2 de jan. de 2009

Conhecido diz: Marcinho, lembra de mim?
Marcinho diz: sim.
Marcinho diz: Agah
Conhecido diz: sim, sim
Conhecido diz: como voce esta?
Marcinho diz: ainda morando em Paris?
Conhecido diz: ainda mantem seu blog?
Marcinho diz: estou otimo e tu?
Marcinho diz: sim... passei quase um ano sem blogar, sem acesso a rede. Mas, estou voltando aos poucos...
Conhecido diz: sim, ainda morando em paris
Cohecido diz: qual é mesmo o endereço dele? [Aqui, eles começam a conversar sobre mim, então me encontro no direito de capturá-los.]
Marcinho diz: ...considero-me um romancista.
Conhecido diz: publicou algo?
Marcinho diz: www.diarioclandestino.blogspot.com [Dicla, para os íntimos e sem colchetes, doravante]
Marcinho diz: nada.
Marcinho diz: não penso nisso
Marcinho diz: Como posso pensar em publicar algo num pais que desconsiderou Lima Barreto e Clarice Lispector
Conhecido diz: um pais muda, evolui, retrocede.. tudo isto depende de seus cidadaos
Conhecido diz: enfim
Conhecido diz: o que anda fazendo de sua vida?
Conhecido diz: e os amores?
Marcinho diz: Lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo,...
Marcinho diz: minha vida é ler.
Marcinho diz: Morrerei soterrado pelos meus livros, mas morrerei estampado de felicidade.
Conhecido diz:e eu nao leio mais nada
Marcinho diz: Escrever, Agah, tem me proporcionado mais excitação que próprio ato sexual em si; pois desejo narrar, contar, descrever, persuadir, argumentar mais do que tudo na vida. Viver para contar estórias que a imaginação me permitiu viver, contar estórias dos outros, principalmente, mescladas, confundidas com minhas próprias. Intertextualiza-se com quem foi, quem é e quem será. Foi-se a ética. Inauguro hoje, nesse momento, uma nova ética literária. Para mim mesmo, o que é mais importante. Os outros já faziam uso dela, acredito. Todas as estórias, das pessoas que não fomos, dos ares que não respirei, das ruas onde não corri, dos rios de onde não me banhei construindo um preâmbulo para A História. Algo bem Geográfico. Hubble me sorri e não é daqui dentro de mim? Imaginação geográfica, aquela que um dia, perdido na década passada, foi sociológica. Para que me compreendas, se quiseres um dia me compreender, não precisa ler Finnegans Wake. Sou bem mais simples que aquele lá. (RE)Leia "O Pequeno Príncipe" que vais me compreender. Foi essa a aliança que fiz com Javé durante uma ducha no banheiro. O sentido da vida passa pela descoberta lingüística. Permita-me pela última vez o uso do trema, amigo Agah. O orgasmo vem a cada nova palavra, conste no dicionário, ou não. O período refratário inexiste. A glória se faz mais presente e forte a cada lágrima, riso ou silêncio do leitor. Aqui a razão é quem nos dirige. Minhas lágrimas são do leitor-escritor e não ao contrário. Longe de mim, querer ser, o que não sou: moralista. Apenas preciso de um caminho, que eu mesmo traço com ajuda do nada. A trilha tortuosa e... haja poeira me protegendo do céu que me queima e torra os pelos da pele. Sabe, Agah, o custo de vida em Paris é alto; Sampa, recomendação de uma amiga cineasta, continua entupida de transeuntes solitários, poluída, congestionada; sobrou-me Brasília e seus concursos bem pagos. O calor de sangrar o nariz. A estabilidade permitindo-me experimentalismos. Houve um judeu no passado. Quem era mesmo? Google me ajuda: escritor, judeu, sobradinho. O livro que não acabei de ler. Contos e novelas das quais não anotei nada. Samuel Rawet. Se tiver de seguir os passos de Drummond, seguirei. Por que, não? Se tiver que seguir os atalhos de Mário de Sá-Carneiro, seguirei. Por que, não?Agah, estou num labirinto cuja a única saída desemborca num palácio suspenso.
Marcinho diz: mas me diga como está a vida em Paris, seus pais ainda estão lhe enviando dinheiro?
Conhecido diz: não, já tem um bom tempo que eu me viro só.
Conhecido diz: trabalhei num restaurante de garçom, depois entrei numa empresa pra fazer um estagio.
Conhecido diz: continuo nesta empresa.
Conhecido diz: e estou morando com meu namorado, de quem gosto, mas não sou apaixonado.
Conhecido diz :alem do mais tenho uma paixonite seria por um outro cara, que é meu amigo, mas que mora com seu namorado, namoro serio.Tipo casamento.
Conhecido diz : Enfim.. me meti em uma situação onde me sinto preso de nos (sic). Nem o ficcionista, nem eu compreendemos essa expressão, talvez devesse ele perguntar ao conhecido, não sei se valeria à pena, pois aquilo não impede de prosseguirmos a leitura do diálogo apreendido.
Marcinho diz: Desculpa, se sou meio casmurro, mas sendo entusiasta da obra do nosso Alberto Caeiro, não poderia ser diferente.
Marcinho diz: mas estas feliz?
Conhecido diz: Ele nem é nosso.
Marcinho diz: ou melhor, és feliz?
Conhecido diz: Estou sim, eu acho, quando sai dai buscava o não estar triste, hoje busco a felicidade, acho que ganhei
Marcinho diz: digo nosso em relação àqueles que o consideram, não em relação a ti, que deves estar mergulhado na literatura francesa.
Conhecido diz: não, disse: não leio mais.
Marcinho diz: Lamento por ti. Se aquele lesse com atenção Balzac, não cometeria enganos e equívocos. Se lesse Proust, com atenção redobrada, seria rei. Súditos, convivas e a corte francesa a lhe bajular. Houellebecq a ler-lhe Voltaire na cabeceira da sua cama.
Conhecido diz: eu também
Marcinho diz: Lamento por jogar fora a receita do bolo, a bula da medicação, as regras do jogo. A Carta Magna. Está [quase] tudo lá. Não precisamos viver novamente o que já se passou para provarmos que estamos vivendo. A história já foi escrita, mon cher, amigo. Da posse dessa informação, escrevo uma nova história, a minha estória, ou melhor, nossa, porque em algum momento nos encontramos nessas salas de bate-papo ou foi blogando, link puxando link? Ah, nem sei. Não me lembro do que não tem importância.
Conhecido diz: sim, certamente. Mas não quero contar, quero sentir
Conhecido diz: Conto quando o que sinto não cabe no meu peito. Agah não escreve. Apenas desabafa. E quando, Agah, os consultórios dos psicólogos, analistas e psiquiatras estiverem lotados, sem vagas, que atitudes tu tomarás? Saltarias do alto da Pont des Arts; ou engolirias anfetaminas com vodka até o sabor queimar-lhe o esôfago sem direito a lavagem estomacal; ou enforcar-se-ias com o fio do laptop, o qual esquece sobre a cama, escondido no ededrom de pena de ganso; ou atirarias com a colt pt40 com pente de dez tiros, todos oxidados, contra a própria têmpora. Ou ainda, Agah, promoveria participando pessoalmente de um violento bareback?. Estupro não poderia ocorrer, porque sua anatomia não lhe permite, Agah. A vulva ainda constitui-se da condição do feminino. Adendo: nosso ficcionista sabe muito bem do que, eu Diário, estou a anunciar. Lenços distribuídos. Mastros a procura dos picos mais altos. O vale. A inundação. O bareback . Simulação de um afogamento leitoso. O rio intermitente a escorrer-se-lhe leitoso-avermelhado das veias e artérias que preferem esconder-se de vergonha. A valentia do menino-garoto. Broto-andrógino a desafiar as convenções. As regras quem as profere sou eu, diariamente, publicadas, no diário não-oficial. O legislativo de todos nós. O Executivo de gravata frouxa. O Judiciário que se abstém de votar por se julgar onipotente. Vamos bater queijo até de madrugada. Até o sol nos dizer que já são trezes horas. Narrativa diária. Anotada numa folha A4. Jamais me esquecerei, sendo nós, diários, oniscientes, principalmente nesse momento especialíssimo quando estamos ligados na/em rede. O ficcionista preferiria que nunca houvesse acontecido, mas aconteceu. Só não sei onde, pois ele nunca registrava os locais, onde o bolo se juntava, e de ovos e farinha fartavam-se todos, todas.
Marcinho diz: Teu e-mail nunca saiu da minha lista de contatos. Nunca te bloqueei. Na suas fantasias, o ficcionista acreditava que Agah tornar-se-ia seu agente europeu. E tu não me... ixi... como conjugo o verbo excluir na segunda-pessoa do pretérito perfeito. Um minuto, Houaiss, Aurélio, Google.
Conhecido diz: excluistes
Conhecido diz: tu
Conhecido diz:vou sair pra almoçar
Conhecido diz: nos falamos mais tarde
Conhecido diz: abs
Marcinho diz: "O poeta e um fingidor. Finge tao completamente. Que chega a fingir que e dor. A dor que deveras sente. "
E o Diário continua (in off): "E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não tem. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. " Autopsicografia. Alberto Caeiro. In: globo.com
Marcinho diz: não quero lhe convencer de nada.
Marcinho diz: Apenas sinto também todas as emoções do mundo, sem precisar experimentá-las, sem necessidade de vivenciá-las pessoalmente, a isso chamamos sensibilidade. Hiper. E agora os israelenses sabem o que seria a flor-da-pele. Nossos poros, dutos a refletir as emoções das pessoas em nossa volta.
Marcinho diz: A bientot
conhecido diz: sentir a dor é experimenta-la. Beijos
Conhecido diz: à bientôt
Marcinho diz: meu teclado e americano, pardon, mom ami, pelos falta de acentos.
Marcinho diz: o imac e chique mas nao e para nos.
Marcinho diz: ah, pensei q estavas a me corrigir os acentos
Marcinho diz: bon apetit
Conhecido diz: non
Conhecido diz: jamais
Conhecido diz: ate logo
Marcinho diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Conhecido diz: compro um japones e volto
Marcinho diz: a toute a l'heure
Momento de egoismo:
o post que deixei no blog do Edson Marques:
Edson, amigo querido, por isso e por outras porqueiras que chutei meu baldinho, um piniquinho de plastico
amarelo, não vou viver mil mesmo, mas sua poesia, rima e metrica viverá por gerações, independente de quereres ou não. Feliz 2009. Estamos aqui, voltando aos poucos para dar a cara para bater. Mão fechada ou aberta, podes escolher.
Abraços!
Sai da toca, irmão. Só pq não posso beber. Vou te pertubar até tu apareceres. Espero q seja por causa de mulher e filhos, só isso justifica sua ausencia na blogosfera. Orkut, não é vida, não, véi, naquilo lá, não temos espaço para sermos o que somos: escritores. No Aguardo. Marcio Hachmann Email Homepage 02-01-2009 16:26:55
em seguida no Vazamentos de Vapores (última atualização 10/12/2008):
Incendiou o quarto. Faltou dizer se vai passar manteiga ou não. Abraços de mto tempo atrás.
17h45 enquanto isso, no Orkut:
Arabiane, estou a escrever um romance no qual a vilã tem o seu nome. Arabiane seria o nome do meu rouxinol, se houvesse varanda na minha kitchenet. Ainda penso em ti com sofreguidão, com tesão, com, permita-me a vulgaridade, (se eu não puder ser vulgar no meu próprio blog perderia o sentido de cada postagem) A rima se encarregou de tudo. Sou capaz de reconhecer tua voz sob quaisquer condições. Diga-me: encontraste-te teu príncipe, casou-se com ele.?Já és mãe? Sentiste o peso da maternidade. Estou ávido por notícias tuas, Arabiane, Roberta. Já q tempo libertou nossas chagas, ao menos as minhas, ouça a canção. Já não sou mais aquele menino com sonhos. A realidade é muita mais linda que seu sorriso. Mesmo com a conta do Mastercard no final do mês. Aliás, para tudo e todas haverá um Mastercad. Um comentário teu no DICLA: não tem preço.
19h18, numa comunidade do Orkut. Defendendo os jovens que tem pressa em mostrar seus textos, como uma oficina de textos que não funciona.
Sim, tenho pressa. Sou apressadinho. Furo fila, passo na frente. Meto a buzina.O tempo que nunca foi meu amigo, não me resta. Conto os dias, para não dizer as horas, minutos e seus segundos. Desperdicei-o. Onde? Nem me lembro de tão chapado q estava e mesmo se me lembrasse não contaria. Resta-me o espaço, (onde me encontro, mesmo que seja virtual) esse ente majestoso que espremo como a laranja que acabo de chupar. Putz, laranja é laxante e o mundo se acabando em água e eu fingindo ter aproveitado do meu tempo num parque de diversões. Roubando o tempo dos outros. Sim, escrevo diretamente no editor do orkut e do blogger. Sou jovem, se é que pode-se considerar os nascidos na início da década de setenta jovens. Onde se encontra o referencial. o ranço do rancor a respirar próximo do meu pescoço e a velocidade com que os carros trafegam, estremessem a agua da banheira, não é a mesma com que digito esse contra-argumento. Nascemos de oito meses, prematuros, imaturos, mas nem por isso sem capacidade de aprender, desde que apareçam ficcionistas capazes de desengavetar seus escritos para discutir seus métodos, suas técnicas. Apressado sim, já disse isso e repetirei milhões de vezes. Não me envergonho do que eu sou. A velocidade com a qual me alimenta, serve também para salvar um acidentado do enfarto ou uma jovem senhora de um acidente vascular. E olha que nem sou médico, escrevendo assim acabo por me denunciar que nem sou tão jovem. Qdo era moleque, li sim, Feliz Ano Velho, O Alquimista e Diário de um Mago, Rubem Fonseca, Graciliano, Raquel, Clarice nunca consegui até hoje, só as crônicas. Quem não consegue ler crônicas, não consegue ler nada. Eis mais uma falácia. O tempo acabou. E nos esquecemos que ele se inicia. No meu tempo, lia-se Harry Potter com lápis e papel em mãos para corrigir a autora e o com Cem Anos de Solidão. O tempo não respeita ninguém. Já o espaço cabe a cada um conquistar. Let's blogging. Lá, sou senhor do espaço, servo dos ponteiros e da ampulheta. O tempo urge. Urgente, urgentíssimo.

