Sob medidaChico Buarque1979Para o filme República dos Assassinos de Miguel Faria Jr
Se você crê em DeusErga as mãos para os céusE agradeçaQuando me cobiçouSem querer acertouNa cabeçaEu sou sua alma gêmeaSou sua fêmeaSeu par, sua irmãEu sou seu incesto (seu jeito, seu gesto)Sou perfeita porqueIgualzinha a vocêEu não
prestoEu não
prestoTraiçoeira e vulgarSou sem nome e sem larSou aquelaEu sou filha da ruaEu sou cria da suaCostelaSou bandidaSou solta na vidaE sob medidaPros carinhos seusMeu amigoSe ajeite comigoE dê graças a DeusSe você crê em DeusEncaminhe pros céusUma preceE agradeça ao SenhorVocê tem o amorQue merece
1979 © Marola Edições
MusicaisTodos os direitos reservados. Copyright Internacional
Assegurado. Impresso no Brasil
9 de jan. de 2009
Raul Seixas, Paulo Coelho, M. Motta
Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez
Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não
Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar, não não não não
Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira
Bailando no ar
Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente ou...tra vez
Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez
Comentário em resposta a minha amiga Fernanda Passos
Assim que tive forças, coloquei uma aliança no dedo anelar da mão direita e pensei: estou me comprometendo com a literatura do meu país. Tenho um livro para escrever. Um livro, não, uma obra para escrever.
Vamos à luta, amiga Fernanda, à procura de nós mesmo. Vamos buscar fundamento nos ensaios de mestre Autran Dourado: pela nossa literatura brasileira ainda tem muito o que ser feito. Não é como aquela lá, a espanhola, ou aquela outra, a francesa, ou tantas outras trabalhadas até a exaustão. Literaturas prontas, dadas como mortas.
A bola está em jogo e cabe a nós jogar essa partida como se fosse a final do campeonato mundial de interclubes. Vencer ou perder é uma questão de ponto de vista.
3 de jan. de 2009
2 de jan. de 2009
Marcinho diz: sim.
Marcinho diz: Agah
Conhecido diz: sim, sim
Conhecido diz: como voce esta?
Marcinho diz: ainda morando em Paris?
Conhecido diz: ainda mantem seu blog?
Marcinho diz: estou otimo e tu?
Marcinho diz: sim... passei quase um ano sem blogar, sem acesso a rede. Mas, estou voltando aos poucos...
Conhecido diz: sim, ainda morando em paris
Cohecido diz: qual é mesmo o endereço dele? [Aqui, eles começam a conversar sobre mim, então me encontro no direito de capturá-los.]
Marcinho diz: ...considero-me um romancista.
Conhecido diz: publicou algo?
Marcinho diz: www.diarioclandestino.blogspot.com [Dicla, para os íntimos e sem colchetes, doravante]
Marcinho diz: nada.
Marcinho diz: não penso nisso
Marcinho diz: Como posso pensar em publicar algo num pais que desconsiderou Lima Barreto e Clarice Lispector
Conhecido diz: um pais muda, evolui, retrocede.. tudo isto depende de seus cidadaos
Conhecido diz: enfim
Conhecido diz: o que anda fazendo de sua vida?
Conhecido diz: e os amores?
Marcinho diz: Lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo, lendo,...
Marcinho diz: minha vida é ler.
Marcinho diz: Morrerei soterrado pelos meus livros, mas morrerei estampado de felicidade.
Conhecido diz:e eu nao leio mais nada
Marcinho diz: Escrever, Agah, tem me proporcionado mais excitação que próprio ato sexual em si; pois desejo narrar, contar, descrever, persuadir, argumentar mais do que tudo na vida. Viver para contar estórias que a imaginação me permitiu viver, contar estórias dos outros, principalmente, mescladas, confundidas com minhas próprias. Intertextualiza-se com quem foi, quem é e quem será. Foi-se a ética. Inauguro hoje, nesse momento, uma nova ética literária. Para mim mesmo, o que é mais importante. Os outros já faziam uso dela, acredito. Todas as estórias, das pessoas que não fomos, dos ares que não respirei, das ruas onde não corri, dos rios de onde não me banhei construindo um preâmbulo para A História. Algo bem Geográfico. Hubble me sorri e não é daqui dentro de mim? Imaginação geográfica, aquela que um dia, perdido na década passada, foi sociológica. Para que me compreendas, se quiseres um dia me compreender, não precisa ler Finnegans Wake. Sou bem mais simples que aquele lá. (RE)Leia "O Pequeno Príncipe" que vais me compreender. Foi essa a aliança que fiz com Javé durante uma ducha no banheiro. O sentido da vida passa pela descoberta lingüística. Permita-me pela última vez o uso do trema, amigo Agah. O orgasmo vem a cada nova palavra, conste no dicionário, ou não. O período refratário inexiste. A glória se faz mais presente e forte a cada lágrima, riso ou silêncio do leitor. Aqui a razão é quem nos dirige. Minhas lágrimas são do leitor-escritor e não ao contrário. Longe de mim, querer ser, o que não sou: moralista. Apenas preciso de um caminho, que eu mesmo traço com ajuda do nada. A trilha tortuosa e... haja poeira me protegendo do céu que me queima e torra os pelos da pele. Sabe, Agah, o custo de vida em Paris é alto; Sampa, recomendação de uma amiga cineasta, continua entupida de transeuntes solitários, poluída, congestionada; sobrou-me Brasília e seus concursos bem pagos. O calor de sangrar o nariz. A estabilidade permitindo-me experimentalismos. Houve um judeu no passado. Quem era mesmo? Google me ajuda: escritor, judeu, sobradinho. O livro que não acabei de ler. Contos e novelas das quais não anotei nada. Samuel Rawet. Se tiver de seguir os passos de Drummond, seguirei. Por que, não? Se tiver que seguir os atalhos de Mário de Sá-Carneiro, seguirei. Por que, não?Agah, estou num labirinto cuja a única saída desemborca num palácio suspenso.
Marcinho diz: mas me diga como está a vida em Paris, seus pais ainda estão lhe enviando dinheiro?
Conhecido diz: não, já tem um bom tempo que eu me viro só.
Conhecido diz: trabalhei num restaurante de garçom, depois entrei numa empresa pra fazer um estagio.
