19 de fev. de 2011



Diary 1881, originally uploaded by reform.

"O diário de uma das minhas avós", interrompeu Martyn, fazendo uma viravolta com os braços cheios de livros. "Que velha senha excêntrica" ela deve ter sido! Eu mesmo nunca consegui manter um diário. Embora tentasse várias vezes, nunca consegui escrevi em nenhum além de 10 de fevereiro. “Mas aqui, olhe só”, e ele se debruçou sobre mim, apontando com o dedo, "aqui estão janeiro, fevereiro, março -- e assim por diante --doze meses ao todo.”
"O senhor então já o leu?, perguntei, esperando, ou melhor, desejando que ele dissesse não.
"Oh, já li sim", disse ele sem refletir, como se isso não passasse de uma desimportante empreitada. " Levei algum tempo para me acostumar com a letra, e é esquisita a ortografia da nossa velha donzela. Mas há coisas bem singulares aí. Aprendi com ela, desse ou daquele modo, muitas coisas sobre a terra.” E ele bateu na papelada de leve, meditabundo.
"O senhor conhece também a história dela?", perguntei.
"Joan Martyn", começou ele, como uma voz de ator em cena, "nasceu em 1495." Era filha de Giles Martyn. A única filha. Ele porém teve três filhos; nós sempre temos filhos homens. Ela estava com 25 anos quando escreveu este diário. Viveu aqui a vida toda -- nunca se casou. Na verdade morreu aos 30. Acho que a senhora poderia ir ver o túmulo dela, lá onde está junto com os outros.


Woolf, Vírginia. Contos Completos. Trad. Leonardo Fróes. CosacNaify.1ª Ed

18 de fev. de 2011



Parque da Cidade, originally uploaded by fontesfilipe.
Tenho pavio curto. E eu sou uma mina terrestre. Pisou, explodiu. E meu perímetro de destruição é maior do que você possa imaginar. Refresco-me tomando um gole da coca light. O Bruto sorri e se recolhe num semblante cerrado. Ele pensa na fechada que levou no cruzamento, na perseguição, nas trocas de ofensas. Isso aqui não é selva, macaco! E quando dois machos descem do carro, decididos a se enfrentar, o firmamento se esconde atrás de um céu nublado, as luzes da cidade mostram-se insuficientes para iluminar os ânimos das idéias. Eles se encaram, levantam a guarda e se estudam, a não ser que um deles desça com arma em punho e faça mira. Atira se for homem. O barbeiro não sabia com quem ele estava lidando. Luciano, baixa essa arma e vamos embora! A diferença de vocês dois e uma criança é o tamanho do brinquedo. A gente aprende que nessas horas quem se recolher é considerado covarde. Ninguém se move. Até se ter a idéia de ligar para o 190 e fazer a denúncia. Estamos na altura da 409 sul, em frente a Igreja Santa Rita. De longe se sentia o cheiro da autoridade se aproximando. Sejamos inteligentes, ninguém aqui quer passar o noite detido. Desculpa ai, cara. Luciano entra no carro que a polícia está chegando. E se o doido viver atrás da gente? Se ele tiver anotado a placa? Vai para casa, vai na paz e você vai se desfazer dessa arma. Não me empurra. Entra no carro agora e me dá a chave. O inteligente saiu fritando pneus, demarcando seu território. E os amantes mudaram seus planos, se dirigiram a um bar, ao invés do motel, onde o silêncio da mudez fermentou a raiva, onde a reputação do macho alfa arfava pensamentos de injúria sobre aquele que lhe protegeu a vida. Os beijos trocados no estacionamento da piscina de ondas do parque da cidade serviram apenas para transmutar o ódio do coração para a pélvis. E assim a previsão das runas se confirmou: até a alvorada do novo dia, alguém ia sair machucado e água perdoaria toda mágoa.

17 de fev. de 2011



doves in flight, originally uploaded by Temari 09.
Ontem, eu alimentava os pombos.
Hoje, são eles que me alimentam.
Sua paz invade meu interior,
me serve de escudo.
Com suas penas, confecciono fantasias
que jamais usarei.
Dos empalhados, faço semi-jóias,
Dos correios, faço amizades.
Os das estátuas me inspiraram.
Os da rede elétrica me observam.
Na praça marquei um encontro,
onde os aves me faziam sala,
era uma festa em revoada.
Se eu chorava, era de alegria,
não de tristeza.
Se eu lhe esperava,
era porque os pombos se faziam de cupidos,
na esperança de testemunhar um amor,
que jamais deveria ter saído dos limites do virtual.
Agora eu sei o que acontece quando o pombos choram.
O tempo escurece e todos vão embora.

16 de fev. de 2011

Meus hábitos de leitura

SAU_9152
Gosto de ler trechos de livros em voz alta para outras pessoas.

Tenho preferência por romances. Mas leio também contos, crônicas, poesia, peças de teatro, ensaios, teoria literária e teses, nessa ordem de preferência.

Gosto de ler biografia dos autores, quando possível.

Gosto de ler o livro do começo ao fim, sem pular páginas, nem adiantar ou ler o final da história, mesmo que isso leve meses.

Gosto de ler os clássicos que ninguém conseguiu ler.

Gosto de alternar minhas leituras entre estrangeiros e nacionais, clássicos’ e contemporâneos, homens e mulheres, heteros e gays, consagrados e os desconhecidos.

Não leio qualquer tradução, tampouco qualquer edição.

Não leio orelha, nem a contracapa de livros.

Detesto orelhas e contracapas que trazem fotografias do escritor.

Gosto de ler jornais assim que me levanto, com suas as páginas organizadas, enquanto tomo meu desjejum, mas nem sempre isso está sendo possível;

Gosto de ser o primeiro a ler a Veja quando chega em casa, antes de todo mundo, mesmo que seja para passar raiva.

Gosto de folhear o jornal de domingo. Às vezes, leio-o todo.

Gosto de ler os sites de jornais online.

Gosto de ler blog de escritores amadores.

Gosto de escolher um escritor por vez para ler sua obra em ordem cronológica de edição.

Ignoro best-sellers  e mega-sellers

Não leio entrevistas de escritores consagrados pela crítica e/ou público.

Não leio resenhas.

Leio poesia me voz alta.

Não leio livros que estejam em lista dos mais vendidos.

Evito ler livros que tenham sido premiados recentemente. Vai para o final da fila.

Leio cadernos literários com muita desconfiança e senso crítico.

Não corro para ler um livro só porque ele foi adaptado para o cinema. Vai para o final da fila.

Não leio livros expostos na vitrine da livraria, aliás evito livrarias de shopping.

Não leio em cafés literários.

Leio peças de teatro em voz alta.

Gosto de ler livros que acabei de comprar.

Gosto de ler livros novos.

Leio livros antigos em problema nenhum.

Não leio livros de sebos.

Não risco, nem rabisco meus livros, tampouco uso marcadores de páginas.

Leio com lápis e papel nas mãos.

Leio quando estou entediado.

Não consigo ler sozinho em casa.

Gosto de ler em bibliotecas públicas.

Não consigo ler quando estou me sentindo só.

Ler para mim é um ritual. Luz, postura, apoio do livro, cadeira, mesa, lápis, papel A4 e uma garrafa grande
de água.

Gosto de reler um livro que me arrebatou quando estou aguardando no consultório médico, ou na fila do banco ou da rodoviária.

