15 de fev. de 2011


Pati de llums, originally uploaded by jc espanol.

Onde está escrito que viver é fácil? Lembre das aulas de história antiga. Volte a estudar história contemporânea. O sofrimento permeia as civilizações. Nem mesmo os imperadores protegidos nos seus palácios adornados de ouro e jóias deixavam de sofrer, de fome ou de amor. É inevitável. O sentido da vida consiste em sobreviver às dificuldades, me desculpe Ricardo Reis, na pessoa de José Saramago, que me ensinou... Não! A frase saiu da boca do mensageiro do hotel: “quanto ruim, nunca pior”. Com sua permissão, meritíssimo, eu chego à conclusão que a situação pode sim piorar. Então, abandono esse ranço de pessimismo que me acompanha desde que tomei conhecimento da sua obra, para me voltar ao sol do otimismo, bem clichê: “dias melhores virão”. Não importa se eu não estarei aqui para presenciá-los. Uns semeiam, outros colhem. Quando se está morrendo, cabe a gente amparar os amigos, acalmar os parentes, sorri para os médicos, estender o braço à enfermeira para que ela aplique a injeção com a medicação. Pegar o livro da cabeceira e continuar a lê-lo. Se a morte é tabu (suspenso somente em condições extremas) tanto no meio hospitalar, quanto fora, não vamos convidá-la para jogar truco conosco. Bergman é maluco em nos mostrar que poderíamos desafiar a morte numa partida de xadrez. O sueco entende da vida e nos ensina, quando tiveres que enfrentá-la use suas armas, seu talento, seu dom. Deus na sua crueldade incomensurável, quando nossa futura mãe entra em trabalho de parto, toma de volta nossas asas, era apenas uma outorga, e nos joga no mundo. Se eu chorei não foi por causa da palmadinha, era choro de desespero em saber que não mais cantaria para o Senhor. Em contrapartida, Ele nos presenteia com uma habilidade. Este “vai ser gauche na vida”; aquele vai ser todo ruim. Caberá a mim e a ninguém mais descobri-la ou desenvolvê-la. Em momento nenhum, alguém diz que será fácil. Revelar ao mundo nossas aptidões confunde-se com o próprio viver e cultivá-las, apesar das rasteiras e voadoras, socos e pontapés, demonstra nossa capacidade de sobrevivência.

14 de fev. de 2011


IMG_0044, originally uploaded by b56n22.

Por que a gente bebe, mesmo sabendo que no outro dia acordaremos com a cabeça desparafusada, vomitando a alma? Já é Valentine’s Day. Por que a gente vai para cama com sujeitos que fustigam nossa carne a ponto dos Doutores Proctologistas notificarem as autoridades policiais? São Valentino passa a ser meu santo de devoção. Você vai passar por outro exame, corpo delito. Aguarda aí. O problema não era ficar nu perante o legista e o assistente; o problema era disfarçar a sensação de prazer ao fitar nos olhos castanhos amendoados do médico-chefe. Tenho medo de bisturi e agulha, mas não nas mãos do Doutor Altivez que acabara de entrar pela enfermaria perguntando pelo paciente. Ele não anda, ele marcha. Ele não pede, ele manda. Vai doer chefe. Nessas horas a gente perde a audição, como se os ouvidos estivessem sendo entupidos por potentes protetores auriculares; a vista se escurece lentamente, restando-nos pequenas luzes piscando. Você se entregaria ao sono, caso a voz, semelhante ao do Pai a nos dizer o quanto nos ama, não lhe chamasse repetidamente pelo nome. Nem comecei a sutura. Minha pele ouriçada, não por causa do ventilador ligado, mas por causa das ásperas mãos peludas afastando minhas nádegas. Se doer, você fala. Com certeza! Não vai doer mais do que as palavras do Catão. Eu sou homem. Eu gosto é de boceta. Sério, querido? Um fato não exclui o outro. Seus argumentos eram mais convincentes quando sentávamos lado a lado na aula de Topografia e Fotogrametria. Não tenta se justificar, ocultando o desejo que lhe estorva o sono. Brutus, o carioca previsível, havia me perguntado: você é capaz de ser fiel a um homem só? Sim. Com certeza. Quando a gente se completa... Desde que tome a primeira dose. Fala logo, porque se eu te pego com outro, eu te atropelo. Eu já tenho dois processos na justiça. Não quero mais fazer bobagem. Não quero perder essa oportunidade. O diabo mora na carência dos corações ausentes. Meu Valentine viajou e eu não sei como trabalhar a solidão. A literatura ajuda, ora confude. A gente acata a ordem de entrar no galpão destruído pelas chamas, para trabalhar nos rescaldos. Catão, do resíduo da nossa história sobraram apenas cinzas e hematomas. Estas, eu esconderei dos críticos. Aquelas, o vento se encarregará de dispersá-las, como se estivessem levando embora a lembrança do meu primeiro valentine.