Conhecido diz: continuo nesta empresa.
Conhecido diz: e estou morando com meu namorado, de quem gosto, mas não sou apaixonado.
Conhecido diz :alem do mais tenho uma paixonite seria por um outro cara, que é meu amigo, mas que mora com seu namorado, namoro serio.Tipo casamento.
Conhecido diz : Enfim.. me meti em uma situação onde me sinto preso de nos (sic). Nem o ficcionista, nem eu compreendemos essa expressão, talvez devesse ele perguntar ao conhecido, não sei se valeria à pena, pois aquilo não impede de prosseguirmos a leitura do diálogo apreendido.
Marcinho diz: Desculpa, se sou meio casmurro, mas sendo entusiasta da obra do nosso Alberto Caeiro, não poderia ser diferente.
Marcinho diz: mas estas feliz?
Conhecido diz: Ele nem é nosso.
Marcinho diz: ou melhor, és feliz?
Conhecido diz: Estou sim, eu acho, quando sai dai buscava o não estar triste, hoje busco a felicidade, acho que ganhei
Marcinho diz: digo nosso em relação àqueles que o consideram, não em relação a ti, que deves estar mergulhado na literatura francesa.
Conhecido diz: não, disse: não leio mais.
Marcinho diz: Lamento por ti. Se aquele lesse com atenção Balzac, não cometeria enganos e equívocos. Se lesse Proust, com atenção redobrada, seria rei. Súditos, convivas e a corte francesa a lhe bajular. Houellebecq a ler-lhe Voltaire na cabeceira da sua cama.
Conhecido diz: eu também
Marcinho diz: Lamento por jogar fora a receita do bolo, a bula da medicação, as regras do jogo. A Carta Magna. Está [quase] tudo lá. Não precisamos viver novamente o que já se passou para provarmos que estamos vivendo. A história já foi escrita, mon cher, amigo. Da posse dessa informação, escrevo uma nova história, a minha estória, ou melhor, nossa, porque em algum momento nos encontramos nessas salas de bate-papo ou foi blogando, link puxando link? Ah, nem sei. Não me lembro do que não tem importância.
Conhecido diz: sim, certamente. Mas não quero contar, quero sentir
Conhecido diz: Conto quando o que sinto não cabe no meu peito. Agah não escreve. Apenas desabafa. E quando, Agah, os consultórios dos psicólogos, analistas e psiquiatras estiverem lotados, sem vagas, que atitudes tu tomarás? Saltarias do alto da Pont des Arts; ou engolirias anfetaminas com vodka até o sabor queimar-lhe o esôfago sem direito a lavagem estomacal; ou enforcar-se-ias com o fio do laptop, o qual esquece sobre a cama, escondido no ededrom de pena de ganso; ou atirarias com a colt pt40 com pente de dez tiros, todos oxidados, contra a própria têmpora. Ou ainda, Agah, promoveria participando pessoalmente de um violento bareback?. Estupro não poderia ocorrer, porque sua anatomia não lhe permite, Agah. A vulva ainda constitui-se da condição do feminino. Adendo: nosso ficcionista sabe muito bem do que, eu Diário, estou a anunciar. Lenços distribuídos. Mastros a procura dos picos mais altos. O vale. A inundação. O bareback . Simulação de um afogamento leitoso. O rio intermitente a escorrer-se-lhe leitoso-avermelhado das veias e artérias que preferem esconder-se de vergonha. A valentia do menino-garoto. Broto-andrógino a desafiar as convenções. As regras quem as profere sou eu, diariamente, publicadas, no diário não-oficial. O legislativo de todos nós. O Executivo de gravata frouxa. O Judiciário que se abstém de votar por se julgar onipotente. Vamos bater queijo até de madrugada. Até o sol nos dizer que já são trezes horas. Narrativa diária. Anotada numa folha A4. Jamais me esquecerei, sendo nós, diários, oniscientes, principalmente nesse momento especialíssimo quando estamos ligados na/em rede. O ficcionista preferiria que nunca houvesse acontecido, mas aconteceu. Só não sei onde, pois ele nunca registrava os locais, onde o bolo se juntava, e de ovos e farinha fartavam-se todos, todas.
Marcinho diz: Teu e-mail nunca saiu da minha lista de contatos. Nunca te bloqueei. Na suas fantasias, o ficcionista acreditava que Agah tornar-se-ia seu agente europeu. E tu não me... ixi... como conjugo o verbo excluir na segunda-pessoa do pretérito perfeito. Um minuto, Houaiss, Aurélio, Google.
Conhecido diz: excluistes
Conhecido diz: tu
Conhecido diz:vou sair pra almoçar
Conhecido diz: nos falamos mais tarde
Conhecido diz: abs
Marcinho diz: "O poeta e um fingidor. Finge tao completamente. Que chega a fingir que e dor. A dor que deveras sente. "
E o Diário continua (in off): "E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não tem. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. " Autopsicografia. Alberto Caeiro. In: globo.com
Marcinho diz: não quero lhe convencer de nada.
Marcinho diz: Apenas sinto também todas as emoções do mundo, sem precisar experimentá-las, sem necessidade de vivenciá-las pessoalmente, a isso chamamos sensibilidade. Hiper. E agora os israelenses sabem o que seria a flor-da-pele. Nossos poros, dutos a refletir as emoções das pessoas em nossa volta.
Marcinho diz: A bientot
conhecido diz: sentir a dor é experimenta-la. Beijos
Conhecido diz: à bientôt
Marcinho diz: meu teclado e americano, pardon, mom ami, pelos falta de acentos.
Marcinho diz: o imac e chique mas nao e para nos.