Gosto de ler na sala de embarque.

Gosto de ler enquanto me desloco, seja de navio, avião, trem, ônibus ou carro.

Não leio na cama.

Faço o possível para sempre ler confortavelmente sentado e com iluminação apropriada.

Leio e-books, mas prefiro ler no papel.

Leio brochuras contrariado.

Leio edições de luxo com imensa satisfação.

Todos meus livros possuem selo de ex-libris.

15 de fev. de 2011


Pati de llums, originally uploaded by jc espanol.

Onde está escrito que viver é fácil? Lembre das aulas de história antiga. Volte a estudar história contemporânea. O sofrimento permeia as civilizações. Nem mesmo os imperadores protegidos nos seus palácios adornados de ouro e jóias deixavam de sofrer, de fome ou de amor. É inevitável. O sentido da vida consiste em sobreviver às dificuldades, me desculpe Ricardo Reis, na pessoa de José Saramago, que me ensinou... Não! A frase saiu da boca do mensageiro do hotel: “quanto ruim, nunca pior”. Com sua permissão, meritíssimo, eu chego à conclusão que a situação pode sim piorar. Então, abandono esse ranço de pessimismo que me acompanha desde que tomei conhecimento da sua obra, para me voltar ao sol do otimismo, bem clichê: “dias melhores virão”. Não importa se eu não estarei aqui para presenciá-los. Uns semeiam, outros colhem. Quando se está morrendo, cabe a gente amparar os amigos, acalmar os parentes, sorri para os médicos, estender o braço à enfermeira para que ela aplique a injeção com a medicação. Pegar o livro da cabeceira e continuar a lê-lo. Se a morte é tabu (suspenso somente em condições extremas) tanto no meio hospitalar, quanto fora, não vamos convidá-la para jogar truco conosco. Bergman é maluco em nos mostrar que poderíamos desafiar a morte numa partida de xadrez. O sueco entende da vida e nos ensina, quando tiveres que enfrentá-la use suas armas, seu talento, seu dom. Deus na sua crueldade incomensurável, quando nossa futura mãe entra em trabalho de parto, toma de volta nossas asas, era apenas uma outorga, e nos joga no mundo. Se eu chorei não foi por causa da palmadinha, era choro de desespero em saber que não mais cantaria para o Senhor. Em contrapartida, Ele nos presenteia com uma habilidade. Este “vai ser gauche na vida”; aquele vai ser todo ruim. Caberá a mim e a ninguém mais descobri-la ou desenvolvê-la. Em momento nenhum, alguém diz que será fácil. Revelar ao mundo nossas aptidões confunde-se com o próprio viver e cultivá-las, apesar das rasteiras e voadoras, socos e pontapés, demonstra nossa capacidade de sobrevivência.

14 de fev. de 2011


IMG_0044, originally uploaded by b56n22.

Por que a gente bebe, mesmo sabendo que no outro dia acordaremos com a cabeça desparafusada, vomitando a alma? Já é Valentine’s Day. Por que a gente vai para cama com sujeitos que fustigam nossa carne a ponto dos Doutores Proctologistas notificarem as autoridades policiais? São Valentino passa a ser meu santo de devoção. Você vai passar por outro exame, corpo delito. Aguarda aí. O problema não era ficar nu perante o legista e o assistente; o problema era disfarçar a sensação de prazer ao fitar nos olhos castanhos amendoados do médico-chefe. Tenho medo de bisturi e agulha, mas não nas mãos do Doutor Altivez que acabara de entrar pela enfermaria perguntando pelo paciente. Ele não anda, ele marcha. Ele não pede, ele manda. Vai doer chefe. Nessas horas a gente perde a audição, como se os ouvidos estivessem sendo entupidos por potentes protetores auriculares; a vista se escurece lentamente, restando-nos pequenas luzes piscando. Você se entregaria ao sono, caso a voz, semelhante ao do Pai a nos dizer o quanto nos ama, não lhe chamasse repetidamente pelo nome. Nem comecei a sutura. Minha pele ouriçada, não por causa do ventilador ligado, mas por causa das ásperas mãos peludas afastando minhas nádegas. Se doer, você fala. Com certeza! Não vai doer mais do que as palavras do Catão. Eu sou homem. Eu gosto é de boceta. Sério, querido? Um fato não exclui o outro. Seus argumentos eram mais convincentes quando sentávamos lado a lado na aula de Topografia e Fotogrametria. Não tenta se justificar, ocultando o desejo que lhe estorva o sono. Brutus, o carioca previsível, havia me perguntado: você é capaz de ser fiel a um homem só? Sim. Com certeza. Quando a gente se completa... Desde que tome a primeira dose. Fala logo, porque se eu te pego com outro, eu te atropelo. Eu já tenho dois processos na justiça. Não quero mais fazer bobagem. Não quero perder essa oportunidade. O diabo mora na carência dos corações ausentes. Meu Valentine viajou e eu não sei como trabalhar a solidão. A literatura ajuda, ora confude. A gente acata a ordem de entrar no galpão destruído pelas chamas, para trabalhar nos rescaldos. Catão, do resíduo da nossa história sobraram apenas cinzas e hematomas. Estas, eu esconderei dos críticos. Aquelas, o vento se encarregará de dispersá-las, como se estivessem levando embora a lembrança do meu primeiro valentine.

Emocionado, Ronaldo confirma adeus ao futebol aos 34 anos

Esse tal de Ronaldinho, O Fenômeno, como ator, é um excelente jogador. Tive a impressão durante toda sua  entrevista na qual anunciou sua aposentadoria prematura que ele esforçara para chorar. (Depois de assistir Jerry Maguire, A Grande Virada,1996, todas as lágrimas passaram a ser de crocodilo. Choro só aquele contido, chorando por dentro tal qual ao da  nossa presidenta). Fiquei com vergonha por ele. Já vai tarde, Fofucho. Vê se trata da sua doença, crônica, por sinal. Acho que a vida da gente vale mais do que qualquer contrato milionário. Desde a final de 1998, na França, na qual  tal Fenômeno e Cia PERDERAM a Copa do Mundo que não suporto esse cidadão. Os jornalistas na época escreveram que ele teve uma convulsão e mesmo assim teve que entrar em campo, talvez obrigado pela deusa Nike, não a da Samotrácia (GRE), mas a de Oregon (EUA), na pessoa do Sr. Zé Galo. É isso que acontece, quando nossa motivação se baseia na fama, na glória, no sucesso. Hollywood é o sucesso. Para quem não se lembra da propaganda procure no YouTube. É linda, emocionante, assim como é emocionante rever Ronaldinho, O Fenômeno, driblando os zagueiros e chutando cruzado. Mas a gente não vive só de emoção, de espetáculo. A realidade é muito mais interessante. E sabê-la interpretá-la é mais que um dom, é uma arte, a arte do senso crítico que muitos tuiteiros preferem ignorar.

12 de fev. de 2011

um pequeno sol de bolso

"Muitos escritores afinam o ouvido para a prosa começando o dia com uma leitura estimulante, um pouco de prosa perfeita."


Me alegra ler, mais que me inspira, escritores iniciantes blogando sem nenhum ranço daquele pedantismo cheirando à Lord Cuenca ou Lady Averbuck. Pela manhã, preciso ler os jornais de ponta a ponta, para só depois submergir na produção de algum mestre. Virgínia Voolf tem me ensinado boas maneiras, mas sou indisciplinado e continuo a correr atrás pipas, na esperança de pegar alguma delas.