Emocionado, Ronaldo confirma adeus ao futebol aos 34 anos

Esse tal de Ronaldinho, O Fenômeno, como ator, é um excelente jogador. Tive a impressão durante toda sua  entrevista na qual anunciou sua aposentadoria prematura que ele esforçara para chorar. (Depois de assistir Jerry Maguire, A Grande Virada,1996, todas as lágrimas passaram a ser de crocodilo. Choro só aquele contido, chorando por dentro tal qual ao da  nossa presidenta). Fiquei com vergonha por ele. Já vai tarde, Fofucho. Vê se trata da sua doença, crônica, por sinal. Acho que a vida da gente vale mais do que qualquer contrato milionário. Desde a final de 1998, na França, na qual  tal Fenômeno e Cia PERDERAM a Copa do Mundo que não suporto esse cidadão. Os jornalistas na época escreveram que ele teve uma convulsão e mesmo assim teve que entrar em campo, talvez obrigado pela deusa Nike, não a da Samotrácia (GRE), mas a de Oregon (EUA), na pessoa do Sr. Zé Galo. É isso que acontece, quando nossa motivação se baseia na fama, na glória, no sucesso. Hollywood é o sucesso. Para quem não se lembra da propaganda procure no YouTube. É linda, emocionante, assim como é emocionante rever Ronaldinho, O Fenômeno, driblando os zagueiros e chutando cruzado. Mas a gente não vive só de emoção, de espetáculo. A realidade é muito mais interessante. E sabê-la interpretá-la é mais que um dom, é uma arte, a arte do senso crítico que muitos tuiteiros preferem ignorar.

12 de fev. de 2011

um pequeno sol de bolso

"Muitos escritores afinam o ouvido para a prosa começando o dia com uma leitura estimulante, um pouco de prosa perfeita."


Me alegra ler, mais que me inspira, escritores iniciantes blogando sem nenhum ranço daquele pedantismo cheirando à Lord Cuenca ou Lady Averbuck. Pela manhã, preciso ler os jornais de ponta a ponta, para só depois submergir na produção de algum mestre. Virgínia Voolf tem me ensinado boas maneiras, mas sou indisciplinado e continuo a correr atrás pipas, na esperança de pegar alguma delas.

11 de fev. de 2011

Midan al-Tahrir, daqui a algumas horas seremos apenas nós.



Praça de Tahrir Cairo, originally uploaded by brunosaraiva84.
Hoje estou disperso, desconcentrado, inquieto. A todo momento confiro na tela do celular o andamento da História. Você está no mundo da Lua, dizem uns; presta atenção no trânsito, dizem outros. Minha alma não está aqui, meu coração bate longe. Se me perguntam onde eu gostaria de estar, responderia imediatamente: em Tahrir, respirando o ar que move o povo contra arbitrariedade dos homens. Nesse capítulo da História contemporânea sou apenas espectador privilegiado. Vou tirar o resto de dia de folga. É sexta-feira mesmo. Vou chamar uns amigos e estacionar nossos carros na porta da embaixada do Egito. Um buzinaço poderá ser ouvido de longe, caso a justiça seja feita.

Adolescente iraniano conduzido à morte


GAY IRANIAN TEEN LED TO DEATH, originally uploaded by anemi.

Por enquanto, não consigo pensar em nada. Preciso antes absorver o impacto da fotografia.

