matemática. Preciso anotar esse verso. Deixa para lá. Encaixo cá. No laboratório de informática, marca os horários com os clientes. Três visitas a quinhentos reais. Estou ficando preguiçosa. O que eu gosto mesmo é de dar minha contribuição a segurança pública. Carteirada ou o famoso 0800. Uma janelinha do messenger se abre. Escorpião a espreita. Ele não me chama. Ele não me ama. Dever ter encontrado outra, adepta do deep throat. Largar o vício e me entregar a profissão. É o que dá dinheiro. É o que paga o aluguel e a prestação da lava-roupa. Exibir-se diante da webcam parecia uma prática segura, se o cliente não houvesse se recusado a se proteger. Os gays é que entendem de sexo. Bareback sem restrições. Talvez eu esteja sendo pesado. O livro! Onde eu o deixei?compra outro e esquece. O espelho acena do retrovisor. Esse rímel barato me borra as pretensões.
13 de jun. de 2008
Em homenagem a Don DeLillo: notas de cabeça
A melhor momento do dia. O intervalo entre acordar e se levantar. O rastro de bergamota do tapete da cama até o tapete do banheiro. Tecidos conversam. "Ela vai confundir tudo, mas tá valendo." Palavras magoam. Teve mais essa: "Ninguém está querendo ver a tua cara." Lembrei-me doutra: "Você é triste, solitária e nunca vai encontrar alguém para te amar." A imagem do lago veio à tona. O mergulho, a corda, o canivete ausente, o assoalho lodoso. O óbito e o funeral. Seria uma solução. Vamos nos organizar para ver como é que fica. Até que ela se deu conta. É exatamente isso. Estamos sendo induzidas ao erro. Pegou sua gata de pelúcia, borrifou do perfume quente, beijou-a e se despediu. Vamos trabalhar. O salto marcava o piso de madeira ao ritmo decidido. Vamos trabalhar, porque preciso ter história para contar. Mais do que isso, precisamos de estilo, amorzinho. Podia lhe faltar tudo. Beleza, reputação, caráter, perspicácia, mas estilo ela tinha. Ou se esforçava para ter. Com os lapsos, cansaço e vícios moldava o que viria a ser a new sensation da Feira de Frankfurt. Não haveria fotógrafo capaz de captar sua simpatia, porque não tinha. Ela seguia a passos trocados, apressada de tão atrassada, forjando uma história que jamais escreveria, porque quando se colocasse sentada à frente do desktop não se lembraria mais.
11 de jun. de 2008
Cristalizar o amor que sinto por você. Oh, deus porque me escravizar nas suas orgias. O som no último volume. Quando nunca encontro sempre sêmen espalhado na cabeceira da cama. Eu ouvido, você palatável. Muita fumaça. Incenso. Me esconde a pele. São só dois olhos de gatos fantasiados de travessuras. Arma o concreto e créu. Sinto-me sexualmente atraído pelo auditor fiscal. O careca. Seu olhar. Castanho. De baixo para cima. Lábios enegrecidos pelo vício da ansiedade. As orelhas. De repolho. Sinto-me compelido a elogiá-lo o nó da gravata casado perfeitamente com o colarinho. Branco. Braguilha frouxa. Careca tesudo. Nas penugens que lhe restam, me perco. Labirintos sem saída. Te idolatro besuntado de chocolate. Trufas. O musgo e o fungo. Vamos para o motel? Cabeça raspada. Sim, sim. Sim! O caminho de anteontem era o mesmo de hoje. Feliz dia dos namorados para quem acabou de me ligar no celular. Se não atendi é porque foi apenas um susto.