1 de jan. de 2009

"Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)":
Você parou de escrever.... estou com saudades de ler suas palavras ."
Preciso de ti, somente de ti. Traga-me para cá no calor das sete ondas, da romã perfumada e do mundo se acabando em água. Fogo foi ontem à noite, sem direito a antidepressivos e ansiolíticos naturais. Deus tocou minhas mãos, como se eu não fosse ateu, foi o vento, a brisa que ilumina a cortina do quarto de hotel cinco estrelas. Lembro-me da noite branca, agulha sozinha passeando pelos corredores que em breve a demolição levará abaixo. Hermético peregrino, porte de arma calibre 22. Hermenêutica novaiorquina. Seul é logo ali. Jerusalém na esquina de onde a tia assa um churrasquinho de carne com amaciante barato. Minha hérnia, meu tumor, minha biópsia, numa maca de hospital entendi o sentido da vida. Vade retro Satanás. Nesse caso era um negão de um 1,80m, 90 kg, interno da penitenciaria do latão, flertando com uma morena de lábios carnudos e macios e glúteos redondos de tão lisos. Músculo desmanchando na pressão da panela sem tampa. Onde foi que entrei nessa história de Eva servindo a maçã a ninguém. As peras, goiabas e bananas já haviam sido digeridas pelo meu estômago e o mundo se acabando numa limonada suiça. O ecumenismo da menina refletiu na imagem do menino. Quem é quem, num espelho convexo? Ela cobrindo-se com um véu azul da cor de céu de Nossa Senhora de Fátima. Mocinha correndo pelos anéis viários, virgem e imaculada, estragada por fora. 1, 75m. 55 kg. Seria modelo, senão fosse uma travesti. Felação envolveria um alto risco de infecção. Faz um ano que não sei o que é uma mulher e eu, Gama, sete anos que não sei o que é uma foda espumada ou uma cópula ao molho rosé. Frutas no conhac para logo mais a noite. A princesa sou eu. O príncipe morreu.
Comentário inspirado no post do meu amigão Daniel:
Teoria do Conceito
Comentários do post 40520464
Véi,
qdo tdos esperam me ver sorrindo é pq sabem q a arte da dissimulação arde como
estrelas incandescentes. Meu sorriso refresca o hálito dos primos e irmãos, das
primas e irmãs e longe de mim, o incesto. A carne que se serve na mesa, não é a
mesma que se come no banheiro. O mundo se acabando em água, cólicas, calcinhas
sujas de sangue, merda e lama e eu pedido mais, pedindo, implorando bis.
Marcio Hachmann
Email Homepage
01-01-2009 17:31:25

27 de jun. de 2008

Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)


Nas noites de quinta-feira costumam cair estrelas. A brisa sufoca meus ânimos. O michê que me aborda não é o mesmo que sussura promessas de amor. O meu som é o DJ quem faz. Vamos subir o morro e esquecer de uma vez por todas as convenções. Ele não conhece Vítor Araujo. O músico vai escutá-lo e espero que se encante desde a primeira audição.

20 de jun. de 2008

Olho de porco e a ausência de mim mesmo

Nos caminhos de rato me perdi. Outra sessão de algema chinesa durante o desemborcar da madrugada. Foi bom para você? O pancadão esteve no ritmo certo. As lapadas sufocavam gemidos oriundos de um pensamento cartesiano. Sempre correto, sem risco. O único perigo seria se aparecessem formigas dispostas a tatear humanos. Minha pele aberta à labaredas. Escutasse o amigo. Achei que nunca mais fôssemos nos encontrar novamente. Jamais poderia ir para casa, me deitar no perfume do travesseiro, sem antes , sob o flash intermitente da lua, encontrar quem não se importaria em ser esparrar num estacionamento de shopping. Aqui está muito aberto. Há câmaras por todos os lados. Se aparecerem os seguranças, a gente sai calmamente. Não estamos fazendo nada que um casal de namorados não fariam. Aqui o anonimato nos proteje, lá nos isenta de culpa. Nunca te vi. Não sei quem você é. Os três rapazes se encaminham para a cerca. Mais de dois rapazes reunidos? Devem estar indo fumar maconha. Hi, hi, hi. A libido diminuída por causa do frio (?) Quinze graus celsius. Podia ter sido vinte e dois de cada lado (aroeira) e mesmo assim voltaria para casa cabisbaixo. Escrever sobre minhas safadezas não alívia. Nem tenho essa intenção. Quero apenas o registro: o perfume falhou em todas suas etapas. A brasa entre os dedos foi o diferencial.

18 de jun. de 2008

O jantar no Centro Cultural Banco do Brasil, para os íntimos, CCBB, foi de arder o céu da boca. Alho-poró, alecrim e pequi. O fútil sentou-se na nossa mesa. Perfumaria. Nossa! Como você está cheiroso. Está forte? De jeito nenhum. Está gostoso em você. O que você está usando. Eu ainda não tinha me preparado para responder a essa pergunta. Um perfume que encontrei no banheiro da minha prima, nem reparei no nome, será a resposta doravante. Não sei. É segredo. Risos. É perfume francês. Ele afirmou com convicção de colecionador. Tenho vários perfumes. Eu quero me acostumar com apenas um. Buscava construir sua identidade numa fragrância de lírio azul. Esse cheiro que se desprende com violência da minha pele adoçando meu suor é irrelevante, diante dos já transcorridos sete anos que não nos encontrávamos. A amizade e a consideração continuam a mesma. No mais, ele aprendeu a beber e a dividir a conta.

17 de jun. de 2008


namoro, originally uploaded by Ricardo Bousquet.

Mais do que lindo, o amor é necessário. Amor, não. Afeto. Troca de carícias. Telefonemas antes de se deitar, antes mesmo de se levantar. Exclusividade. Relação fechada, sim senhor. Ele sentia inveja dos gays, pq entre nós aceita-se facilmente um relacionamento aberto. Eu sentia inveja dele, pois dificilmente eu poderia acariciar meu ex a qualquer hora do dia, onde quer que fosse. Me apresenta uma amiga tua lésbica. Meu sonho é transar com duas mulheres. Nunca mais repita isso. Chamei o garçon e pedi a saideira. Como se eu tivesse domínio sobre meus sentidos. Outra madrugada passada no estacionamento do supermercado que não fecha. As garrafas de long neck se avolumaram rente ao meio-fio. A lataria do carro estava gelada, mas servia de encosto. Confortável. A vida sexual de um macho hetero era narrada sem culpa, sem invenções. Traços de um compulsividade latente, mas achei por bem não interrompê-lo. Não naquele momento.

16 de jun. de 2008

BANDANAS


A Moment., originally uploaded by Arace.

