23 de dez de 2006


What's In My Bag, originally uploaded by Burnt Pixel.

Ainda assim faltaria você. Inspira-me!

Estou aqui no pelourinho expiando por nossos erros. Quantas vezes precisaremos praguejar contra a operadora? Até aprender a se comportar numa delicatéssen. Veste a jaqueta. Pegue o gravador. Vamos dar uma volta no quarteirão. Tua postura não convence. Como se fosse necessário. O nível da minha insatisfação atingiu o intolerável. Vontade de bater a cabeça na parede até quebrar o pescoço. E porque não o faz? Tenho consideração pelos azulejos do Athos Bulcão. Seja claro, honesto, transparente. Confiro se os telefones estão no gancho. Maçante seria se fosse a antevéspera da bodas de ouro dos louva-deuses. E sua frustração toda seria porque Papai Noel não quis lhe deixar em casa. Ou não pode, ou não fazia questão. O protocolo cumprido no banco de trás de uma pathfinder, ao menos o couro respondia: “me rasga, me arranca, me faz de chicote”. Não adianta tamborilar os dedos no teclado. O verbo continuará atrasado. Vamos ao menos fazer uma empregada doméstica sorrir. “Ah! Você não entende o consumidor". E o que adiantaria se não podemos oferecer o que ele deseja? Respondi numa boa. Hoje, descobri que me davam gelo. Há! Há! Há! Gelo eu chupo ou enxugo. Há a possibilidade de raspá-lo também. Transparente ou opaco? Deixa pra lá. Quarenta graus lá fora; menos vinte, aqui dentro. E a noite, o Senhor Carisma, este escriba fracassado (redundante), estará recebendo os convivas. Reformas de posto de gasolina e mastoplastia tornaram-se assuntos tabus. Mesmo quando o tumor nos corrói os sentimentos. O anfitrião escondido atrás de um pote de nozes a quebrar. Podia ser um baile de máscara, assim não teríamos trabalho nenhum. A mesma expressão, para todas situações. Coloque-se no lugar do Estrela. Dos Estrelas. Quantos se apagaram esperavam você cumprir uma promessa que nunca seria capaz de cumpri-la, se eles não revisem tudo que lhes fora ensinado sobre a prática do coito? Eu menti, enganei e me sinto no direito de emputecido ligar xingando Fulaninho e Beltrano. Eu não tenho direito nenhum. O que você está fazendo? Nada. Se o sicrano tivesse feito a pergunta corretamente, eu teria lhe respondido a mais absoluta verdade: estou escrevendo uma carta suicida. Que mal há nisso? É apenas um exercício literário. Ele com certeza não teria deixado a latinha de cerveja ao lado do teclado. “Abre para mim. Abre-a para mim". Segurou a latinha em suas mãos, como se fosse um capitão levando o troféu da final do mundial de Interclubes. O anel de alumínio que poderia ser estraçalhado, amassado e regurgitado, se ele quisesse, preferiu jogá-lo no bolso da minha camisa. “Para você guardar de lembrança de mim”. “Já tenho muitas lembranças tuas.” Atirei-o longe. Observando sicrano bicar da cerveja, aguçou-me a vontade de recitar-lhe alguns versos de Camões, os que eu conseguisse me lembrar. Irritá-lo com que foi obrigado a estudar no ginasial. O frio alumínio roçando minhas costas a caminho do pescoço. Se tivesse restado alguma gota, estaria ela deslizando pela minha pele. Banhado, lambido e servido. Despejaria em mim todo o líquido sem se importar se eu aceitaria ou não; se eu agüentaria ou não. Pedir para buscar outra bebida, seria covardia com seus lábios a procura dos meus mamilos intumescidos. Precisa aperta-los tanto? Não morde! Solta! As unhas cravadas na nuca, um freio de mão improvisado. A força vento envergando o coqueiro até suas folhas encostarem-se no chão. Que vida se rache em bandas. Pedi apenas para que antes me deixasse salvar o arquivo. Ele chutou o estabilizador e me silenciou gemidos com meus lábios entre seus dentes.

Ouvindo Chico Ao Vivo (Disco 2), desde às 5 da manhã.

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