10 de fev. de 2011

Palavras | Virginia Woolf

A solidão infiltra-se pelas paredes do meu quarto qualificando minhas esperanças menores. A chuva traz a noite, onde o sol insiste em brilhar ofuscando a lua, minha companheira de cantata. Estou sozinho no meu quarto, em casa, sozinho na cidade que não dorme e os carros não descansam. Os amigos de infância-de rua-de escola-de faculdade-das noitadas sorriem num álbum de reminiscências. Do abajur emana a luz nostálgica das meninas que se vendem por uma latinha de skol. A calçada ferve. A efervescência marítima me lembra que sobra espaço entre minha cama e o porto onde estivadores descarregam o navio que acabou de atracar. Ligo a webcam, desbloqueio alguns convivas. Pergunto quem está disposto a acompanhar uma secular performance bizarra entre o cóccix com uma transversal tatuagem e o suado negro bíceps ornamentado por uma rama de arame farpado. Sou o diretor da minha própria inexistência na qual os atores amadores não se importam em sorrir para câmera. Assim, me livro da dita cuja e chego à conclusão que estar só, não é tão ruim assim. Sou livre para fazer o que eu bem entender, trazer para o meu apartamento quem eu bem quiser. Posso deixar a imaginação fluir enquanto pondero se compensa correr todo o risco de se expor ao perigo. Era isso que eu tinha a dizer após mergulhar nos seus contos Mrs. V. Woolf. Sua fala desdobra-se  dentro de mim incomensuravelmente.  E salvá-la como rascunho seria um erro, senão fosse a única opção. Quem para ninguém escreve, acaba falando consigo próprio numa linguagem que só Dos Anjos decifra. Desiste de me seguir, eu não presto, eu não presto, eu não presto.

Coaching Literário: Os dez mandamentos de Horacio Quiroga

Sonhei repetidas noites com Tchekhov me ensinando a escrever, lendo em voz alta meus textos, desqualificando  passagens em que eu acreditava piamente que deixaria os críticos desnorteados e conduziria os leitores a uma catarse, até que conheci James Joyce, os modernos e desemborquei na contemporaneidade dos dias e dos fatos e dos fenômenos que não se explicam, apenas se vive, se chora, se alegra ou se entristesse. Queria voltar à São Petesburgo, aos vilageros do interior da Rússia; mas estou perdido nas ruelas da Chaparral, atravessando    os becos da W3 Sul. Estou sentado nos bancos das praças nas entrequadras da asa sul procurando alguém que seja cúmplice no meu desejo de eternidade forjada.

Para reduzir gastos, Senado corta horas extras de diretores e suspende concurso

Estou imensamente feliz com essa atitude dos nossos congressistas. Os donos de cursinhos preparatórios de Brasília devem estar sacando a pistola do coldre para se suicidarem. Desde o ano passado, nas classes de preparatório para o Senado já não se achava mais vagas. Os concurseiros, então chega a ser hilário se não fosse trágico, a se perfilarem nas entradas do shopping popular Pátio Brasil, a querer saltar o muro de vidro daquele panóptico centro de consumo. Muita gente emputecida de tão embucetada abarrotam os tópicos do Twitter e do falido Orkut lamentando-se da sorte. Eu, por minha vez, me agarro ao uns dos Regimentos Internos mais complexos que eu já tive acesso. Lacan é extremante claro comparado aos que está escrito no supracitado. Hegel me faz cócegas nas orelhas. Voltaire é um alívio. James Joyce, brinquedinho de criança. Após ler aqueles artigos, Heidderger é sobremesa. A pressão retirada do meus ombros. Eu tenho que passar... Eu tenho que passar... Eu tenho que passar... Eu não tenho absolutamente nada. Eu simplesmente QUERO! E tenho tempo de sobra para me preparar.
Por fim cheguei ao apartamento onde ela morava e constatei que a placa na entrada, quando a olhei, indicava ambiguamente            -- igual ao resto de nós  -- que ela tanto estava lá quanto fora. À sua porta, bem no último andar do prédio alto, toquei a campanhia e bati, esperei e sondei; ninguém atendia; eu já começava a me perguntar se as sombras morrem, e como poderiam ser enterradas, quando veio uma criada gentil abrir a porta. Mary V. tinha estado doente por dois meses; morrera ontem de manhã, na mesma hora em que eu gritava seu nome. Nunca mais, assim, hei de encontrar sua sombra. 
Woolf, Vírginia. Contos Completos. Trad. Leonardo Fróes. CosacNaify.1ª Ed.