11 de fev. de 2011

Midan al-Tahrir, daqui a algumas horas seremos apenas nós.



Praça de Tahrir Cairo, originally uploaded by brunosaraiva84.
Hoje estou disperso, desconcentrado, inquieto. A todo momento confiro na tela do celular o andamento da História. Você está no mundo da Lua, dizem uns; presta atenção no trânsito, dizem outros. Minha alma não está aqui, meu coração bate longe. Se me perguntam onde eu gostaria de estar, responderia imediatamente: em Tahrir, respirando o ar que move o povo contra arbitrariedade dos homens. Nesse capítulo da História contemporânea sou apenas espectador privilegiado. Vou tirar o resto de dia de folga. É sexta-feira mesmo. Vou chamar uns amigos e estacionar nossos carros na porta da embaixada do Egito. Um buzinaço poderá ser ouvido de longe, caso a justiça seja feita.

Adolescente iraniano conduzido à morte


GAY IRANIAN TEEN LED TO DEATH, originally uploaded by anemi.

Por enquanto, não consigo pensar em nada. Preciso antes absorver o impacto da fotografia.

10 de fev. de 2011

Palavras | Virginia Woolf

A solidão infiltra-se pelas paredes do meu quarto qualificando minhas esperanças menores. A chuva traz a noite, onde o sol insiste em brilhar ofuscando a lua, minha companheira de cantata. Estou sozinho no meu quarto, em casa, sozinho na cidade que não dorme e os carros não descansam. Os amigos de infância-de rua-de escola-de faculdade-das noitadas sorriem num álbum de reminiscências. Do abajur emana a luz nostálgica das meninas que se vendem por uma latinha de skol. A calçada ferve. A efervescência marítima me lembra que sobra espaço entre minha cama e o porto onde estivadores descarregam o navio que acabou de atracar. Ligo a webcam, desbloqueio alguns convivas. Pergunto quem está disposto a acompanhar uma secular performance bizarra entre o cóccix com uma transversal tatuagem e o suado negro bíceps ornamentado por uma rama de arame farpado. Sou o diretor da minha própria inexistência na qual os atores amadores não se importam em sorrir para câmera. Assim, me livro da dita cuja e chego à conclusão que estar só, não é tão ruim assim. Sou livre para fazer o que eu bem entender, trazer para o meu apartamento quem eu bem quiser. Posso deixar a imaginação fluir enquanto pondero se compensa correr todo o risco de se expor ao perigo. Era isso que eu tinha a dizer após mergulhar nos seus contos Mrs. V. Woolf. Sua fala desdobra-se  dentro de mim incomensuravelmente.  E salvá-la como rascunho seria um erro, senão fosse a única opção. Quem para ninguém escreve, acaba falando consigo próprio numa linguagem que só Dos Anjos decifra. Desiste de me seguir, eu não presto, eu não presto, eu não presto.

Coaching Literário: Os dez mandamentos de Horacio Quiroga

Sonhei repetidas noites com Tchekhov me ensinando a escrever, lendo em voz alta meus textos, desqualificando  passagens em que eu acreditava piamente que deixaria os críticos desnorteados e conduziria os leitores a uma catarse, até que conheci James Joyce, os modernos e desemborquei na contemporaneidade dos dias e dos fatos e dos fenômenos que não se explicam, apenas se vive, se chora, se alegra ou se entristesse. Queria voltar à São Petesburgo, aos vilageros do interior da Rússia; mas estou perdido nas ruelas da Chaparral, atravessando    os becos da W3 Sul. Estou sentado nos bancos das praças nas entrequadras da asa sul procurando alguém que seja cúmplice no meu desejo de eternidade forjada.

Para reduzir gastos, Senado corta horas extras de diretores e suspende concurso

Estou imensamente feliz com essa atitude dos nossos congressistas. Os donos de cursinhos preparatórios de Brasília devem estar sacando a pistola do coldre para se suicidarem. Desde o ano passado, nas classes de preparatório para o Senado já não se achava mais vagas. Os concurseiros, então chega a ser hilário se não fosse trágico, a se perfilarem nas entradas do shopping popular Pátio Brasil, a querer saltar o muro de vidro daquele panóptico centro de consumo. Muita gente emputecida de tão embucetada abarrotam os tópicos do Twitter e do falido Orkut lamentando-se da sorte. Eu, por minha vez, me agarro ao uns dos Regimentos Internos mais complexos que eu já tive acesso. Lacan é extremante claro comparado aos que está escrito no supracitado. Hegel me faz cócegas nas orelhas. Voltaire é um alívio. James Joyce, brinquedinho de criança. Após ler aqueles artigos, Heidderger é sobremesa. A pressão retirada do meus ombros. Eu tenho que passar... Eu tenho que passar... Eu tenho que passar... Eu não tenho absolutamente nada. Eu simplesmente QUERO! E tenho tempo de sobra para me preparar.
Por fim cheguei ao apartamento onde ela morava e constatei que a placa na entrada, quando a olhei, indicava ambiguamente            -- igual ao resto de nós  -- que ela tanto estava lá quanto fora. À sua porta, bem no último andar do prédio alto, toquei a campanhia e bati, esperei e sondei; ninguém atendia; eu já começava a me perguntar se as sombras morrem, e como poderiam ser enterradas, quando veio uma criada gentil abrir a porta. Mary V. tinha estado doente por dois meses; morrera ontem de manhã, na mesma hora em que eu gritava seu nome. Nunca mais, assim, hei de encontrar sua sombra. 
Woolf, Vírginia. Contos Completos. Trad. Leonardo Fróes. CosacNaify.1ª Ed.

9 de fev. de 2011

Aproveito-me enquanto o dragão dependente de soldo dorme sua sesta para contemplar o pôr-do-sol que ilumina o aparador  perdido na sala do deserto escritório vazio. Da janela, vejo uma baía que não é a da Guanabara. Desenho uma flecha no bafo de vodca deixado no vidro. Retornemos às atividades. Novos pesos nos aguardam. No supino vou me matar. Exercício diário de uma mente amanteigada que ouve sermão do pai. "Masturbar-se pode. Desde que seja de forma eficiente.Tem umas playboys antigas guardadas (escondidas, pai) no forro." Interessante que o nu feminino esclarece todas as nossas dúvidas. Realmente somos diferentes. Mas surgem novas indagações: "o que há de baixo de tanto pêlo?" São todas muito parecidas, afinal. "Paiê, porque a Janaína não tem pêlo? "Menos, moleque" O pai perfeito,(na medida que o álcool permitia, analisado à luz refletida no retrovisor da psicoterapia comportamental-cognitiva)  forte e resistente, lindo e fotogênico, bem-sucedido e mal-pago, naquilo que havia se proposto a fazer: sumir com corpos de estranhos. Mas pai sempre deixa a água entrar em ebulição e a criança ia dormir sem saber como se escrevia jiló. (Treino ortografia sempre que a cabeça dói, mas não me adianta.)  Abro o dicionário na esperança de que algo tenha mudado. Não muda.  Se não são os pais, sempre há um amigo que insistirá em levá-lo  para experimentar uma situação extrema. "Como você vai  escrever sobre as mulheres, se nunca teve uma em suas mãos?" Um argumento assim  me desarmava, mas os deuses nunca me desamparavam: "Da mesma forma  que falo de cocaína, sem nunca ter cheirado." "Obrigado, pela parte que me cabe." "Não, há porque, irmão."   Sempre há esse amigo, um ou dois anos mais velho, a desrespeitar suas convicções e lhe propor: "Desgruda desse computador, sai dessa internet, larga esse livro. Vamos encher a cara. Dá uma volta no final da asa norte. Quem sabe a gente não dá sorte e encontra umas putas limpas de tão interessantes." Encaro demoradamente  o cidadão. Ele não pode estar falando sério. "Não foi você que disse que lhe recomendaram novas experiências? Você não vai deixar de ser gay, por rachar uma vagabunda."  Na realidade, era apenas uma galhofa, uma tentativa de me atingir no nervo.  Entre um chope e outro, entre uma dose de tequila e outra, lembrávamos o quanto meu pai havia sido liberal; o quanto seu pai havia sido conservador e nos monstros que nos havíamos tornado. Nós mesmos éramos responsáveis pelos nossos comportamentos, chegamos a essa conclusão e rimos bastante quando o garçom se confundiu  nas contas.

