27 de abr. de 2011

Eu me sabotava, enquanto os outros observavam atônitos a tragicomédia anunciada. No meu monólogo sem falas e figurino, apenas a iluminação tinha importância. Meu lado sombrio da alma reluzia, ouro, prata, safira, brilhantes, as lágrimas eram sinceras e os aplausos, névoa entorpecente. Até que um dia, o dia amanheceu. E não havia nada ali, além do cheiro forte de urina dos cães de rua.

20 de abr. de 2011

Tenho que atualizar isso aqui, mas escrever está ficando difícil. As palavras tem fugido de mim. Na mente, nenhum pensamento. Vou parar de tomar essa droga. E voltar a beber.

4 de abr. de 2011

Banho de gato

O tempo me devora. O rascunho permanecerá. Cada erro, o editor se encarregou de corrigir, suprimir, revisar. A solidão desliza pela face. O coração agradece. Gabi pede um afago. Olho e ignoro. Seu pai está escrevendo. A tese da minha vida. Ao estudar a propaganda, na qual o apartamento cuja a janela de onde se pode contemplar a skyline de Nova Iorque, confrontou-se com os fatos. Como consegui fazer isso da minha vida? Até o ajudante do piscineiro tem mais dentes na boca do que minha pessoa. Paro e leio o que poderia ser um primeiro parágrafo. Respiro fundo e continuo. Acho que ao relê-lo daqui há alguns anos não conseguirei identificar o autor. Digito catando as letras pelo teclado com medo de errar na escolha precisa das palavras. A doença do perfeccionismo alimentado pela descrença em si próprio. Gabi se levanta, foi dormir no sofá da sala, suponho. Nem ela suporta esse cheiro de tristeza que exala forte quando tomo uma decisão cujo o cumprimento ou não dependerá de quanto durar o desconforto no peito. Algo por dentro de mim se aperta, se torce e retorce, como se ainda houvesse vida dentro de mim. Ao contrário do último araticum, queimado por fora, mas com seiva por dentro; a seca se instalou aqui dentro em algum lugar e queima silenciosamente sem fazer fumaça. Preciso continuar, mesmo com as gotas de suor a escorrer pelo rosto, caindo pelo teclado. Nem quando me masturbo transpiro tanto assim. A pretensiosa idéia de começar finalmente a transformar minha história de vida em literatura me assusta, mais do que me tira o sono. Na cama deitado, vou ficar pensando na estrutura do enredo. Como vou reorganizar temporalmente os fato na narrativa? A infância vai ser contada no início ou em forma de reminiscência? Preciso me apoderar das técnicas literárias dadas. Analisá-las com o mínino de inteligência que os candidados ao Nobel costuma apresentar. Já eu que nunca ganhei nada (Ele respiraria fundo ao conseguir se livrar do cacófato, Jacquie (leia-se: jaqui), ao inserir o pronome eu entre a locução adverbial de... justificativa?? perderia o ritmo da frase, a sequencia da idéia e o leitor hipotético que iria interromper a leitura sem saber que o protagonista da peça chorou ao visualizar mentamente toda frase. A lembraça do pai ainda o abala emocionalmente. As lágrimas o atrapalham a visão, mais do que a tempestade o atrapalhara a ouvir a festa rave na rua de cima de onde ainda deve morar e se perderia para sempre a continuação da frase responsável por toda essa digressão. Subterfúgios, máscaras que lhe a ajudavam a respirar quando receio ser pedante lhe imobilizava os dedos. Reler o parágrafo não me fizera bem. A solução do cacófato mudara o sentido da frase anterior a ele. Está ficando maçante! ... nem mesmo um abraço do meu pai, pelo menos me permito sonhar com o improvável, com fatos além de mim ou... Espera! Funcinou. Estou satisfeito. Vou dormir. Acho que daqui há alguns ao encontrar esse texto perdido entre os milhares de documentos salvos de tão mal arquivados, conseguirei me reconhecer nele. E vou me orgulhar mais do que do brilho das orações bem concatenadas. Posso ouvir a gargalhada por saber que o ridículo da vida não se limita ao Tempo, somente ao Espaço. Esse toshiba não está nos ajudando.