Depois de todas as opções, estamos livres. Fios castanhos, forravam o chão a procura de abrigo. Lamento terem sido poucos os avulsos. Amanhã chá, hoje café. E os tolos cumprimentam-nos com boa dia, boa tarde, boa sorte. O que ele fazia aqui ao nosso lado? Esquecia de si mesmo. Vamos às compras, antes que o shopping fecha. Temos jazidas de petróleo a explorar. A sessão de fotos se inicia daqui a alguns minutos. Estamos ansiosos. Expor a vulva e a glande em ângulos distintos, inexplorados. Pés, mãos, nuca e orelha. Expor a mente em travessas de prata-de-lei. Migalhas do mesmo pão divido repartidas entre os ausentes. Ontem foi difícil. Pressão atmosférica. Se não fosse a academia e seus seminários de geografia política, teríamos sucumbidos as escolhas nefastas. Nietzsche padecendo da demência, fruto de uma sífilis incurável. Sofremos de um mal distinto. Tal qual a sua maneira. Golpes no ar. Krav-magá desajeitado. Caminhamos em círculos sem se importar com a repetição da quadrilha. Hoje foi fácil. Amanhã ninguém sabe. Nem o escriba, tampouco os escritores de romances policiais. Deixo aqui um abraço ao amigo e um beijo a puta que nos pariu.

14 de jun. de 2008


prostituta, originally uploaded by P e.

No bloco de anotações a privacidade que lhe restava, que lhe cabia. Um adorno. Ela perdera o livro dentro do ônibus, sem se importar se haveria de devolvê-lo na biblioteca. Saramago que me perdoe, mas passarei longe da fila que se forma para assistir a adaptação. Suas imagens serão apenas as minhas. E nos bastam. Sonha com ele, nos explicando uma lição. O professor de biologia grita. Voltaria à sala, na aula de matemática. Preciso anotar esse verso. Deixa para lá. Encaixo cá. No laboratório de informática, marca os horários com os clientes. Três visitas a quinhentos reais. Estou ficando preguiçosa. O que eu gosto mesmo é de dar minha contribuição a segurança pública. Carteirada ou o famoso 0800. Uma janelinha do messenger se abre. Escorpião a espreita. Ele não me chama. Ele não me ama. Dever ter encontrado outra, adepta do deep throat. Largar o vício e me entregar a profissão. É o que dá dinheiro. É o que paga o aluguel e a prestação da lava-roupa. Exibir-se diante da webcam parecia uma prática segura, se o cliente não houvesse se recusado a se proteger. Os gays é que entendem de sexo. Bareback sem restrições. Talvez eu esteja sendo pesado. O livro! Onde eu o deixei?compra outro e esquece. O espelho acena do retrovisor. Esse rímel barato me borra as pretensões.

13 de jun. de 2008

Em homenagem a Don DeLillo: notas de cabeça

A melhor momento do dia. O intervalo entre acordar e se levantar. O rastro de bergamota do tapete da cama até o tapete do banheiro. Tecidos conversam. "Ela vai confundir tudo, mas tá valendo." Palavras magoam. Teve mais essa: "Ninguém está querendo ver a tua cara." Lembrei-me doutra: "Você é triste, solitária e nunca vai encontrar alguém para te amar." A imagem do lago veio à tona. O mergulho, a corda, o canivete ausente, o assoalho lodoso. O óbito e o funeral. Seria uma solução. Vamos nos organizar para ver como é que fica. Até que ela se deu conta. É exatamente isso. Estamos sendo induzidas ao erro. Pegou sua gata de pelúcia, borrifou do perfume quente, beijou-a e se despediu. Vamos trabalhar. O salto marcava o piso de madeira ao ritmo decidido. Vamos trabalhar, porque preciso ter história para contar. Mais do que isso, precisamos de estilo, amorzinho. Podia lhe faltar tudo. Beleza, reputação, caráter, perspicácia, mas estilo ela tinha. Ou se esforçava para ter. Com os lapsos, cansaço e vícios moldava o que viria a ser a new sensation da Feira de Frankfurt. Não haveria fotógrafo capaz de captar sua simpatia, porque não tinha. Ela seguia a passos trocados, apressada de tão atrassada, forjando uma história que jamais escreveria, porque quando se colocasse sentada à frente do desktop não se lembraria mais.

11 de jun. de 2008


Pombinha solitária, originally uploaded by Hel*len.

Cristalizar o amor que sinto por você. Oh, deus porque me escravizar nas suas orgias. O som no último volume. Quando nunca encontro sempre sêmen espalhado na cabeceira da cama. Eu ouvido, você palatável. Muita fumaça. Incenso. Me esconde a pele. São só dois olhos de gatos fantasiados de travessuras. Arma o concreto e créu. Sinto-me sexualmente atraído pelo auditor fiscal. O careca. Seu olhar. Castanho. De baixo para cima. Lábios enegrecidos pelo vício da ansiedade. As orelhas. De repolho. Sinto-me compelido a elogiá-lo o nó da gravata casado perfeitamente com o colarinho. Branco. Braguilha frouxa. Careca tesudo. Nas penugens que lhe restam, me perco. Labirintos sem saída. Te idolatro besuntado de chocolate. Trufas. O musgo e o fungo. Vamos para o motel? Cabeça raspada. Sim, sim. Sim! O caminho de anteontem era o mesmo de hoje. Feliz dia dos namorados para quem acabou de me ligar no celular. Se não atendi é porque foi apenas um susto.

O mesmo amor cego, jamais consegue ser surdo

Ela tem aparecido em todas as mídias, mas nunca quis conhecê-la. Seu visual não me dizia nada. E drogado por drogado, me basta aquele que vem buscar quando o expediente termina. A repetição, a superexposição, venceu minha indiferença e agora resta-me aqui tentando resgatar a noite de ontem, a madrugada de hoje, o nascer do sol às 5h15. Sempre achei o palio um carro muito apertado para se fazer sexo dentro. Há compensações. A lataria é uma das mais confortáveis. Vamos para um motel? Vamos ficar aqui mesmo. Concordei resignado. E minha submissão foi recompensada quando ele ligou o MP3 do carro. Abriu o porta-luvas. Tirou um maço de cigarros. Qual marca? Não importa. A temperatura caíra a níveis constrangedores. Eu tremia, mas agora era de prazer, em apenas contemplar a imagem de homem que eu havia encontrado por acaso na rua. Pensei que não conseguiria arrastá-lo daquele boteco très chic, o nome do boteco. Irônicos, os donos. Ele e eu. Enquanto fumava, me perguntou: E aí você tem namorado? Não. Não tenho. Tenho um amante. O arquear das suas sobrancelhas, me levou a justificar-me. A gente se vê todos os dias. Quando te encontrei, você estava sozinho. Sim. Havia acabado de descer do carro dele. Entrei no bar para comprar uma coca-cola. Ele não terminava de fumar. Aquele inquérito se prolongaria até o último momento de prazer dele. A distância que nos afastava era a mesma que nos aproximava. Essa é a tal da Amy? E ele pronunciou o sobrenome dela com uma pronúncia perfeita. Por segundos, fui levado a Brighton a trazido de volta. Sente o cheiro do mar nos meus dedos. Aproximei-me do seu corpo perfumado, este era cítrico, respirei dentro da sua camisa azul, reflexo da lua, convergência da noite, a procura do suporte para minhas pernas. O abraço. E a melodia movimentando seu corpo e por inércia o meu. O dia amanheceu com os outros carros passando por onde estávamos. O estacionamento do pithon não era mais discreto. Conheço uma padaria na seis que serve um delicioso café-da-manhã. Eu aceitei e agora estou aqui postando, na tentativa atordoada de me lembrar de tudo. Qual seu telefone? E o seu amante. Não quero atrapalhar relacionamento nenhum.

10 de jun. de 2008

Borrada se apresenta minha essência. A lente escraviza minha alma. Tal qual, caju com rapadura. Que os fúteis ardem em qualquer um dos círculos do inferno de Dante. Eles e suas visões restritas do mundo. Gostos mesquinhos. Paladares dictomizadores. Abomino quem só ouve um estilo de música. Cago em cima de quem só come sushi. Literalmente. Literalmente. Depois berram em alto-falantes: viva a pluralidade. Viva o multiculturalismo. Viva a porra que sai pelo nariz quando deveria escorrer goela abaixo. Longe de mim a homofobia. Até defendo que ela deveria ser criminalizada. É que me irrito com quem só sabe conversar sobre carros, esportes e homens ou com quem só sabe conservar sobre museus, galerias ou sobre os desfiles da Fashion Rio. Quem vem? Quem não pode estar presente. Por quê? Talvez eu esteja sendo moralista. A pilha de livros derruba a impressora. Perco os sentidos. Gotas são comprimidos debaixo da cama. E a saudade vai dentro do pacote entregue ao carteiro. São fotos, cartas, chips, o patuá, o crucifixo benzido. A Roma de todos nós. Me desfaço de tudo. O limoeiro floresce, a vida se reinicia. Boa sorte. Adeus. E se ele aparecer na minha porta chorando. Convido-lhe para entrar. Ofereço um capuccino brasileiro. E entrego o calção de banho, esquecido no varal. Branco. Gastei quase uma caixa de anil. Para quê? Por quem? Namorados se desentendem na porta da igreja de Santo Antônio. Os amantes se mutilam no estúdio de tatuagem. Quanta diferença. Daqueles se cospe. Destes se engole.

9 de jun. de 2008

momento poético ou a catástrofe atrás do biombo

Detesto ser chamado de irmão. Me lembra a seita. Segredos, vigia. Homens em campana. Homens na escuta. Eles sabem das horas telefonadas. Grampeadas. Transcritas. Oi amigão! Me abraça. Sustente o peso das minhas lágrimas nos seus braços... fortes. Sim. Seria quase um clichê se não fossem hipertrofiados. Carne dura. Me lembra mármore. Bonito de se vê. Me lembra David. E ai, irmãozinho, beleza? Me trate como mulher. Apaixonada pelo primeiro amor. Me trate como fêmea. Cadela no cio. Égua afogueada. A partir de agora, só me chame pelo feminino do meu oposto. Ele se assustou. Da garrafa de vinho sorvir um longo gole tripo. Seco. Tinto. Do que você está falando? Explico-lhe com calma. Não dá para continuar sendo seu amigo. Estou suando de desejo. Tremia de frio, como se fosse de medo. O clima dessa cidade é maluco. Veste meu casaco. Almiscarado. Ele olha para a boca-de-lobo. Pára. Sorri. Gargalhadas. Sem motivo. Me olha. Me encarra. Se você tivesse onde, te faria um filho aqui agora. No meio do passeio. Longe desse poste de luz que nos ilumina.

Da semana que se passou por entre meus dedos restou a promessa de um telefonema. Relacionar-se amorosamente mostra-se complicado. Amor entre iguais, complexo. Junta-se a isso o fato dele ser casado... O que mais a foto me inspira a escrever? A história vem e este jovem escriba se auto-censura. Corro para o editor do word e me permito digressões. Tenho vergonha dos detalhes de mim mesmo.

3 de jun. de 2008


Field Gun 06, originally uploaded by Colonel Killgore.