Marcinho diz: ah, pensei q estavas a me corrigir os acentos
Marcinho diz: bon apetit
Conhecido diz: non
Conhecido diz: jamais
Conhecido diz: ate logo
Marcinho diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Conhecido diz: compro um japones e volto
Marcinho diz: a toute a l'heure
Momento de egoismo:o post que deixei no blog do Edson Marques:Edson, amigo querido, por isso e por outras porqueiras que chutei meu baldinho, um piniquinho de plasticoamarelo, não vou viver mil mesmo, mas sua poesia, rima e metrica viverá por gerações, independente de quereres ou não. Feliz 2009. Estamos aqui, voltando aos poucos para dar a cara para bater. Mão fechada ou aberta, podes escolher.Abraços!depois no Teoria do Conceito:Sai da toca, irmão. Só pq não posso beber. Vou te pertubar até tu apareceres. Espero q seja por causa de mulher e filhos, só isso justifica sua ausencia na blogosfera. Orkut, não é vida, não, véi, naquilo lá, não temos espaço para sermos o que somos: escritores. No Aguardo. Marcio Hachmann Email Homepage 02-01-2009 16:26:55Incendiou o quarto. Faltou dizer se vai passar manteiga ou não. Abraços de mto tempo atrás.17h45 enquanto isso, no Orkut:Arabiane, estou a escrever um romance no qual a vilã tem o seu nome. Arabiane seria o nome do meu rouxinol, se houvesse varanda na minha kitchenet. Ainda penso em ti com sofreguidão, com tesão, com, permita-me a vulgaridade, (se eu não puder ser vulgar no meu próprio blog perderia o sentido de cada postagem) A rima se encarregou de tudo. Sou capaz de reconhecer tua voz sob quaisquer condições. Diga-me: encontraste-te teu príncipe, casou-se com ele.?Já és mãe? Sentiste o peso da maternidade. Estou ávido por notícias tuas, Arabiane, Roberta. Já q tempo libertou nossas chagas, ao menos as minhas, ouça a canção. Já não sou mais aquele menino com sonhos. A realidade é muita mais linda que seu sorriso. Mesmo com a conta do Mastercard no final do mês. Aliás, para tudo e todas haverá um Mastercad. Um comentário teu no DICLA: não tem preço.19h18, numa comunidade do Orkut. Defendendo os jovens que tem pressa em mostrar seus textos, como uma oficina de textos que não funciona.Sim, tenho pressa. Sou apressadinho. Furo fila, passo na frente. Meto a buzina.O tempo que nunca foi meu amigo, não me resta. Conto os dias, para não dizer as horas, minutos e seus segundos. Desperdicei-o. Onde? Nem me lembro de tão chapado q estava e mesmo se me lembrasse não contaria. Resta-me o espaço, (onde me encontro, mesmo que seja virtual) esse ente majestoso que espremo como a laranja que acabo de chupar. Putz, laranja é laxante e o mundo se acabando em água e eu fingindo ter aproveitado do meu tempo num parque de diversões. Roubando o tempo dos outros. Sim, escrevo diretamente no editor do orkut e do blogger. Sou jovem, se é que pode-se considerar os nascidos na início da década de setenta jovens. Onde se encontra o referencial. o ranço do rancor a respirar próximo do meu pescoço e a velocidade com que os carros trafegam, estremessem a agua da banheira, não é a mesma com que digito esse contra-argumento. Nascemos de oito meses, prematuros, imaturos, mas nem por isso sem capacidade de aprender, desde que apareçam ficcionistas capazes de desengavetar seus escritos para discutir seus métodos, suas técnicas. Apressado sim, já disse isso e repetirei milhões de vezes. Não me envergonho do que eu sou. A velocidade com a qual me alimenta, serve também para salvar um acidentado do enfarto ou uma jovem senhora de um acidente vascular. E olha que nem sou médico, escrevendo assim acabo por me denunciar que nem sou tão jovem. Qdo era moleque, li sim, Feliz Ano Velho, O Alquimista e Diário de um Mago, Rubem Fonseca, Graciliano, Raquel, Clarice nunca consegui até hoje, só as crônicas. Quem não consegue ler crônicas, não consegue ler nada. Eis mais uma falácia. O tempo acabou. E nos esquecemos que ele se inicia. No meu tempo, lia-se Harry Potter com lápis e papel em mãos para corrigir a autora e o com Cem Anos de Solidão. O tempo não respeita ninguém. Já o espaço cabe a cada um conquistar. Let's blogging. Lá, sou senhor do espaço, servo dos ponteiros e da ampulheta. O tempo urge. Urgente, urgentíssimo.
1 de jan. de 2009
"Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)":
Você parou de escrever.... estou com saudades de ler suas palavras ."
Comentário inspirado no post do meu amigão Daniel:Teoria do Conceito
Comentários do post 40520464
Véi,
qdo tdos esperam me ver sorrindo é pq sabem q a arte da dissimulação arde como
estrelas incandescentes. Meu sorriso refresca o hálito dos primos e irmãos, das
primas e irmãs e longe de mim, o incesto. A carne que se serve na mesa, não é a
mesma que se come no banheiro. O mundo se acabando em água, cólicas, calcinhas
sujas de sangue, merda e lama e eu pedido mais, pedindo, implorando bis.
27 de jun. de 2008
Vitor Araújo - Paranoid Android (Radiohead)
Nas noites de quinta-feira costumam cair estrelas. A brisa sufoca meus ânimos. O michê que me aborda não é o mesmo que sussura promessas de amor. O meu som é o DJ quem faz. Vamos subir o morro e esquecer de uma vez por todas as convenções. Ele não conhece Vítor Araujo. O músico vai escutá-lo e espero que se encante desde a primeira audição.
20 de jun. de 2008
Olho de porco e a ausência de mim mesmo
18 de jun. de 2008
17 de jun. de 2008
Mais do que lindo, o amor é necessário. Amor, não. Afeto. Troca de carícias. Telefonemas antes de se deitar, antes mesmo de se levantar. Exclusividade. Relação fechada, sim senhor. Ele sentia inveja dos gays, pq entre nós aceita-se facilmente um relacionamento aberto. Eu sentia inveja dele, pois dificilmente eu poderia acariciar meu ex a qualquer hora do dia, onde quer que fosse. Me apresenta uma amiga tua lésbica. Meu sonho é transar com duas mulheres. Nunca mais repita isso. Chamei o garçon e pedi a saideira. Como se eu tivesse domínio sobre meus sentidos. Outra madrugada passada no estacionamento do supermercado que não fecha. As garrafas de long neck se avolumaram rente ao meio-fio. A lataria do carro estava gelada, mas servia de encosto. Confortável. A vida sexual de um macho hetero era narrada sem culpa, sem invenções. Traços de um compulsividade latente, mas achei por bem não interrompê-lo. Não naquele momento.