12 de mar. de 2011

Farelo de pães sobre a cama. O resumo de um dia antes do alvorecer. Dilacero com os dentes o cordão que nos unia. É carnaval. Não precisamos mais usar máscaras.

26 de fev. de 2011

As Flores da Páscoa: primeiras notas. Fundamentação teórica


Pureza, originally uploaded by tonialon.

mutável e o imutável
movimento e permanência
materialidade e a essência formam o todo que pode ser também o nada

principio da dualidade: pai e filho, yin e yan

Dualidade todo inseparável

Todo e Nada: Espírito Santo (Cristianismo), Prana (Hinduísmo), Qi (Taoísmo)



Pai Filho Espírito Santo
óvulo, Espermatozóide, ovo
Pólen óvulo fruto
(fixo) (em movimento) (em movimento/fixo)

O que é literatura? Para que e para quem escrever?

diante de um objeto: que? 
                                 por que?( razão, motivo, causa) 
                                como? 
                                para que? (finalidade) 
                                para quem? 

ao escrever, vou descobrindo

Filosofia e literatura: O risco do solilóquio

" 'o primeiro ensinamento filosófico é perguntar: O que é o útil? Para que e para quem é o útil?' "

Idéias filosóficas em forma literária

" 'Tudo é dor/ e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor'. É simplesmente outro jeito de falar das 'quatro nobres verdades' de Buda. Ele ensinava que a dor é parte da experiência humana, e que ocorre porque nos apegamos ao aspecto passageiro das coisas, e não à sua essência, que é eterna. Se nos apegamos a algum bem material, por exemplo, estamos automaticamente nos condenando à dor, porque não há nada material que não seja destruído pelo tempo. Então quando esse bem não existir mais, sentiremos dor." [grifo nosso]

25 de fev. de 2011

Ainda na sessão de anteontem, Oscar 2011

--  Qual o seu maior sonho?
--  Humm mmm...
--  Não tenha vergonha. Pode ser o mais absurdo de todos.
-- ... hummm... ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original. Não é pela fama e ou pela glória, nem pelo dinheiro. Seria como ascender ao Monte Olimpo. Estar novamente junto com aqueles que eu amo, admiro e me espelho, junto daqueles que se sacrificam pela arte, mesmo que para isso tenham que fazer concessões...
-- E o que você tem feito para realizar seu sonho?
--  Tenho lido e escrito diariamente, não o tanto que eu gostaria, mas o tanto que posso. Tenho estudado... observado atentamente tudo que acontece ao meu redor... Busco me informar como o sistema funciona e como eu posso e devo me inserir nele...
Toc-toc-toc. Alguém interrompera a sessão e  minha fala, para entregar a chave da secretaria à psicóloga. Agora estamos realmente a sós, pensei. E isso não faz a mínima diferença.

Na sessão de anteontem

"O indivíduo é formado por várias dimensões: profissional,  intelectual, corporal, social, ... Como você tem cuidado de cada uma delas?"
"Ele se enxerga através do olhar do outro."

24 de fev. de 2011

Coração restrito, mente fumegante

Estive tão perto dele, mas não tive coragem de lhe cumprimentar. Foi melhor assim, eu poderia nunca mais sair da sala de projeção, acreditando mais na ficção do que na realidade

glee- what if god was One of Us

19 de fev. de 2011



Diary 1881, originally uploaded by reform.