O erotismo enviesado de naturalidade e despojamento. Estou me tornando gay e papai não se dá conta. Meus parentes não se dão conta. Precisamos conversar. Até porque, logo logo o filho do vizinho estará de volta do intercâmbio em Iowa. O doutor supracitado a me vasculhar os desvãos. Saudade que webcam nenhuma, por mais high tec que se fosse conseguiu amenizar. Se não fosse o SKYPE, o que teria sido do seu doutoramento? Cartas de amor. Provas de uma paixão que o doutor engenheiro esconde de si próprio. Os esparadrapos protegendo as juntas. O pêlo loiro a proteger a pele. Tudo igual e tão diferente. Semelhanças. Disparidades. A mesma pele rosada a me lembrar os porcos. E os porcos? Faço torresmo para servir de entrada para feijoada. Somente sábado. Desembarque previsto às 11h07. Mas podia ser amanhã. As cartas não me servem de mais nada.

2 de jun. de 2008

Tentando escapar


Trying to Escape, originally uploaded by CrotchSplay.

29 de maio. quinta-feira. 22h37. Dois rapazes debaixo da árvore se beijando. Um, soluçava sem parar. Outro, beijava-lhe o pesçoco. Aquele, dizia constrangido: "Só tomei duas cervejas e me deu... ic... ic... Os beijos rasos, quase sem abrir a boca, senhas que o esfrega não passaria daquilo, apenas um contato onde corpos nus não se encaixariam. Vamos para um lugar mais reservado? Sem resposta. A mão que acariciava a nuca, era a mesma que empurraria para baixo a cabeça em direção ao desejado desconhecido. Ali se começou o jogo. Esse aqui é melhorado. E eu não sou desses que ele está pensando. Cheirava-lhe a intimidade como se estivesse cheirando-lhe o pescoço. Mordia-lhe levemente a pele, o perigo no risco lhes embriagava. O jogo prossegue. Usava-se de estranhas estratégias. A língua, uma aliada. Não faria o que ele queria. Abraços e beijos são insuficientes quando se quer mostrar ao outro sua inocência. Antes tivéssemos ido procurar por soldados no setor militar urbano, diário. (Você é sozinho, né? Perguntara-nos o tenente, lembra? Lembro-me e não consigo esquecer.) Lá, por qualquer latinha de cerveja, os rapazes da ronda teriam me cegado, primeira na frente (Não baba!), depois por atrás (Você está limpo?), depois simultaneamente. Dois, três, dez, quinze. O arrependimento. Droga! O que eu estou fazendo aqui. Ele está pagando quanto? Cinqüenta. Eu pedindo forças a Deus para que agüentasse por mais alguns minutos que somariam horas do nascer do sol. O silêncio, o respeito, a rapidez, o nunca chegar ao fim. Você também vai? O soldado riu. Na próxima. Quer que te leve para casa? Adoraria. Muita gentileza tua. O chucro a me conduzir de volta para casa. Vamos subir?

30 de mai. de 2008

DEFINIÇÕES

DIÁRIO: anotações avulsas do cotidiano de um indivíduo. Vale tudo. Adoro acompanhar os torneios de vale-tudo. A virilidade escorrendo pelo tatame. Me transformo num animal tal qual. Ninguém me reconhece. Fragmentos. Historicismo. Tudo que aflorar a mente, tudo que lhe inquieta. Diários pessoais. Diários íntimos. Íntimos e pessoais. Diários. Diárias. Diaristas. (Eu a comi. Todos a comiam. Creio em Deus-Pai! Os homens do prédio a faziam de pia de banheiro. Quem nunca, agoniado, se aliviou na pia de um banheiro?) Pergunta retóricas, respostas mal sãs. Rascunho, rascunho, rascunho. Lembrei-me de Drummond agora: "flor, flor, flor". Percebe, querido diário, por não consigo manter-te. A porra da imaginação nos invade sem autorização judicial. Mas eu preciso de ti. E sem eu, você não é você mesmo. Ah! Pro inferno a norma culta. Aqui prevalece o erro de ter caminhado ontem à noite por caminhos de ratos atrás de quê? Atrás de quê? De sexo. Para nós, homosexuais masculinos, é muito mais fácil descarregar os ovos. Nem precisamos das prostitutas. Há os caminhos de ratos e desde que se use camisinha, tudo bem? Acho que estou finalmente conseguindo escrever-te, diário, nesse momento, íntimo. Ele só quer ser o intelectual, acredita que vai me (nos) conduzir a algum diferente deste, onde atualmente me encontro. Percebes que vida de diário não é, nem tem sido fácil através do séculos? Erros que nenhum revisor, por mais esforçado que seja, conseguirá corrigir. Os ques, os nãos. Os mas. A pobreza vocabular. Somos coaclas. Ele escreve mal para cacete. Não digam o contrário. Ele acredita. Falta-lhe discernimento e tempo. Ele me contamina, afinal sou o esgotamento sanitário da sua psiquê. E que não nos percarmos em psicologismos. Ele deu descarga. Abriu a porta. Sinta o cheiro. Mal-educado. Não te ensinaram que não se caga fora de casa. Deve estar doente. Deve ser doente. Não sabemos. Vamos descobrindo à medida que ele resolve/consegue nos dizer algo de... significativo? Não importa. São páginas e mais páginas. Ecos. A moda agora é o tal do work progress, exarcebar a individualidade. Expor a intimidade a troca de centavos. Não julgo. Julgar é uma prerrogativa divina. E os piolhos, eles só os enxerga depois de meses. Chega de se lamentar. De autopiedade. Eu te amo. Eu te amo muito. Muito mesmo. Mais do que a mim. Se te queimei às margem do canal pluvial, foi por medo. (eita, porra! deixa eu te salvar, antes que eu perca tudo. Está dando bug no blogger. Os colegas estão prestem a chegar. Postar do trabalho está longe do ideal. Mas fazer o que, diários, não temos opção. Ele não vê que sua única opção sou eu. Espelho a refletir sua imagem distorcida. A poeira lhe faz espirrar violentamente. Só por que se trata da quadra residencial dos generais do EB, corta-se a grama todo dia. Ele pensei. Na condição de diário, não vejo, não sinto, não tenho acesso ao escritor. Somente ao escrever-apagar. Isso sim. Creia em mim. Posso lhe revelar fatos interessantes, pictorescos, fantasiosos, arrangar-lhe o topo da cabeça, como ocorria com a inglesinha gostosa. Estralos generosos. Ou não? Pode ser um tédio escorrendo pelas mãos (onde ele... ops! onde eu li. Esquece. Estou a confundir o escritor, alter-ego do escritor, com o voz do diário, errando na digitação, me equivocando nas escolhas das palavras. (Puta-que-pariu! Páre de se justificar. Esse sentimento mesquinho afugenta o leitor, afasta-me da glória (gostosonas, dinheiros e drogas, não necessariamente nessa ordem [clichê]. Tem até mescalina. O pó é o mais puro que chega ao Brasil.) A voz do narrador, a voz do diário, eu-que-vos-escrevo, não consigo mais distinguir ninguém. Márcio, respira fundo. REspiro fundo. A qualquer momento chega alguém e isso me estimula a continuar. Amo perigo. O risco. Brinco com a morte de casinha.

29 de mai. de 2008

Acordo e durmo pensando no expressivo romancista que me tornarei. E quanto mais reflito, mais me aproximo de conclusões heterodoxas. Quero distância da mercantilização. Não quero viver da arte e sim viver para arte. Por outro lado, num outro buraco, entro no sistema financeiro, no cassino transnacional, aconselhando solitários, marcando encontros dilatosos. Preciso contar-lhe que a dor a atravessar o peito nos lembra a solidão, mas resume-se apenas num estar de coisas e momentos agudos. É porque você nunca foi vítima, disse-me o agente da segurança pública. Como? O que você sabe da minha vida? Nada.

10 de abr. de 2008

Comprar ou não comprar? Vou pulando de compulsão em compulsão a procura de algo que acalme meu espírito. O sexo era bom, mas estava me destruindo. O shopping findo o expediente é legal, mas a matilha me vigia. Os cãos ladram mais alto do que se troveja no céu liso da capital. E o meu passaporte onde haveria a foto raspado. Vamos desocupar aquele guarda-roupa e trancar o quarto. Quem sabe assim poderei elocubrar em paz.

9 de abr. de 2008

Bom dia a todos! Estou de volta. Cansei de dedicar o miléssimo do meu tempo a seleções oficiais. Desisto de me transformar num acomodado servidor público. Drummond que me desculpe, essa vida de gabinete não quero para mim. Não sei de onde tirarei coragem para pedir benção a Guimarães Rosa. Trai meus estudos de línguas. Meu grego e meu latim. Trai todos e a mim mesmo. E se passo fome (e ninguém tem nada a ver com isso, viu Dona Roberta) é porque não sinto mais vontade de comer... Enquanto escrevo-lhes esse texto, no qual celebro minha volta, estou escutando através da Rádio UOL, o álbum do Lenine "In Cité". Entre todas, minha preferida é a música: "Ninguém faz idéia". Inclusive num janeiro qualquer de um ano gordo qualquer, havia eu feito referencia e refletido sobre essa afirmação, mas cadê?, não a encontro. Revisar meu diário-blog-Dicla urge. Voltar a escrever sofregadamente urge. Se há um sentido na vida, somente na expressão eu o encontro. À noite a gente se fala, turma. Avisá-los que a porta está aberta novamente. As janelas vêem o sol. A chuva entra. Molha meus rascunhos imprimidos às pressas. Borrados têm mais valor do que antes. Atiro-os a lixeira, na esperança que se reproduzam. Não valiam mesmo à pena.

12 de nov. de 2007

Deveria ter sido apenas um teste. Acabou se transformando numa prova de amor.
Resolutamente básico.

10 de nov. de 2007

Os dislexos de todos os dias não saem para fazer compras na feira

Se estou dando uma pausa, é porque meus amigos, os novos, os antigos, os de saideira, os de confissão, solicitam minha presença. Hahahaha! Ele trocou o G pelo C . (Piada de círculo fechado a partir de então.) Foi a pressa. O mormaço. A aglomeração em torno do meu terminal. Não tente justificar o erro, está me assoprando meu Diário. Não estou a justificá-lo, querido. Só enxergo os lapsos, transcorridos alguns anos ímpares. Díspares. Eu sei. Por isso, versos dormitam no fundo da gaveta. Pretensão querer publicar poemas inspirados num amor condenado a viver vizinho de quem não se pode ao menos cumprimentar quando se esbarra na escadaria do prédio. Houve um pega. Depois, o esquecimento, a indiferença. A ignorância do riso, a estética do escárnio. Contive o espirro para ele não ter o prazer de me ver gozar. A prata derretida a sujar o mármore do piso. E agora só resta minha mesa em frente a tua. Sabe o que estou fazendo? O relatório que me pediste. Mentira. Está revendo as fotos que vocês tiraram no sítio. Você, o perfeito garanhão; ele, o diarista ensimesmado com inveja das éguas-suas-amigas requisitadas para o frevo. Lá estava ele de aluno, desarmado, cheirando a hortelã. "Está doendo? Está! Quer que tira? Não." Não diziam outra coisa, até que tudo se transformou num imenso chiclê de clichê. Nausebundo. Saímos à francesa. Sem se importar com a distância que teríamos que caminhar. Eu, a tira colo; ele, sem camisa.