9 de fev. de 2011

Aproveito-me enquanto o dragão dependente de soldo dorme sua sesta para contemplar o pôr-do-sol que ilumina o aparador  perdido na sala do deserto escritório vazio. Da janela, vejo uma baía que não é a da Guanabara. Desenho uma flecha no bafo de vodca deixado no vidro. Retornemos às atividades. Novos pesos nos aguardam. No supino vou me matar. Exercício diário de uma mente amanteigada que ouve sermão do pai. "Masturbar-se pode. Desde que seja de forma eficiente.Tem umas playboys antigas guardadas (escondidas, pai) no forro." Interessante que o nu feminino esclarece todas as nossas dúvidas. Realmente somos diferentes. Mas surgem novas indagações: "o que há de baixo de tanto pêlo?" São todas muito parecidas, afinal. "Paiê, porque a Janaína não tem pêlo? "Menos, moleque" O pai perfeito,(na medida que o álcool permitia, analisado à luz refletida no retrovisor da psicoterapia comportamental-cognitiva)  forte e resistente, lindo e fotogênico, bem-sucedido e mal-pago, naquilo que havia se proposto a fazer: sumir com corpos de estranhos. Mas pai sempre deixa a água entrar em ebulição e a criança ia dormir sem saber como se escrevia jiló. (Treino ortografia sempre que a cabeça dói, mas não me adianta.)  Abro o dicionário na esperança de que algo tenha mudado. Não muda.  Se não são os pais, sempre há um amigo que insistirá em levá-lo  para experimentar uma situação extrema. "Como você vai  escrever sobre as mulheres, se nunca teve uma em suas mãos?" Um argumento assim  me desarmava, mas os deuses nunca me desamparavam: "Da mesma forma  que falo de cocaína, sem nunca ter cheirado." "Obrigado, pela parte que me cabe." "Não, há porque, irmão."   Sempre há esse amigo, um ou dois anos mais velho, a desrespeitar suas convicções e lhe propor: "Desgruda desse computador, sai dessa internet, larga esse livro. Vamos encher a cara. Dá uma volta no final da asa norte. Quem sabe a gente não dá sorte e encontra umas putas limpas de tão interessantes." Encaro demoradamente  o cidadão. Ele não pode estar falando sério. "Não foi você que disse que lhe recomendaram novas experiências? Você não vai deixar de ser gay, por rachar uma vagabunda."  Na realidade, era apenas uma galhofa, uma tentativa de me atingir no nervo.  Entre um chope e outro, entre uma dose de tequila e outra, lembrávamos o quanto meu pai havia sido liberal; o quanto seu pai havia sido conservador e nos monstros que nos havíamos tornado. Nós mesmos éramos responsáveis pelos nossos comportamentos, chegamos a essa conclusão e rimos bastante quando o garçom se confundiu  nas contas.