4 de fev. de 2011

Confesso que a voz do carioca brincando no meu ouvido me desestabilizou as emoções, mais que a sincronia dos passos. Pisei no pé dele duas vezes. "Time after time" não significa nada para mim, e jamais significará. Canções de amor servem apenas a relacionamentos ridículos. Ali, havia dois homens medindo forças. A força da palavra na forma de persuasão contra a força física de uma prensa hidráulica. "Like scrap metal", sussurrei-lhe mastigando fonema por fonema. "Não entendi." Nem entenderia. Madonna sentiu-se como uma virgem, eu me sentia como uma sucata prensada. Ele, Wall-E; eu, seu dado da sorte. A pegada era forte, chave-inglesa avantajada a me pressionar as costelas, mas eu não sou homem de pedir arrego. "Não aguenta bebe o leitinho do meu pau.", repetiria ele a exaustão, durante todo o tempo em que fomos sinceros um com o outro. O algoz e sua vítima haviam finalmente se encontrado depois de tantos desencontros. Tudo seria consensual. Do brilho da lua escorria fel, doravante o alimento da relação daquele casal, seja onde ela fosse desaguar. Estávamos no lugar errado, a hora avançada. As travestis limpando o nariz com as costas das mãos não acompanhavam o raciocínio dos nossos passos dobles. Os outros homens aproximavam-se e afastavam-se tentando captar algo. Aquele casal não pode ir embora junto de mãos dadas. Em boate gay ninguém se dá bem. Aqui é só pegação. Gozar e sair fora. Dark Room pesteado, fede à enxofre com mistura de bvlgary, armani, hugo boss, carolina herrera, calvin klein, saint laurent, issey miyake, esqueci alguém? Não! A conhecimento da fauna do parque da cidade não vai além disso.  Poderíamos continuar dançando madrugada adentro indiferente da música, ou na ausência dela. Mas ele preferiu me levar para varanda. Acendeu um cigarro. Calton, o clássico. Falta grave. Estava excitado, intumescido. E eu iria tripudiar em cima do seu discurso de periferia: " Nós é do morro, vocês é burguesia. Tudo playboy. A gente junto não vai dar certo." Poderia ter-lhe apresentado um seminário sobre cultura hip-hop, mas preferi perguntar-lhe quais eram seus cantores prediletos, (para não ser acusado depois de arrogante e pedante, como aconteceu durante nossas brigas fratricidas.) "Mano Brown, MVBill, Akon, 50¢, Tupac,..." Chega Mr. Previsível. " Como se chama aquele cara que compôs o rap da ponte? "Ãh?!" "Eu já atravessei a ponte do paraguai/ Um filme inspirou a ponte do rio que cai/ É sucesso em campinas e na voz dos racionais/ Mas a ponte da capital é demais.  Gog! "A participação do Lenine ficou show." Ele prestava atenção apenas  na fumaça espiralada que subia aos céus. Meu silêncio não foi quebrado. Assustei-me quando ele me acusou de repentinamente ter ficado mudo. "Tá pensando em outro macho?" Gaguejei, tropecei nas palavras. "Deixa eu te ajudar, eu sei o que você quer dizer. Morder na nuca, vale? Tudo vale... Vale tudo. "Suas pernas estão tremendo. É frio? Quer voltar pra dentro?" "Filho-da-puta!" "Não xinga minha mãe, não, maluco. Eu te atropelo. Eu sou bicho homem. Eu tenho sangue no olho." Meu sorriso demonstrava que o álcool diluíra todo o medo que eu costumava sentir de supostos michês homofóbicos prestes a aplicar um boa-noite-cinderela. "Na real, seus pais estão viajando?" Não conseguia respondê-lo, seus beijos me sugavam o pensamento. "Vamos?" Segurou-me pela mão me arrastando em direção a porta de serviço da boate. "Você trabalha aqui?" "O dono me deve favores." Ainda tinha tempo de me arrepender, de retroagir, dizer não, vamos nos encontrar outro dia. Um Fiat punto azul metálico enterrado com rodas de liga leve esperava seu proprietário no ponto cego das câmeras de segurança. "Vou chamar um táxi. Você espera comigo ele chegar." A proposta de me levar em casa foi recusada, afinal tratava-se de um cara que acabara de conhecer horas antes, se é que se pode chamar isso de conhecer. A gente mal se conhecia e se expunha a riscos desnecessários. "Porque não posso te levar em casa?" Como explicar àlguém que não se confia o suficientemente nela para revelar seu endereço. "Me liga. Vamos nos ver amanhã de dia." (de preferência num lugar bem movimentado). "Então, vamos para minha casa. Eu quero fazer amor com você." "Eu não faço amor, faço sexo. Amor se vive, sexo se pratica." E pela enésima vez ele me chamou de putão. Encostou meu rosto contra a parede e tentou desabotoar minha calça com a mão direita, enquanto com o esquerda imobilizava meus dois braços. "Véi, me solta." "Você não disse que gostava? Eu sou brutão-bicho-homem-tenho-sangue-no-olho-não-guenta-bebe-leite." Não era hora, nem lugar, tampouco a pessoa ideal. E convencê-lo a me deixar chamar o taxi, seria que a prova da cura do meu vício. A carne é fraca, mas o espírito é forte. Na manhã seguinte, o celular tocou antes das 8h. Brutus, ao telefone. "Oi, meu bem!" "Já está me chamando de meu bem. Desse jeito eu vou me apaixonar." "Diga!" "Me encontra na porta no zoológico, às 9h, eu chego em seguida." Eu havia acabado de ser acordado e concordei. Esquecera-me de um compromisso anteriormente agendado.

8 de jan. de 2011

Houve um tempo que as primeiras horas da manhã eram saborosas. Hoje tudo que escrevo salvo como rascunho. Talvez mais tarde.

28 de dez. de 2010

Ninguém se lembrou do caçula, no momento do falecimento daquela que ele aprendera a chamar de mãe.

12 de nov. de 2010

Quase duas da madrugada. Os diálogos do MSN se tornaram abusados de tão objetivos

[...]
X: Tem local?
x: Tenho.
X: me liga aqui [...]
[...]

11 de nov. de 2010

Marcitus diz: cai

Carlos diz: Caiu???