9 de nov. de 2007

No sétimo círculo fustigaremos sua carne.

Diálogo pré-almoço:

-- Estou feliz em saber que a elite da polícia militar, vulgo BOPE, acolhe os ateus. Respeito muito quem não acredita no Deus ex-nihilo. Ou não acredita em Deus nenhum.
-- Ateísmo é tabu no Brasil, Marcinho. Duvido que o major seja incrédulo, logo ele, sendo um militar, sempre ultraconversadores. Em qual círculo do inferno de Dante ardem os omissos?
-- Consultemos o Google:
“Mas olha o vale: o rio é não distante
De sangue, onde verás fervendo aquele,
48 Que violência exerceu no semelhante.

-- Ele(s) deve(m) sentir muita culpa. A menos que sejam psicóticos...
-- Então deveriam estar fora de qualquer corporação.
-- Viver muitos anos se remoendo de culpa, não haveria castigo melhor.
-- Auto-castigo, Marcinho.

8 de nov. de 2007

Num outro patamar qualquer

Exportadores de açaí, de jogadores e de mulheres bonitas. A novidade veio do mar. Terá repercusão internacional?

Transtorno bipolar do humor

Uns vão dizer preguiça, eu diria desânimo. Precisava escrever. Me colocar sentado na cadeira, em frente ao computador e praticar, horas e horas, por tentativa e erro, a alegria de não ser quem se é. Eu quero um IPhone. Eu quero um blackberry. Responder ao jovem québécois a longa carta. (Ah! Se ele fosse americano, o visto teria sido concedido.) Os amores opostos. Eu me escondendo na fornalha, ele se escondendo no frigorífico. Ambos comendo flores e cuspindo espinhos. Para mim o ano já acabou. O dia tem quinze horas e não consigo nem cumprimentar as lamparinas ao entrar no quarto. Eu quero dormir. Eu preciso! As formigas carregaram minha paz, meu esforço ao executar corretamente o movimento. Escondo o mal-humor matutino no emaranhado de fios que me proteje os culhões. Os leitores passam, olham: Será que ele não vai responder aos nossos comentários. Não necessariamente, não necessariamente. Com Harry Potter, eu pedia mais. Meus bombons britânicos a me infartar, se não fosse interrompido pela Lição. Com Neve, a estória está sendo narrada diferente. A nevasca me liberta, por isso a dor. Preciso digerir os acontecimentos, mas o tumor não me permite. A modelo de olhos verdes nos elogia: Esse menino é ouro. Ouro mesmo. Ela só conhece meu lado poético viniciano. Dorme comigo uma noite e você saberá quem eu sou. Um latão de cobre barato desses que os carroceiros, felizes, arrastam por toda cidade fustigando seus despelados cavalos. A chapa esquenta e você se queima. Imagino as gotas de chuva, dulcíssimos flocos de neve. Talvez alivie a tristeza... de não ser quem se é.

6 de nov. de 2007

Esses anarquistas! Precisam conhecer o estado de natureza. O lobo tem fome. Apetite insaciável.

5 de nov. de 2007

A dança


A dança, originally uploaded by Márcio Hachmann.

A destruição assobia nos meus ouvidos canções de ninar. É força da natureza, contra ela não podemos nada. Prevenir, talvez.

3 de nov. de 2007

Desculpem-me leitores. Só hoje consegui responder os comentários e os e-mails (obrigado patota). O DiCla acabou dormindo desconfortavelmente numa cadeira manca, de tanto esperar por atualizações. O post de quinta-feira, de tão longo, acabou-se transformando num capítulo de um livro. Possibilidades. Vinte e três laudas guardadas na pastinha verde. Para nunca mais. A pasta já está toda arregaçada de tão cheia de outros guardados, mas me recuso a passá-los a limpo ou revisá-los. Desconheço a autoria daqueles escritos, se não fosse pela minha assinatura. E isso me apavora. Me deixa inseguro. Inquieto. Há flores: gladíolos brancas e gérberas salmão. Aula de taiji ao nascer do sol. Chuvisca. A idéia do treinamento bombordeando-me a mente. Tudo vai se resolver, conforme a vontade de Deus. Minha libido se restabelecerá-la e voltaremos a ser felizes, copulando sobre as brasas da churrasqueira.

31 de out. de 2007

Quando o alter-ego fala


purgatory, originally uploaded by dEEsign photography.

Quem conhece o purgatório de Dante, sabe exatamente a dor que estou sentindo. A(dor)ei (de) senti-la em outros estados artificiais da natureza, confesso, embora gritasse o código combinado a cada bofetada desferida. Saudade do que poderia ter sido o Taj Mahal de ponta cabeça. O escrivão da Polícia Federal induzia-me o desejo. Seus olhos saltavam para fora, sequiosos da performance que não sei onde por Deus aprendi. É a prática. É a prática. Seu falo descomunal (Valei, Hilda Hislt!) ditava as regras e os pudores. Abre a boca. Engole. Cospe, não! Tá, engasgando, por quê? Engoliria até sua alma, querido, se essas suas algemas pudessem colorir de cinza-prateado a cabeceira desse quarto previssível de motel. (Ui, como ele está erótico hoje. Estou até com medo de pegar doença venérea. Mesmo tão protegido, mesmo tão ausente.) Borrachudos por todos lados, querendo se meter num negócio de adultos. Queremos seu sangue, diriam alguns. Estava sangrando meu lábio superior. O escrivão fez que não viu. Não era com ele. O calor das três da tarde derretia a esperança de continuarmos até o entardecer a lição de tiro. Tira!Tira!Tira! Relaxa, guri. Seja homem. E principalmente nos momentos de dor. Rebola que alivia. É halloween novamente. Escrevo-lhe um e-mail. Aproveito a deixa da ocasião. E se o escrivão responder? Se ele aceitar? Chegaria fantasiado com o uniforme de todos os dias. Eu, com meu kit puta: mini-saia, top e salto alto. Gloss nos lábios, rímel nos cílios. Se não fosse meu chaveirinho, diria que eu era uma mocinha pura provando ao namorado cafajeste o quando o amava. (Está ridículo, eu sei. Tenho espelho na porta do guarda-roupa. Apenas, cumpro ordens. E voz de comando). Doce de abóbora para sobremessa. As velas de citronela espalhadas pelos cantos da casa. As promessas, as juras, um banho frio. Deveria ter-lhe roubado a carteira e jogado no esgoto de onde ele nunca deveria ter saído, nem mesmo para se encontrar com um amigo que não fode o suficientemente para lhe convencer a procurá-lo com mais freqüência. Passado quase um ano e eu ainda querendo acordar de manhã ao seu lado. Meu único compromisso é com a literatura. Valeu como inspiração. Mudarei de endereço, de quadra, de apartamento para que ele não ouse me visitar as duas da manhã, fugindo do plantão, achando que direitos são adquiridos mesmo quando não se faz presente quando solicitado. Se não for do meu jeito, não é de jeito nenhum, disse-lhe o escrivão. Ok! respondi-lhe escondendo o olhar de choro. Foi melhor assim. Tem sido melhor assim.

Atualizado: Escrever, escrever, escrever. Revisar exaustivamente. Salvar como rascunho. Esquecê-lo. Revisar exaustivamente de novo, qdo por acaso lembrar-se-lhe (que estrutura é essa? Chamem o Bechara!) dele. Somente, então, publicar. Gostaria de seguir os meus particulares princípios, mas a avidez me atropela. Ando atordoado por esses dias. Pretensão com "c". Performance sem "n". E outros herrores apontados pela minha linda e adorável prima. Ela pode não ter gostado da explicação e do contra-argumento. Paciência. O bom vendedor que sou nunca me abandona. Você é bom de lábia, me disse ela. De lábia e de boca.

Respondendo perguntas


puzzling, this, originally uploaded by thespacesuitcatalyst.

Dentre todas, minha favorita. Dentre todos, meu favorito. Traço estratégias. 97 está sendo o ano dos convites (aceitei todos) e das propostas (analisei todas). Venha viver comigo em Toronto. Venha como turista, mesmo. Não tenha medo. Aqui faz muito frio, quando se está só numa banheira de hotel. O frio está para o Canadá, assim como o calor está para o Brasil. Meu ceticismo, nosso freio de mão moderno, me mostra outras possibilidades, DiCla. Seu convite chegou-me tarde, Lindusco, não posso mais. Resta-nos resolver o imbrólio que nos metemos. Enquanto isso, vou aceitando os presentes que me oferecem: os rubiks. Deles me canso fácil. Minha cabeça dói e só penso em você, leitora.

30 de out. de 2007

OFF TOPIC: Entrevista informal por telefone. O headhunter me explicara, jamais revele sua pretensão salarial, assim você perde seu poder de negociação. E assim foi até o final. Não disse à minha futura patroa quanto gostaria de receber pelo meu trabalho. Aceitei a proposta sem pestanejar. Enfim livre.
Antes ser rico desconhecido, a ser pobre famoso. Os papéis se inverteram e esse calor que me escorre pela nuca me convence embarcar no primeiro vôo para Jean-Lesage, conexão Congonhas. Vamos dar asas a essa fantasia. Chorar não vale. Lembra-se do acordo? Abro o caderninho de estimação, vulgo, DiCla (estamos no volume 7, hehehe) e escrevo: meu passaporte chegou. Alguém bate na porta, bate com força. Insiste. Machuca a mão. Quem era? Não sei. Nos sonhos dificilmente enxergo fisionomias. A camareira esquecera o cesto de roupas. O canto das cigarras. O poço seco. Saio de casa para nunca mais voltar. Não consigo me lembrar o que estava escrito no passaporte. Uma forte vontade de ir ao banheiro. O reconhecimento dos seus pares, o nicho restrito se aglomera em torno da tulipa de chopp. Não posso beber. Família, família. Família destroçada pela última gota. Eu bebo por você. Felação após o almoço por ter sido o anônimo mais simpatico dentro todos os outros... Off topic: Preciso telefonar. Acabo de ser indicado para assessorar uma empresária da capital. (Calma, diarista. Será apenas uma entrevista.) Aparo, ou não, o cabelo? Tiro, ou não, o brinco ? O meu sonho, o sonho acabou. E vocês, leitores, não imaginam o quanto estou (fiquei) feliz.

