29 de out de 2007

No Dia Nacional do Livro me deito com os meus, sem me esquecer dos seus. Os telefones não param de me interromper. Agora, é um fax. Agora, é o barulho da pancada de um acidente lá fora. A correria arde, leitores. Fico lhes devendo a história completa about Rilke. As cartas que depois ganhei de presente do cara enganado pela minha sem-vergonhice. Eu não o amava, mas nem por isso tinha o direito de acordá-lo daquela paixão incadescente. Os restaurantes absurdamente caros, a gasolina derramando. Deixei-me seduzir pelo demônio do dinheiro e dos cartões de créditos e dos traveler's check. Seus beijos, saborosos como mashamellows de morango serviam de senha. Entra no meu Orkut, apaga quem você quiser. Se acordasse de madrugada para ir ao banheiro, ele acordava junto. O que foi? Está passando bem? Se quisesse comer mandioca cozida com manteiga e acúçar, ele ia no quintal arrancá-las. Interrompia sua série, para me apoiar a coluna. A academia lotada. No banheiro, um frevo. Ele evitava. Ele levitava quando me via. Lindo demais. Prostituído demais. E Rilke abandonado em algum lugar casa. Eu não o amava, mas havia me decidido: "vou amar quem me ama." O puro desejo se dissolvia no calor da sauna a vapor. Sem eucalipto. Sem sais. Um tapetinho na porta do banheiro para dizer que ali rolava o vale-tudo.

6 comentários:

  1. Fui lá ver o Rilke sugerido por você!

    Belíssimos poemas, especialmente... todos!!!

    Abraços, flores, estrelas..

    Aqui foi o primeiro blog que leio a lembrar do Dia do Livro!

    ResponderExcluir
  2. não tenha dúvidas: vc é um escritor!
    sabe o que me acontece ao te ler?
    fico me sentindo uma pretensiosa ao pensar em publicar um livro. talvez eu seja uma provavel escritora de "não faça isso, faça aquilo". por mais que deteste auto-ajudas!!! rs...
    putz... escrevi um monte com a única intenção de te elogiar!!!

    beijo-beijo (duplo pra ter mais sentido! rs...)

    ResponderExcluir
  3. Edson, a gente lembra, porque é lembrado. hehe. Um ponto para o pessoal da UOL. E o Rainer Maria Rilke mora no meu imaginário.

    Loba, elogios nunca me seduziram. Sou um cara mto desconfiado e cético, mas você me amoleceu o coração e até chego a acreditar que serei capaz. Beijos-beijos-beijos (triplo para se chegar bem longe)

    ResponderExcluir
  4. rsrsrsrsrs. n seja modesto moço. vc é muito bom.
    beijo senhor escritor.

    ResponderExcluir
  5. fui ver as poesias de Rilke. Belíssimas.

    ResponderExcluir
  6. Nanda, vou começar a acreditar. Bjs

    ResponderExcluir