16 de jun. de 2008
BANDANAS
Depois de todas as opções, estamos livres. Fios castanhos, forravam o chão a procura de abrigo. Lamento terem sido poucos os avulsos. Amanhã chá, hoje café. E os tolos cumprimentam-nos com boa dia, boa tarde, boa sorte. O que ele fazia aqui ao nosso lado? Esquecia de si mesmo. Vamos às compras, antes que o shopping fecha. Temos jazidas de petróleo a explorar. A sessão de fotos se inicia daqui a alguns minutos. Estamos ansiosos. Expor a vulva e a glande em ângulos distintos, inexplorados. Pés, mãos, nuca e orelha. Expor a mente em travessas de prata-de-lei. Migalhas do mesmo pão divido repartidas entre os ausentes. Ontem foi difícil. Pressão atmosférica. Se não fosse a academia e seus seminários de geografia política, teríamos sucumbidos as escolhas nefastas. Nietzsche padecendo da demência, fruto de uma sífilis incurável. Sofremos de um mal distinto. Tal qual a sua maneira. Golpes no ar. Krav-magá desajeitado. Caminhamos em círculos sem se importar com a repetição da quadrilha. Hoje foi fácil. Amanhã ninguém sabe. Nem o escriba, tampouco os escritores de romances policiais. Deixo aqui um abraço ao amigo e um beijo a puta que nos pariu.
14 de jun. de 2008
No bloco de anotações a privacidade que lhe restava, que lhe cabia. Um adorno. Ela perdera o livro dentro do ônibus, sem se importar se haveria de devolvê-lo na biblioteca. Saramago que me perdoe, mas passarei longe da fila que se forma para assistir a adaptação. Suas imagens serão apenas as minhas. E nos bastam. Sonha com ele, nos explicando uma lição. O professor de biologia grita. Voltaria à sala, na aula de matemática. Preciso anotar esse verso. Deixa para lá. Encaixo cá. No laboratório de informática, marca os horários com os clientes. Três visitas a quinhentos reais. Estou ficando preguiçosa. O que eu gosto mesmo é de dar minha contribuição a segurança pública. Carteirada ou o famoso 0800. Uma janelinha do messenger se abre. Escorpião a espreita. Ele não me chama. Ele não me ama. Dever ter encontrado outra, adepta do deep throat. Largar o vício e me entregar a profissão. É o que dá dinheiro. É o que paga o aluguel e a prestação da lava-roupa. Exibir-se diante da webcam parecia uma prática segura, se o cliente não houvesse se recusado a se proteger. Os gays é que entendem de sexo. Bareback sem restrições. Talvez eu esteja sendo pesado. O livro! Onde eu o deixei?compra outro e esquece. O espelho acena do retrovisor. Esse rímel barato me borra as pretensões.
13 de jun. de 2008
Em homenagem a Don DeLillo: notas de cabeça
A melhor momento do dia. O intervalo entre acordar e se levantar. O rastro de bergamota do tapete da cama até o tapete do banheiro. Tecidos conversam. "Ela vai confundir tudo, mas tá valendo." Palavras magoam. Teve mais essa: "Ninguém está querendo ver a tua cara." Lembrei-me doutra: "Você é triste, solitária e nunca vai encontrar alguém para te amar." A imagem do lago veio à tona. O mergulho, a corda, o canivete ausente, o assoalho lodoso. O óbito e o funeral. Seria uma solução. Vamos nos organizar para ver como é que fica. Até que ela se deu conta. É exatamente isso. Estamos sendo induzidas ao erro. Pegou sua gata de pelúcia, borrifou do perfume quente, beijou-a e se despediu. Vamos trabalhar. O salto marcava o piso de madeira ao ritmo decidido. Vamos trabalhar, porque preciso ter história para contar. Mais do que isso, precisamos de estilo, amorzinho. Podia lhe faltar tudo. Beleza, reputação, caráter, perspicácia, mas estilo ela tinha. Ou se esforçava para ter. Com os lapsos, cansaço e vícios moldava o que viria a ser a new sensation da Feira de Frankfurt. Não haveria fotógrafo capaz de captar sua simpatia, porque não tinha. Ela seguia a passos trocados, apressada de tão atrassada, forjando uma história que jamais escreveria, porque quando se colocasse sentada à frente do desktop não se lembraria mais.
11 de jun. de 2008
Cristalizar o amor que sinto por você. Oh, deus porque me escravizar nas suas orgias. O som no último volume. Quando nunca encontro sempre sêmen espalhado na cabeceira da cama. Eu ouvido, você palatável. Muita fumaça. Incenso. Me esconde a pele. São só dois olhos de gatos fantasiados de travessuras. Arma o concreto e créu. Sinto-me sexualmente atraído pelo auditor fiscal. O careca. Seu olhar. Castanho. De baixo para cima. Lábios enegrecidos pelo vício da ansiedade. As orelhas. De repolho. Sinto-me compelido a elogiá-lo o nó da gravata casado perfeitamente com o colarinho. Branco. Braguilha frouxa. Careca tesudo. Nas penugens que lhe restam, me perco. Labirintos sem saída. Te idolatro besuntado de chocolate. Trufas. O musgo e o fungo. Vamos para o motel? Cabeça raspada. Sim, sim. Sim! O caminho de anteontem era o mesmo de hoje. Feliz dia dos namorados para quem acabou de me ligar no celular. Se não atendi é porque foi apenas um susto.