29 de out. de 2007

No Dia Nacional do Livro me deito com os meus, sem me esquecer dos seus. Os telefones não param de me interromper. Agora, é um fax. Agora, é o barulho da pancada de um acidente lá fora. A correria arde, leitores. Fico lhes devendo a história completa about Rilke. As cartas que depois ganhei de presente do cara enganado pela minha sem-vergonhice. Eu não o amava, mas nem por isso tinha o direito de acordá-lo daquela paixão incadescente. Os restaurantes absurdamente caros, a gasolina derramando. Deixei-me seduzir pelo demônio do dinheiro e dos cartões de créditos e dos traveler's check. Seus beijos, saborosos como mashamellows de morango serviam de senha. Entra no meu Orkut, apaga quem você quiser. Se acordasse de madrugada para ir ao banheiro, ele acordava junto. O que foi? Está passando bem? Se quisesse comer mandioca cozida com manteiga e acúçar, ele ia no quintal arrancá-las. Interrompia sua série, para me apoiar a coluna. A academia lotada. No banheiro, um frevo. Ele evitava. Ele levitava quando me via. Lindo demais. Prostituído demais. E Rilke abandonado em algum lugar casa. Eu não o amava, mas havia me decidido: "vou amar quem me ama." O puro desejo se dissolvia no calor da sauna a vapor. Sem eucalipto. Sem sais. Um tapetinho na porta do banheiro para dizer que ali rolava o vale-tudo.
Saiu cedo para treinar e não voltou até agora. Talvez, devesse terminar antes de fato começarmos.

27 de out. de 2007


Pitt bul..., originally uploaded by sayginou.

Lavar as mãos na pia batismal. Afronta. Grandes flocos de neve soterravam o plano estrategicamente elaborado por apressadas mentes vis. Fondue a dois, mas poderia ter sido a três, a quatro, no máximo cinco, pois aviãozinhos terroristas desembarcam no Sudoeste quando as estripulias fogem ao controle pré-estabelecido por mim. Quem manda aqui sou eu, dizia-lhes com doçura, na tentativa dissimulada de não expor nossa vida ao risco. Do que mais sinto falta? Privacidade. Poder esquecer um pedaço de papel dormitanto sobre a escrivaninha sem que ninguém lesse o impropério. Meus arquivos do MSN já não podem ser mais salvos. Copiou, colou e imprimiu. Para quê? Por quê? (Junto ou separado? Nunca me lembro.) Há lições que jamais vou aprender. Levanta-se, pega a gramática, guardada na prateleira mais alta da estante. Interromper equivaleria ao crime de sangrar o mangalarga. Staff. O da patinha rajada é o que tem o veneno. Pardon , mademoiselle. Eu (me) aproveito tudo (de todos). Se assumiu um compromisso tem que ser responsável. Descer com o cão antes que ele me rasgue o sofá. Fica para mais tarde ou para amanhã-nunca-mais a tentativa de explorar o inconsciente doentio dos Prados.

26 de out. de 2007

Ainda não é isso. Desisto, por enquanto. Vou almoçar, me aborreci.

mail, originally uploaded by Márcio Hachmann.

Não consigo, buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá, "colar" o ícone na cara do meu diário. Viu? Quem mandou não aproveitar aquela oportunidade de fazer o curso de webdesigner. Agora poderíamos ser bonitos e charmosos. Sedutores. Contento-me com o mínimo que me oferecem.
E-Mail Icon Generator com a ajuda do meu amigo Neto Cury. Tks, amigão.
Um oferecia sexo, jamais companhia. O outro, companheiro para todos os momentos, mas nem se cogitava sexo. Me afastei do dois e agora guio-me cego numa das avenidas mais movimentadas da capital.

25 de out. de 2007

Tenho por hábito escrever posts e não concluí-los. Me canso do texto. Começo a refletir demais. Não sei o que fazer de e com eles. A palavras se embralharam (elas ainda escapam de mim, tucunarés) nos pensamentos que por si só já me são confusos. Erros se acumulam, não os enxergo mais. Então, salvo-os, os posts, como rascunhos (bem diferente de se colocar um texto para decantar -- por anos, pequena, às vezes, por anos) e dificilmente os resgato de lá. Almas alocadas, de acordo com temática, em cada um dos círculos concêntricos (terraços?) do inferno proposto por Dante. A citação que segue abaixo, por exemplo, ilustra o fato. Citação originalmente copiado daqui em 15/02/06. Dica do meu amigo Beto Lins.

O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.


O Senhor Olavo de Carvalho oferece uma bibliografia básica para seus alunos que clamam por um orientação. Ganha-se tempo, mas ainda assim, ainda assim, prefiro descobrir tudo por mim mesmo. Se não sou capaz de selecionar uma bibliografia, de que serei capaz, então? De seguir a manada. Pegue sua mochila e vamos embora, diria o diário, se não estivesse de ball gag desde cedo. Você, fala demais, mulher. Ele puto resmungava.

O cérebro vinha nos enganando nessas últimas madrugadas. Tive que virar o colchão para conseguir voltar a dormir... A condição de anósmico pode não ser tão ruim quanto eu temia.

24 de out. de 2007

Sujos de chocolate

O colorido da cidade, a ansiedade a me desestabilizar. Podem vir centanas de milhares de flores, simulando uma chuva de pétalas que nem mesmo assim, que nem mesmo assim, volto atrás. Passado, meu bem. Fazemos parte da história particular de cada um. Quer me rever? Visite o museu da tua memória. Fraca. Pois deixou de ser social. Compartilhar-se foi bom? Razoável, para lhe ser sincero. Digo isso para que tu possas aprimorar suas técnicas e táticas de guerrilha. Tu tens certeza que estiveste onde dizes que estiveste? Para mim tu eres todo, repito, um fraco, essa tua armadura, ossos, músculos, nervos e tendões com o tempo murchará. Levará tempo reconheço, mas seremos implacáveis.

E os banhos de óleo que lhe preparávamos com tanta devoção. Quantas mãos serão preciso para saciar seu desejo a se pôr só depois de levantar o sol. Os recheios dos sushis. Os salmões depurados. Cortar os punhos, da camisa de seda, quando surge um evento imprevisto. Eu me odeio por ter me dedicado tanto. Pela insanidade desatada. O florescimento sempre serviu de pretexto. Quero te polinizar no conforto do tapete do meu quarto. Foi a cantada mais bêbada, escutada. O lóbulo da orelha. A jóia a encontrar refúgio numa boca melodiosa. O atrito das jóias acordaria nossos pais, se já não estivem mortos. Pode ser um psicopata. Boate cheia. Amigos diziam. Todos me invejavam. Alguns nos invejaram.

São flamboyants! Admiro-me um aluno de geografia desconhecer as espécies da sua própria cidade. Como se ele tivesse uma outra lição a me ensinar.... Estou sentido um ressentimento, acaba de me falar meu primo que está aqui do meu lado acompanhando o desenrolar desse post. Sua função auto-proclamada: corrigir -me a ortografia, a semântica, a sintaxe. Aqui estou no limiar, explico-lhe Normas rígidas nos servem mais. Desse momumento, quero só o alicerce. A vida aqui dentro flui. Observe com que facilidade coloco pés atrás da nuca. Não entendi? Fle-xi-bi-li-da-de. Ostra vienense, para os que fazem do quatro um oito. Ele ri. Eu quero esquecer. Pena que ele não acredita no power bloggers e nas mudanças que estão por vir. Sai os altos flamboyants. (Ah! Era como se eu estivesse tocando nos dedos de Deus.) Entram as delicadas tulipas. (Nos seus canteiros vamos experimentar o verdadeiro orgasmo. Oh! Toronto. Sonho contigo todas as noites.) Isso não é normal, nem verossimil, diarista... Ainda não terminou, primo? Isso não tem fim. Vou dar um chutão no estabilizador. A ansiedade.


, originally uploaded by Márcio Hachmann.

Pelas mentiras que nos contam desde criança. Pelos direitos de todas as minorias.

Para quem consegue ler Flaubert no original, surrupiado daqui.

23 de out. de 2007

Ode ao blogue extinto

Há quanto tempo não navegava indiscriminadamente pela Blogosfera. (Escrevia em pé, se recusando a se sentar no assento morno deixado pelo desafeto. A pérola da ostra, riscada em cinco lugares. Ele bufava. Raiva a lhe roer as víceras.) Nessas últimas viagens, tenho descoberto escritores que não deixam nada a desejar. Gente estudiosa. Tubarões num mar sem recifes. Só sangue B, como se diria no jargão dos caveirados, tão na moda objeitos de fetiche. Nessas horas penso em Manuel Bandeira e em seu primeiro livro de poesias publicado. Penso em Fernando Pessoa e no seu "Mensagem". Penso em Clarice (ah! Clarice me perdôe.) e na sua carta ao um outro Fernando, este o Sabino, pedindo-lhe uma colocação. A vida se renova e tudo floresce. As anêmonas. Quem vai vencer a barreira da editoração? Quem a superou, venceu a distribuição? Às vezes me pego a falar bobagens, como se soubesse de que parte do universo chegam as últimas fotos do Hubble. A parabólica que fui, o telescópio que serei. Sorrio para cada raio a rasgar o céu nublado. É a natureza a me fotografar durante meu hobby: fracassar diante anônimos transeuntes. A sintaxe dos profetas. Os lamentos de um carola. Sinto puta-inveja da clareza e objetividade (e correção!) com as quais esses blogueiros-poetas-escritores narram e descrevem e dissertam suas idéias. Seus personagens risíveis, suas dicotomias implacáveis. Talvez falte-me orientação. Onde guardei a bússula? Me aponte o norte magnético, quero fazer dele, geográfico. Um GPS esquecido no porta-luvas do carro de um paquera inominável. Em banheiras de motel, pés-de-pato importados. Ele era um escritor a procura de uma fonte de renda. Agora que a encontrou (em detrimento da sua suposta literatura, mas uma não exclue a outra, mais que a complementa), num desses palácios luxuosos da capital, compra flores e não manda mais entregar. Ele tem medo. Ele tem medo de mim. Ele tem medo do que vou fazer com aquelas fotos (apaguei-as). Ele tem medo do que vou fazer com aquelas suas despendiosas cartas de amor (joguei-as no vaso sanitário, conforme o costume) escritas em memória de uma relação que nunca existiu de fato. De mão dadas, amor. Só o stabilishment para ele agora importa. Dormiu abraçado com uma tal senhora Glória e se deslumbrou. Sinto pena. E é de mim mesmo, por não ter tido a coragem de fazer i-gual-zi-nho.

