19 de mai de 2010

Juro, Jurema, cumprimei as metas objetivadas por três meses de reclusão. Bolsa, seguro e renda. O cotidiano me serve de inspiração; Jackquie, a vida cheira a fralda descartável. O ambiente agradece. Perfume de maçã-verde. O quarto aromatizado do nenê interrompido. Estou descrevendo mais ou menos na velocidade que me permite o dorflex aplicado na coxa esquerda, pq à direita não me viro. DiCla, responde! Roleta-russa continua sendo o esporte preferido de machos viris que se encontram quase madrugada em estacionamentos dos supermercados 24h. Os gerentes agradecem, os vizinhos também. Os riffes de guitarras, solos desconcertantes estimulam o infanticídio das abelhas silvestres. Amargo como o mel de anteontem. Os riscos transparecem riscados sobre a lataria vulganizada. O Lua testemunha. Cúmplice. Perder a vida em segundos passa a ser estratégia de sobrevivência racionalmente drummondiana, assim como nos ensinou Fernando, DiCla. Uma pessoa acolhedora de tão azul seus olhos vermelhos. Lágrimas? Mariajuana. Marcinho, eram lágrimas adocicando seus beijos trocados. Assim como, preta, clara, braziliana tentara debulhar ciberneticamente as imagens do santo Hubble. Teerã é logo ali e Paris é um afresco esculpido no carvalho (caramba, como ainda te amo!) É necessário voltar e praticar digitalmente a arte dos sonhos. O bico do papagaio, uma criança intolerável de tão arrogante. Após às 8h, somente pesadelos nos visitam. Os neurotransmissores pedem abubo e eu peço a força infinita responsável pela explosão que me conceda a graça de seguir a trilha apontada pelas pitangas graúdas, peitinhos tenros de garotas etílicas. O cachaça saboreada nos seus lábios potencializa o efeito dos comprimidos. Assim o bolo se mistura, se assa e serve-se. Servícias pretuberantes de tão intumescidas. Gêneros não se distinguiam. Resumia-se a uma partida de bilhar: tacos, bolas e caçapas. Longos, grandes e pequenas. Muitos positivos, poucos negativos, alguém acabava se tornando neutro. Comportarámos como cães de pedigree em rinha por causa da cadela de rua virgem. A Lua por fim se escondeu atrás do Sol, cansada de filmar e fotografar ângulos que fariam inveja a David Lynch.