20 de ago de 2007


Last Tango in Buenos Aires, originally uploaded by welsh boy.

Esperava o quanto fosse preciso. Garoto apaixonado pelo nada.

17 de ago de 2007


Autumn Swan, originally uploaded by PuffinArt.

Segue abaixo, uma piada recebida por e-mail de um parente muito próximo (por acaso, colega de trabalho). Estava mesmo precisando renovar meu velho repertório. Ao contar piadas de gays em reuniões familiares, provo do meu próprio sarcasmo me queimando a língua. Evita-se qualquer pergunta indiscreta. Estou com munição na agulha, não erro o alvo. Fazer humor das próprias angústias passou a ser um modo de vida.

"O FILHO GAY
Desconfiado das atitudes do filho, o pai leva o garoto ao psicólogo para descobrir se seu filho é homossexual.

O Dr pergunta ao garoto:
- Qual o vegetal que você mais gosta?
(Meu Deus, ele vai dizer cenoura ou pepino – pensa o pai).
- Chuchu – responde o garoto.
(Ufa! – pensa o pai).


- Qual seu número preferido? Pergunta o Dr.
(24! – pensa o pai).
- 111 – responde o filho.
(Ufa! Pensa o pai).
- Qual o animalzinho que você gostaria de criar?
(Cordeirinho, carneirinho, viadinho, ai meu Deus, o que esse moloque vai responder?! – pensa o pai).
- Jacaré! – diz o filho.
(Ufa! Aliviado fica o pai).


O que você quer ser quando crescer? -pergunta o Dr.
(cabeleireiro, alfaiate, estilista – pensa o pai).
- Advogado – responde o filho.
- Que fruta você mais gosta? – pergunta o médico [sic].
(Até aqui tudo bem, pensa o pai).
- Jabuticaba, afirma o menino.
O moleque deixa a sala e o pai aliviado, diz para o médico:


- Meu filho é um MACHÃO de primeira linhagem não é Dr?
E o Dr. Responde:
- Seu filho é gay assumido:
- Chuchu, dá o ano inteiro...
- 111 é um atrás do outro...
- Jacaré se defende dando o rabo...
- Advogado vive de vara em vara...
- Jabuticaba é a única fruta que nasce e morre grudada no pau!
Portanto, VIADÃO [sic] mesmo!!!"

16 de ago de 2007


total chaos, originally uploaded by b_unit.

Calma! A senhora está nervosa. Pedi educadamente a cliente indignada pq a vendedora se confundiu ao passar seu cartão de dédito. Imagine se vou pagar trinta e cinco reais no crédito.

Longo vídeo para aliviar o desejo de estar lá. Cumpre seu propósito. Me leva e me traz de volta.

15 de ago de 2007

Ode a Jack Kerouac


Ode to Jack Kerouac, originally uploaded by Olivander.


Acordado no meio da madrugada por uma fisgada que me recuso a investigar a procedência. Daqui a alguns posts direi: não era nada. Não é nada. Apenas dói. Sinal que estamos vivos. Levanto-me definitivamente. Acendo a luz. Pego meu laptop. Corro para o banheiro. Não reclama da sorte, rapaz. Houve uma época em que levantar-se no escuro era uma profissão de fé. Fizemos progresso. Floratil a essa hora, nem na rua das farmácias. Distraio-me com quem encontro on line no chat, porque no messenger não há mais ninguém. Quantas identidades terei de assumir até a dor ceder? Quantas forem necessárias. Nasce sol, traz de volta o dia, com a promessa que vou procurar ajuda. Esguicho, acompanhado de abruptos movimentos peristálticos. Sou acrobata e não sabia. Um italiano, um norueguês e um estadunidense. A luz do monitor piscando. Quem me fará esquecer minha humilhante condição de ser humano? O estadunidense lamenta pelo meu estado. Pára, rapaz, senão ele vai chorar. A beleza de um harmonioso par de sobrancelhas distrai, cura, refresca. Liga sua webcam. Ligo-a, mas me recuso a sorrir. Seria contraditório. Sorri para mim. Mostrar os dentes não é sorrir. Estou descabelado. Acabei de acordar. Minhas pálpebras inchadas escondem o castanho dos meus olhos. Tenho algo para você. Bomba de sucção não seria um objeto a se cobiçar no estado em que me encontro. Faltou sensibilidade. Desculpa. Envia-me depois uma fotografia tua... artística, por favor. Condeno pornografia. Gargalhadas atravessam o atlântico na velocidade de um beijo. Não queria se despedir, antes de mim. Até porque o fuso horário lhe favorecia. A luz do sol entrando por debaixo da porta do banheiro. Preciso ir amigo. Ah! Sério? Cinco horas. Tenho mais alguns minutos, já que estamos a sós aqui nós dois, presumo, esqueço o trivial e exploro as possibilidades. Se gostares de literatura, lanço uma moeda no cofrinho. Leio os best-sellers, nem sempre até o final. hehehe. Já que gostas, irei lhe presentear com uma caixa de bombons. A embalagem jogo no lixo, juntamente com o plástico e papel alumínio que nos protegia do chocolate. Veja isso. Ele está lendo o NYT, enquanto conversa comigo. Será que digito tão devagar assim? Conheço. Modestamente considero-o datado. Os anos sessenta pregava o amor livre (e o fim da guerra). Como se o sentimento pudesse ser aprisionado. Hoje, pode-se trazer a namoradinha para dormir em casa. Sem querer ser moralista. Não tenho nada a ver com a vida dos outros. Nem quando os problemas se tornam um caso de saúde pública. Mas eu preferia quando podia burlar os limites impostos pelo meus pais, era mais divertido. Tu és um beatnik? Hã? Como? Tu és remanecente da geração beat? Sou da geração saúde. Percebe-se pelo avantajado do tríceps. Black belt. Cinturões em torno do pescoço me deixam sem ar. Respeito muito minha faixa. Fantasias, meu bem. Fantasias acopladas a teorias sócio-antropológicas. Douglas Coupland agradece.