Em homenagem a Orhan Pamuk

Lá fora chove, aqui dentro... neve se acumulando sobre o recamier, sobre o aparador da sala de jantar, sob meus pés. Se faz frio? Com o frio a gente se acostuma. Não me acostumo com o desejo implorado de não se querer ser mais do que já não se pode por absoluta falta de espaço. Solidão é um passageiro que pedia carona na altura da 108 sul (para quem não conhece a capital, é a rua da Igrejinha) e agora, bem instalado, a qualquer momento vai descer. E vai levar e vai trazer. Talvez esquecer. O livro (o romance) serviu como quebra-gelo (só agora percebo a ironia me presenteada pela Vida). Falamos sobre a diversidade dos modos e costumes. Uma amiga minha, fulana de tal, foi mais bem acolhida em Istambul do que em Paris... Sobre os fonemas, as diferenças socio-lingüísticas, sobre o injusto sistema de crédito da universidade. Ensinei-lhe alguns macetes. Dei-lhe algumas dicas. Não pega disciplina com professor fulano de tal. Carnificina geral. Trocamos telefones, e-mails. Confidências. Paixões. E aprendi (descobri) que oil wrestling(com licença o leitor-tradutor e a leitora-tradutora se eu errar na tradução, fica assim mesmo. Depois vocês me corrigem), luta-romana, seria principal esporte nacional da Turquia. E Solidão, ex-vencedor na modalidade. E depois diz que não tem nada a nos ensinar.

Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.

Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.


Chuá, chuá, chuá,
Chuaaaaaaaaaaaaaaaaá, chuá.


Me passa a toalha.
Venha trabalhar no MEU Jornal. Obrigado, mas eu prefiro não. Resposta rápida, para movimentos singulares. Pensa com calma, não precisa dar a resposta agora. Poderia ter me justificado, mas... posso precisar dele um dia, novamente. Quando se perde dinheiro, acha-se patrão. Ele olhava para a frase que havia acabado de escrever e tinha a mais absoluta certeza de que havia escrito um aforismo. Seu primeiro aforismo consciente não-encomendado (Hum sei não. Vai com calma!), saído assim do nada, no susto do espirro convertido em tosse seca. Desci do carro com a sensação movediça que toma conta dos deuses quando se arma uma cilada para o incaulto humano bobo-tolo-otário. Foi apenas sexo? Foi. Sexo descartável? Foi. Não mais anônimo. E assim ele quebrava a verossimilhança do post. Já lhe disse: sem pastar, não se produz leite. Ele riu, queria me confessar mais algumas estripulhias vespe-noturno, mas coloquei-o para fora ao lembrar-lhe: seu ovo mole está frio. Diários por mais íntimos e reveladores que sejam também se cansam, principalmente tratando-se de Ninguém.

22 de out. de 2007


Caterpillar, originally uploaded by markopoulos.

Aquela lagartitinha que o eu-passarinho acabou de saborear como se fosse a sobremesa, bem que poderia me representar na exposição de motivos do próximo dia nove. (Gente do céu, e da terra principalmente, não faço idéia onde vou chegar com esse post. A cada releitura insiro uma frase, indiferente se arrebentar a bexiga. (Sentia prazer em colocar nossas vidas em risco.) Meu-eu ficcionista resumer-se-ia (desculpem-me os blogueiros que escrevem em estilo jornalístico, a mesóclice baixou como se eu fosse... perai, escriba, há toda uma preparação para ser receber um orixá, um pouco mais de respeito à crença dos teus antepassados, por favor, disse -lhe o diário intimo, num roupante atrevido adjetivado de matizes lilases.) a uma larva frágil e delicada, camuflando-se em seus medos e ressentimentos, no aguardo de cumprir-se promesa? O Sol é para todos, pena que os dias sejam nublados e a peçonha suficiente para derrubar um cavalo.

21 de out. de 2007

Não posso ter preconceitos, nem contra a moça que se veste como homem para seduzir os colegas de classe. Estratégia arriscada, porém acertada.

20 de out. de 2007

Das apostas erradas feitas no bar da esquina


Monaco, originally uploaded by Conwan.

"O governo de Mônaco vai acabar extraditando o Salvatore Cacciola." Um inocente comentário ( eu não tinha mais assunto) acabou originando a aposta. "Dificilmente. Há outros interesses envolvidos. ", retrucou meu amigo. Conseguia novamente incendiar a roda de chopp. Nossas vozes ressoavam por todo bar, abafando as outras conversas. "Aposto na competência dos nossos sub-procuradores.", disse-lhes. No tom mais sarcástico que eu poderia dizê-lo. E sorvi da tulipa o resto que eu já não mais queria. "Obrigado pela parte que me toca. ", disse ele, "De quanto vai ser a aposta?, perguntou-me, surpreendendo-me com um tom ríspito e arrogante. Fingi que não era comigo. Meu olhar perdia-se no horizonte na esperança de encontrar o ponto de apoio. " Foi apenas uma forma de se expressar.", disse-lhe, titubeando. Ele sem hesitar, tirou a carteira do bolso do paletó e de lá de dentro sacou uma nota de cinqüenta reais que foi cuidadosamente presa debaixo da minha tulipa vazia.
"Quer saber mais do que eu." resmungou como se fosse possível falar entre os dentes. Isso não vai dar em nada. "Jamais, mon cher. Je n'écrit pas en français." E sob olhares ávidos, uma outra nota de cinqüenta fez par a primeira. "Para não fazer desfeita. ", disse-lhe, fitando-lhe nos olhos. Gritaria geral. Fla-Flu improvissado numa calçada de ardósias vitrificadas. Dois galos de briga a se encararem minutos antes de se enfrentarem numa rinha. Ou seriam dois pitbulls? Sua boca espumava e não era espuma do chopp. Eu apenas observava-o sem entender o que eu havia dito de errado. Para onde teria ido o debate com seus elaborados argumentos irrefutáveis. "Confio no empenho do nosso ministro," disse-lhe, sem me importar com a provocação. "Agora, repatriarem todo o dinheiro extraviado seria esperar demais", completei, antes de me levantar sem pedir licença para ir ao banheiro. Quando voltei o bolão estava fechado. Cinco com um. E passei a ser conhecido como namoradinho ingênuo do Gustavo, para os íntimos: Eugênio.

Aula de sobrevivência em alto-mar


, originally uploaded by *Claudia Schulz*.

Chorar de barriga cheia, como se sabe é muito feio. Nunca ninguém me disse que escrever seria fácil, prazeroso ou me proveria. Quando você começou, tínhamos um objetivo, aprender. Nunca se esqueça da metáfora, escrever é como praticar natação. O problema é que nunca sabemos onde vai ser a aula, na semi-olímpica (onde dá pezinho), na olímpica (onde se dá cãibra), ou no tanque de saltos (onde olhares agonizantes se cruzaram e risadas são prelúdio de um beijo.)

EU NÃO CONSIGO ESCREVER! E não adianta mudar o gênero literário.

18 de out. de 2007

"Não te atrevas a escrever um livro antes de ler mil."
Ditado chinês, copiado daqui.

17 de out. de 2007


My Anna Karenina, originally uploaded by karinga.

Interrompeu a leitura. Com a mão no bolsilho do casaco procurava pelo lápis. Olhou em volta de si. No criado-mudo. Na escrivaninha. No aparador. Fechou o livro e o deixou em cima da poltrona onde se encontrava sentado. Precisa copiar aquela frase: "Não há de ser nada... Tudo vai dar certo." Seu otimismo resistia até 38 graus de febre. Passados calafrios, refletia sobre as escolhas erradas tomadas durante o curto periodo em que o rei se ausentou de casa.

8 de out. de 2007

A primeira frase nunca pode ser pessoal. Preciso das noites sem risoto para desmistificar o sentido do número dez. Desista leitor, estou apenas juntanto aleatoriamente peças de um quebra-cabeça que teima em ser incompleto. Há riscos, eu sei, mesmo assim a lataria nos protege. Nada de dor, nem prazer. Estamos, estou, no limiar. Sorumbático. E não consigo me livrar da primeira pessoa. Talvez um novena. Quinhentos Pai-Nosso. La Cité de Quebec. Os versos em inglês. Atwood a me corrigir o nó da gravata. Observo o candelabro do hall, o teatro de mil vozes, e concluo: o cinema é ente em coma. Do teatro faço minha cama. E não há porque se lamentar. A apólice de seguro bilionária não permitirá a nenhum dos órfão chorar. Meu humor oscila de meio-dia às quatro da tarde. A novidade, um acidente na ponte. Conheço aquela placa. A foto do motorista me excita. O órfão me puxa pela camisa. Daqui a um mês, daqui a um mês, me respondem. Olhar de fúria. Insatisfação. Mando por descarga abaixo todo o meu medo. Agradeceria à força cósmica que rege essa galáxia pelo montinho de massa compacta constituida à forceps dentro do recanto de Atibaia. Não posso, preciso estabelecer contatos por telefone com os torturados exibicionistas. Não é o caso. Dispenso. Grosso! Acabara de perder uma oportunidade. Desligo o telefone. E desisto de nossas tentativas. A noite foi feita para se brincar, não o dia. Volte ao roseiral e termine a colheita de outubro, me aconselha meu diário íntimo que até então acompanhava toda cena como se não fosse conosco.

27 de set. de 2007

A ausência traduz-se numa incapacidade preocupante de enfrentar algozes. Ela me disse, dois pontos, abre aspas, você vai morrer, fecha aspas. Todos nós vamos morrer, foi meu pensamento imediato, mas não lhe disse nada. Permaneci calado. Não havia o que discutir. Preferi deixá-la para nunca mais. Nunca mais talvez. Pera aí! Como assim? Você some, não me deixa um bilhete, não me liga, passa semanas sem me atualizar e de repente surge inesperadamente evasivo e prolixo? Meu diário se comporta mal e o efeito do álcool estava demorando a passar. A vontade de eclodir sem ao menos saber o que significa eclodir. Diários se desesperam quando esquecidos em ambientes inóspitos e estéreis. Eles têm medo. Não sabem viver só. Preferem a esperar na fila para entrar na sala de projeção; fila para comer um crepe; fila para ir ao banheiro; fila para sair em segurança do shopping; desde que, toda a nata da sociedade esteja ali reunida. De vez em quando, do meu leite se forma uma grossa nata e dela faço biscoitos deliciosos. Para consumo próprio. Para consumo próprio. Comerciantes e jornalistas não pisam no meu quintal. Passo horas deitado no sofá da sala de estar pensando no final da história do último menino que colheu flores amarelas no descampado onde marginais, à noite, se escondiam para assaltar os trabalhadores que desciam do ônibus sozinhos e distraídos. Levanto-me. Vou à varanda do quarto da minha irmã. Fazer o quê? Ver o horizonte. Daqui a pouco o sol vai se pôr. Daqui pode-se ter pensamentos mais ousados em relação ao final. Fausto esquecido sobre a espreguiçadeira. Procurei-te por toda casa. Estamos atrasados alguns dias. A bibliotecária se recusará a emitir o boleto da multa mais uma vez. No mais, continua como Deus quer. A dica do óleo foi excelente. Minha pele sobrevive ao castigo da estiagem. Até amanhã, se eu estiver de bom humor.