Marcitus diz: minha conexao caiu

Carlos diz: Machucou-se ??? rsrsrs Ah tá...

Marcitus diz: será q libriano combina virginiano? me machuquei sim, pq vc quer passar um gelou no meu hematoma? rs tem q fazer fricção com bastante força, pra surtir o efeito esperado. rs

Carlos diz: Hummm posso passar sim...

Marcitus diz: ai, ai

Carlos diz: rsrsrsr Mora com os pais?

Marcitus diz: com meu tios e vc? casado?

Carlos diz: Solteiro

Marcitus diz: sim rs e vc? namorando?

Carlos diz: Ocupado?

Marcitus diz: não. estava no site da folha, lendo as noticias

Carlos diz: ok... que trabalho bom rsrsrsrs

Marcitus diz: pois é. mas não tenho hora de almoço e só tenho hora pra chegar.  e vc está no serviço?

Carlos está convidando você para Assistência Remota. Deseja Aceitar (Alt+C) ou Recusar (Alt+Z) o convite?

Carlos diz: não, estou em casa mesmo. cliquei errado aqui

Marcitus diz:hmmmmm

Carlos diz: Estou em casa mesmo

Marcitus diz: hummmm. ok. acontece, rs. curtindo o ócio criativo? ou apenas navegando na web?

Carlos diz: Almocei ainda há pouco e estava dando um tempo para ir para academia...daí vc entrou.

Marcitus diz: hmmmm... não me diga q foi vc mesmo q preparou seu almoço? rs

Carlos diz: rsrsrs foi não...

Marcitus diz: sabia. são todos iguais.

Carlos diz: não cozinho....emora saiba rsrsrs como asim??? todos quem??? embora

Marcitus diz: os homens em geral, rs. eu adoro cozinhar, rs

Carlos diz: rsrsrs mas eu sei, mas é que leva tempo...cozinhar só pra mim.

Marcitus diz: principalmente para quem é bom de garfo. rs

Carlos diz: Eu sei, mas não gosto.Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm. Eu sooooooooooooooooooooooou

Marcitus diz: minha especialidade: massas, peixes, saladas e sucos. alias, adoro germinar sementes.

Carlos diz:Hummm que elgal!!!!!!

Marcitus diz: eu por mim só comeria brotos de alfafa com file de salmão. prefere vinho, cerveja, uisque ou licor? O q um homem bebe diz mto sobre ele. rs

Carlos diz: E se ele não beber nada????

Marcitus diz: tb gosto de servir café da manha na cama, mas não a ponto de deixar o cidadão mal acostumado.

Carlos diz: rsrsrrs. sorte do seu namorado

Marcitus diz: se ele bebe somente agua (ou sucos) já dá pra se ter uma ideia

Carlos diz: rsrsrsr. é o meu caso

Marcitus diz: não sei. não poderia falar por ele.

Carlos diz: Ele deve ter sorte. Começou a chover aqui agora

Marcitus diz: adoro chuva, principalmente qdo estou debaixo do edrodon, rs
 eu acho q ele tinha sorte. mas não é bom falar no "falecido". costuma não dar sorte. rs

Carlos diz: rsrsr desculpa...pensei que ainda estivesse com ele...

Marcitus diz: o q passou passou. agora é bola pra frente. não estamos juntos há algum tempo

Carlos diz: Entendi

Marcitus diz: parodiando o poetinha: "foi eterno, enquanto durou."rs. gosta de literatura ou prefere cinema?

Carlos diz: Hoje, mas cinema

Marcitus diz: hmmmm... cinema ou DVD (TV a cabo)?

Carlos diz: Os três

Marcitus diz: depois q inventaram a facilidade do DVD e do pay-per-view, nunca mais quis enfrentar transito
e fila em shopping, rss. sou mto caseiro.

Carlos diz: Eu gosto da telena

Marcitus diz: eu tb rs. aliás, tudo pra mim é melhor no surpelativo, rs

Carlos diz: rsrsrsr

Marcitus diz: a proposito, qual seu tipo de filme favorito?

Carlos diz: Cara, eu gosto de tudo... eu vejo tudo

Marcitus diz: gosto de policiais, faroestes e comedias romanticas

Carlos diz: Eu gosto de tudo

Marcitus diz: mas sou apaixonado pelos filmes alternativos, cults e de arte

Carlos diz: legal

Marcitus diz: há algum filme q te definiria?

Carlos diz: Que pergunta difícil....parece uma dinâmica rsrsrsr não me lembro de cabeça

Marcitus diz:kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. obrigado

Carlos diz: rrsrsrsrs.Próxima

Marcitus diz: se isso foi um elogio. não tive a intenção de lhe incomodar. foi apenas um pergunta despretensiosa. agora é sua vez. rs

Carlos diz: rsrsrsr eu sei, mas é que não dei conta de responder...fiquei com medo de perder a vaga.

Marcitus diz: hoje estou mto verborrágico

Carlos diz: rsrsrrs

Marcitus diz: bobagem. se pensar bem a vaga nunca deixou de ser sua. vc apenas não quis preenchê-la (perdão pelo trocadilho)kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Carlos diz: Está de barba ainda ou só na foto? rsrsrrs eu tenho chance de conseguir uma vaga.

Marcitus diz:domingo, completará uma semana. pq vc gosta?

Carlos diz: Gostei

Marcitus diz: só costumo me barbear uma vez por semana. até pq não tenho necessidade de me barbear
todos os dias. se assim fosse, eu o faria.

Carlos diz: Mas na foto parace estar bem mais de uma semana

Marcitus diz: tem chance sim.

Carlos diz: Hummmmm. Vou largar meu trabalho então

Marcitus diz: sim, foto eu tirei no final das minhas ferias. larga não. nada impede de vc ter dois empregos. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Carlos diz: então não está mais assim. ok...vou continuar na noite então...sou coroa de programa ...eu era garoto de programa, mas a idade foi chegando...

Marcitus diz: tem uma semana q não me barbeo, mas se for necessario eu a deixo crescer.

Carlos diz: Hummmm

Marcitus diz: uisques mais velhos costumam ser o mais caros, não?

Carlos diz: Sim... Bem, vou ter de ir nessa...depois nos falamos acabou a minha folga. Brincadeira...não sou coroa de programa não...ia morrer de fome. Vou para academia agora.

Desculpe estar saindo correndo, mas se não me atraso...ainda vou trabalhar.

Marcio: Vas-y

Humor para poucos

ttvheloa: ikebana

ttvheloa: ikebana: "Ikebana (Arranjo Floral) Ikebana é a tradicional arte japonesa de arranjar flores, folhas e hastes cortadas, em vasos ou outros rec..."
"Don't let your inner editor convince you that this isn't worth your time, or that you should start over, or—even worse—that you should start over some other time."

email from Lindsey (NaNoWriMe)

9 de nov. de 2010

O Hach (pronuncia-se assim) se ausentará durante o mês de novembro. Decidiu revisar todos nossos posts e as  anotações, juntamente com seus versos, cartas e  fragmentos de textos jamais publicados. Foi a solução encontrada para que ele pudesse cumprir a meta do NaNo 2010. Violara o primeiro princípio da brincadeira. Mas para o Hach escrever tornara-se fácil como pular do trampolim de 10 metros. Bastava coragem. Difícil era reescrever, revisar; encontrar verbos suficientemente esclarecedores:  livrar-se dos adjetivos, da simplicidade dos verbos de ligação, dos advérbios negativos, das conjunções coordenativas, da presunção, da hipocondria, da procrastinação e do celular que tocava o todo momento interrompendo seus propósitos.