O mesmo amor cego, jamais consegue ser surdo
Ela tem aparecido em todas as mídias, mas nunca quis conhecê-la. Seu visual não me dizia nada. E drogado por drogado, me basta aquele que vem buscar quando o expediente termina. A repetição, a superexposição, venceu minha indiferença e agora resta-me aqui tentando resgatar a noite de ontem, a madrugada de hoje, o nascer do sol às 5h15. Sempre achei o palio um carro muito apertado para se fazer sexo dentro. Há compensações. A lataria é uma das mais confortáveis. Vamos para um motel? Vamos ficar aqui mesmo. Concordei resignado. E minha submissão foi recompensada quando ele ligou o MP3 do carro. Abriu o porta-luvas. Tirou um maço de cigarros. Qual marca? Não importa. A temperatura caíra a níveis constrangedores. Eu tremia, mas agora era de prazer, em apenas contemplar a imagem de homem que eu havia encontrado por acaso na rua. Pensei que não conseguiria arrastá-lo daquele boteco très chic, o nome do boteco. Irônicos, os donos. Ele e eu. Enquanto fumava, me perguntou: E aí você tem namorado? Não. Não tenho. Tenho um amante. O arquear das suas sobrancelhas, me levou a justificar-me. A gente se vê todos os dias. Quando te encontrei, você estava sozinho. Sim. Havia acabado de descer do carro dele. Entrei no bar para comprar uma coca-cola. Ele não terminava de fumar. Aquele inquérito se prolongaria até o último momento de prazer dele. A distância que nos afastava era a mesma que nos aproximava. Essa é a tal da Amy? E ele pronunciou o sobrenome dela com uma pronúncia perfeita. Por segundos, fui levado a Brighton a trazido de volta. Sente o cheiro do mar nos meus dedos. Aproximei-me do seu corpo perfumado, este era cítrico, respirei dentro da sua camisa azul, reflexo da lua, convergência da noite, a procura do suporte para minhas pernas. O abraço. E a melodia movimentando seu corpo e por inércia o meu. O dia amanheceu com os outros carros passando por onde estávamos. O estacionamento do pithon não era mais discreto. Conheço uma padaria na seis que serve um delicioso café-da-manhã. Eu aceitei e agora estou aqui postando, na tentativa atordoada de me lembrar de tudo. Qual seu telefone? E o seu amante. Não quero atrapalhar relacionamento nenhum.
10 de jun. de 2008
Borrada se apresenta minha essência. A lente escraviza minha alma. Tal qual, caju com rapadura. Que os fúteis ardem em qualquer um dos círculos do inferno de Dante. Eles e suas visões restritas do mundo. Gostos mesquinhos. Paladares dictomizadores. Abomino quem só ouve um estilo de música. Cago em cima de quem só come sushi. Literalmente. Literalmente. Depois berram em alto-falantes: viva a pluralidade. Viva o multiculturalismo. Viva a porra que sai pelo nariz quando deveria escorrer goela abaixo. Longe de mim a homofobia. Até defendo que ela deveria ser criminalizada. É que me irrito com quem só sabe conversar sobre carros, esportes e homens ou com quem só sabe conservar sobre museus, galerias ou sobre os desfiles da Fashion Rio. Quem vem? Quem não pode estar presente. Por quê? Talvez eu esteja sendo moralista. A pilha de livros derruba a impressora. Perco os sentidos. Gotas são comprimidos debaixo da cama. E a saudade vai dentro do pacote entregue ao carteiro. São fotos, cartas, chips, o patuá, o crucifixo benzido. A Roma de todos nós. Me desfaço de tudo. O limoeiro floresce, a vida se reinicia. Boa sorte. Adeus. E se ele aparecer na minha porta chorando. Convido-lhe para entrar. Ofereço um capuccino brasileiro. E entrego o calção de banho, esquecido no varal. Branco. Gastei quase uma caixa de anil. Para quê? Por quem? Namorados se desentendem na porta da igreja de Santo Antônio. Os amantes se mutilam no estúdio de tatuagem. Quanta diferença. Daqueles se cospe. Destes se engole.
9 de jun. de 2008
momento poético ou a catástrofe atrás do biombo
Detesto ser chamado de irmão. Me lembra a seita. Segredos, vigia. Homens em campana. Homens na escuta. Eles sabem das horas telefonadas. Grampeadas. Transcritas. Oi amigão! Me abraça. Sustente o peso das minhas lágrimas nos seus braços... fortes. Sim. Seria quase um clichê se não fossem hipertrofiados. Carne dura. Me lembra mármore. Bonito de se vê. Me lembra David. E ai, irmãozinho, beleza? Me trate como mulher. Apaixonada pelo primeiro amor. Me trate como fêmea. Cadela no cio. Égua afogueada. A partir de agora, só me chame pelo feminino do meu oposto. Ele se assustou. Da garrafa de vinho sorvir um longo gole tripo. Seco. Tinto. Do que você está falando? Explico-lhe com calma. Não dá para continuar sendo seu amigo. Estou suando de desejo. Tremia de frio, como se fosse de medo. O clima dessa cidade é maluco. Veste meu casaco. Almiscarado. Ele olha para a boca-de-lobo. Pára. Sorri. Gargalhadas. Sem motivo. Me olha. Me encarra. Se você tivesse onde, te faria um filho aqui agora. No meio do passeio. Longe desse poste de luz que nos ilumina.
Da semana que se passou por entre meus dedos restou a promessa de um telefonema. Relacionar-se amorosamente mostra-se complicado. Amor entre iguais, complexo. Junta-se a isso o fato dele ser casado... O que mais a foto me inspira a escrever? A história vem e este jovem escriba se auto-censura. Corro para o editor do word e me permito digressões. Tenho vergonha dos detalhes de mim mesmo.
3 de jun. de 2008
O erotismo enviesado de naturalidade e despojamento. Estou me tornando gay e papai não se dá conta. Meus parentes não se dão conta. Precisamos conversar. Até porque, logo logo o filho do vizinho estará de volta do intercâmbio em Iowa. O doutor supracitado a me vasculhar os desvãos. Saudade que webcam nenhuma, por mais high tec que se fosse conseguiu amenizar. Se não fosse o SKYPE, o que teria sido do seu doutoramento? Cartas de amor. Provas de uma paixão que o doutor engenheiro esconde de si próprio. Os esparadrapos protegendo as juntas. O pêlo loiro a proteger a pele. Tudo igual e tão diferente. Semelhanças. Disparidades. A mesma pele rosada a me lembrar os porcos. E os porcos? Faço torresmo para servir de entrada para feijoada. Somente sábado. Desembarque previsto às 11h07. Mas podia ser amanhã. As cartas não me servem de mais nada.