4 de fev. de 2011

Confesso que a voz do carioca brincando no meu ouvido me desestabilizou as emoções, mais que a sincronia dos passos. Pisei no pé dele duas vezes. "Time after time" não significa nada para mim, e jamais significará. Canções de amor servem apenas a relacionamentos ridículos. Ali, havia dois homens medindo forças. A força da palavra na forma de persuasão contra a força física de uma prensa hidráulica. "Like scrap metal", sussurrei-lhe mastigando fonema por fonema. "Não entendi." Nem entenderia. Madonna sentiu-se como uma virgem, eu me sentia como uma sucata prensada. Ele, Wall-E; eu, seu dado da sorte. A pegada era forte, chave-inglesa avantajada a me pressionar as costelas, mas eu não sou homem de pedir arrego. "Não aguenta bebe o leitinho do meu pau.", repetiria ele a exaustão, durante todo o tempo em que fomos sinceros um com o outro. O algoz e sua vítima haviam finalmente se encontrado depois de tantos desencontros. Tudo seria consensual. Do brilho da lua escorria fel, doravante o alimento da relação daquele casal, seja onde ela fosse desaguar. Estávamos no lugar errado, a hora avançada. As travestis limpando o nariz com as costas das mãos não acompanhavam o raciocínio dos nossos passos dobles. Os outros homens aproximavam-se e afastavam-se tentando captar algo. Aquele casal não pode ir embora junto de mãos dadas. Em boate gay ninguém se dá bem. Aqui é só pegação. Gozar e sair fora. Dark Room pesteado, fede à enxofre com mistura de bvlgary, armani, hugo boss, carolina herrera, calvin klein, saint laurent, issey miyake, esqueci alguém? Não! A conhecimento da fauna do parque da cidade não vai além disso.  Poderíamos continuar dançando madrugada adentro indiferente da música, ou na ausência dela. Mas ele preferiu me levar para varanda. Acendeu um cigarro. Calton, o clássico. Falta grave. Estava excitado, intumescido. E eu iria tripudiar em cima do seu discurso de periferia: " Nós é do morro, vocês é burguesia. Tudo playboy. A gente junto não vai dar certo." Poderia ter-lhe apresentado um seminário sobre cultura hip-hop, mas preferi perguntar-lhe quais eram seus cantores prediletos, (para não ser acusado depois de arrogante e pedante, como aconteceu durante nossas brigas fratricidas.) "Mano Brown, MVBill, Akon, 50¢, Tupac,..." Chega Mr. Previsível. " Como se chama aquele cara que compôs o rap da ponte? "Ãh?!" "Eu já atravessei a ponte do paraguai/ Um filme inspirou a ponte do rio que cai/ É sucesso em campinas e na voz dos racionais/ Mas a ponte da capital é demais.  Gog! "A participação do Lenine ficou show." Ele prestava atenção apenas  na fumaça espiralada que subia aos céus. Meu silêncio não foi quebrado. Assustei-me quando ele me acusou de repentinamente ter ficado mudo. "Tá pensando em outro macho?" Gaguejei, tropecei nas palavras. "Deixa eu te ajudar, eu sei o que você quer dizer. Morder na nuca, vale? Tudo vale... Vale tudo. "Suas pernas estão tremendo. É frio? Quer voltar pra dentro?" "Filho-da-puta!" "Não xinga minha mãe, não, maluco. Eu te atropelo. Eu sou bicho homem. Eu tenho sangue no olho." Meu sorriso demonstrava que o álcool diluíra todo o medo que eu costumava sentir de supostos michês homofóbicos prestes a aplicar um boa-noite-cinderela. "Na real, seus pais estão viajando?" Não conseguia respondê-lo, seus beijos me sugavam o pensamento. "Vamos?" Segurou-me pela mão me arrastando em direção a porta de serviço da boate. "Você trabalha aqui?" "O dono me deve favores." Ainda tinha tempo de me arrepender, de retroagir, dizer não, vamos nos encontrar outro dia. Um Fiat punto azul metálico enterrado com rodas de liga leve esperava seu proprietário no ponto cego das câmeras de segurança. "Vou chamar um táxi. Você espera comigo ele chegar." A proposta de me levar em casa foi recusada, afinal tratava-se de um cara que acabara de conhecer horas antes, se é que se pode chamar isso de conhecer. A gente mal se conhecia e se expunha a riscos desnecessários. "Porque não posso te levar em casa?" Como explicar àlguém que não se confia o suficientemente nela para revelar seu endereço. "Me liga. Vamos nos ver amanhã de dia." (de preferência num lugar bem movimentado). "Então, vamos para minha casa. Eu quero fazer amor com você." "Eu não faço amor, faço sexo. Amor se vive, sexo se pratica." E pela enésima vez ele me chamou de putão. Encostou meu rosto contra a parede e tentou desabotoar minha calça com a mão direita, enquanto com o esquerda imobilizava meus dois braços. "Véi, me solta." "Você não disse que gostava? Eu sou brutão-bicho-homem-tenho-sangue-no-olho-não-guenta-bebe-leite." Não era hora, nem lugar, tampouco a pessoa ideal. E convencê-lo a me deixar chamar o taxi, seria que a prova da cura do meu vício. A carne é fraca, mas o espírito é forte. Na manhã seguinte, o celular tocou antes das 8h. Brutus, ao telefone. "Oi, meu bem!" "Já está me chamando de meu bem. Desse jeito eu vou me apaixonar." "Diga!" "Me encontra na porta no zoológico, às 9h, eu chego em seguida." Eu havia acabado de ser acordado e concordei. Esquecera-me de um compromisso anteriormente agendado.