14 de ago de 2007


510 Morfina, originally uploaded by Juanjo Martínez.

A Montanha Mágica
Letra: Renato Russo

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal.

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora.

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que eu tenho de suave
E me fazes tão mal.

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto p'rá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas?

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes -
Agora só artesanato:
O resto são escombros.

Mas é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio .38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega - vou mudar a minha vida.
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol n'um copo d'água.

13 de ago de 2007


NYC - Bowling Green: Charging Bull, originally uploaded by wallyg.

Estava com receio de ter acontecido algo de grave. Continuamos sonhando. Faça as malas. Passado o furacão, sobre os escombros erguirei uma sólida carreira, sem direito a piadas. O humor é ácido, mais que inteligente. E vacilar seria perder de vez toda a esperança.

9 de ago de 2007


DSC069421, originally uploaded by skintype.

Ele me ama. Não o suficiente.

8 de ago de 2007


amor e caridade..., originally uploaded by U N I T I *.

Venho selecionando alguns trechos do "A Montanha Mágica" para publicar aqui no DiCla. Eis abaixo uns dos que mais me marcou. Verdades ácidas me guiam até a última página.

“-- Esses produtos da probidade burguesa – replicou Naphta – teriam sido de pouca utilidade para os séculos a que o senhor se refere. Nenhuma das partes interessadas poderia ter lucrado com eles, nem os enfermos e os míseros, nem tampoucos os felizes que se mostravam caridosos, não por compaixão, mas em prol da salvação da própria alma.” Mann, Thomas. A Montanha Mágica. 543 p.

7 de ago de 2007

Triste, tristinho, tristão, permaneci o resto da tarde. Coincidimos, do Dr. Isoldo e eu, estarmos checando nosso webmail. Ele está on line! Ele está on line! Gritou meu verde coração apreensivo. Vamos plantar trevos nos canteiros da janela do quarto. Quem nunca experimentou o sabor explosivo de surpreender um velho querido amigo a conferir sua correspondência virtual. Há quanto tempo não converso com ele? Três meses, uma semana e quatro dias. (Fui consultar o diário.) Mantenha-se calmo, Marcinho. Olha o tamanho do mico que você vai derrubar da árvore. Qual o nome da cidade onde desabou a ponte? Sinto muito... Off line. Nem ao menos um olá. Estou sobrecarregado de tarefas. Sinto falta de quando éramos livres, poderia ter escrito. Escrever-lhe uma carta lamentando a vida. Ele gosta de ser útil. De me consolar, quando chorar não faz a mínina diferença para mim. Sejamos sinceros, rapaz. Não agüento mais ver a CN Tower, para onde quer que eu olhe. E não poder tocá-la, subi-la, admirar Toronto lá de cima. O mundo aos meus pés. Tocar o céu com as ponta dos dedos sem ser recriminado. Prometo me comportar. Estou estudando para isso. Não pretendo me jogar lá de cima. Jamais. Até porque seria um pouco complicado para não dizer impossível tal proeza. Para contrapor a tua ausência, amigo, busco compensações em bancos de escape. Esse tempo todo fazendo eu da arte um instrumento afiado de escapismo! Pouco me importa, estarei colhendo morangos hoje à tarde debaixo de uma acolhedora poltrona macia. Estropiada, é verdade, mas confortável. Pouco me importando se casais namoram com as vergonhas para fora deixando essas mesmas poltronas macias melecadas de suor e outros fluídos vitais, sobrecarregando a tia da limpeza. Estarei colhendo morangos da tela de projeção. Silvestres. Na esperança de encontrar, quando chegar em casa, ao ligar o computador, ao acessar minha caixa-postal, uma resposta ao tempo que tenho aguardado pacientemente.