6 de nov. de 2010


back to black, originally uploaded by Claudia Dias.

               Próxima segunda temos consulta com o Dr. Estranho. Eu, o cão e o curió. Foi a minha condição. Nunca me separar dos amigos. Não sei o que vai ser, mas eu acho que vou chorar, eu sempre choro diante autoridades, principalmente de delegados, principalmente em quartos de motel. Pela W2 ninguém nos via entrar. Todos sabiam que as pulgas beberiam do nosso sangue, se fosse possivel se perfumar assim tão só. Fecha parênteses. E antes da segunda-feira tem um sábado. Tenho medo dos finais de semana. Plantões, multirões, saraus, fantasias. Tenho medo. A intumescencia libidinosa não me visita. São tetas o leite que escorre virgem pelo canto da boca. São mamilos. Depois a puta aqui sou eu. Vou rasgar o verbo no consultório de quinhentos contos (era emergência, era emergência) espero que o cão confirme nossa história e o curió não me recrimine. Ah, o arroz de forno esteve perfeito. Quem reclamou, cochichou baixinho. Na hora, retruquei, se eu tivesse cozinhado somente para meu estômago, chamariam-me de egoísta. Quebra-cabeças possuem cinco mil peças, baby e não há nada que eu possa fazer pelo senhor. Quanto a discussão no palácio das togas, apenas observo. Lição acadêmica, bem assimilada. Voltemos a matemática. Status enche barriga e nos pendura cordão de ouro no pesçoco. Seco. Assim como a pele. É o frio. É o vento. É a falta de costume. É a novidade. Obrigado, Loba, pelos elogios. Vindo de você aguça o sabor da tangerina. Aos que tem lido e me ligado de madrugada, não se preocupem comigo, os planos de se jogar das cataratas do Niágara (lado estadunidense), abortei. Sim, cometi um crime. Em nome de um amor. Não há punição quando se ama demais. Contudo, tenho escrito sistematicamente cartas longas e sofisticadas. Perfume, bourbon e havanas. Nunca sabemos o cão e eu quando precisaremos de novo de dinheiro emprestado. A fundo perdido, nos lembra o Curió. Prostuição masculina tem nome. Sobrenome.
Debbie diz:
Felicidades meu amor!
Marcinho diz:
pro ce tb linda
Marcinho diz:
feliz ano novo
Marcinho diz:
estou aqui blogando para variar
Marcinho diz:
estou de licença medica
Marcinho diz:
hehehhe
Debbie diz:
pois é menino..e vc nao me mandou as coisas pro seu blog..eu nao me esqueci, viu?
Marcinho diz:
pneumonia, depressão e infecção alimentar
Marcinho diz:
eu sei
Marcinho diz:
nem mais o q eu quero fazer
Marcinho diz:
preciso aprender a usar as ferramentas q o blogger nos oferece, já estaria de grande ajuda
Marcinho diz:
colocar anuncios sei lá
Debbie diz:
credo Marcinho, vc teve tudo isso?
Marcinho diz:
www.pontocego.blogspot.com
Marcinho diz:
tive
Marcinho diz:
mas, sou um homem de fé
Marcinho diz:
Jesus cura.
Marcinho diz:
Cres?
Debbie diz:
vc é evangelico agora?
Marcinho diz:
sou catolico
Marcinho diz:
hehehhehe
Marcinho diz:
alias sou ecumenico
Marcinho diz:
falei sobre essa experiencia no meu ultimo post
Marcinho diz:
se eu não fosse religioso, não sei o q teria sido de mim
Debbie diz:
sim, vou ler.
Marcinho diz:
a depressão teria me engolido. Pois não haveria mirtazapina q desse conta da minha tristeza
Debbie diz:
credo Marcinho, eu sei como sao essas coisas.
Debbie diz:
voce tem que ter muita força e acreditar em si mesmo, na sua força acima de tudo
Marcinho diz:
é verdade.
Marcinho diz:
em momento nenhum desisti de mim mesmo. Fui um dissimulado. Um ator
Marcinho diz:
O poeta de Alberto Caeiro.
Debbie diz:
Lindo!
Marcinho diz:
tks

13:48
Minha confiança toda depositada em suas mãos, Debbie. (Como será que anda nosso amigo JP, o tarado florido). Sinta-se à vontade, meu amor, meu bem, minha querida. O diário é meu, mas o espaço está sob sua ordem. Tens permissão para subverter os diagramas e as paralelas, as abscissas e as ordenadas. O eixo permanece onde está. Enquanto adiantam o almoço, fettuccine à bolonhesa,  vou ao mercado comprar  comprar tomates maduros. Tomara que esteja pronto quando eu voltar.

A receita segue abaixo para ninguém se perder.

Molho à Bolonhesa
Ingredientes:
500 gramas de carne moída de primeira
1 lata de molho de tomates
1 cebola ralada
3 dentes de alho amassados
1 colher de chá de oregáno
1 porção de salsa picada
3 colhores de sopa de oleo
1 colher de chá de açúcar
1/2 colher de sopa de sal

Modo de Preparar:
Refogue a carne no óleo e mexa até ficar bem corada. Junte a cebola e o alho, deixe murchar bem. Adicione o molho de tomate e os demais temperos e um copo de água quente. Misture bem e deixe ferver por 20 minutos.


O guapo não lhe atendera as ligações, tampouco as retornou. Estranho esses amantes, declaram-se estar dispostos à copula, mas não suportam esperar alguns minutos. Ordenhar-se foi a solução, seguidas e seguidas vezes até não mais haver qualquer possibilidade de intumescência. Conseguiu dormir por algumas horas sem ajuda dos  azuis ansiolíticos receitados. Acordara com a idéia, com a IDEIA. A estrutura do romance foi-se desnuviando-se concatedamente, das três as cinco da madrugada. No banho, concluiu os adendos. No caminho do trabalho, elaborou a lista de convites. Resta-me torcer, sabendo de atemão: não vai dar em nada. Ele abriu editor de texto determinado a só se levantar após conseguir vislumbrar/visualizar a dourada luz fosca ao fechar os olhos para descansar da luminosidade do monitor. Desejamos-lhe boa sorte, para bem da minha sobrevivência.
Passara por um horrível acidente na ponte JK. Pedriscos espalhados pelo asfalto. Oco poste esfarelado. Petrificados homens estarrecidos aguardavam a chegada dos paramédicos do Corpo-de-Bombeiros. Podia-se perceber pelo retrovisor, as mãos em peces daqueles três moto-boys. Capacetes no chão em sinal de luto. Logo se alegrou: "já tenho o que postar hoje."

5 de nov. de 2010


RE: HELP! Tire suas duvidas sobre o NaNoWriMo

14,628 / 50,000
Official Participant
Joined: Oct 13, 2009
Location: São Paulo, SP, Brazil
Posts: 18
Posted on:
Oct 18, 2010 - 21 09
Oi, Lucas,

Você pode escrever no programa que preferir, e depois colocar no site para contar as palavras.