2 de jun. de 2008
Tentando escapar
29 de maio. quinta-feira. 22h37. Dois rapazes debaixo da árvore se beijando. Um, soluçava sem parar. Outro, beijava-lhe o pesçoco. Aquele, dizia constrangido: "Só tomei duas cervejas e me deu... ic... ic... Os beijos rasos, quase sem abrir a boca, senhas que o esfrega não passaria daquilo, apenas um contato onde corpos nus não se encaixariam. Vamos para um lugar mais reservado? Sem resposta. A mão que acariciava a nuca, era a mesma que empurraria para baixo a cabeça em direção ao desejado desconhecido. Ali se começou o jogo. Esse aqui é melhorado. E eu não sou desses que ele está pensando. Cheirava-lhe a intimidade como se estivesse cheirando-lhe o pescoço. Mordia-lhe levemente a pele, o perigo no risco lhes embriagava. O jogo prossegue. Usava-se de estranhas estratégias. A língua, uma aliada. Não faria o que ele queria. Abraços e beijos são insuficientes quando se quer mostrar ao outro sua inocência. Antes tivéssemos ido procurar por soldados no setor militar urbano, diário. (Você é sozinho, né? Perguntara-nos o tenente, lembra? Lembro-me e não consigo esquecer.) Lá, por qualquer latinha de cerveja, os rapazes da ronda teriam me cegado, primeira na frente (Não baba!), depois por atrás (Você está limpo?), depois simultaneamente. Dois, três, dez, quinze. O arrependimento. Droga! O que eu estou fazendo aqui. Ele está pagando quanto? Cinqüenta. Eu pedindo forças a Deus para que agüentasse por mais alguns minutos que somariam horas do nascer do sol. O silêncio, o respeito, a rapidez, o nunca chegar ao fim. Você também vai? O soldado riu. Na próxima. Quer que te leve para casa? Adoraria. Muita gentileza tua. O chucro a me conduzir de volta para casa. Vamos subir?
30 de mai. de 2008
DEFINIÇÕES
29 de mai. de 2008
10 de abr. de 2008
9 de abr. de 2008
10 de nov. de 2007
Os dislexos de todos os dias não saem para fazer compras na feira
9 de nov. de 2007
No sétimo círculo fustigaremos sua carne.
-- Estou feliz em saber que a elite da polícia militar, vulgo BOPE, acolhe os ateus. Respeito muito quem não acredita no Deus ex-nihilo. Ou não acredita em Deus nenhum.
-- Ateísmo é tabu no Brasil, Marcinho. Duvido que o major seja incrédulo, logo ele, sendo um militar, sempre ultraconversadores. Em qual círculo do inferno de Dante ardem os omissos?
-- Consultemos o Google:
“Mas olha o vale: o rio é não distante
De sangue, onde verás fervendo aquele,
48 Que violência exerceu no semelhante.
-- Ele(s) deve(m) sentir muita culpa. A menos que sejam psicóticos...
-- Então deveriam estar fora de qualquer corporação.
-- Viver muitos anos se remoendo de culpa, não haveria castigo melhor.
-- Auto-castigo, Marcinho.
8 de nov. de 2007
Num outro patamar qualquer
Transtorno bipolar do humor
6 de nov. de 2007
5 de nov. de 2007
A dança
A destruição assobia nos meus ouvidos canções de ninar. É força da natureza, contra ela não podemos nada. Prevenir, talvez.
3 de nov. de 2007
31 de out. de 2007
Quando o alter-ego fala
Quem conhece o purgatório de Dante, sabe exatamente a dor que estou sentindo. A(dor)ei (de) senti-la em outros estados artificiais da natureza, confesso, embora gritasse o código combinado a cada bofetada desferida. Saudade do que poderia ter sido o Taj Mahal de ponta cabeça. O escrivão da Polícia Federal induzia-me o desejo. Seus olhos saltavam para fora, sequiosos da performance que não sei onde por Deus aprendi. É a prática. É a prática. Seu falo descomunal (Valei, Hilda Hislt!) ditava as regras e os pudores. Abre a boca. Engole. Cospe, não! Tá, engasgando, por quê? Engoliria até sua alma, querido, se essas suas algemas pudessem colorir de cinza-prateado a cabeceira desse quarto previssível de motel. (Ui, como ele está erótico hoje. Estou até com medo de pegar doença venérea. Mesmo tão protegido, mesmo tão ausente.) Borrachudos por todos lados, querendo se meter num negócio de adultos. Queremos seu sangue, diriam alguns. Estava sangrando meu lábio superior. O escrivão fez que não viu. Não era com ele. O calor das três da tarde derretia a esperança de continuarmos até o entardecer a lição de tiro. Tira!Tira!Tira! Relaxa, guri. Seja homem. E principalmente nos momentos de dor. Rebola que alivia. É halloween novamente. Escrevo-lhe um e-mail. Aproveito a deixa da ocasião. E se o escrivão responder? Se ele aceitar? Chegaria fantasiado com o uniforme de todos os dias. Eu, com meu kit puta: mini-saia, top e salto alto. Gloss nos lábios, rímel nos cílios. Se não fosse meu chaveirinho, diria que eu era uma mocinha pura provando ao namorado cafajeste o quando o amava. (Está ridículo, eu sei. Tenho espelho na porta do guarda-roupa. Apenas, cumpro ordens. E voz de comando). Doce de abóbora para sobremessa. As velas de citronela espalhadas pelos cantos da casa. As promessas, as juras, um banho frio. Deveria ter-lhe roubado a carteira e jogado no esgoto de onde ele nunca deveria ter saído, nem mesmo para se encontrar com um amigo que não fode o suficientemente para lhe convencer a procurá-lo com mais freqüência. Passado quase um ano e eu ainda querendo acordar de manhã ao seu lado. Meu único compromisso é com a literatura. Valeu como inspiração. Mudarei de endereço, de quadra, de apartamento para que ele não ouse me visitar as duas da manhã, fugindo do plantão, achando que direitos são adquiridos mesmo quando não se faz presente quando solicitado. Se não for do meu jeito, não é de jeito nenhum, disse-lhe o escrivão. Ok! respondi-lhe escondendo o olhar de choro. Foi melhor assim. Tem sido melhor assim.
Atualizado: Escrever, escrever, escrever. Revisar exaustivamente. Salvar como rascunho. Esquecê-lo. Revisar exaustivamente de novo, qdo por acaso lembrar-se-lhe (que estrutura é essa? Chamem o Bechara!) dele. Somente, então, publicar. Gostaria de seguir os meus particulares princípios, mas a avidez me atropela. Ando atordoado por esses dias. Pretensão com "c". Performance sem "n". E outros herrores apontados pela minha linda e adorável prima. Ela pode não ter gostado da explicação e do contra-argumento. Paciência. O bom vendedor que sou nunca me abandona. Você é bom de lábia, me disse ela. De lábia e de boca.
