3 de jan de 2009

Ainda sobre ontem à tarde, enquanto narrava as desventuras da nossa atriz, telefonemas tocavam na esperança que atendesse. Pronto. Oi, meu querido! E foram horas e horas de pato na laranja. Gema mole, por favor. Não pode. É verdade. Se ela escutasse nossas preces ficaria surpresa com o que fui capaz de revestir nossa capela. Santo Antônio me arruma um namorado, depois noivo, em seguida marido. Seriam essas nossas palavras se não tivesse sido as dela. Senhor, era um simples telefonema e eu a reconstruí-lo como bem entendo. Sou escritor. Ele ainda não sabe a diferença entre escritor e ficcionista, mas isso é entre nós, ok? Quem narra está fora e magicamente tomo conta da casa. Assim, são em todos os diários, dedos deslizam apressados pelo teclado do laptop, o furo daqui a minutos pode não significar mais nada e para isso existem os editores-chefe. Corrija, revise, aprove ou não. Ser o editor de si mesmo esse tem sido seu castigo. Ser o revisor de si mesmo esse tem sido seu encargo. A diferença entre entrar em casa e sair de casa. Talvez um encontro com seus pares no salão negro do Congresso Nacional sirva-lhe de bússula, mostra-lhe Morumbi, Pinheiros e a cracolândia no mapa. Sim, pois ir a São Paulo e não se servir das vísceras não lhe contribuíra em nada para sua imaginação geográfica. Poderiam narrar-lhe histórias, descrições de roupas sujas estendidas no varal, embora preferisse as roupas de seda lavadas à mão. Vanish remove manchas. Aprendeu a salvar as camisas do Barão, lendo rótulos no supermercado. Tu sabes muito bem de quem se trata. Ele retorna aquela idéia aquática. E permito que a minha voz se torne a dele. Acredito que será assim para sempre. Crônica de um dia, no qual faltou luz e o laptop foi confiscado. Mais barato, mais barato, EXTRA. Compra filhinho, me deixa feliz, deixa ser seu único confessor. Esqueça os psicólogos caríssimos e os padres pedófilos. Aquele lá não tinha nada de ficar alissando a virilha. Isso foi anotado em algum lugar eu bem sei. Tira esse pijama de flanela branca e vamos as compras. Quero estar contigo todos os dias do ano. Fazer estragos na tua conta-bancária antes que a estraga sozinho. Venha confessar todos seus pecados. Aliviar o peso da mágoa que comprime seu coração. Ele não consegue abandonar o metafórico, o ficcionista se esconde atrás de uma pastagem existente apenas sua cabecinha, cabaço. Onde mais capim pode ser servido no café-da-manhã? Venha ser feliz ao meu lado. Se não tem nada a dizer, não diga. Anotar que comeu miojo com molho de tomate no jantar, só servirá de prova a tua nutricionista que tua memória é uma caca de nenén. Não lhe prometo glória, nem fama, nem dinheiro. Até pq são substantivos que nunca fizeram parte da tua vida. Não seria agora que iriam fazer. Bem que Iowa, ou Londres, ... Esqueça o mundo. Concentra-se nesse quartinho fétido de onde tentas me dizer algo, tenta nos contar algo. Estás entalado. De que serve manter um diário, se nem aqui consegues ser tu mesmo. Tire esses anéis, penteia esse cabelo, veste uma roupa, porque só de calcinha não saio contigo e vamos nos divertir na rave mais próxima. Misturar tudo que passar na tua mão e acordar numa cadeira de rodas num pronto-socorro tomando glicose na veia. Os amigos ao teu lado, beijando-lhe os pés, a maquiagem borrada, a menina idolatrada. Os homens ainda brigam por ti. Socos ingleses. Alguém agoniza. A menina ri. A boca ensanguentada a procura de beijos que logo serão recusados. Dissimulada. Puta, eu te amo. E eu acreditava nele, Jesus! Toma a chave da Nissan, me leva para casa, para nossa casa, corrige o galalau. Ela jamais acreditando naquele conto de fadas. Até porque o príncipe perdera o encanto ao derrubar o outro e a lhe negar socorro. Havia limites para deboches. A vida imitando a arte às cinco horas da manhã na saída de um sofisticado clube da capital. O sol revelaria mais que o sangue de homens famigerados. O sol revelaria o suor de um amor que não ousava dizer seu nome a ninguém, nem mesmo protegido por codinomes. Os fatos por si só nos compromete e assim diário, mais um dia se passou sem a tua companhia. O Barão mandava, manda e controla todas as minhas emoções, as emoções de uma cidade inteira. Caprichoso. Monarca absoluto. Quem lhe deu tantos poderes. Pergunte ao pó, um livro que me deste de presente. Irónico. Eu o amo? Não. Amo o espelho o qual refletia tudo aquilo que eu jamais vir poderia ser: sua mulher.

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