"O diário de uma das minhas avós", interrompeu Martyn, fazendo uma viravolta com os braços cheios de livros. "Que velha senha excêntrica" ela deve ter sido! Eu mesmo nunca consegui manter um diário. Embora tentasse várias vezes, nunca consegui escrevi em nenhum além de 10 de fevereiro. “Mas aqui, olhe só”, e ele se debruçou sobre mim, apontando com o dedo, "aqui estão janeiro, fevereiro, março -- e assim por diante --doze meses ao todo.”
"O senhor então já o leu?, perguntei, esperando, ou melhor, desejando que ele dissesse não.
"Oh, já li sim", disse ele sem refletir, como se isso não passasse de uma desimportante empreitada. " Levei algum tempo para me acostumar com a letra, e é esquisita a ortografia da nossa velha donzela. Mas há coisas bem singulares aí. Aprendi com ela, desse ou daquele modo, muitas coisas sobre a terra.” E ele bateu na papelada de leve, meditabundo.
"O senhor conhece também a história dela?", perguntei.
"Joan Martyn", começou ele, como uma voz de ator em cena, "nasceu em 1495." Era filha de Giles Martyn. A única filha. Ele porém teve três filhos; nós sempre temos filhos homens. Ela estava com 25 anos quando escreveu este diário. Viveu aqui a vida toda -- nunca se casou. Na verdade morreu aos 30. Acho que a senhora poderia ir ver o túmulo dela, lá onde está junto com os outros.


Woolf, Vírginia. Contos Completos. Trad. Leonardo Fróes. CosacNaify.1ª Ed

18 de fev. de 2011



Parque da Cidade, originally uploaded by fontesfilipe.
Tenho pavio curto. E eu sou uma mina terrestre. Pisou, explodiu. E meu perímetro de destruição é maior do que você possa imaginar. Refresco-me tomando um gole da coca light. O Bruto sorri e se recolhe num semblante cerrado. Ele pensa na fechada que levou no cruzamento, na perseguição, nas trocas de ofensas. Isso aqui não é selva, macaco! E quando dois machos descem do carro, decididos a se enfrentar, o firmamento se esconde atrás de um céu nublado, as luzes da cidade mostram-se insuficientes para iluminar os ânimos das idéias. Eles se encaram, levantam a guarda e se estudam, a não ser que um deles desça com arma em punho e faça mira. Atira se for homem. O barbeiro não sabia com quem ele estava lidando. Luciano, baixa essa arma e vamos embora! A diferença de vocês dois e uma criança é o tamanho do brinquedo. A gente aprende que nessas horas quem se recolher é considerado covarde. Ninguém se move. Até se ter a idéia de ligar para o 190 e fazer a denúncia. Estamos na altura da 409 sul, em frente a Igreja Santa Rita. De longe se sentia o cheiro da autoridade se aproximando. Sejamos inteligentes, ninguém aqui quer passar o noite detido. Desculpa ai, cara. Luciano entra no carro que a polícia está chegando. E se o doido viver atrás da gente? Se ele tiver anotado a placa? Vai para casa, vai na paz e você vai se desfazer dessa arma. Não me empurra. Entra no carro agora e me dá a chave. O inteligente saiu fritando pneus, demarcando seu território. E os amantes mudaram seus planos, se dirigiram a um bar, ao invés do motel, onde o silêncio da mudez fermentou a raiva, onde a reputação do macho alfa arfava pensamentos de injúria sobre aquele que lhe protegeu a vida. Os beijos trocados no estacionamento da piscina de ondas do parque da cidade serviram apenas para transmutar o ódio do coração para a pélvis. E assim a previsão das runas se confirmou: até a alvorada do novo dia, alguém ia sair machucado e água perdoaria toda mágoa.

17 de fev. de 2011



doves in flight, originally uploaded by Temari 09.
Ontem, eu alimentava os pombos.
Hoje, são eles que me alimentam.
Sua paz invade meu interior,
me serve de escudo.
Com suas penas, confecciono fantasias
que jamais usarei.
Dos empalhados, faço semi-jóias,
Dos correios, faço amizades.
Os das estátuas me inspiraram.
Os da rede elétrica me observam.
Na praça marquei um encontro,
onde os aves me faziam sala,
era uma festa em revoada.
Se eu chorava, era de alegria,
não de tristeza.
Se eu lhe esperava,
era porque os pombos se faziam de cupidos,
na esperança de testemunhar um amor,
que jamais deveria ter saído dos limites do virtual.
Agora eu sei o que acontece quando o pombos choram.
O tempo escurece e todos vão embora.