8 de jan. de 2011

Houve um tempo que as primeiras horas da manhã eram saborosas. Hoje tudo que escrevo salvo como rascunho. Talvez mais tarde.

28 de dez. de 2010

Ninguém se lembrou do caçula, no momento do falecimento daquela que ele aprendera a chamar de mãe.

12 de nov. de 2010

Quase duas da madrugada. Os diálogos do MSN se tornaram abusados de tão objetivos

[...]
X: Tem local?
x: Tenho.
X: me liga aqui [...]
[...]

11 de nov. de 2010

Marcitus diz: cai

Carlos diz: Caiu???

Marcitus diz: minha conexao caiu

Carlos diz: Machucou-se ??? rsrsrs Ah tá...

Marcitus diz: será q libriano combina virginiano? me machuquei sim, pq vc quer passar um gelou no meu hematoma? rs tem q fazer fricção com bastante força, pra surtir o efeito esperado. rs

Carlos diz: Hummm posso passar sim...

Marcitus diz: ai, ai

Carlos diz: rsrsrsr Mora com os pais?

Marcitus diz: com meu tios e vc? casado?

Carlos diz: Solteiro

Marcitus diz: sim rs e vc? namorando?

Carlos diz: Ocupado?

Marcitus diz: não. estava no site da folha, lendo as noticias

Carlos diz: ok... que trabalho bom rsrsrsrs

Marcitus diz: pois é. mas não tenho hora de almoço e só tenho hora pra chegar.  e vc está no serviço?

Carlos está convidando você para Assistência Remota. Deseja Aceitar (Alt+C) ou Recusar (Alt+Z) o convite?

Carlos diz: não, estou em casa mesmo. cliquei errado aqui

Marcitus diz:hmmmmm

Carlos diz: Estou em casa mesmo

Marcitus diz: hummmm. ok. acontece, rs. curtindo o ócio criativo? ou apenas navegando na web?

Carlos diz: Almocei ainda há pouco e estava dando um tempo para ir para academia...daí vc entrou.

Marcitus diz: hmmmm... não me diga q foi vc mesmo q preparou seu almoço? rs

Carlos diz: rsrsrs foi não...

Marcitus diz: sabia. são todos iguais.

Carlos diz: não cozinho....emora saiba rsrsrs como asim??? todos quem??? embora

Marcitus diz: os homens em geral, rs. eu adoro cozinhar, rs

Carlos diz: rsrsrs mas eu sei, mas é que leva tempo...cozinhar só pra mim.

Marcitus diz: principalmente para quem é bom de garfo. rs

Carlos diz: Eu sei, mas não gosto.Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm. Eu sooooooooooooooooooooooou

Marcitus diz: minha especialidade: massas, peixes, saladas e sucos. alias, adoro germinar sementes.

Carlos diz:Hummm que elgal!!!!!!

Marcitus diz: eu por mim só comeria brotos de alfafa com file de salmão. prefere vinho, cerveja, uisque ou licor? O q um homem bebe diz mto sobre ele. rs

Carlos diz: E se ele não beber nada????

Marcitus diz: tb gosto de servir café da manha na cama, mas não a ponto de deixar o cidadão mal acostumado.

Carlos diz: rsrsrrs. sorte do seu namorado

Marcitus diz: se ele bebe somente agua (ou sucos) já dá pra se ter uma ideia

Carlos diz: rsrsrsr. é o meu caso

Marcitus diz: não sei. não poderia falar por ele.

Carlos diz: Ele deve ter sorte. Começou a chover aqui agora

Marcitus diz: adoro chuva, principalmente qdo estou debaixo do edrodon, rs
 eu acho q ele tinha sorte. mas não é bom falar no "falecido". costuma não dar sorte. rs

Carlos diz: rsrsr desculpa...pensei que ainda estivesse com ele...

Marcitus diz: o q passou passou. agora é bola pra frente. não estamos juntos há algum tempo

Carlos diz: Entendi

Marcitus diz: parodiando o poetinha: "foi eterno, enquanto durou."rs. gosta de literatura ou prefere cinema?