Respondendo perguntas
Dentre todas, minha favorita. Dentre todos, meu favorito. Traço estratégias. 97 está sendo o ano dos convites (aceitei todos) e das propostas (analisei todas). Venha viver comigo em Toronto. Venha como turista, mesmo. Não tenha medo. Aqui faz muito frio, quando se está só numa banheira de hotel. O frio está para o Canadá, assim como o calor está para o Brasil. Meu ceticismo, nosso freio de mão moderno, me mostra outras possibilidades, DiCla. Seu convite chegou-me tarde, Lindusco, não posso mais. Resta-nos resolver o imbrólio que nos metemos. Enquanto isso, vou aceitando os presentes que me oferecem: os rubiks. Deles me canso fácil. Minha cabeça dói e só penso em você, leitora.
30 de out. de 2007
29 de out. de 2007
27 de out. de 2007
Lavar as mãos na pia batismal. Afronta. Grandes flocos de neve soterravam o plano estrategicamente elaborado por apressadas mentes vis. Fondue a dois, mas poderia ter sido a três, a quatro, no máximo cinco, pois aviãozinhos terroristas desembarcam no Sudoeste quando as estripulias fogem ao controle pré-estabelecido por mim. Quem manda aqui sou eu, dizia-lhes com doçura, na tentativa dissimulada de não expor nossa vida ao risco. Do que mais sinto falta? Privacidade. Poder esquecer um pedaço de papel dormitanto sobre a escrivaninha sem que ninguém lesse o impropério. Meus arquivos do MSN já não podem ser mais salvos. Copiou, colou e imprimiu. Para quê? Por quê? (Junto ou separado? Nunca me lembro.) Há lições que jamais vou aprender. Levanta-se, pega a gramática, guardada na prateleira mais alta da estante. Interromper equivaleria ao crime de sangrar o mangalarga. Staff. O da patinha rajada é o que tem o veneno. Pardon , mademoiselle. Eu (me) aproveito tudo (de todos). Se assumiu um compromisso tem que ser responsável. Descer com o cão antes que ele me rasgue o sofá. Fica para mais tarde ou para amanhã-nunca-mais a tentativa de explorar o inconsciente doentio dos Prados.
26 de out. de 2007
25 de out. de 2007
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
O Senhor Olavo de Carvalho oferece uma bibliografia básica para seus alunos que clamam por um orientação. Ganha-se tempo, mas ainda assim, ainda assim, prefiro descobrir tudo por mim mesmo. Se não sou capaz de selecionar uma bibliografia, de que serei capaz, então? De seguir a manada. Pegue sua mochila e vamos embora, diria o diário, se não estivesse de ball gag desde cedo. Você, fala demais, mulher. Ele puto resmungava.
24 de out. de 2007
Sujos de chocolate
O colorido da cidade, a ansiedade a me desestabilizar. Podem vir centanas de milhares de flores, simulando uma chuva de pétalas que nem mesmo assim, que nem mesmo assim, volto atrás. Passado, meu bem. Fazemos parte da história particular de cada um. Quer me rever? Visite o museu da tua memória. Fraca. Pois deixou de ser social. Compartilhar-se foi bom? Razoável, para lhe ser sincero. Digo isso para que tu possas aprimorar suas técnicas e táticas de guerrilha. Tu tens certeza que estiveste onde dizes que estiveste? Para mim tu eres todo, repito, um fraco, essa tua armadura, ossos, músculos, nervos e tendões com o tempo murchará. Levará tempo reconheço, mas seremos implacáveis.
E os banhos de óleo que lhe preparávamos com tanta devoção. Quantas mãos serão preciso para saciar seu desejo a se pôr só depois de levantar o sol. Os recheios dos sushis. Os salmões depurados. Cortar os punhos, da camisa de seda, quando surge um evento imprevisto. Eu me odeio por ter me dedicado tanto. Pela insanidade desatada. O florescimento sempre serviu de pretexto. Quero te polinizar no conforto do tapete do meu quarto. Foi a cantada mais bêbada, escutada. O lóbulo da orelha. A jóia a encontrar refúgio numa boca melodiosa. O atrito das jóias acordaria nossos pais, se já não estivem mortos. Pode ser um psicopata. Boate cheia. Amigos diziam. Todos me invejavam. Alguns nos invejaram.
São flamboyants! Admiro-me um aluno de geografia desconhecer as espécies da sua própria cidade. Como se ele tivesse uma outra lição a me ensinar.... Estou sentido um ressentimento, acaba de me falar meu primo que está aqui do meu lado acompanhando o desenrolar desse post. Sua função auto-proclamada: corrigir -me a ortografia, a semântica, a sintaxe. Aqui estou no limiar, explico-lhe Normas rígidas nos servem mais. Desse momumento, quero só o alicerce. A vida aqui dentro flui. Observe com que facilidade coloco pés atrás da nuca. Não entendi? Fle-xi-bi-li-da-de. Ostra vienense, para os que fazem do quatro um oito. Ele ri. Eu quero esquecer. Pena que ele não acredita no power bloggers e nas mudanças que estão por vir. Sai os altos flamboyants. (Ah! Era como se eu estivesse tocando nos dedos de Deus.) Entram as delicadas tulipas. (Nos seus canteiros vamos experimentar o verdadeiro orgasmo. Oh! Toronto. Sonho contigo todas as noites.) Isso não é normal, nem verossimil, diarista... Ainda não terminou, primo? Isso não tem fim. Vou dar um chutão no estabilizador. A ansiedade.
Pelas mentiras que nos contam desde criança. Pelos direitos de todas as minorias.
Para quem consegue ler Flaubert no original, surrupiado daqui.