16 de fev. de 2011

Meus hábitos de leitura

SAU_9152
Gosto de ler trechos de livros em voz alta para outras pessoas.

Tenho preferência por romances. Mas leio também contos, crônicas, poesia, peças de teatro, ensaios, teoria literária e teses, nessa ordem de preferência.

Gosto de ler biografia dos autores, quando possível.

Gosto de ler o livro do começo ao fim, sem pular páginas, nem adiantar ou ler o final da história, mesmo que isso leve meses.

Gosto de ler os clássicos que ninguém conseguiu ler.

Gosto de alternar minhas leituras entre estrangeiros e nacionais, clássicos’ e contemporâneos, homens e mulheres, heteros e gays, consagrados e os desconhecidos.

Não leio qualquer tradução, tampouco qualquer edição.

Não leio orelha, nem a contracapa de livros.

Detesto orelhas e contracapas que trazem fotografias do escritor.

Gosto de ler jornais assim que me levanto, com suas as páginas organizadas, enquanto tomo meu desjejum, mas nem sempre isso está sendo possível;

Gosto de ser o primeiro a ler a Veja quando chega em casa, antes de todo mundo, mesmo que seja para passar raiva.

Gosto de folhear o jornal de domingo. Às vezes, leio-o todo.

Gosto de ler os sites de jornais online.

Gosto de ler blog de escritores amadores.

Gosto de escolher um escritor por vez para ler sua obra em ordem cronológica de edição.

Ignoro best-sellers  e mega-sellers

Não leio entrevistas de escritores consagrados pela crítica e/ou público.

Não leio resenhas.

Leio poesia me voz alta.

Não leio livros que estejam em lista dos mais vendidos.

Evito ler livros que tenham sido premiados recentemente. Vai para o final da fila.

Leio cadernos literários com muita desconfiança e senso crítico.

Não corro para ler um livro só porque ele foi adaptado para o cinema. Vai para o final da fila.

Não leio livros expostos na vitrine da livraria, aliás evito livrarias de shopping.

Não leio em cafés literários.

Leio peças de teatro em voz alta.

Gosto de ler livros que acabei de comprar.

Gosto de ler livros novos.

Leio livros antigos em problema nenhum.

Não leio livros de sebos.

Não risco, nem rabisco meus livros, tampouco uso marcadores de páginas.

Leio com lápis e papel nas mãos.

Leio quando estou entediado.

Não consigo ler sozinho em casa.

Gosto de ler em bibliotecas públicas.

Não consigo ler quando estou me sentindo só.

Ler para mim é um ritual. Luz, postura, apoio do livro, cadeira, mesa, lápis, papel A4 e uma garrafa grande
de água.

Gosto de reler um livro que me arrebatou quando estou aguardando no consultório médico, ou na fila do banco ou da rodoviária.

Gosto de ler na sala de embarque.

Gosto de ler enquanto me desloco, seja de navio, avião, trem, ônibus ou carro.

Não leio na cama.

Faço o possível para sempre ler confortavelmente sentado e com iluminação apropriada.

Leio e-books, mas prefiro ler no papel.

Leio brochuras contrariado.

Leio edições de luxo com imensa satisfação.

Todos meus livros possuem selo de ex-libris.

15 de fev. de 2011


Pati de llums, originally uploaded by jc espanol.