Carlos diz: Hoje, mas cinema

Marcitus diz: hmmmm... cinema ou DVD (TV a cabo)?

Carlos diz: Os três

Marcitus diz: depois q inventaram a facilidade do DVD e do pay-per-view, nunca mais quis enfrentar transito
e fila em shopping, rss. sou mto caseiro.

Carlos diz: Eu gosto da telena

Marcitus diz: eu tb rs. aliás, tudo pra mim é melhor no surpelativo, rs

Carlos diz: rsrsrsr

Marcitus diz: a proposito, qual seu tipo de filme favorito?

Carlos diz: Cara, eu gosto de tudo... eu vejo tudo

Marcitus diz: gosto de policiais, faroestes e comedias romanticas

Carlos diz: Eu gosto de tudo

Marcitus diz: mas sou apaixonado pelos filmes alternativos, cults e de arte

Carlos diz: legal

Marcitus diz: há algum filme q te definiria?

Carlos diz: Que pergunta difícil....parece uma dinâmica rsrsrsr não me lembro de cabeça

Marcitus diz:kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. obrigado

Carlos diz: rrsrsrsrs.Próxima

Marcitus diz: se isso foi um elogio. não tive a intenção de lhe incomodar. foi apenas um pergunta despretensiosa. agora é sua vez. rs

Carlos diz: rsrsrsr eu sei, mas é que não dei conta de responder...fiquei com medo de perder a vaga.

Marcitus diz: hoje estou mto verborrágico

Carlos diz: rsrsrrs

Marcitus diz: bobagem. se pensar bem a vaga nunca deixou de ser sua. vc apenas não quis preenchê-la (perdão pelo trocadilho)kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Carlos diz: Está de barba ainda ou só na foto? rsrsrrs eu tenho chance de conseguir uma vaga.

Marcitus diz:domingo, completará uma semana. pq vc gosta?

Carlos diz: Gostei

Marcitus diz: só costumo me barbear uma vez por semana. até pq não tenho necessidade de me barbear
todos os dias. se assim fosse, eu o faria.

Carlos diz: Mas na foto parace estar bem mais de uma semana

Marcitus diz: tem chance sim.

Carlos diz: Hummmmm. Vou largar meu trabalho então

Marcitus diz: sim, foto eu tirei no final das minhas ferias. larga não. nada impede de vc ter dois empregos. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Carlos diz: então não está mais assim. ok...vou continuar na noite então...sou coroa de programa ...eu era garoto de programa, mas a idade foi chegando...

Marcitus diz: tem uma semana q não me barbeo, mas se for necessario eu a deixo crescer.

Carlos diz: Hummmm

Marcitus diz: uisques mais velhos costumam ser o mais caros, não?

Carlos diz: Sim... Bem, vou ter de ir nessa...depois nos falamos acabou a minha folga. Brincadeira...não sou coroa de programa não...ia morrer de fome. Vou para academia agora.

Desculpe estar saindo correndo, mas se não me atraso...ainda vou trabalhar.

Marcio: Vas-y

Humor para poucos

ttvheloa: ikebana

ttvheloa: ikebana: "Ikebana (Arranjo Floral) Ikebana é a tradicional arte japonesa de arranjar flores, folhas e hastes cortadas, em vasos ou outros rec..."
"Don't let your inner editor convince you that this isn't worth your time, or that you should start over, or—even worse—that you should start over some other time."

email from Lindsey (NaNoWriMe)

9 de nov. de 2010

O Hach (pronuncia-se assim) se ausentará durante o mês de novembro. Decidiu revisar todos nossos posts e as  anotações, juntamente com seus versos, cartas e  fragmentos de textos jamais publicados. Foi a solução encontrada para que ele pudesse cumprir a meta do NaNo 2010. Violara o primeiro princípio da brincadeira. Mas para o Hach escrever tornara-se fácil como pular do trampolim de 10 metros. Bastava coragem. Difícil era reescrever, revisar; encontrar verbos suficientemente esclarecedores:  livrar-se dos adjetivos, da simplicidade dos verbos de ligação, dos advérbios negativos, das conjunções coordenativas, da presunção, da hipocondria, da procrastinação e do celular que tocava o todo momento interrompendo seus propósitos.