O mesmo amor cego, jamais consegue ser surdo
Ela tem aparecido em todas as mídias, mas nunca quis conhecê-la. Seu visual não me dizia nada. E drogado por drogado, me basta aquele que vem buscar quando o expediente termina. A repetição, a superexposição, venceu minha indiferença e agora resta-me aqui tentando resgatar a noite de ontem, a madrugada de hoje, o nascer do sol às 5h15. Sempre achei o palio um carro muito apertado para se fazer sexo dentro. Há compensações. A lataria é uma das mais confortáveis. Vamos para um motel? Vamos ficar aqui mesmo. Concordei resignado. E minha submissão foi recompensada quando ele ligou o MP3 do carro. Abriu o porta-luvas. Tirou um maço de cigarros. Qual marca? Não importa. A temperatura caíra a níveis constrangedores. Eu tremia, mas agora era de prazer, em apenas contemplar a imagem de homem que eu havia encontrado por acaso na rua. Pensei que não conseguiria arrastá-lo daquele boteco très chic, o nome do boteco. Irônicos, os donos. Ele e eu. Enquanto fumava, me perguntou: E aí você tem namorado? Não. Não tenho. Tenho um amante. O arquear das suas sobrancelhas, me levou a justificar-me. A gente se vê todos os dias. Quando te encontrei, você estava sozinho. Sim. Havia acabado de descer do carro dele. Entrei no bar para comprar uma coca-cola. Ele não terminava de fumar. Aquele inquérito se prolongaria até o último momento de prazer dele. A distância que nos afastava era a mesma que nos aproximava. Essa é a tal da Amy? E ele pronunciou o sobrenome dela com uma pronúncia perfeita. Por segundos, fui levado a Brighton a trazido de volta. Sente o cheiro do mar nos meus dedos. Aproximei-me do seu corpo perfumado, este era cítrico, respirei dentro da sua camisa azul, reflexo da lua, convergência da noite, a procura do suporte para minhas pernas. O abraço. E a melodia movimentando seu corpo e por inércia o meu. O dia amanheceu com os outros carros passando por onde estávamos. O estacionamento do pithon não era mais discreto. Conheço uma padaria na seis que serve um delicioso café-da-manhã. Eu aceitei e agora estou aqui postando, na tentativa atordoada de me lembrar de tudo. Qual seu telefone? E o seu amante. Não quero atrapalhar relacionamento nenhum.
10 de jun. de 2008
Borrada se apresenta minha essência. A lente escraviza minha alma. Tal qual, caju com rapadura. Que os fúteis ardem em qualquer um dos círculos do inferno de Dante. Eles e suas visões restritas do mundo. Gostos mesquinhos. Paladares dictomizadores. Abomino quem só ouve um estilo de música. Cago em cima de quem só come sushi. Literalmente. Literalmente. Depois berram em alto-falantes: viva a pluralidade. Viva o multiculturalismo. Viva a porra que sai pelo nariz quando deveria escorrer goela abaixo. Longe de mim a homofobia. Até defendo que ela deveria ser criminalizada. É que me irrito com quem só sabe conversar sobre carros, esportes e homens ou com quem só sabe conservar sobre museus, galerias ou sobre os desfiles da Fashion Rio. Quem vem? Quem não pode estar presente. Por quê? Talvez eu esteja sendo moralista. A pilha de livros derruba a impressora. Perco os sentidos. Gotas são comprimidos debaixo da cama. E a saudade vai dentro do pacote entregue ao carteiro. São fotos, cartas, chips, o patuá, o crucifixo benzido. A Roma de todos nós. Me desfaço de tudo. O limoeiro floresce, a vida se reinicia. Boa sorte. Adeus. E se ele aparecer na minha porta chorando. Convido-lhe para entrar. Ofereço um capuccino brasileiro. E entrego o calção de banho, esquecido no varal. Branco. Gastei quase uma caixa de anil. Para quê? Por quem? Namorados se desentendem na porta da igreja de Santo Antônio. Os amantes se mutilam no estúdio de tatuagem. Quanta diferença. Daqueles se cospe. Destes se engole.