Se você entrar em My NaNoWriMo --->; Edit Author Info, lá tem uma aba chamada "Novel Info". [Na aba word count, o editor do NaNo faz a contagem das palavras sem vírgulas e mostra no canto direito superior nosso progresso, comparando com os demais participantes e projetando em quanto tempo terminaríamos o projeto. No meu caso, na velocidade que estou escrevendo, concluiria meu romance somente em 2057. Sarcásticos, não?] Clicando nessa aba, você verá um "Word Count Validator". Ainda não dá para inserir nada lá, mas a partir de 25/Nov, você coloca o texto lá, e ele conta para você.


Antes disso, você coloca na janelinha lá em cima da página (estará do lado do seu nome) a contagem que o próprio editor que você tiver dará (o Word, que você citou, conta quantas palavras têm o texto que você colocou). Além do site, na thread "Softwares e gadgets para o NaNo" (no fórum Elsewhere :: Brazil), há diversas sugestões de softwares e ferramentas para ajudar a acompanhar sua contagem nos 30 dias mais legais do ano! :)

Happy NaNo!

Qualquer coisa, só escrever! :)

----------


In: http://www.nanowrimo.org/es/node/3702685
"Eu já arrumei meu desafio para novembro, juntamente com milhares de pessoas espalhadas pelo mundo: escrever um romance em 30 dias! Pode não parecer um desafio muito grande para quem vive escrevendo, mas preste atenção isso significa escrever 50.000 palavras, ou 6 a 7 páginas por dia, de 1º. a 30 de novembro próximo. Que loucura é essa, afinal? Trata-se do NaNoWriMo – National Novel Writing Month(www.nanowrimo.org), um concurso mundial iniciado em 1999 e que todo ano premia os vencedores desta maratona literária não com dinheiro nem com objetos de valor, simplesmente com um certificado internacional. Desde seu início, 6.335 participantes do NaNoWriMo venceram esse desafio. Alguns foram ainda mais além e publicaram seus livros. A grande sacada é fazer com que pessoas que vivem dizendo que escreverão um livro, mas sempre adiam o seu início, assumam um compromisso público com prazo determinado para realizá-lo. Por que compromisso público? Porque você deve criar um blog específico do seu livro e abri-lo para quantas pessoas quiser, ou para o mundo todo; assim, seu progresso vai sendo acompanhado e você ainda pode receber comentários que poderão ajudá-lo no desenvolvimento do livro."[grifo nosso]
In: http://blogdopaulista.blogspot.com/2007_10_01_archive.html
"Low profile é um termo usado para indicar as pessoas que não gostam de aparecer na mídia. Não é humildade, é discrição mesmo.

É um termo mais usado no mundo artístico. As celebridades 'low profile' não costumam aparecer em revistas , tampouco criam factoídes de si mesmas."

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080114123931AABRODD

Enquanto isso, no chat do Nano



Marcinho: Bom dia, Aires! Satisfação em encontrá-lo logo cedo. 8:03
aires: Bom dia! :) 8:04
aires: Na verdade, eu estou meio de saída 8:04
Marcinho: Pudera 8:04
aires: Mas dá para falar 5 minutos, hehhe 8:04
aires: Tudo bem? 8:04
Marcinho: claro 8:04
Marcinho: tenho alguns duvidas. 8:04
Marcinho: para cumprir a meta qtas paginas tenho q escrever por dia? 8:04
Marcinho: qtas laudas? 8:05
Marcinho: e para onde envio o texto para q o nano faça a contagem? 8:05
aires: Vixe, eu não sei em laudas 8:05
aires: São 50000 palavras 8:06
Marcinho: sim, eu sei 8:06
aires: Se dividirmos 50000/30, dá
1667 8:06
Marcinho: sim 8:06
aires: Agora, como converter isso para laudas, eu não sei 8:06
aires: Até porque lauda é função do número de toques, não? 8:07
aires: E como a conta é feita com número de palavras, e não de laudas, vai depender muito - do idioma, do vocabulário, do estilo... 8:07
aires: Eu, por exemplo, tenho uma personagem que inventa umas palavras muito grandes para falar. Nas partes onde ela aparece, a média de caracteres/palavra sobre muito 8:08
aires: Nas outras, é bem menor essa relação 8:08
aires: Agora, como submeter ao NaNo: 8:09
aires: Quando você entra na sua página do NaNo, e está logado, lá no canto superior direito tem uma caixinha, entre o seu username e o botão "Update" 8:10
Marcinho: então, estava no google pesquisando 8:10
Marcinho: ok 8:10
aires: Até o dia 25, você coloca a contagem de palavras do seu editor de texto favorito, lá 8:10
aires: E é só. A ideia é ter uma referência Nov 5
Marcinho: mas eu posso ir colocando diariamente? 8:12
Marcinho: v. saberia me dizer se há mais alguém de brasília participando? 8:13
aires: Você deve ir colocando diariamente, inclusive... 8:13
aires: A partir do dia 25, quando você clicar em "My NaNoWriMo", e na opção "Edit Novel Info", no menu do lado esquerdo, vai ter uma caixa de texto para você inserir o texto todo. E essa é a validação que te marca como "Winner" - desde que você tenha atingido as 50000 palavras, hehehe 8:13
Marcinho: otimo saber. tks 8:13
aires: Você adicionou Writing Buddies? 8:14
Marcinho: capisco 8:14
Marcinho: não. o q seria? 8:14
aires: Faz como exemplo: 8:14
aires: É o meu profile no NaNoWriMo 8:14
aires: Se você estiver logado, do lado esquerdo aparecerá "Add as buddy" 8:15
aires: Mas olha na aba Writing Buddies 8:15
aires: Lá vai ter todo mundo que eu sigo como Writing Buddy (tem umas 15 pessoas) 8:15
aires: A ideia é poder comparar como você tá em relação a outros NaNos 8:15
aires: E a única forma de saber isso é se eles atualizarem a contagem diária 8:16
aires: Então, atualizar diariamente sua contagem faz com que você e outros consigam acompanhar como vão 8:16
aires: E aí fica uma "briguinha": quem tá atrás quer passar, quem tá na frente não quer ser passado 8:17
aires: Ajuda bastante a subida dos word counts 8:17
Marcinho: massa 8:21
aires: Bom, gotta go... ;) 8:22
Marcinho: otimo. a briguinha, estimula a gente a trabalhar 8:22
aires: Hasta! :) 8:22
Marcinho: vas-y 8:22
Marcinho: e gracias 8:22
Marcinho: posso publicar este dialogo no meu blog?  

In: http://www.chatzy.com/532806247981

 [Que falta de ética! Meu cronista me enche de conversação, quando deveria estar compartilhando comigo e conosco seu cotidiano. Não que isso faça diferença ou me sirva para algo, mas compromisso assumido deve ser cumprido. Não importa se encontra-se perdido ou desmotivado.]  

Quantas laudas por dia me fariam feliz?

"Uma lauda oficial corresponde exatamente a uma página formatada pelas normas da ABNT ( corresponde a aproximadamente de 1.800 toques ou 60 toques X 30 linhas).
O próprio word faz a contagem dos toques, que inclui os espaços.
Se precisar apenas da lauda sem ser a oficial, basta digitar em uma página com 25 a 30 linhas."
In: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071107185156AA8kE1C

3 de nov. de 2010

Kingo Diretório Múltiplo (Kindim)

Ferramenta de busca no Twitter, tal como as páginas amarelas da Lista Telefônica. Possui um catálogo de perfis de usuários, ordenados nas mais diferentes áreas, facilitando o acesso ao que possa nos interessar.