Onde está escrito que viver é fácil? Lembre das aulas de história antiga. Volte a estudar história contemporânea. O sofrimento permeia as civilizações. Nem mesmo os imperadores protegidos nos seus palácios adornados de ouro e jóias deixavam de sofrer, de fome ou de amor. É inevitável. O sentido da vida consiste em sobreviver às dificuldades, me desculpe Ricardo Reis, na pessoa de José Saramago, que me ensinou... Não! A frase saiu da boca do mensageiro do hotel: “quanto ruim, nunca pior”. Com sua permissão, meritíssimo, eu chego à conclusão que a situação pode sim piorar. Então, abandono esse ranço de pessimismo que me acompanha desde que tomei conhecimento da sua obra, para me voltar ao sol do otimismo, bem clichê: “dias melhores virão”. Não importa se eu não estarei aqui para presenciá-los. Uns semeiam, outros colhem. Quando se está morrendo, cabe a gente amparar os amigos, acalmar os parentes, sorri para os médicos, estender o braço à enfermeira para que ela aplique a injeção com a medicação. Pegar o livro da cabeceira e continuar a lê-lo. Se a morte é tabu (suspenso somente em condições extremas) tanto no meio hospitalar, quanto fora, não vamos convidá-la para jogar truco conosco. Bergman é maluco em nos mostrar que poderíamos desafiar a morte numa partida de xadrez. O sueco entende da vida e nos ensina, quando tiveres que enfrentá-la use suas armas, seu talento, seu dom. Deus na sua crueldade incomensurável, quando nossa futura mãe entra em trabalho de parto, toma de volta nossas asas, era apenas uma outorga, e nos joga no mundo. Se eu chorei não foi por causa da palmadinha, era choro de desespero em saber que não mais cantaria para o Senhor. Em contrapartida, Ele nos presenteia com uma habilidade. Este “vai ser gauche na vida”; aquele vai ser todo ruim. Caberá a mim e a ninguém mais descobri-la ou desenvolvê-la. Em momento nenhum, alguém diz que será fácil. Revelar ao mundo nossas aptidões confunde-se com o próprio viver e cultivá-las, apesar das rasteiras e voadoras, socos e pontapés, demonstra nossa capacidade de sobrevivência.

14 de fev. de 2011


IMG_0044, originally uploaded by b56n22.

Por que a gente bebe, mesmo sabendo que no outro dia acordaremos com a cabeça desparafusada, vomitando a alma? Já é Valentine’s Day. Por que a gente vai para cama com sujeitos que fustigam nossa carne a ponto dos Doutores Proctologistas notificarem as autoridades policiais? São Valentino passa a ser meu santo de devoção. Você vai passar por outro exame, corpo delito. Aguarda aí. O problema não era ficar nu perante o legista e o assistente; o problema era disfarçar a sensação de prazer ao fitar nos olhos castanhos amendoados do médico-chefe. Tenho medo de bisturi e agulha, mas não nas mãos do Doutor Altivez que acabara de entrar pela enfermaria perguntando pelo paciente. Ele não anda, ele marcha. Ele não pede, ele manda. Vai doer chefe. Nessas horas a gente perde a audição, como se os ouvidos estivessem sendo entupidos por potentes protetores auriculares; a vista se escurece lentamente, restando-nos pequenas luzes piscando. Você se entregaria ao sono, caso a voz, semelhante ao do Pai a nos dizer o quanto nos ama, não lhe chamasse repetidamente pelo nome. Nem comecei a sutura. Minha pele ouriçada, não por causa do ventilador ligado, mas por causa das ásperas mãos peludas afastando minhas nádegas. Se doer, você fala. Com certeza! Não vai doer mais do que as palavras do Catão. Eu sou homem. Eu gosto é de boceta. Sério, querido? Um fato não exclui o outro. Seus argumentos eram mais convincentes quando sentávamos lado a lado na aula de Topografia e Fotogrametria. Não tenta se justificar, ocultando o desejo que lhe estorva o sono. Brutus, o carioca previsível, havia me perguntado: você é capaz de ser fiel a um homem só? Sim. Com certeza. Quando a gente se completa... Desde que tome a primeira dose. Fala logo, porque se eu te pego com outro, eu te atropelo. Eu já tenho dois processos na justiça. Não quero mais fazer bobagem. Não quero perder essa oportunidade. O diabo mora na carência dos corações ausentes. Meu Valentine viajou e eu não sei como trabalhar a solidão. A literatura ajuda, ora confude. A gente acata a ordem de entrar no galpão destruído pelas chamas, para trabalhar nos rescaldos. Catão, do resíduo da nossa história sobraram apenas cinzas e hematomas. Estas, eu esconderei dos críticos. Aquelas, o vento se encarregará de dispersá-las, como se estivessem levando embora a lembrança do meu primeiro valentine.