9 de jun. de 2008
momento poético ou a catástrofe atrás do biombo
Detesto ser chamado de irmão. Me lembra a seita. Segredos, vigia. Homens em campana. Homens na escuta. Eles sabem das horas telefonadas. Grampeadas. Transcritas. Oi amigão! Me abraça. Sustente o peso das minhas lágrimas nos seus braços... fortes. Sim. Seria quase um clichê se não fossem hipertrofiados. Carne dura. Me lembra mármore. Bonito de se vê. Me lembra David. E ai, irmãozinho, beleza? Me trate como mulher. Apaixonada pelo primeiro amor. Me trate como fêmea. Cadela no cio. Égua afogueada. A partir de agora, só me chame pelo feminino do meu oposto. Ele se assustou. Da garrafa de vinho sorvir um longo gole tripo. Seco. Tinto. Do que você está falando? Explico-lhe com calma. Não dá para continuar sendo seu amigo. Estou suando de desejo. Tremia de frio, como se fosse de medo. O clima dessa cidade é maluco. Veste meu casaco. Almiscarado. Ele olha para a boca-de-lobo. Pára. Sorri. Gargalhadas. Sem motivo. Me olha. Me encarra. Se você tivesse onde, te faria um filho aqui agora. No meio do passeio. Longe desse poste de luz que nos ilumina.
Da semana que se passou por entre meus dedos restou a promessa de um telefonema. Relacionar-se amorosamente mostra-se complicado. Amor entre iguais, complexo. Junta-se a isso o fato dele ser casado... O que mais a foto me inspira a escrever? A história vem e este jovem escriba se auto-censura. Corro para o editor do word e me permito digressões. Tenho vergonha dos detalhes de mim mesmo.
3 de jun. de 2008
O erotismo enviesado de naturalidade e despojamento. Estou me tornando gay e papai não se dá conta. Meus parentes não se dão conta. Precisamos conversar. Até porque, logo logo o filho do vizinho estará de volta do intercâmbio em Iowa. O doutor supracitado a me vasculhar os desvãos. Saudade que webcam nenhuma, por mais high tec que se fosse conseguiu amenizar. Se não fosse o SKYPE, o que teria sido do seu doutoramento? Cartas de amor. Provas de uma paixão que o doutor engenheiro esconde de si próprio. Os esparadrapos protegendo as juntas. O pêlo loiro a proteger a pele. Tudo igual e tão diferente. Semelhanças. Disparidades. A mesma pele rosada a me lembrar os porcos. E os porcos? Faço torresmo para servir de entrada para feijoada. Somente sábado. Desembarque previsto às 11h07. Mas podia ser amanhã. As cartas não me servem de mais nada.
2 de jun. de 2008
Tentando escapar
29 de maio. quinta-feira. 22h37. Dois rapazes debaixo da árvore se beijando. Um, soluçava sem parar. Outro, beijava-lhe o pesçoco. Aquele, dizia constrangido: "Só tomei duas cervejas e me deu... ic... ic... Os beijos rasos, quase sem abrir a boca, senhas que o esfrega não passaria daquilo, apenas um contato onde corpos nus não se encaixariam. Vamos para um lugar mais reservado? Sem resposta. A mão que acariciava a nuca, era a mesma que empurraria para baixo a cabeça em direção ao desejado desconhecido. Ali se começou o jogo. Esse aqui é melhorado. E eu não sou desses que ele está pensando. Cheirava-lhe a intimidade como se estivesse cheirando-lhe o pescoço. Mordia-lhe levemente a pele, o perigo no risco lhes embriagava. O jogo prossegue. Usava-se de estranhas estratégias. A língua, uma aliada. Não faria o que ele queria. Abraços e beijos são insuficientes quando se quer mostrar ao outro sua inocência. Antes tivéssemos ido procurar por soldados no setor militar urbano, diário. (Você é sozinho, né? Perguntara-nos o tenente, lembra? Lembro-me e não consigo esquecer.) Lá, por qualquer latinha de cerveja, os rapazes da ronda teriam me cegado, primeira na frente (Não baba!), depois por atrás (Você está limpo?), depois simultaneamente. Dois, três, dez, quinze. O arrependimento. Droga! O que eu estou fazendo aqui. Ele está pagando quanto? Cinqüenta. Eu pedindo forças a Deus para que agüentasse por mais alguns minutos que somariam horas do nascer do sol. O silêncio, o respeito, a rapidez, o nunca chegar ao fim. Você também vai? O soldado riu. Na próxima. Quer que te leve para casa? Adoraria. Muita gentileza tua. O chucro a me conduzir de volta para casa. Vamos subir?