30 de out. de 2010

Saramago fala sobre Twitter

Eis-me aqui a degustar delicadas opiniões proferidas por todo ciberespaço vernáculo pelo magnânimo doutor, o mestre laureado (como o reconhecimento fizesse-lhe diferença). Concisão capricho dos publicitários e poetas afeta em demasia a prosa solitária dos sonâmbulos. Quem protestará contra a pressa opressora a gerar ansiedades esquizofrênicas? Ninguém. Quando não mais fabricarem doces e/ou balas para reverter nossas TAG´s, permitiremos a invasão dos diálogos pontos-e-vírgulas por entre nossas sensíveis sinapses corrompidas mais que atrofiadas.
Quem sou eu? 

O barco à devira sem porto, nem vela,
o Leme, a Âncora, o Mastro e o Convés. 
O Comandante da minha própria vida. 
A cicatriz do corte suturado
A água, o sal, o ácido e o adstringente. 
O Hércules expulso do Olimpo.
O verdugo carismático.
O acidente na trave
 A faísca no corrimão.

o molho da salada, 
o cotonete esquecido, 
a placa-mãe do 386, 
a roda da motocicleta que se soltou em alta velocidade. 

O amigo do JJ. 
O cunhado da Mary Fat. 
A pimenta engarrafada. 
O vendedor atencioso. 

O poeta a escrever versos jamais lidos.
O raio de Sol numa noite de luar, 
o clarão da Lua a dourar a pele esfoliada. 
A folha de citronela afugentando insetos. 

O filhinha da mamãe,
o orgulho do papai. 
O imperfeito, tal qual a ikebana vendida minutos atrás. 
O persuasivo transtornado. 

O filho do (censurado) 
e da (censurado), 
o neto da (censurado) 
e do (censurado). 

O encontro marcado às escuras.  

O bebê a mamar orvalho de folhas de eucaliptos. 
O filho entregue a Fortuna.
O gato amarelo preso na grimpa do flamboyant vermelho. 
O orientando do Doutor-Consultor-do-Banco-Mundial. 

O amigo a consolar vizinha traída. 
A incógnita: x³/7. 
A contraditória resposta ao senador. 
O revisor da tese de doutorado do Guil. 

Sou o Não-ser, porque apenas Ele é. 

6 de out. de 2010



El Mar Bailo para mi, originally uploaded by annais.
O mar me sonda. Pode vir? Vou consultar as runas.

14 de jul. de 2010

Tour Eiffel




Tour Eiffel, originally uploaded by Mizarin * BuSy *.

19 de mai. de 2010

Juro, Jurema, cumprimei as metas objetivadas por três meses de reclusão. Bolsa, seguro e renda. O cotidiano me serve de inspiração; Jackquie, a vida cheira a fralda descartável. O ambiente agradece. Perfume de maçã-verde. O quarto aromatizado do nenê interrompido. Estou descrevendo mais ou menos na velocidade que me permite o dorflex aplicado na coxa esquerda, pq à direita não me viro. DiCla, responde! Roleta-russa continua sendo o esporte preferido de machos viris que se encontram quase madrugada em estacionamentos dos supermercados 24h. Os gerentes agradecem, os vizinhos também. Os riffes de guitarras, solos desconcertantes estimulam o infanticídio das abelhas silvestres. Amargo como o mel de anteontem. Os riscos transparecem riscados sobre a lataria vulganizada. O Lua testemunha. Cúmplice. Perder a vida em segundos passa a ser estratégia de sobrevivência racionalmente drummondiana, assim como nos ensinou Fernando, DiCla. Uma pessoa acolhedora de tão azul seus olhos vermelhos. Lágrimas? Mariajuana. Marcinho, eram lágrimas adocicando seus beijos trocados. Assim como, preta, clara, braziliana tentara debulhar ciberneticamente as imagens do santo Hubble. Teerã é logo ali e Paris é um afresco esculpido no carvalho (caramba, como ainda te amo!) É necessário voltar e praticar digitalmente a arte dos sonhos. O bico do papagaio, uma criança intolerável de tão arrogante. Após às 8h, somente pesadelos nos visitam. Os neurotransmissores pedem abubo e eu peço a força infinita responsável pela explosão que me conceda a graça de seguir a trilha apontada pelas pitangas graúdas, peitinhos tenros de garotas etílicas. O cachaça saboreada nos seus lábios potencializa o efeito dos comprimidos. Assim o bolo se mistura, se assa e serve-se. Servícias pretuberantes de tão intumescidas. Gêneros não se distinguiam. Resumia-se a uma partida de bilhar: tacos, bolas e caçapas. Longos, grandes e pequenas. Muitos positivos, poucos negativos, alguém acabava se tornando neutro. Comportarámos como cães de pedigree em rinha por causa da cadela de rua virgem. A Lua por fim se escondeu atrás do Sol, cansada de filmar e fotografar ângulos que fariam inveja a David Lynch.

28 de abr. de 2010


Atendo estamos ao insuspeito movimento dos estrelas. Eu confio, tu confias, ele confia. Meu diário, nosso fígado rasgando suas páginas entre um intervalo e outro.                                                                              


76/365, originally uploaded by teriNala.

27 de abr. de 2010

Dulcissima Maria

Encanta-me sua capacidade de remover os excessos originais. Verdadeiramente, uma canção de ninar galalaus chantagistas com uma catarse ao final, identificada em um outro lugar, como se fosse uma brincadeira de ouvinte e artista. Nos seus últimos minutos, pode-se visualizar claramente os padrinhos subindo ao altar assinando o livro; os flashes das câmeras nervosas de fotógrafos amadores, celulares de profissionais, furo jornalístico, o beijo nem-nos-lembravámos-o-sabor-dos-seus-lábios, a lágrima a borrar o rímel. Olha para cima, madrinha. Olhe a handycam. O bebê no colo do pai, não o deixa acender o cigarro. Este insiste na transgressão (és más fuerte que yo), aquele não encontra consolo no ombro paterno. Eles se entendem. A mão pesada vence. Ninguém os observa. A mãe do noivo é soberana absoluta. Simples majestade. A nobreza nos envolve no mais sincero que há no mundo. Por que tinha de ser assim? A felicidade entra por uma fresta sem que percebamos, sempre depois das 16h.





Ave Maria de Gonoud - Carpenters

JB Online :: JBlog Harmonia - PHILIPPE JAROUSSKY: DISCOGRAFIA SELECIONADA

JB Online :: JBlog Harmonia - PHILIPPE JAROUSSKY: DISCOGRAFIA SELECIONADA

16 de fev. de 2010

experimentando o polêmico


E dessa fotografia fiz um postal para que eu nunca mais perca a motivação de viver.

Foi ótimo conversar com você, amigo da serra gaúcha.

Vamos voltar a blogar, a felicidade não se comprava na farmácia ao lado, era só escrever, escrever, escrever. Sobre o quê? Sobre a dor de não poder ser verdadeiramente quem se é. O fiscais me mostram as nuance que eu havia percebido. É carnaval. Meu primeiro carnaval longe da adicção. Estou feliz, mais uma vez e outra vez procratinando. Volte aos livros. Como disseram os Krishnas: "disciplina é liberdade'.