15 de set. de 2007

Canção da Chuva ou ASAP


Chuva e futebol/rain soccer, originally uploaded by QuelCarvalho.

Venha chuva, acompanhada da primavera,
fazer cócegas nesse corpo, infelizmente seu.
Soro hidrata, mas só você vivifica.

Venha! Mas venha tempestade.
Inunde o parquinho, a praça, o terraço.
Afogue minhas lembranças, todas elas, não me importo,
se for para o nosso bem.

Venha chuva! Acompanhada de ventos. Arranque pelas raízes todo nosso condenado pinheral. Toda gambira.
As telhas quebradas. Arrasse os bananais com seus morcegos.

Voçorocas nos corações do incautos,
Lama e lixo para dentro de casa.
Leptospirose, hepatite, dengue, desabrigados.
Tragédias pessoais televisionadas.

Mas, venha mesmo assim.
ASAP

6 de set. de 2007

20 de ago. de 2007


Last Tango in Buenos Aires, originally uploaded by welsh boy.

Esperava o quanto fosse preciso. Garoto apaixonado pelo nada.

17 de ago. de 2007


Autumn Swan, originally uploaded by PuffinArt.

Segue abaixo, uma piada recebida por e-mail de um parente muito próximo (por acaso, colega de trabalho). Estava mesmo precisando renovar meu velho repertório. Ao contar piadas de gays em reuniões familiares, provo do meu próprio sarcasmo me queimando a língua. Evita-se qualquer pergunta indiscreta. Estou com munição na agulha, não erro o alvo. Fazer humor das próprias angústias passou a ser um modo de vida.

"O FILHO GAY
Desconfiado das atitudes do filho, o pai leva o garoto ao psicólogo para descobrir se seu filho é homossexual.

O Dr pergunta ao garoto:
- Qual o vegetal que você mais gosta?
(Meu Deus, ele vai dizer cenoura ou pepino – pensa o pai).
- Chuchu – responde o garoto.
(Ufa! – pensa o pai).


- Qual seu número preferido? Pergunta o Dr.
(24! – pensa o pai).
- 111 – responde o filho.
(Ufa! Pensa o pai).
- Qual o animalzinho que você gostaria de criar?
(Cordeirinho, carneirinho, viadinho, ai meu Deus, o que esse moloque vai responder?! – pensa o pai).
- Jacaré! – diz o filho.
(Ufa! Aliviado fica o pai).


O que você quer ser quando crescer? -pergunta o Dr.
(cabeleireiro, alfaiate, estilista – pensa o pai).
- Advogado – responde o filho.
- Que fruta você mais gosta? – pergunta o médico [sic].
(Até aqui tudo bem, pensa o pai).
- Jabuticaba, afirma o menino.
O moleque deixa a sala e o pai aliviado, diz para o médico:


- Meu filho é um MACHÃO de primeira linhagem não é Dr?
E o Dr. Responde:
- Seu filho é gay assumido:
- Chuchu, dá o ano inteiro...
- 111 é um atrás do outro...
- Jacaré se defende dando o rabo...
- Advogado vive de vara em vara...
- Jabuticaba é a única fruta que nasce e morre grudada no pau!
Portanto, VIADÃO [sic] mesmo!!!"

16 de ago. de 2007


total chaos, originally uploaded by b_unit.

Calma! A senhora está nervosa. Pedi educadamente a cliente indignada pq a vendedora se confundiu ao passar seu cartão de dédito. Imagine se vou pagar trinta e cinco reais no crédito.

Longo vídeo para aliviar o desejo de estar lá. Cumpre seu propósito. Me leva e me traz de volta.

15 de ago. de 2007

Ode a Jack Kerouac


Ode to Jack Kerouac, originally uploaded by Olivander.


Acordado no meio da madrugada por uma fisgada que me recuso a investigar a procedência. Daqui a alguns posts direi: não era nada. Não é nada. Apenas dói. Sinal que estamos vivos. Levanto-me definitivamente. Acendo a luz. Pego meu laptop. Corro para o banheiro. Não reclama da sorte, rapaz. Houve uma época em que levantar-se no escuro era uma profissão de fé. Fizemos progresso. Floratil a essa hora, nem na rua das farmácias. Distraio-me com quem encontro on line no chat, porque no messenger não há mais ninguém. Quantas identidades terei de assumir até a dor ceder? Quantas forem necessárias. Nasce sol, traz de volta o dia, com a promessa que vou procurar ajuda. Esguicho, acompanhado de abruptos movimentos peristálticos. Sou acrobata e não sabia. Um italiano, um norueguês e um estadunidense. A luz do monitor piscando. Quem me fará esquecer minha humilhante condição de ser humano? O estadunidense lamenta pelo meu estado. Pára, rapaz, senão ele vai chorar. A beleza de um harmonioso par de sobrancelhas distrai, cura, refresca. Liga sua webcam. Ligo-a, mas me recuso a sorrir. Seria contraditório. Sorri para mim. Mostrar os dentes não é sorrir. Estou descabelado. Acabei de acordar. Minhas pálpebras inchadas escondem o castanho dos meus olhos. Tenho algo para você. Bomba de sucção não seria um objeto a se cobiçar no estado em que me encontro. Faltou sensibilidade. Desculpa. Envia-me depois uma fotografia tua... artística, por favor. Condeno pornografia. Gargalhadas atravessam o atlântico na velocidade de um beijo. Não queria se despedir, antes de mim. Até porque o fuso horário lhe favorecia. A luz do sol entrando por debaixo da porta do banheiro. Preciso ir amigo. Ah! Sério? Cinco horas. Tenho mais alguns minutos, já que estamos a sós aqui nós dois, presumo, esqueço o trivial e exploro as possibilidades. Se gostares de literatura, lanço uma moeda no cofrinho. Leio os best-sellers, nem sempre até o final. hehehe. Já que gostas, irei lhe presentear com uma caixa de bombons. A embalagem jogo no lixo, juntamente com o plástico e papel alumínio que nos protegia do chocolate. Veja isso. Ele está lendo o NYT, enquanto conversa comigo. Será que digito tão devagar assim? Conheço. Modestamente considero-o datado. Os anos sessenta pregava o amor livre (e o fim da guerra). Como se o sentimento pudesse ser aprisionado. Hoje, pode-se trazer a namoradinha para dormir em casa. Sem querer ser moralista. Não tenho nada a ver com a vida dos outros. Nem quando os problemas se tornam um caso de saúde pública. Mas eu preferia quando podia burlar os limites impostos pelo meus pais, era mais divertido. Tu és um beatnik? Hã? Como? Tu és remanecente da geração beat? Sou da geração saúde. Percebe-se pelo avantajado do tríceps. Black belt. Cinturões em torno do pescoço me deixam sem ar. Respeito muito minha faixa. Fantasias, meu bem. Fantasias acopladas a teorias sócio-antropológicas. Douglas Coupland agradece.

14 de ago. de 2007


510 Morfina, originally uploaded by Juanjo Martínez.

A Montanha Mágica
Letra: Renato Russo

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal.

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora.

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que eu tenho de suave
E me fazes tão mal.

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto p'rá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas?

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes -
Agora só artesanato:
O resto são escombros.

Mas é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio .38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega - vou mudar a minha vida.
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol n'um copo d'água.

13 de ago. de 2007


NYC - Bowling Green: Charging Bull, originally uploaded by wallyg.

Estava com receio de ter acontecido algo de grave. Continuamos sonhando. Faça as malas. Passado o furacão, sobre os escombros erguirei uma sólida carreira, sem direito a piadas. O humor é ácido, mais que inteligente. E vacilar seria perder de vez toda a esperança.

9 de ago. de 2007


DSC069421, originally uploaded by skintype.

Ele me ama. Não o suficiente.

8 de ago. de 2007


amor e caridade..., originally uploaded by U N I T I *.

Venho selecionando alguns trechos do "A Montanha Mágica" para publicar aqui no DiCla. Eis abaixo uns dos que mais me marcou. Verdades ácidas me guiam até a última página.

“-- Esses produtos da probidade burguesa – replicou Naphta – teriam sido de pouca utilidade para os séculos a que o senhor se refere. Nenhuma das partes interessadas poderia ter lucrado com eles, nem os enfermos e os míseros, nem tampoucos os felizes que se mostravam caridosos, não por compaixão, mas em prol da salvação da própria alma.” Mann, Thomas. A Montanha Mágica. 543 p.

7 de ago. de 2007

Triste, tristinho, tristão, permaneci o resto da tarde. Coincidimos, do Dr. Isoldo e eu, estarmos checando nosso webmail. Ele está on line! Ele está on line! Gritou meu verde coração apreensivo. Vamos plantar trevos nos canteiros da janela do quarto. Quem nunca experimentou o sabor explosivo de surpreender um velho querido amigo a conferir sua correspondência virtual. Há quanto tempo não converso com ele? Três meses, uma semana e quatro dias. (Fui consultar o diário.) Mantenha-se calmo, Marcinho. Olha o tamanho do mico que você vai derrubar da árvore. Qual o nome da cidade onde desabou a ponte? Sinto muito... Off line. Nem ao menos um olá. Estou sobrecarregado de tarefas. Sinto falta de quando éramos livres, poderia ter escrito. Escrever-lhe uma carta lamentando a vida. Ele gosta de ser útil. De me consolar, quando chorar não faz a mínina diferença para mim. Sejamos sinceros, rapaz. Não agüento mais ver a CN Tower, para onde quer que eu olhe. E não poder tocá-la, subi-la, admirar Toronto lá de cima. O mundo aos meus pés. Tocar o céu com as ponta dos dedos sem ser recriminado. Prometo me comportar. Estou estudando para isso. Não pretendo me jogar lá de cima. Jamais. Até porque seria um pouco complicado para não dizer impossível tal proeza. Para contrapor a tua ausência, amigo, busco compensações em bancos de escape. Esse tempo todo fazendo eu da arte um instrumento afiado de escapismo! Pouco me importa, estarei colhendo morangos hoje à tarde debaixo de uma acolhedora poltrona macia. Estropiada, é verdade, mas confortável. Pouco me importando se casais namoram com as vergonhas para fora deixando essas mesmas poltronas macias melecadas de suor e outros fluídos vitais, sobrecarregando a tia da limpeza. Estarei colhendo morangos da tela de projeção. Silvestres. Na esperança de encontrar, quando chegar em casa, ao ligar o computador, ao acessar minha caixa-postal, uma resposta ao tempo que tenho aguardado pacientemente.

6 de ago. de 2007

Para que aumentar a fonte, quando o realmente importa está morto e sepultado?