23 de out. de 2007
Ode ao blogue extinto
Em homenagem a Orhan Pamuk
Lá fora chove, aqui dentro... neve se acumulando sobre o recamier, sobre o aparador da sala de jantar, sob meus pés. Se faz frio? Com o frio a gente se acostuma. Não me acostumo com o desejo implorado de não se querer ser mais do que já não se pode por absoluta falta de espaço. Solidão é um passageiro que pedia carona na altura da 108 sul (para quem não conhece a capital, é a rua da Igrejinha) e agora, bem instalado, a qualquer momento vai descer. E vai levar e vai trazer. Talvez esquecer. O livro (o romance) serviu como quebra-gelo (só agora percebo a ironia me presenteada pela Vida). Falamos sobre a diversidade dos modos e costumes. Uma amiga minha, fulana de tal, foi mais bem acolhida em Istambul do que em Paris... Sobre os fonemas, as diferenças socio-lingüísticas, sobre o injusto sistema de crédito da universidade. Ensinei-lhe alguns macetes. Dei-lhe algumas dicas. Não pega disciplina com professor fulano de tal. Carnificina geral. Trocamos telefones, e-mails. Confidências. Paixões. E aprendi (descobri) que oil wrestling(com licença o leitor-tradutor e a leitora-tradutora se eu errar na tradução, fica assim mesmo. Depois vocês me corrigem), luta-romana, seria principal esporte nacional da Turquia. E Solidão, ex-vencedor na modalidade. E depois diz que não tem nada a nos ensinar.
22 de out. de 2007
Aquela lagartitinha que o eu-passarinho acabou de saborear como se fosse a sobremesa, bem que poderia me representar na exposição de motivos do próximo dia nove. (Gente do céu, e da terra principalmente, não faço idéia onde vou chegar com esse post. A cada releitura insiro uma frase, indiferente se arrebentar a bexiga. (Sentia prazer em colocar nossas vidas em risco.) Meu-eu ficcionista resumer-se-ia (desculpem-me os blogueiros que escrevem em estilo jornalístico, a mesóclice baixou como se eu fosse... perai, escriba, há toda uma preparação para ser receber um orixá, um pouco mais de respeito à crença dos teus antepassados, por favor, disse -lhe o diário intimo, num roupante atrevido adjetivado de matizes lilases.) a uma larva frágil e delicada, camuflando-se em seus medos e ressentimentos, no aguardo de cumprir-se promesa? O Sol é para todos, pena que os dias sejam nublados e a peçonha suficiente para derrubar um cavalo.
21 de out. de 2007
20 de out. de 2007
Das apostas erradas feitas no bar da esquina
"O governo de Mônaco vai acabar extraditando o Salvatore Cacciola." Um inocente comentário ( eu não tinha mais assunto) acabou originando a aposta. "Dificilmente. Há outros interesses envolvidos. ", retrucou meu amigo. Conseguia novamente incendiar a roda de chopp. Nossas vozes ressoavam por todo bar, abafando as outras conversas. "Aposto na competência dos nossos sub-procuradores.", disse-lhes. No tom mais sarcástico que eu poderia dizê-lo. E sorvi da tulipa o resto que eu já não mais queria. "Obrigado pela parte que me toca. ", disse ele, "De quanto vai ser a aposta?, perguntou-me, surpreendendo-me com um tom ríspito e arrogante. Fingi que não era comigo. Meu olhar perdia-se no horizonte na esperança de encontrar o ponto de apoio. " Foi apenas uma forma de se expressar.", disse-lhe, titubeando. Ele sem hesitar, tirou a carteira do bolso do paletó e de lá de dentro sacou uma nota de cinqüenta reais que foi cuidadosamente presa debaixo da minha tulipa vazia.
"Quer saber mais do que eu." resmungou como se fosse possível falar entre os dentes. Isso não vai dar em nada. "Jamais, mon cher. Je n'écrit pas en français." E sob olhares ávidos, uma outra nota de cinqüenta fez par a primeira. "Para não fazer desfeita. ", disse-lhe, fitando-lhe nos olhos. Gritaria geral. Fla-Flu improvissado numa calçada de ardósias vitrificadas. Dois galos de briga a se encararem minutos antes de se enfrentarem numa rinha. Ou seriam dois pitbulls? Sua boca espumava e não era espuma do chopp. Eu apenas observava-o sem entender o que eu havia dito de errado. Para onde teria ido o debate com seus elaborados argumentos irrefutáveis. "Confio no empenho do nosso ministro," disse-lhe, sem me importar com a provocação. "Agora, repatriarem todo o dinheiro extraviado seria esperar demais", completei, antes de me levantar sem pedir licença para ir ao banheiro. Quando voltei o bolão estava fechado. Cinco com um. E passei a ser conhecido como namoradinho ingênuo do Gustavo, para os íntimos: Eugênio.
Aula de sobrevivência em alto-mar
Chorar de barriga cheia, como se sabe é muito feio. Nunca ninguém me disse que escrever seria fácil, prazeroso ou me proveria. Quando você começou, tínhamos um objetivo, aprender. Nunca se esqueça da metáfora, escrever é como praticar natação. O problema é que nunca sabemos onde vai ser a aula, na semi-olímpica (onde dá pezinho), na olímpica (onde se dá cãibra), ou no tanque de saltos (onde olhares agonizantes se cruzaram e risadas são prelúdio de um beijo.)
18 de out. de 2007
17 de out. de 2007
Interrompeu a leitura. Com a mão no bolsilho do casaco procurava pelo lápis. Olhou em volta de si. No criado-mudo. Na escrivaninha. No aparador. Fechou o livro e o deixou em cima da poltrona onde se encontrava sentado. Precisa copiar aquela frase: "Não há de ser nada... Tudo vai dar certo." Seu otimismo resistia até 38 graus de febre. Passados calafrios, refletia sobre as escolhas erradas tomadas durante o curto periodo em que o rei se ausentou de casa.
8 de out. de 2007
27 de set. de 2007
15 de set. de 2007
Canção da Chuva ou ASAP
Venha chuva, acompanhada da primavera,
fazer cócegas nesse corpo, infelizmente seu.
Soro hidrata, mas só você vivifica.
Venha! Mas venha tempestade.
Inunde o parquinho, a praça, o terraço.
Afogue minhas lembranças, todas elas, não me importo,
se for para o nosso bem.
Venha chuva! Acompanhada de ventos. Arranque pelas raízes todo nosso condenado pinheral. Toda gambira.
As telhas quebradas. Arrasse os bananais com seus morcegos.
Voçorocas nos corações do incautos,
Lama e lixo para dentro de casa.
Leptospirose, hepatite, dengue, desabrigados.
Tragédias pessoais televisionadas.
Mas, venha mesmo assim.
ASAP






















