2 de abr de 2016

               Quando se perde o sono às duas da madrugada, o que se faz? Ou fica rolando na cama, como se fosse um empanado ou se levanta para fazer um lanche. Arroz com feijoada e torresmo, não é bem um lanche, mas a panela estava ali e eu estava lá. A lasca de pudim de leite foi para arrematar.
                Na verdade, um barulho me acordara. Era o cadela querendo entrar? Não. Era um gato querendo sair. Preto. Então, está perdoado. Nós bem sabemos como são tratados os gatos pretos.
               Vamos ver se há alguém no feice? A essa hora, só os notívagos a trabalhar. Não vou incomodá-los. E aquele livros? Será que alguém me respondeu. Ainda estou a procura da listinha punk:
Os Diários de Virgínia Woolf (em português)
Os Diários de Sylvia Plath 1950-1962 (em português)
Os Diários de Franz Kafka (em português)
Os Diários de Jack Kerouac (em português)
El Diario de Anaïs Nin ou Henry e June (em português)
Diários de Brecht (em português)
Brecht, Bertolt. Diário de Trabalho, V.1-1938-1941 (em português)
                Não. ninguém me respondeu. Enquanto, eu sofrer essa restrição linguística, sofrerei horrores. Só a língua inglesa poderá me resgatar.
                Mas há outros livros para baixar. Gula livresca ou masturbação sociológica? Responda você mesmo. Estou a ler "Psicologia de Massas do Fascismo" do Wilhelm Reich (leia-se úiurrem raiz. Ah, esse alemão é tão fácil. Leia-se como se escreve. ) Para que ler esse livro? Para contestar o jornalista que chega no meu local de trabalho, saudando Hitler e disseminando ódio aos pretos, veados, travecas, aleijados e gorduchos (esqueci, alguém? Ah, me perdoe.) Tenho certeza que lá no Senado, ele não tem coragem de chegar gritando "Hail Hitler!" (leia-se reil - o "l' se pronuncia - Hitler)
              Gente, por que estou a fazer notinhas "leia-se"? Por acaso, estou achando que estou a escrever a para um leitor qualquer? Vai que ele é poliglota e fala mandarim, além do grego e hebraico?                       O monolíngue aqui sou eu, por enquanto. O IELST que me aguarde. 

1 de abr de 2016

  A crônica do dia se mistura entre pombos e falcões, muito embora preferíamos estar perdido num turbilhão de emoções. Solta o corpo, não vai ter golpe. Onde estava eu ontem à noite? Lavando as louças. Quando não há assunto, o assunto passa a ser a falta de. A ausência de vida que pulsa nas nossas veias e artérias viceja por encantos desencontrados. Queria querer o amor na mais dulcíssima razão, sem elipses, sem comer os verbos, com todas as vírgulas e ponto e vírgulas no lugares corretos e o que encontro é só autêntica desilusão. Quer chocolate, pequena? É amargo, como a vida é. Se você não tem o que dizer, cala-se de uma vez por todas. Se as formas de expressão artísticas não lhe inspiram a criação, cala-se de uma vez por todas. Olho para o Ubapuru  e só percebo que a microcefalia não é um doença de hoje. Olho para o Ubapuru e sinto uma sincera vontade de tomar sopa de palma. Tem gosto de quê? Prova. É abril. Vamos tourear.