9 de jun de 2008

momento poético ou a catástrofe atrás do biombo

Detesto ser chamado de irmão. Me lembra a seita. Segredos, vigia. Homens em campana. Homens na escuta. Eles sabem das horas telefonadas. Grampeadas. Transcritas. Oi amigão! Me abraça. Sustente o peso das minhas lágrimas nos seus braços... fortes. Sim. Seria quase um clichê se não fossem hipertrofiados. Carne dura. Me lembra mármore. Bonito de se vê. Me lembra David. E ai, irmãozinho, beleza? Me trate como mulher. Apaixonada pelo primeiro amor. Me trate como fêmea. Cadela no cio. Égua afogueada. A partir de agora, só me chame pelo feminino do meu oposto. Ele se assustou. Da garrafa de vinho sorvir um longo gole tripo. Seco. Tinto. Do que você está falando? Explico-lhe com calma. Não dá para continuar sendo seu amigo. Estou suando de desejo. Tremia de frio, como se fosse de medo. O clima dessa cidade é maluco. Veste meu casaco. Almiscarado. Ele olha para a boca-de-lobo. Pára. Sorri. Gargalhadas. Sem motivo. Me olha. Me encarra. Se você tivesse onde, te faria um filho aqui agora. No meio do passeio. Longe desse poste de luz que nos ilumina.

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