6 de ago de 2007

Para que aumentar a fonte, quando o realmente importa está morto e sepultado?
A multidão não mais me intimida, posso viajar pelo mundo atrás fogo que nos arde a pele; desde que meus olhos brilhem sinceramente. Qualquer dia desses conto-lhes a história do sabonete, prova irrefutável de todas as minhas perversões. Onde se viu resumir uma noite de fantasias num espumante souvenir? Estupidez, hoje. Lígia, incrédula, sorriu e mesmo assim relutava em acreditar no branco objeto perfumado que segurava em sua mãos. É para você. Depois joga fora para não lhe comprometer. Na fila que se formou, difícil seria reconhecer seus doces cílios louros espalhando rímel por onde passava. Há sempre um perfume exagerado a nos guiar pelo apertado labirinto. Ali estávamos. E o longo abraço revelava muito mais do que o reencontro de velhos amigos. Ela perguntou pela minha barba. Suas mãos acariciando repetidamente minhas maçãs lamentavam a ausência do que fora motivos de tantos desentendimentos. Deixei de usar, desde que abandonei a religião. Quanto radicalismo trazes ainda dentro de ti. A segunda pessoa era meu fraco, sua melhor arma de sedução. Corretamente combinados, pronome e verbo. Espontaneamente articulados. Quem ela ouvia falar assim, com essas vogais tão abertas, sem interferência ou distorções. Podia ter aproveitado a aproximidade do seu hálito levemente achocolatado e finalmente ter-lhe beijado os lábios. Ainda bem que não o fiz. Nunca sabemos quem surge subindo as escadas com um ramalhetes de girassóis nos braços.

4 de ago de 2007

Antes de você chegar

Não reconheço essa voz como sendo do Tim Maia. E surpreso estou por descobrir que a minha música predileta do J. Quest é uma cover de autoria de um mestre da black music brasileira: Hyldon. (Você, não sabia, Marcinho? Que desinformado você é!) Adoro escavar o solo vermelho do planalto central a procura de uma possível essência de mim mesmo. As compulsivas e sonolentas tardes de sábado tornaram-se rimas ricas numa profusão de acordes e melodias dissonantes. Nenhuma novidade até então. Nossa, ele é um gato. Onde você o conheceu. Comecei a contarolar desafinado e sem saber a letra. Não podia contar-lhe o quão cheiroso podia ser o banheiro de um centro comercial semi-abandonado. Ah, esqueci de lhe dizer: Baudelaire é uma bíblia que ele consulta antes de se deitar para dormir.

2 de ago de 2007


Hello, Again, originally uploaded by Natascha2007.

É o mais próximo que consigo chegar do sorriso do R. Homens vestindo camisas cor-de-rosa clara poderiam cruzar mais vezes nossos caminhos aos sairmos desatentos do supermercado. Olho, analiso, suspiro. Tudo muito rápido e discreto. Inquietação. Troca de olhares. Ele pára no lado oposto onde me encontro. Senhoras e suas pesadas sacolas de compras. Estaríamos chamando atenção? Parecemos dois assaltantes aguardando o comando de um suposto terceiro homem. Não há mais ninguém além nós. Uma patolada resolveria o problema. Rogo a Deus (aliás, obrigado Santo Antônio, por trazer o azul do céu para tão perto de mim) que seja discreto. Há crianças, mulheres e homens. E definitivamente, aquele não era o lugar mais indicado para se flertar. Finjo esperar alguém. Ele olha em direção ao jardim de cactos no outro lado do estacionamento, como se o tempo tivesse perdido todo seu valor. Aguarda o táxi chegar ou a namorada vir buscá-lo? Todas suas compras couberam numa branca sacola de plástico. Sua pasta a tira colo desse ser mais pesada. Ansiedade a me formigar os ossos. Aproximo-me? Concluo. Sorriu-me por educação. Vejo possiblidade, onde há somente gentileza. Polido. Deve ser de fora. Olha para dentro do supermercado, como se procurasse um refúgio. Se ele se encaminhasse em direção aos banheiros, saberia eu sua real intenção e poderia ir embora em paz. Tira um maço de cigarros do bolso da calça. Seria a deixa, seu eu fumasse. Com cigarro nos lábios, procura pelo isqueiro. O elegência com que vasculha os bolsos e bolsilhos, produz efeitos colaterais na minha pressão. Palpitações. Tontura. Tolice! Deve ter sido o bacalhau. Não deveria ter aceitado a oferta da demonstradora. Bolinhos ao crepúsculo continuam me fazendo mal.

(...)